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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Curtas da Época

Nos últimos dois anos, o blogue deixou de ser actualizado com a regularidade de antes, e muitas foram as efemérides cujo debate se dispensou. Ao contrário de outros sítios, que preservaram a sua natureza noticiosa, deixou talvez de ser lugar de reunião para se discutir os mais comezinhos assuntos e passou a ser lugar de discussões pontuais, mais sobre assuntos de carácter geral do que sobre particularidades desportivas do momento. Gostaria, evidentemente, de manter os dois tipos de discussão, mas, à falta de melhor, optei por discorrer sistematicamente sobre os temas que mais me interessam. Ora, embora muito tenha acontecido esta época, pouco foi sendo discutido aqui. Numa tentativa (que não o é mais do que isso) de sumariar algumas das mais importantes incidências da temporada que agora acabou, aqui fica um conjunto de breves observações a esse respeito.

1 - O Sporting cumpriu, talvez, a pior época de sempre. Muito se tem dito sobre a queda competitiva do clube nos últimos anos, quando comparado com os rivais, mas pouca coisa acertada se tem ouvido. Há que assumir, de uma vez por todas, que a maneira de reerguer o Sporting passa essencialmente por não copiar os exemplos do Benfica e do Porto, não só porque não há dinheiro para investir como também porque o Sporting é um clube diferente, com virtudes e defeitos diferentes.

2 - Por falar em Sporting, Liedson regressou ao campeonato português, mas para reforçar o ataque portista. O homem que simboliza, a meu ver, as causas dos principais problemas desportivos do Sporting na última década foi uma ameaça constante para as defesas adversárias. Como sempre, de resto.

3 - Vítor Pereira sagrou-se bicampeão nacional. Reconheço que a forma como a equipa pressiona é notável, mas a equipa azul e branca só foi realmente um colectivo quando os jogadores decidiram que deveria sê-lo. Sempre que o Porto não teve James (e não o teve durante muito tempo, se contarmos o tempo que demorou a adquirir a melhor forma) a entrar entre linhas, aproximando-se de Lucho, e sempre que Izmailov não pode dar o contributo à equipa, o Porto foi ofensivamente uma nulidade. Vivia das acelerações dos extremos, do suor dos médios e da qualidade individual de um ou outro jogador.

4 - O jogo do título foi no Dragão. O Porto acabou por ser um justo vencedor porque, apesar de não ter jogado bem, foi a única equipa que quis os três pontos. Mas a forma como venceu o jogo e, por conseguinte, o campeonato, não podia ter sido mais irónica. O Porto não estava a jogar bem, não estava a ser capaz de penetrar no bloco encarnado e não estava a conseguir ser ameaçador, sequer. Em vez de reagir a esta evidência como um treinador, ou seja, racionalmente, Vítor Pereira recorreu à superstição. De uma assentada, pôs dois amuletos da sorte em campo, Liedson e Kelvin. Do outro lado, Jesus tinha feito a melhor acção do dia, pois tinha acabado de fazer entrar Aimar. Mas foi a superstição que venceu. Acontece, de vez em quando. Liedson e Kelvin nunca serão jogadores de futebol, Vítor Pereira não sabe explicar o que aconteceu, mas o Porto ganhou e foi campeão. É assim a vida.

5 - Jorge Jesus é, possivelmente, um dos treinadores mais interessantes, do ponto de vista ofensivo, no campeonato português. Mas, como o escrevi no texto anterior, nas últimas temporadas foi progressivamente abdicando de ser quem é e, neste momento, é só mais um como tantos outros. Na minha opinião, esta época perdeu muito mais do que os três troféus que esteve perto de ganhar.

6 - Agora é de vez. Aquele que foi, muito provavelmente, o melhor de sempre a jogar em Portugal vai deixar o futebol português. Os verdadeiros amantes de futebol estão bem conscientes do que acabam de perder.

7 - O Braga de Peseiro foi, em alguns momentos da época, a equipa que melhor futebol praticou em Portugal. Como é evidente, Peseiro tem inúmeros defeitos, principalmente a nível defensivo, e a sua equipa acabou por pecar por isso. Não obstante, fez um trabalho bastante bom.

8 - De Paulo Fonseca é preciso ver mais do que uma época de trabalho em que teve as condições certas para triunfar. O Paços jogou bom futebol, em alguns momentos, mas não é certo que muito disso não se tenha devido à extraordinária reunião de alguns jogadores bem acima da média, André Leão, Vítor e Josué, para falar apenas dos três que me parecem mais evidentes. Devo lembrar, aliás, que Josué só se tornou titular indiscutível a meio da temporada, e que, portanto, é pouco claro que as ideias de Paulo Fonseca sejam exactamente aquelas que esses três, quando jogaram juntos, conseguiram pôr em prática.

9 - Em Inglaterra, o Arsenal voltou a ficar à frente do Tottenham. Como o referira a meio da época, contra a opinião de alguns papalvos, a equipa de Villas-Boas não é melhor que a de Redknapp, e o trabalho do português em Londres foi uma decepção. A equipa é mais inglesa do que nunca e sem Gareth Bale, então, nem nos lugares europeus teriam ficado.

10 - Para o ano que vem, a Liga Inglesa será uma prova totalmente diferente. Por um lado, o Manchester United, com a saída de Ferguson, será com certeza menos hegemónico. Por outro, os novos treinadores de Chelsea e City quererão decerto desafiar essa hegemonia. Por fim, o Arsenal prepara-se finalmente, ao fim de alguns anos, para conseguir manter os seus principais jogadores. Com os reforços certos, e com a manutenção das ideias, Wenger pode finalmente voltar a sonhar com uma equipa candidata ao título.

11 - Em Espanha, aconteceu o que previa há mais de um ano: o Real Madrid de Mourinho, ao contrário do que se dizia na altura, não era uma equipa regular. O futebol dos merengues não teve nunca qualidade para se impor numa competição de regularidade e os 15 pontos de diferença para o Barcelona expressam isso mesmo. Foi a época transacta, não esta, que foi anormal. Mourinho trabalhou sempre para bater os catalães, e a equipa foi-se transcendendo até conseguir esse objectivo. Depois disso, o balão esvaziou-se, a irregularidade exibicional veio ao de cima e os níveis motivacionais baixaram drasticamente. Sim, é verdade que continuou a ter uma equipa competitiva, que foi sempre às meias-finais da Champions, que manteve o seu Real sempre num patamar relativamente elevado, mas a passagem de Mourinho por Espanha foi um tremendo fracasso. E foi-o sobretudo porque o Real Madrid tinha a obrigação de ser uma equipa diferente.

12 - Diego Simeone é um treinador banalíssimo. Soube convencer um excelente conjunto de jogadores de que podiam fazer mais do que lutar pelos lugares europeus, soube transformar o Atlético de Madrid numa equipa fortíssima, em termos mentais, capaz de encarar todos os jogos como uma final, e isso valeu-lhe um excelente campeonato e mais um troféu. Mas o futebol da equipa, também neste caso, depende excessivamente da motivação individual e colectiva. Como noutros casos, a pedra de toque de que me sirvo para avaliar o desempenho de um treinador é a qualidade do futebol apresentado, e essa nunca foi extraordinária.

13 - Em Itália, o campeonato voltou a ser um passeio para a Juventus. Há uns anos, achei que o futebol italiano se preparava para renascer, mas os sucessivos escândalos desportivos, as dificuldades financeiras de muitas equipas e o desinteresse dos investidores estrangeiros encarregaram-se de manter as equipas italianas num patamar inferior às espanholas e às inglesas. Tacticamente, é a par da Liga Espanhola o campeonato mais interessante. Mas perdeu muita qualidade individual, nos últimos anos, e tanto o futebol francês como o alemão parecem ter agora melhores argumentos para discutir o estatuto de terceira potência europeia.

14 - Quando se soube que Guardiola ia para o Bayern, Mourinho disse que nunca treinaria na Alemanha. No fim da época, mostrou-se que as duas equipas mais fortes da Europa jogavam na Alemanha, e que, se calhar, o campeonato alemão anda demasiado subestimado.

15 - Por falar em Guardiola, soube-se há pouco tempo que o treinador catalão quis levar Pirlo, ainda este jogava no AC Milan, para o meio-campo do Barça. A intenção, segundo contou o próprio jogador, seria ir rodando com Busquets, Xavi e Iniesta. Numa altura em que Césc Fabregas ainda não chegara a Camp Nou, já Guardiola pensava num meio-campo só de artistas. Se dúvidas houvessem, Guardiola não pensa como os outros. Para o meio-campo, pensa-se sempre num equilíbrio entre artistas e trabalhadores. No meio-campo de Guardiola só há espaço para artistas. Teria sido a cereja no topo do bolo, um meio-campo de anões, alguns dos quais parecem jogar de bengala. O futebol não tem nada a ver com capacidades físicas, e é por perceber isso como nenhum outro alguma vez o percebeu que Guardiola é diferente de toda a gente.

16 - O novo desafio germânico de Guardiola é, aliás, um dos principais aperitivos da época que aí vem. Para muitos, Guardiola terá muitas dificuldades em fazer melhor do que Jupp Heynckes, pelo simples facto de o Bayern ter vencido tudo esta temporada. Para mim, há muita coisa a melhorar. Ganhar tudo numa época é óptimo, mas não é o que define uma grande equipa. Ter a capacidade para ganhar tudo, época após época, isso sim, é uma equipa. Heynckes ganhou tudo esta temporada porque os jogadores se superaram. Tenho enormíssimas dúvidas de que, com Heynckes, o Bayern ganhasse alguma coisa na época que vem. A motivação da equipa atingiu o seu máximo, e a tendência natural seria relaxar. Com Guardiola, porém, tudo será diferente: os jogadores estarão motivados nem que seja para aprenderem a jogar de uma maneira que não sabem. O que há a melhorar? A qualidade do futebol da equipa. Em termos de qualidade colectiva, o Bayern não foi excepcional, e é aí que Guardiola deverá manobrar. Se, no final, ganha alguma coisa ou não, é pouco relevante.

17 - Miguel Rosa voltou a fazer uma época deslumbrante, desta vez no Benfica B. Como é que não se lhe dá uma hipótese na equipa principal?

18 - O Europeu de sub-21 terminou, e mais uma vez a diferença da selecção espanhola para as outras foi abismal. Como é que é possível não perceber que, mais do que os elogios, é preciso imitar o trabalho que se faz no país vizinho?

19 - A equipa ideal do euro sub-21, em 433, apesar de os extremos não serem extremos (Isco) ou de serem inferiores aos dois melhores extremos do torneio (Munian e Sarabia), os quais foram pouco utilizados, todavia: GK: David De Gea; DR: Ricardo van Rhijn; DE: Daley Blind; DC: Marc Bartra e Stefan de Vrij; MD: Kevin Strootman; MC: Marco Verratti e Thiago Alcântara; E: Isco e Wijnaldum; AC: Álvaro Morata.

20 - No mundial de sub-20, é a euforia do costume com uma selecção nacional banal. Num grupo paupérrimo (a selecção cubana nem para as distritais tem qualidade), Portugal até parece uma super-potência. Mas o futebol português volta a pecar por uma falta de imaginação gritante, por um conjunto de jogadores cujas principais virtudes são as aptidões atléticas, e por uma falta de competência, a nível de equipa técnica, que já não se usa. Edgar Borges é do século passado, e é por isso que Ricardo Esgaio, que poderia jogar quer a lateral, quer a médio-direito, não joga para jogar João Cancelo e Ricardo. Tiago Silva é, também, o melhor médio ofensivo desta geração, mas parece ser a última das opções de Edgar Borges. É verdade que esta selecção não é tão fraca como aquela que, há dois anos, chegou à final do mundial. Não tem, pelo menos na onze inicial, picaretas como Mário Rui, Danilo Pereira ou Saná. Mas o onze que tem sido escolhido não é muito melhor. Aproveitam-se talvez o guarda-redes José Sá, o central Tiago Ilori, e o médio João Mário, sobretudo se perceber que não é médio de ataque. Mika não é nada, Tiago Ferreira é tudo o que um central não devia ser e João Cancelo, se tivesse neurónios, até podia vingar. Ricardo Alves não sabe o que é ser médio defensivo, Ricardo tem tanta imaginação como uma couve de bruxelas e Tozé tem vontade e pouco mais.

21 - Bruma é a grande estrela da companhia, quer para portugueses, quer para estrangeiros. Reconheço que é forte no um para um e que está moralizado, mas continuo a achar que a euforia em torno dele é excessiva. Quando chegarem os jogos a sério é que será possível perceber o quanto pode dar. Bruma tem algumas dificuldades a pensar em espaços curtos, e só quando tiver pouco espaço e pouco tempo é que se poderá perceber se as suas qualidades são mesmo qualidades, ou se são fogo-fátuo.

22 - Quanto a Aladje, a ideia que fica é que já tem idade para ter filhos a jogar no mesmo torneio. Continuo sem perceber a insistência em formar equipas jovens com atletas com idades propositadamente falsificadas. O que é que se ganha com isto?

23 - Uma vez que faltam neste mundial algumas das habituais potências mundiais em escalões jovens (Brasil, Argentina, Alemanha, Holanda, etc.), reúnem-se as condições para que Portugal chegue longe. Um jogo com a Espanha é o que todos pedem, e seria, sem dúvida alguma, o adversário mais indicado para testar a real competência deste conjunto de jogadores.

24 - A selecção espanhola é, uma vez mais, o alvo a abater. Embora seja impressionante como o consegue ser, em quase todos os escalões, considero esta selecção, em termos de colectivo, bem inferior a outras. Não obstante a qualidade individual, que me parece muito semelhante à de outros escalões, vê-se pouca paciência a circular a bola, pouca capacidade para criar apoios próximos, demasiadas variações de flanco, de iniciativas individuais (sobretudo dos homens da frente e de alguns laterais), e uma verticalidade que não condiz com aquilo a que o futebol espanhol nos habituou. Não gostei particularmente do trabalho de Lopetegui nos sub-21, apesar da vitória claríssima, e ainda estou a gostar menos deste. É uma pena que, embora os espanhóis consigam formar fornadas de jogadores todos os anos, não sejam capazes de manter a bitola a nível de treinadores.

25 - Ainda sobre esta selecção espanhola, continua a falar-se demasiado em Delofeu e Jesé Rodriguez. São, claramente, os jogadores mais maduros desta selecção, e os mais reputados, mas estão longe de ser os melhores. É notável, no entanto, que se junte agora a estes o jogador do Liverpool, Suso. Há dois anos, ninguém falava em Suso. Agora, como já fez alguns jogos na Premier League, já tem reputação suficiente para merecer umas palavras. Os comentadores desportivos não vêem os jogos que estão a comentar; têm uma ficha à frente com os apontamentos que tiraram, repetem meia-dúzia de ladainhas, e acabam invariavelmente a gabar o que toda a gente gaba.

26 - Parece-me que Gerard Delofeu melhorou significativamente, nos últimos anos. De resto, estando no Barcelona, seria natural que isso acontecesse. Agora já não aproveita cada bola que ganha para experimentar ultrapassar o seu opositor directo. Já tem na cabeça mais do que as suas competências individuais e já procura vir para o meio, à procura de apoios frontais. Está, por isso, no bom caminho, e reconheço-lhe finalmente algumas competências para que possa vir a ser um jogador de topo. Quanto a Jesé Rodriguez, nem pensar. Mantém as mesmas características de há 2 anos, e não espero grandes coisas dele.

27 - Já há dois anos Suso me pareceu um jogador muito interessante. Tendo sido aposta em Liverpool, aparece moralizado neste torneio, e tem assumido algum protagonismo. Embora lhe reconheça talento, continuo a achar que os dois melhores jogadores desta geração são Denis Suárez e Oliver Torres. E destes, talvez por serem pouco exuberantes, ou talvez por não terem a reputação dos outros três, poucos falam. São os jogadores mais inteligentes, e aqueles que, por isso mesmo, melhor preparados me parecem estar para enfrentar as exigências do futebol sénior.

28 -Na final da taça das Confederações, vitória justa do Brasil. Foi a equipa mais compenetrada e, não obstante um futebol excessivamente musculado e aos trambolhões, com muitos problemas quer ao nível da decisão com bola, quer a nível posicional, foi a melhor equipa em campo. Os brasileiros acabaram por ter sorte por marcarem nos momentos em que marcaram, e da forma como o fizeram, mas a verdade é que o mau jogo espanhol não justificava um resultado positivo. É verdade, também, por outro lado, que as condições climatéricas favorecem quem está habituado a elas, e que o desgaste a que a Espanha foi sujeita na meia-final terá certamente condicionado a equipa na final. A Del Bosque pede-se que tire desta competição as devidas conclusões: se quer ser campeão do mundo no ano que vem, em condições climatéricas como estas, vai ter de rodar muito os seus jogadores, sobretudo os cinco mais adiantados, e desde o primeiro dia.

29 - Várias conclusões poderiam ser tiradas do que aconteceu nesta competição: que o Brasil é o principal candidato ao título mundial do ano que vem, que o reinado da Espanha chegou finalmente ao fim, que Scolari é um óptimo treinador. Há que perceber, no entanto, várias coisas. Para os espanhóis, como de resto para os italianos, esta competição não tinha a mesma importância que para os brasileiros. Basta ver como, numa meia-final, depois de 120 minutos desgastantes, quando a capacidade de concentração dos atletas não podia ser mais baixa, só à sexta grande penalidade é que alguém falhou. Espanhóis e italianos abordaram as grandes penalidades com que se poderiam apurar para uma final sem qualquer pressão porque, precisamente, a Taça das Confederações era só uma prova de fim de época. Acresce a isto que os espanhóis já ganharam tudo e têm pouco a provar. A única conclusão a tirar, do que aconteceu neste torneio, é que o mundial do Brasil do ano que vem vai ser tão mau ou pior do que o de 2002, no Japão e na Coreia. O futebol não é, definitivamente, um jogo de climas tropicais, e a qualidade de jogo será muitíssimo afectada pelas temperaturas e pela humidade a que se jogar daqui a um ano. Em condições destas, as competências intelectuais dos jogadores e as competências tácticas das equipas têm menos peso, enquanto os detalhes terão certamente maior importância. Não me surpreenderá, por isso, se algumas equipas europeias ficarem pelo caminho logo na primeira fase, como não me surpreenderá que as equipas sul-americanas (e talvez uma ou outra africana) façam uma boa prova. Será, creio, um mundial de fraca qualidade, em que os mais fracos verão as discrepâncias para os mais fortes serem drasticamente reduzidas. Mais do que um mundial de futebol, será um mundial dos que têm muita força de vontade.

30 - Como se deve ter percebido, não gostei minimamente do futebol do Brasil. Além de haver jogadores incrivelmente sobrevalorizados (como David Luiz, Hulk e Paulinho), o colectivo é banalíssimo. Defensivamente, desposicionam-se com facilidade, ocupam mal os espaços e reagem erradamente ao que quer que o jogo lhes peça. Ofensivamente, dependem excessivamente da inspiração individual. Há, no entanto, uma boa notícia: Neymar. O jovem craque mostrou finalmente mais do que dribles estonteantes, capacidade para irritar defesas e números de circo. Mostrou que pode jogar ao mais alto nível, que percebe a utilidade de procurar apoios curtos, de tabelar, etc.. Há dois anos, quando foi copiosamente derrotado pelo Barcelona, foi humilde em reconhecer a supremacia catalã. Na altura, tal atitude podia querer dizer várias coisas. Hoje percebe-se que era mesmo "humildade", que Neymar estava mesmo convencido de que o adversário lhe tinha ensinado alguma coisa. Não estava apenas resignado; tinha aprendido uma lição. Nos últimos dois anos, aplicou essa lição ao craque que era e tornou-se finalmente jogador de futebol. Há dois anos, procurava insistentemente Paulo Henrique Ganso. Fazia-o, parece-me, por diversão e por respeito, porque Ganso era dos mais habilidosos e lhe dava gozo fazê-lo. Hoje procura quem quer que lhe ofereça um apoio, e isso é o suficiente para que vingue no clube em que oferecer apoios ao portador da bola é o principal requisito de qualquer jogador. Dou a mão à palmatória: nunca fui demasiado hostil a Neymar, mas também nunca me encantou por aí além. Hoje, no entanto, ainda que por razões certamente diferentes daquelas pelas quais é aplaudido, acho que Neymar me provou que devia ter sido mais paciente a formar a minha opinião. Não alinho pela teoria de António Tadeia, de que Neymar é super-inteligente a jogar futebol, mas reconheço que perdeu alguns vícios e que pode melhorar bastante a esse nível no futuro. E isso costuma ser decisivo.

31 - Xavi a olhar para o chão, com a mão sobre a testa, no momento da grande penalidade que Sergio Ramos haveria de falhar, na final da competição - eis o momento mais interessante do torneio. Aliás, Sergio Ramos tem tanto a ver com esta selecção como um cristão tem a ver com a teoria do Big Bang.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Hegemonia e Geração Espontânea

Falar em hegemonia a respeito do futebol espanhol pode parecer, nos dias que correm, profundamente redundante. Depois da conquista de mais um campeonato europeu, poucos se atreverão a não conceder à Espanha esse estatuto. Há 4 anos, porém, quando tudo isto começou, poucos, como nós, arriscavam em votar no favoritismo espanhol. Entretanto, e reagindo ao futebol espanhol como se tem reagido ao Barcelona de Guardiola, insiste-se que qualquer adversário poderoso vencerá esta equipa, e que outros tempos se sucederão aos actuais. Não tenho dúvidas de que a selecção espanhola não ganhará tudo o que há para ganhar, nos próximos anos. Do que tenho dúvidas é de que, tão depressa, apareça um futebol capaz de se sobrepor a este, e de que a Espanha deixe de estar no lote dos grandes favoritos à vitória nas competições em que participar nos próximos... 20 anos. Para muitos, estes três títulos representam uma fase, uma hegemonia temporária, como tantas outras no passado, protagonizadas por outras selecções, que necessariamente será interrompida. Para mim, aquilo a que se assiste agora não tem paralelo na História do Futebol, precisamente porque não se pode medir-lhe a manifestação apenas pelos troféus que tem amealhado. Por trás das vitórias há um modelo fortemente enraízado, um estilo de jogo que é dominador, que condiciona irremediavelmente qualquer que seja o adversário, e que faz daqueles que o põem em prática mentalmente superiores. O jogador espanhol é hoje, pelo próprio estilo de jogo que pratica, superior, em termos de mentalidade, aos seus adversários, como em tempos os germânicos o eram. Para que a Espanha deixe de ser a principal favorita à vitória em cada prova que participar, não basta esperar que esta geração acabe, até porque esta geração tem bem mais do que onze jogadores competentes, e a esta geração, já se percebeu, sucederão outras igualmente talentosas. Também não bastará que seja derrotada na próxima grande competição, porque sabe-se que voltarão a ser favoritos na seguinte, apesar da derrota. Não bastará, ainda, que uma selecção qualquer, muitíssimo talentosa, apareça nos próximos anos, pois essa selecção, pelo carácter extraordinário do seu surgimento, desaparecerá sem deixar legado, enquanto os espanhóis, com novas gerações, continuarão a reinar. Para que a Espanha venha a ter quem lhe discuta a hegemonia, há que iniciar um trabalho a nível de formação, que não está iniciado em lugar algum, tanto quanto sei, muitíssimo parecido com aquele que foi iniciado há duas ou três décadas no país vizinho, e que agora está finalmente a dar os seus frutos. Daí dizer que a hegemonia espanhola terá ainda, pelo menos, 20 anos de vida.

Vem isto a propósito não do recente campeonato europeu ganho pelos espanhóis, mas pelo recente campeonato europeu de sub-19 ganho - imagine-se - pelos espanhóis. Que eu saiba, não há memória de haver uma selecção que dominasse tanto o panorama futebolístico como esta Espanha na última década, ganhando tudo o que havia para ganhar nos últimos 4 anos, a nível sénior, e ganhando quase tudo (quando não ganha, fica perto, e é sempre favorita) nos escalões mais jovens. Permitam-me a comparação com o hóquei em patins. Desde que me lembro de ver hóquei, havia apenas 4 selecções capazes de discutir títulos: Argentina, Itália, Portugal e Espanha. Explica-se isto de forma relativamente simples, pois eram países com tradição na modalidade, que iam formando, geração após geração, jogadores de qualidade em quantidades suficientes para poderem manter equipas competitivas. No caso do hóquei, que é um jogo muito mais simples que o futebol, a excelência colectiva terá sido atingida muito mais rapidamente do que no futebol, e depressa se formaram 4 selecções hegemónicas. Nenhuma outra selecção, a menos que inicie um trabalho de formação de fundo, consegue competir, de forma consistente, ao longo de muitos anos, com estas selecções. Em futebol, pelo contrário, até praticamente ao fim do século passado, faltava muito para que a excelência colectiva fosse atingida, e nações com bases de recrutamento muito grandes podiam ser consideradas favoritas, mesmo apresentando um futebol fraco, em termos colectivos. Hoje em dia já não é assim. E não voltará a ser assim. Arrisco mesmo a dizer que o Brasil, a menos que revolucione o seu futebol, não voltará a ser verdadeiramente favorito à vitória numa grande competição. Claro que poderá ganhar um campeonato ou outro, mas dificilmente voltará a ser a potência que foi se não modificar as suas prioridades. O que se fez em Espanha, nas últimas décadas, foi compreender o jogo, compreender aquilo que o jogo exigia, e formatar os seus praticantes para fazerem face a essas exigências. Hoje olha-se para uma competição de sub-19, por exemplo, e no lugar de miúdos imberbes, alguns com potencial, outros nem tanto, e uns mais afoitos que outros, vêem-se jogadores de futebol. Compara-se a selecção espanhola com as outras e, em vez de se conseguir isolar um ou outro miúdo com capacidades acima da média, capta-se um colectivo completamente distinto, em que todos os elementos possuem uma maturidade táctica acima do normal. Isso só é possível porque o futebol espanhol, em vez de tentar lapidar cada um dos diamantes que, por sorte, iam aparecendo, como se acredita, ainda hoje, que deve ser o trabalho de formação, passou a criar, através de uma concepção do jogo mais elevada, os seus próprios diamantes. Aquilo que distingue este futebol espanhol, cuja hegemonia actual não encontra paralelo em toda a História do jogo, é precisamente a compreensão de que, num jogo colectivo, como o é o futebol, a formação serve para criar talentos, no sentido literal da palavra "criar", e não apenas para permitir que certos talentos brutos, que existem antes de passarem pela fase de formação, adquiram competências que lhes permitam jogar ao mais alto nível. Em Espanha, não se acredita em geração espontânea, e isso faz toda a diferença.

A respeito, mais concretamente, deste europeu de sub-19, tenho várias coisas a dizer. Em primeiro lugar, que são treinadores como Edgar Borges que explicam por que razão Portugal nunca poderá chegar aos calcanhares do que se faz em Espanha. É verdade que ao seleccionador nacional só se lhe deu para as mãos um conjunto de jogadores, com a qualidade duvidosa que têm (ainda estou para perceber por que é que João Carlos, jogador do Liverpool, não foi chamado), a maior parte deles, mas optar, como o fez contra a Espanha, por uma marcação individual aos homens do meio-campo espanhol diz tudo sobre Edgar Borges. Na minha opinião, quem escolhe jogar assim, seja contra quem for, não merece uma segunda oportunidade. Poderia dizer muito mais, mas esta decisão táctica diz praticamente tudo. Quanto a valores individuais, aproveitar-se-ão, entre os portugueses, dois ou três. O melhor deles, o avançado Betinho, praticamente nem se viu, tal foi a pobreza, em termos de construção de jogo, da equipa. Ricardo Esgaio talvez tenha futuro, mas só como lateral-direito, como joga no Sporting. Como extremo, é banalíssimo. Tiago Ilori, se bem trabalhado, e se se modificarem certos preconceitos a respeito de defesas centrais, também dará jogador. Daniel Martins, o lateral-esquerdo do Benfica, também tem algumas características interessantes. Sobre Rafael Veloso, o guarda-redes, é preciso saber como evoluirá, em termos de mentalidade. Quanto aos restantes, sinceramente, não lhes auguro futuros espantosos. A excepção poderá ser o capitão João Mário, de quem não sou particularmente adepto, mas a quem reconheço alguns atributos importantes. João Mário não tem classe; tem tiques de quem tem classe. Se um dia esses tiques derem lugar a um jogador que compreenda quando os deve ter e quando os não deve, talvez venha a poder ser jogador. Para já, é apenas irritante. André Gomes, médio do Benfica, sabe jogar, mas tem contra si o tamanho exagerado, a pouca agilidade, e algumas deficiências técnicas, sobretudo resultantes desses atributos físicos indesejados. Quanto a Bruma, não dará em nada, ainda que, nos últimos anos, tenham chegado a Alvalade propostas milionárias para o levar. Ivan Cavaleiro é idêntico, mas com menos propostas milionárias. Sobre Agostinho Cá, não vou falar porque ainda estou a tentar compreender por que razão é que o Barcelona contratou, para jogar na sua equipa B, alguém que não é, nunca foi, nem nunca será jogador de futebol.

Sobre a Espanha, que é realmente a selecção sobre a qual se deve falar, tal foi o abismo que a separou das restantes, devo dizer que continuam a ser feitas observações precipitadas. Embora os espanhóis tenham mostrado ao mundo que o futebol é um jogo colectivo, e embora todos se apressem a enaltecer as virtudes colectivas desta equipa, quando chega a hora de falar em individualidades, fala-se sempre daquelas que menos atributos colectivos manifestaram. Para a grande maioria das pessoas, as duas principais figuras do torneio foram o goleador máximo da prova, Jesé Rodriguez, e aquele que é considerado o maior talento desta geração, Gerard Delofeu. Não porque é costume ser do contra, mas porque dou mais importância a aspectos colectivos, não foram estes os jogadores que mais me impressionaram. Aliás, não acredito mesmo que Jesé Rodriguez, por exemplo, venha a ter um futuro invejável. É um jogador habilidoso, mas fraco em termos de decisões. Delofeu, por sua vez, é parecido, embora mais rápido, mais forte no um para um, e, sobretudo, joga no Barcelona. Estando no Barcelona, pode aprender o que ainda não sabe. Se o conseguir, saberá como temperar as suas iniciativas um pouco melhor. É que, para já, é apenas um jogador muito forte em termos individuais. O seu principal problema, a meu ver, é não saber decidir quando deve ou não deve apostar em acções individuais. Sempre que Guardiola o colocou em campo, este ano, evidenciou precisamente isso. Na altura, pensei que fosse nervosismo. Depois deste Campeonato da Europa, percebi que era feitio. Gerard Delofeu esteve endiabrado, sim, mas porque apanhou defesas que lhe permitiram as diabruras. Daqui a uns anos deixará de o conseguir fazer com a facilidade com que o fez, e nessa altura terá de apresentar argumentos que não apresentou neste campeonato. Como disse, outros foram os jogadores que me impressionaram. Desde logo, o defesa-esquerdo do Barcelona, Grimaldo. Não é um jogador com grandes valências atléticas, mas sabe sempre o que fazer com bola, jogando invariavelmente no apoio, e, sem grandes correrias, nem um pulmão invejável, dá a profundidade certa à equipa no momento certo. De resto, podia falar em qualquer um dos do meio-campo (o capitão Campaña, médio-defensivo elegante; Suso, médio do Liverpool com um pé esquerdo notável; ou mesmo Ñiguez, igualmente esquerdino, e muitíssimo inteligente em todas as suas acções com bola), todos eles fortíssimos no que toca a decisões, e todos eles bons de bola, mas vou isolar dois, porventura os dois mais pequenos: Oliver Torres, do Atlético de Madrid, e Denis Suárez, do Manchester City. Esqueçam tudo o que acham que sabem sobre futebol, e ponham os olhos nestes dois pequenos jogadores. A forma como tratam a bola, a agilidade, a competência técnica, a facilidade no drible: é isto que distingue o actual futebol espanhol. Pouco jogaram juntos, é verdade (Denis Suárez foi quase sempre suplente), mas os adeptos mereciam que tal tivesse acontecido. Sem bola, procuram dar sempre um apoio vertical ao médio-defensivo, ou uma linha de passe ao lateral. Movimentam-se entre linhas como ninguém, tabelam, tiram adversários da frente com facilidade. Duas pequenas maravilhas! Continuo sem perceber como é que, dando a Espanha tamanho exemplo de competência em todos os escalões, se insiste em não povoar o meio-campo com jogadores com estas características. Oliver Torres e Denis Suárez são o paradigma do médio-ofensivo do futuro, um paradigma que demorou a chegar, mas que Xavi e Iniesta trataram de deixar claro que tinha mesmo de chegar. Se há uns anos se desconfiava que mais do que um jogador com estas características era prejudicial a uma equipa, os dois catalães ensinaram ao mundo de que era com dois assim, se não mesmo com mais, que tinha de se jogar futebol. Estes dois são herdeiros de Xavi e Iniesta, e seria natural que, ainda que não sejam actualmente aqueles de quem mais se fala, daqui a uns anos estivessem na ribalta do futebol europeu. 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Momentos

A semana e meia que passou foi pródiga em episódios caricatos. É sobre eles que irei falar.

1. Luis Sobral voltou a dizer porcaria. O artigo completo pode ser lido aqui, mas vou deter-me na frase central: "Só há duas verdadeiras razões para seguir uma partida do futebol italiano: ver jogar Ibrahimovic, ver protestar José Mourinho." Ou seja, para Luis Sobral, o futebol italiano é uma trampa e só se aproveita Ibrahimovic e Mourinho (este porque protesta). Fica implícito que o resto do futebol italiano não vale nada e que nem sequer merece o sueco. Resta saber que futebol é que Luis Sobral aprecia, então. Se a liga mais competitiva do mundo não o satisfaz, talvez prefira a segunda liga do Azerbeijão. São gostos. Ainda bem que há liberdade de expressão.

2. Por cá, tivemos um senhor a armar um circo e a acabar feito palhaço. Falo de Queiroz. Pegou num pormenor insignificante e que deveria ser incentivado, fez dele um cavalo de batalha e reprovou-o. Pereirinha e Rui Pedro ousaram fazer uma coisa diferente e tiveram de prestar contas à Inquisição. Não satisfeito com a reprimenda apalermada de Rui Caçador, o seleccionador principal decidiu suspender os jogadores. Não sei se Queiroz terá aprendido com Paulo Bento a castigar todo aquele que revela uma personalidade ambiciosa, mas parece-me claro que o 25 de Abril em sua casa é dia de trabalhos forçados.

3. Entretanto, o Portimonense saiu em defesa de Rui Pedro, sendo que o jogador nem sequer pertence aos quadros do clube. Do Sporting, nem uma palavra de apoio ao capitão da selecção de sub-21. Miguel Veloso bem avisou que os jogadores não têm apoio de ninguém.

4. Ainda sobre o mesmo assunto, a reacção de Caçador e de Queirós foi a de enfatizar até ao absurdo o incidente. Outros, como eles, acharam que aquilo que os jovens fizeram foi repugnante, irresponsável e uma forma de menosprezar o adversário que ilustra a falta de valores e de humildade no nosso país. Ao contrário disto, lembram os valores morais e a dignidade de outros povos, numa atitude provinciana levada ao extremo. O que eu gostava mesmo de saber era o que é que essas pessoas diriam se vissem Henry e Wenger, no flash interview a seguir ao jogo em que o mesmo Henry e Robert Pires falharam um penalty idêntico, a rirem que nem perdidos da situação. Se calhar também são portugueses e também não têm humildade. Destaco as sábias palavras de Wenger, ditas por entre um sorriso, enquanto os jogadores do Manchester City se sentiam desrespeitados: "também faz parte do jogo cometer este tipo de erros". Pois faz. Também concordo que há uma diferença de mentalidades: Wenger não tem a tacanhez de Queiroz.

4. Provavelmente satisfeito com o pulso forte que demonstrou, Queiroz não fez a barba para o jogo com a Suécia. Se tivesse que adivinhar, diria que o seleccionador se cortou da última vez que fez a barba e decidiu castigar as lâminas de barbear por falta de responsabilidade.

5. Entretanto, antes do jogo com os nórdicos, Cristiano Ronaldo, confrontado com o porquê de não render tanto na selecção quanto no Manchester United, disse o seguinte: "Se todos fizessem o que fiz, éramos campeões mundiais". A única coisa que podemos depreender daqui é que Pereirinha e Rui Pedro, infelizmente, têm de se aguentar à bomboca, pois não são Cristiano Ronaldo. Ou seja, tentar marcar um golo de uma maneira diferente, mostrando criatividade e ao mesmo tempo coragem, é motivo para ser castigado; dizer abertamente que nem todos se esforçam como ele é um comportamento louvável. Viva a liberdade de interpretação.

6. Vieram finalmente os suecos e Portugal não jogou nada. Há quem diga que Portugal se fartou de jogar à bola, mas estes se calhar têm medo que Queiroz os castigue se disserem o contrário. Portugal atacou muito, correu muito, impôs um ritmo alto. Nada disto é jogar bem. Houve intensidade, houve vontade de ganhar, houve atitude, houve garra, houve compromisso. Só não houve ideias. Infelizmente, não houve a única coisa que era preciso ter havido. E o futebol praticado foi uma coisa irracional, sempre a uma velocidade estonteante, como se cada jogador tivesse de ir tirar o pai da forca. Futebol não é halterofilismo; joga-se com a cabecinha. Resultado: meia-dúzia de lances interessantes em 90 minutos e tantas oportunidades de golo para um lado como para o outro. A Suécia, uma selecção absolutamente banal sem Ibrahimovic, sem ter feito nada por isso, por pouco não ganhava o jogo.

7. Receita para o sucesso: jogar com um central a trinco porque os outros são grandes, jogar com o Bruno Alves de início, jogar a segunda-parte toda com 4 centrais de raiz em campo, tirar Tiago quando era o único com ideias, manter no meio-campo Meireles e Pepe, não colocar a jogar Nani nem Moutinho, trocar Danny por Hugo Almeida. Poderia acrescentar outras: apostar em Eduardo, não convocar Nuno Gomes, Postiga, Quim, Zé Castro, Fernando Meira, Pedro Mendes, Carlos Martins nem Quaresma. Estou de certeza a esquecer-me de mais qualquer coisa.

8. Imagem de marca do desafio: Queiroz com as mãos na cabeça, provavelmente a cogitar quem é que iria castigar por Cristiano Ronaldo falhar aquele golo.

9. Três jogos em casa, duas equipas medianas e uma fraca, dois empates e uma derrota; 5 jogos, 1 vitória, 6 pontos, três jogos sem marcar, 7 pontos de distância para o primeiro. São os números de Queiroz. Não seriam números maus, se Queiroz fosse seleccionador da Albânia. Assim, é a matématica a lixar a vida ao professor. O próximo a ser castigado é o Pitágoras, por ter ajudado a que houvesse forma de fazer contas.

10. Jogo amigável com a África do Sul. Ganhámos 2-0. Dois golos de bola parada, em dois falhanços incríveis da defesa sul-africana. Viva! A pergunta que se impõe é: para que é que Queiroz convocou três guarda-redes se dois deles nem no amigável entraram? Ou foram castigados a meio do estágio por terem sido encontrados a jogar ao berlinde?

11. A selecção B também jogou e Queiroz esteve na bancada. Acho que depois disso já castigou o operador de câmara que o filmou a roer uma unha. Do jogo em si, é sempre bom destacar o golo de Djaló, bem como o facto de nenhum dos jogadores portugueses ter sido castigado. Pelé fez 30 passes de ruptura inconsequentes e continua um senhor jogador.

12. Na zona sul do nacional de juniores, o Sporting foi vencer ao Seixal o Benfica, dando um passo seguro rumo à fase final. O Belenenses, que vai a Alcochete esta semana, ficou a 1 ponto do Benfica, que não contará com Nélson Oliveira nos próximos jogos, por ter sido expulso. Acho que Queiroz pensou em castigar toda a equipa do Sporting por ser muito melhor que a do Benfica.

13. Se os filhos do Queiroz aparecerem com um olho à belenenses, aposto que foi por o pai ter encontrado os miúdos a dizer que o Ibrahimovic jogava para caramba.

14. Na Liga, Lisandro foi castigado por ter simulado um penalty frente ao Benfica. Isto cheira-me a coisa do Queiroz.


quarta-feira, 25 de março de 2009

Podias ser mais atrasado, Professor? Não, não podias...

Pereirinha e Rui Pedro, na sequência do penalty não convertido contra a selecção de Cabo Verde, foram suspensos pelo Professor Carlos Queiroz.

Este capricho do principal responsável técnico das selecções nacionais, aliado às declarações de Rui Caçador, poderá ter repercussões a todos os níveis nefastas. E isto não se aplica só aos dois jogadores que foram castigados.

A opção por crucificar dois jogadores que "ousaram" fazer algo de diferente não se esgota no castigo "concedido". Quando se condena um acto destes, desta natureza, está a circunscrever-se a irreverência, a originalidade, a coragem de num dado momento surpreender, mas, acima de tudo, está a condenar-se os que pretendem algo mais. O mais fácil naquela situação seria apontar a grande penalidade de forma vulgar. E isto só não aconteceu porque um jogador, num dado momento, sentiu que poderia fazer mais, porque ousou tentar algo de diferente. E tentar algo de diferente nada tem a ver com desrespeito, ou leviandade.

Mas não deixa de ser engraçado atentar nas declarações de Rui Caçador: "se eles tivessem feito aquilo num jogo com uma selecção mais forte, com o resultado 0-0 e num jogo a doer, aí, talvez até aceitasse a classe e a coragem dos jogadores. Assim, não". Peço desculpa, mas quem é que faltou ao respeito a quem? Quem é que está a tratar os cabo-verdianos como uns coitadinhos? O jogador que achou que devia "caprichar"? Ou o treinador que acha que contra estes "pobres coitados" qualquer um pode fazer algo do género?

E que dizer do seleccionador principal? É para isto que pretende participar mais nas selecções jovens? Para poder mostrar serviço, já que na selecção principal é a miséria que se vê? Cuidado com os "banhos de humildade" professor, não vá ter um tipo alto e loiro a escovar-lhe as costas no próximo sábado.

Depois há uma questão que não podemos ignorar: cada jogador é um caso! Não conheço muito bem o Rui Pedro, mas se há coisa que se não pode apontar ao Pereirinha é tiques de vedeta. Aliás, quem o conhece bem até admite que uma das razões de ele ainda não se ter imposto de forma categórica é a maneira demasiado "correcta" e "certinha" com que tem pautado as suas exibições, não se vislumbrando a coragem e a irreverência que sempre demonstrou, quer nas camadas jovens, quer na liga de Honra, ao serviço do Olivais e Moscavide (na altura ainda com idade de júnior). Não me parece, portanto, que esta opção em retrair a irreverência deste jogador se possa revelar positiva no futuro do mesmo, temendo até que possa suceder exactamente o oposto no desenvolvimento de Bruno Pereirinha.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O que sobra da derrota...

Mais importante que o resultado ou a exibição da renovada selecção dos sub-21, é conferir o desempenho dos jogadores que actuaram na partida contra a Ucrânia.

Começando pelos guarda-redes: tarde descansada para Patrício, o que já não se aplica a Ventura. O guardião formado nas camadas jovens do Porto, apesar do golo sofrido, revelou tranquilidade e segurança sempre que foi chamado a intervir.

Centrais: Carriço esteve ao seu nível, o que significa que foi dono e senhor de quase todos os lances que disputou. Miguel Vítor foi outro que esteve à altura das expectativas que temos, ou seja: uma exibição esforçada, mas com pouca lucidez. Já André Pinto demonstrou algumas dificuldades no posicionamento, assim como alguma lentidão nos processos.

Laterais: João Gonçalves foi o que se exibiu ao melhor nível. Algumas culpas no lance do golo (o adversário que cruzou para o golo foi mais forte que ele no "choque") não ensombram uma bela exibição, principalmente a atacar. Tiago Pinto esteve desastrado no passe, revelando demasiada ansiedade. Ruben Pinto exibiu-se a um nível superior, pecando apenas por exagerar nos lançamentos longos (no lance do golo não acompanhou o jogador que fez a diagonal e concretizou a jogada).

Médios: Stélvio Cruz, um Pelé, mas em mau. Castro e Rui Pedro (jogam em posições diferentes, bem sei) são um pouco a antítese um do outro: Castro joga bem, mas em esforço e sem ponta de estilo. Rui Pedro, estilo tem; o problema é que revela pouca imaginação, assim como pouca segurança no passe. O futebol de Pereirinha continua igual a si próprio: tão correcto e inteligente, que até parece simples. Mas não é. Romeu Ribeiro, nos poucos minutos que esteve em campo, fez-me questionar o que se passa com o Miguel Rosa (apesar deste ser mais novo).

Extremos (bem sei que Portugal apresentou, no início, um 442. Mas a verdade é que Candeias funcionou mais como extremo do que como interior): o extremo portista é forte nos duelos individuais, misturando técnica e velocidade em boas doses. O problema é que dá ideia que não sabe fazer mais nada que fintar e rematar. E rematar de qualquer forma, e de qualquer sítio, não me parece uma solução muito inteligente. Ukra mostrou muito pouco nos minutos que entrou. Já o vi actuar noutras ocasiões e, apesar de não o achar nada de extraordinário, não é tão mau quanto pareceu. Paim teve ainda menos tempo. Mostrou bom toque de bola, mas de forma inconsequente. Pareceu demasiado individualista.

Avançados: Orlando Sá parece-me um jogador a rever. Não é muito evoluído tecnicamente, mas não é mau nos apoios, e movimenta-se bem na área. Pena não jogar mais vezes no Braga. Seria interessante ver a sua evolução. Yazalde pareceu mais forte no 1x1 que o Orlando; nos poucos minutos que jogou demonstrou isso, fazendo uso da sua velocidade e força. No entanto, é outro jogador que jogou poucos minutos. Daí ser complicado dizer muito mais.

Sendo cedo para tirar conclusões, há no entanto meia-dúzia de jogadores interessantes que merecem um acompanhamento mais próximo, assim como mais oportunidades nos respectivos clubes. Outros... Nem tanto...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

12 coisas

1. Pelé anda agressivo. Depois de ter visto um cartão amarelo na primeira acção em campo frente ao Benfica, eis que, na jogada a seguir ao terceiro golo dos checos, que nasce numa perda de bola sua, perde a bola (de novo?) ao tentar fintar no meio-campo e vai às pernas do adversário, vendo um cartão vermelho directo. Será que, com Mourinho, percebeu que ser jogador de futebol é tudo menos uma questão de força, técnica e estilo e anda enervado porque não tem mais nada?

2. Por que é que ninguém dá um par de lambadas no Manuel da Costa? Ou então expliquem-lhe o que é jogar futebol...

3. Como é que se seleccionam jogadores para as equipas jovens? Pela quantidade de dinheiro dos seus empresários?

4. Começou a época em Inglaterra e o Chelsea goleou. O golo de Deco, além de um frango monumental, é a melhor ilustração do que é o futebol inglês. Naquela altura, parecia que o Chelsea estava a jogar contra 6 ou 7...

5. Fábio Paim vai ser emprestado ao Chelsea. Como não tem passaporte brasileiro, em Portugal não tinha lugar.

6. O Sporting limpou mais uma taça e venceu de novo o Porto. Coincidência ou falta de aprumo de Jesualdo?

7. Nos Jogos Olímpicos, a Argentina limpou, sem apelo nem agravo, um Brasil órfão de ideias. Quem continuar a achar que Anderson tem um talento ímpar só pode andar a dormir. O jogador do Manchester fez um jogo combativo, esteve sempre perto da luta, mas com bola é um desastre. Tem os seus argumentos técnicos, mas quando tem de decidir rápido decide mal. No meio-campo, pode ser bom para ajudar à luta, mas é um elemento a menos a construir. Hernanes é um jogador banal, apesar de se falar muito nele. Thiago Neves é francamente mais talentoso, mas nem a excelente exibição frente à China lhe valeu a titularidade. Lucas Leiva é, além de francamente lento, muito mau a nível posicional e pouco expedito com bola. Tudo o que de bom o Brasil fez nestes Jogos Olímpicos saiu dos pés de Diego, o tal que não é maduro nem tem qualidade para jogar ao mais alto nível. Tudo o que de bem construído o Brasil fez, passou por si. Além disso, no jogo contra a Bélgica, por exemplo, foi da sua garra que nasceu o golo de Hernanes, vencendo na luta o gigante Fellaini. Continuar a achar que ele também não defende é razão para uma consulta de oftalmologia. Contra a Argentina, esteve pouco em jogo, sobretudo graças ao mau jogo com bola dos restantes médios. Mas, sempre que a teve, fez o jogo fluir. Diego, Ronaldinho e os laterais, Rafinha e Marcelo (a quantidade de cuecas que este menino faz é uma coisa absurda!), foram os melhores. O guarda-redes Renan também me pareceu seguro; Pato ainda é muito novo, embora o talento já lá esteja. Quanto aos centrais, que miséria! Aquele que dizem ter 18 anos, mas que tem pelo menos 3 ou 4 a mais, parece o Pepe, mas ainda mais limitado de ideias e mais lento; do outro, basta dizer que é irmão do Luisão.

8. Na Argentina, destaque para Aguero, Messi, Riquelme e Gago. Mascherano não é mau, mas no meio destes roça o banal. Ver jogar Riquelme é um sonho. Que nunca desapareçam os jogadores como ele!

9. No Porto, Quaresma continua sem jogar. Há quem diga que já está vendido. Se não está, que sentido faz continuar de fora?

10. Fucile foi castigado por causa de ter marcado um penalty à Panenka contra a vontade do professorzinho ou Jesualdo quis dar hipóteses ao Sporting, não o pondo?

11. A David Luiz está a acontecer o mesmo que aconteceu a Anderson, há duas épocas. Fizeram meia-dúzia de jogos a um bom nível, embora tenham denotado algumas deficiências, lesionaram-se e pararam durante muito tempo. Durante essa altura, foram feitos de mártires e imaginados como salvadores da pátria. De repente, sem terem mostrado nada de relevante, passaram a génios. Tanto um como outro têm qualidades, mas essas qualidades foram muito exageradas pela opinião pública.

12. Derlei, Djaló e Postiga estão em boa forma. Se o Sporting continuar a ganhar e a jogar suficientemente bem, com que legitimidade poderá Paulo Bento relançar na equipa Liedson? Querem ver que esta é a época de todas as verdades...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pelé: um estudo

O jogo é o Portugal-França, na categoria de sub-21, a contar para o Torneio da Suécia. Em estudo, a exibição de Pelé, um dos novos ídolos, juntamente com o Gato das Botas e a Padeira de Aljubarrota, dos relvados portugueses. De referir, antes de começar, que Pelé esteve, na minha opinião, uns furos acima do que é normal, não abusando tanto do passe comprido, por exemplo. Isto deve-se, em parte, à forma como a equipa francesa defendeu, nunca pressionando em cima e fechando-se lá atrás, obrigando Pelé a passes mais laterais e recuados.

1 minuto: Má opção. (Recebe e dá em Manuel Fernandes, embora tivesse tido tempo para virar o flanco e pudesse, com isso, descongestionar o jogo.)

1 minuto: Boa opção. (Recebe um lançamento e entrega a Manuel da Costa.)

2 minutos: Falta. (Faz falta sem necessidade.)

5 minutos: Má opção. (Tenta driblar, perde, mas recupera graças ao porte atlético.)

6 minutos: Boa opção. (Dá atrás depois de receber.)

6 minutos: Má opção. (Drible arriscado no meio-campo que, por acaso, sai bem, havendo porém o perigo de, perdendo a bola, a França criar uma situação de superioridade numérica que era desnecessária.)

7 minutos: Mau passe. (Mau passe para a ala, a permitir a recuperação francesa.)

7 minutos: Recuperação de bola. (Recupera uma bola depois do jogador francês a adiantar em demasia.)

10 minutos: Mau passe. (Passe longo, na direcção de um francês.)

10 minutos: Má opção. (Tentativa de passe longo que acaba nas mãos do guarda-redes adversário)

15 minutos: Recuperação de bola. (Intercepta um passe e dá em Manuel Fernandes.)

15 minutos: Sofre falta. (Sofre falta à saída da grande-área, ao proteger a bola, após um ataque perigoso dos franceses.)

16 minutos: Mau posicionamento. (Demasiado subido no terreno, a permitir espaço entre linhas.)

18 minutos: Boa opção. (Devolve atrás.)

21 minutos: Mau passe. (Tenta pisar a bola, mas falha; o jogador francês escorrega e ele recupera, entregando depois mal a bola, obrigando Antunes a dividir a bola com um adversário.)

22 minutos: Mau posicionamento. (Novamente adiantado, concedendo muito espaço nas suas costas e entre os centrais.)

23 minutos: Boa opção. (Dá em Manuel da Costa.)

23 minutos: Boa opção. (Recebe e dá em Paulo Machado.)

25 minutos: Mau posicionamento. (Estando demasiado avançado, permite espaço entre si e os centrais, que Manuel da Costa tenta preencher, avançando ligeiramente; como Nuno André Coelho não acompanha, um lançamento longo apanha o avançado gaulês nas costas do defesa português, não sendo golo por manifesta falta de calma do francês.)

25 minutos: Boa opção. (Dá em Paulo Machado.)

25 minutos: Mau passe. (Executa um passe com demasiada força e para Bruno Gama, que não teria boas condições para receber a bola.)

26 minutos: Boa opção. (Devolve a Manuel da Costa.)

28 minutos: Mau remate. (Apesar de a opção não ser necessariamente má, o remate é francamente mau.)

30 minutos: Perda de bola. (Depois de a bola ter sobrado para uma zona de ninguém, tenta ganhar uma bola em habilidade, pisando-a, mas fá-lo de forma lenta e um francês rouba-lha.)

31 minutos: Boa opção. (Recebe, roda e dá em Manuel Fernandes.)

34 minutos: Boa opção. (Tabela com Manuel Fernandes, que no entanto estica demasiado o passe e o lance perde-se.)

39 minutos: Boa opção. (À entrada da área, tenta arranjar espaço para o remate; não consegue e dá para o remate de Paulo Machado.)

40 minutos: Boa opção. (Devolve a Nuno André Coelho.)

41 minutos: Ultrapassado. (É ultrapassado no um para um com relativa facilidade.)

42 minutos: Mau posicionamento. (Novamente muito subido, permite que apareça um adversário na sua zona, à entrada da área, a rematar completamente à vontade.)

44 minutos: Boa opção. (Recebe e dá em Manuel Fernandes.)

45 minutos: Má opção. (No meio-campo, com a selecção gaulesa a perder uma bola em transição e podendo jogar de forma mais cautelosa, efectua um passe longo para Edinho; este quase consegue chegar antes do guarda-redes, mas apenas porque a bola se afasta da baliza, obrigando o guarda-redes a percorrer um espaço maior.)

45 minutos: Má opção. (Com a equipa francesa descompensada, recebe uma bola de Antunes, podendo rodar o jogo para a direita, esticando-o, mas prefere fintar, voltar ao meio, perdendo a hipótese de uma transição rápida e permitindo à selecção francesa que se reorganizasse defensivamente.)

48 minutos: Boa opção. (Dá em Paulo Machado.)

51 minutos: Mau passe. (Passe sem nexo para o centro da defesa francesa.)

51 minutos: Ultrapassado. (É ultrapassado em velocidade por um adversário, junto à linha.)

55 minutos: Mau posicionamento. (Com Antunes fora a ser assistido, um dos centrais franceses entra pela esquerda da defesa e, através de um passe recuado, encontra um companheiro que tem tempo para tudo, numa zona que Pelé tinha de, obrigatoriamente, ter ajudado a preencher, coisa que não fez; do lance resulta o primeiro golo da França.)

56 minutos: Boa opção. (Dá para trás.)

58 minutos: Boa opção. (Recebe, tira um adversário e dá em Paulo Machado.)

58 minutos: Bom passe. (Passe vertical para Edinho.)

58 minutos: Ultrapassado. (Vai à queima e é ultrapassado.)

59 minutos: Corte. (Corte para o ar.)

62 minutos: Má opção. (Depois de deixar pregados ao relvado dois adversários, passando no meio deles, decide mal e entrega a bola a um adversário.)

64 minutos: Boa opção. (Entrega a Paulo Machado.)

66 minutos: Boa opção. (Recebe, dá em Manuel da Costa; este devolve a bola e Pelé abre na direita, para João Pereira.)

67 minutos: Corte. (Ganha um lance de cabeça.)

68 minutos: Má opção. (Tenta fazer uso do seu poderio atlético e segurar a bola junto à linha, quando a poderia entregar a um colega, e acaba por perdê-la.)

72 minutos: Boa opção. (Dá para Nuno André Coelho.)

73 minutos: Recuperação de bola. (Recupera uma bola.)

73 minutos: Má opção. (Depois da recuperação de bola, progride no terreno e, de muito longe e sem preparação, tenta alvejar a baliza adversária, quando se impunha que jogasse com um colega.)

75 minutos: Corte. (Corte com a ponta do pé, com a bola a sobrar para Paulo Machado.)

76 minutos: Remate. (Remate contra a barreira, na sequência de um livre indirecto.)

78 minutos: Bom passe. (Passe vertical para Hélder Barbosa.)

78 minutos: Má opção. (Ganha um ressalto; tenta fintar e perde a bola; ganha novamente o ressalto, dribla um adversário mas torna a perder a bola.)

80 minutos: Mau passe. (Mau passe para Tiago Gomes.)

80 minutos: Boa opção. (Recebe no peito e dá para Nuno André Coelho.)

81 minutos: Boa opção. (Entrega a João Moreira.)

81 minutos: Boa opção. (Dá atrás.)

81 minutos: Boa opção. (Dá a Paulo Machado.)

82 minutos: Boa opção. (Abre para João Pereira.)

83 minutos: Boa opção. (Intercepta e dá em Paulo Machado.)

84 minutos: Boa opção. (Entrega a Paulo Machado, recebe novamente e dá a Celestino.)

85 minutos: Bom passe. (Passe a abrir na esquerda, para Tiago Gomes, embora o facto de o lateral esquerdo não ter apoios tenha inviabilizado a jogada.)

85 minutos: Boa opção. (Passa a Hélder Barbosa.)

86 minutos: Mau passe. (Passe vertical para um colega que tinha marcação apertada, resultando numa bola dividida e, depois, perdida.)

86 minutos: Boa opção. (Dá atrás.)

86 minutos: Boa opção. (Recebe, tira um adversário com uma simulação de corpo e entrega bem no meio.)

87 minutos: Boa opção. (Dá para Manuel da Costa.)

87 minutos: Boa opção. (Passe lateralizado para Tiago Gomes.)

92 minutos: Má opção. (Tentativa de passe longo que acaba nas mãos do guarda-redes francês.)


Para melhor se aferirem os resultados, coloquei em negrito as acções negativas de Pelé. Vamos aos resultados:

1) 70 acções durante os 90 minutos; 41 acções positivas durante o jogo; 59% de acções positivas.
2) Em 53 lances com a bola nos pés e com condições para fazer algo (exclui-se portanto os lances de bola parada ou as disputas de cabeça, ou os lances em que procura recuperar a bola, ou os lances em que não tem a bola totalmente dominada), teve 34 boas opções contra 19 más opções; 64% de boas opções.
3) Destas 19 más opções, resultaram 15 perdas de bola, sendo que 9 delas não trouxeram perigo de maior à sua equipa, por terem ido para fora ou parar a zonas recuadas do campo, mas 6 delas provocaram desequilíbrios perigosos, permitindo à selecção francesa iniciar o seu processo ofensivo de imediato e com a selecção das quinas desorganizada defensivamente.
4) Pelé fez 3 cortes, ganhou 1 bola de cabeça e recuperou 3 bolas.
5) Fez 1 falta e sofreu outra.
6) Tentou desembaraçar-se individualmente dos seus adversários por 11 vezes, o que para um médio-defensivo é um exagero. Dessas 11 tentativas, apenas 6 foram bem sucedidas, sendo que, dessas 6, apenas 3 eram a melhor opção na altura.
7) Por sua vez, foi ultrapassado individualmente por 3 vezes.
8) Sendo um tipo que tem marcado golos que todos têm elogiado e que detém um pontapé invejável, fez 3 remates, sendo que 2 deles passaram muito por cima e outro saiu rasteiro e foi embater nos adversários que constituíam a barreira.
9) Passou o jogo todo mal posicionado, mas, em jogadas concretas de ataque francês, causou problemas à sua equipa por 5 vezes, o que, tendo em conta o pouco que os franceses atacaram, sobretudo na primeira parte, é muitíssimo. Desses lances, 1 deu golo da França, outro provocou o avanço de Manuel da Costa e o isolamento do avançado francês, outro permitiu a um francês um remate frontal, à entrada da área, sem oposição, e outros dois permitiram jogadas perigosas.
10) Efectuou 41 passes acertados contra 11 passes errados; 79% passes acertados. Este número revela que 1 em cada 5 passes de Pelé são errados. Não sendo um número muito problemático, tem de se ter em conta o risco dos mesmos. Destes 41 passes acertados, apenas 3 foram de risco elevado, sendo 2 deles passes verticais, pelo chão, que permitiram à equipa jogar entre linhas e 1 deles um passe a rasgar na esquerda. Se tivermos em conta o total dos 52 passes que efectuou, dos quais apenas 10 foram de risco elevado, vemos que apenas 19% dos passes que Pelé fez comportavam um risco elevado. Desses 10 passes de risco elevado, só 3 foram acertados, o que implica que os 79% de passes acertados diminuem drasticamente com o aumento do risco do passe. Assim, Pelé acertou 90% dos passes de risco baixo (38 passes acertados de um total de 42 passes de risco baixo) que efectuou, mas apenas 30% dos passes de risco elevado. Se é verdade que o seu acerto em passes de menor risco deve constituir prova de que conferiu alguma segurança com bola à equipa, não pode deixar de ser relevante que foi mal sucedido 2 em cada 3 vezes que tentava arriscar mais. Ora, tendo em conta o claro insucesso dos seus passes de maior risco, Pelé salvaguardar-se-á sempre que não abusar dos passes de risco elevado. Se é verdade que neste encontro obteve 79% de passes acertados, também é verdade que isso se deveu à percentagem relativamente baixa de passes de risco elevado, 19%. Uma vez que é conhecida a apetência de Pelé pelo risco, é de adivinhar que esta percentagem aumente noutros encontros, contra adversários que actuam de outra forma. Façamos um exercício: com estas contas e com uma percentagem de, por exemplo, 38% de passes de risco, o correspondente ao dobro do jogo de hoje e mais condizente com a apetência dele, Pelé teria, em 52 passes, 20 passes de risco, dos quais acertaria apenas 6; dos restantes 32 passes de risco menos elevado, à percentagem de 90%, Pelé acertaria 29; assim, com uma percentagem de passes de risco elevado nos 38%, Pelé acertaria, em 52 passes, apenas 35 e já não 41; o seu índice de passes acertados desceria de 79% para 67%. Se é evidente que 79% de passes acertados, não sendo uma marca óptima, é uma marca relativamente boa, não deixa de ser menos verdade que, num jogado mais normal de Pelé (como já o demonstrou noutras partidas, gosta de arriscar passes mais longos) esse índice relativamente bom tende a decrescer consideravelmente.

Notas finais: Tendo a equipa portuguesa a bola, Pelé raramente ofereceu linhas de passe aos colegas, andando nestas alturas a passo. Sem bola, quer em missão defensiva, quer ofensiva, foi um desastre, errando em termos posicionais como um principiante. Esta falta de aptidão para oferecer apoios ou para perceber que espaços deve ocupar nas diferentes situações de jogo são, talvez, o seu maior defeito. Sem bola, portanto, fica evidente que Pelé tem graves deficiências. Com bola, durante esta partida, não esteve tão mal como noutras alturas, sobretudo porque optou por não arriscar tanto quanto costuma. Ainda assim, para um jogador na sua posição, abusa de iniciativas individuais desnecessárias e não garante a segurança no passe que se desejaria. Como se não bastasse, não foi (nem é, normalmente), um jogador concentrado, andando a passo em muitas situações em que se exigia uma resposta rápida da sua parte. Esta lentidão de processos agravou-se ainda com a pouca disponibilidade de Pelé para as bolas divididas, coisa que, de acordo com o seu porte atlético, deveria ter facilidade em ganhar. Sabendo-se que Mourinho espera dos seus jogadores, além de inteligência e interesse pelo jogo, concentração máxima, estou em crer que Pelé precisa de modificar muito do seu futebol para entrar nas contas do técnico português.

Ainda sobre este encontro:

1) Um dos comentadores de serviço lembrou-se de comparar Nuno André Coelho a Ricardo Carvalho. O que eu gostava de saber era em que esquina esse indivíduo bateu com a cabeça.

2) A selecção nacional é das mais miseráveis de que me lembro neste escalão. Do onze inicial, aproveita-se um: Carlos Saleiro. O resto são tipos sem potencial, ou com menos potencial do que se diz, ou que pararam de evoluir, embora tivessem um potencial considerável.

3) Manuel da Costa foi repreendido por Rui Caçador e meio país ficou espantado. Foi preciso uma coisa dessas para se perceber que o jogador português é horrível na interpretação dos lances e na forma como abusa em subidas sem nexo, ou em lances individuais, ou em habilidades sem sentido?

4) Hélder Barbosa continua a não ser opção para Caçador. Agora, o melhor extremo português desta idade até já se vê ultrapassado por um ponta-de-lança adaptado... e que ainda por cima não tem idade para jogar nesta selecção. Brilhante!

5) E Fábio Coentrão, não?

6) Os comentadores disseram ainda que Pelé estava cansado, após uma época longa e desgastante. Segundo eles, o internacional português jogara mais de 20 jogos em Itália, tendo-se afirmado na equipa do Inter como poucos esperariam. Ya, ya. Pelé jogou 4 jogos a titular no campeonato, tendo entrado noutros 9. São 13. 496 minutos jogados. Isto é afirmar-se como?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Muito mais que uma tragédia

Dois jogos, duas selecções, AA e sub-21, que deixam a desejar, seja nos comportamentos, seja nos elementos que as compõem.

Primeiro os sub-21. Jogo feio, mal jogado. Por muito que o Rui Caçador defenda que são uma equipa de elite, as esperanças portuguesas não se mostraram dignas de tal epíteto. Mas antes de explicar por que é que o treinador dos sub-21 está a sonhar alto, chamar a atenção para três erros crassos, para uma equipa que se auto-entitula de "elite".

Primeiro: Uma equipa de elite com um guarda-redes daqueles? Segundo: um meio-campo formado por Machado, Manuel Fernandes e Pélé não nos pode oferecer nada de muito positivo. Terceiro: com Saleiro, optar pelo João Moreira? Para confundir os adversários? Só pode.

Admito que, nas selecções, devido ao pouco tempo que se dispõe para trabalhar certos aspectos tácticos, não é fácil aprimorar coisas como as rotinas, as movimentações, etc. Todavia, podemos debruçar-nos sobre as escolhas de Caçador. Porquê apostar em Pereirinha para lateral-direito e deixar um lateral de raiz como Pedro Correia fora da convocatória? Depois, a opção de deixar o melhor extremo de fora, Hélder Barbosa, melhor do que qualquer um dos que jogou de inicío, Gama e Vieirinha. Já nem vou falar de Coentrão e Ivan Santos. Depois, o "endeusamento" a que foi submetido Manuel da Costa não só prejudica o jogador como o próprio colectivo. Carriço já merecia uma chamada a sério a esta selecção. Por fim... aquele guarda-redes. Não conheço muito bem o Mário Felgueiras, mas, do pouco que vi, parece-me uma solução bem melhor.

Antes de terminar, uma nota para os comentadores, um dos quais até apreciado pelo Entre 10.
Começando pelo absurdo de considerar João Moreira como um avançado com melhor leitura do movimento dos colegas do que Saleiro, assim como defini-lo como um jogador com maior inteligência de movimentos, fora da área, é de rir. Pior é não compreender por que é que numa equipa, Leixões, este jogador não calça. A sério?!?! Mas também... Luis Freitas Lobo não se coibiu de definir Purovic como um jogador inteligente e elegante.

Depois, toda a euforia em redor de Pelé. Não digo que seja o pior jogador do mundo, que não o é, mas mal da nossa selecção se ele for o nosso jogador mais influente.

Na selecção principal, a história é um pouco diferente. Scolari optou por fazer experiências. Tudo bem, mas se ele pretendia testar Martins a dez, por que é que o encostou à direita mal Simão saiu? E aquele duplo-pivot... Já não é grande coisa; com Meira nele, ainda piora. Considero Meira bom jogador, mas não como médio-defensivo, muito menos num dulpo-pivot, em que se pretende(?) que o médios defensivos se soltem, à vez, em movimentos ofensivos. Pelo menos, foi o que sucedeu no jogo de quarta. Quando subia, Meira não conseguia acrescentar nada; antes contribui para a falência de várias tentativas do ataque lusitano.

A Grécia apresentou-se com um esquema bem definido: pressionando alto, com um bloco subido, impediu que a equipa portuguesa tivesse bola. Portugal raramente conseguiu circular a bola entre os seus elementos. As únicas aproximações de Portugal à área helénica surgiam através de acções individuais, ou então das movimentações de Nuno Gomes, excelente a segurar a bola, a tabelar, ou a criar linhas de passe. Quando Moutinho entrou, Portugal ganhou mais dinâmica na gestão da posse de bola, mas perdeu profundidade, pois Carlos Martins flectia para o meio, e Paulo Ferreira não se aventurou muito em missões ofensivas, muito por culpa de Amanatidis.

Gostei da Grécia. Já não via este conjunto desde a final do Europeu. E esta selecção está diferente. Para melhor. Apesar de não gostar da táctica apresentada, o futebol deles foi quase sempre apoiado, de forma precisa, inteligente na maneira como manietou os intérpretes portugueses.

Karagounis, como dez, ia-se movimentando a belo prazer entre linhas, proporcionando a subida no terreno a Basinas, quando baixava, ficando Katsouranis menos solto, sendo ele que equilibrava as subidas de Torosidis, do lado oposto. Patsazogiou mostrava-se menos atrevido nas suas incursões. Charisteas, partindo da ala, provocava dificuldades a Caneira, criando dessa forma, muitas vezes, situações de igualdade no centro da área portuguesa.

Mérito para a Grécia, que não recuou em demasia, pelo menos em grande parte do jogo, não abdicando da posse de bola. Quanto a Portugal, é verdade que a Grécia é uma equipa bem equilibrada, mas a verdade é que a forma como Portugal se apresentou facilitou a tarefa aos gregos. Como seria o jogo se Scolari, em vez de Meira e Veloso, apresentasse Veloso atrás de Moutinho e Martins? A Grécia teria mais dificuldades em pressionar alto, pois correria o perigo de criar linhas de passe no seu maio-campo, assim como esta disposição iria obrigar a um maior apoio por parte dos laterais, pois Veloso no meio não se poderia desmobilizar em demasia, para não desequilibrar a equipa, e assim a selecção portuguesa iria jogar mais próxima, de forma mais apoiada, e com um bloco progressivamente mais subido. Esta opção teria a desvantagem de criar espaços nas costas do defesas, mas com Pepe ( principalmente este!) e Ricardo Carvalho, a velocidade é problema?

sábado, 24 de novembro de 2007

25 Curtas da Semana

Selecção Sub-21

1. A selecção empatou com a congénere inglesa. O futebol medíocre da equipa de Rui Caçador dá que pensar. Continuam a existir opções incompreensíveis, como os dois centrais. Aquilo não é nada.

2. A Pelé, o Entre Dez promete para breve um texto a explicar o que é um passe.

3. Paulo Machado - é legítimo dizê-lo - não tem qualidade para mais do que um Leixões; Vieirinha, talvez, mas jamais para um grande.

4. Targino faz lembrar o diabo da Tazmania: mexe-se para todos os lados, vai a todas, rodopia sobre si próprio, é trapalhão; só não é jogador de futebol.

5. Celestino deveria ter mais oportunidades porque tem algo que nem Paulo Machado nem Pelé têm: pode-se chamar-lhe "escola".

6. Pereirinha jogou dez minutos, mas foi, de longe, o melhor em campo: durante esse tempo, a selecção jogou finalmente futebol, e muito graças à inteligência dele; é impressionante como toma sempre a melhor opção.

7. É inacreditável que um jogador da qualidade de Saleiro tenha sido chamado pela primeira vez a esta selecção apenas agora. Anda tudo a dormir, só pode.

8. Nesta selecção, quem bate os livres é o tipo que pedinchar mais. Até o cepo do central Nuno André Coelho bate mais bolas do que Moutinho ou Antunes: ridículo!

9. Repito: onde andam Rui Patrício, André Nogueira, Tiago Pinto, Daniel Carriço, Bura, Rui Gomes, Ivan Santos, Hélder Barbosa e Diogo Tavares? Não contem a ninguém, mas também ajudava que os treinadores das selecções jovens não fossem fantoches de empresários...

10. Quanto aos comentários de Luís Freitas Lobo, é digno de nota não ter percebido que, desta vez, Pelé não jogou sozinho como médio-defensivo, mas que jogou ao lado de Paulo Machado, ficando apenas Moutinho mais à frente. Também é de enaltecer os brilhantes elogios que dedicou a João Moreira, classificando-o como um jogador - e cito - de "contenção".

Selecção A

11. Acabou-se o apuramento. Scolari terá dito: "Foda-se! Que alívio!"

12. Três médios-defensivos? Quando vi que Portugal ia jogar com Meira, Veloso e Maniche, pensei: "Ia jurar que hoje o jogo era contra a Finlândia". Jogar assim é uma asneira de todo o tamanho. Primeiro, é confiar que os três tipos da frente vão resolver individualmente o desafio. Segundo, é revelar medo aos seus jogadores e encorajar o adversário. Terceiro, é gozar com quem pagou bilhete para ir ver um espectáculo e ignorar que o factor mais importante do futebol, ao contrário do que se pensa, não são os resultados desse espectáculo mas a qualidade do mesmo.

13. Desta vez, nem sequer disfarçou: para Scolari, o seu orgulho foi sempre mais importante que a selecção portuguesa. Tinha dito, antes de começar este apuramento, que só precisava de 28 pontos e que, fora de casa, lhe bastava empatar os jogos. Foi criticado por não ser ambicioso e por fazer contas prematuras. Vendo-se capaz de provar a todos os seus delatores que tinha razão, que afinal até se conseguia apurar com 27 pontos, preferiu empatar o jogo, com todos os riscos que isso trazia, a vencê-lo tranquilamente. Na minha opinião, fê-lo, em primeiro lugar, porque é conservador, mas também porque não queria perder a oportunidade de mostrar que tinha razão. Quando Scolari coloca o amor-próprio à frente do profissionalismo, não pode querer que lhe admirem as competências.

14. Diz-se isto e aquilo sobre esta selecção: quem acha que Scolari tem feito um bom trabalho, defende-se com os resultados e com argumentos como o facto de Portugal não ter uma selecção assim tão boa; quem acha que ele tem feito um mau trabalho, considera que Portugal tem selecção para fazer mais do que fez. Só quero dizer que, não tendo um super-selecção, não se pode negar que, entre Portugal e Polónia/Sérvia/Finlândia, há um fosso descomunal. Scolari não tem a melhor selecção do mundo e não tem por isso que ganhar tudo. Mas, com o material humano ao seu dispor, teria de fazer muito, muito mais.

15. Há quem comece já a dizer, para calar os críticos de Scolari, que a selecção pós-Scolari será pautada pelo fracasso. Como resposta a isto, tenho a dizer o seguinte: se colocarem no lugar dele uma pessoa competente, só por milagre é que a selecção descerá mais baixo do que aquilo em que se encontra agora.

16. Os melhores do jogo frente à Finlândia foram Pepe, Bosingwa e Nuno Gomes. O primeiro esteve concentradíssimo e ganhou, por isso, inúmeras bolas em antecipação. Bosingwa andou sempre endiabrado e teve arrancadas estonteantes, quase sempre concluídas com a melhor opção. Nuno Gomes, embora desapoiado e, por ter tido poucas bolas, discreto, teve sempre a melhor opção. Tabelou sempre bem com os colegas, apareceu sempre bem em zonas de finalização, prendeu sempre os centrais adversários. Quaresma, a espaços, também esteve a um bom nível. Nota negativa para Cristiano Ronaldo, uma vez mais: não se lhe pedem sempre jogos geniais, mas, se é dos melhores do mundo, tem que dar muito mais à selecção do que uma ou duas arrancadas fulgurantes por jogo.

Super Liga

17. Quem é que deixou entrar no recinto de jogo o tipo que se fez passar por guarda-redes da Académica? Que anedota!

18. Gosto da mentalidade de Camacho. Contra a Académica, começa com dois médios defensivos e, mesmo a precisar de marcar para ganhar o jogo, não abdica de nenhum deles. Quem ganha um jogo como ele ganhou, sem ter feito nada para o ganhar, nem que fosse apenas teoricamente, não merece que o aplaudam. Tem tido sorte, muita sorte, o espanhol, desde que chegou a Portugal.

19. Contra um grande, deixar Hélder Barbosa no banco é indecente. É verdade que o Benfica não fez nada para vencer, mas a derrota acaba por assentar bem a quem não quis aproveitar o talento deste miúdo.

20. O Porto fez, talvez, a melhor exibição da época, frente a um Setúbal sem ideias. Nota de destaque para Carlos Carvalhal, ainda assim, com um início de época notável, mesmo com um plantel para ambições curtas.

21. Quaresma voltou às grandes noites. Coitado do Adalto!

22. Lisandro não pára.

23. Jesualdo, se ficar sem dois ou três titulares ao mesmo tempo, telefona a Mourinho a perguntar o que fazer? Aquelas duas substituições no momento imediatamente a seguir ao segundo golo, quando o jogo já estava ganho, revelam sobretudo que confia apenas em onze ou doze jogadores. Sem esses, dá ideia que não sabe muito bem o que fazer.

24. Liedson perdeu 15 bolas durante todo o encontro frente ao Leixões. Não interessa: marcou um golo e evitou a derrota. Ah, não! Foi o Purovic? Então o que é que o Liedson fez de bom? Hmmm... Aconselhou um restaurante à beira-mar onde se come marisco do bom? Também não? Ah, já sei! Evitou que Abel ficasse isolado perante o guarda-redes do Leixões, intervindo na jogada quando estava claramente fora-de-jogo? Não? Isso não é bom? Hmmm... Então se calhar foi mais uma vez um jogador a menos, não? Pois, talvez tenha sido...

25. Em Portugal, é moda ter um Mateus no plantel?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Perder as estribeiras

Neste momento, após a vitória afortunada dos sub-21, estou a ponto de perder as estribeiras com:

1) Ricardo Baptista. O guarda-redes do Fulham denunciou hoje falhas técnicas graves. Com a possibilidade de Rui Patrício, não percebo esta opção.

2) Centrais. Não há um que se aproveite. João Pedro não é nada. Nuno André Coelho não é quase nada. Gonçalo Brandão, pelo menos central, não é. É muito grave quando sinto falta de Manuel da Costa. Vasco Fernandes é o melhorzito, mas joga adaptado a lateral. Pergunta: E Daniel Carriço, não?

3) Pelé. Pá, mas quem é que disse ao gajo que era jogador de futebol? E quem é que disse a quase toda a gente que o admira que ele era jogador de futebol? Uma em cada duas jogadas decide mal; pensa que, por não ter maus pés, pode fazer coisas que não são para ele; pensar é mentira; quer marcar golo até se estiver a bater um pontapé de baliza; em lances divididos, posiciona-se ao contrário do que devia e, em vez de dar a linha ao adversário, dá-lhe o meio; tenta ganhar lances em velocidade, quando pode dar um passo atrás antes e evitar que o adversário lhe fuja; abusa dos passes longos e, mesmo que o companheiro a quem quer dar a bola esteja marcado por três adversários, não hesita em fazê-lo; quando a bola vem da esquerda e deve ir para a direita, ou vice-versa, volta a metê-la na esquerda, onde está tudo congestionado; quando tem a possibilidade de escolher entre fazer um passe de dois, três metros, ou um passe de quarenta metros, escolhe sempre o segundo, mas mesmo quando o pode fazer rasteiro, levanta a bola, o que não só dificulta a recepção do companheiro, como retarda a sua chegada ao mesmo. Mau demais...

4) Paulo Machado. Já chega de dizer coisas que não são verdade sobre este fulano. O rapaz é cumpridor, é um jogador de nível razoável, mas fica por aí. Achar que ele pode emprestar criatividade a uma equipa é não perceber nada de futebol. É um jogador mediano, que nunca há-de ir além disto...

5) Vieirinha. Diverte-se com a bola. Mais nada. A equipa ganha muito pouco com as poucas vezes em que consegue desequilibrar no um para um.

6) João Moreira. Fraquíssimo em termos posicionais. Não sabe entrar para finalizar; não sabe mexer-se para criar espaços para a entrada dos companheiros; abusa de lances individuais, que não são, obviamente, para rapazes com a falta de qualidade técnica igual à dele; faz menos de uma tabela por jogo; foge da sua posição.

7) Djaló encostado à linha. Não é a sua posição. E, só por isso, tem alguma desculpa. Mas as más decisões são sempre más decisões.

8) Targino. É um jogador esquisito. O seu um para um é ir para cima do adversário, mexer-se ligeiramente e esperar que este se desvie. Se não se desviar, pode ser que o consiga levar à frente. Desengonçado, trapalhão, tem más opções a cada estalar de dedos.

9) Cícero. O que é aquilo? Não é o ser feio, que isso já nasceu assim. É mesmo o não ser jogador de futebol. Dá-me ideia que aquilo é... vá lá... uma bigorna dentro de umas chuteiras.

10) Rui Caçador. Sem dúvida que, tendo em conta que veio substituir Couceiro, as coisas estão melhores. Mas há decisões que não se percebem. Consigo lembrar-me de mais de uma dezena de jogadores que não fazem parte dos planos principais de Rui Caçador e que, neste momento, tinham de estar à frente dos que lá andam: Rui Patrício na baliza; Pedro Correia e André Nogueira como defesas-direitos; Daniel Carriço e Paulo Renato para centrais; Vasco Fernandes a central e não a defesa-direito; chamada de Tiago Pinto; Nuno Coelho em vez de Pelé; mais oportunidades a Zezinando; Hélder Barbosa a titular; Bruno Pereirinha a titular; João Coimbra sempre à frente de Paulo Machado; mais oportunidades a Celestino; Diogo Tavares e Carlos Saleiro para o ataque; etc. Mas Caçador continua a apostar em jogadores com manifesta falta de nível. Se, com Miguel Veloso e Manuel Fernandes, as deficiências da selecção não foram evidentes, já sem estes perde-se facilmente na Bulgária e ganha-se a uma selecção medíocre de Montenegro por pura sorte. Assim Portugal não vai a lado nenhum...

11) Luis Freitas Lobo. Já ninguém me convence que o tipo que fala na televisão é o mesmo que escreve aqui. Do muito lixo que disse, uma ressalva para uma grande contradição. Portugal não criou uma jogada de perigo em todo o jogo, mas Luis Freitas Lobo estava convencido, no final da primeira parte, que Portugal, apesar de estar a perder por 1-0, estava a jogar bem e conseguiria dar a volta ao marcador. Isto, por si só, é parvo, tendo em conta que a única jogada que se poderia aceitar que tivesse levado perigo tivesse nascido de um remate esporádico, de ângulo difícil, a levar a bola a bater no poste. Ao intervalo, Luis Freitas Lobo terá certamente telefonado ao Luis Freitas Lobo que escreve, porque, ao começar a segunda parte, disse que a construção ofensiva de Portugal não existia. Então Portugal estava a jogar bem e, de repente, a construção ofensiva era nula e o futebol luso só surgia através de acções individuais? Que se passou? Esta falta de rigor, aliada à completa incompetência de certas avaliações de jogadores (Paulo Machado é um jogador tecnicamente muito evoluído? Pelé, ainda que faça um passe por alto quando poderia fazê-lo rasteiro e facilitar a recepção do colega, é um jogador adulto?), só me pode levar a concluir que Luis Freitas Lobo é analfabeto e pede a alguém que escreva por ele.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Reciclagem...

Afinal não é apenas o Couceiro... Quer dizer este é o pior... Mas este Edgar Borges...

A selecção sub-19 ontem demonstrou isso mesmo. E começou pelas opções, até mesmo pelos que não foram.

Contra a Espanha, execeptuando o sector defensivo, a selecção revelou-se um enorme equívoco.

Aquele sector intermediário, Cruz, Martins e Castro, é no mínimo constrangedor. Três jogadores com características defensivas, - sim, porque eu espero que o Castro seja na realidade médio defensivo, e não médio ofensivo. - acompanhados por um tridente ofensivo, dos quais apenas se salva o pequenito Ivan Santos, não podia colher grandes resultados.

Não conheço bem esta selecção, mas calculo que o Edgar Borges tenha optado pelos melhores para este jogo contra a Espanha. Ou então não. De qualquer forma, não se compreende como é que um jogador como o Ricardo Nogueira não faz parte deste grupo. Não estou a dizer que ele seja um prodígio, mas é de grande utilidade, e é ponta de lança. A sério, não é apenas grande, como o Pedro Ribeiro.

Não sei o que vale o Paim, mas o pouco que vi dele, e o demasiado que vi do Candeias, sei que é bem melhor do que este. Já a "estrela" da selecção, Castro deixou muito a desejar, mas isso talvez seja reflexo da ( péssima) estrutura que o seleccionador montou. Talvez, isto é, se ele realmente for um médio de características defensivas.

O João Martins não tem desculpa. Não admito que um jogador com a qualidade de passe dele, falhe tantos. Movimenta-se bem, procura dar linhas de passe, tem boas ideias, e coloca a bola á distãncia com uma facilidade assombrosa, mas falha passes de 4/5 metros de uma forma deseperante. Já o Cruz... Bem este é apenas Mau!

Na frente para além das patetices do André Monteiro, e do Candeias, o Ivan Santos ainda tentou desequilibrar, verdade que ás vezes exagera, mas em muitas ocasiões não lhe deram outra solução, ou seja, sem apoios é normal que ele procure de forma mais insistente o um para um.

Na defesa, Daniel Carriço num patamar mais elevado, o quarteto exibiu-se a um bom nível.

Não bastassem as opções discutíveis do Sr. Edgar Borges, ele também foi vítima das novas tecnologias. Passo a explicar: a meio da primeira parte ele criticou o João Martins por este ter jogado a bola para o lado, dizendo: " João a bola é para a frente, não para trás e para o lado.".
Resta dizer, que não era uma situação de contra-ataque. Ou seja, para este senhor, jogadores como Guardiola... Esqueçam lá isso...

Mas deste jogo, pobre, pouco mais há a retirar do que a certeza que, para bem das selecções jovens, é urgente uma reciclagem no corpo técnico das mesmas... Quer dizer... Se calhar nem por isso... Perguntem antes ao Zéquinha, e ao Candeias, a ver se eles concordam...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Sub-20

Viver no mesmo planeta que José Couceiro já é mau. Viver no mesmo planeta que os comentadores do jogo de estreia da selecção nacional de sub-20 no mundial da categoria é ridículo. Exijo um planeta para mim! Portugal venceu por 2-0 a Nova Zelândia, equipa que para dar dois toques seguidos na bola tinha de pedir licença. E, satisfeitos, os senhores comentadores, acharam que Portugal tinha jogado bem e, mais absurdo, que alguns elementos têm enorme futuro.

Bruno Gama marcou dois golos e, segundo os comentadores, foi o MVP.

Agora a sério: Bruno Gama é mau. É limitado tecnicamente, mas pensa que é o Maradona. Não tem imaginação; é egoísta; não tem ideias, é egoísta; não tem cérebro; é egoísta. Marcou um golo de livre, chutando a bola na direcção do Guarda-Redes adversário, que teve a bondade de se desviar. Marcou um golo de penalty, mas ia falhando a bola na hora do remate: por sorte, o Guarda-Redes teve a bondade de se voltar a desviar.

Zéquinha, disseram os comentadores, é um portento. Tem sempre os olhos na baliza, remata muito, é mexido.

Agora a sério: Zéquinha é mau. Não, minto. Zéquinha é muito mau. Ter os olhos na baliza é mau, porque não os tem nos colegas. Mexer-se muito só seria bom se se mexesse para os sítios certos, o que não é o caso. Faz tudo em esforço; chega mais tarde aos lances que os centrais neo-zelandeses, que são fraquinhos; não tem uma única boa opção; cruza sem olhar para o avançado que deveria estar na área, mas que não está porque é ele e está a cruzar para si próprio. Depois, foi aplaudido pelo único remate que levou a direcção da baliza. Muito aplaudido. O gesto técnico, uma bicicleta potente, foi bom. A opção, terrível. Rematar de bicicleta a meio do meio-campo é coisa de gente parva. Além disso, tinha Pelé em melhor posição. Melhor ainda seria pousar a bola e entregá-la como faz, por exemplo, um jogador de jeito. Zéquinha ainda tem outra coisa contra si. Está a jogar na posição de Diogo Tavares, que é muito melhor que ele. Não sou religioso, mas pedi a Deus uma lesão grave para este jogador. Como é costume, Deus preferiu ficar do lado do estúpido do Couceiro.

Pelé, segundo os comentadores, é forte fisicamente, é completo, faz tudo bem.

Agora a sério: Pelé é mau. Contra a Nova Zelândia até parecia ser bom tecnicamente. Conheço meia dúzia de velhos que também pareceriam. Pelé, atleticamente, é bom. Com a bola nos pés, não é mau como costumam ser os jogadores da sua envergadura. Mas como a restante equipa, deixou o cérebro em casa. 80% das bolas que entrega, são pontapés para a frente. Pensa que, por ter um remate capaz de partir tijolos, deve rematar muito. Alguém lhe diz que só é golo se a bola for à baliza?

Nuno Coelho, disseram os comentadores, é qualquer coisa que não me lembro.

Agora a sério: Nuno Coelho é mau. Nem vale a pena tentar lembrar-me o que disseram dele.

Mano é péssimo. Mas pior ainda é Vítor Gomes, o tipo que entrou para o seu lugar. 2 perguntas para o senhor Couceiro: 1) por que é que não jogou Pedro Correia? 2) por que é que o André Nogueira não foi convocado?

João Pedro é horrível. Aquilo não é nada. Centrais daqueles já não se fazem.

Antunes é um flop. É muito bom a defender e potente a atacar. Mas raramente entrega uma bola no meio. É tudo na linha, tudo na linha, tudo na linha. Ou então, um pontapé a rasgar para o flanco contrário. E o Pereirinha a correr a dar opções para o boneco.

Salvam-se:

1) Fábio Coentrão. Tem tudo para ser um bom jogador. Tecnicamente acima da média, concilia os seus atributos com alguma inteligência. Boa contratação do Benfica.

2) Rui Patrício. Não é muito ortodoxo nem muito ágil, mas parece saber interpretar bem os lances.

3) Paulo Renato. Central fino. Teve uma falha no fim, mas tentou sempre sair a jogar. Contra esta equipa, um central que não tente sair a jogar uma vez que seja não merece nada. Parece saber bem que o papel de um defesa não é só cortar lances, mas muito mais dar início a um ataque.

4) André Marques. Melhor que Antunes num pormenor muito importante: preocupa-se com quem vem dar opção ao meio e não entrega a bola invariavelmente no extremo.

5) Zezinando. Não mostrou muito, mas do que conheço dele, é melhor que Pelé e que Nuno Coelho.

6) Diogo Tavares. Não jogou, mas não é preciso. Qualquer um é melhor que Zéquinha. Mesmo que assim não fosse, um treinador que o deixe no banco desta selecção não merecia menos que pena de morte.

7) Pereirinha. A estrela. Para os estúpidos dos comentadores, foi quase sempre discreto. Não tomou uma única má opção. A primeira jogada de jeito da selecção nasce de uma acção individual sua, com um remate a sair ao lado. Os comentadores disseram que deveria ter passado a bola. Pautou sempre bem o jogo da equipa e movimentou-se extraordinariamente. Se não esteve mais em jogo, foi porque os laterais não deram bolas no meio e porque Nuno Coelho e Pelé pensam que são eles quem deve fazer o último passe. Esteve ainda melhor ao tentar, mesmo em situações difíceis, contornar adversários e sair a jogar, em vez de optar por chutar sem nexo para a frente.

Resumindo, José Couceiro, os comentadores, Zéquinha, Pelé, Nuno Coelho, João Pedro e Bruno Gama poderiam tentar um suicídio colectivo. Só para ver o que dá...

P.S.: Quem quiser saber como se assassina um jogador, assista a este mundial e veja como Couceiro dá cabo de um dos maiores talentos do ataque português dos últimos anos: Diogo Tavares...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Grande!

Desta vez, o texto é curto. Para compensar, porém, a mensagem é forte: Que grande treinador é o José Couceiro!

quinta-feira, 8 de março de 2007

sub-18

No domingo passado fui ver o jogo entre Portugal e Rep. da Irlanda, na categoria de sub-18.
O meu comentário ao jogo, e ao desempenho da nossa selecção, é o seguinte: Conto com vocês, sub-17 e sub-19! Agora tirem as vossas conclusões...