quinta-feira, 5 de abril de 2018
Equilíbrio Emocional
Escrito por Nuno às 14:32:00 10 bolas ao poste
Etiquetas: Competições Europeias, Guardiola, Jurgen Klopp, Liverpool, Manchester City, Raciocínios Tácticos
segunda-feira, 30 de maio de 2016
O Benitez que há em Simeone
Escrito por Nuno às 01:00:00 80 bolas ao poste
Etiquetas: Atlético Madrid, Benitez, Competições Europeias, Oliver Torres, Raciocínios Tácticos, Simeone
sábado, 19 de março de 2016
Apontamentos para uma Estética não-Allegriana
Escrito por Nuno às 16:13:00 51 bolas ao poste
Etiquetas: Allegri, Bayern de Munique, Competições Europeias, Guardiola, Juventus, Kimmich, Luís Freitas Lobo, Morata, Raciocínios Tácticos
terça-feira, 5 de maio de 2015
As Pequenas Alterações de Guardiola
Escrito por Nuno às 14:23:00 30 bolas ao poste
Etiquetas: Bayern de Munique, Competições Europeias, Guardiola, Porto, Raciocínios Tácticos, Thomas Müller
sábado, 18 de abril de 2015
Notas Soltas sobre a Jornada Europeia
Escrito por Nuno às 12:50:00 4 bolas ao poste
Etiquetas: Benzema, Competições Europeias, Futebol Inglês, Luís Freitas Lobo, Matuidi, Mau Jornalismo, Pastore, Raciocínios Tácticos
terça-feira, 3 de junho de 2014
Balanço Negativo
Escrito por Nuno às 10:21:00 8 bolas ao poste
Etiquetas: Arsenal, Arséne Wenger, Atlético Madrid, Bayern de Munique, Benfica, Brendan Rodgers, Chelsea, Competições Europeias, Guardiola, Jorge Jesus, Liverpool, Mourinho, Raciocínios Tácticos, Real Madrid, Simeone
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Os Erros de Mascherano
szólj hozzá: BAR
A meu ver, o erro de Mascherano começa bem antes, ao abordar a recepção de Robinho, a meio do meio-campo defensivo, de forma imprudente. O brasileiro estava de costas, rodeado por adversários, sem apoios por perto, e o comportamento correcto consistiria em obrigá-lo a jogar para trás. Mascherano, porém, não é um jogador inteligente neste tipo de abordagem. Para muita gente, tem características defensivas óptimas, pois é muito agressivo, "morde" constantemente os calcanhares aos adversários, etc. Mas também para se ser competente defensivamente é preciso decidir bem. E, muitas vezes, ao contrário do que se pensa, a melhor decisão do jogador que sai ao portador da bola passa por não lhe querer roubar a bola. Este é um bom exemplo. O que Mascherano deveria ter feito, já que foi ele que saiu para ocupar o espaço central, era ficar em contenção, esperar que Dani Alves e Messi bloqueassem a possibilidade de passe lateral a Robinho, e "forçar" a que o brasileiro voltasse para trás. Mascherano não ficou em contenção, procurou ir para cima de Robinho para desarmá-lo, e foi "comido" com toda a facilidade do mundo. Ingenuamente, o argentino ficou batido e Robinho com o espaço central para progredir. Estava criada a superioridade. O lance acabou como acabou, mas poderia ter acabado com uma simples tabela com Ibrahimovic. Não satisfeito ainda com isso, Mascherano ainda viria a colocar Nocerino em jogo, não respeitando (quase que pornograficamente, tantos foram os metros) a linha defensiva que os seus colegas tinham delineado. Dois erros graves que foram decisivos para que o Milan empatasse a partida e para que, mais tarde, se argumentasse que houve um momento em que a eliminatória parecia pender para o lado italiano. Após quase dois anos, Mascherano continua a não perceber o que é jogar nesta equipa, e continua a ser o elo mais fraco de um conjunto muito acima da média. Mesmo não jogando na sua posição de origem, onde este tipo de comportamentos errados, aliados à sua incapacidade, em posse, para perceber os espaços certos onde a bola deve entrar, seriam ainda mais prejudiciais à equipa, Mascherano continua a ser um corpo estranho neste modelo de jogo. E ontem, de facto, ia entrando na História, mas pelas razões erradas.
Entretanto, a final de Munique começou a ser jogada logo após a partida, e já houve responsáveis madrilenos a aproveitar-se das queixas italianas (absurdas, diga-se) para preparar o eventual embate frente ao Real. As jogadas de bastidores deram resultado no passado, e são a arma mais forte até hoje apresentada pela equipa de Mourinho para parar a equipa catalã, pelo que seria natural que tal acontecesse. Quanto aos casos de arbitragem, e àqueles que se insurgiram de imediato contra o alegado favorecimento aos catalães, repete-se a história do monstro a que já muitas vezes aludi. Não me lembro de outra equipa, na História do jogo, que tenha criado tanto medo nas pessoas. Qualquer coisinha, por mais irracional que seja, serve para tentar destruir o monstro medonho em que a equipa de Guardiola se transformou. As pessoas não compreendem esta equipa, não compreendem por que é tão forte, por que não há ninguém capaz de derrubá-la, e querem à força que ela caia. Por causa dessa vontade, repetem imbecilidades. E aproveitam-se de um jogo em que foram assinaladas duas grandes penalidades, coisa pouco comum, para se atirarem ao ar; e aproveitam qualquer lance, por mais claro que seja, para pôr em causa a competência do monstro.
A qualquer uma destas pessoas poderia facilmente fazer recordar as razões de queixa que os catalães tinham na primeira mão. Mas nem vale a pena. É que qualquer dos lances que protestam, no jogo de ontem, foi claramente bem assinalado: qualquer um dos penáltis é claríssimo, sendo que o primeiro só por misericórdia é que não valeu igualmente a expulsão de Antonini; o alegado penálti sobre Ibrahimovic só é penálti na cabeça dos que querem à força que o seja; e o lance em que Robinho fica isolado, de longe o meu preferido, só não vê que a bola foi amortecida nos braços do brasileiro, coisa que o beneficiou, quem não quiser ou por má fé decida não ver. O jogo de ontem teve casos não porque, de facto, os tenha tido, mas porque as pessoas querem à força que os jogos do Barcelona tenham casos. Querem justificar aquilo que não compreendem, e precisam de algo (arbitragens) que lhe confira racionalidade. Se isto já é estúpido no comum adepto, é muito grave num jornalista. A falta de ética profissional de alguns dos jornalistas da Sporttv, no que diz respeito às analises dos jogos do Barcelona, tem-se vindo a acentuar nos últimos tempos, e ontem, após o jogo, atingiu proporções obscenas. Não obstante Luís Freitas Lobo se recusar a comentar a arbitragem, chegando aliás a dizer que ela nunca poderia justificar um jogo tão desnivelado, o jornalista de serviço insistiu, outra e outra vez, procurando forçar a interpretação de que o jogo tinha sido resolvido pelos homens do apito. Apesar de estúpido, a insistência condiciona a opinião do espectador, sobretudo daquele espectador que não tem opinião própria. A ética jornalística não existe apenas porque é giro que exista; existe porque a opinião jornalística influencia a opinião pública e porque o jornalista é um profissional com mais responsabilidades do que o comum cidadão. Num país a sério, depois do exercício de irresponsabilidade profissional de ontem, a carreira deste senhor estaria, no mínimo, em risco. Como não é esse o caso, a demonstração de valores patrióticos no acto de protestar subtilmente contra os rivais dos portugueses em Madrid até fica bem vista. De resto, o jogo esteve sempre controlado pelos catalães, e é quase criminoso dizer, num jogo com aquelas características, que a arbitragem desempenhou um papel importante. Francamente, é preciso ser idiota para ter uma interpretação da partida tão profundamente errada.
Escrito por Nuno às 13:55:00 20 bolas ao poste
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
Mourinho: a Posse e o Espaço
Em primeiro lugar, José Mourinho não deu lição nenhuma. Mais não fez que ganhar uma Liga dos Campeões como tantos outros já ganharam, de um modo que de genuíno não tem nada e que nem sequer tem muito a ver com aquilo que foram os seus primeiros anos de treinador. A verdade é que, de certo modo, Mourinho ganhou vendendo a alma, ganhou como, por exemplo, Benitez tinha ganho, abdicando da iniciativa de jogo, defendendo o melhor que podia, atacando pela certa e esperando pela graça divina, pela inspiração dos seus avançados e pelos erros dos adversários. Não tenho nada contra ganhar deste modo nem estou a defender que não se pode ganhar deste modo. Está mais do que provado de que é possível ganhar de todas as maneiras, sobretudo provas como esta, cujo modelo potencia o equilíbrio entre equipas mais fracas e equipas mais fortes e facilita o trabalho de equipas que dependem do comportamento dos adversários para fazer valer os seus pontos fortes. Mas não tenho também dúvidas de que, optando por isto, se depende muito mais de factores que não se podem controlar, como a arbitragem, a sorte, a atitude do adversário, a inspiração de dois ou três avançados, os momentos de finalização, etc.. Mourinho ganhou, é certo, mas raramente foi superior, ao longo das quatro eliminatórias da prova, já para não falar das dificuldades que teve para se apurar para a segunda fase. Dependeu sempre da inépcia dos adversários e da felicidade, fazendo do seu modelo de jogo não um modelo único e próprio, mas um contra-modelo, delineado sempre em função do comportamento do opositor. É possível alegar que tal forma de encarar o jogo é perfeitamente legítima e, mais do que isso, possibilita vitórias. Como já referi, acredito que se pode ganhar de várias maneiras, sobretudo provas que não dependem da regularidade exibicional. Aquilo em que não acredito é que todas as maneiras de jogar possibilitem as mesmas probabilidades de ganhar.
Como o que me interessa aqui é discutir o par de opostos em que se constituem a posse de bola e o espaço, não me deterei muito mais naquilo que foi a campanha europeia do Inter, que alguns garantem ter sido exemplar. Como é sabido, defendo que a melhor maneira de ganhar, aquela que maiores probabilidades confere a uma equipa de ser bem sucedida, é aquela que faz da posse da bola a sua filosofia primeira. Do meu ponto de vista, nenhuma equipa que queira ser grande, que queira disputar e vencer tudo, pode negligenciar a posse de bola. Se há casos de vencedores de Ligas dos Campeões ou de Campeonatos Europeus ou Mundiais que o fizeram, como o Inter de Mourinho, o Liverpool de Benitez, ou a Grécia de Rehhagel, é apenas porque esse tipo de competição, sendo decidida em eliminatórias, não confere importância à regularidade, à capacidade de uma equipa jogar constantemente bem, privilegiando, em vez disso, o detalhe e até a arbitrariedade da fortuna. É muito mais difícil encontrar vencedores de campeonatos nacionais cujo modelo de jogo de base se construa com os pressupostos destas equipas, isto é, com um bloco baixo, muitos homens atrás da linha da bola, ofensivas constantemente em inferioridade numérica, privilégio dos momentos de transição, etc.. A razão pela qual as competições nacionais raramente são ganhas por equipas que actuem preferencialmente desse modo é simples. Num campeonato em que se exige regularidade, estas equipas, embora possam ser muito fiáveis defensivamente, carecem de uma capacidade ofensiva evidente e perdem necessariamente pontos contra equipas que não se expõem tanto, que não atacam tanto. Colocar a equipa a jogar deste modo, isto é, dispensando a posse e concentrando-se no espaço, é especialmente útil contra equipas que gostem de atacar e de ter a bola, e ainda em competições a eliminar, em que um empate num dos jogos não é um mau resultado, em que os penálties acabam por equilibrar as diferenças entre os dois conjuntos, e em que os detalhes costumam ser mais decisivos. Perder um desafio numa competição nacional é, por isso, muito menos relevante e os detalhes, nessa competição, não fazem tanta diferença.
Ora, perante isto, é possível dizer que o Inter de Mourinho se adaptou à especificidade desta competição, jogando num modelo que, para esta prova, fazia todo o sentido, jogando porém de outro modo no campeonato italiano. Isto não é verdade. Se há coisa que Mourinho vinha a fazer, já há algum tempo, era a preparar a sua equipa para ser aquilo que foi nesta competição. Há quem possa pensar que surtiu efeito. Não penso assim. De facto, Mourinho venceu tudo, conseguiu algo que ninguém conseguia há muito tempo no Inter e mostrou que é um vencedor como há poucos. Mas a que custo? O modo de jogar do Inter, no campeonato, não foi especialmente diferente. Apanhando-se a ganhar, por exemplo, era comum ver a equipa abdicar da bola, recuar e defender com um bloco baixíssimo, entregando toda a iniciativa ao adversário. Se isto resultou umas vezes, não resultou noutras. E a verdade é que a revalidação do título, num campeonato pautado pela irregularidade de todos os conjuntos e paupérrimo em termos de oposição à hegemonia dos milaneses, chegou a estar tremida, sendo que a Roma, que começou o campeonato muito mal, chegou a estar a catorze pontos do Inter, andou completamente arredada da discussão do título durante três quartos da prova e, mesmo assim, por pouco não era campeã. O futebol à italiana do Inter de Mourinho serviu para ganhar tudo, mas apenas porque em Itália não há, em termos de concorrência, qualquer espécie de oposição. O Inter não fez um campeonato brilhante, não praticou um futebol interessante e sagrou-se campeão mais por demérito dos adversários do que por mérito próprio. É aqui que quero chegar.
Mourinho preparou a sua equipa especificamente para triunfar nas eliminatórias da Liga dos Campeões, passando a estratégia nestes jogos por entregar a iniciativa ao adversário. Resultou, como podia não ter resultado. Com a estratégia adoptada, entregou o destino da sua equipa à sorte, que lhe acabou por ser favorável. De facto, ganhou aquilo a que se propôs. Mas os custos, creio, foram bastante pesados. A equipa tornou-se absolutamente medíocre com bola, sem qualquer imaginação, incapaz de inventar coisas novas. Passou a poder jogar apenas de acordo com os ímpetos dos adversários, passou a ser uma equipa de reacção. Como todas as equipas que só são eficazes em reacção, tornou-se dependente de diversos factores e isso, por pouco, não lhe custava o título italiano. Custar-lhe-á muito mais, de certeza, no futuro. O seu Inter parou de evoluir, passou a ser uma equipa que só se sente bem com espaço e que, quando não o tem, não sabe o que fazer. Eis o problema de se preferir o espaço à posse de bola. Sendo competente apenas nos momentos em que pode utilizar o espaço, é uma equipa competente num número reduzidíssimo de ocasiões, durante um jogo. Isto faz com que a equipa tenha de ser obrigatoriamente muito eficaz, faz com que tenha de aproveitar ao máximo os poucos momentos em que puder activar as suas transições e aproveitar o espaço. Se não o for, fica sempre mais próxima de falhar. A diferença, está bem de ver, é que uma equipa que prefira a posse de bola pode inventar as suas próprias ocasiões, pode sempre aumentar as condições de êxito e depende sempre menos da eficácia que tiver na finalização das jogadas. É por isso que a opção pela posse de bola é sempre uma estratégia mais eficaz que a preferência pelo espaço.
Não significa isto que não haja momentos específicos, num jogo, em que seja útil baixar o bloco e, abdicando da posse de bola, procurar sobretudo aproveitar os espaços concedidos por quem ataca. Poderá ser útil, por exemplo, nos minutos finais do primeiro tempo, para que a equipa não se desorganize nem se desgaste desnecessariamente; ou poderá ser útil imediatamente a seguir a um golo, para impedir a reacção imediata do adversário. Isto é, porém, muito diferente de adoptar esta estratégia durante 90 minutos. Optar por este tipo de jogo a tempo inteiro significa abdicar da iniciativa, significa deixar a faca e o queijo do lado do adversário. Pode traduzir-se numa estratégia eficaz essencialmente quando se marca primeiro e o adversário tem obrigatoriamente de atacar. Mas que tipo de competência, em termos colectivos, tem uma equipa deste tipo para virar resultados? Não tem. Ou essa competência é directamente proporcional à competência individual dos seus atacantes, sobre quem recai a responsabilidade de fazer o que a equipa, em conjunto, não consegue fazer. Saber aproveitar o espaço é uma arma muito importante em futebol. Mas uma equipa cuja única arma seja essa é sempre uma equipa mediana que, sem atletas capazes de decidir partidas sozinhos, pouco ou nada é capaz de conquistar. Se nos recordarmos, esta estratégia resultou na segunda mão frente ao Chelsea porque o Inter teve a sorte de partir em vantagem; resultou na segunda mão frente ao Barcelona porque o Inter conseguiu, sem saber bem como, partir com uma vantagem de dois golos para esse jogo; resultou frente ao Bayern porque defensivamente a equipa de Van Gaal esteve incrivelmente mal; e resultou sobretudo porque havia Milito, Eto'o e Sneijder. Isto é, a estratégia de que tanto se fala e que tantas lições deu, segundo alguns doutores, é uma estratégia que não depende de si própria, mas dos seus executantes, dos erros e da inépcia dos adversários e da sorte. E com bons executantes, com os erros dos adversários e com a sorte qualquer incompetente pode contar. Esperava-se que a distinção entre um dos melhores treinadores do mundo e um simples agricultor se traduzisse de um modo mais categórico. É evidente que Mourinho não é só isto e que, dentro deste tipo de estratégia, é extremamente competente, como poucos. Mas isso não chega. E não chega essencialmente porque é muito mais fácil pôr uma equipa a jogar deste modo, fazendo-a depender destas coisas, como já várias pessoas o tinham feito com sucesso, do que arranjar um modelo com menos vícios, que dependa menos de factores externos.
Eu, que sou exigente e que conheço o trabalho de Mourinho e aquilo de que é capaz, acho que esta vitória não é tão fantástica quanto apregoam. E isto sobretudo porque acho que, sendo dos poucos treinadores do mundo que teria condições para revolucionar o jogo, Mourinho optou pelo caminho mais fácil. Venceu, sim. Mas venceu como Alex Ferguson já venceu, como Rafa Benitez já venceu, como Carlo Ancelotti já venceu. Venceu como outros tantos já venceram. Não venceu categoricamente, como o Barcelona o ano passado, por exemplo; não venceu impondo coisas novas, impondo a sua competência sobre a dos outros. Venceu, como tantos já venceram, e apenas porque há que haver sempre um vencedor, todos os anos. E, como tantos outros que venceram assim, tão depressa vencem e são agraciados pela opinião pública como perdem e caem rapidamente no esquecimento. É por isso que negligenciar a posse de bola e preferir o espaço é uma estratégia condenada logo de partida. Pode conduzir a vitórias, efectivamente, mas nunca trará regularidade; depende de demasiadas circunstâncias para que se possa impor por si própria. É também por isso que defendo que a posse de bola, em futebol, é tudo: é o princípio vital de qualquer equipa que queira não só ganhar tudo, mas ser grande e sempre grande. Quando não se tem espaço, a posse de bola inventa-o. Quando não se tem a posse de bola, não há espaço que a invente e resta-nos tão-somente o próprio espaço. É este o corolário final da minha análise à vitória de Mourinho, uma vitória que muitos aplaudem boquiabertos, mas que não merece, em boa verdade, toda a histeria que a tem envolvido. O próprio Mourinho já fez coisas bem mais impressionantes e merecedoras de registo; o que fez este ano com o Inter não tem nada de extraordinário e roça até a simples banalidade.
Escrito por Nuno às 13:59:00 54 bolas ao poste
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Previsões de Ano Novo
1. Vencedor do Campeonato Português: Benfica. Acredito que este é o ano dos encarnados e acredito nisto mais ou menos desde o início da prova. A boa prestação do Braga até aqui tem ensombrado, de alguma maneira, a boa prova da equipa de Jorge Jesus, com percalços aqui e ali justificados pelo facto de se ignorarem os melhores princípios da equipa, mas a segunda parte do campeonato será o derradeiro teste à turma da Luz. O embate com o Porto, além de mostrar que o Benfica não vinha em decréscimo de produção, terá mostrado finalmente que a equipa de Jorge Jesus é o mais sério candidato ao título.
2. Vencedor do Campeonato Espanhol: Barcelona. Está tudo em aberto e o Real Madrid conseguiu um início de campeonato muito bom. Não foi tão assertivo quanto o Barcelona, ganhando vários jogos com muito sofrimento, mas conseguiu, pelo menos, manter-se colado ao líder. O Barcelona, no entanto, tem sido igual a ele próprio e, com o regresso em pleno de Iniesta espera-se que volte a ser regular como antes. A equipa está a jogar ainda melhor do que o ano passado e se as lesões não perturbarem a segunda metade do campeonato, o principal problema deste Barcelona, o plantel pequeno que possui, não ficará manifesto.
4. Vencedor do Campeonato Inglês: Arsenal. Quando o Arsenal perdeu com o Chelsea, parecia irremediavelmente afastado da luta pelo título. As últimas jornadas, com os sucessivos empates do Chelsea, colocaram porém a equipa de Arséne Wenger novamente na rota do título. Se ganhar o jogo que tem em atraso, o Arsenal fica apenas a 1 ponto do Chelsea, com a equipa comandada por Carlo Ancelotti a ter de jogar em Janeiro sem Drogba e Kalou, e tendo ainda Anelka lesionado. Com esta conjectura e a jogar o que está jogar, o Arsenal tem tudo para se impor. É a equipa que melhor futebol pratica em terras de Sua Majestade. O Manchester também terá uma palavra a dizer, mas parece-me francamente debilitado e dependerá muito dos desempenhos dos outros dois candidatos.
9. Participação de Portugal no Campeonato do Mundo: Oitavos de final. A Espanha deverá passar em primeiro lugar, no seu grupo, e Portugal terá a difícil missão de se apurar à frente do Brasil ou da Costa do Marfim. Nenhum dos adversários será fácil, mas numa competição deste género é difícil fazer previsões acertadas no que diz respeito a um conjunto de três jogos. Ainda assim, os campeonatos recentes mostraram que a capacidade de superação da equipa lusitana neste tipo de competição é notável. É claro que isso era com Scolari e tudo pode ser diferente agora. Tendo em conta a dificuldade do grupo, a qualidade do futebol apresentado durante a fase de apuramento e a equipa técnica comandada por Carlos Queiroz, a eliminação logo na fase de grupos não seria de espantar. Mas admito que Portugal consiga superar essa primeira fase. A partir daí, já acho mais complicado.
Antes de acabar o ano, gostaria ainda de fazer referência a um projecto em que eu e o Gonçalo estamos inseridos há aproximadamente três meses. Os mais atentos terão talvez estranhado a ausência, há já algum tempo, de textos sobre uma determinada jornada ou sobre a generalidade da actualidade futebolística. A ausência desses textos explica-se porque todas as semanas escrevemos um texto para o jornal online "Academia de Talentos" com esse tipo de conteúdos. Aqueles que nos quiserem seguir ainda mais podem sempre procurar os nossos textos na Área Técnica do respectivo jornal. A ligação encontra-se entre as várias ligações aqui ao lado. O "Academia de Talentos" é, possivelmente, o local com mais e melhor informação sobre a actividade futebolística a nível dos escalões de formação. Nesse aspecto, a sua relevância está para além de qualquer dúvida e qualquer pessoa que esteja interessada em acompanhar o que se passa na actualidade desportiva nos mais variados escalões de formação terá interesse em consultar com regularidade o jornal. Mais recentemente, o jornal tem procurado evoluir noutros sentidos e expandir os seus horizontes. O espaço designado por "Área Técnica" reúne, por isso, textos de outro carácter e com outros conteúdos. É precisamente nesse projecto que colaboramos e, além de nós, podem ser encontrados textos de outros bloggers que, normalmente, valem a pena ser lidos, como os do Pedro Bouças e do Rodrigo Rodrigues, do blogue "Lateral-Esquerdo" ou os do Paulo Santos, do "Apenas Futebol". Fica o anúncio e o convite, claro...
Escrito por Nuno às 08:55:00 7 bolas ao poste
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