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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Réu inocente

Acreditem em mim: isto não é perseguição. O facto de o jogo em que ocorreu o lance de que vou falar me ter chegado comentado pelo Luis Sobral é apenas coincidência.

Ontem, o Benfica começou a construir a gorda vitória com um golo de Cardozo, depois de o pontapé de baliza batido por Diego Benaglio ter embatido no peito do paraguaio, o que o deixou isolado. Luis Sobral, o comentador de serviço, não hesitou: a culpa é do guarda-redes, que bateu mal o pontapé de baliza. Não tenho a certeza, mas creio que Luis Sobral jogou à bola, o que ainda me deixa mais perplexo. Que o comum mortal não saiba que o erro não é do guarda-redes, tudo bem. Mas alguém que praticou futebol tem de sabê-lo obrigatoriamente. Acredito que ninguém questionou a observação de Luis Sobral e que concordam que a responsabilidade do lance é de Diego Benaglio. Como tal, isto não é um ataque à pessoa que o disse, mas a um conjunto de pessoas que pensam desta maneira. Quem joga futebol deve conhecer algumas regras básicas: o homem que faz o lançamento lateral não deve levantar os calcanhares quando lança; no pontapé de baliza não há foras-de-jogo; etc. E há uma regrazinha simples que se ensina aos centrais: quando o nosso guarda-redes se apronta para bater o pontapé de baliza, os centrais devem estar imediatamente à frente dos avançados adversários, de modo a prevenir um eventual mau pontapé do guarda-redes. Perante isto, é-me fácil dizer que, embora o guarda-redes suíço não tenha batido bem o pontapé de baliza, a culpa do golo é principalmente de Ávalos, que se esqueceu que isso poderia acontecer e deixou Cardozo sozinho. Ainda que isto não se ensinasse, facilmente se percebe que um erro técnico, como um pontapé mal batido, um passe falhado, um tempo de salto mal calculado, nunca podem ser mais penalizados que as distracções. Tecnicamente, todos podem falhar. A nível de concentração é que não. É verdade que Benaglio falhou a nível técnico, como Quim, na época passada frente ao Braga, falhou ao colocar a bola ao dispor de Zé Carlos. Mas como ao guarda-redes do Benfica, ao do Nacional é permitido falhar do ponto de vista técnico. O que não é permitido é que o Petit e o Luisão estejam a dormir, como não é permitido que o Ávalos esteja a pensar em empadas e bacalhau à Gomes de Sá.

Corolário de tudo isto: Diego Benaglio foi um réu injusto da derrota da sua equipa ante o Benfica. Além de não ter culpa no lance do primeiro golo, como o quiseram fazer crer, ainda teve um punhado de boas defesas e impediu que o Nacional fosse humilhado.