Geometria. Se pudéssemos resumir numa palavra o seu futebol, seria esta a mais apropiada.
Disse uma vez que tinha tido sorte. A sorte de encontrar um treinador que preferia um jogador que tocasse a bola para o lado, em vez de "rasgar". Eu digo mais, o Futebol teve sorte.
A sua qualidade de passe era assombrosa, que apenas encontrava par na maneira como, elegantemente, obstruia as linhas do adversário.
Importante no desenvolvimento das situações de ataque da sua equipa, fossem elas rápidas ou nem por isso, nunca deixou que o seu dom se tornasse uma maldição, isto é, nunca abusou da capacidade que possuía em colocar a bola à distância.
Com critério definia as bases de cada ataque, permitindo um desenvolvimento do mesmo de forma sustendada e equilibrada, fosse através dos apoios que concedia, ou das movimentações a que "obrigava" os seus colegas...
Cruyff disse que ele jogava em qualquer equipa, e ele jogou numa das que mais apaixonou os adeptos do Futebol...
Não teve do futebol, o fim, nem a homenagem que merecia...
Mas será intemporalmente um dos melhores na sua posição, por isso, e pelos bons momentos proporcionados... Obrigado Pepe Guardiola.
sábado, 21 de julho de 2007
Seis que mereciam ser Dez... (3)
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sexta-feira, 6 de abril de 2007
Seis que mereciam ser dez - Parte dois
Nele, o futebol encontrou um círculo perfeito.
Herói de capa e espada, não regateava esforços -sempre elegantes - para recuperar a sua amada das garras de qualquer vilão ou herói...
Concentração ampliada das virtudes essencias à prática do desporto-rei, acumulava Classe em cada gesto que desenhava... Os dribles, os desarmes, os remates... a inteligência e respeito por um desporto tantas vezes vilipendiado por outros que se lhe dizem semelhentes...
Rei, será sempre recordado como o Soberano de um reino muitas vezes rebaixado pelos seus...
O mais prestável medio-ofensivo parecia sempre dispensável na sua presença. A casa de qualquer outro tornava-se dele; assim como a sua mulher,os seus filhos, os seus feitos...
Perguntem ao Raul... De quem é o golo contra o Manschester...
E quem, senão um ser divino, pode desafiar Deus, e ganhar o seu respeito?
Com ele descobri a frustração de não ser esquerdino, de não partilhar ao menos essa afinidade... Abandonou cedo demais, como todos os predestinados, mas a recordação das suas cavalgadas no seu corcel branco irão conservar-se para sempre no melhor que o futebol nos pode oferecer...
O seu nome?
Não me façam rir... Deve ser o Petit ou Loureiro, querem ver...
Escrito por Gonçalo às 21:10:00 1 bolas ao poste
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Os seis que mereciam ser dez - 1
Um gesto lânguido, num segundo que, de certa forma, irá perdurar nas nossas mentes. A melhor opção, sempre a melhor. A linha de passe invisível, até nos ser revelada pelo patrão, num assomo de pura genialidade, e generosidade para os adeptos do futebol. Por vezes dava a sensação de ser lento a executar, mas não, nada disso; apenas criava essa ilusão para assim podermos desfrutar da sua magia. Pois é, e pela primeira vez, senti uma atracção por esse comando, por esse posto. Paulo Sousa.
A maneira como a equipa seguia as suas passadas, dando, por vezes, a ideia que o jogo variava de flanco com apenas um olhar seu, como se este dissesse à bola, « é por ali, é por ali o melhor caminho»; outras vezes, o desenrolar do jogo colava-se ao bater do seu pulso, acelarando, ou detendo-se, conforme o entusiasmo do general.
Seria uma personagem de um qualquer conto de Wilde pela sua graça e elegância; simbolo máximo da vitoria da inteligência sobre o músculo, não se descobria em Sousa indìces fisicos invulgares. Não era rápido, tão pouco forte no choque, não era dotado de uma garra extraordinária, tecnicamente apesar de bom, não deslumbrava... Mas compensava tudo isso com uma inteligência singular. Que prolonga no seu cargo como selecionador, mas isso são contas de outro rosário...
Escrito por Gonçalo às 20:27:00 1 bolas ao poste
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