quinta-feira, 21 de junho de 2012

Euro 2012 - 3ª Ronda

Grupo A

Terminada a fase de grupos, fica por terra a equipa que, para muitos, mais entusiasmou na primeira ronda. Como escrevi logo na altura, tinha muitas reservas quanto ao futebol dos russos. Gostava muito das unidades, agradava-me a organização da equipa, e a capacidade da mesma para sair em transição, mas tinha bastantes cautelas quanto à real capacidade da equipa para assumir o jogo. O segundo jogo contra a Polónia comprovou as minhas suspeitas, e a derrota frente à Grécia só as tornou mais claras para todos. Os números da Rússia, no primeiro jogo, que tanto entusiasmaram, deveram-se mais às facilidades que encontraram nesse jogo, especialmente em transição, do que propriamente à qualidade dos russos. Contra equipas mais fechadas, nunca souberam criar as dinâmicas certas para arranjar espaços. Contra a Grécia, então, foi deplorável. Para muitos, os gregos passam esta fase de grupo do mesmo modo que ganharam o Euro 2004. Eu não sou tão crítico. A Grécia fez um péssimo jogo contra a República Checa, mas contra a Rússia não foi inferior. Não invalida isto que não tenha tido sorte em adiantar-se no marcador, podendo assim gerir a vantagem. Teve, claro. Mas a segunda parte dos gregos foi inteligente, porque estavam em vantagem, e porque souberam como defender-se da principal arma russa, o contra-ataque. A mim, ainda que considerasse que a Rússia podia ter ido mais longe, não me surpreende a eliminação. No outro jogo, a Polónia começou como começara contra a Grécia. O problema é que as pessoas confundem qualidade com vontade de ganhar. Já contra a Grécia, os polacos tinham sido muito elogiados pelos seus vinte minutos iniciais. A verdade é que a equipa nunca apresentou muita qualidade, e as oportunidades criadas nesses primeiros vinte minutos, nesse e neste jogo, resultaram mais de uma intensidade altíssima (insustentável nos 90 minutos) do que propriamente de qualidade de jogo. Assim que os polacos começaram a perder gás, e os checos se acalmaram, a tendência do jogo virou. A partir dos 30 minutos, o jogo foi todo checo, com a equipa a trocar muito bem a bola, mesmo sem Rosicky. A República Checa vence o grupo, e vence bem, pois foi, de longe, a equipa mais interessante. Não tem muitas individualidades extraordinárias, mas tem um modelo de jogo que assenta na posse de bola, e a equipa é, colectivamente, muito competente a circular a bola e a arranjar os espaços de penetração certos. Com a capacidade de definição de Rosicky, caso esteja apto, não considero Portugal tão favorito como a grande maioria das pessoas considera.

Grupo B

Não tive a oportunidade de assistir ao jogo que opôs Alemanha a Dinamarca, pelo que me abstenho de falar do mesmo. Ainda assim, pelo que vi nos outros jogos, creio que os alemães são os justos vencedores deste grupo. No outro jogo, finalmente uma boa exibição de Portugal. É preciso, no entanto, perceber que, do outro lado esteve a equipa mais fraca, em termos colectivos, deste europeu, se excluirmos a Irlanda, e que o espaço que Portugal encontrou para jogar neste jogo, e que não encontrou noutros, se deve acima de tudo a isso. Deve-se a isso, e deve-se também ao facto de os portugueses, após recuperarem a bola, não quererem chegar imediatamente à baliza adversária, apenas com um ou dois passes. Nesse capítulo, acho que há mérito da equipa de Paulo Bento, que foi bem mais paciente e inteligente do que nos outros jogos. Também ajudou o facto de os holandeses terem marcado primeiro, condicionando a estratégia conservadora inicial. A perder, Portugal foi obrigado a assumir o jogo, e foi nessa altura que melhorou. Depois, com espaço entre os atacantes e os defesas holandeses, soube criar as condições certas para atacar a baliza holandesa, e venceu com toda a justiça. Embora já tenha sido referenciado no Lateral-Esquerdo, não queria deixar passar a oportunidade de falar no primeiro golo português. Os intervenientes foram João Pereira e Ronaldo, mas quem acha que Portugal chegaria ao golo com outro avançado em campo que não Hélder Postiga está enganado. Para mim, mais do que um jogo de individualidades, ou de soma de individualidades, o futebol é um jogo de relações, e quando se elogia um passe de alguém, esquece-se sempre de perceber que, sem a solicitação do colega, qualquer passe genial está condenado ao insucesso. Para dar um exemplo claro, quem acha que Xavi é o que é porque tem uma visão de jogo que mais ninguém possui, desengane-se. É óbvio que ele tem uma visão de jogo muito boa, mas não é essa a principal razão para que tenha tanto sucesso com os seus passes. Uma visão de jogo como a de Xavi muitos há que a tenham. O que acontece é que Xavi joga com vários colegas (no Barça ou na selecção espanhola) que lhe fazem a papinha toda, em termos de desmarcação. Quero com isto dizer que o passe de João Pereira, embora muito bom, só teve sucesso porque os colegas (e aqui, obviamente, não é só Ronaldo), ao movimentarem-se sem bola, criaram as condições certas para que tivesse sucesso. O movimento de aproximação de Postiga, complementado com o movimento de ruptura de Ronaldo, criou a linha de passe que, de outro modo, não existiria. É este conjunto de coisas que normalmente se negligencia, e é este tipo de soluções "invisíveis" que um avançado que se movimenta tão bem como Hélder Postiga oferece à equipa em que joga. Aliás, tendo Portugal talvez o extremo que melhores movimentos de ruptura, em diagonal, faz, o avançado ao lado de quem mais renderá será necessariamente um que faça movimentos de aproximação bem feitos, criando com isso os espaços nas suas costas em que tal extremo possa entrar. No Real Madrid, Ronaldo rende muito mais com Benzema do que com Higuain precisamente porque o francês faz este tipo de movimentos muito melhor do que o argentino. Nem que fosse pelas características de Ronaldo, Postiga era desde logo o homem certo para jogar nesta selecção.

Grupo C

Antes de mais, importa salientar que estão neste grupo 3 dos principais candidatos, na minha opinião, ao prémio de melhor jogador da competição. Falo de Andrés Iniesta, Andrea Pirlo, e Luka Modric. Assombrosa, a forma como Modric, praticamente sozinho, ia mandando a selecção espanhola para casa. A Croácia não fez, apesar de tudo, um grande jogo. Jogou 65 minutos atrás da linha da bola, e reservou o último terço da partida para tentar marcar um golo. Tendo a Itália, no outro jogo, marcado logo na primeira parte, é para mim incompreensível a falta de coragem de Bilic. Ainda por cima, tendo bastante qualidade individual ao seu dispor. A estratégia defensiva da Cróacia foi bem sucedida, mas sobretudo por demérito da Espanha, que fez um jogo muito fraco. Duas são as razões, a meu ver, para tal exibição: saber que o empate bastava, e Vicente del Bosque. O treinador espanhol quer jogar à Barcelona, mas não sabe o que é preciso para o fazer. Para mim, a utilização de um duplo-pivot é usualmente uma má opção. Mas numa equipa que joga curto, a passo, sempre organizada, faz especial confusão. Se gosta tanto de Xabi Alonso, tire Busquets; se quer mesmo o futebol do Barcelona, deixe o catalão sozinho, a fazer coberturas a uma dupla de médios ofensivos. Para jogar contra equipas que baixam o bloco, é absolutamente necessário que se invadam espaços centrais entre linhas, e o que Vicente del Bosque tem feito, ao utilizar um avançado exclusivamente interessado em movimentos de ruptura, e um duplo-pivot, é tirar sistematicamente dois jogadores desses espaços. Iniesta e Silva ainda vêm dentro, procurar esses espaços, mas é pouco para as exigências que duas linhas de quatro impõem. A Espanha seria campeã da Europa se jogasse em 433, com Busquets, Xavi e Iniesta no meio-campo, Silva, Pedro e Fabregas na frente. Assim, como está, não ponho as mãos no fogo. A equipa é incapaz de invadir os espaços entre linhas com a qualidade com que poderia fazê-lo, e é também incapaz de pressionar imediatamente a seguir à perda da bola. É um caso evidente de como o sistema táctico prejudica as dinâmicas. A outra chamada de atenção é para os laterais, que são incapazes de perceber que, vindo os extremos para dentro, a profundidade tem de ser dada por eles. Arbeloa não sabe isto, e não é capaz de dar isso à equipa. Jordi Alba tem vontade, mas tem muito que aprender. De referir, ainda, que a insistência em fazer saltar do banco um jogador como Navas, para se integrar num colectivo como este, é não perceber nada do assunto. E ainda não ter utilizado Fernando Llorente nem Mata é criminoso. Nota muito negativa para Vicente del Bosque, portanto. No outro jogo, pouca história. A Itália utilizou um sistema táctico diferente, e há uma particularidade interessante. Prandelli é um treinador com ideias ofensivas, e percebe a importância dos espaços centrais para a progressão com bola. Assim, a atacar, o 442 clássico da Itália desmonta-se, e Marchisio e Motta, os dois alas, vêm para dentro, formando um quadrado com Pirlo e De Rossi, e permitindo que sejam os laterais a dar largura. Ganha com isto, a Itália, gente no meio. Mas parece-me que haver uma diferença tão grande na relação entre jogadores entre a fase defensiva e a fase ofensiva implica uma certa desorganização no momento da perda da bola. Um caso a rever, no jogo contra a Inglaterra, caso Prandelli não regresse ao modelo anterior.

Grupo D

Era o grupo mais fraco dos quatro, em termos de qualidade colectiva das equipas, e isso acabou por se reflectir na fraca qualidade dos jogos. Do jogo em que a Suécia bateu a França, pude ver apenas o resumo. O golo de Ibrahimovic é fenomenal (pelo gesto técnico, e pela própria jogada, que é bem construída), e os suecos acabam por ir para casa de cabeça erguida! Quanto à França, mais uma vez, não surpreende. Os franceses não têm apresentado consistência nem qualidade suficiente para que mereçam o rótulo de favoritos. Quanto à Inglaterra, venceu o grupo, mas não fez uma única exibição digna de nota. Não sei até onde esta mediania dos ingleses os pode levar. Para já, segue-se a Itália, num jogo em relação ao qual não sei bem o que esperar. Dependerá muito, parece-me, do que Prandelli quiser fazer. Quanto à Ucrânia, sai do Euro algo ingloriamente. Os ucranianos não eram, enquanto equipa, extraordinários, mas não foram muito inferiores aos franceses, e nada inferiores aos ingleses. Individualmente, gostei bastante de Iarmolenko. Konoplianka, o outro extremo, é um jogador de drible fácil, mas nem sempre toma boas decisões. Iarmolenko, esse sim, vale a pena seguir com atenção. Outro ponto de interesse no jogo foi a inclusão de Milevsky no onze. Brilhante, como sempre, ainda que discreto, passou ao lado dos holofotes da partida, para os comentadores. José Peseiro, aliás, insistiu durante quase toda a segunda parte que era o jogador mais apagado, que devia ser substituído, etc.. E nem sequer o mencionou no lance do golo mal anulado aos ucranianos, ainda que tivesse sido ele a isolar, de um modo praticamente impossível, o colega. O caso dos pontas-de-lança, neste Euro, é até muitíssimo interessante de analisar. Mais do que demonstrar o que quer que seja acerca de pontas-de-lança, demonstra de que modo analisa o desempenho de um ponta-de-lança aquele que vê um jogo. É que não foi por acaso que se elogiaram desmedidamente avançados como Lewandowsky, Kerzhakov, e Mandzukic, e que se criticaram sistematicamente jogadores como Samaras, Postiga, e Milevsky. Acontece que os primeiros são mais vistosos, destacam-se porque rematam muito à baliza, porque se embrulham muito com os defesas, porque têm tendência para querer resolver os problemas da equipa sozinhos. Os segundos não são assim. As competências que possuem são competências mais colectivas: a movimentação sem bola, a capacidade para tabelar, a tomada de decisão, a capacidade para segurar a bola, a qualidade entre linhas. Não são jogadores que se destaquem por si, mas que percebem o que é o jogo, em todos os momentos, e aquilo que o jogo exige deles. São discretos porque percebem a inutilidade de ir ao choque em todas as bolas, a inutilidade de correr feitos parvos para tudo o que é sítio, e a inutilidade de querer resolver a partida, qualquer que seja a situação em que se encontram. A maioria das pessoas, porém, vê futebol como se habituou a vê-lo. Vê-o como um conjunto de acções isoladas, e tende, por isso, a prestar atenção a muito poucas coisas, e apenas àquelas que, por norma, aparecem nos resumos dos jogos. Vêem, por isso, muito mal. E não vêem, na maioria dos casos, o que é mais importante.

20 comentários:

Luís Garcia disse...

Para quem precisa de descansar do ambiente do futebol:

http://bolacolabatata-frita.blogspot.pt/2012/05/matrimonio-prisao-do-futuro.html

Mike Portugal disse...

"Acontece que os primeiros são mais vistosos, destacam-se porque rematam muito à baliza, porque se embrulham muito com os defesas, porque têm tendência para querer resolver os problemas da equipa sozinhos. Os segundos não são assim. As competências que possuem são competências mais colectivas: a movimentação sem bola, a capacidade para tabelar, a tomada de decisão, a capacidade para segurar a bola, a qualidade entre linhas."

E depois noutro nível completamente diferente e capaz de fazer essas 2 coisas existe Benzema, para mim o melhor avançado desta competição.

Diogo Cruz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diogo Cruz disse...

Fantástico, em relação ao Portugal-Holanda e ao Espanha-Croácia é a minha opinião exacta.
Como é possível o Del Bosque com tão boa matéria-prima, com a papinha quase toda feita, fazer tanta asneira? Faz lembrar o Scolari em 2004 quando quis inventar no 1º jogo.
E como é possível ainda haver gente a pedir o Nélson Oliveira depois de tantos ataques promissores desperdiçados?

B Cool disse...

sim sim, o postiga nem perde bolas nem nada ... mais que o ronaldo e provavelmente só ao nível do oliveira, tem sido um manancial de bolas para os adversárioss de tal forma que às vezes parece mais um defesa dos adversários

PB disse...

"O movimento de aproximação de Postiga, complementado com o movimento de ruptura de Ronaldo, criou a linha de passe que, de outro modo, não existiria"

Completamente de acordo. Mas este tipo de coisas treina-se e não é preciso ser-se especialmente inteligente para reproduzir o q se treina, se o treino for de qualidade. Ou seja, o que o Postiga fez revela mta inteligencia se saiu da mente dele. Mas, aquilo treina-se e qualquer calhau com olhos faz aquele tipo de movimento, desde que formatado para tal. É só perceber as referências.

Por exemplo, na altura da final da taça há um lance em tudo semelhante a este, só que os jogadores do Sporting q nenhum se mexeu. Nem apoio, nem ruptura, nada. Tudo parado à espera q a bola caísse nas suas cabeças. Mais do que achar que são ou foram burros, fiquei desiludido com o facto de provavelmente n estarem a ter um bom processo de treino...

Centro de Jogo disse...

Ia referir isso Nuno. Mata não jogar e tão criminoso quanto Gourcuff não estar ao lado de Nasri no Euro. Del Bosque mesmo sendo fraco, só tem de os lançar lá para dentro, eles depois fazem o resto. E depois, Modric é qualquer coisa. Topo mesmo.
Os dois da Ucrânia gosto muito, já o tinha aqui referido. Nesse jogo, só faltou dizer que Milevsky atrapalhava os Ucranianos! E não foi só uma vez que Peseiro disse barbaridades sobre ele.

PB, ai temos que ter cuidado, embora perceba o que queres dizer. For"matar" alguém é isso mesmo, é dar a resposta. A diferença é que Postiga entende as perguntas (repara que não faz este tipo de movimento sempre da mesma forma e no mesmo tempo). Este lance deu golo, e os que não dão simplesmente porque não se tenta / aproveita? É que este tipo de movimento é tantas vezes desprezado que acaba por não ser perceptível o quanto é importante. Se não tem dado golo (não digo tu) mas haveria muita a gente a dizer que Postiga não tem velocidade e mais não sei o que. Eu vi o jogo no café, e até se criticou o Postiga por pressionar a linha de passe do GR lol e ninguém percebia a importância que isso teve para Portugal conseguir ter sucesso entre a linha média e defensiva da Holanda.

Jorge D.

PB disse...

Vejo pouco futebol e n conhecia mt bem o Modric. FDX. É jogador de Barcelona. Mesmo! Impossível n dar o salto esta época.

O Gourcuff conheço. É de topo, tb! o Milevsky foi aquele miúdo sensação num euro sub21 q organizamos em Portugal n foi? Ainda n vi o 3o jogo da Ucrânia neste Euro.

Quanto ao movimento para dentro do J.Pereira, se todos tiverem a pensar o mm, será mais fácil resultar mais x. O Postiga fez mais vezes aquele tipo de aproximação, partiu mais x a linha defensiva mas, n aproveitámos sempre.

oatalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
oatalho disse...

Nuno,

por saber que aprecias bastante o Milevsky tomei especial atenção ao seu desempenho frente à Inglaterra e...é de facto fantástico! De uma inteligência, simplicidade e pragmatismo notáveis, tomando sempre a melhor decisão dado o contexto concreto com que era confrontado. Das suas acções resultaram sempre boas opções para a equipa desenvolver os seus movimentos ofensivos e foi realmente uma pena ter sido substituído tão cedo. Com efeito, é até curioso notar que, sem Milevsky, a Ucrânia se tornou numa equipa muito menos perigosa, tendo chegado com muito menos critério à área adversária (ou nem chegado de todo). Causou-me alguma perplexidade, de facto, ouvir as declarações de José Peseiro por verificar que não percebeu rigorosamente nada (ou nem atento esteve) do que Milevsky fez e proporcionou à equipa durante o jogo.
Uma última pergunta, apenas: o que achas de Devich? Que tem bons pezinhos acho que não é de duvidar, mas relativamente à posição em que jogou e às decisões que tomou o que é que te parece?

Abraços

Blessing Lumueno disse...

Nuno: "A outra chamada de atenção é para os laterais, que são incapazes de perceber que, vindo os extremos para dentro, a profundidade tem de ser dada por eles. Arbeloa não sabe isto, e não é capaz de dar isso à equipa. Jordi Alba tem vontade, mas tem muito que aprender."

Que jogos tens tu visto?
Se há coisa que estes laterais fazem é dar Largura, permitindo espaços no meio para Iniesta e Silva e Profundidade, muitas vezes com tendência para jogar novamente no meio na procura do espaço entre-linhas. Isto é sistemático...

Eles recebem a bola poucas vezes apesar da largura e profundidade, invadem o espaço, abrem o jogo e não recebem bola... Profundidade máxima sem receber a bola? Demasiado óbvio e dado a marcação não?
Das poucas vezes que recebem, têm ordens para voltar a tocar no meio e arriscar quase nada e tenho a certeza que são ordens tal é a percentagem de vezes que eles com espaço para progredir tocam a bola nos médios em apoio, parece que Del Bosque tem medo de uma perda de bola aí.
Essa ordem é para mim confirmada pelas poucas solicitações dos médios desse espaço, preferindo continuar a provocar o adversário pela zona central sem variar muito o corredor de jogo.
Também é notado que raras são as vezes em que os médios solicitam essas zonas no espaço, mesmo quando têm muito espaço, preferem utiliza-la ao que parece apenas para apoios, como zonas de atracção para depois voltar ao centro.

concordo com o restante,

abraço

Pinto disse...

Nuno não achas ridícula a opinião generalizada que nos chega da França que trata a ausência do Mexés como uma calamidade, como se o Koscielny fosse um inválido?
É só o central francês que trata melhor a bola, e muito melhor que os restantes a iniciar os ataques... E o Mexés ainda por cima não é nada de especial, nem percebo a popularidade que granjeia por lá...

Joao disse...

Pinto, por estar neste momento a estudar em França, posso te garantir que se trata exactamente do oposto : a opinião generalizada trata a ausência de Mexes como uma autentica benção, dizendo que foi a melhor jogada do Mexes no Euro (a falta que deu o cartão amarelo).


Nuno gostava de saber, agora que Postiga está lesionado o que achas melhor como solução para o próximo jogo, muito provavelmente a Espanha.

Pinto disse...

Engraçado mas fiquei com essa ideia João, até pelas perguntas e a necessidade do Blanc de responder de uma certa forma. "não está aqui por acaso"

Nuno disse...

Bcool diz: "sim sim, o postiga nem perde bolas nem nada ... mais que o ronaldo e provavelmente só ao nível do oliveira, tem sido um manancial de bolas para os adversárioss de tal forma que às vezes parece mais um defesa dos adversários"

Bcool, não seria boa ideia telefonar a alguém para te ajudarem a sintonizar a televisão. É que não me parece que estejas a ver os mesmos jogos.

PB, não sei se o Milevsky é esse, mas comecei a reparar nele, de facto, numa competição de sub-21, ou sub-20, sim.

oatalho diz: "Uma última pergunta, apenas: o que achas de Devich? Que tem bons pezinhos acho que não é de duvidar, mas relativamente à posição em que jogou e às decisões que tomou o que é que te parece?"

Gostei de alguns pormenores, mas é pouco para perceber o seu real valor. Nem sempre gostei das suas decisões, mas precisava de ver mais.

Blessing Lumueno diz: "Se há coisa que estes laterais fazem é dar Largura, permitindo espaços no meio para Iniesta e Silva e Profundidade, muitas vezes com tendência para jogar novamente no meio na procura do espaço entre-linhas. Isto é sistemático..."

Blessing, não é bem assim. Quando falo em profundidade, é mesmo em profundidade. Os laterais, nestes modelo, são responsáveis pela largura, mas também pela profundidade. São eles, em processo ofensivo, sobretudo o lateral do lado contrário, quem deve permitir o passe mais longo, para as costas da defesa... Quando falo em dar profundidade, falo em estar em posição de fazer diagonais atrás das costas da defesa. O Arbeloa e o Jordi Alba dão largura ao modelo, mas nunca se interessaram pela profundidade. E o Arbeloa, no jogo contra a Croácia, veio até várias vezes para dentro, sem bola, ocupar espaços em que outros colegas estavam.

Pinto diz: "Nuno não achas ridícula a opinião generalizada que nos chega da França que trata a ausência do Mexés como uma calamidade, como se o Koscielny fosse um inválido?"

Não tenho informações dessa opinião, mas gosto do Koscielny. Acho o Mexés bom, mas o Koscielny trata melhor a bola, e parece-me melhor em termos posicionais.

João diz: "Nuno gostava de saber, agora que Postiga está lesionado o que achas melhor como solução para o próximo jogo, muito provavelmente a Espanha."

Não sei. O que acho que Paulo Bento vai fazer? Como é contra a Espanha, provavelmente vai jogar com o Nélson, para aproveitar a velocidade. Ou então com o Ronaldo na frente, e com alguém na esquerda (talvez o Varela) para acompanhar as subidas do lateral. O que faria mais sentido para mim? Nem sei bem. Sem o Postiga, não há outro avançado que me agrade particularmente, neste momento. Acho que o Nélson tem potencial, mas está a criar vícios e hábitos de que não gosto. Eu teria levado o Nuno Gomes, e jogava com ele.

B Cool disse...

Nuno, se calhar fazias bem ajustar tu a tua televisão, 36% de acerto de passe, a mais baixa dos jogadores portugueses, parece que afinal se calhar a minha televisão está um pouco mais correcta que a tua, ou se calhar não, são só os teus olhos, olha já sei, consulta um oftalmologista

http://pt.uefa.com/uefaeuro/season=2012/statistics/round=15172/players/type=passes/index.html

Nuno disse...

Bcool, pronto, já percebi, não vês os jogos, consultas estatísticas. Assim até a minha avó percebe de futebol, e até ela tem opiniões.

Em primeiro lugar, interpretar o jogo recorrendo a dados estatísticos, ou tentar justificar o que quer que seja com eles, é um disparate. Em segundo lugar, é preciso confiar que o site da UEFA é fiável, o que é muitíssimo duvidoso, tendo em conta que, por exemplo, o Montolivo (20/117, 558%), o Diamanti (6/41, 683%) e o Fotakis (12/33, 275%), só para citar alguns, têm mais passes efectuados do que tentativas de passe. Não sei, mas eu sugeria que se desconfiasse de dados estatisticos que sugerissem anormalidades destas. Em terceiro lugar, mesmo que esses dados correspondam à verdade, o que me parece pouco credível, haveria que saber o que entende a UEFA por "tentativas de passe" e por "passes efectuados". Por exemplo, uma bola enviada para o Postiga disputar de cabeça e que ele desvia, sem lhe conseguir dar o melhor seguimento, é uma tentativa de passe? Um lance em que domina a bola no meio de três adversários e tenta, ainda assim, dá-la a um colega conta como passe? É que isso explica muita coisa. É natural que um jogador que é solicitado em condições adversas tenha muito maiores dificuldades em dirigir um passe, por exemplo. Aliás, a baixa percentagem de passes conseguidos pelo Postiga, tendo a ver com todas as bolas em que toca e não naquelas em que tem boas condições para realizar um passe, mostra não a inépcia do Postiga, como pretendes, mas o mau futebol de Portugal, que o solicita em condições adversas sistematicamente, não lhe dá os devidos apoios, etc.. Em quarto lugar, os jogadores com maior percentagem de passe são geralmente os defesas e os médios. Isto é óbvio, pois são os que têm mais espaço e mais tempo para executar. Os jogadores portugueses que menos percentagem têm são o Nani, o Ronaldo, e o Postiga, simplesmente porque são os que têm menos espaço e menos bolas em que podem decidir sem dificuldade. De acordo com isso, não há dificuldade em perceber que essas percentagens, mais do que tendo a ver com jogadores X ou Y, têm a ver com as posições em que jogam. Aliás, em quase todas as equipas, os avançados têm menos percentagem do que os extremos; e os extremos têm menos do que os médios.

Resumindo, ficam 4 razões para que um dado estatístico como o que apresentas não signifique rigorosamente nada. Importante, sim, é ver de que modo é que essas tentativas de passe foram realizadas, quais eram as intenções dele, em que condições foram feitas, que ganhos teve a equipa com cada uma delas. Isso os teus 36% não mostram. E é por isso que, mesmo acreditando que a UEFA está certa, coisa de que duvido, os 36% de passes conseguidos do Postiga podem significar exibições muito melhores do que os 50% de passes conseguidos do Kerzhakov, por exemplo. Quando conseguires perceber isto, podemos voltar a conversar. Enquanto não o perceberes, estou a falar para o boneco, porque não falas certamente a mesma língua.

Desculpa, mas deves ser daqueles troncos que olha para a televisão, vê uma bola pelo ar a que o Postiga não chega, apesar de se esfolar para lá chegar, e exclama: "Lá está aquele deficiente, que não é capaz de fazer nada!" Eu gosto pouco de tagarelar com pessoas que têm preconceitos, e este tipo de exclamações são das mais preconceituosas que existem. Consiste em ter uma opinião formada sobre uma pessoa, ver algo que nenhum ser humano seria capaz de fazer, e explicá-lo imputando as culpas à pessoa sobre quem se tem a opinião negativa. Desculpa, mas não gosto de pessoas deste tipo. São demasiado estúpidas para que se possa dizer-lhes que não estão a analisar bem a situação, e para que se possa mostrar-lhes que a opinião que formaram do lance já estava formada antes do lance. Como és destas pessoas, duvido que percebas uma única linha do que fica dito. Ainda assim, aí fica.

B Cool disse...

Quanto às anormalidades estatísticas nada tenho a dizer visto não ser eu responsável pelas mesmas.

Só fui à procura das estatísticas para comprovar uma sensação com que fiquei dos jogos.

Eu vi os jogos e vi desde o primeiro que em cada 4 ou 5 bolas que o Postiga recebia, mesmo quando eram no pé e sem adversários a pressionar que ele inevitavelmente decidia mal, raras eram as vezes que ele tabelava ou deixava a bola jogável em alguém. Pelos vistos é 1 em cada 3 que ele não entrega ao adversário.

Tu tens uns óculos cor-de-rosa e achas que ele faz tudo bem, problema teu, és demasiado preconceituoso e cheio de ti mesmo para aceitares outras opiniões, deduzo que seja por isso que sejas uma pessoa difícil de dialogar, porque quando se fala com alguém sabe tudo dificilmente pode haver diálogo.

A carreira fulgurante do Postiga é a prova que sou eu o preconceituoso. Acho estranho que sendo um avançado assim tão inteligente, nunca tenha tido a oportunidade de jogar em grandes equipas europeias, pois duvido que o Saragoça, o Saint-Étienne ou o Tottenham sejam consideradas como tal.

Nuno disse...

Bcool diz: "Quanto às anormalidades estatísticas nada tenho a dizer visto não ser eu responsável pelas mesmas."

Mas és responsável por usá-las para tentar provar um ponto.

"Só fui à procura das estatísticas para comprovar uma sensação com que fiquei dos jogos."

Tiveste uma sensação errada, para a comprovar fizeste um exercício que é sempre errado, que é pensar que as estatísticas comprovam alguma coisa, e ainda por cima fizeste-o recorrendo a estatísticas erradas. Não sei se estás a perceber o que há de errado nesta história.

"Eu vi os jogos e vi desde o primeiro que em cada 4 ou 5 bolas que o Postiga recebia, mesmo quando eram no pé e sem adversários a pressionar que ele inevitavelmente decidia mal, raras eram as vezes que ele tabelava ou deixava a bola jogável em alguém."

Bcool, viste os jogos e viste-os mal. Dizer isto é mostrar que não os viste, ou que não os viste bem. O Postiga, quase sempre que pôde receber em condições de tomar decisões com tempo decidiu bem. Eu sei a que tipo de lances estás a referir-te. Estás a alinha no protesto do Ronaldo, quando num lance de contra-ataque o Postiga não lhe conseguiu meter a bola. O que tu não viste, e o que o Ronaldo não considerou, é que o Postiga segurou de costas, com um adversário à ilharga, e nunca teve condições para lançar o ataque. Tu, como o Ronaldo, e como todos os que dizem os disparates que tu dizes, achas que um gajo de costas, sem ter a bola dominada, tem o dever de fazer um passe de trinta metros e deixá-la jogável num companheiro. Eu acho que tu nunca jogaste futebol, e não percebes que o Postiga percebeu que não tinha maneira de fazer aquilo que os colegas (e tu) achavam que devia ter feito. O problema das acções do Postiga é que, muitas vezes, não faz o que as pessoas pensam que se deve fazer, porque percebe que isso está condenado ao insucesso. E, se por acaso, enquanto retém a bola para procurar uma melhor solução, acaba por perdê-la, as pessoas ficam com a sensação de que ele decidiu mal. Mas não. Decidiu bem. As tuas sensações é que são erradas.

B Cool disse...

Nuno,

A ver se nos entendemos, nem me recordo do lance do Ronaldo que invocas e não é por outro jogador reclamar com ele que critico o Postiga, pois analiso os lances pelo que os jogadores fazem ou não e não pelo que os outros reclamam com ele.

quanto ao não conseguir executar sem ser pressionado, isso marca a diferença entre os bons jogadores e os medianos, os jogadores que para ti jogam como se deve jogar, arranjam espaços e limitam-se a devolver as bolas a quem lhes passou se não têm capacidade para jogar em boas condições para outros.

O problema é que eu o critico por ele perder a bola enquanto a deveria guardar, pois demonstra falta de capacidade para proteger a bola e jogar de costas para a baliza, é aí que eu o critico, não por não tentar que estava um passe condenado ao fracasso.

Um jogador com a experiência dele deveria saber proteger melhor a bola e ele perde muitas vezes a bola exactamente por não saber fazer isso, por no 1x1 deixar desarmar-se em vez de aguentar a posse até ter condições para a passar.

Quanto às estatísticas para acabar de vez com o assunto, não me parece que os números dele incluam qualquer anormalidade estatística e se uma estatística não revela tudo o que está incluída nela, é uma proxy bastante válida do tipo de passes efectuados pela pessoa em causa.

Um lance em que eu critiquei o Postiga por exemplo foi o atraso dos holandeses em que ele em boa posição deixou que o defesa viesse detrás dele, o ultrapassasse e o condicionasse de tal forma que o remate foi uma bosta, exactamente por ser incapaz de utilizar o corpo e os pés para proteger a bola.

Contra a Alemanha fartou-se de perder bolas, ou pela lateral, ou fazendo passes inconcebíveis, talvez só tu os entendesses, porque nenhum dos colegas o entendeu. Contra a Dinamarca, fez bem o golo numa boa movimentação e remate de primeira, mas fartou-se novamente de perder bolas.
Contra a Holanda não pude ver o início, por isso não tenho opinião.

Eu percebo que tu gostes dum avançado que dá apoios frontais, que baixa para criar linhas de passe e espaços nas costas, apenas acho que um avançado não se pode resumir a isso. Acho que um avançado por fazer o que gostas não passa a jogar bem se perder muitas bolas, seja por passes mal feitos, seja por se deixar desarmar. E isso acho que foi o que o Postiga fez no Europeu