Chegou ao fim a carreira futebolística de um dos mais fantásticos jogadores de sempre do futebol português. Ontem, dia 11 de Maio de 2008, Rui Costa pendurou as botas. Nesta hora, ao invés das lágrimas do adeus, apetece-me lembrar tudo o que ele foi. Laudrup disse, ao terminar a carreira, que em poucos anos deixaria de haver jogadores como ele: referia-se aos números 10 puros, ao tipo de jogador que comanda o leme de uma equipa, que puxa todos os cordéis ofensivos, que dribla, passa e remate como se estivesse a executar a mais simples das tarefas. Rui Costa é um desses últimos jogadores. Foi o meu primeiro grande ídolo! Depois dele, teria vários, é certo, mas foi com ele que aprendi a sorrir perante um jogo, foi ele o primeiro a quem quis imitar os movimentos. Numa das muitas inconfessadas ilusões infantis, desejei ser jogador de futebol e imaginei-me ao lado dele num campo. É justo, portanto, dedicar-lhe, na despedida, tudo o que puder dedicar. As recordações são imensas e seria impossível distinguir todos os grandes momentos da sua carreira. Quero, porém, neste momento, relembrar aqueles que mais me marcaram: o penalty decisivo que deu a vitória do mundial de sub-20 em 1991; o chapéu perfeito frente à Irlanda, na Luz, que abriu caminho à vitória que nos levaria ao Euro 96; o melhor jogo que o terei visto fazer, um Portugal-França de carácter amigável, em 96, cujo resultado final foi de 3-2 para os franceses, mas durante o qual Rui Costa parecia um objecto estranho, um fenómeno de outro planeta, com uma alegria a jogar que nunca mais lhe vi repetida, coroada com um golo que ilustra toda a sua classe; os incontáveis últimos passes para Batistuta na Fiorentina; o passe de morte, após uma jogada brilhante de toda a equipa, para o golo do empate frente à Inglaterra, na mítica reviravolta do Euro 2000; o golo de raiva frente à Inglaterra no Euro 2004, calando ingleses e portugueses. Pelo meio, aquela expulsão absurda frente à Alemanha, que o pôs a chorar pela injustiça e posicionou todo o povo lusitano contra o árbitro Marc Batta. Era em tudo isto e em muito mais que pensava ontem, na Luz, quando fui dedicar o meu preito ao grande maestro.
Figo terá dito que Rui Costa é maior que o Benfica. Atrevo-me a dizer que Rui Costa é maior que o futebol! São raríssimos os exemplos de jogadores que conquistaram tantos corações. Portugueses, florentinos e milaneses. Além dos corações, que nunca decepcionou, Rui Costa ganhou o respeito do mundo: a carta que o Milão lhe endereçou, agradecendo-lhe, é das demonstrações mais fortes do homem que foi. Ontem, dia 11 de Maio, apesar do quarto lugar do Benfica na Liga, a emoção e os festejos terão sido certamente maiores, mais significativos, e, daqui a uns anos, mais lembrados, do que os festejos portistas, com a conquista de mais um título, ou do que os festejos leoninos, pelo acesso directo à Liga dos Campeões, ou ainda do que os festejos vimaranenses, por uma classificação inédita. É que, de um lado da balança estavam os sucessos desportivos, efémeros por excelência; do outro, estava uma carreira ímpar, um homem como poucos, que tão depressa não será esquecido. Fica até a sensação de que a ele, Rui Costa, muito mais do que a qualquer outro jogador da sua geração, todos os eventuais erros seriam perdoados. E isso não é toda a gente que consegue. Tenho praticamente a certeza de que, se se despedisse, como Zidane, com uma agressão numa final de um campeonato do mundo, seria mais celebrado do que criticado.
Chega, pois, o fim de uma etapa na sua vida. Os relvados agradecem a sua passagem e choram o desaparecimento de um dos últimos românticos. Laudrup - confesso-o com pena - tinha razão: o futebol caminha numa direcção na qual os jogadores como ele tendem a desaparecer. Depois de Zidane, é a vez de Rui Costa. Sobra ainda Riquelme, afastado contudo dos grandes palcos. Teremos um dia ainda a possibilidade de inverter esta tendência e recuperar este tipo de jogadores, agora tão em desuso? Seria bom, para o futebol, que sim. Rui Costa disse, no fim da partida, que, no final da carreira, preferia rir, em vez de chorar, como tantas outras vezes. Também eu, em vez do pranto, deixei escapar um largo sorriso. Porque Rui Costa vale mais que lágrimas; vale o esforço de as conter perante a inevitável certeza de que tudo chegou ao fim e de que não mais se repetirão as proezas com que tantas vezes nos deliciou.
Figo terá dito que Rui Costa é maior que o Benfica. Atrevo-me a dizer que Rui Costa é maior que o futebol! São raríssimos os exemplos de jogadores que conquistaram tantos corações. Portugueses, florentinos e milaneses. Além dos corações, que nunca decepcionou, Rui Costa ganhou o respeito do mundo: a carta que o Milão lhe endereçou, agradecendo-lhe, é das demonstrações mais fortes do homem que foi. Ontem, dia 11 de Maio, apesar do quarto lugar do Benfica na Liga, a emoção e os festejos terão sido certamente maiores, mais significativos, e, daqui a uns anos, mais lembrados, do que os festejos portistas, com a conquista de mais um título, ou do que os festejos leoninos, pelo acesso directo à Liga dos Campeões, ou ainda do que os festejos vimaranenses, por uma classificação inédita. É que, de um lado da balança estavam os sucessos desportivos, efémeros por excelência; do outro, estava uma carreira ímpar, um homem como poucos, que tão depressa não será esquecido. Fica até a sensação de que a ele, Rui Costa, muito mais do que a qualquer outro jogador da sua geração, todos os eventuais erros seriam perdoados. E isso não é toda a gente que consegue. Tenho praticamente a certeza de que, se se despedisse, como Zidane, com uma agressão numa final de um campeonato do mundo, seria mais celebrado do que criticado.
Chega, pois, o fim de uma etapa na sua vida. Os relvados agradecem a sua passagem e choram o desaparecimento de um dos últimos românticos. Laudrup - confesso-o com pena - tinha razão: o futebol caminha numa direcção na qual os jogadores como ele tendem a desaparecer. Depois de Zidane, é a vez de Rui Costa. Sobra ainda Riquelme, afastado contudo dos grandes palcos. Teremos um dia ainda a possibilidade de inverter esta tendência e recuperar este tipo de jogadores, agora tão em desuso? Seria bom, para o futebol, que sim. Rui Costa disse, no fim da partida, que, no final da carreira, preferia rir, em vez de chorar, como tantas outras vezes. Também eu, em vez do pranto, deixei escapar um largo sorriso. Porque Rui Costa vale mais que lágrimas; vale o esforço de as conter perante a inevitável certeza de que tudo chegou ao fim e de que não mais se repetirão as proezas com que tantas vezes nos deliciou.