Qual a responsabilidade de um capitão de equipa? Decerto que não se esgota na escolha de bola ou campo. Mais do que uma extensão do treinador, deve ser um ponto aglutinador do grupo. Não vou na teoria de que são eles que têm a obrigação de puxar pela equipa no momentos difíceis, mas sim que deverá partir deles o primeiro passo para serenar os ânimos. No entanto, há jogadores que, pela sua personalidade, conseguem com a sua atitude empolgar os restantes companheiros. Jorge Costa era um exemplo claro dessa força interior. A maneira "espalhafatosa" como manifestava o seu querer, por vezes, levava-o a cometer alguns excessos, mas na hora de pesar os prós e os contras da sua maneira de ser, braçadeiras arremessadas à parte, o saldo era positivo. Portanto, não defendo que haja um modelo ideal de capitão de equipa, mas que há certos deveres e responsabilidades que não podem ser esquecidos na hora de escolher o homem para esta honra. Espírito de liderança, repito, e uma atitude exemplar perante o grupo que capitaneia.
Ora, não podemos exigir aos nossos "pares" aquilo que não podemos oferecer. No caso do central benfiquista, Luisão, este facto salta à vista. O brasileiro será, do presente plantel, o jogador que mais quezílias promoveu no seio benfiquista. Desde Karagounis, passando por Marcel, não esquecendo um acesso de fúria, totalmente despropositado, para com Rui Nereu, num jogo contra o Belenenses, e agora envolveu-se com Katso. Não digo que o grego está isento de culpas, mas a verdade é que a surpresa não veio do facto do Luisão se envolver numa situação destas, mas sim pelo facto do pacato grego ter "perdido" a cabeça. Mas a verdade é que o raspanete de Luisão, para além de injusto, foi totalmente despropositado. Mesmo que ele o tivesse dado ao principal culpado pela má definição daquele lance, Petit, nada justificava o aparato da sua chamada de atenção.
Neste lance, não só se tornou visível a inadequação de Luisão para este tipo de funções - pois se Katso não tem o direito de reagir daquela forma a um exagero de um colega, Luisão, na condição de capitão, tinha a responsabilidade de serenar os ânimos e não crescer, face à "cólera" demonstrada pelo grego - como a má gestão da direcção do Benfica. Luisão teve uma penalização mais "leve" por ser capitão? Como? Então o facto de ser capitão serve para, de alguma forma, beneficiar de imunidade? Como é que é possível que um elemento que tem mais responsabilidades dentro de um grupo tenha um tipo de tratamento mais "brando"? Um jogador, por beneficiar do estatuto de capitão de equipa, terá sempre de assumir mais responsabilidades e as respectivas consequências das mesmas perante o grupo, numa situação de indisciplina.
Não só esta atitude torna o clube da Luz mais fraco do ponto de vista desportivo, ao afastar um dos seus melhores jogadores, como a diferença injustificada que se fez sentir na maneira como lidaram com os diferentes jogadores poderá ter uma influência negativa no grupo.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Tragédia Grega... e não só.
Escrito por Gonçalo às 18:38:00 25 bolas ao poste
Etiquetas: Benfica, Katsouranis, Luisão, Petit
domingo, 9 de dezembro de 2007
As asneiras de Luís Freitas Lobo
Antes de mais, gostava de referir que poucas coisas há, sobre futebol, que valham a pena ler além dos textos de Luís Freitas Lobo. A excepção será, certamente, a crónica semanal de Jorge Valdano, todos os sábados, n'A Bola. Embora muito do que diga seja correcto e útil, Luís Freitas Lobo tem, de vez em quando, afirmações pouco convincentes. Tentei, pois, reunir aquelas que me parecem mais problemáticas.
1."Hoje, trincos ou pivots-defensivos, refinaram a forma de jogar e aumentaram a influência no jogo colectivo. São, tacticamente, os jogadores mais importantes para o equilíbrio da equipa, numa posição que é a âncora que mantêm o onze preso ao campo durante 90 minutos."
Percebo perfeitamente o argumento de Luís Freitas Lobo: um jogador que actue naquela posição central influi significativamente no desempenho defensivo e no desempenho ofensivo da equipa. Mas não concordo que seja o jogador mais importante. Aliás, afirmar que há posições mais importantes que outras é não entender o futebol como um jogo colectivo. Os processos ofensivos dividem-se em várias fases, todas elas importantes. Se a equipa atacar bem nas primeiras fases, mas não o fizer na última, de nada vale. Assim, são tão importantes, nos processos ofensivos, os jogadores que participam nas primeiras fases como os que participam nas últimas. A defender, acontece o mesmo. A equipa deve defender em bloco e todos têm o seu papel. Não há jogadores mais importantes que outros a defender, como não há jogadores mais importantes que outros a atacar. O médio-defensivo, apesar da sua posição nuclear, não tem mais importância que qualquer outro jogador.
2. "Os grandes craques são de geração expontânea ou produtos de formação? É uma questão antiga, mas em qualquer debate, sempre se falou na formação como a suprema referência de fazer grandes jogadores. Uma escola onde se adquirem as bases e os movimentos que depois vão servir de suporte a toda uma carreira futura. Parece uma opinião pacifica, mas há quem ouse desafiar estas teorias. Pensamos nas origens dos grandes jogadores de todos os tempos, de Pelé e Maradona, e vemos que nelas em vez de campos relvados e chuteiras último modelo, estão baldios de terra e pés descalços. Dirão que esses não contam, são excepções, porque são génios. Uma teoria desmoronada quando pisamos terras brasileiras e se descobrem craques até debaixo das pedras. Ou, até, noutros locais menos imagináveis. Até aos 22 anos, em vez de passar pelos escalões de formação, ele trabalhou como mecânico de automóveis, pintor e repositor de supermercado. Um belo dia, alguém lhe deu uma bola para os pés. Com ela dominada, foi desde as profundezas da Bahía até á relva de Alvalade. É esta a essência de Liedson. A leveza do bom futebol em cada jogada. Natural, simples, como cada golo que marca. Em que escola aprendeu aqueles movimentos, aquela capacidade de rematar e seduzir a baliza? Liedson seria um «case study» perito para entender os mitos e as utopias da formação e entender qual o verdadeira influência do chamado «futebol de rua» no processo de crescimento do grande jogador da actualidade. Deve ele crescer selvagem ou lapidado cientificamente? A solução estará a meio caminho destas duas vertentes. Acredito que mais do que ensinar, um treinador na formação deve antes guiar cada talento para este descobrir qual o melhor caminho de o explorar. A cada jogo, a cada golo que marca, olhando para o futebol de Liedson percebe-se que, afinal, os grandes craques não se fabricam nem se procuram, simplesmente... encontram-se!"
Não adianta referir, uma vez mais, a qualidade duvidosa de Liedson. Finjamos que o texto não é sobre o 31 do Sporting, mas apenas sobre a questão da formação. Há, em primeiro lugar, falsidades que não podem passar em claro. Maradona e Pelé têm, de facto, origens humildes. Mas afirmar que não tiveram formação é absolutamente ridículo. Alguém acredita que, se Maradona não tivesse saído do Argentino Juniors para o Boca e do Boca para o Barça, se teria tornado no melhor de todos os tempos? Alguém acredita que, se Maradona só começasse a jogar futebol federado aos 22 anos, teria feito a mesma carreira incomparável? Por pior que tenha sido a sua formação, ela existiu. Ter contacto com a competição também é formação. Nenhum grande jogador começa a jogar à bola aos 22 ou 23 anos. Em países pobres como o Brasil, no qual todos os miúdos jogam à bola na rua e para os quais a bola é o único brinquedo, é natural que surjam muitos talentos. Estes talentos são essencialmente intuitivos: amadurecem através da intuição individual, da percepção de cada um e das necessidades que o futebol de rua impõe. Sem passarem do futebol de rua para um clube federado, essa intuição nunca passa disso mesmo. Assim, um jogador que cresça selvagem, que não tenha a experiência de jogar em campeonatos competitivos, que não tenha a experiência do "futebol a sério", nunca passa de um jogador instintivo. E o instinto também é ensinado. Os jogadores que não passam por formação têm lacunas tácticas enormes, pois não foram domesticados para as deixarem de ter. São jogadores que só podem emprestar o seu instinto. Isso, no futebol moderno, é muito pouco. Acredito, apesar de tudo, que muitos jogadores que passam por todos os escalões de formação nunca chegam a ser grandes jogadores. Mas isso porque lhes falta o talento. Aquilo em que não acredito é que haja jogadores que, sem passarem por formação, apesar de muito talentosos, acabem por ser grandes. Isto acontece também em arte. Nenhum artista, por mais talentoso que seja, sem o contacto com outros artistas, sem o contacto com a História da Arte, sem o contacto com quem o pode ensinar, consegue tornar-se um grande artista. Assim, ao contrário do que pensa Luís Freitas Lobo, a solução não está a meio caminho destas duas vertentes: nenhum jogador que não seja ensinado, cujo talento não seja lapidado, dará um grande jogador. Ao contrário do que também pensa Luís Freitas Lobo, os grandes craques não se encontram, simplesmente. Fabricam-se! Ainda que o talento já lá esteja, têm de passar por um processo de amadurecimento que, individualmente, sem o contacto com a formação, jamais obtêm.
3. "Terminam os jogos da Champions e surge uma série de dados estatísticos. Remates, cantos, posse de bola… e, nos últimos tempos, um novo dado: os quilómetros que durante os noventa minutos cada jogador correu! É difícil encontrar dado estatístico mais absurdo e inócuo do que este. Em vez de quanto correu o jogador o que devia surgir era quantos quilómetros correu a bola impulsionada por acção desse jogador." "Mais do que colocar um conta-quilómetros num jogador, devia-se colocá-lo na bola e, no fim, ver qual das equipas a fez correr mais. Um dado para perceber o que é jogar bem."
Concordo com o primeiro período: de facto, nada mais improfícuo que contar os quilómetros que cada jogador correu. Correr muito não significa correr bem e, muito menos, jogar bem. Mas não concordo com a alternativa que Luís Freitas Lobo propõe. Contar os quilómetros que a bola percorre? Para quê? Uma equipa que opte por um futebol directo faz correr a bola, de cada vez, dez vezes mais do que uma equipa que opte por um futebol curto. E isso significa que a primeira joga melhor que a segunda? Claro que não. É que isso nem sequer ajuda a perceber a quantidade de bola que a equipa teve. Numa equipa como a primeira, a bola percorre dez vezes mais espaço, mas pode perder-se logo de seguida. Numa equipa como a segunda, se não se fizerem dez passes (o que já seria bom), perder-se-ia estatisticamente para a primeira. O que significa isto, então? Rigorosamente nada. Contar os quilómetros que a bola percorre é tão absurdo como contar os quilómetros que os jogadores correm.
4. "Para Luisão, cada jogo, cada jogada, parece que se tornou um teste. Esta semana desabafou. Sente-se quase o «patinho feio» da equipa. Disse não compreender porque não gostavam dele. Compreende-se o desabafo. Por princípio, os adeptos gostam mais de cisnes. Luisão nunca o será. Mas, na fábula, como na vida, os «patinhos feios» sempre foram mais inteligentes que os «cisnes». Num campo de futebol, também."
Luisão não compreende por que não gostam dele? Se for, preciso, eu explico. Luís Freitas Lobo acha que Luisão, enquanto "patinho feio", é mais inteligente que os outros. Han??? As palavras "Luisão" e "inteligente", na mesma frase, fazem-me alguma confusão. Luisão é inteligente? Como assim? Inteligente como que tem... hmmm... digamos... inteligência? E neste planeta? Só pode ser uma piada. Luisão é, a todos os níveis, horrível. Não é rápido; não é agil; é mau, muito mau, a nível posicional; não é inteligente a dobrar os companheiros; não sabe sair a jogar; apesar da sua altura, não é imponente no futebol aéreo como se desejaria. Luisão não tem nenhum atributo que faça dele um grande jogador. Continua a ser incrivelmente absurdo que algum dia alguém se tenha lembrado de o levar à selecção brasileira. Não, Luisão não é um cisne. Mas também não é um patinho feio. Luisão não é nada...
5. "Para essas quatro posições, tem cinco com saber táctico: (Veloso - Vukcevic - Izmailov - Moutinho - Romagnoli). Poucos, para um sistema física e tacticamente tão exigente. Quando mexe nas peças, a máquina ressente-se de imediato."
Falando do Sporting e do esquema em losango, Luís Freitas Lobo sugere que Paulo Bento tem poucas alternativas para o meio-campo. Segundo ele, só estes cinco têm "saber táctico" para jogar ali. Às vezes, sinceramente, acho que Luís Freitas Lobo tem problemas de memória, ou algo parecido. Vou dar mais dois nomes, assim à parva: Pereirinha e Farnerud. Se fala em "saber táctico", é porque não está a pôr em causa o valor dos restantes jogadores do plantel, mas apenas a dizer que, bons ou maus, não sabem cumprir tacticamente. Ora, pode-se achar o que se quiser de Pereirinha ou de Farnerud, menos achar que, tacticamente, não têm saber. Farnerud é, posicionalmente, óptimo. Podem apontar-lhe todos os defeitos que quiserem, mas tacticamente é irrepreensível. Pereirinha, então, é um caso gritante. Para a idade que tem, é demasiado adulto. Compreende perfeitamente as necessidades da equipa e, tacticamente, da sua idade, não há ninguém que lhe chegue aos calcanhares. É absolutamente injusto falar disto e esquecê-lo. Luís Freitas Lobo, como muita gente que tem dado palpites sobre o que vai mal no Sporting, também errou. Acha ele que, para o esquema do Sporting, o plantel oferece poucas soluções que possam cumprir tacticamente. Como maior parte dos que dão palpites, Luís Freitas Lobo acertou ao lado.
1."Hoje, trincos ou pivots-defensivos, refinaram a forma de jogar e aumentaram a influência no jogo colectivo. São, tacticamente, os jogadores mais importantes para o equilíbrio da equipa, numa posição que é a âncora que mantêm o onze preso ao campo durante 90 minutos."
Percebo perfeitamente o argumento de Luís Freitas Lobo: um jogador que actue naquela posição central influi significativamente no desempenho defensivo e no desempenho ofensivo da equipa. Mas não concordo que seja o jogador mais importante. Aliás, afirmar que há posições mais importantes que outras é não entender o futebol como um jogo colectivo. Os processos ofensivos dividem-se em várias fases, todas elas importantes. Se a equipa atacar bem nas primeiras fases, mas não o fizer na última, de nada vale. Assim, são tão importantes, nos processos ofensivos, os jogadores que participam nas primeiras fases como os que participam nas últimas. A defender, acontece o mesmo. A equipa deve defender em bloco e todos têm o seu papel. Não há jogadores mais importantes que outros a defender, como não há jogadores mais importantes que outros a atacar. O médio-defensivo, apesar da sua posição nuclear, não tem mais importância que qualquer outro jogador.
2. "Os grandes craques são de geração expontânea ou produtos de formação? É uma questão antiga, mas em qualquer debate, sempre se falou na formação como a suprema referência de fazer grandes jogadores. Uma escola onde se adquirem as bases e os movimentos que depois vão servir de suporte a toda uma carreira futura. Parece uma opinião pacifica, mas há quem ouse desafiar estas teorias. Pensamos nas origens dos grandes jogadores de todos os tempos, de Pelé e Maradona, e vemos que nelas em vez de campos relvados e chuteiras último modelo, estão baldios de terra e pés descalços. Dirão que esses não contam, são excepções, porque são génios. Uma teoria desmoronada quando pisamos terras brasileiras e se descobrem craques até debaixo das pedras. Ou, até, noutros locais menos imagináveis. Até aos 22 anos, em vez de passar pelos escalões de formação, ele trabalhou como mecânico de automóveis, pintor e repositor de supermercado. Um belo dia, alguém lhe deu uma bola para os pés. Com ela dominada, foi desde as profundezas da Bahía até á relva de Alvalade. É esta a essência de Liedson. A leveza do bom futebol em cada jogada. Natural, simples, como cada golo que marca. Em que escola aprendeu aqueles movimentos, aquela capacidade de rematar e seduzir a baliza? Liedson seria um «case study» perito para entender os mitos e as utopias da formação e entender qual o verdadeira influência do chamado «futebol de rua» no processo de crescimento do grande jogador da actualidade. Deve ele crescer selvagem ou lapidado cientificamente? A solução estará a meio caminho destas duas vertentes. Acredito que mais do que ensinar, um treinador na formação deve antes guiar cada talento para este descobrir qual o melhor caminho de o explorar. A cada jogo, a cada golo que marca, olhando para o futebol de Liedson percebe-se que, afinal, os grandes craques não se fabricam nem se procuram, simplesmente... encontram-se!"
Não adianta referir, uma vez mais, a qualidade duvidosa de Liedson. Finjamos que o texto não é sobre o 31 do Sporting, mas apenas sobre a questão da formação. Há, em primeiro lugar, falsidades que não podem passar em claro. Maradona e Pelé têm, de facto, origens humildes. Mas afirmar que não tiveram formação é absolutamente ridículo. Alguém acredita que, se Maradona não tivesse saído do Argentino Juniors para o Boca e do Boca para o Barça, se teria tornado no melhor de todos os tempos? Alguém acredita que, se Maradona só começasse a jogar futebol federado aos 22 anos, teria feito a mesma carreira incomparável? Por pior que tenha sido a sua formação, ela existiu. Ter contacto com a competição também é formação. Nenhum grande jogador começa a jogar à bola aos 22 ou 23 anos. Em países pobres como o Brasil, no qual todos os miúdos jogam à bola na rua e para os quais a bola é o único brinquedo, é natural que surjam muitos talentos. Estes talentos são essencialmente intuitivos: amadurecem através da intuição individual, da percepção de cada um e das necessidades que o futebol de rua impõe. Sem passarem do futebol de rua para um clube federado, essa intuição nunca passa disso mesmo. Assim, um jogador que cresça selvagem, que não tenha a experiência de jogar em campeonatos competitivos, que não tenha a experiência do "futebol a sério", nunca passa de um jogador instintivo. E o instinto também é ensinado. Os jogadores que não passam por formação têm lacunas tácticas enormes, pois não foram domesticados para as deixarem de ter. São jogadores que só podem emprestar o seu instinto. Isso, no futebol moderno, é muito pouco. Acredito, apesar de tudo, que muitos jogadores que passam por todos os escalões de formação nunca chegam a ser grandes jogadores. Mas isso porque lhes falta o talento. Aquilo em que não acredito é que haja jogadores que, sem passarem por formação, apesar de muito talentosos, acabem por ser grandes. Isto acontece também em arte. Nenhum artista, por mais talentoso que seja, sem o contacto com outros artistas, sem o contacto com a História da Arte, sem o contacto com quem o pode ensinar, consegue tornar-se um grande artista. Assim, ao contrário do que pensa Luís Freitas Lobo, a solução não está a meio caminho destas duas vertentes: nenhum jogador que não seja ensinado, cujo talento não seja lapidado, dará um grande jogador. Ao contrário do que também pensa Luís Freitas Lobo, os grandes craques não se encontram, simplesmente. Fabricam-se! Ainda que o talento já lá esteja, têm de passar por um processo de amadurecimento que, individualmente, sem o contacto com a formação, jamais obtêm.
3. "Terminam os jogos da Champions e surge uma série de dados estatísticos. Remates, cantos, posse de bola… e, nos últimos tempos, um novo dado: os quilómetros que durante os noventa minutos cada jogador correu! É difícil encontrar dado estatístico mais absurdo e inócuo do que este. Em vez de quanto correu o jogador o que devia surgir era quantos quilómetros correu a bola impulsionada por acção desse jogador." "Mais do que colocar um conta-quilómetros num jogador, devia-se colocá-lo na bola e, no fim, ver qual das equipas a fez correr mais. Um dado para perceber o que é jogar bem."
Concordo com o primeiro período: de facto, nada mais improfícuo que contar os quilómetros que cada jogador correu. Correr muito não significa correr bem e, muito menos, jogar bem. Mas não concordo com a alternativa que Luís Freitas Lobo propõe. Contar os quilómetros que a bola percorre? Para quê? Uma equipa que opte por um futebol directo faz correr a bola, de cada vez, dez vezes mais do que uma equipa que opte por um futebol curto. E isso significa que a primeira joga melhor que a segunda? Claro que não. É que isso nem sequer ajuda a perceber a quantidade de bola que a equipa teve. Numa equipa como a primeira, a bola percorre dez vezes mais espaço, mas pode perder-se logo de seguida. Numa equipa como a segunda, se não se fizerem dez passes (o que já seria bom), perder-se-ia estatisticamente para a primeira. O que significa isto, então? Rigorosamente nada. Contar os quilómetros que a bola percorre é tão absurdo como contar os quilómetros que os jogadores correm.
4. "Para Luisão, cada jogo, cada jogada, parece que se tornou um teste. Esta semana desabafou. Sente-se quase o «patinho feio» da equipa. Disse não compreender porque não gostavam dele. Compreende-se o desabafo. Por princípio, os adeptos gostam mais de cisnes. Luisão nunca o será. Mas, na fábula, como na vida, os «patinhos feios» sempre foram mais inteligentes que os «cisnes». Num campo de futebol, também."
Luisão não compreende por que não gostam dele? Se for, preciso, eu explico. Luís Freitas Lobo acha que Luisão, enquanto "patinho feio", é mais inteligente que os outros. Han??? As palavras "Luisão" e "inteligente", na mesma frase, fazem-me alguma confusão. Luisão é inteligente? Como assim? Inteligente como que tem... hmmm... digamos... inteligência? E neste planeta? Só pode ser uma piada. Luisão é, a todos os níveis, horrível. Não é rápido; não é agil; é mau, muito mau, a nível posicional; não é inteligente a dobrar os companheiros; não sabe sair a jogar; apesar da sua altura, não é imponente no futebol aéreo como se desejaria. Luisão não tem nenhum atributo que faça dele um grande jogador. Continua a ser incrivelmente absurdo que algum dia alguém se tenha lembrado de o levar à selecção brasileira. Não, Luisão não é um cisne. Mas também não é um patinho feio. Luisão não é nada...
5. "Para essas quatro posições, tem cinco com saber táctico: (Veloso - Vukcevic - Izmailov - Moutinho - Romagnoli). Poucos, para um sistema física e tacticamente tão exigente. Quando mexe nas peças, a máquina ressente-se de imediato."
Falando do Sporting e do esquema em losango, Luís Freitas Lobo sugere que Paulo Bento tem poucas alternativas para o meio-campo. Segundo ele, só estes cinco têm "saber táctico" para jogar ali. Às vezes, sinceramente, acho que Luís Freitas Lobo tem problemas de memória, ou algo parecido. Vou dar mais dois nomes, assim à parva: Pereirinha e Farnerud. Se fala em "saber táctico", é porque não está a pôr em causa o valor dos restantes jogadores do plantel, mas apenas a dizer que, bons ou maus, não sabem cumprir tacticamente. Ora, pode-se achar o que se quiser de Pereirinha ou de Farnerud, menos achar que, tacticamente, não têm saber. Farnerud é, posicionalmente, óptimo. Podem apontar-lhe todos os defeitos que quiserem, mas tacticamente é irrepreensível. Pereirinha, então, é um caso gritante. Para a idade que tem, é demasiado adulto. Compreende perfeitamente as necessidades da equipa e, tacticamente, da sua idade, não há ninguém que lhe chegue aos calcanhares. É absolutamente injusto falar disto e esquecê-lo. Luís Freitas Lobo, como muita gente que tem dado palpites sobre o que vai mal no Sporting, também errou. Acha ele que, para o esquema do Sporting, o plantel oferece poucas soluções que possam cumprir tacticamente. Como maior parte dos que dão palpites, Luís Freitas Lobo acertou ao lado.
Escrito por Nuno às 20:13:00 159 bolas ao poste
Etiquetas: Luís Freitas Lobo, Luisão, Mau Jornalismo, Médios-Defensivos, Raciocínios Tácticos, Sporting
domingo, 7 de outubro de 2007
União de Leiria 1-2 Benfica: Impressões imediatas
1. O Benfica continua sem jogar nada. Futebol é mentira... Camacho irrita-se até se lhe disserem que está despenteado. Sou da opinião de que devia estar mais preocupado com o pouco futebol da equipa do que com jornalistas. Insiste nos dois médios-defensivos e agora adapta jogadores como se não houvesse amanhã... Nuno Assis continua a não ser opção; Gilles Binya, sim. É com força, com agressividade, com músculo que Camacho quer ganhar jogos?
2. Luisão cometeu um dos penaltys mais estúpidos de que me lembro. A sério, aquele lance demonstra tudo o que ele é: pouco ágil, lento, e com menos neurónios a funcionar que um doente em coma. Valeu-lhe a vista grossa do árbitro. A bola vai para a linha de fundo; a equipa do Leiria está recuada. João Paulo, que não é rápido, ganha a posição e chegaria, certamente, primeiro à bola do que o central brasileiro. Mas, além da recuperação de bola, os leirienses não tirariam outro proveito do lance. Luisão, talvez indignado por lhe terem postos as debilidades a nu, resolveu disputar o lance com ferocidade. Esqueceu-se que, entretanto, passava pela grande área. Resumindo: para ganhar uma bola inútil, arriscou disputar um lance na área e fez penalty. Ninguém tem o número do Dunga? Gostava de saber se, pagando mais do que o Luisão, ele também me convoca para a selecção.
3. Binya é mau. "Quem?" - pergunta o leitor distraído. Bynia, o novo médio-centro camaronês do Benfica. Há quem diga que também é jogador de futebol, mas aguardo confirmação. Corre que se farta, é certo. Também bate nos outros, o que é capaz de intimidar. E aquele cabelo é sempre significado de um talento à solta. Só é pena é pensar menos que o Luisão. Aliás, imagino que no balneário estes dois se engatem várias vezes à porrada e digam coisas como: "Esse neurónio é meu, pá!" Agora a sério, o rapaz tem vontade. Mas com vontade há muita gente. Eu sei que sou um bocado esquisito, mas numa equipa de futebol gosto que haja jogadores de futebol. Tem uma virtude: consegue fazer lançamentos de lateral muito longos. É pena é que o futebol se jogue com os pés e se pense com a cabeça. Se por algum azar, contudo, o futebol passar a ser um jogo em que ganha aquele que atirar mais longe a bola com os braços, hei-de lembrar-me deste tipo.
4. Rui Costa começa a abrandar de ritmo. Depois de ter começado a época em grande, parece mais desgastado e está menos em jogo. A sua posição no terreno terá muito a ver com isto. Mas terá ainda mais a ver, com certeza, com a qualidade dos colegas de sector. Deve custar muito a alguém como ele ter de jogar com alguém como o Binya quando está o Nuno Assis no banco. Imagino até que, durante muitas vezes, Rui Costa tem vontade de fazer um passe a rasgar para o banco de suplentes.
5. Podem dizer: "O Porto também não está a jogar nada." Sim, podem. Sou o primeiro a dizê-lo, até. Mas uma coisa é certa: sem um futebol agradável, sem jogar em apoios, ainda que efectuando transições demasiado rápidas, ainda que com processos pouco elaborados, a equipa está devidamente organizada. E a organização táctica é meio caminho para a equipa produzir bom futebol. E, nisso, o Porto está a quilómetros do Benfica...
2. Luisão cometeu um dos penaltys mais estúpidos de que me lembro. A sério, aquele lance demonstra tudo o que ele é: pouco ágil, lento, e com menos neurónios a funcionar que um doente em coma. Valeu-lhe a vista grossa do árbitro. A bola vai para a linha de fundo; a equipa do Leiria está recuada. João Paulo, que não é rápido, ganha a posição e chegaria, certamente, primeiro à bola do que o central brasileiro. Mas, além da recuperação de bola, os leirienses não tirariam outro proveito do lance. Luisão, talvez indignado por lhe terem postos as debilidades a nu, resolveu disputar o lance com ferocidade. Esqueceu-se que, entretanto, passava pela grande área. Resumindo: para ganhar uma bola inútil, arriscou disputar um lance na área e fez penalty. Ninguém tem o número do Dunga? Gostava de saber se, pagando mais do que o Luisão, ele também me convoca para a selecção.
3. Binya é mau. "Quem?" - pergunta o leitor distraído. Bynia, o novo médio-centro camaronês do Benfica. Há quem diga que também é jogador de futebol, mas aguardo confirmação. Corre que se farta, é certo. Também bate nos outros, o que é capaz de intimidar. E aquele cabelo é sempre significado de um talento à solta. Só é pena é pensar menos que o Luisão. Aliás, imagino que no balneário estes dois se engatem várias vezes à porrada e digam coisas como: "Esse neurónio é meu, pá!" Agora a sério, o rapaz tem vontade. Mas com vontade há muita gente. Eu sei que sou um bocado esquisito, mas numa equipa de futebol gosto que haja jogadores de futebol. Tem uma virtude: consegue fazer lançamentos de lateral muito longos. É pena é que o futebol se jogue com os pés e se pense com a cabeça. Se por algum azar, contudo, o futebol passar a ser um jogo em que ganha aquele que atirar mais longe a bola com os braços, hei-de lembrar-me deste tipo.
4. Rui Costa começa a abrandar de ritmo. Depois de ter começado a época em grande, parece mais desgastado e está menos em jogo. A sua posição no terreno terá muito a ver com isto. Mas terá ainda mais a ver, com certeza, com a qualidade dos colegas de sector. Deve custar muito a alguém como ele ter de jogar com alguém como o Binya quando está o Nuno Assis no banco. Imagino até que, durante muitas vezes, Rui Costa tem vontade de fazer um passe a rasgar para o banco de suplentes.
5. Podem dizer: "O Porto também não está a jogar nada." Sim, podem. Sou o primeiro a dizê-lo, até. Mas uma coisa é certa: sem um futebol agradável, sem jogar em apoios, ainda que efectuando transições demasiado rápidas, ainda que com processos pouco elaborados, a equipa está devidamente organizada. E a organização táctica é meio caminho para a equipa produzir bom futebol. E, nisso, o Porto está a quilómetros do Benfica...
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