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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Certezas (26)

É talvez uma boa altura, agora que começa o Euro 2012, mencionar um atleta que não vai estar na grande montra europeia da Polónia e da Ucrânia. Ainda assim, este parece ser o seu Verão, e dificilmente começará o próximo campeonato a defender o mesmo clube. Trata-se de um defesa central de qualidades muitíssimo interessantes, e que me parece ter tudo à sua frente para ser um dos melhores no seu posto, assim o queira o destino. Para além de ter algumas das características mais apreciadas num defesa (altura, velocidade, bom jogo aéreo, excelente capacidade de desarme), tem outras a que, normalmente, dou mais valor. A sua capacidade de passe é invejável, e a sua técnica, para um defesa, fora do comum. Alia um bom sentido posicional a uma tranquilidade impressionante, e parece estar sempre no sítio certo à hora certa. Não é agressivo, e isso talvez o possa prejudicar ligeiramente (sobretudo confirmando-se a ida para Inglaterra, que parece ser o cenário mais provável). Mas nem tem que o ser. Lê os lances como ninguém, antecipa-os, e percebe tudo o que está a acontecer à sua volta com extrema facilidade. É, ainda, elegantíssimo a jogar, e, aos 25 anos, possui uma maturidade que não é para todos. Um verdadeiro líder em campo, que faz lembrar Beckenbauer. Pelas suas qualidades com bola, actuou já também a meio-campo, mas é a central que me parece que deve impor-se. Na selecção do seu país, joga também a lateral-esquerdo, fruto do excelente pé esquerdo que tem, e da disponibilidade para se intrometer nas acções ofensivas da equipa (e da excelente fornada de compatriotas que actuam no centro da defesa). No Ajax, aliás, não era raro vê-lo a subir com a bola controlada e a criar situações de superioridade numérica pelo meio. Até por toda esta polivalência, seria a minha primeira opção para reforçar a defesa blaugrana, que procura jogadores para o centro e para a esquerda da defesa, e, se tivesse que mencionar os dez defesas centrais que mais me agradam no futebol actual, não me esqueceria dele. Pertence a uma geração belga muitíssimo prometedora, que dará certamente cartas nas próximas três ou quatro competições de selecções, e, apesar de tudo, estou certo de que fará boa figura para onde quer que vá. É, por isso, com muito interesse que seguirei as pisadas de Jan Vertonghen, e estarei a torcer para que o perfume do seu futebol possa contagiar até o mais conservador dos treinadores que vier a apanhar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Certezas (25)

Não é propriamente uma novidade, mas há muito que merecia a honra de ser falado aqui. Não o fiz antes essencialmente porque queria perceber melhor qual seria o seu enquadramento no plantel da sua equipa, este ano, até porque tinha ideias a esse respeito. O seu valor é inquestionável e serão poucos os que acharão alguma novidade nesta referência. Não é, como o seu ídolo, Xavi, um jogador tão inteligente e criterioso no momento do passe. Nem me parece que seja em fases de construção tão prematuras que pode fazer a diferença. Claro que pode jogar aí, e claro que aparecerá sempre em zonas baixas, mas a sua qualidade de drible, sobretudo, merece um aproveitamento diferente. Não o considero tão rápido a ler o jogo como outro colega com quem cresceu e com quem coabitou no meio-campo, Jonathan dos Santos, mas parece ter maiores recursos que o mexicano, e uma personalidade mais forte. É atrevido, tem uma capacidade técnica invulgar, e é assaz inteligente para jogar em qualquer posição do meio-campo, mas é entre linhas, enfiado entre as defesas contrárias que gostaria de vê-lo mais vezes. É fortíssimo no último passe, muito criativo, e individualmente desembaraça-se de situações difíceis sem problemas. Como médio, não tem ainda a maturidade nem a qualidade para poder ombrear com os habituais titulares, e ficaria durante muitos anos na sombra deles. Mas encostado à esquerda, como no último jogo, partindo depois para dentro, ou à frente dos dois médios, percorrendo sem bola os espaços entre os médios e os defesas adversários, oferecendo-se para tabelas curtas e puxando as marcações adversárias para onde interesse à equipa, acho que tem tudo para crescer. Em qualquer uma dessas posições, a sua responsabilidade é menor, e as suas melhores qualidades podem continuar a ser trabalhadas. O seu treinador não parece concordar, utilizando-o quase sempre como médio-ofensivo, mas nunca como aquele jogador que joga à frente dos médios, menos posicional, deambulando pela frente de ataque com menores amarras, mais preocupado em solicitar linhas de passe do que em ter ele a bola. Agora que é claro que Guardiola valoriza como ninguém a utilização de jogadores com características de médios nas posições mais ofensivas do seu modelo, assim como valoriza a criação de espaços ofensivos, os movimentos sem bola dos atacantes, a utilização da bola como um engodo, cabe-lhe talvez a missão de fazer de Thiago Alcântara um jogador mais decisivo na manobra ofensiva da equipa, especialmente naquilo que se passa no último terço do terreno, precisamente onde os espaços são mais curtos, a quantidade de vezes que se toca na bola é menor, e a técnica individual mais preponderante.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Certezas (24)

Dizer que faz lembrar Kaká é pouco. Foi o jogador que mais me impressionou no recente mundial de sub-20, e impressionou-me sobretudo por conseguir misturar no seu jogo as competências técnicas com um nível de maturidade muitíssimo aceitável para a sua idade. Não era o jogador mais vistoso da sua selecção, nem aquele sobre quem recaíam maiores expectativas. Mas pareceu-me sempre o mais esclarecido de todos eles. Quando faltava o espaço, argumento necessário para que outros pudessem brilhar, a sua clarividência mantinha-se intacta. Se não o tinha, arranjava-o. Sempre de cabeça levantada, muito rápido a decidir e a executar, e veloz também a conduzir a bola, pareceu sempre poder modificar as coordenadas de um jogo, assim lhe apetecesse. Foi exactamente o que fez na final do torneio, onde por fim lhe foi prestado o devido reconhecimento. É apesar dessa final, e apesar das razões pelas quais acabou por ser reconhecido, que acho que o seu valor deve ser entendido. Marcar golos e contribuir de forma evidente para o sucesso da sua equipa foi apenas o somar de muitas outras coisas. Gostei sobretudo do privilégio pelo passe vertical, sempre a procurar os apoios frontais dos colegas, e a preocupação em solicitar os companheiros nos espaços entre linhas. Não há muitos jogadores, mesmo os mais dotados tecnicamente e os mais arrojados, que optem tantas vezes pelo passe vertical rasteiro para progredir. Normalmente, quando os espaços estão fechados, a opção é circundar o bloco adversário, fazer a bola chegar aos extremos de modo a que estes desequilibrem individualmente ou de modo a que, esperando pelo lateral, possam criar situações de superioridade numérica no flanco. Ele, porém, pareceu sempre perceber que há mais soluções do que as óbvias. E pareceu sobretudo perceber que progredir pelo centro é sempre uma opção válida, desde que se saiba como. Tivesse nos colegas companheiros capazes de entender o jogo tão bem como ele e teria dado ainda mais nas vistas. Não sei o que o futuro lhe reserva, principalmente porque o futuro de jogadores que se destacam pelos seus atributos intelectuais é sempre mais incerto do que o futuro de outro tipo de jogadores. Acho que tem qualidade mais do que suficiente para vir a ser dos melhores jogadores do mundo daqui a uns anos, mas não sei se isso acontecerá incondicionalmente. Enquanto que jogadores mais individualistas e mais vistosos podem vingar em praticamente qualquer equipa, desde que, para isso, mereçam a confiança do treinador que apanharem, jogadores como este, jogadores que, apesar de tecnicamente evoluídos, fazem uso sistemático das suas qualidades colectivas e privilegiam acima de qualquer outra coisa a criatividade, estarão sempre dependentes do tipo de colectivo em que acabarem inseridos. Vejamos então que caminhos desbravará o talento de Óscar...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Certezas (23)

A recente e, por que não, surpreendente transferência deste jogador para Inglaterra veio apressar a necessidade de escrever este texto. Dele há a dizer, em primeiro lugar, que foi o jogador que mais me impressionou no europeu sub-20 do ano passado. Senhorial, com um sentido posicional perfeito e uma simplicidade de processos ao nível de poucos, destacou-se mais pela sobriedade e pelas capacidades de liderança do que pelos atributos atléticos que também possui. Não sendo extraordinariamente alto, é no entanto muito forte fisicamente. Isso não o impede, como é hábito acontecer, de ser tecnicamente evoluído e de privilegiar o intelecto. Jogando na posição de médio defensivo, sente-se confortável com o papel posicional que desempenha, sendo especialmente forte nas coberturas ofensivas e defensivas, aparecendo invariavelmente perto dos médios mais avançados em todas as situações do jogo. Com bola, é também muito bom. Não exagera no passe à distância, nem parece ter necessidade de fazê-lo para se impor, e percebe bem as reais necessidades da equipa, a cada momento. Apesar de não usar o passe longo com frequência, tem uma facilidade de passe invejável e muito critério quando tem de entregar a bola. Percebe que a sua posição não implica apenas recuperar e entregar, e toma invariavelmente boas decisões, não deixando de procurar soluções verticais, com passes entre linhas, quando assim se exige. Antes de se confirmar que o seu futuro passaria afinal por Inglaterra, foi conjecturada a sua vinda para Portugal, para um dos três grandes. Se na altura pareceu claro que não era do interesse do seu clube um empréstimo a uma equipa portuguesa, o que fazia antever uma aposta, pelo menos a médio prazo, neste jogador, não deixa de ser para mim uma surpresa o desfecho do caso. Aliás, imaginei mesmo que, no início da época que agora acabou, pudesse vir a integrar os trabalhos da principal equipa com alguma frequência, e perspectivei que se tornasse rapidamente o substituto de Sergio Busquets, com quem o compararia, se tivesse de compará-lo com alguém. A chegada de Mascherano acabou, contudo, por lhe dificultar a ascensão, e sai agora de Barcelona, rumo a Londres, por uma quantia quase irrisória, tendo em conta o seu enormíssimo valor. Demorei este texto por querer vê-lo noutro contexto que não a selecção de sub-20 e o Barcelona B, mas a perspicácia de André Villas-Boas impede agora que continue a fazê-lo. É hora, pois, de lembrar que na Catalunha mora (ou morava) mais um incrível médio defensivo, um jogador que, apesar de possuir uma fisionomia bem diferente de Busquets ou Guardiola, muito mais condizente com um médio de choque, acaba porém por cultivar um perfil idêntico àqueles de quem herdou o talento. Pode ser que Camp Nou não venha afinal a ser o palco onde futuramente evidenciará as suas qualidades, mas isso não impedirá que Oriol Romeu venha a ter a grandeza que se lhe adivinha...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Certezas (22)

Surgiu ligado ao Porto há dois anos, mas a sua vinda para Portugal acabou por não se confirmar. As semelhanças de estilo com Lucho González eram, na altura, o que mais impressionava. Ao contrário, porém, do argentino que passou pelo Dragão, este jovem tem ainda mais atributos técnicos, e uma capacidade individual extraordinária. Dotado ainda de uma personalidade aparentemente forte, foi com alguma surpresa que não esteve entre os titulares da selecção do seu país, no mundial do ano passado. Felizmente para ele, soube evoluir numa equipa de segundo plano e é agora dos atletas mais cobiçados na Europa. Médio de ataque, com boa chegada à área adversária, mas sobretudo muito evoluído tecnicamente e com criatividade para dar e vender. Trata-se, pois, do médio que tipicamente se aprecia por aqui: um jogador inteligente, com índices técnicos e de criatividade acima da média, que faz do passe e das combinações complexas a sua maior arma, e com muita, muita classe. Nos últimos tempos, foi sendo ligado ao Barcelona com mais insistência, mas duvido que a Catalunha seja o seu destino, sobretudo se se confirmar a transferência de Fabregas, que parece ser a preferência dos blaugrana. Isso não deverá, porém, afectar a evolução deste extraordinário jogador, principalmente se encontrar no seu próximo destino quem lhe permita a liberdade de que o seu futebol parece precisar. Numa altura em que se confunde sistematicamente capacidade no um para um com criatividade, e numa altura em que cada vez mais se perde a cabeça por jogadores que fazem do drible a sua arma prioritária, era bom que se olhasse para este magnifíco jogador e se percebesse que a classe e a imaginação são tudo o que uma grande equipa deveria procurar num jogador. Onde quer que venha a continuar a sua carreira, será, por isso, um prazer - um prazer que pouquíssimos futebolistas me conseguem hoje em dia oferecer - continuar a acompanhar o virtuosismo de Javier Pastore...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Certezas (21)

Quando apareceu, compararam-no imediatamente a Theo Walcott, mas depressa me pareceu que a comparação requeria ajuste considerável. Como apareceu a jogar numa posição semelhante, mais avançado e junto à linha, e como fazia uso da velocidade como Walcott, não tiveram dúvidas em relação ao rótulo. Antes mesmo de o ver jogar, torci o nariz, precisamente por causa da comparação. Mas, ao vê-lo, percebi que não era apenas o que Walcott é, um jogador veloz e mortífero quando se apanha com espaço, mas sim alguém de toque mais curto, mais refinado tecnicamente, e sobretudo mais imaginativo. A evolução que a sua curta carreira foi tendo comprovou as minhas suspeitas: tratava-se de um atleta fadado para outras coisas e para outra posição no terreno. A sua colocação na zona central foi para mim óbvia, essencialmente porque a sua capacidade para inventar requeria a problematização que o centro do terreno oferece. Faltava perceber, apenas, se conseguia juntar à criatividade e à capacidade de improvisação a frieza e a natureza cerebral de um médio centro clássico. Este ano, apareceu precisamente a jogar no meio-campo, não como médio-ofensivo que é, mas como médio recuado, numa posição em que se lhe exige que seja mais cerebral e menos mágico. Confesso que não é aí que me parece que possa ser extraordinário, não necessariamente por ser fisicamente débil e pouco fiável no choque, mas porque nessa posição a sua criatividade não é verdadeiramente posta à prova. Desembaraça-se com facilidade e empresta ao jogo da sua equipa uma fluidez notável, fruto da sua qualidade com bola e da sua inteligência, mas acaba por não estar tantas vezes em zonas densamente povoadas e acaba por não estar sujeito tantas vezes a problemas que exijam soluções de dificuldade acrescida. O seu crescimento, porque a sua capacidade actual assim o exige, deveria passar por uma posição central, sim, mas mais avançada no terreno, mais junto dos avançados e mais metido dentro do bloco adversário, obrigado a jogar mais vezes entre linhas e menos de trás para a frente. É vítima, por isso, do problema do duplo-pivot do qual Wenger tarda em libertar-se. O seu pé esquerdo e a sua imaginação são, porém, demasiado grandes para que possa vir a cair no esquecimento e, dentro de um ou dois anos, Jack Wilshere será certamente um dos nomes maiores do futebol inglês.

sábado, 27 de novembro de 2010

Certezas (20)

É a primeira vez que um guarda-redes é elogiado nesta rubrica, mas a qualidade deste jovem é tanta que dificilmente lhe poderia escapar. Os melhores clubes do mundo andam já interessados no seu concurso e não é crível que aguente muito mais tempo no seu clube. De qualquer modo, porque a concorrência não podia ser maior, o seu lugar na selecção do seu país continuará a ser difícil de assegurar. À parte disso, o seu futuro é quase uma certeza absoluta. O que mais impressiona, quando o vemos na sua baliza, é a frieza e a segurança, como se fizesse aquilo há já muitos anos. Aliando a esta capacidade mental uma técnica de guarda-redes prodigiosa e a facilidade com que rapidamente se impôs na ribalta do futebol europeu, diria que estamos na presença de um dos cinco melhores guarda-redes dos próximos dez anos. Tanto quanto me pude aperceber, não tem propriamente pontos fracos. Ainda que não tenha uma envergadura invejável, é seguro a sair dos postes. Nas saídas aos pés dos avançados, faz uso da sua agilidade e, não sendo muito agressivo e intimidador, é no entanto tecnicamente evoluído e sabe esperar pelo momento certo quer para fazer a mancha, quer para cair. Naquilo em que é, todavia, indiscutivelmente muito forte é na meia distância. A sua elasticidade e a perfeição técnica com que voa para qualquer um dos lados é ímpar. Não me lembro, talvez à excepção de Preud'homme, de outro guarda-redes tão elegante e com um gesto técnico tão perfeito quanto ele. De resto, é capaz de segurar bolas muito difíceis, bolas que outros, pela dificuldade do voo, preferem invariavelmente defender com a palma da mão para canto. Esta, a meu ver, é a imagem de marca dos melhores do mundo na baliza: ser capaz de voar para um dos lados e, ainda assim, agarrar a bola. Preud'homme era mestre nisso; este miúdo também parece sê-lo. Não duvido, por tudo isto, que David De Gea terá, muito brevemente, o mundo a seus pés...

sábado, 31 de julho de 2010

Certezas (19)

A cara de miúdo, a alegria a jogar e a coragem são os atributos que mais transparecem. Por trás deles, está o enorme talento em que se funda toda a sua qualidade. Possuidor de um pé esquerdo finíssimo, é um jogador elegante, que trata bem a bola e com muitos recursos técnicos. Não é malabarista, como muitos, até porque a sua nacionalidade parece ser à prova dessas inconsequências, mas é extremamente habilidoso. Usando essa habilidade pelas razões certas e nas alturas certas, deslumbrou esta época ao serviço do seu clube, motivando a cobiça dos grandes do seu país. Acabou vinculado a um deles e tem agora todo um futuro promissor à sua frente. Distingue-se dos outros jovens da sua idade por parecer mais maduro, por ter chegado ao escalão sénior e se ter imposto sem dificuldades. A sua margem de progressão, até por estas características, é por isso muito grande. Joga preferencialmente como segundo avançado e seria um erro, pelo menos nesta fase da carreira, fazê-lo actuar como médio organizador de jogo. Trata-se de um jogador mais vertical, excelente no drible e que procura muito o último passe. É principalmente um desequilibrador e é, por isso, em zonas mais adiantadas do terreno que o seu potencial deve ser aproveitado. Como médio organizador, falta-lhe alguma lucidez e alguma capacidade para ponderar a melhor solução de passe em zonas mais recuadas. Não raras vezes, mesmo estando ainda consideravelmente longe da área, procura protagonizar o último passe, procura excessivamente o movimento de ruptura decisivo. Actuando na frente, com liberdade para aparecer ora nas linhas, ora no espaço entre linhas, ora a aproveitar as costas de um avançado mais fixo, pode explorar todo o seu talento sem prejudicar a equipa mais atrás. A sua evolução passa por isso por jogar como avançado móvel e, tratando-se de um jogador muito imaginativo, inteligente e com boa capacidade técnica, depressa crescerá o suficiente para perceber como deve actuar em zonas mais recuadas. Para já, é como atacante e não como médio que Mourinho deverá tentar tirar todo o proveito dele. E talvez daqui a uns anos a selecção espanhola tenha mais um prodígio na sua principal selecção. Assim evolua Sergio Canales...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Certezas (18)

Apareceu este ano a jogar regularmente, desde o início da época, sendo aposta incondicional do seu treinador, ao contrário de certos jogadores consagrados, que tiveram de penar bastante. Enquanto Luca Toni, Miroslav Klose, Bastian Schweinsteiger e Franck Ribéry, sobretudo, tiveram dificuldades em agradar a Louis Van Gaal, este jovem foi uma aposta firme, primeiro numa das alas e depois no centro do terreno, como médio de ataque que ligava o meio-campo ao ataque no 4231 do holandês. É verdade que Van Gaal é dado a caprichos, mas não será menos verdade que de alguma maneira este miúdo o terá impressionado desde muito cedo. Em mim, desde o primeiro momento em que o vi jogar, fez-me sentir uma natural empatia. A sua inteligência e a sua maturidade, raríssimas num jogador com a sua idade, sobretudo atendendo aos excelentes atributos técnicos de que é dotado, foram as coisas que mais me prenderam a atenção. Achei-o, desde logo, extraordinariamente criativo, capaz de inventar soluções de passe com facilidade, um jogador que, embora muito bom a nível técnico, raramente optava por partir para cima dos seus opositores, que procurava apoios próximos, etc. Com a diferença óbvia no tamanho, pareceu-me um jogador extraordinariamente semelhante a Bruno Pereirinha, quer pelo próprio estilo, quer essencialmente pela forma de pensar e perceber o jogo. Na altura, jogava como extremo mas, tal como sempre vaticinei em relação ao jovem leão, era no meio, como médio de ataque, que me parecia que o seu potencial melhor podia ser explorado. A sua simplicidade, aliada às facilidades técnicas que possuía, permitia, a meu ver, que pudesse jogar metido entre as linhas adversárias, conferindo ao futebol da sua equipa uma solução vertical constante. Van Gaal, creio, percebeu isso mesmo. E estou em crer ainda que o futebol do Bayern se revolucionou para melhor desde que este jovem alemão passou a jogar como médio-ofensivo, jogando nas costas do ponta-de-lança e sempre como apoio vertical ao médio portador da bola. Tem ainda, para além desta influência clara, a capacidade para, aproximando-se das linhas, servir de apoio lateral quando o jogo é conduzido pelas faixas, criando situações de superioridade numérica nessas zonas do terreno. É, no fundo, no modelo de Van Gaal, o jogador responsável pela formação de triângulos nas zonas com maior densidade de adversários e, por isso, o jogador mais importante da equipa no momento da construção ofensiva e a peça mais difícil de substituir no onze do holandês. O futebol do Bayern melhorou significativamente na segunda metade da temporada, consolidando-se. Melhorou sobretudo ao nível da construção ofensiva, sendo agora uma equipa muito personalizada. A principal razão, penso, para que isso tenha acontecido, foi precisamente a aposta neste jogador nesta posição. Numa altura decisiva da época, depois de ter sido pré-convocado para a selecção alemã para o mundial da África do Sul, de ter ajudado o Bayern a sagrar-se campeão e dias antes da primeira de duas finais importantíssimas para o seu clube, não queria deixar de reconhecer o extraordinário valor de Thomas Müller.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Certezas (17)

Pequeno, ágil e tecnicista. É no cérebro, porém, que moram as principais virtudes deste jovem jogador. Desde a pré-época que me pareceu o jovem mais habilitado a servir as necessidades do plantel principal da sua equipa, embora outros nomes fossem bem mais falados. Irmão de outro jogador cuja reputação supera a sua real qualidade, e que não vingou, até agora, no mundo do futebol, apesar de todos os prognósticos, este jovem é das maiores esperanças do seu país e já foi mesmo chamado à principal selecção do mesmo. A velocidade a que pensa e a perfeição técnica fizeram com que lhe predissesse o futuro que agora parece começar a raiar. A sua criatividade faz com que deva ser aproveitado em posições ofensivas, mas o seu jogo cerebral, a capacidade de jogar ao primeiro toque e a grande visão de jogo que possui não podem fazer dele senão um médio de ataque. Está na calha para ficar, para já, na sombra de Xavi e de Iniesta, mas é o melhor jovem que o Barcelona tem para aquela posição. O futebol curto dos catalães precisa, para aquela posição em particular, de jogadores que o saibam interpretar bem, jogadores imaginativos, inteligentes, com uma capacidade técnica acima da média, e que ponham as suas qualidades ao serviço do colectivo, pensando e executando rápido. Este miúdo tem tudo isso. Faltar-lhe-á, ainda, a confiança dos graúdos ao lado de quem joga, mas o resto já lá está. Será, pois, uma questão de tempo para que comece a dar, realmente, nas vistas. Quando se fala na possibilidade de Cesc Fabregas voltar a Camp Nou, pergunto-me que tipo de meio-campo pode o Barcelona constituir em anos vindouros com jogadores como Fabregas, Xavi, Iniesta, Busquets e este jovem prodígio. Tal como Bojan Krkic, o tamanho é inversamente proporcional ao seu talento e, tal como o sérvio-espanhol, é das maiores pérolas que os catalães possuem. O futuro é dos pequeninos e a Jonathan dos Santos antevejo um bem promissor...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Certezas (16)

No Arsenal estão alguns grandes jovens jogadores que importa referenciar no futuro. Para já, é relevante falar deste extraordinário avançado, até porque já apareceu há algumas épocas e o devido destaque ainda não lhe tinha sido feito neste espaço. É um jogador muito móvel, como é hábito nos avançados de Arsène Wenger, com uma capacidade técnica invulgar, rápido e, sobretudo, muito inteligente. Conheci-o durante o mundial de sub-20 de 2007, quando a sua selecção enfrentou a congénere portuguesa. Jogava na frente de ataque juntamente com aquele que era, no momento, a grande figura da sua selecção na altura: Giovani dos Santos. Desde logo, achei-o superior ao então jovem promissor do Barcelona. Essa superioridade não residia nos atributos técnicos, igualmente presente no craque do Barça, mas sim na maturidade, na inteligência, na forma adulta como compreendia o jogo e o levava para dimensões colectivas raramente presentes em escalões jovens. Fiquei impressionado, na altura, para além dos seus 18 anos, pela capacidade que tinha para jogar de costas para a baliza e em espaços curtos, encontrado boas soluções com relativa facilidade. Esta capacidade, e não os dribles estonteantes ou a força bruta, é a principal prova daquilo que um jovem jogador conseguirá fazer no futuro. Ao contrário de Giovani dos Santos, que impressionava os mais facilmente impressionáveis porque ia muitas vezes no drible e era muito explosivo, este jogador era mais fino, mais elegante com a bola, menos interessado em ultrapassar vários adversários e mais objectivo. Dois anos e qualquer coisa volvidos, parece quase inquestionável que o potencial de Giovani dos Santos está no seu limite e que os mais facilmente impressionáveis estavam enganados. Ao contrário do compatriota e ao contrário de grande parte dos jovens jogadores que são considerados promissores pelos atributos físicos e técnicos que demonstram precocemente, Carlos Vela tem um potencial infinitamente superior porque é inteligentíssimo e isso é tudo o que é necessário para expandir as suas capacidades ao longo da sua carreira.

domingo, 12 de julho de 2009

Certezas (15)

Improvável, deslocado, inadequado. Estes foram alguns dos adjectivos que me ocorreram quando vi jogar este miúdo na equipa de juniores do Porto. Tem futebol que nunca mais acaba, mas este encontrou-se encurralado na mediocridade da equipa onde evoluía. Com um pé esquerdo que parece enfeitiçar tanto o esférico como os próprios adversários, que só vem acentuar as assimetrias existentes entre ele e o resto da equipa, conseguiu disfarçar de aceitável o futebol(?) praticado pela sua equipa. Agora é esperar que o deixem crescer e que a Covilhã não seja demasiado pequena para esta etapa do Josué Pesqueira....

P.S. Depois de ver a actuação de Diogo Viana na Luz, só me apetece perguntar: onde é que andam os críticos que se insurgiram contra a transferêrencia de Diogo Viana para o Porto? A não ser que sejam adeptos do Porto...

sábado, 27 de junho de 2009

Certezas (14)

O futebol português, ao contrário do que se pensa, não é tão infecundo assim em pontas-de-lança de qualidade. Há, isso sim, um critério errado na observação de jogadores, bem como um muito mau aproveitamento daqueles que aparecem com qualidade suficiente. Basta ver como Nuno Gomes não tem o destaque que devia, como Postiga é mal-amado, como Saleiro ou Djaló não têm o reconhecimento que mereciam, como se desaproveitaram Diogo Tavares ou João Paiva, quase sempre dos melhores goleadores das equipas jovens por onde passaram, como se ignora a capacidade de Ricardo Nogueira e se chegou a dar oportunidades a fiascos como Tó Mané, como se preferem avançados estrangeiros desconhecidos a jovens portugueses, como se dá preferência a quem apenas marca golos e não a quem faz mais do que isso, etc. Este jovem jogador, todavia, terá uma palavra a dizer quanto a essa estúpida tendência de desaproveitamento. E as suas características podem até ajudar a isso. Além de bom a jogar de costas para a baliza e de tomar boas decisões com frequência, sabendo servir de apoio e pondo o colectivo à frente do individual, é robusto, forte fisicamente e tem bons pés. Alia a tudo isto uma capacidade de explosão invulgar para o seu tamanho e é, por isso, muitas vezes uma dor de cabeça constante para as defesas contrárias. Além de tudo isto, tem faro de baliza e é extremamente lutador, como muita gente pensa que devem ser todos os pontas-de-lança de eleição. Com tantas características interessantes, só mesmo a incompetência dos seus futuros treinadores justificará uma eventual paragem evolutiva. Tendo ainda mais um ano de júnior pela frente e ainda um campeonato para decidir já este Sábado, não chegará ao plantel sénior do Benfica tão depressa, mas se tudo correr bem é possível que dentro de dois ou três anos o Nélson Oliveira seja uma referência do clube encarnado, bem como uma possibilidade para a selecção nacional...

sábado, 16 de maio de 2009

Certezas (13)

Já não será novidade falar neste fantástico jogador, mas o simples facto de a sua ascensão ter sido tão meteórica faz com que ainda haja quem não o conheça, ou quem questione o seu real valor, ou quem ponha em causa a continuidade da brilhante época que está a realizar. Devo confessar que, como grande parte dos portugueses, desconhecia este jogador até ao início desta temporada. O facto de ter ido muito novo para Inglaterra terá travado o seu reconhecimento público, ficando vítima da desconfiança que grande parte dos treinadores têm em relação à juventude e de um tipo de futebol em que dificilmente se destacaria. Felizmente, o seu potencial era do conhecimento de quem o vira crescer e, no início da temporada, discretamente, regressou à casa-mãe. No início da época, entre tantas contratações sonantes, o seu nome pouco ou nada era falado. Vinha, segundo muitos, como uma opção de banco, tendo a virtude de conhecer os cantos à casa e de estar familiarizado com a filosofia do clube. O que poucos esperavam é que ganhasse o protagonismo que ganhou. Hoje, é titular indiscutível. Da sua equipa e da selecção do seu país. Admito que a altura que possui possa ser uma mais-valia com que contar, em equipas de estatura baixa, como são aquelas em que joga, mas os seus principais atributos são outros. Não sendo veloz e sendo até pouco ágil, muito por culpa do seu tamanho, é um defesa central que tem a virtude de ser extraordinariamente inteligente. Embora diferente, sobretudo no que concerne a características físicas, consigo encontrar pontos de contacto evidentes com o jovem central do Sporting, Daniel Carriço. O seu jogo posicional é praticamente perfeito e a sua abordagem aos lances francamente acima da média. Sabe ler aquilo que cada lance exige dele e denota, por isso, uma segurança invulgar. Não o vemos, certamente, a ganhar tantos lances em antecipação como outros centrais, não dando por isso tanto nas vistas. Mas isso, por si só, não significa nada. O melhor defesa central não é aquele que ganha mais bolas, mas aquele que percebe melhor o sentido colectivo da palavra "defender". Não é espalhafatoso como outros, não é "brigão", não precisa de ser demasiado agressivo para ser eficaz, e ainda assim é excelente. Tem a ver com inteligência, com superioridade. E, depois, com bola, é formidável. Um defesa, no futebol de hoje, não pode ser só um jogador de lances defensivos. Tem de conseguir conciliar as capacidades defensivas com uma capacidade ofensiva minimamente aceitável. A dele é soberba. A capacidade de passe à distância é muito boa, mas a sua principal característica é a ausência de medo em colocar a bola curta. Raramente entrega mal uma bola, raramente dificulta a recepção a um colega. Procura sair sempre a jogar, como é apanágio do futebol da sua equipa, e fá-lo com elevado êxito. Chega a ser impressionante a forma descontraída como sai de lá de trás em progressão e como entrega a bola em zonas povoadas com total descontracção. Um dos seus movimentos mais típicos é progredir com a bola, gradualmente, ameaçando um passe longo para a direita, mas puxando a bola para a esquerda e continuando a progredir, entrando assim aos poucos nas linhas do adversário, com a bola controlada, à espera de uma tabela ou do espaço necessário para um passe vertical. A importância que tem tido, numa equipa que precisa de ter defesas que saibam sair a jogar na perfeição, espelhará a qualidade que possui. Não é qualquer um que, com 22 anos, se impõe numa das melhores equipas do mundo, e em tão pouco tempo. Por isso, parte do espectáculo que é uma partida de futebol em que uma das equipas é o Barcelona deve-se também à presença em campo de tão astuto jogador. Apesar de ainda ser muito novo e de ter aparecido há tão pouco tempo (o que legitima a sua presença nesta rubrica que tem por objectivo destacar jogadores pouco conhecidos que possuam um potencial fora do comum), encheu-me de tal forma as medidas que, neste momento, Gerard Piqué está já para mim entre os dez melhores na sua posição...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Certezas (12)

Classe. É a palavra que melhor o define. O que não deixa de ser notável, tendo em conta que tem apenas 19 anos. Possuidor de uma técnica absolutamente notável, o que impressiona mais neste miúdo é a maturidade, a frieza, a racionalidade. É, também, a aparente facilidade com que executa cada lance. Alia, portanto, aos atributos técnicos invejáveis uma velocidade de raciocínio ímpar. Ao chegar aos seus pés, a bola já tem um destino, previamente estudado e decidido com uma destreza invulgar. Apesar de muito talentoso, não parece cair nas vaidades de outros e muito menos abusar nos truques e na fantasia improfícua. Sabe, por isso, guardar o seu arsenal de recursos para quando necessita deles, não usando cada bola que lhe chega para demonstrar as coisas extraordinárias de que os seus pés são capazes. Essa é, aliás, uma das características da escola espanhola de que faz parte. Aqui abro um parêntesis. É certo que esta rubrica, até ao momento, se deteve apenas em jogadores portugueses, em jovens promessas do nosso futebol, e que foram escapando a esta distinção alguns jogadores estrangeiros que, inegavelmente, tinham valor para ser referidos. Lembro-me, assim de repente, pelo menos de Bojan Krkic, o fenómeno espanhol, de Carlos Vela, o avançado mexicano que entretanto já vai fazendo alguns jogos pelo Arsenal, e de Stevan Jovetic, o avançado montenegrino que no princípio da presente temporada rumou à Fiorentina. Embora, por razões óbvias, não nos seja possível acompanhar a evolução de jovens menos conhecidos do grande público que não sejam portugueses, queremos contudo, a partir de agora, sempre que faça sentido, referenciar valores oriundos de outros países e que sejam pouco falados. Afinal, é disso que esta rubrica se alimenta. Como tal, começamos, nas nossas "Certezas" internacionais, por apresentar este médio-ofensivo espanhol, formado no Real Madrid. No início desta época, foi emprestado ao Queens Park Rangers (apesar dos esforços, sobretudo do Arsenal, em contratá-lo) e treinado por Paulo Sousa. Ao fim de meio ano, porém, este campeão europeu de sub-19 volta à casa mãe, talvez fruto da inegável capacidade futebolística que possui. Será curioso ver como Juande Ramos conseguirá gerir um meio-campo com tantas unidades de ataque de grande qualidade como sejam os holandeses Van der Vaart e Sneijder e os espanhóis Ruben de la Red, Guti e este miúdo, sendo que, à partida, não terá regressado a Espanha a meio da temporada apenas para fazer número. Será, por isso, interessante, acompanhar nos próximos meses a evolução de Daniel Parejo...

domingo, 14 de setembro de 2008

Certezas...(11)

Agora que se extinguiu a euforia inicial, depois de todas as patetices ditas, após um drible mais vistoso, após se negligenciar o que o realmente o distingue de tantos outros, ele começa a aparecer. Tímido nos modos, mas exuberante no seu jogo, joga com todo o tempo do mundo, porque já decidiu(quase sempre bem!) num segundo, o que outros, com o dobro do tamanho, nem com todo o tempo do mundo compreendem.

Corpo de miúdo, mas joga, corre, recupera, pensa e executa como poucos homens. Este, realmente, não engana. Se o quiserem encontrar, é só procurar pelo... Rabiu

domingo, 22 de junho de 2008

Certezas (10)

As comparações serão inevitáveis. Que é o novo Moutinho, ainda que ocupe outra posição no terreno. Por grande parte do público será admirado pela sua tenacidade, pela forma como discute cada lance como se fosse o último... Por outros será rejeitado, seja pelo tamanho, seja pela força; outros, atrasados mentais, dirão que ele precisará é de esteróides, para ver se ganha "corpo"...

Mas basta, basta de banalidades, pois este miúdo, de banal, não tem nada.

A qualidade técnica é de fácil adivinhação, assim como a agilidade, que tão bem utiliza nos seus desarmes, mas, neste filme, não passam de personagens secundárias, comparadas com o poder de decisão, e leitura deste "David". Com um discernimento que envergonha muitos veteranos, seja quando tem que jogar a um, dois toques, ou quando tem que se envolver em processos ofensivos mais complexos, a qualidade deste júnior de primeiro ano não deixa ninguém indiferente. Por isso, não será de estranhar que esteja em Alvalade o sucessor de Veloso; é só esquecer o 1,66 m do André Martins e lembrar o talento que lhe transborda da cabeça aos pés...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Certezas (9)

Não compreendo como é possível deixar escapar entre os dedos tantos jogadores talentosos. Este é mais um exemplo claro da cegueira dos treinadores e dos adeptos portugueses. Joga preferencialmente encostado a uma linha, para aí poder usufruir da liberdade que a sua fantasia necessita. É irreverente, procura com frequência o drible, sendo muitas vezes bem sucedido, e é um quebra-cabeças para qualquer opositor. Faz-me lembrar, e muito, o estilo de Quaresma: gosta de humilhar o adversário, de se divertir com a bola, de entusiasmar o público. E junta a tudo isto uma atitude competitiva invejável. Não haverá, para além de Portugal, outro país no mundo em que se produza tantos extremos de qualidade. Creio que este é mais um desses casos e, se bem acompanhado, poderá vir a dar cartas num futuro próximo. Para já, parece não ter convencido aqueles que o acompanham, embora seja claramente melhor que outros. Não cresceu, como os grandes nomes da sua posição (Ronaldo, Quaresma, Simão e Nani) nas escolas do Sporting, mas penso que possui um potencial semelhante. Ao contrário de alguns jogadores que agora surgem e dos quais se fala em demasia, este rapaz não tem por virtude apenas uma boa relação com a bola. Acrescenta à capacidade técnica uma facilidade incrível no um para um, coisa que esses pseudo-talentosos não possuem em quantidades assinaláveis. O seu pé esquerdo pode, num futuro próximo, vir a ser referência entre os grandes de Portugal; creio até que já teria, neste momento, lugar no plantel do clube ao qual pertence. Passou quase todo o ano anterior lesionado e não pôde confirmar o seu valor. Este ano, além de ser esquecido no banco da equipa de sub-21, chegou mesmo a ver imitada a infâmia no clube que representa. Só nos últimos jogos tem sido opção constante, para gáudio dos admiradores de arte e para felicidade de quem torce pelo clube cujas cores defende. Sem querer parecer repetitivo, mas já o sendo, ser-me-á difícil aceitar que Hélder Barbosa não triunfe no futebol português e que outros desta geração o façam.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Certezas (8)

Durante o último Benfica – Sporting, em júniores, o destaque não vai para as movimentações poderosas e constantes de Paez na área encarnada; tão pouco vai para o ar de veterano que Adrien deixa “escapar”. Então? - perguntam vocês. Vai para a fantasia do Carvalhas? A inteligência e elegância do Miguel Rosa? Não. E também não vos vou falar de nenhum jogador africano ou asiático. Falo-vos de um jogador que surgiu a escassos 15/20 minutos do apito final. A sua elegância e classe vislumbram-se de imediato. Apesar de alto, a agilidade que demonstra com a bola colada ao seu pé esquerdo não engana. Com uma condução do esférico segura, é com naturalidade que consegue ultrapassar os seus adversários, assim como assegura um passe, seja ele curto ou longo, pelo chão ou pelo ar, seja no pé do colega, seja a rasgar. E, nestes momentos, por muito que não queiramos cometer o erro de entrar em comparações, o que não é o caso, é quase impossível não nos lembrarmos de jogadores como Viana, ou até Barbosa, em alguns momentos.
Isto tudo se torna secundário perante a maneira como define cada jogada, como lê o jogo de uma forma quase perfeita. E como se todos estes atributos não fossem suficientes para se perceber de imediato a qualidade deste jogador, é ainda detentor de um remate fácil, colocado e forte. Não sei o que o futuro reserva a esta jovem, e precoce, promessa, mas, perante esta panóplia de virtudes, cheira-me que este Diogo Rosado vai longe...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Certezas... (7)

Terrível, só para os defesas que lhe surgem ao caminho; cruel e impassivo, apenas com a bola nos pés. O pequeno Ivan, lembrando o czar russo somente no nome, é, porém, uma ameaça permanente aos objectivos do inimigo. Rapidíssimo e possuidor de uma técnica ímpar, esconde a bola dos adversários com a mesma facilidade e elegância com que um toureiro se movimenta atrás da capa. Os touros investem e Ivan, de bola colada aos pés, desvia-se e progride. É impressionante vê-lo manter a posse da bola junto aos pés e sob o corpo arqueado! O futebol português costuma produzir extremos rápidos, fortíssimos no um para um. Ivan é tudo isso. Mas os extremos que o futebol português costuma produzir são também exuberantes, gostam de fintas desarticuladas, de movimentos desengonçados. Ivan não tem nada disso. Tudo nele é genuíno. Não há os dribles exóticos de Quaresma; não há os bailados de Cristiano Ronaldo; não há as piruetas de Nani. Pequeno, ágil, veloz, com pinta de argentino, furta-se aos oponentes com gestos simples, do modo que a situação melhor exigir. Não parte para cima do adversário pensando em truques: limita-se a encará-lo e, no momento certo, a deixá-lo para trás como melhor conseguir. E tudo isso, com o donaire de um principezinho. Talvez o seu futuro não lhe reserve um trono: o futebol costuma ser injusto para os jogadores da sua estirpe. O último grande atacante de pequenas proporções que o futebol português deixou respirar foi João Pinto. Como ele, a sua carreira inicia-se no Boavista. E como ele, só longe do clube do Bessa se poderá afirmar. Não acredito que um jogador da sua índole seja aproveitado por uma equipa onde se afirma que os principais valores são o dever militante e o respeito pela tradição do clube. E também não acredito que seja aproveitado sendo treinado por Jaime Pacheco. Para já, foi chamado aos trabalhos da equipa sénior. Se é aposta ou não, o tempo o dirá. No Verão, pôde mostrar algum do seu talento no europeu de sub-19. As fracas estratégias colectivas do seleccionador e a pouca inspiração dos seus parceiros de ataque fez com que estivesse pouco em jogo. Ainda assim, do pouco que se viu, deu para confirmar muita coisa: Ivan Santos é craque e tem todo o direito a sê-lo mais ainda...