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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Momentos

A semana e meia que passou foi pródiga em episódios caricatos. É sobre eles que irei falar.

1. Luis Sobral voltou a dizer porcaria. O artigo completo pode ser lido aqui, mas vou deter-me na frase central: "Só há duas verdadeiras razões para seguir uma partida do futebol italiano: ver jogar Ibrahimovic, ver protestar José Mourinho." Ou seja, para Luis Sobral, o futebol italiano é uma trampa e só se aproveita Ibrahimovic e Mourinho (este porque protesta). Fica implícito que o resto do futebol italiano não vale nada e que nem sequer merece o sueco. Resta saber que futebol é que Luis Sobral aprecia, então. Se a liga mais competitiva do mundo não o satisfaz, talvez prefira a segunda liga do Azerbeijão. São gostos. Ainda bem que há liberdade de expressão.

2. Por cá, tivemos um senhor a armar um circo e a acabar feito palhaço. Falo de Queiroz. Pegou num pormenor insignificante e que deveria ser incentivado, fez dele um cavalo de batalha e reprovou-o. Pereirinha e Rui Pedro ousaram fazer uma coisa diferente e tiveram de prestar contas à Inquisição. Não satisfeito com a reprimenda apalermada de Rui Caçador, o seleccionador principal decidiu suspender os jogadores. Não sei se Queiroz terá aprendido com Paulo Bento a castigar todo aquele que revela uma personalidade ambiciosa, mas parece-me claro que o 25 de Abril em sua casa é dia de trabalhos forçados.

3. Entretanto, o Portimonense saiu em defesa de Rui Pedro, sendo que o jogador nem sequer pertence aos quadros do clube. Do Sporting, nem uma palavra de apoio ao capitão da selecção de sub-21. Miguel Veloso bem avisou que os jogadores não têm apoio de ninguém.

4. Ainda sobre o mesmo assunto, a reacção de Caçador e de Queirós foi a de enfatizar até ao absurdo o incidente. Outros, como eles, acharam que aquilo que os jovens fizeram foi repugnante, irresponsável e uma forma de menosprezar o adversário que ilustra a falta de valores e de humildade no nosso país. Ao contrário disto, lembram os valores morais e a dignidade de outros povos, numa atitude provinciana levada ao extremo. O que eu gostava mesmo de saber era o que é que essas pessoas diriam se vissem Henry e Wenger, no flash interview a seguir ao jogo em que o mesmo Henry e Robert Pires falharam um penalty idêntico, a rirem que nem perdidos da situação. Se calhar também são portugueses e também não têm humildade. Destaco as sábias palavras de Wenger, ditas por entre um sorriso, enquanto os jogadores do Manchester City se sentiam desrespeitados: "também faz parte do jogo cometer este tipo de erros". Pois faz. Também concordo que há uma diferença de mentalidades: Wenger não tem a tacanhez de Queiroz.

4. Provavelmente satisfeito com o pulso forte que demonstrou, Queiroz não fez a barba para o jogo com a Suécia. Se tivesse que adivinhar, diria que o seleccionador se cortou da última vez que fez a barba e decidiu castigar as lâminas de barbear por falta de responsabilidade.

5. Entretanto, antes do jogo com os nórdicos, Cristiano Ronaldo, confrontado com o porquê de não render tanto na selecção quanto no Manchester United, disse o seguinte: "Se todos fizessem o que fiz, éramos campeões mundiais". A única coisa que podemos depreender daqui é que Pereirinha e Rui Pedro, infelizmente, têm de se aguentar à bomboca, pois não são Cristiano Ronaldo. Ou seja, tentar marcar um golo de uma maneira diferente, mostrando criatividade e ao mesmo tempo coragem, é motivo para ser castigado; dizer abertamente que nem todos se esforçam como ele é um comportamento louvável. Viva a liberdade de interpretação.

6. Vieram finalmente os suecos e Portugal não jogou nada. Há quem diga que Portugal se fartou de jogar à bola, mas estes se calhar têm medo que Queiroz os castigue se disserem o contrário. Portugal atacou muito, correu muito, impôs um ritmo alto. Nada disto é jogar bem. Houve intensidade, houve vontade de ganhar, houve atitude, houve garra, houve compromisso. Só não houve ideias. Infelizmente, não houve a única coisa que era preciso ter havido. E o futebol praticado foi uma coisa irracional, sempre a uma velocidade estonteante, como se cada jogador tivesse de ir tirar o pai da forca. Futebol não é halterofilismo; joga-se com a cabecinha. Resultado: meia-dúzia de lances interessantes em 90 minutos e tantas oportunidades de golo para um lado como para o outro. A Suécia, uma selecção absolutamente banal sem Ibrahimovic, sem ter feito nada por isso, por pouco não ganhava o jogo.

7. Receita para o sucesso: jogar com um central a trinco porque os outros são grandes, jogar com o Bruno Alves de início, jogar a segunda-parte toda com 4 centrais de raiz em campo, tirar Tiago quando era o único com ideias, manter no meio-campo Meireles e Pepe, não colocar a jogar Nani nem Moutinho, trocar Danny por Hugo Almeida. Poderia acrescentar outras: apostar em Eduardo, não convocar Nuno Gomes, Postiga, Quim, Zé Castro, Fernando Meira, Pedro Mendes, Carlos Martins nem Quaresma. Estou de certeza a esquecer-me de mais qualquer coisa.

8. Imagem de marca do desafio: Queiroz com as mãos na cabeça, provavelmente a cogitar quem é que iria castigar por Cristiano Ronaldo falhar aquele golo.

9. Três jogos em casa, duas equipas medianas e uma fraca, dois empates e uma derrota; 5 jogos, 1 vitória, 6 pontos, três jogos sem marcar, 7 pontos de distância para o primeiro. São os números de Queiroz. Não seriam números maus, se Queiroz fosse seleccionador da Albânia. Assim, é a matématica a lixar a vida ao professor. O próximo a ser castigado é o Pitágoras, por ter ajudado a que houvesse forma de fazer contas.

10. Jogo amigável com a África do Sul. Ganhámos 2-0. Dois golos de bola parada, em dois falhanços incríveis da defesa sul-africana. Viva! A pergunta que se impõe é: para que é que Queiroz convocou três guarda-redes se dois deles nem no amigável entraram? Ou foram castigados a meio do estágio por terem sido encontrados a jogar ao berlinde?

11. A selecção B também jogou e Queiroz esteve na bancada. Acho que depois disso já castigou o operador de câmara que o filmou a roer uma unha. Do jogo em si, é sempre bom destacar o golo de Djaló, bem como o facto de nenhum dos jogadores portugueses ter sido castigado. Pelé fez 30 passes de ruptura inconsequentes e continua um senhor jogador.

12. Na zona sul do nacional de juniores, o Sporting foi vencer ao Seixal o Benfica, dando um passo seguro rumo à fase final. O Belenenses, que vai a Alcochete esta semana, ficou a 1 ponto do Benfica, que não contará com Nélson Oliveira nos próximos jogos, por ter sido expulso. Acho que Queiroz pensou em castigar toda a equipa do Sporting por ser muito melhor que a do Benfica.

13. Se os filhos do Queiroz aparecerem com um olho à belenenses, aposto que foi por o pai ter encontrado os miúdos a dizer que o Ibrahimovic jogava para caramba.

14. Na Liga, Lisandro foi castigado por ter simulado um penalty frente ao Benfica. Isto cheira-me a coisa do Queiroz.


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Incidências da primeira ronda do Euro 2008

1. A República Checa venceu a Suíça num jogo em que pouco ou nada fez. Quando vejo aquele meio-campo sem ideias, só consigo pensar em Nedved, Poborsky e Rosicky. Que diferença!

2. Na Suíça, Hakan Yakin é suplente. Fabuloso! Foi preciso o segundo melhor jogador suíço lesionar-se para entrar o melhor jogador suíço. Dois habilidosos em campo é muito...

3. Portugal entrou a ganhar e fez a melhor exibição dos últimos 2 anos. Nuno Gomes é fraquinho. Bons são aqueles avançados que tentam resolver as coisas sozinhos...

4. Esperava mais da Croácia, mas ainda assim deu para perceber as qualidades de Modric. Fortíssimo com a bola nos pés. Vai dar que falar...

5. A táctica alemã é completamente pré-histórica. O que vale é que a da Polónia e a da Áustria também o são.

6. Segundo os comentadores da TVI, Guerreiro, o sul-americano naturalizado polaco, veio dar cor à selecção polaca. Um comentário infeliz, por certo...

7. A França entrou a empatar. Nem Benzema, nem Ribery, nem Malouda fazem esquecer Zidane.

8. A Holanda derrotou a Itália por expressivos 3-0, mas, não fosse o golo irregular de Van Nistelrooy a abrir o activo e as coisas teriam sido muito diferentes. A partir daí, a Holanda passeou-se em campo e acabou por conseguir mais dois golos estando a Itália balanceada no ataque. Estou em crer que este resultado, porém, não é sinónimo nem de uma Holanda a todo o gás (ainda que aquelas individualidades sejam das melhores deste campeonato), nem de uma Itália aquém das expectativas.

9. Há alguma lei que obrigue as equipas a jogar em 442 clássico? Uma táctica obsoleta há 15 anos, mas que é, provavelmente, a mais utilizada neste europeu. Desta feita, é a Espanha. Aragonés é horrível. O homem mal consegue abrir os olhos, quanto mais ter sinapses. Não bastava não ter levado artistas como Raúl, Joaquín, ou Guti, como ainda deixou de fora do onze titular Fabregas e teve de arrumar Iniesta à direita. Isto tudo para poder jogar em 442 clássico. Brilhante! As consequências disto foram as previsíveis: uma Espanha muito má com bola, a acabar por decidir o jogo através dos erros infantis dos russos e da capacidade individual dos homens da frente, principalmente Fernando Torres e David Villa. Para mim, que era a selecção que reunia melhor conjunto de individualidades, esta Espanha foi uma decepção. Vale pelas individualidades, que são do melhor que há neste campeonato, mas como equipa foi uma nulidade. Aquela segunda parte, com os russos a baixarem os braços, não pode ilustrar nada. A primeira parte foi inteiramente dos russos e só a má transição defensiva da equipa de Hiddink e um ou outro erro individual permitiu à Espanha marcar. As transições da equipa são do mais primitivo que há, tendo sentido muitas dificuldades sempre que os russos se arrumavam posicionalmente: não há passes verticais, não há jogo entre linhas, nada. Só as transições rápidas, a explorar a velocidade do duo da frente. Isso é muito pouco.

10. Mais pérolas de Luis Sobral? Claro que sim. No Espanha-Rússia, no golo russo, fez questão de dizer duas coisas: primeiro, que o russo que marca o golo não tinha tido nenhuma marcação; segundo, que Capdevilla era o espanhol mais perto do russo, mas que este deveria estar marcado por um dos centrais. Vou tentar explicar ao senhor Luis Sobral uma coisa. Um dia, Deus nosso Senhor lembrou-se de fazer o mundo. Mais tarde, pôs lá o Adão e a Eva, que tiveram muitos filhinhos. Entretanto, a humanidade desenvolveu-se e criou um jogo chamado futebol. Até aqui, penso, o senhor Luis Sobral deve estar familiarizado com a História. Acontece que uma das incidências desse jogo são os pontapés de canto e estes podem ser defendidos, pelo menos, de duas formas: ou marcando-se, homem a homem, cada um dos avançados adversários, ou marcando-se à zona, ficando, como é óbvio, cada um dos adversários sem marcação. Será que a Espanha defende os cantos à zona e que foi por isso que o senhor Luis Sobral viu o avançado russo sem marcação? Ai, ai, as ideias, as ideias...

11. Mas continua. Luís Sobral também disse que, no meio-campo da Espanha, não havia posições fixas. Eu vi, claramente, uma linha de quatro homens bem definida, com Iniesta à direita, Silva à esquerda e Xavi e Senna no meio. Até sou capaz de dizer qual dos dois médios-centro jogou mais descaído para a direita e qual jogou mais para a esquerda. Além de outros problemas, será que o senhor Luís Sobral também tem um problema de oftalmologia?

12. Esperem! Ainda há mais! Quem é Arshvin? Segundo Luís Sobral, é o melhor jogador russo! A sério? Ia jurar que era o Arshavin. Mas se calhar estou equivocado...

13. A Rússia tem bons princípios de jogo, não fosse orientado por Hiddink, mas individualmente pareceu-me das equipas mais frágeis do Euro. Sem Arshavin, por castigo, e sem Izmailov, por causa de conflitos com o presidente da federação russa, fica tudo muito mais difícil. Mas ajudava se Denisov e Kerzhakov tivessem sido convocados e se os irmãos Berezutski estivessem a jogar.

14. A Grécia levou na pá. Já era tempo! Grande Ibrahimovic!

15. Depois da primeira ronda - custa-me dizê-lo - mas a equipa mais equilibrada e mais bem organizada, daquelas que têm argumentos individuais para poder discutir este europeu, é Portugal. Isto evidencia o quão pobre, em termos tácticos, está a ser este campeonato.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Luis Sobral (4)

Pois é, o ilustre Luis Sobral foi promovido a crónica. Mas não é caso para espanto... Sobre a situação actual do Sporting, muito se tem dito. O desaire em Braga aconteceu após um óptimo jogo diante da Roma, mas tem sido dito que as coisas vão muito mal no reino do Leão. Neste artigo, Sobral também o faz. Diz o seguinte:

"Paulo Bento colocou a questão no plano da atitude, ao dizer que não tinham feito por merecer a camisola do clube."

Paulo Bento não falou em atitude. Por se dizer que os jogadores não fizeram um bom jogo, não quer dizer que não tenham suado. Disse Paulo Bento que a equipa, em certos momentos, jogou devagar. Isto não significa que não tenha tido atitude. Significa apenas que não jogou a um ritmo adequado. Aliás, os primeiros minutos da segunda parte são de grande qualidade.

Continua Sobral, dizendo:

"Com Paulo Bento, o Sporting passou a guardar melhor a sua baliza. Um jogo mais sólido, um caminho menos directo para o golo, mas suficientemente eficaz."

O futebol do Sporting do Peseiro era mais directo?? Em que dicionário é que o senhor Sobral aprendeu o significado da palavra "directo"?

Continua Sobral:

"Em minha opinião, mais do que erros pontuais, estes golos resultam da má colocação do meio-campo. Nessa zona não existe um jogador em boa forma."

Esquisito. Ia jurar que a única coisa que não está mal no Sporting era o meio-campo. Mas se calhar estou enganado.

Mas antes diz isto:

"Esta época, o Sporting raramente joga o que se espera e defende mal, somando erros."

Pois, deve ser o meio-campo que está a defender mal e a somar erros. Era trocá-los todos, esses incompetentes...

Mas Sobral diz mais:

"Miguel Veloso tem sido a referência, mas atravessa uma fase em que parece jogar mais para ele do que a equipa. Cai pouco nas alas, não é tão firme a desarmar e marca o adversário sem rigor."

Ponto prévio: Miguel Veloso, a nível defensivo, está menos rigoroso, sem dúvida. Mas não é por cair poucos nas alas, ou por não ser tão firme a desarmar ou a marcar o adversário. Veloso, sobretudo em lances rápidos, perde um pouco a noção da sua posição, encostando-se em demasia aos centrais e não ocupando a zona à frente deles. Isto, repito, só acontece em lances em que a equipa adversária ataca rápido, como o lance do primeiro golo da Roma em Alvalade. De resto, a nível posicional, tem estado impecável. Não cai nas alas? Nem tem que o fazer. Daria o mesmo resultado que recuar para junto dos centrais. Pressupor que um médio-defensivo tem de cair nas alas é uma admirável forma de dizer ao mundo que não se é muito sabido. Não é firme a desarmar? Como assim? Firme como o Binya? Há firmeza, há, senhor Sobral. Quando não se sabe muito bem o que dizer para se argumentar uma intuição inventam-se coisas? Isso sim, é de quem percebe. Marca o adversário sem rigor? Mas quem é que lhe disse a si que o Miguel Veloso tem de marcar alguém? Pressupor que um médio-defensivo tem de marcar um adversário já não é só não ser muito sabido; é imaginar que não há uma coisa chamada "marcação à zona". Tenho uma novidade para si, senhor Sobral: o que os seus pais lhe disseram que não existia não era a "marcação à zona"; o que não existe é o Pai Natal.

Diz mais ainda, Luis Sobral:

"Ao lado, João Moutiho mantém a alma de outros dias. Mas só isso."

Ficamos a saber que João Moutinho ainda é João Moutinho. Estava convencidíssimo de que João Moutinho tinha agora a alma de Yannick Djaló. João Moutinho tem sido vítima não da descoordenação geral da equipa, não do desnorte colectivo, mas de uma alteração estratégica que Paulo Bento pareceu querer incutir à sua equipa este ano. A principal diferença do Sporting deste ano é a maior amplitude do losango quando a equipa tem a bola. Os interiores abrem muito e as transições têm de ser necessariamente menos curtas. A ideia é possibilitar um futebol mais objectivo, no qual os médios interiores têm um papel sem bola muito mais relevante do que aquele que tinham. As suas movimentações, contudo, são muito mais para criar espaços e provocar desequilíbrios do que para receber a bola. Logo, estes jogadores, principalmente, estão mais tempo sem a bola no pé. Resulta de tudo isto um futebol menos envolvente, menos curto, com transições mais rápidas e, não raro, predefinidas. Neste cenário, Moutinho toca menos vezes na bola e tem um papel mais discreto, mas igualmente preponderante, na equipa.

Continua Sobral:

"Izmailov simplesmente não percebeu a forma de jogar da equipa e Romagnoli tem sido de menos como «10», perdendo muitas vezes a bola e com isso desequilibrando a equipa."

Izmailov não percebeu a forma de jogar? É por isso que tem sido dos melhores em campo? Romagnoli perde muitas vezes a bola? Quando? Ao intervalo, nos balneários? E, ao perder a bola, desequilibra a equipa? Mas além de perder a bola imaginariamente, também a perde imaginariamente em zonas comprometedoras? É que perder a bola só desequilibra a equipa em zonas recuadas ou quando a equipa parte para um ataque rápido. E em nenhuma destas situações Romagnoli perde bolas. E o que significa "ter sido de menos como «10»? Não entendi estas duas opções do senhor Sobral. Quer dizer, até entendi. Precisava de dizer que os quatro do meio-campo não estavam bem e toca à dizer mal deles todos, inventando coisas.

E continua Sobral:

"Os dois golos sofridos frente à Roma são um bom exemplo de má colocação, com o meio-campo a defender demasiado atrás, concedendo espaço para remates de longe."

Não, não são. O primeiro golo resulta daquilo que disse do Miguel Veloso. Num lance rápido pela esquerda do ataque da Roma, recuou para junto de Polga. Cassetti, ao tirar do caminho Tonel, não encontrou oposição na zona de Veloso, precisamente porque ele tinha recuado indevidamente. Já o segundo golo não é nada. Pizarro remata a cerca de quarenta metros. Ninguém tem de sair a um remate a quarenta metros. Aconteceu que os italianos tiveram sorte. Só isso.

E, para acabar, Sobral, como qualquer tipo que acha que consegue mudar o mundo, tem sugestões:

"Por mim, a chave é amarrar Miguel Veloso, estabilizar Moutinho, escolher entre Izmailov e Romagnoli e utilizar mais um médio de trabalho. E depois esperar que Liedson resolva. Até que a confiança regresse."

Se Sobral fosse médico, estaria certamente a soldo dos alemães para receitar cianeto a judeus. 1) Amarrar Veloso? O que significa amarrar? Há pouco, o senhor Sobral disse que ele deveria cair mais nas alas e agora é preciso amarrá-lo? Não entendo. 2) Estabilizar Moutinho? O que significa estabilizar? Amarrar? E os outros nove, será que também devemos amarrá-los? Amarravam-se todos uns aos outros e punham-se à frente da baliza? Também não entendo. 3) Escolher entre Izmailov e Romagnoli e utilizar mais um médio de trabalho? O senhor Sobral não acha que o problema do Sporting seja um problema de atitude, mas pretende resolvê-lo recorrendo a trabalho? Isto não é um bocado contraditório? E que médio de trabalho? Paredes mal se mexe; Farnerud não é um médio de trabalho; Vukcevic e Pereirinha muito menos. Será que está a pensar em Adrien? Ainda entendi menos esta. 4) Esperar que Liedson resolva? Como resolveu em Braga? Ou como resolveu no Dragão? Ou como resolveu na Luz? Sugerir que, numa equipa grande, se espere que o seu avançado resolva as coisas é parvo; sugerir que o faça, sendo esse avançado o Liedson, ainda é mais parvo; mas o mais parvo é conceber um tipo de futebol em que se espera que a sorte caia do céu ou que as individualidades façam o que o colectivo deve fazer. 5) Mas isto só até que a confiança regresse. Depois é voltar ao esquema habitual, porque já não é preciso que o Liedson resolva. Para o senhor Sobral, Liedson é como a Nossa Senhora de Fátima. É ter fé que vai ajudar, mesmo quando já se viu que não tem poder para o fazer. Aliás, quando estiver mal da ciática, vou a Alcochete pedir um milagre e saudinha ao Liedson.

Para finalizar, Sobral ainda tem um "post-scriptum" onde diz coisas acertadíssimas, mas das quais saliento esta:

"Talvez esta análise esteja errada."

Pois. Se calhar, está.

Diz depois:

"Como explicar que Paulo Bento, a perder por 1-0 em Braga, com 45 minutos pela frente, decida alterar o sistema que mais vezes utilizou, trocando-o por um improviso?"

Pois é. Isto é dificílimo de explicar. Será que teve vontade de ganhar? É capaz, até porque arriscou e tirou um defesa. Se calhar, queria ganhar, o sacana. Improviso? Um sistema que já utilizou várias vezes e que está treinado é um improviso? Será que Sobral aprendeu esta palavra no mesmo dicionário que a outra?

E completa, dizendo:

"A entrada de Had, depois do 3-0, foi uma confissão pública da má avaliação anterior."

Sim, foi. Aliás, o Had trazia uma camisola por baixo, escrita pelo Paulo Bento, a dizer "Não percebo nada de futebol!" Paulo Bento explicou por que é que voltou à estrutura de quatro defesas. Se o senhor Sobral decidiu ignorar isso para escrever um texto, não é só ser idiota; é querer sê-lo.

Também tenho direito a um P.S. com conteúdos parvos, por isso, aqui vai ele:

P.S. "Talvez esta análise esteja errada", mas quer-me parece que o senhor Luis Sobral não acabou o liceu.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Finalmente, algo acertado...

Da mesma maneira que critiquei o senhor Luis Sobral pelas incontáveis asneiras que disse, saúdo agora este artigo da autoria da mesma pessoa. Sobral condena a autoridade excessiva dos árbtiros portugueses e não compreende admoestações por protestos. Abraço esta incompreensão. Protestar é uma manifestação emocional. Só isso. Os jogadores deveriam ter toda a liberdade para o fazer, como têm liberdade para manifestar alegria quando marcam um golo. Dir-me-ão que os jogadores devem respeitar quem decide. Sim, devem. Mas é o protesto uma demonstração de desrespeito? Desrespeita quem protesta a decisão do árbitro ou a pessoa em si? Árbitros que punem protestos não estão a punir o desrespeito. Punem a liberdade de expressão e protegem a sua autoridade. O que não sabem é que a autoridade não se protege com punições, mas com carácter. Os árbitros ingleses raramente punem protestos. Muitas vezes, até entram nos protestos, debatendo efusivamente com o jogador o lance em questão. Esses árbitros têm carácter. Não se fazem valer da autoridade que lhes é concedida para se mostrarem superiores. À excepção de insultos directos, os árbitros nem sequer deveriam ter direito de admoestar os jogadores. Deveriam estar expressamente recomendados a não o fazer, a bem de um futebol mais democrático. Talvez, assim, jogadores com a pureza de Pedro Barbosa ou Rui Jorge não fossem dos jogadores mais expulsos de sempre do campeonato português. Mas é claro que haverá sempre Coroados a dizer que os Cannigias disseram coisas contra a sua pessoa, ainda que as imagens provem que os atletas não disseram nada...

sábado, 11 de agosto de 2007

Mais Luis Sobral

Eu não queria. Juro! Mas há coisas que não dá para ignorar. Diz Sobral, neste artigo, sobre o hipotético risco que Simão corre ao ingressar num clube que, à partida, não tem as aspirações internas do Benfica:

"No fundo, Simão não encontrará em Madrid uma situação muito diferente da que descobriu na Luz quando chegou, depois de dois anos em Barcelona. Agora no auge da carreira, o Atlético precisará do bom jogo do internacional português, claro, mas também da capacidade de liderar pelo exemplo que Simão impôs na Luz."

No Benfica, Simão encontrou uma equipa que luta sempre pelo campeonato. No Atlético, Simão encontra uma equipa que luta sempre pelo campeonato... em sonhos. De facto, a situação de Simão no Atlético é completamente igual à que encontrou no Benfica.

Noutro artigo, diz Sobral:

"...a equipa demonstrou uma produção atacante débil e o meio-campo com Petit, Manuel Fernandes e Katsouranis tem músculo que se farta, mas pouco andamento e escassa imaginação."

Hmmm... Fiquei intrigado com isto. Até porque, há dias, Sobral defendia precisamente o contrário. Neste artigo, dizia:

"Por esta altura, admite-se que Fernando Santos coloque Manuel Fernandes sobre o lado esquerdo do losango, com Katsouranis à direita, Petit nas costas e Simão à frente, antes dos dois avançados."

Na altura, ao comentar a patetice de se admitir um meio-campo assim (o que levantou alguma polémica), eu escrevi isto, entre outras coisas:

"O meio-campo do Benfica como o senhor Sobral o quer, será um meio-campo musculado, provavelmente bom a nível táctico, quer defensiva, quer ofensivamente, mas muito pouco imaginativo."

Não sei se é de mim, mas parecem-me suspeitas três coisas. 1) Sobral diz agora que "o meio-campo com Petit, Manuel Fernandes e Katsouranis tem músculo que se farta". Eu disse que esse meio-campo seria "musculado" 2) Sobral diz agora que o mesmo meio-campo tem "escassa imaginação". Eu disse que esse meio-campo seria "pouco imaginativo". 3) Mudar de opinião de um dia para o outro parece-me sempre suspeito.

Gosto muito de pessoas que chegam a conclusões depois do resto do mundo. É fácil descobrir a agulha se o palheiro estiver vazio. Além disso, o uso concreto de duas palavras leva-me a pensar que, tal como Eça de Queirós terá tido em mente Rodolphe Boulanger quando escreveu o Primo Basílio, também o senhor Sobral parece ter sido influenciado por uma qualquer luz divina. Agradecia, contudo, que, não sendo essa a sua opinião inicial, a retratação do senhor Sobral viesse acrescida de uma nota de rodapé na qual se referisse a fonte que o esclarecera. Talvez esteja a ser muito exigente, mas já vi malta a ser acusada de plágio por menos. Tudo bem, é preciso alguma desvergonha para se escrever um texto com ideias completamente contrárias a outras ideias de outro texto, sem se desculpar pelo erro inicial. Mas roubar é feio. Então, quando se tratam de ideias com as quais não se concordam, chega a ser deprimente...

Resumindo, nunca pensei que este blogue pudesse ter o condão de iluminar alguém, mas talvez esteja enganado. Para finalizar, tenho alguns desejos a pedir ao senhor Sobral. Em primeiro lugar, não vá de férias, pois dar-me-ia jeito escrever ainda uns quantos textos no blogue este Verão. Em segundo, não pense em reformar-se tão cedo, que eu gostaria de continuar com isto por mais uns tempos. Pode ser? Por fim, se realizar os meus primeiros dois desejos e cumprir com a sua parte, prometo continuar a esclarecer os seus pontos de vista, o que, pelos vistos, é o suficiente para que continue a exercer a sua profissão, o que para mim também não é mau, uma vez que, dessa forma, continuarei a ter matéria para ir dando uns bombons aos leitores deste blogue.

sábado, 28 de julho de 2007

Goleada...

Depois de o meu texto sobre os artigos do Luis Sobral ter causado tanta polémica, pensei que a tempestade fosse amainar. Temo, contudo, que, depois deste texto, voltem a cair sobre mim palavras de repúdio, bem como insultos e acusações palermas. Mas não consigo resistir: é demasiado bom para não escrevê-lo e, confesso, não nutrindo por este senhor nenhum ódio particular, só a polémica que causou me motiva a reatá-la.

Andava eu descansado a ler coisas, quando encontro nova pérola do senhor Luis Sobral. Devo dizer, por esta altura, que quem não tem vergonha uma vez, não tem vergonha sempre. O artigo é este.

Se é verdade que, segundo o título de Luis Sobral, "perder Simão pode doer", parecem-me parvas muitas das coisas que se dizem em seguida. Para não acharem que só digo mal do senhor, vou referir cada argumento do senhor Sobral e concordar com os que tenho que concordar e discordar dos outros.

Ora, diz Sobral que "O Benfica perdeu o jogador preferido pelos treinadores em 2006/07."

Sobral constata um facto, é verdade. Mas faz mais do que isso: assevera a sua concordância com isto, ao utilizar esse argumento para dramatizar a importância da saída de Simão. Ora, Simão pode ter sido o jogador preferido pelos treinadores, mas não teve, nem de perto, o papel decisivo no Benfica que Quaresma teve no Porto. Logo, Sobral está a dar ênfase a uma coisa importante, é certo, mas esquece que seria muito mais relevante se o Porto ficasse sem Quaresma.

Diz em seguida: "Este simples enunciado antecipa a frase seguinte: será praticamente impossível encontrar quem esteja ao mesmo nível."

Concordo. Mas também concordo que um bife não é uma salsicha. Alguém acha que substituir um jogador nuclear é possível? No Real Madrid ou no Chelsea, está bem. Mas para o Benfica substituir um jogador avaliado em 20 milhões de euros, teria de desembolsar quantias idênticas, o que num clube português é uma má política financeira e desportiva. Logo, a saída de Simão deve ser colmatada com um jogador com menos provas dadas. Este jogador até pode substituir o seu precedente com sucesso, mas isso só acontecerá por um golpe de sorte. Izmailov parece poder ser um bom sucessor de Nani, mas a ver vamos.

Continua Sobral: "Teria de ser um jovem génio ou um jogador maduro e de nível internacional."

Claro. Mas um jovem génio implica sempre uma obscuridade quanto ao seu desempenho. Pode substituir com êxito o seu precedente, como pode demorar a adaptar-se.

Acrescenta: "Descobrir génios (como o F.C. Porto, com Anderson) implica uma boa prospecção e alguma sorte."

Espera lá... Génios?? O senhor Sobral tem dicionário em casa? Primeiro, parece-me que o uso da palavra génio é excessivamente generalizado. Qualquer jogador habilidoso já é génio? É um bocado ousado, isto. Génios no futebol houve dois: Maradona e Zidane. Depois há os outros, os prodigiosos, os que estavam mesmo talhados para serem aquilo e não outra coisa. Falo, por exemplo, de Laudrup, de Del Piero, de Figo, de Ronaldinho, de Platini, de Cruyff, de Eusébio, de Pelé, de Redondo, de Bergkamp, de Van Basten, etc. E só depois vêm os putos habilidosos, que ainda têm muito pela frente, mas que, só porque sabem uns truques com a bola, não significa que sejam nem prodigiosos nem geniais. Sei de vários casos de jogadores que, em tenra idade, aparentavam um futuro ao nível dos melhores de sempre, mas que depois desapareceram. Com dezoito anos, nunca vi jogar, por exemplo, ninguém como o Dani... Mas o mais ridículo deste pequeno excerto nem é isto. O que é verdadeiramente absurdo é considerar Anderson um génio. Nunca percebi de onde veio o amor pelo brasileiro. Nem sequer me lembro de uma coisa assim, de um jogador não fazer nada de extraordinário e cair nas boas graças de quase todo o mundo. Não me interpretem mal: acredito que ele tem um potencial enorme. Mas não mostrou praticamente nada para que o mimassem como mimaram. Anderson fez um início de época relativamente bom, mas nem sequer deslumbrou. Simplesmente apareceu do nada, a jogar bom futebol, mas mais nada. E logo se levantaram vozes, dizendo que nascera mais um prodígio. Que estupidez! O futebol do Porto até agradeceu quando ele se lesionou: passou a fluir mais e libertou Quaresma, que viria, pelo segundo ano consecutivo, a carregar a equipa às costas. Agora, se Anderson já criara tanta euforia, a sua lesão não poderia ter acontecido em melhor altura. O puto, sem mostrar nada de especial, repito, deixara um ar da sua graça, abrira o apetite aos adeptos, insinuando que poderia (como também não poderia) fazer uma grande época. E construiu-se um mito, baseando-se na presunção de que ele manteria o mesmo nível ao longo do campeonato inteiro, nível esse que já era sobrevalorizado pelos adeptos. Para além disso, a sua lesão foi motivo para o avolumar da guerra ideológica com o Benfica. Além de se ter criado um mito em torno de Anderson, criou-se também um mártir. E mitos e mártires são sempre adorados. Ou seja, a reputação de Anderson foi muito mais criada pela imaginação das pessoas do que por aquilo que ele fez de bom. E é sempre assim. O ideal do herói grego era o homem que se valorizava na guerra. E, por isso, os heróis raramente sobreviviam à guerra e morriam velhos. Interessava as pessoas recordarem os seus feitos heróicos, não a decrepitude ou a sabedoria. Aquiles foi para a guerra para morrer. Ájax, sentindo que o seu tempo de feitos grandiosos se aproximava do fim, suicidou-se. E as pessoas recordaram-nos pelas últimas coisas que fizeram, ou por aquilo que prometiam fazer. Assim aconteceu com Anderson. Lembro-me de achar que Zidane fora extremamente inteligente ao abandonar a carreira num momento tão bom. Ninguém se vai lembrar dos meses que demorou a adaptar-se ao Real Madrid, nem das coisas menos boas que, eventualmente, faria se continuasse a jogar futebol. Resumindo, Anderson não fez nada para valer o apreço que lhe têm, mas muito menos para ser considerado um génio. Por isso, senhor Sobral, meça as palavras quando quiser fazer afirmações como esta.

Adiante. Continua Sobral: "Contratar jogadores de nível internacional no auge é praticamente impossível para qualquer clube português"

Não é praticamente impossível. Antes pelo contrário, o Benfica poderia bem investir o dinheiro recebido num jogador da valia do Simão e com a idade dele e os mesmos créditos dados. Não era assim tão difícil. Mas seria errado. Ou seja, ser possível é. Só que é estúpido...

E diz ainda: "No entanto, creio que é justo dizer que o Benfica está hoje mais sólido enquanto clube do que no passado (há três ou quatro anos, por exemplo). Por isso necessita menos do que Simão significava fora do campo, naqueles longos períodos em que parecia que a equipa se esgotava no internacional português."

Concordo até ao primeiro ponto final. A partir daí nem sequer percebo o que o senhor Sobral quer dizer. O que é que o Simão significava fora de campo? Tem um rabinho jeitoso? A mulher dele inspira os outros? Ele tem umas piadas giras e põe a malta bem disposta? Não sei mesmo...

Finalmente, Sobral remata: "PS: Juntar à saída de Simão a entrada de muitos jogadores, criar conflitos com jogadores do plantel e empurrar para a rua o homem que fazia a ligação entre a equipa e a direcção é que poderá ser muita coisa ao mesmo tempo."

Pois, a saída do Simão foi a gota de água. Mandar homens para a rua, criar conflitos com jogadores e comprar muita malta até é fixe, desde que o Simão não saia. Agora, saindo o Simão, está tudo estragado. E o resto passa a ter importância. Isto é basicamente o mesmo que pensar o seguinte: podia explodir uma bomba no autocarro da equipa que, desde que o Simão se salvasse, não havia problema. Agora, se o Simão não se salvasse, estava o caldo entornado. Para o Sobral, Simão é tipo um líder de uma milícia. Pode-se prender quase toda a gente que faz parte da milícia, que isso não tem efeito nenhum. Se queremos acabar com a milícia, temos de limpar o sarampo ao líder. E basta isso para que os outros percam todo o relevo. Fenomenal!

Para acabar, quero então dizer que o resultado se avoluma para 0-3 e que, pressupondo que o Sobral não tem um transplante cerebral marcado para os próximos tempos, se avizinha uma goleada...


terça-feira, 17 de julho de 2007

Luis Sobral 0-2 Entre Dez

Ai, ai, ai... Andei eu a fazer piadas sobre o António Tadeia e este Luis Sobral armado aos cucos. Encontrei duas pérolas destes senhor, dois artigos de altíssima qualidade sobre... talvez seja sobre futebol, mas preciso de confirmar. Os artigos são este e este.

Começo pelo primeiro. Sobre Manuel Fernandes, diz assim Sobral:

"O internacional português está um jogador diferente. Mais forte fisicamente, acrescentou ao bom jogo defensivo que possuía uma capacidade de remate e uma maturidade espantosas."

Está diferente, isso está, mas porque agora tem tranças. Mais forte fisicamente?? Não. Está igual. Capacidade de remate? Meu amigo: já a tinha! Maturidade? Onde? Perdendo uma em cada duas bolas?? Isso é maturidade? Se há coisa que o futebol inglês não dá é maturidade. Manuel Fernandes voltou mais competitivo, isso sim, mais confiante, mas continua a faltar-lhe aquilo que lhe faltava: parar para pensar. Não me interpretem mal: Manuel Fernandes é um grande jogador e talvez o melhor reforço do Benfica para esta temporada, como o Sobral refere. Mas, na minha opinião, parou de crescer enquanto jogador. É muito útil, mas combina uma combatividade extraordinária com decisões irreflectidas. É demasiado rápido a executar, o que nem sempre é bom, porque não tem capacidade para interpretar quais são as melhores soluções à mesma velocidade. As transições, fá-las sempre rápidas; raramente joga apoiado. Nisso, sem dúvida que há influências do futebol inglês. Enfim, não deixa de ser um grande jogador, mas um grande jogador que provavelmente não será mais do que o que já é...

"Por esta altura, admite-se que Fernando Santos coloque Manuel Fernandes sobre o lado esquerdo do losango, com Katsouranis à direita, Petit nas costas e Simão à frente, antes dos dois avançados."

A sério?? Admite-se? E o Benfica jogar à bola, não? Onde é que ficam o Rui Costa e o Nuno Assis? Com três médios de características defensivas, vai ser sem dúvida um meio-campo de combate, mas um meio-campo com poucas ideias. Tanto Katsouranis como Manuel Fernandes são bons médios de transição e ocupam bem os espaços ofensivos, mas não são jogadores de toque curto, jogadores de fantasia. O meio-campo do Benfica como o senhor Sobral o quer, será um meio-campo musculado, provavelmente bom a nível táctico, quer defensiva, quer ofensivamente, mas muito pouco imaginativo. E Simão a 10, se pode dar profundidade e explosão, retira ainda mais criatividade a esse meio-campo.

"candidatar-se ao estatuto de melhor médio da Liga."

Vamos lá ver uma coisa. Por melhor médio da liga, entende-se o quê? É que o Manuel Fernandes, a nível ofensivo, fica longe de um Moutinho, de um Romagnoli, de um Lucho Gonzaléz, de um Rui Costa, etc... E não consigo aceitar que o melhor médio da Liga seja alguém sem um nível aceitável de criatividade.

Bom, dediquemo-nos agora ao segundo artigo, o mais fenomenal dos dois. Diz Sobral o seguinte:

"Já se sabe que a um avançado pede-se, antes de tudo, que marque golos."

Senhor Sobral: já se sabe?? Quem? Quem é que sabe que a um avançado se pede que marque golos? A um avançado pede-se muita coisa. Só quem não percebe nada de bola é que pede a um avançado que marque golos. Os golos são o corolário de muitas coisas. Se a um avançado se pedisse apenas que se marcassem golos, ou se fosse essa a sua principal função, seria um jogador a menos tirando os dois ou três lances de golo por jogo em que entrariam em acção. A um avançado pede-se movimentações bem feitas, jogar com os colegas, ocupar espaços, etc...

Continua Sobral:

"Mas no futebol de hoje, e sobretudo no de Paulo Bento, a defesa começa lá à frente."

A defesa começa lá à frente no futebol de hoje?? E no de antigamente, não? E sobretudo no do Paulo Bento porquê? Essa, sinceramente, não percebi. Que tem o futebol do Paulo Bento para ser sobretudo nele que a defesa começa lá à frente? Ridículo!

"Nesse aspecto, o Sporting poderá fazer alinhar os dois melhores avançados-defesas da Liga: Liedson e Derlei, trabalhadores incansáveis."

Pára tudo!! Avançados-defesa?? Não sei se o senhor leitor percebeu o que se passou aqui. Se não, eu explico. Luís Sobral acabou de inventar uma nova posição no futebol. Avançado-defesa é aquele jogador que tanto é avançado, como defesa, julgo eu. Será que tinha o Karadas em mente? É que o norueguês, antes de ser ponta-de-lança, foi defesa central. Será isso? Lendo o resto do texto, percebe-se o que o engraçado do Sobral queria dizer. Por avançado-defesa entende um avançado que defende. Magnífico! Eu julgava que qualquer avançado tinha de defender, mas isso sou eu, que tenho a mania. Mas pronto, o senhor Sobral achou por bem chamar a avançado uma coisa nova. A partir de agora, há defesas, médios e avançados-defesas. Admito que um defesa, quando vai ao ataque, passe a chamar-se defesa-avançado. E se estiver a meio do terreno, passe a ser defesa-avançado-médio. Assim sendo, admitindo que qualquer jogador, eventualmente, tem que fazer um pouco de tudo, a única conclusão que podemos tirar é que o Ricardo Carvalho é um defesa-médio-avançado e o Nuno Gomes é um avançado-médio-defesa. Mais uma vez, Sobral foi ridículo!

Mas ainda sobre esta frase, e deixando de lado a expressão infeliz de Sobral, há que atentar no seguinte: para Sobral, Liedson e Derlei farão uma dupla de avançados muito boa porque os dois são "trabalhadores incansáveis". Não sei se eles farão uma boa dupla ou não, mas se o fizerem não é certamente por andarem a correr que nem tontinhos atrás da bola. Não há nada de mais irrelevante num avançado que a disponibilidade para andar a correr feito parvo.

Diz ainda Sobral:

"Derlei chegou à Luz depois de uma paragem prolongada, precisou de fazer a pré-temporada em movimento e também não ajudou o castigo de dois jogos, logo para cartão de visita."

e ainda:

"Numa equipa formada e em igualdade de preparação com os colegas, aposto que Derlei vai ser de grande utilidade ao Sporting."

Sobral justifica o fraco rendimento de Derlei no Benfica graças ao facto de não ter feito a pré-época. Mourinho (o melhor treinador do mundo), não faz pré-época. Ou seja, não trabalha de forma diferente antes da época. Que diria ele, Mourinho (por acaso o treinador com quem Derlei atingiu o rendimento máximo), ao ouvir isto? Acredito que Derlei tenha demorado a ganhar ritmo competitivo por causa de não ter feito a pré-época, mas isso não explica que, ao longo de 6 meses, não tenha mostrado aquilo que o Sobral acha que ele vale. Aposta o Sobral que Derlei será útil ao Sporting. Talvez, mas toda a justificação que o Sobral dá para essa aposta é patética.

Resumindo, Luís Sobral escreveu dois artigos rídiculos, com os quais me atrevi a gozar. 0 para o Sobral, 1 para mim. Além disso, atrevo-me a dizer que o Sobral não percebe nada de bola. 0 para o Sobral, 2 para mim.