FC Barcelona - Real Madrid 57' Gol Cristiano... por realmadridplay
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O Lance que define o Jogo
FC Barcelona - Real Madrid 57' Gol Cristiano... por realmadridplay
Escrito por Nuno às 00:21:00 125 bolas ao poste
Etiquetas: Barcelona, Lances, Raciocínios Tácticos, Real Madrid
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Factores Externos e Arruaça
Escrito por Nuno às 10:04:00 37 bolas ao poste
Etiquetas: Barcelona, Raciocínios Tácticos
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A Mania da Objectividade
O futebol é um jogo em que o plano se elabora constantemente, a cada alteração das circunstâncias de jogo. Antes de uma equipa poder ser objectiva, ou seja, antes de poder materializar o seu futebol numa oportunidade de golo, tem de criar condições para que possa sê-lo. E isso leva, na maioria das vezes (dependendo, claro está, da forma como o adversário defende), muito tempo. A maior parte das equipas salta este passo, ou ignora-lhe a importância. Se virem uma brecha na frente, não hesitam em tentar um passe de morte, por menores que sejam as probabilidades de sucesso de tal passe. Crê-se que todas as veleidades concedidas pelo adversário, todos os espaços, toda a liberdade ao atleta que conduz a bola deve ser encarada como uma oportunidade de criar imediatamente uma situação de golo. Poucas são as equipas que encaram o jogo como uma sucessão, por vezes muito numerosa, de micro-acções. E é por isso que, por exemplo, a criatividade é um atributo tão pouco procurado. Quando se acha que o jogo é essencialmente objectivo, jogadores que saibam pensar, que saibam imaginar melhor do que os outros, não são especialmente diferentes. Veja-se o caso de Modric, no Real Madrid. É um exemplo, mas haveria muitos outros. No Real, Mourinho pretende dele o que pretendia de Sneijder no Inter: últimos passes. É por isso que Modric não rende o que podia render. O mesmo acontece com Özil. Mourinho acredita na objectividade do jogo, e embora seja, porventura, o melhor treinador do mundo a preparar a sua equipa em função dessa objectividade, reduz dramaticamente o potencial dela ao acreditar nisso. Modric é um criativo. Estaria como peixe na água numa equipa que trabalhasse muito o jogo a meio-campo, com passes curtos, tabelas, movimentos entre linhas, apoios e coberturas próximas. Como o encarregam de uma função, como fazem dele alguém que, a todo o custo, tem de solicitar os atacantes em condições ideais, corta-se-lhe a imaginação. Pedem-lhe que execute meia-dúzia de coisas e que não faça outras tantas, quando ele estaria bem se não lhe dissessem coisa alguma. Em cada lance que intervém, tem de agir de acordo com as instruções que tem. É obrigado, por isso, a agir quase automaticamente, a repetir certos movimentos, a tentar sistematicamente coisas idênticas. Quando resulta (o que acontece devido à sua qualidade), corresponde ao que esperam dele. O problema é quando não resulta, o que acontece muitas vezes, pois o sucesso de tal futebol não depende só dele. Aí, acusam-no de estar pouco inspirado, e não pensam sequer na possibilidade de a falta de inspiração ter sido causada pelas instruções que tem.
Nunca fui o maior admirador de Sneijder, mas deixei de gostar definitivamente dele precisamente no ano em que muitos achavam que ele merecia a bola de ouro, isto é, no ano em que foi campeão europeu no Inter. Deixei de gostar dele exactamente porque o seu futebol era mecânico: recebia a bola, rodava e tentava um último passe. Falhava trinta passes por jogo, mas eventualmente acertava um ou outro. Evidentemente, com a mecanização da equipa, as acções de Sneijder até tinham alguma eficácia. Por outro lado, na sua selecção, a jogar da mesma maneira, só a prejudicou. Para Mourinho, o seu médio de ataque é uma espécie de quarter-back, e é essa ideia que não aceito. Nenhum jogador de futebol, pelas particularidades do próprio jogo, pode ter uma função específica como têm os jogadores de futebol americano. O futebol é um jogo de decisões, um jogo de criatividade, e é a criatividade, e só ela, que deve ser cultivada. Modric e Özil, em abono da verdade, são muito mais criativos do que Sneijder alguma vez foi. Sneijder era um executante extraordinário, mas nunca me pareceu o mais criativo dos jogadores. O croata e o alemão renderiam muito mais se estivessem numa equipa que preconizasse um modelo de jogo menos objectivo, se lhes fosse pedido não uma série de tarefas, mas apenas que criassem, consoante as circunstâncias, e de acordo com a posição relativa em que fossem colocados no campo. Hoje em dia, com a cientificidade a que se aproximou o futebol, vive-se uma autêntica mania da objectividade. E os melhores jogadores, aqueles que arranjam soluções de que ninguém estava à espera, aqueles que são capazes de criar a partir do nada, que solucionam problemas absolutamente inéditos, sem nunca terem sido preparados para solucioná-los, acabam ostracizados no meio de tanta objectividade. E nem sequer se percebe que, juntando meia-dúzia de jogadores criativos e deixando-os encarregues apenas de criar se fica, ainda que de forma menos óbvia, bem mais perto dos objectivos a que se propõe qualquer equipa de futebol do que cultivando um ideal de objectividade que apenas coarcta o potencial criativo de uma equipa.
Escrito por Nuno às 14:10:00 20 bolas ao poste
Etiquetas: Mesut Özil, Modric, Mourinho, Raciocínios Tácticos, Wesley Sneijder
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
O Tottenham de Villas-Boas
Escrito por Nuno às 12:30:00 111 bolas ao poste
Etiquetas: Aaron Lennon, André Villas Boas, Futebol Inglês, Tottenham
domingo, 30 de dezembro de 2012
Gente Irritante e Coisas Ilógicas
Escrito por Nuno às 00:51:00 24 bolas ao poste
Etiquetas: Arbitragem, Cortesias, João Gonçalves, João Querido Manha, Mau Jornalismo
domingo, 23 de dezembro de 2012
Quiz (2)
1. Qual foi a primeira equipa italiana a marcar presença numa final da Taça dos Campeões Europeus?
2. Nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, Portugal fez uma campanha extraordinária, ficando no 4º lugar, atrás de Nigéria, Argentina e Brasil. Quem compunha a equipa técnica que comandava essa selecção?
3. Em toda a História do Barcelona, qual foi o jogador que mais vezes foi expulso?
Escrito por Nuno às 15:49:00 10 bolas ao poste
sábado, 8 de dezembro de 2012
Górgias
Escrito por Nuno às 13:54:00 37 bolas ao poste
Etiquetas: Barcelona, Benfica, Cortesias, Guardiola, Master Kodro, Pedro Henriques, Raciocínios Tácticos, Rodrigo
domingo, 25 de novembro de 2012
O Talento e os Instintos
"(...) as I believe, the most wonderful of all known instinct, that of the hive-bee, can be explained by natural selection having taken advantage of numerous, successive, slight modifications of simpler instincts; natural selection having by slow degrees, more and more perfectly, led the bees to sweep equal spheres at a given distance from each other in a double layer, and to build up and excavate the wax along the planes of intersection. The bees, of course, no more knowing that they swept their spheres at one particular distance from each other, than they know what are the several angles of the hexagonal prisms and of the basal rhombic plates. The motive power of the process of natural selection having been economy of wax; that individual swarm which wasted least honey in the secretion of wax, having succeeded best, and having transmitted by inheritance its newly acquired economical instinct to new swarms, which in their turn will have had the best chance of succeeding in the struggle for existence." (Charles Darwin, On the Origin of Species, ch.VII)
Sendo que, para suportar uma grande quantidade de abelhas durante o inverno, é indispensável uma grande quantidade de mel, e sendo que a segurança de uma colmeia depende de uma grande quantidade de abelhas, fica em posição favorável, na luta pela sobrevivência, a colmeia em que, no processo de construção dos favos que a compõem, se gastar menos mel (a cera da construção resulta da segregação de mel). Diz Darwin, por isso, que é flagrantemente vantajoso que uma abelha, através de uma pequena modificação dos seus instintos, seja levada a construir as células da colmeia o mais próximo possível umas das outras, contribuindo para economizar cera. De um modo, em grande medida, arbitrário, o enxame cujas abelhas precisem, portanto, de segregar menos cera será o mais bem sucedido. Ao fim de algum tempo, será a descendência desse enxame que, por estar assim favorecida, prevalecerá. Assim se foi refinando a espécie, e assim se tornou no que é hoje. Aquilo que a caracteriza, e que temos tendência a chamar "instinto", por não compreendermos de onde vem a sua sofisticação, é afinal tão-somente uma característica que, ao longo da evolução da espécie, foi sendo aprimorada pelas próprias leis da natureza e pela necessidade de sobrevivência a que todas as espécies se vêem sujeitas. Aos poucos, abelhas com "instintos" menos favoráveis foram desaparecendo, sendo por isso natural que as espécies prevalecentes apresentem "instintos" que nos parecem hoje tão aperfeiçoados.
O principal corolário desta demonstração de que, instintivamente, somos substancialmente iguais uns aos outros e iguais, pelo menos, aos nossos antepassados dos últimos 4000 anos, é o de que, a respeito de actividades mais complexas, é essencialmente aquilo que fazemos em vida e não as características especiais com que nascemos que determinam as distinções particulares entre indivíduos. Evidentemente, há dentro da espécie não só grupos étnicos com algumas características bastante distintivas como também, dentro de cada grupo étnico, indivíduos com características específicas que os distinguem uns dos outros. Igualmente evidente é que tais características permitem a certos grupos étnicos que se distingam em certas actividades, assim como permitem a certos indíviduos distinção noutras. Mas em actividades complexas, em actividades cujo desempenho requer muito mais do que o aperfeiçoamento de certas características biológicas (que são distintas de indivíduo para indivíduo), em actividades em que é o intelecto, e o uso que se faz dele, que determina quais os indivíduos que melhor a desempenham, tais distinções dentro da espécie são absolutamente insignificantes. Em actividades a respeito das quais costumamos falar de talento, ou génio, como sejam, por exemplo, actividades artísticas, filosóficas, ou científicas, o que distingue os melhores dos outros é o percurso de vida com que se definem. Mozart não se distingue de Salieri por ter nascido com um dom maior, por os deuses gostarem mais dele, ou por saber mais de música. Distingue-se porque a vida de Mozart (e tudo o que ela inclui) foi diferente da vida de Salieri. Só isto. De igual modo, o talento de um jogador de futebol é o resultado de quem ele é, de tudo o que aprendeu e apreendeu a respeito de futebol, mas também do conjunto de experiências que, para o mal ou para o bem, o modificaram. O talento de Messi não nasceu com ele; começou, sim, a ser desenvolvido bastante cedo (o que, para um jogador de futebol, costuma ser determinante) e foi sendo trabalhado ao longo da sua vida, muitas vezes inconscientemente, através de resposta a estímulos de ordem futebolística ou não. Os instintos de Messi são, por assim dizer, a face visível desse talento; são as respostas que dá consoante aquilo que foi apreendendo ao longo da vida, dentro e fora do campo. E, embora praticamente instantâneas e embora aparentemente irreflectidas, essas respostas são o culminar de tudo o que viveu, de tudo o que experimentou, dos erros que cometeu, das coisas que descobriu, etc.. O talento não é senão uma construção altamente complexa, e os mais talentosos são não os que gozam de qualquer coisa indefinida com a qual nasceram providencialmente, mas aqueles cujas respostas melhor evidenciam a solidez de tal construção.
Escrito por Nuno às 00:18:00 6 bolas ao poste
Etiquetas: Raciocínios Tácticos
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Elasticidade
Escrito por Nuno às 13:20:00 6 bolas ao poste
Etiquetas: Arséne Wenger, Barcelona, Bielsa, Guardiola, Jorge Jesus, Mourinho, Raciocínios Tácticos, Tácticas, Tito Vilanova, Van Gaal
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Kyle Walker e o que Não é um Lateral
Escrito por Nuno às 00:34:00 54 bolas ao poste
Etiquetas: André Villas Boas, Kyle Walker, Lances, Raciocínios Tácticos, Tottenham
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A Cabecinha de Mascherano e o Treino de Certas Habilidades
Escrito por Nuno às 12:24:00 36 bolas ao poste
Etiquetas: Barcelona, Lances, Mascherano, Raciocínios Tácticos, Tito Vilanova
domingo, 19 de agosto de 2012
Benzema, os Avançados, e a Ilusão dos Números
Quando Mourinho chegou a Madrid, Gonzalo Higuain foi a sua primeira escolha. O argentino garantia velocidade de execução, profundidade nas costas das defesas adversárias, e bastantes golos. Quando se lesionou, o francês Karim Benzema, até então suplente e pouco utilizado, assumiu a posição. O jejum de golos, e as críticas de que foi alvo, fizeram com que Mourinho fosse ao mercado, em Janeiro, e trouxesse Adebayor. Felizmente para Benzema, Adebayor não pareceu conseguir dar à equipa o que Higuaín dava, e foi então que se começou a perceber que Benzema, mesmo não marcando, permitia coisas ao Real Madrid que o avançado togolês não permitia. Mesmo sem os golos do francês, Mourinho apostou nele e o rendimento colectivo não se ressentiu. Por linhas tortas, percebeu o técnico português a dada altura, por exemplo, que, com Benzema em campo, o rendimento de Ronaldo era muitíssimo superior. Quando Higuaín voltou, esta variável tinha adquirido uma importância de tal modo extrema que o francês, mesmo não marcando tantos golos quantos o argentino, mesmo parecendo passar ao lado do jogo muitas vezes, nunca mais voltou a sentar-se no banco. Benzema, ao contrário de Higuaín, garante movimentos de aproximação, linhas de passe, qualidade técnica em espaços reduzidos. Isto permite ao Real um jogo mais apoiado numa fase adiantada no terreno, uma muito melhor competência entre linhas, e, acima de tudo, a desocupação da profundidade que permite a Ronaldo todas aquelas diagonais da esquerda para o meio. Por força da lesão do seu avançado de eleição, descobriu Mourinho que a sua equipa funcionava melhor com um avançado de características diferentes, um avançado que, acima de tudo, não fosse rigorosamente, no verdadeiro sentido da palavra, e em cada momento do jogo, um avançado.
Se houve coisa em que o Real Madrid melhorou, nesta segunda época, foi na competência em ataque organizado, no último terço do terreno. Ao contrário do que se passou na primeira época, em que a equipa apenas conseguia romper blocos defensivos densos através de lançamentos para as costas da defesa ou através de desequilíbrios individuais, o Real passou a conseguir fazer a bola entrar entre a linha defensiva e a linha média dos seus adversários, passou a conseguir atrair momentaneamente defesas para perto dos médios, quebrando as linhas defensivas com maior frequência, e passou a conseguir complementar isso com as entradas de terceiros (normalmente os extremos, e principalmente Ronaldo) nas costas das defesas. Tal competência só foi possível porque o avançado da equipa, o jogador responsável por jogar na jurisdição dos defesas centrais, não era um avançado cujas movimentações típicas pediam a profundidade, mas um avançado com características diferentes, capaz de vir dentro, de combinar com maior qualidade com os médios, e com maior apetência para segurar e tabelar do que para aproveitar as costas das defesas. Por ser o avançado que é, Benzema permitiu ao Real, enquanto equipa, que fosse mais competente. Com isso, não se terá notabilizado individualmente, em termos de golos, como naturalmente um avançado como Higuain se notabilizaria. Enquanto equipa, o Real Madrid de Mourinho melhorou, de uma época para a outra, principalmente porque passou a jogar com um avançado que não se comporta como a maioria das pessoas acha que os avançados se devem comportar.
De certo modo, portanto, a ligeira melhoria da equipa deveu-se à utilização de uma estratégia absolutamente idêntica àquela que o Barcelona de Guardiola, de forma provavelmente mais enfática, preconizou no ano anterior, uma estratégia que, para muitos, é o calcanhar de Aquiles dos catalães, e que, para muitos também, incluindo o próprio Mourinho, a fazer fé nas suas palavras, era o grande problema da selecção espanhola neste europeu. É verdade que Benzema é um avançado de raiz. Mas não foram os seus comportamentos de avançado típico que permitiram à equipa tal salto evolutivo; foram antes os mesmos comportamentos que qualquer médio, ou qualquer jogador que não jogue habitualmente como avançado, naturalmente exibe quando posicionado na frente de ataque. Apesar de ser avançado, foi por Benzema ter qualquer coisa de médio (se é possível falar assim) que o Real Madrid se tornou melhor equipa. Mourinho, mesmo que o não saiba, mesmo que o critique por naturalmente lhe lembrar o estilo do rival, deve boa parte do seu sucesso em Espanha a algo que, embora de modo mais radical e mais conscientemente, o Barcelona de Guardiola desde há muito procura idealizar.
Antes de terminar, queria desviar-me ainda do assunto principal deste texto, e reflectir um pouco sobre números. Como é sabido, acho que as estatísticas, em futebol, não só não valem nada como são, muitas vezes, enganadoras. No final da época passada, tentei argumentar que a semelhança entre os golos marcados por Real Madrid e por Barcelona não implicava competências ofensivas semelhantes, e tentei demonstrar que essa semelhança de golos se deveu a um final de época em que, sem a pressão de títulos que já não se podiam conquistar, havia objectivos individuais a atingir. Do mesmo modo, fui dizendo ao longo desta época que, apesar de ser o Barcelona, pelos pontos que ia perdendo, quem parecia estar menos consistente, era o Real quem, na verdade, tinha mais dificuldades para vencer os seus jogos. Obviamente, mantenho essa teoria. Para muita gente, não só o campeonato como os números apresentados no final da prova são testemunhos inequívocos do meu engano. Foi por isso que comecei este parágrafo por dizer que os números, além de não valerem nada, costumam enganar. Quem olhar para eles em bruto, naturalmente verificará que a equipa comandada por José Mourinho, além de ter tido mais 4 vitórias que o Barcelona, marcou também mais 7 golos (121 contra 114). Para esses, o Real é talvez mais competente, em termos ofensivos, do que o Barcelona. A minha opinião é de que essas pessoas estão enganadas. É que, apesar de ter marcado mais golos, e apesar de ter obtido mais vitórias, o Real Madrid teve mais dificuldades do que o Barcelona em vencer os seus jogos. Como é isto possível? É o que pretendo demonstrar de seguida.
Ora, comecemos pelas vitórias. O Real Madrid somou 32 vitórias, contra 28 do Barcelona. Das 28 vitórias dos catalães, 22 começaram a ser construídas na primeira parte. Ou seja, a vantagem obtida na primeira parte não mais voltou a ser anulada. Significa isto que 79% dos jogos ganhos pela equipa de Guardiola começaram a ser ganhos logo de início. Dos restantes 6 jogos, 2 foram resolvidos antes dos 70 minutos, 3 entre o minuto 70 e o minuto 80, e 1 apenas depois dos 80, mais concretamente o jogo contra o Atlético de Madrid, em que os madrilenos anularam a vantagem dos catalães a meio da segunda parte e obrigaram a um segundo golo aos 81 minutos. Quanto ao Real Madrid, das 32 vitórias, apenas 21 começaram a ser construídas na primeira parte. Significa isto que, ao contrário dos 79% dos catalães, só 66% dos jogos ganhos pela equipa de José Mourinho começaram a ser ganhos logo de início. Dos restantes 11, 6 foram resolvidos antes dos 70 minutos, 3 entre o minuto 70 e o minuto 80, e 2 depois dos 80. Embora não totalmente claros, até porque uma vantagem de 1-0 desde o primeiro minuto não é bem uma vantagem segura, estes dados permitem desde logo perceber uma tendência: a equipa catalã teve menos dificuldades em resolver os seus desafios, e teve por isso menos necessidade de acelerar para marcar mais golos. Mas passemos agora aos períodos de tempo em que os golos foram marcados. A consistência do Barcelona de que falava anteriormente não poderia ficar melhor espelhada do que na consistência com que os marcou em todos os períodos de tempo. Dos 114 golos, marcou 58 (51%) na primeira parte e 56 na segunda. Na segunda parte, marcou 21 entre o minuto 45 e o minuto 70, 19 entre o minuto 70 e o minuto 80, e 16 depois dos 80. Ou seja, o Barcelona não teve períodos mais fortes e períodos mais fracos. Foi uma equipa consistente, com o mesmo grau de eficácia em todos os períodos das partidas, quer os adversários estivessem mais frescos ou mais cansados, quer o cronómetro se aproximasse do fim ou não. Já dos 121 golos do Real Madrid, marcou 51 (42%) na primeira parte e 70 na segunda. Na segunda parte, marcou 37 entre o minuto 45 e o minuto 70, 13 entre o minuto 70 e o minuto 80, e 20 depois dos 80. Ou seja, o Real Madrid foi claramente mais concretizador nas segundas partes dos jogos, tendo especial apetência por marcar ora no reatamento da partida, ora nos últimos 10 minutos. Como comprova a análise destes números, a equipa de José Mourinho foi muito menos consistente do que o Barcelona, e, apesar de mais golos e mais vitórias, teve maiores dificuldades em superar os seus desafios. Podíamos ainda fazer outro tipo de análises. Dos 79 golos que o Barcelona marcou antes dos 70 minutos, só 27% foram marcados entre os 45 minutos e os 70. Já dos 88 do Real, 42% foram marcados nesse período. Dos 35 golos que o Barcelona marcou depois dos 70, 46% foram marcados depois dos 80. Já dos 33 do Real, 61% foram marcados nesse período.
Dividi a segunda parte em três períodos de tempo desiguais propositadamente, porque tinha a impressão de que era nos últimos vinte minutos que o Real Madrid mais marcava. De facto, assim não é, e a equipa marcou tanto como no resto da segunda parte. Apesar disso, marca muito mais nos últimos dez minutos do que nos penúltimos, e isso deve ser levado em conta. No fim-de-semana em que recomeça a Liga Espanhola, é bom que se tenha consciência destas diferenças. O título da época passada, muito mais do que da qualidade apresentada, dependeu essencialmente do sacrifício e da força de vontade. Naqueles jogos em que a qualidade não chegou, foram esses os factores desequilibradores. Foi isso que fez a diferença, e foi por isso que o Real marcou mais e resolveu mais jogos na segunda metade das partidas do que o Barcelona. Ao contrário dos catalães, cuja qualidade ímpar lhes permitiu serem consistentes ao longo da época, o Real de Mourinho teve, muitas vezes, de fazer das tripas coração para vencer os seus desafios. Para compensar a menor qualidade, teve de sustentar as suas vitórias no desgaste dos adversários, na força de vontade da própria equipa, e em índices de concentração muito difíceis de manter sem motivações extraordinárias. De certo modo, a equipa excedeu-se nas segundas partes dos jogos porque a motivação de vencer um campeonato a este Barcelona era altíssima. Foi esse o factor decisivo. Para isso contribuiu também o facto de Mourinho raramente ter rodado a equipa, de ter apresentado quase sempre o seu melhor onze, e de ter contado com pouco mais do que 15 ou 16 jogadores. Numa época com mais lesões, tal seria impossível de realizar. Na época que agora começa, nem a motivação deverá ser a mesma, nem a improbabilidade de realizar uma época com tão poucas lesões se deve repetir. Embora o Real Madrid tenha melhorado, da primeira para a segunda época, no aspecto particular a que me referi acima, a qualidade geral do seu jogo continua a léguas da qualidade geral do jogo catalão. Uma série de factores, alguns deles difíceis de controlar, contribuíram para que pudesse sagrar-se campeão. Veremos de que modo se regenera agora.
Escrito por Nuno às 13:29:00 90 bolas ao poste
Etiquetas: Barcelona, Benzema, Futebol Espanhol, Mourinho, Raciocínios Tácticos, Real Madrid