domingo, 21 de março de 2010

Filosofia do instinto...

Se perguntássemos a qualquer treinador qual o melhor modelo de jogo existente, muitos ou, porventura, até todos, diriam que não há um sistema melhor, que existem vários modelos de sucesso, sendo impossível determinar um melhor que outros. Aceito que o digam; todavia, não concordo com tal reflexão. E são várias as variáveis que temos de considerar para poder perceber a razão pela qual acho que há um modelo mais susceptível de proporcionar o sucesso do que outros. Neste texto, a nossa presunção prende-se apenas com uma “espécie” de introdução para se compreender a opção por determinado paradigma.

Uma das modas do futebol actual, principalmente do futebol português, é a periodização táctica. Uma metodologia de treino que obteve uma enorme popularização devido ao “fenómeno” Mourinho, mas que não se esgota aí. É sem ponta de dúvida um método de treino de inegáveis virtudes que radica, fundamentalmente, na necessidade eficaz de criar hábitos específicos do jogo de futebol nos futebolistas. Assim, tudo o que é feito num treino é com a expectativa de se criar as rotinas pretendidas para se alcançar um estilo de jogo.
As avaliações e decisões instantâneas são frugais, e essa qualidade, a frugalidade, é indispensável para garantir a qualidade das mesmas. A questão que se coloca é a seguinte: Como respeitar este princípio, enquadrando as nossas decisões num plano maior?

A melhor forma de se “obrigar” o jogador a interpretar a totalidade do jogar que se pretende é treinando o seu inconsciente. O objectivo é padronizar os instintos dos jogadores de modo a que estes convirjam em redor do modelo estabelecido pelo técnico. Os hábitos adquiridos vão facilitar as rotinas necessárias à evolução da equipa, garantindo com isto a base necessária para o desenvolvimento da identidade pretendida. O instinto é algo que se constrói, e é importantíssimo que o treinador consiga incluir neste processo de construção a maior quantidade possível de informação sobre o seu modelo de jogo. E isto tudo para o benefício do jogador. Queremos com isto dizer que se pretende que o jogador insira no seu jogo a maior quantidade possível de pontos coincidentes com o que é pedido pelo seu técnico sem que este se aperceba ou se preocupe directamente em fazê-lo.

Imaginemos um jogador inteligente e responsável. Numa situação de maior pressão, em que tem de decidir rápido, o instinto é algo que o ajuda a deliberar a melhor opção naquele momento. De outra forma, e tendo em conta a quantidade de informação a ser processada, em tão pouco tempo, esse jogador ficaria bloqueado: que tipo de passe deve fazer, deve segurar a bola ou não, a equipa ficará desequilibrada com o movimento que vai fazer, etc. É importante que o jogador não seja bombardeado com a necessidade de incorporar, de forma consciente, demasiada informação na sua decisão. A sua atenção deve centrar-se sobretudo naquele momento e deve ser o instinto do jogador a conduzir, de forma inconsciente, a decisão do individual a respeitar o ideal colectivo. Imaginemos que caminhávamos durante uma noite escura. O nosso instinto seria a iluminação que nos ajudaria na nossa caminhada, ficando apenas entregue à nossa consciência a preocupação em ultrapassar os obstáculos que surgissem nesse caminho. Assim, apesar do jogador respeitar o pretendido e esperado pela equipa, é “livre” de poder escolher a melhor opção naquele instante, focando-se apenas naquele instante.Daí a necessidade de criar hábitos que possam servir os propósitos do colectivo, reciclando aqueles que acompanham os jogadores.

Até aqui, demos sobretudo importância aos factores aplicáveis ao inconsciente, aos motivos que inconscientemente nos parecem empurrar na direcção de um certo tipo de decisões. Isto tudo através do método da repetição, aliado esporadicamente a factores orientadores. No entanto, acredito que esta fórmula sairia reforçada se incluíssemos um outro elemento nesta equação: a compreensão e o entendimento das razões que levam a que se opte por determinado estilo de jogo, determinado sistema, etc.

O objectivo de elucidar os jogadores sobre as razões a que levaram o seu técnico a optar por determinado modelo vai permitir aos mesmos perceberem como terão de reagir em qualquer situação do jogo, compreendo por que é importante que reajam de determinada forma. Esta questão, da compreensão dos motivos fundamentais do modelo de jogo, é determinante para o desempenho dos jogadores. Perceberem por que é que aquele modelo de jogo é o melhor, vai formar um colectivo mais forte através da convergência das individualidades. Só assim os jogadores vão poder, em conjunto, determinar o que está certo ou errado, qual a melhor opção em determinado momento, antecipando os movimentos dos seus colegas, ajustando posicionamentos em função de um erro, forçado ou não, por um elemento do todo, etc. Perceber a filosofia que orienta o todo (e o que está certo, ou errado, à luz da filosofia vigente), permitirá uma melhor, mais coordenada e mais rápida resposta dos jogadores nos mais variados momentos. O objectivo passa por conseguir incorporar o acaso, a dinâmica, e a imprevisibilidade do jogo nas acções individuais, sem que, com isso, o jogador seja afastado quer da linha orientadora que rege o colectivo onde está inserido, quer da liberdade de decisão, por mais paradoxal que isto pareça.

A verdade é que nenhum jogador é verdadeiramente “livre”; todos somos “escravos” dos nossos instintos, das nossas ideologias, da informação que fomos processando e interpretando. No entanto, não temos de recorrer conscientemente às nossas influências e hábitos, na hora de tomarmos uma decisão, concentrando-nos apenas na situação actual que temos de resolver. Porque não utilizar isso de uma forma positiva, na perspectiva do colectivo? O ideal será que o jogador sinta que não tem que tomar aquela decisão, mas que perceba que aquela é a melhor solução. Se conseguirmos alargar este sentimento à restante equipa, então, nesse momento, a nossa equipa funcionará inequivocamente como tal.

Por fim, gostaria de abordar um assunto de grande importância, se bem que nem sempre reconhecido como tal: a felicidade e auto-estima do indivíduo, neste caso, o jogador. Existe em todos os jogadores a necessidade de se evidenciarem, de se sentirem importantes, de perceberem que acrescentam algo à equipa. E nós respeitamos isso. Tão pouco pretendemos jogadores que, por partilharem da mesma ideologia futebolística, não consigam emprestar fantasia ou criatividade ao colectivo. A crença que reside exactamente nos antípodas disto. A percepção de que o todo compreende e conhece as partes vai permitir que os jogadores gozem da liberdade criativa que necessitam para se sentirem importantes, felizes e empenhados.

24 comentários:

Fernando disse...

Excelente texto Gonçalo!

Cumprimentos.

Nuno Cunha disse...

Acho o texto muito coerente e que vai de encontro a uma visão bastante eloquente do que é o futebol jogado!
Eu tenho debatido esta questão, e acho que em Portugal, um dos problemas com a vinda de demasiados sul-americanos, é que se tem perdido essa via de comunicação e interpretação intelectual, o que afecta até a própria identidade das equipas.
Vejo o Ajax e continua o Ajax de sempre, e na nossa liga há um caso muito particular que é o do Rio Ave, que joga com 9 portugueses no onze, sendo que 4 deles são de Vila do Conde.
Não achas que isto se relaciona com o facto de vermos estas equipas com uma identidade e um estilo de jogo completamente definidos?
abrç

Gonçalo disse...

Nuno, não tenho acompanhado muito de perto a equipa do Rio Ave, mas realmente parece-me uma equipa bastante organizada. O Ajax é um exemplo feliz, assim como o Barça.
Qt à vinda dos sul-americanos, eu penso que o problema reside acima de tudo na falta de identidade que os próprios clubes possuem. Vê o exemplo do Benfica: a linha orientadora que contrata o Quique, a seguir vai contratar um treinador como o Jesus? Por acaso escolheram bem, mas da-me a ideia que tanto podiam ter escolhido o Jesus, como o Jaime Pacheco. Não há um perfil definido para o futebol pretendido. Na minha opinião esse é o principal problema.

Um Abraço

Eduard von Hartmann disse...

Apesar de ser um excelente trabalho de reflexão feita por este autor, ao contrário
de outros autores que optam pelo lado mais fácil, este autor opta por caminhar por caminhos onde muitos poucos ousam pisar, o que despertou a minha atenção.
No entanto venho discordar e completar com certas suposições aqui expostas, como por exemplo:

[INSTINTO]
Não se pode padronizar o instinto nos atletas.
O instinto é algo inato á natureza humana, é algo que os nossos genes, ao longo dos tempos, aperfeiçoaram de modo a providenciar uma melhor possibilidade de sobrevivênvia e adaptabilidade do individuo e da própria espécie, ou seja, são as
instruções primárias que capacitam o individuo a vingar no ambiente em que está inserido, numa fase inicial.

O instinto nada mais é do que dados de opções a realizar para um determinado momento e situação, nada tem haver com opções reflectidas, ou por acumulação de
conhecimento tal como o conhecemos.

De um modo geral resume-se ao seguinte, " Ter "acções" sem no entanto ter consciência das mesmas."

Alteraria, com permissão do autor, o título desta reflexão, para "Filosofia da Espontaneidade Induzida".

E porque esta troca? Pelo seguinte motivo, não se pode modificar o instinto, o indíviduo não tem essa capacidade, tem no entanto a capacidade de alterar o seu
comportamento pós-instinto, sendo isso que os Treinadores tentam induzir aos seus atletas, o que resulta nas rotinas repetitivas a realizar pelo conjunto e comportamento individual dos atletas, para uma determinada acção.

Vejo o instinto como os nossos Pais que nos dizem sem explicar o que é bom ou mau, quando somos crianças, cabe depois a nós, ao longo do tempo, mediante a acumulação do conhecimento explorar e reflectir sobre a melhor ou a pior acção a tomar e isso já não é instinto, é uma acção pensada e ponderada, dito melhor reflexão.

"...ser o instinto do jogador a conduzir, de forma inconsciente, a decisão do individual..."
Esta incoêrencia, é de certa forma confusa, pois dá a entender que teriamos de comportar como zombies, durante todas as tomadas de decisão?

[INCONSCIENTE vs CONSCIENTE]
Se analisarmos a reflexão que aqui se propõe, tudo o que realizamos é muitissimo bem calculado pelo nosso insconsciente, ou seja todas as acções que tomamos por espontãneo nada mais são do que acções do nosso insconsciente.

("Podemos até pensar que o inconsciente, está presente para de um certo modo permitir que o individuo(consciente) não tombe, não é por nada que as pessoas religiosas vivem mais tempo que as pessoas não religiosas, porque o acreditar em algo impele o indíviduo(consciente) a continuar activo.E quem sabe se não será o insconsciente que "assombra" o
consciente a acreditar nisso.").

Isto porque o insconsciente que tendo mais capacidade de realizar proezas sobre-humanas realiza algumas acções que o próprio indíviduo tem dificuldade em explicar, note-se por exemplo que quando um jogador remata á baliza nem sequer olha para a baliza, no momento em que realiza a acção, essa acção é realizada posteriormente no seu insconciente, isto deve-se pelo facto de o nosso inconsciente ter acesso a toda a informação do meio, ao passo que o consciente
apenas tem acesso a uma pequena parte da acção e por isso mais limitativo, para as decisões de maior pressão.

Eduard von Hartmann disse...

[Livre Arbítrio]
O atleta não é livre de escolher a melhor opção para as suas acções,(apontado correctamente pelo autor), pois é condicionado, não só pelos obstáculos em curso,
mas como a posição dos restantes atletas no terreno, o ambiente, resumidamente de todas as variáveis presentes no momento anterior e posterior á acção a tomar e não só "naquele determinado momento".
Seria "livre", se ele próprio pudesse decidir onde todos os atletas, inclusivé os adversários, deveriam estar posicionados, para esta situação o atleta colocaria
todos os adversários sentados no banco a isso se chamaria liberdade.

Não é correcto indicar que, "O nosso instinto seria a iluminação que nos ajudaria na nossa caminhada, ficando apenas entregue à nossa consciência a preocupação em ultrapassar os obstáculos que surgissem nesse caminho."

Seria correcto indicar que, o nosso consciente seria a nossa iluminação que nos ajudaria na nossa caminhada, acedendo quando necessário ao inconsciente, sem que este,(o inconsciente), tomasse controlo momentãneo do consciente.
Porque quando o inconsciente toma lugar, nós,(o consciente), perdemos parte da acção e como tal não saberiamos explicar o sucedido de uma tomada de decisão e como tal não teriamos forma de nos controlar.
É necessário que mantenhamos a consciência e responsabilidade das nossas acções.

Eduard von Hartmann disse...

[Modelos de Jogo]
O insconsciente e o consciente tem, por vezes, a capacidade de determinar a melhor jogada para si e diminuir a melhor jogada para o adversário a isto dá-se o nome de Algoritmo MinMax, algo que todos nós realizamos até ao final das nossas vidas e que pode ser quantificado e quando algo pode ser quantificado, pode ser
determinado até a um limite próximo da verdade.
"O próprio autor consciente ou inconscientemente traduziu de uma forma quase precisa o algoritmo MinMax."

O jogo de futebol é em si constituido por regras, não só pelas regras inerentes ao
futebol, mas ás regras da física, matemáticas, psicologicas, entre outros, tal como um jogo de poker o resultado pode muito bem ser determinado para quem conhece
as regras do jogo em si, mas também as regras que regem o jogo.

No caso do futebol,o que torna tudo interessante, é os intervenientes apenas terem
uma pequena visão da acção que os impede de efectuarem a melhor opção global(dita a melhor opção), e têm de proceder á opção local(dita a opção que pode não
ser a melhor opção) e como quase todas as opções no futebol são opções locais, que tendem a atingir a opção global, um treinador tem dificuldades em implementar um determinado modelo se não tiver em posse de toda a informação referente aos jogadores, regras, etc, algo que o treinador José Mourinho usa abundantemente e por isso tem os resultados que tem, mas sem no entanto ter esporadicamente alguns
deslizes, e isto deve-se pelos jogadores e pela falha na solução global por parte do treinador.

Ou seja, mesmo que se crie hábitos nos jogadores para se tornarem mais eficientes, ou implementações de modelos, como cada jogador tem uma visão limitativa da acção, com o passar do tempo a aleatoriedade e a incerteza tornam-se evidentes e padrão em todas as acções
tomadas, ou seja, os pontapés balões, as faltas consecutivas, a agitação não amigável dos adeptos, os erros dos arbitros e de alguns dirigentes de futebol agirem como se fossem de um partido político qualquer.

Por isso o melhor modelo de jogo é aquele em que a equipa controla o seu jogo, não porque controla os adversários, mas porque tem controlo sobre as acções que devem
tomar.
Deste modo os jogadores, tendem individualmente, podar as piores opções que vão surgindo, optando pelas melhores opções, que conjuntamente resulta na melhor opção a tomar(opção global), de um modo simples o jogo em equipa.


[Felicidade e auto-estima]
O autor coloca uma questão pertinente, poucas vezes discutida, é o facto de
factores psicológicos afectarem o rendimento de um atleta, tal como a felicidade, um jogador feliz tem mais rendimento que um CR7, isto porque nós tomamos as melhores decisões quando estamos felizes, ou quando não sentimos pressão, mesmo quando esta existe.
Penso que todos os jogadores deveriam ter acções periódicas de "anger management".
Ou então aproveitarem os seus altos rendimentos para se instruirem e ganhar mais informação, uma pessoa informada tem mais hipoteses de efectuar melhores decisões
e controlar os seus instintos.

Numero Dez disse...

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Settore Offensivo

Carlos Almeida disse...

Gonçalo,

De facto, o Eduard von Hartmann tem razão. Há uma confusão dos conceitos "inconsciente" e "instinto".

A Periodização Táctica é um modelo de planeamento que, quando convenientemente trabalhado, fomenta o rendimento global do colectivo. Ainda assim, a aquisição/aprendizagem dos princípios ou sub-princípios inerentes a um determinado modelo de jogo é tudo menos inconsciente.

Os jogadores devem saber e perceber bem "o que fazer em cada contexto de jogo?", embora, por vezes, a concretização das suas decisões não surja devido a variáveis como o comportamento dos adversários, a fadiga, etc.

O instinto e a espontaniedade não são a mesma coisa. Um jogador de alto rendimento, ao longo da sua formação, refina uma série de competências perceptivo-cognitivas e motoras que em algumas situações o leva a agir de forma espontânea e perfeitamente adequada. Essas acções, no entanto, são voluntárias e, por inerência, conscientes, não surgindo por obra do instinto. Se assim fosse, sendo um instinto uma variável inata da maioria das espécies, qualquer ser humano seria um praticante exímio de Futebol, Basquetebol, Voleibol, Andebol, Râguebi e por aí fora.

Saudações!

BAD-RELIGION disse...

Ajax? Não deve ser o deste ano de certeza...

BAD-RELIGION disse...

Eu achei piada ao Betis, enquanto apostou na sua cantera, foi se mantendo na Primeira Divisão, quando começou a vender esses jogadores desceu de divisão.

Gonçalo disse...

Antes de mais, explicar que utilizei a palavra instinto para definir o aparelho inconsciente que nos ajuda a tomar decisões, e esse aparelho funciona com base em experiência e conhecimento. Apesar de não se manifestar conscientemente é baseado no conhecimento e experimental. As emoções, os sentimentos, etc., são um bom exemplo disto. Admito que poderá se colocar em causa a legitimidade da expressão utilizada, mas utilizei-a no contexto deste jogo, o futebol, assim como há outras do género: instinto goleador, etc.

V"ejo o instinto como os nossos Pais que nos dizem sem explicar o que é bom ou mau, quando somos crianças, cabe depois a nós, ao longo do tempo, mediante a acumulação do conhecimento explorar e reflectir sobre a melhor ou a pior acção a tomar e isso já não é instinto, é uma acção pensada e ponderada, dito melhor reflexão."

No futebol todas as acçções são reflectidas deliberadamente? Os jogadores analisam todos os dados antes de tormarem uma opção? e nas jogadas em que eles tem um, ou dois segundos para resolver uma situação nova com que se depararm? Eles bloqueiam? Ou decidem à sorte, de forma aleatória?

"...ser o instinto do jogador a conduzir, de forma inconsciente, a decisão do individual..."
Esta incoêrencia, é de certa forma confusa, pois dá a entender que teriamos de comportar como zombies, durante todas as tomadas de decisão?
"

Quando digo que o instinto nos conduz, digo que nos encaminha para determinda opção. Quando no teu dia a dia tomas uma decisão não equacionas de forma consciente todos os dados que tens à tua disposição. Há coisas que sentes, quando te deparas com uma situação, que te levam de forma inconsciente a escolher ou a rejeitar uma opção. O mesmo sucede no futebol. Na presença de uma jogada específica a maneira como tu vais resolver essa situação é encaminhada pelo teu inconsciente. Tu não tens tempo para parar e analisar todos os dados, tão pouco jogas de forma aleatória, então o que é que te leva a criar um padrão na maneira como tu resolves as jogadas em que tens de decidir em poucos segundos?

Se analisarmos a reflexão que aqui se propõe, tudo o que realizamos é muitissimo bem calculado pelo nosso insconsciente, ou seja todas as acções que tomamos por espontãneo nada mais são do que acções do nosso insconsciente.

("Podemos até pensar que o inconsciente, está presente para de um certo modo permitir que o individuo(consciente) não tombe, não é por nada que as pessoas religiosas vivem mais tempo que as pessoas não religiosas, porque o acreditar em algo impele o indíviduo(consciente) a continuar activo.E quem sabe se não será o insconsciente que "assombra" o
consciente a acreditar nisso.").

Não percebi esta parte. Tu achas que o inconsciente é um aparelho que não está intimamente relacionado com o consciente? A base do nosso "eu" consciente não é o nosso inconsciente?

Isto porque o insconsciente que tendo mais capacidade de realizar proezas sobre-humanas realiza algumas acções que o próprio indíviduo tem dificuldade em explicar, note-se por exemplo que quando um jogador remata á baliza nem sequer olha para a baliza, no momento em que realiza a acção, essa acção é realizada posteriormente no seu insconciente, isto deve-se pelo facto de o nosso inconsciente ter acesso a toda a informação do meio, ao passo que o consciente
apenas tem acesso a uma pequena parte da acção e por isso mais limitativo, para as decisões de maior pressão.

Aqui parece que estás mais perto do que eu defendo do que a refutar o que eu digo.

Ou seja, mesmo que se crie hábitos nos jogadores para se tornarem mais eficientes, ou implementações de modelos, como cada jogador tem uma visão limitativa da acção, com o passar do tempo a aleatoriedade e a incerteza tornam-se evidentes e padrão em todas as acções
tomadas, ou seja, os pontapés balões, as faltas consecutivas, a agitação não amigável dos adeptos, os erros dos arbitros e de alguns dirigentes de futebol agirem como se fossem de um partido político qualquer.

Gonçalo disse...

Ou seja, mesmo que se crie hábitos nos jogadores para se tornarem mais eficientes, ou implementações de modelos, como cada jogador tem uma visão limitativa da acção, com o passar do tempo a aleatoriedade e a incerteza tornam-se evidentes e padrão em todas as acções
tomadas, ou seja, os pontapés balões, as faltas consecutivas, a agitação não amigável dos adeptos, os erros dos arbitros e de alguns dirigentes de futebol agirem como se fossem de um partido político qualquer.


Não concordo quando dizes isto. Os jogadores não actuam de forma aleatória, sem padrão quando confrontados com situações não previstas. Actuam com base nas suas experiências e conhecimentos adquiridos ao longo dos tempos. E é o inconsciente que processa esses dados, eles não tem de deixar de se concentrar no jogo, para sentir que em determinado lance a opção x é a mais acertada.

Eduard von Hartmann disse...

Respeito a tua opinião que refuta em pleno com a opinião, por mim exposta, no entanto o que quis expor, possivelmente por minha culpa não a traduzi da melhor forma, é que mediante acontecimentos que fogem do normal, para este caso, os jogadores tendem a jogar não em grupo mas de modo individual, ou seja tendem a integrar nas suas acções, movimentações que apenas beneficiam o próprio em detrimento dos seus colegas, como exemplo temos o texto:"Como perder em 15 minutos", do autor Nuno, em que uma equipa claramente em vantagem, perde o controlo do jogo, pela inesperada resposta dos seus adversários.
A minha intenção na demonstração da aleatoriedade é que quando há uma ligação homogénea, as jogadas saiem de modo previsivél,surgindo a fluidez, no entanto quando a própria equipa deixa de ter essa ligação, a incerteza toma progressivamente conta das acções de cada jogador o que torna mais dificil discernir da melhor forma.
Daí que cada jogador tenta por si tentar obter o sucesso, sem que haja participação dos restantes.
E quando surge este tipo de situação, torna-se mais difícil prever, ou de até influenciar as próprias jogadas dos adversários, ficando há mercê das marés.

A tua última observação é verdadeira, mas penso que temos de estar concentrados em cada acção, o facto de o inconsciente estar a processar dados, não implica que tenhamos de perder a concentração, muito pelo contrário, o individuo está em cada instante a ponderar qual a melhor acção, o problema é que tanto o inconsciente e o consciente, em unissuno efectuam decisões ao nivel do nano segundo, o que dá a sensação de que não necessitemos de estar concentrados. Todas as acções que efectuamos são devidamente ponderadas e calculadas, dentro do limite de cada um.

Com isto deixo-te a seguinte questão:
O que acontece quando uma equipa claramente superior, não consegue marcar a uma equipa claramente mais fraca, sendo que no fim até perde a partida?

Aguardo pela sua refutação.
Obrigado.

Eduard von Hartmann disse...

Antes de prosseguir, percebi que não li uma das tuas primeiras opiniões, daí que a anterior resposta não esteja coesa, as minhas sinceras desculpas.

É óbvio que muitas das minhas opiniões vão de encontro com o do autor, apenas preferi colocar, o " venho discordar e completar, para obter uma resposta mais propício á refutação.

Respondendo ás suas questões:

No futebol todas as acçções são reflectidas deliberadamente?

Sim, são todas deliberadamente reflectidas, outras a nível do inconsciente e outras ao nível do consciente, a questão de se supor que nem todas as nossas acções são deliberadas, é de serem tão rápidas que pensamos que foi uma acção não reflectida, mas o nosso cerebro toma todas as devidas providências para que o individuo não tome o percurso errado, se lhe parece com esta minha última observação que existe uma dictomia entre cerebro e corpo, de facto até existe, posso lhe dar um exemplo, as mulheres quando estão a dar á luz, o cerebro ordena ao corpo que liberta certas endomorfinas, não só para atenuar a dor e aumentar a adrenalina, mas em parte para que a própria mulher se esqueça do momento do parto, é por falta da actuação deste mecanismo que certas mulheres obtêm depressões pós-parto, o parto é um trauma para a mulher. Resta saber quem comanda quem.

Os jogadores analisam todos os dados antes de tormarem uma opção?

Sim.
Eles bloqueiam?
Por vezes a informação é tanta, que o cerebro tem dificuldade, para determinar, num nano-segundo qual a melhor opção.
Daí que referi, o algoritmo MinMax, estamos constantemente a analisar e a descartar opções que podem futuramente não obter sucesso, para que não haja essa afluência desnecessária.

Eduard von Hartmann disse...

Ou decidem à sorte, de forma aleatória?

Eu diria de uma outra forma, quando se decide á sorte, não é bem "sorte" é apenas o seguinte, mediante certas variáveis de que disponho face a um determinado momento qual das minhas inúmeras decisões terá um exito maior?

...Aleatoriedade, as formigas para nós parecem que se comportam de forma aleatória, mas no entanto seguem regras bem estrictas, tal como nós.


Tu não tens tempo para parar e analisar todos os dados, tão pouco jogas de forma aleatória, então o que é que te leva a criar um padrão na maneira como tu resolves as jogadas em que tens de decidir em poucos segundos?

No decorrer de cada acção estamos a decidir qual a melhor opção e a descartar opções que para aquele momento não é o que nos dá o maior sucesso.
O cerebro permite-nos ponderar sobre inumeras acções, num espaço de tempo imensamente reduzido, tal com eu não preciso de pensar há medida que escrevo este texto, o que apenas faço é, após escrever, verificar se o que escrevi está correcto para este determinado momento.
Ou seja possivelmente o meu cerebro esteve durante ontem a prever e a seleccionar diversas respostas, mediante a tua resposta face ao meu post.

Não percebi esta parte. Tu achas que o inconsciente é um aparelho que não está intimamente relacionado com o consciente? A base do nosso "eu" consciente não é o nosso inconsciente?

De facto a nivel neurológico e psiquico existe uma dictomina ténue entre o consciente e inconsciente, deverás perceber que um dos muitos deveres do nosso inconsciente é guardar a sete chaves traumas passados, ou seja recalcamentos, para que nós, o consciente, não estejamos incessantemente a recordar esses traumas, porque traria ao consciente problemas de sustentabilidade. Podemos até afirmar que o inconsciente é o nosso anjo da guarda, ele guarda, controla os nossos orgãos, sem que tenhamos de pensar sequer em respirar a todo instante.
Isto não significa que não sejas parte do inconsciente, existe uma relação entre ambos, mas há certas coisas que não nos devemos aperceber.
A base do consciente é o inconsciente, mas ambos apenas interagem entre si, sem que haja interferências a ambas as partes.

Podemos dizer que o consciente toma conta da realidade externa, e o inconsciente toma conta da realidade interna, mas tutelando de forma sublime as acções do consciente.
Jung, descreve na perfeição a dictomina entre consciente e inconsciente.

Carlos Almeida disse...

Algumas correntes teóricas sugerem que o ser humano não necessita (sempre) de recorrer a processos nervosos centrais para produzir uma resposta.

Conhecem a teoria da Percepção Directa de James Gibson? A mesma defende que os seres vivos agem com base em invariantes do envolvimento, consoante as possibilidades de acção do seu organismo.

Por exemplo, nós para subirmos um degrau não precisamos de "pensar" sobre isso. Simplesmente agimos com base numa avaliação directa daquilo que o envolvimento nos proporciona. Esta teoria defende que não precisamos de recorrer a processos mediadores centrais para subir o degrau. Mas isso foi nos anos 70 do séc. XX.

Actualmente, reconhece-se que, em determinadas situações, se recorra a alguns processos centrais, nomeadamente a memoria. Ainda assim, os cientistas ecológicos argumentam que em contextos em que a acção é produzida instantaneamente, os jogadores executam o passe, o remate, o drible, o desarme, etc., em função de uma percepção directa das possibilidades oferecidas pelo envolvimento (uma linha de passe, um "buraco da agulha" ou a própria posição da baliza, quando o jogador se encontra de costas para a mesma).

Segundo esta perspectiva teórica, o treino permite que os jogadores vão ficando progressivamente mais afinados para as invariantes do envolvimento (por exemplo, uma bola em trajectória aérea).

Não sou eu que o digo, mas há uma série de investigações sobre o tema. Posso não me ter exprimido da melhor forma, porém não deixo de concordar com alguns aspectos do binómio "percepção-acção", porque, de facto, explicam muito do que é a acção desportiva em contextos específicos de desempenho.

Saúde!

Gonçalo disse...

Antes demais explicar que nem sempre disponho do tempo necessário para responder aos comentários, dai que demore algum tempo a responder.

Não há registo de eu defender acções desprovidas da razão. Nunca o fiz. Apenas defendo que há aspectos inconscientes, os quais, no momento em que tomamos uma decisão, apesar de não recorremos de forma deliberada a esses mesmos dados estão presentes nas nossas acções.Um dos livros que me levou a escrever este texto apresentava um estudo interessante, e que era algo deste género: as pessoas teriam de associar palavras positivas ou negativas a fotografias de pessoas. E a verdade é que quanto menor era o tempo para se efectuar as associações, maior era a associação de pessoas de descendência africana a palavras negativas. E isto aconteceu mesmo com pessoas afro-americanas( este estudo foi feito nos E.U.A.). Como é que explicas isto? Que eles optaram por realizar essa associação de forma consciente? Não. Eram racistas? Sendo grande parte deles afro-americanos? Não. Qt menor era o tempo, maior era o recurso a aspectos "inconscientes", neste caso falo de preconceitos criados pela sociedade. Eles não optaram por escolher aquelas associações. É neste sentido que eu defendo que há situações em que não deliberamos totalmente as nossas opções. Somos influenciados pelo nosso inconsciente a privilegiar determinadas opções em detrimento de outras. Agora esta influência inconsciente é baseada em dados que fomos recolhendo através do conhecimento e experiência. O que eu proponho é que consigamos criar uma "inconsciência2 em cada jogador convergente ao modelo que nós pretendemos para a nossa equipa.

"Podemos dizer que o consciente toma conta da realidade externa, e o inconsciente toma conta da realidade interna, mas tutelando de forma sublime as acções do consciente."

A explicação de Jung, aquilo que conheço, não é totalmente clara para o que abordo aqui. Mas tu qd dizes: " mas tutelando de forma sublime as acções do consciente."
não estás a defender, no fundo, o mesmo que eu?

Carlos, não estou familiarizado com essa teoria, e na altura acabei por não responder a tua questão. Eu admito que talvez tenha utilizado a expressão errada, mas sendo assim tb não faz sentido falar em instinto goleador, etc., certo?

Um abraço.

Eduard von Hartmann disse...

Mr.Carlos Almeida, you are right.


Penso que o ser humano recorre sempre aos seus processos neurológicos, aqui discordo com o Mr.James Gibson, porque antes do cerebro produzir uma resposta tem de aceder ás suas memórias, para ver se encontra algo que já tenha acontecido anteriormente e mesmo que seja algo inteiramente novo, vai á mesma há procura de memórias que mais se aproximam desse acontecimento.

Mas o o Carlos Almeida produziu uma mensagem consistente e clarificadora.

Eduard von Hartmann disse...

Mr.Gonçalo, é inequivoco que o que escrevi vai de encontro com as suas ideologias e respostas, mas é preciso existir divergências.

"...O que eu proponho é que consigamos criar uma "inconsciência" em cada jogador convergente ao modelo que nós pretendemos para a nossa equipa."

Na verdade esta proposta que aqui escreve já é usada há várias decadas, pelos nossos governos e empresas, a procura de uma resposta homogénea e que não defira dos restantes é o Holy Grail de certas individualidades.

No entanto isto pode gerar conflitos e comportamentos não desejaveis, tal como refere no estudo anterior, as pessoas demonstraram esses comportamentos e acções, não porque foram somente influenciados pela sociedade, mas porque tomaram como verdadeiro essas assunções, ora quem nos garante que um treinador que pretenda "alterar" o inconsciente dos seus atletas, para obtenção de sucesso seja o mais correcto ou sequer verdadeiro? Não será isto lavagem cerebral?

Presumo que seria melhor fazer entender aos jogadores, a razão da sua função e acções face aos dos seus colegas e adversários, mediante os seus conhecimentos passados e futuros e dar-lhes a opção de discernição e correcção.
Penso que será isto que quis propor, porque o criar uma "inconsciencia", dá um ligeiro toque a manipulação da mente.

The tendency to turn human judgments into divine commands makes religion one of the most dangerous forces in the world.

Carlos Almeida disse...

Gonçalo: "Carlos, não estou familiarizado com essa teoria, e na altura acabei por não responder a tua questão. Eu admito que talvez tenha utilizado a expressão errada, mas sendo assim tb não faz sentido falar em instinto goleador, etc., certo?"

Certamente que não faz qualquer à sentido, assim como não faz sentido recorrer expressão "jogo de rins" para caracterizar a agilidade de um defensor.

Como explicamos então o "instinto goleador"? Por um lado, os designados "matadores" refinaram, durante a sua formação, uma série de competência perceptivo-cognitivas que lhes permitem estar mais afinados para as invariantes do envolvimento em zonas propícias de finalização (e.g., avaliação da trajectória da bola num cruzamento, exploração de espaços vazios no sector ofensivo, etc.).

Por outro lado, esses mesmos jogades são mais competentes na execução de acções de finalização (cabeceamento ou remate), embora não devamos encarar este processo de forma indissociável, ou seja, os mecanismos perceptivos, cognitivos e motores funcionam como um todo estrutural.

Com as melhores saudações,

CA

Bimbosfera disse...

Boas! Devo dizer que vim aqui ter por causa do Lateral-Esquerdo, vi lá mencionado algures este blog, vi na lista de um dos autores de lá, resolvi vir aqui dar um salto, e eis senão que o tema é extremamente interessante, mas, neste momento, vou já só ler o resto dos comentários seguintes, se houver, e apenas publicitar o meu blog e convidar a darem lá um salto.

Bom, depois do nível aqui deste post e comentários devo dizer que o meu blog é tão somente um humilde blog de humor cujo tema ronda as superficialidades dos personagens do mundo da bola. No entanto devo já dizer que passarei a seguir este mesmo blog, já cliquei nos seguidores e tudo, e por isso «estarei de olho aberto ao que aqui se passar»!

Abraço

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

http://Bimbosfera.blogspot.com

P.s.- Tenho lá algumas petições activas, e uma votação, se quiserem votar e assinar estão à vontade! Obrigado e abraço!

Eduard von Hartmann disse...

Faz sentido, recorrer á expressão " instinto goleador", se tivermos em conta que o instinto é algo que predispõe o indíviduo há aprendizagem de certos comportamentos.

Não faz sentido, se pensarmos o instinto como algo absoluto.

No entanto venho discordar, faz de todo o sentido incluir o instinto na aprendizagem do atleta.
Porque a aprendizagem favorece o aperfeiçoamento das regras
comportamentais disponiveis no instinto, daí que temos a predisposição em
"naturalmente" sermos melhores a realizar certas tarefas, porque estamos a favorecer a ramificação dos nossos neurónios, para algo que o nosso corpo já tinha posteriormente "adquirido", ou dito melhor que mais facilmente
possibilita a interligação dos nossos neurónios, pois o "cerebro", já sabe como o fazer de forma eficiente e rápida.

No entanto apesar de um individuo ter um corpo agíl ou atlético, não
significa que será um jogador, ou atleta olímpico, se não obtiver treino específico desde muito cedo, tal como é impossivel alguém começar a jogar futebol perfeitamente, sem nunca o jogar.
Para quem já está a tentar responder, escrevendo,algo do género " e então os putos de 4 anos que jogam como caraças e fazem proezas que nem os
adultos fazem", eu apenas digo o acto de mover objectos com os nossos membros é inato, eu apenas perguntaria, quantas horas passou esse miudo até conseguir dominar e realizar essas fintas.


A melhor forma de um atleta se aperfeiçoar é através da experimentação e consequente teoria, e quanto maior e diversificado for a experimentação
maior a probalidade do atleta na obtenção do sucesso.
O nosso cérebro, tem a capacidade de efectuar predicções futuras, quando confrontado com o inesperado,através de inputs,
há medida de que estes vão surgindo, a isto dá-se o nome da teoria do Cérebro de Bayesian e como tal todas essas futuras acções são criteriosamente analisadas, umas descartadas e descontinuadas e outras
guardadas e implementadas,(Teoria MinMax), é uma espécie de estatistica muito bem elaborada.

O melhor jogador é aquele ao qual o seu cerebro/corpo tem uma melhor
capacidade de positivamente, ou perto disso , obter as melhores
predicções/acções futuras sobre o desenrolar da acção, face ás experimentações passadas e é este facto que permite o jogador antecipar ou a acompanhar devidamente a acção.

Em termos físicos é imperativo que o atleta desenvolva partes do seu corpo para a concretização de certos movimentos.
Em termos de percepção cognitiva, mesmo que o atleta esteja sujeito a intensas baterias de testes, não é garantido que este adquire
potencialidades acrescidas, ou que daí se "modele", um jogador "perfeito".


Devemos ter atenção que a FIFA detem apenas 5% dos jogadores em todo o mundo, ditos profissionais, os restantes 95% são aqueles que não estão inscritos na FIFA, denominados de amadores-profissionais e não surgem na TV.
O que demonstra muito bem a teoria de Darwin, nem todos chegam ao topo e é imperativo que isso aconteça.

Gonçalo disse...

"Faz sentido, recorrer á expressão " instinto goleador", se tivermos em conta que o instinto é algo que predispõe o indíviduo há aprendizagem de certos comportamentos."
E como é que defines o instinto? define a natureza desses comportamentos.

"No entanto venho discordar, faz de todo o sentido incluir o instinto na aprendizagem do atleta.
Porque a aprendizagem favorece o aperfeiçoamento das regras
comportamentais disponiveis no instinto, daí que temos a predisposição em
"naturalmente" sermos melhores a realizar certas tarefas, porque estamos a favorecer a ramificação dos nossos neurónios, para algo que o nosso corpo já tinha posteriormente "adquirido", ou dito melhor que mais facilmente
possibilita a interligação dos nossos neurónios, pois o "cerebro", já sabe como o fazer de forma eficiente e rápida.

Aqui não estás a ser muito claro, o que é q defendes ao certo? Que há instintos que favorecem determinados jogos?

Um abraço

Eduard von Hartmann disse...

Apenas quis referir que faz sentido incluir o instinto, porque há individuos que nascem com uma melhor apetência de vir a ser um atleta, devido há forma como o cerebro/corpo está organizado, que lhe possibilita dominar os seus membros inferiores e superiores, em função no dominio de um objecto e não só.
E se tivermos constantemente a favorecer o crescimento desses neurónios, através da experimentação, teremos uma melhor preparação, mais fluida. Porque o cerebro já sabe como efectuar essas ligações. O mesmo pode não acontecer, de uma maneira mais fácil, quando tentamos aprender novas matérias como música, quimica ou matemática, se ao longo de um vasto periodo apenas tivermos focado em apenas um atributo, neste caso a jogar futebol. No entanto é possível a aprendizagem destas novas matérias, mas como o cerebro terá de ramificar neurónios de uma parte ainda não explorada, torna-se mais moroso o que por vezes faz com que as pessoas desistem de explorar essas novas matérias, não significando que sejam menos inteligentes, simplesmente optaram por não prolongar essa exploração e ficar apenas com aquela que têm vindo inicialmente a praticar.

É por isto que crianças que são boas em matérias relacionadas com matemática, por vezes não têm prazer em desenvolver a sua parte física e vice-versa.
E é por esta razão que existem as captações de jogadores, há-de sempre surgir um que se destaca dos outros, ou porque para ele é fácil dominar um objecto com os membros ou porque potenciou, durante um tempo, as habilidades necessárias para o futebol.

Favorecer jogos? talvez, mas na minha ultima intervenção apenas especifiquei o sujeito.

Penso que esta frase dita pelo Físico Richard Feynman, vai de encontro com o que quis referir, nas minhas últimas intervenções:
"Mesmo que saibamos todas as regras, poderemos não ser capazes de explicar um particular movimento feito num jogo, simplesmente porque é extremamente complicado e devido há limitação das nossas mentes."

É muito mais fácil tirar ilações ou deduzir jogadas quando observamos um jogo de futebol da bancada,do que quando estamos no jogo como jogador.