terça-feira, 3 de junho de 2014
Balanço Negativo
Escrito por Nuno às 10:21:00 8 bolas ao poste
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
Rosicky e o Arsenal
O primeiro golo do Arsenal começa precisamente com a invasão do espaço entre linhas por Rosicky, facilitando a decisão de Podolski, que executa o passe vertical sem dificuldades. Ao mesmo tempo, Wilshere entra sem bola pelo centro, e Rosicky, apercebendo-se disso, rapidamente desvia a bola na direcção do inglês. Com dois passes, o Arsenal não só entrou entre os médios e os defesas adversários como deixou fora da jogada o defesa que saíra em contenção a Rosicky. A decisão de Rosicky, de tão rápida, deixou Wilshere com a bola controlada à frente de um dos centrais e em posição de remate. Não há muitos jogadores com capacidade para decidir tão bem e tão rápido, e ainda menos são os que o conseguem fazer dando a impressão de que não é difícil fazê-lo. O melhor lance do jogo, contudo, estaria reservado para o terceiro golo, um lance cuja finalização, não obstante a qualidade da mesma e não obstante ter sido precisamente da autoria do checo, é o pormenor menos relevante.
O Arsenal é das poucas equipas que procura sistematicamente lances deste tipo, envolvendo vários atletas nas jogadas de ataque, com tabelas curtas a disposicionar os defesas, e Wenger tem todo o mérito nisso. Com Rosicky em campo, no entanto, a probabilidade de estas coisas acontecerem, e a qualidade com que acontecem, é espantosamente diferente. O lance começa com Wilshere a invadir o espaço entre linhas, com Rosicky a lateralizar para Cazorla, não interrompendo a marcha e invadindo o espaço deixado vago pelo médio adversário que saiu a Cazorla, e com o espanhol a dar de primeira em Wilshere. Wilshere, respeitando o movimento do checo, dá por sua vez de primeira, deixando Rosicky de frente para o lance, só com a linha defensiva pela frente. Com três passes e uma simples triangulação, o portador da bola ficou assim à frente da linha de meio-campo e de frente para a baliza. Se isto já era óptimo, o que Rosicky fez de seguida foi ainda melhor. Sem muito espaço, e não havendo qualquer desposicionamento da defesa contrária, solicitou de primeira Giroud, apesar de o francês praticamente não ter espaço e estar obrigado a jogar de primeira, e desmarcou-se por entre um central e o lateral-esquerdo. Giroud, percebendo as intenções do colega, devolveu de primeira, entre os dois centrais, e deixou Rosicky cara a cara com o guarda-redes adversário. A finalização do checo é primorosa, mas todo o lance é de absoluto génio. Com cinco toques na bola, e envolvendo quatro jogadores, o Arsenal entrou em progressão pelo centro do bloco adversário, um bloco que, de resto, estava bem organizado no início do lance. Embora o espaço não fosse muito e não houvesse grande liberdade para aproveitar, a equipa londrina arranjou maneira de entrar por onde é letal entrar, e soube criar uma situação de golo clara sem precisar de um erro do adverário para o fazer.
Jogar futebol é essencialmente, fazer coisas destas, e é por estas e por outras que a equipa de Wenger, não tendo o orçamento que alguns dos rivais têm e não tendo uma equipa especialmente atlética, se manteve na alta roda do futebol europeu nos últimos anos. Muitos são aqueles que têm criticado o treinador francês ao longo dos últimos anos, sobretudo por não ganhar títulos há muito tempo, mas poucos têm sido capazes de explicar a regularidade impressionante do Arsenal. Mesmo não ganhando nada há muito tempo, nunca fez pior do que o quarto lugar, discutiu várias vezes o título com outras equipas, e apurou-se sempre para a fase das eliminatórias na Liga dos Campeões, algo que, por exemplo, Alex Ferguson não foi capaz de fazer. Disse o ano passado que, caso o Arsenal não perdesse nenhum jogador, e dadas as mudanças que se anunciavam em Manchester, os comandados de Wenger seriam novamente candidatos ao título. Embora outros tenham achado que era uma patetice, e que o mais certo era o Arsenal ser ultrapassado por clubes em ascensão como o Tottenham, justifiquei a minha opinião com base não só na regularidade da sequipas de Wenger e na maturidade que, este ano, esta equipa atingiria, mas também no tipo de futebol que preferencialmente praticam. Esse tipo de futebol, que esta jogada tão bem exemplifica, é único em Inglaterra. E é esse tipo de futebol o mais eficaz para vencer adversários que fazem do suor e da entrega as armas preferenciais. Num campeonato em que a principal virtude é a capacidade atlética, só há duas maneiras de uma equipa se superiorizar às outras: ou ter uma equipa mais forte que as outras, do ponto de vista atlético, ou ser uma equipa diferente. Não podendo competir, em termos orçamentais, com os principais emblemas britânicos, o Arsenal de Wenger só pôde manter-se ao nível deles recorrendo à segunda hipótese. E, este ano, parece estar finalmente a colher os frutos dessa escolha. Ainda é cedo para perceber o que pode esta equipa fazer, na recta final da prova (se bem que a saída da Champions que se anuncia possa ser benéfica para as aspirações internas da equipa), mas estar na corrida pelo título a três meses do final da competição é já um murro no estômago dos que, com todas as certezas do mundo, achavam que Wenger era um falhado. Quanto a Rosicky, em quantas equipas do topo europeu seria ele opção? Quantas equipas, daquelas que lutam sistematicamente pelo campeonato e que têm algumas ambições europeias, manteriam durante tantos anos um jogador que, apesar de virtuoso, não é especialmente veloz, aguerrido ou combativo, um jogador que fisicamente é algo frágil e que já não vai para novo? Rosicky pode não ser das principais opções de Wenger, mas é com certeza o melhor exemplo do que o francês entende ser este desporto. Para aqueles que gostam de futebol, cada toque na bola de Rosicky é um momento para mais tarde recordar. Como não se sabe quanto mais durará, e se outros serão capazes de fazê-lo no futuro, sugeria que se aproveitasse ao máximo as coisas que ele tem para nos oferecer.
Escrito por Nuno às 19:05:00 10 bolas ao poste
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domingo, 30 de outubro de 2011
Dois Lances
Trago os lances do primeiro e do segundo golo do Arsenal, o primeiro para mostrar como é evoluída, ofensivamente, a equipa de Wenger, e o segundo para pôr em evidência um erro individual primário em que não se parece ter reparado e que permitiu que o Arsenal regressasse ao jogo. Chamo ainda a atenção para os comentários feitos pela equipa inglesa, no vídeo, e para a incongruência dos mesmos, criticando os defesas no primeiro golo do Chelsea e no primeiro golo do Arsenal por não terem marcado em cima o avançado, e criticando igualmente Bosingwa no segundo golo do Arsenal por ter saído da sua posição para ir marcar em cima o avançado. Vamos aos lances.
O primeiro golo do Arsenal é uma boa demonstração de como o futebol vai evoluir no futuro. Na altura, disseram os comentadores que o Chelsea deixou o Arsenal jogar, e que, portanto, o primeiro golo surgiu na sequência de certa permeabilidade defensiva. Não concordo com isso. A equipa de Villas-Boas está bem organizada, e é suficientemente agressiva a tentar condicionar o portador da bola e a efectuar a zona de pressão central. Se há, no momento em que Ramsey recebe a bola, algum espaço entre linhas é porque Mikel acabara de tentar tirar a bola a Gervinho, ligeiramente à frente. Mas veja-se que é Fernando Torres quem vem tentar fechar a linha de passe. O Chelsea não poderia estar mais compacto. O que aconteceu foi que o Arsenal soube arranjar os espaços de penetração certos, e nesse capítulo não há outra equipa igual em terras de Sua Majestade. Ramsey vem do espaço interior para receber e Gervinho, que antes atraíra Mikel para a zona dos médios, deixando o espaço entre linhas momentaneamente desprotegido, vai explorar esse espaço. Ramsey utiliza-o e Gervinho fica isolado, oferecendo o golo a Van Persie. Há quem diga que atacar pelo meio é errado, e que se devem explorar as alas para abrir brechas no bloco contrário. O Arsenal mostra que não é bem assim, que mesmo contra um bloco muito compacto e organizado, é possível, com toques curtos e sabendo aproveitar o espaço entre as diferentes linhas do adversário, forçar o bloco a abrir pequenos buracos pelo centro. Claro que isto, para resultar, tem de ser feito com muitos toques, com muito rendilhado. Atacando pelo meio, o truque consiste precisamente em tocar e devolver, para desposicionar o adversário, para se trazer os jogadores adversários para onde se pretende, criando espaços nas zonas que mais nos convêm.
O segundo golo do Arsenal é diferente e, embora não haja, como foi sugerido pelos comentadores da Sporttv, sempre empenhados em dizer disparates, problemas colectivos alguns, há um erro individual que compromete todo o lance. É pena que a câmara aérea, neste vídeo, abra apenas no momento em que Song faz o passe. Uns instantes antes serviriam para se verificar que a equipa de Villas-Boas está extraordinariamente bem posicionada, toda praticamente do lado esquerdo do campo, onde se desenrola a jogada, com todos os espaços bem fechados, utilizando a linha lateral para asfixiar os comandados de Wenger. A pressão é, também ela, bem executada, obrigando o Arsenal a recuar, por não ter soluções ofensivas nem espaço entre linhas a explorar. Colectivamente, a resposta da equipa não podia ter sido melhor, neste lance. Lampard obriga Djorou a dar no apoio recuado, Ramires obriga Song a rodar sobre si, mas depois aparece André Santos, o lateral esquerdo, completamente isolado na esquerda. Colectivamente, o Chelsea defendeu-se o melhor que podia. Não houve mau posicionamento, nem falta de agressividade, uma vez mais. Houve, contudo, um erro primário de Bosingwa, que foi atrás de Gervinho para o espaço entre linhas, não mantendo a linha defensiva, e desguarneceu o seu flanco, por onde o Arsenal acabou por entrar. Um passe do trinco que deixa o flanqueador na cara do guarda-redes, num lance de ataque organizado, só é possível com erros deste tipo. Bosingwa não cumpriu o seu papel no lance, que era de defender perto de Ivanovic, mantendo-se na mesma linha, e sentiu necessidade de ir atrás do seu opositor directo. Isso permitiu à equipa de Wenger, cujo lance ofensivo fora muito bem condicionado pela pressão colectiva dos jogadores do Chelsea, chegar facilmente a uma ocasião de golo. Bosingwa tem atributos atléticos notáveis, mas a má leitura que faz de grande parte dos lances continua a impedir que seja um lateral de eleição.
De resto, creio que ainda é cedo para tecer conjecturas acerca do futuro de André Villas-Boas. Mas passou já tempo suficiente para que se possa fazer uma análise do seu trabalho até ao momento. A intenção é clara e passa por tornar o Chelsea uma equipa mais competente na gestão da bola, mais dominadora com bola, mais autoritária. No entanto, parecem-me faltar soluções colectivas, no momento ofensivo, para que isso possa ser feito com mais eficácia. E parece também que, perante as adversidades, Villas-Boas não tem insistido muito para que a equipa se mantenha fiel aos seus princípios. A inclusão das dinâmicas de Mata no onze são, para já, a única boa notícia no futebol ofensivo da equipa. Torres não é um avançado que se sinta bem entre os centrais, e o Chelsea ainda não conseguiu tirar partido dos seus abaixamentos. O espaço entre linhas continua a ser pouco povoado (geralmente apenas por Mata) e a equipa, embora com mais bola, continua com índices de criatividade muitíssimo baixos. Talvez fosse útil, como resposta a este momento, perceber não só onde se errou, mas de que modo é possível melhorar. E aí a resposta pode estar precisamente no modo em que o Arsenal explora os espaços ofensivos. Neste momento, estas duas equipas parecem estar fora da corrida do título, que para já tem nos dois clubes de Manchester os mais sérios candidatos. Mas o campeonato inglês é longo e não é crível que as diferenças actuais não possam ser recuperadas. Colectivamente, a forma como o Chelsea defende, apesar dos cinco golos (não esquecer que houve erros individuais, escorregadelas e incidências esquisitas), é já muito boa, a meu ver, e a equipa tirará dividendos disso no futuro. Se for capaz de evoluir, em termos colectivos, no que diz respeito ao capítulo ofensivo, aproximando-se daquilo que o Arsenal faz, por exemplo, talvez possa, no final, estar de facto a discutir o campeonato inglês.
Escrito por Nuno às 10:55:00 14 bolas ao poste
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Fabregas, Nasri e a Importância do Passe Vertical
A equipa que, em todo o mundo, melhor usa este recurso é o Barcelona; a segunda o Arsenal. É precisamente recorrendo a um golo dos gunners em que se fez uso do passe vertical que procurarei sustentar o argumento. O lance é o do segundo golo frente ao Birmingham, este fim-de-semana. Cesc Fabregas apercebe-se da localização de Nasri à sua frente, entre linhas adversárias, e mesmo tendo atrás de si um adversário, direcciona-lhe a bola. Ao fazê-lo, ultrapassa imediatamente uma linha, composta por dois adversários. O facto de aquele que vai receber a bola estar marcado é pouco importante. Um passe vertical pelo chão torna a acção do defesa mais difícil e uma simples devolução ao colega que em primeiro lugar passara a bola permite à equipa preservar a posse de bola. Também por isto, um passe vertical não é um passe tão arriscado como, por exemplo, um passe para as costas da defesa, e só não é tão usado porque se convencionou que passar a bola para colegas que têm adversários por perto é errado. Ora bem, não é. Pode até ser muito útil, pois fará com que os adversários que ocupam esses espaços adquiram a ilusão de que podem capturar a bola e se desposicionem. O que aconteceu de seguida demonstra bem a utilidade que há em fazer um passe destes mesmo nas condições em que o colega se encontrava. Nasri, embora apertado, devolve de primeira a bola a Fabregas, que no momento imediatamente a seguir a ter feito o passe se dirigiu para Nasri, para fornecer um apoio curto. Com essa movimentação, pode receber a devolução de Nasri à frente de um dos dois adversários que o tinham apertado inicialmente. Nasri, ao devolver, desmarcou-se nas costas do seu marcador que, iludido pelo engodo da bola, acabou por ficar batido. Fabregas, por sua vez, deu de primeira novamente para Nasri, que ocupara agora um espaço frontal entre o homem que lhe saíra ao encalço e a linha defensiva do Birmingham. Estava criado o desequilíbrio. Um passe vertical e uma tabela foi tudo do que o Arsenal precisou para arranjar condições de remate à entrada da área. Parece simples. O problema é que os hábitos que se cultivam ao longo da carreira e as coisas em que esses mesmos hábitos fazem os jogadores acreditar impedem, muitas vezes, de perceber como se pode simplificar um lance.
Com um passe vertical e uma pequena combinação entre dois jogadores, o Arsenal ultrapassou todo o meio-campo do Birmingham. Este tipo de penetração é utilíssimo, em futebol, mas continua a ser pouco usado, ou usado inconscientemente. Há pouquíssimas equipas que procuram de modo sistemático estas acções e menos ainda as que trabalham de modo a potenciar esses lances, tendo preocupações não só em progredir desse modo, como também em criar movimentações que facilitem a acção aos jogadores envolvidos nessas situações. Creio, contudo, que o futuro tratará de corrigir isso. Tão importante como rotinar, por exemplo, uma transição ofensiva, será treinar o comportamento colectivo de modo a criar mais e mais condições para se efectuarem passes verticais. Aliás, a compreensão do modelo de Guardiola teria de passar, entre muitas outras coisas, por perceber como o passe vertical é, no seu Barcelona, um instrumento fundamental. Como acho que, em dez ou vinte anos, este Barcelona será um modelo a imitar por todos, creio também que o passe vertical virá a ser objecto de maior reflexão e dedicação.
P.S: E o que dizer do terceiro golo do Arsenal? Novamente, Fabregas e Nasri no lance. Desta vez, recreando-se como se não tivessem mais colegas em campo, trocando a bola apenas entre os dois, pondo à rabia todos os adversários que lhes saíram ao caminho. Este tipo de entendimento entre dois atletas, estendido depois ao resto da equipa, deveria ser uma das maiores preocupações de um treinador. Mais sobre isto noutra altura, quem sabe se brevemente.
P.S. 2: E o jogo de Dani Parejo, esta noite, coroado com um golo magnífico? O rapaz tem classe até a andar, mas continua relativamente esquecido numa equipa do meio da tabela em Espanha. Há poucos, porém, com a qualidade que ele tem. Pouquíssimos, mesmo. Se se pensar, então, que, no início da temporada passada, foi trocado por Granero, dá quase vontade de cortar os pulsos...
Escrito por Nuno às 22:04:00 20 bolas ao poste
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Certezas (21)
Escrito por Nuno às 00:18:00 14 bolas ao poste
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sábado, 3 de abril de 2010
De tirar o chapéu...
A eliminatória está longe de estar resolvida. A própria Liga dos Campeões tem outros candidatos em boa forma. O campeonato está ao rubro. Esta época, a glória catalã pode até vir a ser significativamente inferior à da época anterior. Mas esta equipa continua a mandar às urtigas tudo aquilo com que pretendem diminui-la. Este é o futebol do futuro, como o referiu Ibrahimovic há uns meses, ainda ao serviço do Inter; este é o futebol que vale a pena, que não só é belo, como é eficaz; este é o futebol que convence e pasma. Esta é a melhor forma de ganhar, querendo mais a bola, pressionando mais alto, fazendo menos faltas, privilegiando mais o intelecto que a vontade, mais a concentração que a força bruta, mais a troca de bola que o transporte. Esta é a melhor equipa de sempre. Nunca o mundo assistiu a um jogo com igual assombro. O Barcelona continua a ser, e a tendência é para que isto prevaleça, uma afirmação categórica de uma nova era, uma nova era que, embora deixe em êxtase quase todos, teima em agarrar-se aos predicados do passado. Faz-me confusão que, depois deste Barcelona, seja possível continuar a idolatrar tractores agrícolas ou moinhos de café, que se continue a falar de rapazes com músculos e de tipos que fazem muitos golos. Se há coisa que este Barcelona deveria estar a fazer era a mudar mentalidades. No entanto, parece que o comum mortal, que assiste abismado a um jogo do Barcelona, persiste em achar possível que há algum mérito em ser diferente do que vê. É o instinto conservador das massas e contra isso não há muito a fazer. Resta admirar Guardiola e esperar que o tempo lhe preste a justa homenagem.
P.S. As declarações de Guardiola no final da partida, acerca da sua mentalidade ofensiva, são algo que vale a pena ver e rever. Não se trata somente de um treinador a transmitir aquilo em que acredita. Trata-se da própria essência do melhor futebol possível. Entre outras coisas, confessou Guardiola que "o risco é não arriscar." Não se trata aqui de ganhar somente, de estar em vantagem por marcar golos fora. Trata-se de continuar a atacar, estando a perder ou estando a golear. Trata-se de jogar sempre - sempre! - o mais ao ataque possível. É este o recado, aparentemente trivial, que poucos perceberão.
Escrito por Nuno às 00:25:00 29 bolas ao poste
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terça-feira, 2 de março de 2010
Lições de Mestre (3)
P.S. Houve outro momento, este fim-de-semana, digno de registo, pelas razões inversas. Falo do mais novo caso de selvajaria em terras de Sua Majestade, que desta vez vitimou o muito promissor jovem galês do Arsenal, Aaron Ramsey. Os que persistem em defender a pureza e a genuinidade do futebol em Inglaterra são animais irracionais. Provavelmente tão irracionais como os animais irracionais que jogam naqueles país de costumes nada brandos. Ryan Shawcross atingiu Ramsey violentamente e partiu a perna ao galês. Depois, arrependeu-se, chorou, pediu desculpas. Não duvido do seu arrependimento. Mas não há arrependimento que desculpe a sua entrada. É uma entrada animalesca, de quem não tem cérebro. O futebol inglês é pródigo, como nenhum outro, neste tipo de coisas. Shawcross garantiu que não houve maldade. Eu estou-me pouco borrifando para o que ele garantiu. O que ele queria dizer é que não teve a intenção de fazer aquilo. Estou-me pouco borrifando para intenções. Um leão, quando ataca uma gazela, também não tem intenção de matá-la por matar. Quer comê-la. Que a consequência da sua intenção seja a morte da presa pouco importa. Shawcross é como o leão. Não teve intenção de partir a perna de Ramsey. Mas a sua atitude de animal irracional teve por consequência esse acontecimento. Ou somos todos animais irracionais e um jogo de futebol, enquanto evento civilizado e de gente racional, não tem qualquer sentido, ou somos seres humanos, que nos distinguimos dos animais pela forma como raciocinamos e medimos as consequências das nossas acções. No segundo caso, a entrada de Shawcross não tem desculpa e só não é maldosa de um ponto de vista animal. Do ponto de vista do ser humano, uma entrada como aquela, por não se ter preocupado com as consequências, é uma entrada maldosa. A maldade das coisas não se mede apenas pela intenção maldosa com que são feitas. Shawcross garante que não fez por mal. Eu garanto que o fez, pelo simples facto de o ter feito. O problema é que, em Inglaterra, os jogadores são essencialmente animais irracionais. Dizem que não são maldosos, que são brutos mas que não são maldosos. A estupidez disto está em não perceber que ser bruto é ser maldoso. Pelo menos num ser humano. Em mais nenhum campeonato do mundo acontecem estas coisas com a frequência com que acontecem em Inglaterra. O campeonato inglês é o mais maldoso que há, pelo simples facto de ser o mais irracional. Para rematar esta história infeliz, nada melhor que a forma como a própria Liga Inglesa funciona neste tipo de lances. As imagens são censuradas, às televisões não lhes é permitido filmar as pernas partidas e as repetições dos lances são apagadas e proíbidas o mais rapidamente possível. Decerto que não faz sentido pensar-se que seja para não ferir susceptibilidades. Nos últimos meses, vimos coisas bem piores que estas no Haiti, no Chile e na Madeira, só para dar alguns exemplos. Aquilo que se pretende proteger, isso sim, é uma ideia falsa de pureza. A Liga Inglesa é um produto de mercado e, enquanto tal, tem de proteger o seu negócio. Interessa então preservar a ideia de espectáculo e censurar tudo o que possa ferir essa ideia; interessa vedar às pessoas o acesso a evidências da animalidade com que o jogo é jogado e reduzir o impacto de coisas que não acontecem em mais lado nenhum. Tudo para proteger uma identidade falsa, uma ideia de que esse jogo é jogado de um modo inofensivo e limpo. Não o é. E esta semana ficou mais uma vez provado que não o é.
Escrito por Nuno às 09:04:00 10 bolas ao poste
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Os erros de Clichy
No primeiro golo, destaque mais que evidente para o trabalho notável de Nani e para a parvoíce de Almunia, outro que não tem qualidade suficiente para um clube com as ambições do Arsenal. Há, no entanto, no início do lance, um posicionamento defeituoso que permite a Nani aquela brincadeira. Clichy, tendo ajuda de um colega, preocupa-se mais em evitar que Nani chegue à linha do que em fechar o meio. O resultado é o mais óbvio, quando do outro lado está alguém com a habilidade do português. O que Clichy deveria ter feito era dar um passo atrás, assegurando que o espaço entre si e o colega era impenetrável. Com isso, obrigaria Nani a ir para a linha e, nessa altura, poderia fechar e tentar evitar o cruzamento. Ao ignorar isto, posiciona-se mal e permite que Nani faça o que fez. Sem querer tirar mérito a Nani, a jogada acontece apenas porque Clichy não tem neurónios. Esta foi, no entanto, a jogada em que o erro foi menos grave. Fica a faltar o mais interessante.
O segundo golo do Manchester começa num canto a favor do Arsenal. Park consegue colocar a bola em Rooney, que era o jogador mais avançado do Manchester United, e Clichy, que só tinha atrás de si um colega e está a ver todo o lance de frente, encosta-se em Rooney. Quando o avançado inglês recebe e protege a bola, colocando-a junto à relva e começando a ter companheiros em quem soltar de frente, Clichy só tem uma coisa a fazer: falta. A partir do momento em que Rooney consegue dominar a bola, o contra-ataque torna-se uma possibilidade. Clichy, estando encostado a Rooney, só tem que parar a jogada em falta. Não há nada que saber. Uma vez mais, a irresponsabilidade do francês faz com que o Manchester consiga fazer o contra-ataque e o segundo golo torna-se assim possível. O melhor está, no entanto, guardado para o fim.
O terceiro golo, então, é algo que, por mais que se veja e reveja, não faz sentido e algo que faz pensar na possibilidade de o cérebro de Clichy ter ficado esquecido no balneário. Um alívio da defesa do Manchester que nem por isso foi bem feito origina, após uma má recepção de Denilson, um contra-ataque conduzido por Park. Clichy, que ficara para trás, é o último homem. Em vez de tentar travar o coreano, encurtando-lhe o espaço e obrigando-o a tomar uma decisão o quanto antes, Clichy recua estupidamente em direcção à sua baliza, talvez com medo de um eventual passe. Park não se fez rogado e foi por ali fora, finalizando à vontade. O engraçado da situação é que o Manchester, ao passar o meio-campo, não ficou com uma situação de um para um, mas com uma situação de um para zero, porque Clichy simplesmente se esqueceu que existia e que estava a jogar futebol. Um golo ridículo e uma derrota ridícula, causada por um jogador ridículo. Mais uma vez, o Arsenal acaba por perder um jogo por erros individuais de alguns dos seus atletas. Clichy já fora responsável na derrota com o Manchester City; Sagna foi-o contra o Chelsea; Traore foi-o no empate com o Everton. Com tantos erros individuais e com tantos jogadores sem categoria na retaguarda, o Arsenal está condenado a não conseguir os seus objectivos. O extraordinário futebol ofensivo que a equipa pratica, e que, mais uma vez, pôs em água a defesa do adversário, de nada serve quando se cometem tantos disparates. O Arsenal fica assim mais longe do título e, muito honestamente, apesar de admirar o futebol que pratica, só posso reconhecer que, dada a presença de certos jogadores na equipa, tem o que merece.
P.S. Outra coisa que fica evidente é que, ao contrário do que se pensa, um lateral é tão importante como outro jogador qualquer. Quando o mesmo é muito mau, toda a equipa se ressente. Tal como acontece com qualquer outro jogador. Aquela ideia de que se podem adaptar laterais a torto e a direito porque é uma posição de menor responsabilidade ou que joga a lateral aquele que não tem lugar noutra posição, pelas mesmas razões, não faz sentido. A responsabilidade é igual para todos, seja a posição qual for. Não deixa também de ser engraçado que um texto a deitar abaixo um lateral venha a lume no mesmo dia em que outro lateral, de seu nome Grimi, fez uma exibição absolutamente pavorosa. Só não foi pior que Liedson.
Escrito por Nuno às 23:55:00 28 bolas ao poste
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domingo, 10 de janeiro de 2010
O que fazer?
Após um canto do Arsenal, o Everton recupera a bola e fá-la chegar ao seu homem mais adiantado - creio que Bilyaletdinov - e Traore é o último homem. Nasri vem a recuar para compensar e Pienaar aparece apenas atrás de Nasri. Tendo Nasri feito a aproximação a Bilyaletdinov, Traore não tem que ir cair em cima do russo. Sendo o último homem, não pode ir obstruir a passagem ao russo sem esperar por reforços. Mas foi o que fez. Ao ir direito ao jogador do Everton, desguarneceu a zona central do terreno e permitiu que a bola aí entrasse depois. Naquela situação, recomendava-se uma de duas coisas: 1) ou fazer contenção, procurando que Bilyaletdinov avançasse com a bola, de preferência obrigando-o a derivar ligeiramente para a linha, e esperando que os restantes jogadores do Arsenal recuperassem posições para, aí sim, poder atacar o portador da bola; 2) ou então, se é para ir direito ao russo, que fosse para fazer falta ou para recuperar a bola a qualquer custo. Traore nem ficou em contenção, nem foi morder os calcanhares ao russo ou impedi-lo de soltar a bola. Naquela situação, sendo o último homem, se decide atacar o portador da bola, tem de, pelo menos, impedi-lo de passá-la. Mas Traore foi só para cima do russo, ficando a um metro dele, à espera do que ele ia fazer para reagir a isso. Esperava, certamente, que este arrancasse individualmente, para depois persegui-lo, não antecipando a possibilidade de ele passar a bola a um colega. Ao preocupar-se apenas com o russo, não antecipou as possibilidades que o russo teria depois de receber a bola. Conclusão: uma cratera enorme a facilitar a entrada de Pienaar, que conclui sem oposição, e o Arsenal em desvantagem, outra vez por causa da infantilidade de alguns dos seus jogadores.
Escrito por Nuno às 00:15:00 7 bolas ao poste
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Certezas (16)
Escrito por Nuno às 11:41:00 50 bolas ao poste
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Os erros de Sagna
No primeiro lance, Sagna (que aparece ao fundo da imagem) está demasiado aberto em relação aos restantes colegas do sector defensivo. Assim, um passe que até era direccionado para Drogba, acaba por passar por entre Sagna e o central, caindo em Anelka, que passara nas costas do lateral francês sem que este conseguisse reagir condignamente. Bastava, para anular toda esta jogada, que Sagna tivesse defendido por dentro, ocupando um espaço mais central e deixando a linha para o compatriota Anelka. Sagna, talvez demasiado preocupado com a marcação ao homem, talvez desconcentrado, estava por isso mal posicionado e quando reagiu já era tarde. A jogada termina com o falhanço de Anelka, mas Sagna, como se não bastasse o erro inicial, ainda cometeu penalty, puxando o avançado do Chelsea e impedindo-o de concretizar nas melhores condições. Esta falta, para felicidade do Arsenal, passou em claro. Foi o primeiro lance de perigo do Chelsea na partida e estava dado o mote para o que se seguiria.
O segundo lance é o do primeiro golo do Chelsea, lance que determinou toda a partida. Com o Chelsea manietado atrás, raramente capaz de actuar em organização ofensiva e a sofrer para manter o nulo frente a um Arsenal muito competente na dinâmica ofensiva, só um lance pontual como uma bola parada ou um erro grosseiro poderia suscitar um golo para a equipa de Ancelotti. Foi precisamente o que aconteceu, uma vez mais com o contributo de Bacary Sagna. A linha defensiva do Arsenal está uns bons cinco metros atrás, mas ainda assim Sagna avança para ocupar um espaço onde a acção era perfeitamente inútil. Em vez de se manter na linha dos colegas, recuado e inviabilizando um passe entre si e Arshavin, que recuara para ajudar a defender, Sagna dá dois passos à frente, permitindo que a bola entre precisamente nessa zona. O passe provém de John Terry e, até por aí, se pode perceber que não foi extraordinariamente bem executado. Aquilo que permitiu, contudo, que se tornasse num passe providencial para o desfecho da jogada foi o mau movimento do lateral francês. Ao colocar-se onde se colocou, permitiu que Ashley Cole recebesse a bola numa zona privilegiada. Depois, o lateral inglês trabalhou bem e cruzou para Drogba, que apareceu muito bem na zona de finalização. Mas o mais difícil estava feito logo desde início. Sem grande elaboração, o Chelsea conseguiu introduzir a bola em zona de cruzamento e com a defensiva dos da casa a recuar, ou seja, com as condições ideais para uma boa finalização. Sagna, ao colocar-se horrivelmente, contribuiu de forma decisiva para aniquilar a boa pressão que o resto da equipa estava a fazer, constrangendo o Chelsea a procurar as linhas, onde supostamente seria menos perigoso.
Vistos os lances, gostaria de concluir reforçando uma ideia que costumo defender. Raramente aponto erros de carácter técnico a jogadores e não chamaria a atenção para estes lances se tal fosse o caso. Mas erros de concentração ou erros intelectuais são coisa para me irritar. O futebol espectacular do Arsenal, esta época, tem sido esmagador e só erros deste tipo têm contribuído para os poucos maus resultados da equipa. A jogar como estava a jogar, vergando o líder do campeonato, perder por causa de burrices destas devia ser coisa para deixar os nervos em franja a Wenger. O problema aqui é que me parece que o treinador francês, embora muito competente em vários aspectos do jogo e na capacidade de análise de atletas, tem um defeito crónico do qual continua sem se conseguir livrar e que tem a ver directamente com a fase defensiva da sua equipa. Embora este ano tenha abdicado do seu 442 clássico, fonte de problemas defensivos que impediam o Arsenal de ser uma equipa tão competitiva quanto o seu desempenho ofensivo merecia, Wenger continua a parecer-me um treinador pouco competente na fase defensiva do jogo. E aqui entra tanto a avaliação das características dos jogadores, preferencialmente jogadores rápidos e tecnicamente evoluídos, mas muitas vezes sem cérebro para conseguirem ler adequadamente os lances, como é o caso de Sagna, como a própria postura defensiva da equipa, muitas vezes negligente em termos tácticos. O Arsenal de Wenger, defensivamente, é uma equipa que não ocupa bem os espaços, que raramente mantém a linha de quatro defesas bem formada e com os jogadores bem próximos entre si. Não havendo uma preocupação vincada em relação a isso, é natural que depois os jogadores se sintam tentados a atacar zonas que não devem e a ocupar espaços consoante os adversários e a posição da bola. Sagna deixa muito a desejar na leitura dos lances e no posicionamento defensivo, mas Wenger, apesar de todas as competências que lhe reconhecemos, não pode ficar ilibado de responsabilidades quando os comportamentos defensivos dos seus jogadores se manifestam tão anárquicos.
Escrito por Nuno às 17:34:00 2 bolas ao poste
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sábado, 21 de novembro de 2009
Milevsky
Escrito por Nuno às 16:24:00 10 bolas ao poste
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Estilo de jogo
Muito se discute sobre a eficácia do estilo de jogo que priviligie a posse de bola. Talvez porque se confunda muitas vezes equipas com estilo de jogos semelhantes, mas que estão subjacentes a ideias e interpretações do jogo bastante diferentes. Vemos, por exemplo, conjuntos que gostam de ter bola para poderem retirar o máximo proveito dos malabaristas que proliferam no seio da equipa, outras porque a sua carga "histórica" a isso os obriga, e outros, como o caso do Barcelona, que o fazem não por causa dos jogadores que possuem, mas porque a posse de bola, e aquele estilo de jogo apoiado, de toque curto e seguro, são a "trave-mestra" de todo o seu futebol. Independentemente dos jogadores.
No entanto, apesar da importância dos motivos que sustentam um estilo de jogo, até a filosofia de jogo mais evoluída precisa de uma estrutura que lhe permita de forma inequívoca demonstrar toda a sua magnitude e superioridade perante as outras interpretações do jogo. Daí a importância do sistema táctico: não é indiferente, como muito boa gente apregoa. As dinâmicas realmente importam, mas a dinâmica está intimamente relacionada com a estrutura da equipa. O sistema táctico deverá permitir que as dinâmicas necessárias à concretização do nosso modelo de jogo sejam alcançadas compreendendo todos os momentos do jogo de forma una, contínua e equilibrada. Procura-se desta forma minimizar a nossa exposição a desequilíbrios (ofensivos e defensivos, em qualquer uma das fases de transição) inerentes única e exclusivamente ao nosso modelo de jogo.
Não possuo dados que me possam garantir quais as directrizes que sustentam o modelo de jogo do Arsenal, isto é, se a qualidade da posse de bola é o sintoma da "doença" certa, mas podemos constatar, nos jogos que temos observado neste início de temporada, uma consistência e equilíbrio inéditos que estão intimamente ligados ao sistema táctico adoptado por Wenger nestes jogos: o 4x3x3.
A valência desta filosofia vai muito para lá dos factores estéticos. O toque curto requer que a equipa jogue coesa, com os seus sectores juntos. Os próprios jogadores beneficiam de uma "rede" de apoios próximos que assim lhe oferecem mais opções, dificultando a acção defensiva do seu adversário. A esta imprevisibilidade contrapõe-se muitas vezes o risco que corremos de, com tantos passes, perdermos a bola em zonas proibidas. A verdade é que este argumento não só é falacioso como também ignora outra característica das equipas cujo modelo, desde que bem orientadas, assenta nesta filosofia: a capacidade de reagir de forma rápida e intensa aos momentos de transição, não só defesa/ataque, mas essencialmente ataque/defesa. O elevado número de jogadores na zona onde eventualmente a equipa perda a posse da bola, fruto do estilo de jogo baseado em apoios próximos, permite uma resposta mais rápida e eficaz sobre o adversário que havia recuperado o esférico. Mais, o facto de os sectores terem de jogar juntos retira espaço entre linhas para a equipa adversária se movimentar.
Posto isto, facilmente percebemos a importância de uma equipa como o Arsenal optar por jogar num sistema que lhe permite apresentar uma melhor ocupação dos espaços, benificiando de um maior número de linhas, não premitindo desta maneira tanto espaço e liberdade aos seus adversários, principalmente na transição ataque/defesa.
Beneficia o Arsenal com esta alteração, assim como os jovens que militam no clube londrino. Ramsey, Song, Vela, etc., vão poder exponenciar, ainda mais, todas as características, moldadas em função do estilo de jogo que "sustenta" o conjunto de Wenger. O treinador francês promove o desenvolvimento das tomadas de decisão nos seus jogadores, fruto da filosofia que implantou nos gunners. A constante criação de várias soluções em cada jogada obriga os seus jogadores a analisar um grande conjunto de variáveis. Desta forma, a regular necessidade de decidir entre as várias opções que lhe são "sugeridas" serve como um estímulo indispensável para a evolução intelectual dos seus jogadores. Agora, porém, com uma sistema mais equilibrado e racional, estes jogadores já não ficam obrigados a utilizar a sua mais valia para colmatar as lacunas do sistema táctico, encontrando ao invés um aliado não só na sua evolução como jogadores, mas também no seu caminho rumo ao sucesso.
Escrito por Gonçalo às 20:44:00 1 bolas ao poste
Etiquetas: Arsenal, Raciocínios Tácticos