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domingo, 13 de novembro de 2011

João Pereira e a Melhor Oportunidade da Bósnia

Há quem ache que João Pereira é isto e aquilo, o melhor lateral-direito de Portugal e arredores, um lateral moderno, veloz, agressivo, intenso, que dá profundidade ao corredor. Não alinho em tais disparates. Reconheço que pode ser uma mais valia colectiva em termos de profundidade, se a equipa o souber potenciar, como por exemplo era Bosingwa no Porto, mas pouco mais. Com bola, raramente decide pelo melhor e só a sua boa capacidade técnica faz com que se safe minimamente. Sem bola, então, é francamente mau. Defensivamente, por exemplo, e apesar de jogar há vários anos em equipas em que se exige dos defesas que saibam ocupar os espaços e relacionar-se com os colegas a cada momento, de ter tido treinadores tão exigentes a esse respeito como são Jorge Jesus e Domingos Paciência, continua muito displicente.

O início de época no Sporting, apesar de pouca gente parecer ter reparado, foi desastroso, com a grande maioria dos golos sofridos pela equipa a resultarem de maus ajustamentos defensivos precisamente de João Pereira, de erros que, a este nível, normalmente se pagam caros. Quis-se justificar o mau início leonino com os bodes expiatórios do costume, a falta de eficácia, a baixa estatura dos centrais, a inexperiência dos jovens, o Carriço, o Postiga, etc., e ignoraram-se todas as asneiras de João Pereira. Não é, contudo, sobre o início de época do Sporting que quero falar. Há dias, referi os erros de principiante de Bosingwa, e muitos podem achar que a minha opinião acerca do melhor lateral direito português coincide com a de Paulo Bento. Não coincide. Acho que, defensivamente, tanto um como outro são jogadores banalíssimos, que cometem erros que ao mais alto nível não se deviam cometer, e que estão sobrevalorizados por isso mesmo. São rápidos, e muitas vezes isso ajuda a compensar o mau posicionamento, os disparates e as distracções. Mas cometem demasiados deslizes para o que se deve exigir em equipas de topo. Aliás, o melhor lateral-direito português, em meu entender, é Sílvio.



O lance que trago ocorre aos 80 minutos do jogo com a Bósnia (aliás, quanto mais perto do final da partida, maior me parece a tendência de João Pereira para errar), aos 9:15 do vídeo, e resulta naquele que foi, talvez, o principal lance de perigo dos bósnios, a par de outro lance pouco tempo depois. A bola vem da esquerda para um jogador bósnio que ocupa um espaço entre linhas, e este, de primeira, isola o avançado. João Pereira está 3 metros atrás da linha defensiva portuguesa, e é ele quem coloca o avançado em jogo, e quem permite que os bósnios transformem um lance aparentemente controlado numa ocasião clara de golo. É verdade que Pepe sai à última da hora (embora Pepe não deva ser exemplo para ninguém), mas, num lance que é conduzido pela esquerda, a responsabilidade do lateral-direito (assim como da linha defensiva), é perceber a referência dada pelo lateral-esquerdo. Se Coentrão e Bruno Alves estão adiantados, e a jogada é conduzida pelo lado deles, Pepe e João Pereira têm de subir para a linha destes. Não o fazendo, permitem que um avançado que se coloque entre Bruno Alves e Pepe adquira uma vantagem decisiva no caso de a bola ser metida pelo meio. João Pereira, provavelmente preocupado com o jogador bósnio que andava ali perto, não percebeu a referência defensiva certa, e ficou 3 metros atrás da linha defensiva. Não subindo no terreno, não só não ajudou a apertar o espaço onde a bola entra em primeiro lugar, permitindo, juntamente com Pepe, que houvesse um espaço entre o meio-campo e a defesa para os bósnios aproveitarem (há também responsabilidades do meio-campo, e nomeadamente de um jogador que não fecha tão dentro quanto devia), como possibilitou que o avançado bósnio escapasse por entre os centrais, pelo simples facto de estar a colocá-lo em jogo.

É por este tipo de lances, frequentíssimo para quem acompanha com atenção os jogos de João Pereira, que não consigo compreender como é que, hoje em dia, havendo tanta informação, havendo tanta preocupação com o detalhe, tanto interesse em questões tácticas, se continua a achar que João Pereira é isto e aquilo, só porque sabe correr, sabe mostrar os dentes, e sabe dar dois toques numa bola. O futebol, pelo menos o futebol moderno, é mais, muito mais, do que velocidade, força de vontade e habilidade. Numa selecção que aspira a pertencer, se não a mais, a um segundo grupo de selecções candidatas a vitórias em certames internacionais, não pode dar-se ao luxo de ter entre os seus titulares indiscutíveis alguém que comete erros sistemáticos deste tipo, erros básicos que podem prejudicar todo o trabalho feito em 90 minutos. E é por ter jogadores como este, jogadores que ombreiam com os melhores do mundo em termos técnicos e em termos atléticos, mas que possuem carências intelectuais relevantes, e por ter não um, mas vários destes jogadores entre os seus titulares, que não me parece que Portugal deva aspirar a tanto quanto tem aspirado nos últimos anos. Sim, em termos atléticos e em termos técnicos, Portugal está entre os melhores do mundo. E, sempre que conseguir levar um jogo para a dimensão física do mesmo, terá possibilidades de vencer qualquer outra selecção. Mas em termos intelectuais está mais perto de uma selecção sul-americana do que do rigor e da eficiência das maiores potências europeias. Temos hoje mais jogadores conceituados do que, por exemplo, há dez anos, mas esquecemo-nos que os jogadores que temos hoje se distinguem por atributos muito diferentes. Apesar, por isso, de mais reputada, de ter mais jogadores espalhados pelos melhores clubes europeus, parece-me esta selecção bem mais pobre do que algumas selecções anteriores. Se continua a ser suficiente para marcar presença nos maiores torneios de selecções, creio que sim. Mas sobre isso tiraremos todas as dúvidas dentro de poucos dias.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ficar em contenção

Dois lances, dois golos, duas abordagens diferentes. Os lances em questão dizem respeito aos dois golos sofridos pelo Sporting este fim-de-semana. Apesar de o desfecho de cada um dos lances ter sido igual (golo sofrido), a verdade é que as abordagens defensivas foram diferentes, tendo uma delas sido correcta e a outra não. As jogadas são relativamente parecidas, embora ocorram em flancos opostos, e é por isso que é possível compará-las. Um avançado adversário tem a bola junto à linha e um defesa sai-lhe ao encalço. A missão do defesa, neste tipo de lances, é impedir que o avançado consiga progredir e evitar o mais que puder que se aproxime da sua baliza. Só. Não tem por missão fazer um corte, roubar a bola, parar a jogada. O único objectivo que a sua presença deve ter é a de criar um obstáculo e obrigar o avançado a ter de tomar uma opção. Ainda por cima, em situações como as duas em questão, em que as coberturas não estão imediatamente garantidas, é altamente irresponsável o defesa pensar noutra coisa que não em ficar em contenção. Ir à queima e procurar ganhar o lance tem o risco de, caso o perca, permitir que o avançado se aproxime da sua baliza, uma vez que não tem colegas por perto para o ajudar.



Ora, no primeiro golo do Nacional, Daniel Carriço toma precisamente a melhor das opções, saindo ao avançado madeirense, mas ficando em contenção, não correndo o risco de ser ultrapassado. Ao fazê-lo, deu a iniciativa ao adversário, o que se recomenda, em casos como este. A partir desse momento, o avançado pode ir para o drible, pode jogar para trás, ou pode tirar um cruzamento pouco perigoso, uma vez que não é feito da linha de fundo e a defesa está de frente para o lance. Qualquer das opções é preferível a tentar o corte, opção que acarretaria o risco de, caso não fosse bem sucedida, permitir que o avançado levasse a bola mais para perto da baliza e, aí sim, causar estragos irreparáveis. Como o atacante não tinha a possibilidade de soltar a bola num colega, o defesa não tem que ir direito a ele para ganhar a jogada a qualquer custo. Como a situação é de um para um e nem o atacante tem apoios próximos nem o defesa tem atrás de si a cobertura que lhe permita o risco de tentar ganhar a jogada, o melhor a fazer é parar à frente dele. Ao parar à frente do adversário, Carriço dá-lhe a iniciativa. Isto não só faz com que fique preparado para aquilo que o atacante vai fazer, como dá tempo aos colegas para se reorganizarem. Carriço adopta a postura correcta, não procurando ganhar o lance e obrigando o avançado a definir a jogada. Se, por acaso, a opção tivesse sido o drible, o defesa tem sempre mais probabilidades de ganhar duelos no um para um quando deixa ser o adversário a iniciar o drible, porque está preparado para essa eventualidade. Tendo sido a opção o cruzamento, não é propriamente algo que constitua perigo imediato, tendo em conta que a defesa está de frente para o lance. O facto de o lance ter dado golo não pode servir de justificação contra isto. Não só era muito improvável que, naquelas condições, acontecesse um golo, como a probabilidade de ele acontecer aumentaria muito se a postura de Carriço tivesse sido outra. Apesar do golo sofrido, o central do Sporting esteve, por isso, muito bem.



No segundo golo do Nacional, a história é outra. O lance é muito semelhante, mas acontece no flanco contrário e, em vez de Daniel Carriço, é João Pereira quem sai ao adversário. Ao contrário do colega que interveio no primeiro lance, João Pereira ignora por completo o facto de não ter cobertura nas costas e vai ao lance para ganhá-lo. Em vez de ficar em contenção, esperando pela iniciativa do adversário, ataca a bola. Ao fazê-lo, deixa parte do desfecho do lance entregue ao acaso e acaba por perdê-lo. Isso permite que o adversário se acerque da baliza e que cruze numa zona muito mais perigosa. As consequências, apesar de serem as mesmas que no lance anterior, podiam facilmente ter sido evitadas se João Pereira tivesse tomado a melhor opção, que passaria por ficar em contenção e obrigar o adversário a optar pelo drible ou a cruzar bem de longe. João Pereira teve um comportamento, portanto, incorrecto, potenciando a jogada de perigo adversária. Ao contrário, portanto, de Daniel Carriço, no primeiro lance, é o principal responsável pelo golo sofrido.

Estes dois comportamentos antagónicos ilustram, com exactidão, aquilo que se pode esperar dos dois intervenientes em termos de interpretação dos lances. Daniel Carriço é um jogador sóbrio, com escola, que entende as necessidades de cada lance. O seu comportamento é, por isso, invariavelmente condizente com aquilo que a jogada requer dele. Já João Pereira é um jogador impetuoso, que vale pelos seus atributos físicos e técnicos, pela velocidade de reacção e pela agressividade. Em lances defensivos, a sua interpretação é quase sempre a mesma: atacar a bola, sejam as condições quais forem. João Pereira está, por isso, muito mais susceptível ao erro. Não tendo propriamente concorrente à altura para a sua posição na equipa comandada por Carlos Carvalhal, não deixa de ser, por isso, um jogador cujo comportamento, em alguns aspectos do jogo, não é o melhor, e um jogador que não tem tanta qualidade quanto a que lhe querem conferir. Muito se tem falado, nos últimos dias, da qualidade que João Pereira veio trazer à equipa. Acredito que veio trazer presença no ataque ao seu flanco e agressividade ao mesmo, mas pouco mais. Este é apenas um exemplo daquilo que faz de João Pereira um jogador menos correcto do que o têm feito. Mais coisas virão, certamente.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Previsões de Ano Novo

Em futebol, fazer previsões sem as justificar é algo que parece muito pouco interessante. Nem foi nunca algo que me cativasse. Fazer previsões é, desse ponto de vista, como dar palpites, como tirar à sorte. Interessa, sobretudo, saber que fundamentos levam alguém a predizer algo. Este espaço foi sempre um espaço de fundamentos, um espaço mais preocupado com os processos que conduzem a uma determinada conclusão do que com a conclusão em si. Ainda assim, porque esta é uma altura em que é costume fazer-se este tipo de coisas, farei as minhas previsões, anunciando de antemão que a elas, embora só por quatro ou cinco linhas justificadas, presidem razões e convicções profundas.

1. Vencedor do Campeonato Português: Benfica. Acredito que este é o ano dos encarnados e acredito nisto mais ou menos desde o início da prova. A boa prestação do Braga até aqui tem ensombrado, de alguma maneira, a boa prova da equipa de Jorge Jesus, com percalços aqui e ali justificados pelo facto de se ignorarem os melhores princípios da equipa, mas a segunda parte do campeonato será o derradeiro teste à turma da Luz. O embate com o Porto, além de mostrar que o Benfica não vinha em decréscimo de produção, terá mostrado finalmente que a equipa de Jorge Jesus é o mais sério candidato ao título.

2. Vencedor do Campeonato Espanhol: Barcelona. Está tudo em aberto e o Real Madrid conseguiu um início de campeonato muito bom. Não foi tão assertivo quanto o Barcelona, ganhando vários jogos com muito sofrimento, mas conseguiu, pelo menos, manter-se colado ao líder. O Barcelona, no entanto, tem sido igual a ele próprio e, com o regresso em pleno de Iniesta espera-se que volte a ser regular como antes. A equipa está a jogar ainda melhor do que o ano passado e se as lesões não perturbarem a segunda metade do campeonato, o principal problema deste Barcelona, o plantel pequeno que possui, não ficará manifesto.

3. Vencedor do Campeonato Italiano: Inter. Em Itália, antevi no início da época que a Juventus era a equipa que melhor poderia fazer frente ao Inter de José Mourinho. Percorrido que está metade do caminho, a Juventus parece estar mais próxima da qualidade do Milan do que da do Inter. Assim sendo, e não me parecendo que venham a ocorrer modificações exibicionais extraordinárias, o Inter continuará a ser o único candidato ao título. Será mais um êxito na carreira de Mourinho, ainda que não coroado do brilho de outrora.

4. Vencedor do Campeonato Inglês: Arsenal. Quando o Arsenal perdeu com o Chelsea, parecia irremediavelmente afastado da luta pelo título. As últimas jornadas, com os sucessivos empates do Chelsea, colocaram porém a equipa de Arséne Wenger novamente na rota do título. Se ganhar o jogo que tem em atraso, o Arsenal fica apenas a 1 ponto do Chelsea, com a equipa comandada por Carlo Ancelotti a ter de jogar em Janeiro sem Drogba e Kalou, e tendo ainda Anelka lesionado. Com esta conjectura e a jogar o que está jogar, o Arsenal tem tudo para se impor. É a equipa que melhor futebol pratica em terras de Sua Majestade. O Manchester também terá uma palavra a dizer, mas parece-me francamente debilitado e dependerá muito dos desempenhos dos outros dois candidatos.

5. Vencedor do Campeonato Francês: Bordéus. Em França, o Bordéus não tem dado propriamente grandes hipóteses. Lyon e Marselha, os mais apresentáveis dos rivais, têm sido bastante irregulares e a equipa comandada por Laurent Blanc já leva uma vantagem considerável. Gourcuff e companhia são, também por isso, a minha aposta.

6. Vencedor do Campeonato Alemão: Bayern. O Bayern de Louis Van Gaal não começou bem, mas a recuperação é visível. Não só conseguiu o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões, como está apenas a dois pontos da liderança do campeonato. A segunda volta deverá consolidar as ideias do controverso treinador holandês e o tempo tenderá a fortalecer esta equipa. Como a concorrência no campeonato alemão não é muito forte, o Bayern, ainda com alguns deslizes, é o grande favorito à vitória final.

7. Vencedor da Liga dos Campeões: Barcelona. A minha aposta é, uma vez mais, o Barcelona de Guardiola. Seria a consumação final daquela que é a melhor equipa de sempre e o lugar no Olimpo que tanto merece. Nunca uma equipa venceu por duas vezes seguidas a Liga dos Campeões, mas nenhuma também apresentou o futebol que esta equipa apresenta. Dependerá, como é óbvio, da fortuna das lesões e da sua capacidade para se superar continuamente. Ainda assim, acredito que é o candidato que reúne melhores condições.

8. Vencedor do Campeonato do Mundo: Espanha. A Espanha é a equipa que melhor colectivo apresenta. Neste tipo de provas, é sabido, isso não chega. Quando toca a eliminar, e ainda por cima a uma só mão, os melhores nem sempre se consagram. Ainda assim, e com as melhorias que a equipa teve em termos de competitividade sob o comando de Del Bosque, é a formação que me parece melhor preparada. Ainda estamos longe da prova e em seis meses muita coisa pode acontecer. Como acontece nestes torneios, dependerá muito da forma em que os jogadores chegarem à África do Sul.

9. Participação de Portugal no Campeonato do Mundo: Oitavos de final. A Espanha deverá passar em primeiro lugar, no seu grupo, e Portugal terá a difícil missão de se apurar à frente do Brasil ou da Costa do Marfim. Nenhum dos adversários será fácil, mas numa competição deste género é difícil fazer previsões acertadas no que diz respeito a um conjunto de três jogos. Ainda assim, os campeonatos recentes mostraram que a capacidade de superação da equipa lusitana neste tipo de competição é notável. É claro que isso era com Scolari e tudo pode ser diferente agora. Tendo em conta a dificuldade do grupo, a qualidade do futebol apresentado durante a fase de apuramento e a equipa técnica comandada por Carlos Queiroz, a eliminação logo na fase de grupos não seria de espantar. Mas admito que Portugal consiga superar essa primeira fase. A partir daí, já acho mais complicado.

10. João Pereira. É um dos nomes sonantes da reabertura do mercado. Ao contrário da maioria, acho que João Pereira está longe de ser um grande lateral direito. É um jogador rápido, muito agressivo, mas tem pouco mais que isso. Chega a um grande depois de ser um dos principais protagonistas, do ponto de vista do comum adepto, do Braga. Há alguns anos, morava em Braga um lateral direito em tudo idêntico ao que é hoje João Pereira: um jogador veloz, que participava muito nas investidas ofensivas da equipa, e que era tido como o melhor lateral direito a jogar num clube que não um grande. Alguém se lembra de quem era? Na altura, ao contrário do comum adepto, achei que a sua vinda para um grande lhe tornaria visíveis as debilidades. Assim foi. Entendo que João Pereira venha a ter um destino parecido. Os seus problemas posicionais, a má leitura dos lances, as más decisões com bola são coisas que no Braga não são tão importantes. No Braga, esse tipo de problemas é algo que mais jogadores possuem. Por isso mesmo, a exigência no Braga é mais baixa. No Sporting, não terá Alans, Vandinhos, Moisés, Evaldos ou Paulos Césares com quem se comparar. Terá jogadores de maior craveira, jogadores mais perfeitos, que cometem menos erros. Os problemas de João Pereira, no Sporting, serão por isso mais evidentes. É óbvio que pode corrigi-los, mas não é algo que consiga fazer de um dia para o outro. Pode até, porque a equipa está a atravessar um mau momento, conseguir destacar-se. Quando as coisas estão mal, normalmente jogadores vistosos como ele, jogadores que fazem das suas características físicas e técnicas as suas mais-valias, são mais apreciados. Mas dificilmente conseguirá construir uma carreira sólida, regular. João Pereira não é muito diferente de Nélson, por exemplo, se bem que não tão bom tecnicamente. É um lateral ofensivo, que pode causar desequilíbrios quando apoia o ataque, mas a qualidade das suas decisões e a sua capacidade defensiva não é brilhante. Nélson durou um ano, num ano em que a equipa do Benfica pouco ou nada jogava. Depois, quando foi preciso evoluir, estagnou, cometeu erros e foi-se embora. João Pereira será assim tão diferente? A minha previsão é que não trará ao Sporting a tão desejada qualidade para a lateral direita.

Antes de acabar o ano, gostaria ainda de fazer referência a um projecto em que eu e o Gonçalo estamos inseridos há aproximadamente três meses. Os mais atentos terão talvez estranhado a ausência, há já algum tempo, de textos sobre uma determinada jornada ou sobre a generalidade da actualidade futebolística. A ausência desses textos explica-se porque todas as semanas escrevemos um texto para o jornal online "Academia de Talentos" com esse tipo de conteúdos. Aqueles que nos quiserem seguir ainda mais podem sempre procurar os nossos textos na Área Técnica do respectivo jornal. A ligação encontra-se entre as várias ligações aqui ao lado. O "Academia de Talentos" é, possivelmente, o local com mais e melhor informação sobre a actividade futebolística a nível dos escalões de formação. Nesse aspecto, a sua relevância está para além de qualquer dúvida e qualquer pessoa que esteja interessada em acompanhar o que se passa na actualidade desportiva nos mais variados escalões de formação terá interesse em consultar com regularidade o jornal. Mais recentemente, o jornal tem procurado evoluir noutros sentidos e expandir os seus horizontes. O espaço designado por "Área Técnica" reúne, por isso, textos de outro carácter e com outros conteúdos. É precisamente nesse projecto que colaboramos e, além de nós, podem ser encontrados textos de outros bloggers que, normalmente, valem a pena ser lidos, como os do Pedro Bouças e do Rodrigo Rodrigues, do blogue "Lateral-Esquerdo" ou os do Paulo Santos, do "Apenas Futebol". Fica o anúncio e o convite, claro...