Há fármacos - disseram-me há tempos - que atenuam certas doenças mentais. Dedicar-se, por isso, à droga, era capaz de ser uma boa ideia para muito bom jornalista. É o caso de Nuno Madureira, autor deste brilhante artigo de opinião, no MaisFutebol. O jornal já nos habituou à demência dos seus opinadores, mas nunca é demais referir certos casos. Este vale francamente a pena, até porque assenta numa opinião amplamente difundida por mais de metade dos malucos que têm opiniões sobre futebol.
O que Nuno Madureira tenta fazer é explicar de forma simples o problema que se abateu sobre o Sporting. Acontece que só procura explicar coisas complexas de forma simples quem não tem muito juízo. Assim, a manifestação das perturbações mentais de Nuno Madureira começa logo com a sua primeira frase:
"Há muitas maneiras de enumerar os problemas do Sporting. Uma das mais básicas e directas resume-se a uma frase: afinal, Liedson é humano."
A falta de siso começa logo com um problema no discurso. Nuno Madureira diz que há várias formas de enumerar problemas e propõe-se a enumerá-los numa frase, mas depois não enumera nada e resume uma enumeração de várias coisas a apenas uma coisa. O resto deve ter-se, certamente, perdido pelo caminho. Mas antes de ler o resto do artigo, adivinhamos logo que o problema mental do senhor tem por origem uma desilusão relacionada com a natureza de Liedson. Ao que parece, a precipitação do estado de demência ter-se-á ficado a dever à descoberta de que o enormíssimo jogador brasileiro era, afinal, apenas um humano. Convém dizer que nem toda a gente está mentalmente preparada para descobertas deste tipo. Mas eis que prossegue a demonstração de loucura:
"Quantas vezes, nas últimas épocas, a uma exibição mediana - ou medíocre, ou mesmo má - do Sporting, se seguiu a entrada em cena do 31, aparecendo do nada, para resolver o jogo e atenuar as diferenças para a concorrência?"
Posso estar enganado, mas não me lembro de uma única ocasião em que Liedson tenha aparecido "do nada", a fintar os onze adversários e a fazer golos. Mas como não tinha por hábito assistir aos treinos dos leões, posso estar a fazer juízos precipitados. Continuemos:
"De tanto habituar os seus adeptos - e os dos adversários - a um rendimento superlativo, semana após semana, o «levezinho» construiu nos últimos anos, por mérito próprio, uma imagem de super-herói."
Superlativa é a pancada deste senhor; super-heróis foram os pais dele, que tiveram que lhe aturar a estupidez. Adiante:
"Agora, que a sua inacreditável regularidade conhece uma quebra consistente e prolongada - dois golos em nove jornadas, o último há mais de mês e meio - tudo o que andava disfarçado, ou atenuado, parece mais evidente."
Agora?? Mas é a primeira vez que o rapaz fica muito tempo sem marcar?? E quantos jogos resolveu o Sporting nesse mês e meio, sem Liedson? Comecemos pelo fim: foi Saleiro quem marcou frente ao Venstpils, dando o empate; foi Matías Fernandez quem marcou frente ao Guimarães e frente ao Marítimo, o que valeu, das duas vezes, um empate; foram João Moutinho e Miguel Veloso quem marcaram na vitória ante o Ventspils; foram João Moutinho, Daniel Carriço e Vukcevic quem marcaram na vitória frente ao Olhanense; foi Adrien Silva quem marcou na vitória ante o Hertha de Berlim. O problema é mental, mas também é de memória. E de matemática, já agora. O que "andava disfarçado, ou atenuado" e que agora é evidente é que doentes mentais não têm competência para serem jornalistas. Continua Nuno Madureira, dizendo:
"A equipa tem poucas soluções tácticas alternativas? Sim, como sempre teve."
O senhor Nuno Madureira tem poucas ideias que não sejam idiotas? Sim, como sempre teve.
"Falta qualidade individual em quase todos os sectores? Sim, de há muito tempo para cá."
Falta qualidade individual a cada uma das sinapses deste senhor? Sim, é provável que falte.
"Paulo Bento repete receitas e discursos, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez também nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas."
Nuno Madureira repete sentenças populares e discursos de massas idiotas, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas e conseguiu completar um curso superior. Mas eis o que diz no último parágrafo:
"A maior diferença - não a única, claro - é que noutras épocas o Sporting tinha um fenómeno a ponta-de-lança."
Um fenómeno? Mas um fenómeno natural? Era o El Niño? Ia jurar que esse jogava no Liverpool. E será permitido por lei fazer alinhar, no onze inicial, furacões, anti-ciclones, tsunamis e fenómenos dessa natureza?
"Nesta altura, tem apenas um excelente avançado, a lutar para recuperar os superpoderes."
Agora sim, percebo o que o senhor quer dizer. Na cabeça de Nuno Madureira, Liedson é o Super-Homem e o problema do Sporting é que ninguém consegue descobrir onde é que o Lex Luthor pôs a Kriptonyte. Será isso? E Nuno Madureira conclui a sua análise ao problema do Sporting do seguinte modo:
"Afinal, Liedson é humano. E o Sporting não estava preparado para lidar com isso."
Como se depreende, para Nuno Madureira, a humanidade de Liedson estragou os planos ao Sporting. A equipa estava preparada para jogar com dez seres humanos e uma entidade divina, mas a partir de agora vai ter de passar a jogar só com onze seres humanos. E isso, de facto, é um problema, visto que mais nenhuma equipa no campeonato português joga só com onze seres humanos. Aliás, vai ser muito difícil ao Sporting continuar a ser competitivo num desporto como o futebol, em que poucas são as equipas que não têm três ou quatro alienígenas, dois ou três veículos de guerra e um alguidar.
Resumindo, todo o maluco que se preze pensa que é Napoleão. Nuno Madureira é um maluco mais sofisticado. Está convencido de que Liedson é Napoleão. Isto se não estiver convencido de que é Napoleão quem é Liedson. Repito as primeiras palavras do texto: "há fármacos que atenuam certas doenças mentais." É capaz de ser altura, até porque vem aí o Natal, de oferecer ao senhor Nuno Madureira um colete de forças e umas férias pagas no Miguel Bombarda. Ou isso ou autógrafo de Deus... perdão, de Liedson.
P.S. Um bom fármaco contra este tipo de maluquice em particular e que ajuda a compreender os verdadeiros problemas do Sporting é o texto que escrevi a 31 de Julho de 2009 e que pode ser encontrado aqui. Aconselha-se a sua ingestão, duas vezes ao dia, durante três meses e vinte e sete dias...
O que Nuno Madureira tenta fazer é explicar de forma simples o problema que se abateu sobre o Sporting. Acontece que só procura explicar coisas complexas de forma simples quem não tem muito juízo. Assim, a manifestação das perturbações mentais de Nuno Madureira começa logo com a sua primeira frase:
"Há muitas maneiras de enumerar os problemas do Sporting. Uma das mais básicas e directas resume-se a uma frase: afinal, Liedson é humano."
A falta de siso começa logo com um problema no discurso. Nuno Madureira diz que há várias formas de enumerar problemas e propõe-se a enumerá-los numa frase, mas depois não enumera nada e resume uma enumeração de várias coisas a apenas uma coisa. O resto deve ter-se, certamente, perdido pelo caminho. Mas antes de ler o resto do artigo, adivinhamos logo que o problema mental do senhor tem por origem uma desilusão relacionada com a natureza de Liedson. Ao que parece, a precipitação do estado de demência ter-se-á ficado a dever à descoberta de que o enormíssimo jogador brasileiro era, afinal, apenas um humano. Convém dizer que nem toda a gente está mentalmente preparada para descobertas deste tipo. Mas eis que prossegue a demonstração de loucura:
"Quantas vezes, nas últimas épocas, a uma exibição mediana - ou medíocre, ou mesmo má - do Sporting, se seguiu a entrada em cena do 31, aparecendo do nada, para resolver o jogo e atenuar as diferenças para a concorrência?"
Posso estar enganado, mas não me lembro de uma única ocasião em que Liedson tenha aparecido "do nada", a fintar os onze adversários e a fazer golos. Mas como não tinha por hábito assistir aos treinos dos leões, posso estar a fazer juízos precipitados. Continuemos:
"De tanto habituar os seus adeptos - e os dos adversários - a um rendimento superlativo, semana após semana, o «levezinho» construiu nos últimos anos, por mérito próprio, uma imagem de super-herói."
Superlativa é a pancada deste senhor; super-heróis foram os pais dele, que tiveram que lhe aturar a estupidez. Adiante:
"Agora, que a sua inacreditável regularidade conhece uma quebra consistente e prolongada - dois golos em nove jornadas, o último há mais de mês e meio - tudo o que andava disfarçado, ou atenuado, parece mais evidente."
Agora?? Mas é a primeira vez que o rapaz fica muito tempo sem marcar?? E quantos jogos resolveu o Sporting nesse mês e meio, sem Liedson? Comecemos pelo fim: foi Saleiro quem marcou frente ao Venstpils, dando o empate; foi Matías Fernandez quem marcou frente ao Guimarães e frente ao Marítimo, o que valeu, das duas vezes, um empate; foram João Moutinho e Miguel Veloso quem marcaram na vitória ante o Ventspils; foram João Moutinho, Daniel Carriço e Vukcevic quem marcaram na vitória frente ao Olhanense; foi Adrien Silva quem marcou na vitória ante o Hertha de Berlim. O problema é mental, mas também é de memória. E de matemática, já agora. O que "andava disfarçado, ou atenuado" e que agora é evidente é que doentes mentais não têm competência para serem jornalistas. Continua Nuno Madureira, dizendo:
"A equipa tem poucas soluções tácticas alternativas? Sim, como sempre teve."
O senhor Nuno Madureira tem poucas ideias que não sejam idiotas? Sim, como sempre teve.
"Falta qualidade individual em quase todos os sectores? Sim, de há muito tempo para cá."
Falta qualidade individual a cada uma das sinapses deste senhor? Sim, é provável que falte.
"Paulo Bento repete receitas e discursos, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez também nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas."
Nuno Madureira repete sentenças populares e discursos de massas idiotas, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas e conseguiu completar um curso superior. Mas eis o que diz no último parágrafo:
"A maior diferença - não a única, claro - é que noutras épocas o Sporting tinha um fenómeno a ponta-de-lança."
Um fenómeno? Mas um fenómeno natural? Era o El Niño? Ia jurar que esse jogava no Liverpool. E será permitido por lei fazer alinhar, no onze inicial, furacões, anti-ciclones, tsunamis e fenómenos dessa natureza?
"Nesta altura, tem apenas um excelente avançado, a lutar para recuperar os superpoderes."
Agora sim, percebo o que o senhor quer dizer. Na cabeça de Nuno Madureira, Liedson é o Super-Homem e o problema do Sporting é que ninguém consegue descobrir onde é que o Lex Luthor pôs a Kriptonyte. Será isso? E Nuno Madureira conclui a sua análise ao problema do Sporting do seguinte modo:
"Afinal, Liedson é humano. E o Sporting não estava preparado para lidar com isso."
Como se depreende, para Nuno Madureira, a humanidade de Liedson estragou os planos ao Sporting. A equipa estava preparada para jogar com dez seres humanos e uma entidade divina, mas a partir de agora vai ter de passar a jogar só com onze seres humanos. E isso, de facto, é um problema, visto que mais nenhuma equipa no campeonato português joga só com onze seres humanos. Aliás, vai ser muito difícil ao Sporting continuar a ser competitivo num desporto como o futebol, em que poucas são as equipas que não têm três ou quatro alienígenas, dois ou três veículos de guerra e um alguidar.
Resumindo, todo o maluco que se preze pensa que é Napoleão. Nuno Madureira é um maluco mais sofisticado. Está convencido de que Liedson é Napoleão. Isto se não estiver convencido de que é Napoleão quem é Liedson. Repito as primeiras palavras do texto: "há fármacos que atenuam certas doenças mentais." É capaz de ser altura, até porque vem aí o Natal, de oferecer ao senhor Nuno Madureira um colete de forças e umas férias pagas no Miguel Bombarda. Ou isso ou autógrafo de Deus... perdão, de Liedson.
P.S. Um bom fármaco contra este tipo de maluquice em particular e que ajuda a compreender os verdadeiros problemas do Sporting é o texto que escrevi a 31 de Julho de 2009 e que pode ser encontrado aqui. Aconselha-se a sua ingestão, duas vezes ao dia, durante três meses e vinte e sete dias...