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sábado, 10 de janeiro de 2009

Fala quem sabe...

Só para encher chouriços, os momentos mais importantes de uma entrevista com Deus:

1. "Mourinho è uno splendido comunicatore, molto bravo a caricare il suo ambiente e a mettere pressione sugli avversari."

Enquanto os outros enfiam a carapuça com o que Mourinho diz, São Alessandro diz que é sinal de que ele é bom. Perspicácia.

2. "La Champions ha un fascino unico. E poi avendone vinta solo una contro 5-7 scudetti se dovessi scegliere la preferirei anch’io."

A Juventus aponta baterias à Champions. Scolari que se cuide, assim como os restantes adversários. Com um bom reforço de Inverno (já se falou em Diego), não sei, não...

3. "Si parla sempre di Cristiano Ronaldo ma Rooney è straordinario."

O quê? Quem és tu para te atreveres a comparar o Rooney com o primeiro, o segundo e terceiro melhor do mundo num só?

4. [Sobre o Barcelona] "Gioca davvero bene e ha Messi che probabilmente è il più forte in assoluto."

Messi, o melhor do mundo, em termos absolutos? Quem sabe, sabe...

5. [Quando inquirido sobre o porquê de, aos 34 anos, estar a fazer uma das suas melhores épocas] "Dipende dai muscoli, che stanno bene. E dalla testa: dentro c'è tanta voglia di vincere."

Reforço a parte "dalla testa". Para Del Piero, parte da sua boa produção depende da cabeça, isto é, da inteligência.

6. "Il mio tiro è un po’ cambiato rispetto al passato. Ho dovuto adeguarmi al fatto che oggi i portieri sono più bravi; e poi mi alleno molto con barriere che stanno a 8 metri e non ai canonici 9,15 perché in campo la distanza regolare viene fatta rispettare poco."

Os grandes são aqueles que se adaptam às necessidades. É por isso que Del Piero continua na alta roda do futebol europeu. Destaco o facto de treinar os livres com barreiras colocadas a oito metros.

7. "Sonia è straordinaria. Tra noi è stato un colpo di fulmine. L'ho vista in un bar e... Ho cominciato a corteggiarla mandandole dei fiori. Lo faccio anche adesso. Credo che quelli di oggi siano più importanti di allora."

Dentro de campo, é um "gentleman". Fora, ao que parece, não é diferente. É como o outro: dentro de campo, faz gestos para a bancada a dizer que é o número 1; fora do campo, espatifa carros de alta cilindrada.

8. "andare ai Mondiali è un mio obiettivo."

Teremos Pinturrichio na África do Sul? É eterno...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"A arte e beleza expulsam todo o mal do mundo"

Não consigo confirmar se esta frase é da escritora Agustina Bessa Luis, mas a verdade é que podíamos aplicar a mesma à peregrinação de Del Piero pelo campeonato Italiano.

A verdade é que, nos tempos que correm, ter o privilégio de ver actuar um jogador como Del Piero é um verdadeiro luxo. Não só pela classe que demonstra em cada lance, mas pela qualidade que coloca em cada decisão e movimento.

A inteligência do "Pinturicchio" não se manifesta só na qualidade das decisões que toma, mas na maneira como com consegue "comprar" espaço e tempo no futebol actual. Valendo-se "apenas" de uma técnica sublime, sem ser poderoso fisicamente ou velocista, o número dez da Juve não só consegue criar espaço para o seu futebol como ainda tem o desplante de cobrir os seus movimentos com a ilusão de que tudo o que faz é de uma naturalidade e com uma serenidade que ofende. Dá a ideia que ele ouve Beethoven enquanto joga - será Für Elise? - enquanto que o resto anda entretido a ouvir The Prodigy.

No entanto, o que mais supreende é a maneira como um jogador, por si só, consegue esconder e defender um sistema táctico tão desequilibrado como o da Juve (se bem que com a nova epidemia deste sistema as coisas fiquem mais fáceis).

Há muito que venho criticando este sistema. Apesar de não ser um assunto isento de polémica, a minha opinião sobre este assunto não se tem alterado, não porque tenha mantido uma atitude autista em relaçao ao mesmo, mas porque quanto mais informação absorvo e cruzo, mais perto fico da conclusão que é uma táctica que coloca grandes dificuldades à proliferção, com sucesso, do modelo de jogo que idealizo. Todavia, Del Piero consegue, através do seu talento, "mascarar" as debilidades da equipa de Turim, de tal forma que muitos apelidam-na de inteligente. Nada mais errado. A equipa apresenta um futebol "primitivo", com os vários momentos do jogo bem separados, com transições simples e um bloco (muito) baixo. A opção por este modelo de jogo poderia comprometer de forma irremediável os objectivos de uma equipa como a Juve. Poderia, não fosse o número 10.

Com os seus golos (e a maneira como os alcança), a forma como compra tempo e espaço para o seu jogo, acrescentando tempo ao onze de Ranieri. Tempo de qualidade, através da magia de Del Piero, que intimida, e inspira. Porque na bola há de tudo: os que jogam; os que jogam e ensinam, etc. Mas Del Piero inspira. Obrigado.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pouca coisa...

1. Aimar não presta. Passes de letra são coisas para gajos que vieram passar férias a Portugal, de certeza.

2. Nuno Assis é outro que não vale nada. O facto de ter sido o jogador vimaranense mais esclarecido em campo foi coincidência.

3. Andrezinho, esse sim, é um jogador e tanto. Aquela assistência para Aimar, que permitiu ao argentino solicitar a corrida de Suazo, é de uma classe extraordinária. Melhor, só o pontapé no queixo do hondurenho ou aquela dança esquisita à frente de Reyes, durante quase um minuto, sem sair do mesmo sítio.

4. No golo do Guimarães, pode falar-se em erros de Maxi Pereira, que deveria estar mais metido para dentro, ou de Luisão, que não deveria ter tentado interceptar a bola, mantendo-se na corrida com Douglas, mas o lance só acontece porque o sistema do Benfica a isso convida. Com apenas dois passes rasteiros, o Guimarães ultrapassou 8 jogadores do Benfica. Roberto veio buscar a bola ao espaço vazio e o passe do médio minhoto para ele ultrapassou toda a linha do meio-campo do Benfica. A partir desse momento, está criado o desequilíbrio. O resto é mais ou menos fácil. A chave do lance é esse passe e não os erros posicionais dos defesas. É por estas e por outras razões que não consigo perceber como é que o 442 clássico continua a ser o modelo táctico mais utilizado. E não me venham falar de dinâmicas. Aquilo acontece com qualquer equipa que jogue com uma linha de 4 homens no meio-campo. Não há dinâmicas que o impeçam.

5. Muitos afirmam que Aimar não foi atropelado por Danilo dentro da área e que, portanto, não haveria lugar à marcação de um penalty que, para mim, foi claríssimo. O argumento é que já ia em queda quando se dá o contacto. Se um camião TIR vier direito a mim, de certeza que também não vou ficar quietinho à espera que ele me acerte. Aimar encolheu-se, prevendo o choque. Mas nada disso importa. Deixando-se ou não cair, a verdade é que há um contacto evidente que derruba o argentino.

6. Liedson continua a facturar, dizem alguns. O que eu gostava mesmo de saber era quanto é que Liedson paga aos defesas adversários para que estes façam disparates e o deixem isolado. Ou então, quando é que Liedson volta a marcar um golo cujo mérito seja mesmo dele. Aposto que vai vir muito palerma dizer que há mérito na forma como ele pressiona. Sinceramente, isso dá-lhe quase tanto mérito como a mim, que, sentado no meu sofá, estava a torcer para que aquele defesa dominasse mal a bola e depois inventasse daquela forma.

7. O Porto perdeu novamente e fala-se em crise. O que é certo é que Jesualdo, em 2 anos, não conseguiu lançar na equipa principal do Porto praticamente nenhum jogador de relevo. Foi vivendo daquilo que já vinha de trás e quase todas as suas contratações foram fracassos: Kazmierczak, Bollatti, Guarín, Farías, Lino, Stepanov, Benitez, etc. Agora que escasseia a qualidade trazida em tempos, a qualidade do plantel portista já não disfarça a pouca qualidade de Jesualdo nesse âmbito. A palavra "qualidade", três vezes referida na frase anterior, parece-me aquela que, pela sua ausência, melhor define o que se está a passar no Dragão.

8. Bruno Alves deu mais um beliscão num adversário, desta vez Davide. Beliscar com o cotovelo não é uma arte para qualquer um, mas Bruno Alves também não é qualquer um. Continuo é sem perceber por que é que os tipos que ele belisca fazem fita para tentar expulsá-lo, quando é evidente que esse tipo de truques mesquinhos não resulta.

9. José Mota lidera. No campeonato e nas loas que os estultos lhe tecem.

10. Lá fora, o Barça continua sem ganhar... por diferenças pequenas.

11. Em Itália, grande campeonato. 3 pontos separam os 5 primeiros; 6 pontos separam os 9 primeiros. Só para comparar, em Inglaterra, os primeiros 5 já estão separados por 6 pontos e os primeiros 9 por 12.

12. Del Piero marcou mais um golo espantoso. Quero distingui-lo com dois prémios. 1) É o melhor marcador de livres de que me recordo, à excepção de David Beckham; 2) É, para mim, provavelmente, o melhor jogador de sempre que nunca ganhou o prémio de melhor do mundo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Pinturicchio"

Nunca será reconhecido como o melhor do mundo, não que não lhe reconhecesse qualidade para isso, apenas sinto que o tempo dele para essas glórias já terá passado, mas nem precisa de tal epíteto.
É daqueles jogadores que teimam em emprestar graça e romantismo a um futebol cada vez mais frio e impessoal. No seu futebol a eficácia é apenas um adorno, é o ladrilho dos quadros que insiste em pintar com a graça que lhe é muito peculiar. Nele, o simples respirar tem classe, debutando charme nem que seja numa simples recepção de bola. Durante muito tempo aparecia de uma forma sisuda, talvez ressentido com a reconhecimento absoluto que o futebol insiste em não lhe conceder, menos ainda no seu lar...
Mas dele recordarei sempre o seu ar de menino, na iminência de mais uma das suas traquinices.

Em 93 deu-se a conhecer ao mundo do futebol. Continuando a tradição dessa velha senhora em acolher apenas os mais charmosos. Se a memória não me atraiçoa o destino numa demonstração inequívoca de sentido de humor e ironia, decidiu que seria um dos mais negros treinadores que o revelaria – convém explicar que me refiro unicamente à competência deste senhor enquanto treinador, nunca enquanto homem -.
“ Acreditar naquilo que fazemos é o mais importante”. E Del Piero sabia que o que fazia não era apenas mais um passe, mais um remate, mais um drible, apenas mais um golo. Não! Ele pintava um quadro, dos mais belos que podemos encontrar no futebol. Muitos dirão que preferiam que fosse menos vaidoso, que se preocupasse menos com a estética do seu futebol, mas como disse uma vez um famoso pintor inglês do século XIX “ take away a painter´s vanity, and he will never touch a pencil again “.
O futebol de Del Piero é vaidoso, mas o motivo para tal, é o mesmo que lhe permite ser um dos melhores do mundo: A paixão pelo futebol. Sem ela o seu talento não teria a mesma expressão, os seus movimentos não seriam tão perfeitos, e o seu estilo tão romântico.

Conquistou quase tudo o que havia para conquistar a nível colectivo, mas isto não interessa nada para o caso. Interessa sim, falar do inatingível. Enquanto muitos jogadores vem certos dribles associados a si, este conquistou uma zona. A famosa “Zona Del Piero” .À entrada da área adversária, descaído para lado esquerdo, este artista ofereceu ao futebol das mais belas homenagens de sempre.
Mencionar “Pinturicchio” não é articular realidade, nem sofrimento, nem resultados. Os muitos golos que marca, são apenas mais um detalhe, como os atilhos nas meias. Falar de Del Piero é sinónimo de sonhos, imaginação, criatividade, de arte! Do prazer que podemos encontrar no futebol. Quando desfila pelos relvados, parece que o faz em câmara lenta num gesto de generosidade. A sua personalidade, de tão nobre e clássica, não lhe permitiu ser irreverente o suficiente para ser Imortal, para ser um Deus, tão pouco um génio. Um génio a sério, não como aqueles que aparecem todos os dias...
Mas permitiu ao futebol se tornar um lugar mais belo...