domingo, 14 de março de 2010

Como perder um jogo em 15 minutos...

Faltavam menos de vinte minutos para o fim da partida e o Inter vencia calmamente o Catania. Num jogo de pouca intensidade, com o Inter a reservar energias para o embate a meio da semana com o Chelsea, os pupilos de Mourinho, baseando-se numa estrutura colectiva relativamente forte e concentrada, iam conseguindo manter o adversário à distância. O jogo parecia caminhar calmamente para o seu final, com o Catania a mostrar pouca capacidade para furar as linhas defensivas dos de Milão. Nesta conjuntura, como perder então um desafio? Simples. Possuir jogadores que, do ponto de vista intelectual, deixem algo a desejar.



Três golos, três infantilidades inadmissíveis a este nível. No primeiro lance, é Lúcio, um central excessivamente valorizado ao longo da sua carreira por certos atributos que, além de não possuir, não eram os mais importantes para a sua posição, quem falha clamorosamente. A jogada nem sequer é muito rápida, mas o defesa do Inter ocupa uma posição incrivelmente baixa, mantendo-se afastado da linha defensiva em cerca de dois metros. O que esta desconcentração causou, neste lance, foi evidente, com Maxi López a entrar no espaço à sua frente e posto em jogo pelo seu erro posicional. Do nada, graças a uma desconcentração que é até frequente no defesa brasileiro, o Catania igualava a partida. Estava dado o mote para o que viria a seguir.

Tentando mexer no jogo, Mourinho colocou em campo Muntari. O médio esteve em campo cerca de dois minutos. No primeiro lance que teve, rasteirou um adversário à entrada da área, fazendo uma falta perfeitamente escusada, dado que tinha vários colegas a tapar o caminho da baliza. De seguida, na cobrança do livre, fazendo parte da barreira, salta para tentar impedir que a bola o sobrevoe. Esqueceu-se que estava dentro da área, que já tinha um amarelo e que o futebol não se joga com as mãos. Em dois minutos, viu dois amarelos e ofereceu de bandeja o segundo golo ao adversário. Converter a grande penalidade à Panenka, estando o jogo empatado, é merecedor de destaque. O autor foi Mascara.

Em poucos minutos, o Inter passara da condição de vencedor à de vencido e tinha agora um jogador a menos. Mas não era ainda tudo. Já a acabar, Lúcio volta a falhar uma abordagem a um lance, não conseguindo cabecear a bola, e Martinez fica com ela. A forma como o uruguaio do Catania conseguiu passar por Lúcio tem a ver também com a incapacidade que este sempre demonstrou, ao longo da carreira, para ficar em contenção. Procurando estar em cima do adversário, quando lhe deveria ter dado mais algum espaço, de modo a poder reagir condignamente, ficou demasiado perto deste e não foi capaz de lhe evitar o drible. Mas Lúcio não foi o pior defensor neste lance. Materazzi, que só tinha que fazer cobertura ao colega, veio à parva tentar ser ele a desarmar Martinez. Passara-lhe possivelmente pela cabeça até pontapear o adversário. O que os neurónios de Materazzi não previram, porém, foi que no momento exacto em que tenta ultrapassar Lúcio, pela esquerda, o uruguaio finta o colega pelo outro lado, ultrapassando assim, de uma assentada, dois opositores. Depois, ainda driblou Júlio César e fez o terceiro.

Resultado final: três golos oferecidos. É o que dá confiar em jogadores intelectualmente displicentes. Materazzi, Muntari e Lúcio podem ter certos atributos louváveis, mas são francamente medíocres do ponto de vista intelectual. E, hoje em dia, o intelecto é o requisito máximo de um atleta de alta competição. Jogadores de alto nível não podem cometer erros deste tipo e prejudicar um colectivo desta maneira. As grandes equipas, por definição, não se podem dar ao luxo de possuir nas suas fileiras jogadores que, a qualquer momento, por não estarem concentrados, oferecem brindes deste tipo aos adversários. Mourinho, em tempos, era um treinador que dava especial valor ao intelecto. Parece agora excessivamente acomodado ao que ganhou e à sua própria fama. As suas equipas são cada vez menos imaginativas, os seus jogadores cada vez menos inteligentes e cada vez mais brutos. Não sei se Mourinho terá capacidade para se reinventar e para perceber onde estão as suas principais falhas. Se a tiver, talvez consiga tirar deste desafio as ilações devidas.

52 comentários:

Fernando disse...

Boas Nuno,

Não concordo contigo em relação a Lúcio. Pode não ser um jogador extremamente inteligente mas também não é "francamente medíocre". É um central bastante parecido com o Pepe que, de resto, também acho que o desvalorizas de mais. Lá por ambos terem uma capacidade física fantástica não significa que a inteligência tenha necessariamente que ser inversamente proporcional.

Quanto aos outros dois jogadores de que falas, esses sim, têm capacidades de concentração e consistência miseráveis para o clube em que jogam.

Em relação a Mourinho, não percebo a admiração. Ele sempre deu bastante valor a capacidades físicas... Chegou a referir, por exemplo, que só concebia laterais e médios defensivos de estatura elevada. E muitas das suas aquisições parecem ter tido o factor físico como principal objectivo.

Cumprimentos.

Nuno disse...

Pois, é parecido com o Pepe, é. Também acho. São até muito parecidos. Embora o Pepe seja mais rápido e ágil. Mas naquilo que interessa são muito parecidos: excessivamente impetuosos, lêem mal os lances e não estão concentrados no que devem estar. Não é tão mau como o Materazzi, evidentemente, mas está longe dos 10 melhores centrais do mundo e é, por exemplo, inferior ao Córdoba e ao Chivu, só para dar dois exemplos deste Inter.

Claro que o terem capacidades física fantásticas não implica o inverso em inteligência. Há defesas que são inteligentes e fisicamente poderosos: John Terry, Rio Ferdinand, etc.

Quanto ao Mourinho, o que dizes não é verdade. Não o era no Porto e não o foi no Chelsea, tirando sobretudo a última época. Foi uma tendência que se veio a agudizar e que teve o seu auge esta época. O ano passado ainda jogou vários jogos com dois centrais baixos por opção. Este ano nem vê-los. Acho que cedeu um pouco ao facto de os jogos em Itália serem muitas vezes decididos nas bolas paradas e não resistiu a isso. Mas ele não foi sempre assim, garantidamente. Então dizer isso acerca do Porto dele é quase um disparate. Que jogadores possantes é que ele tinha? O mais possante era o Maniche, para aí.

Mister D disse...

Por falar em contenção, meu caro Nuno, também podes falar no lance do 4º golo do Arsenal, em que o Raúl Meireles não sabe fazer a contenção e vem a recuar em demasia, para deixar o jogador do Arsenal (n me lembro do nome) soltar a bola para Eboué fazer o resto...

Balakov10 disse...

O Lúcio é extremamente supervalorizado sem dúvida, mas o grande problema deste Inter é ter um plantel apenas razoavel. Thiago Motta, Materazzi, Muntari e outros que tais não têm nível para uma camisola daquele calibre

http://aoutravisao.wordpress.com/

Nuno disse...

Mister D., no lance do golo do Eboué, o Raúl Meireles faz o que tem de fazer. Ele fica no um para um com o Arshavin e não pode obrigar o adversário ao drible por essa mesma razão e por este ter clara vantagem nisso. Recua, constrangendo o movimento de Arshavin e esperando reforços. A verdade é que os reforços até chegam, mas esse jogador, depois, não vendo que Eboué se ia soltar, não acompanha o movimento. O Raúl Meireles, em situações como aquela, deve fazer contenção, porque não tem forma de chegar ao Arshavin antes de este se virar para o jogo. Se tivesse, poderia ter matado logo a jogada. Não o conseguindo, deve fazer contenção e esperar reforços. Foi o que fez.

Miguel disse...

Às tantas, Mourinho queria o Pelé de volta...eheheh

Miguel disse...

Quanto a Mourinho gostar de jogadores físicos, isso é verdade. Mesmo no Porto. Nuno Valente, Maniche, Paulo Ferreira, Derlei e benni Mcarthy (contratados por Mourinho)não têm/tinham propriamente o físico de um Nuno Assis. Ah, e falta o pedro Emanuel que não era nenhum peso leve e que nos primeiros tempos sentava R. Carvalho no banco. Não me parece que Mourinho desvalorizasse tanto a capacidade física em detrimento da inteligência. Não é que estes jogadores fossem burros, mas carvalho, por ex., sempre foi inteligente a ler o jogo e mais eficaz que Pedro Emanuel, no entanto, demorou até que Mourinho optasse por Carvalho quando toda a gente já sabia que este era melhor que Emanuel. E Carvalho já vinha da época anterior...Não digo que Mourinho apenas desse relevancia ao físico, mas acho que sempre o considerou da mesma importancia que a inteligencia...

JFC disse...

o terceiro golo parece uma jogada de futebol distrital...

MHumberto disse...

Talvez com alguma sorte o Mourinho possa ler isto e quem sabe rectifique o que tiver de rectificar ... depois de festejar mais 1 Campeonato claro esta, outro.

Revejam o jogo que o Lucio fez frente ao Inter, e depois opinem mais um pouco sobre a sua mediocridade.

Atentem nos ultimos planteis do Mourinho, de onde resultam frequentemente 11's com pelo menos 4 ou 5 veteranos de inicio, repletos de experiencia ... Zanetti, Stankovic, Figo, Cambiasso, Ibrahimovic, Eto'o ... tudo jogadores imensamente atleticos, possantes, autenticos tanques, sem nenhuma ponta de categoria decerto ... especialmente o Cambiasso e o Zanetti, muito fraquinhos, mediocres, quanto o Lucio.

Talvez o problema do Mourinho seja ter um conjunto de jogadores que fazem uma equipa o suficientemente forte para ser campea no (facilimo, decerto) Campeonato italiano mas, ser menos forte do que 3 ou 4 equipas de Espanha e Inglaterra, e que assim torna mais improvavel ganhar a LC.

Sim, e esta a razao do Mourinho ter regredido: nao ganhar a Liga dos Campeoes, novamente. Ganhou apenas 1 vez, foi 2 vezes a meias finais e 1 vez aos 8os, eliminado por uma das equipas que marcou presenca na final.
Este ano, esta em vantagem na eliminatoria, frente a equipa que lidera - assim cumpra o jogo em atraso - o Campeonato em Inglaterra.

Muito fraco o Mourinho se tornou de facto ... tanto que concebe possuir jogadores mediocres, cepos que nao sabem jogar a bola.

Santa paciencia ...

Cumprimentos levezinhos, uma vez mais.

MHumberto disse...

Frente ao Chelsea*. la em cima.
E ja agora revejam - ou vejam - ou leiam, o que o Ancelotti disse do Lucio, no fim desse jogo.

Mas facam-no por uma questao de curiosidade claro. Longe do Ancelotti saber mais do assunto do que vossas excelencias ...

JL disse...

Nuno,

Mais uma semana, mais uma demonstração da "sorte" de Liedson. Há 15 dias, Liedson marcava porque tinha sorte. Marcou 4 golos. Afinal, explicou o Nuno, não era tanto a sorte, mas antes o facto de Liedson consumir a frente da ataque e não permitir outra produtividade da equipa. Liedson marca um, sofre a falta que dá origem a outro e assiste ainda para um outro, i.e., jogou e fez jogar. Sorte madrasta. A tua, claro, que a do Liedson parece estar bem e recomendar-se.

Nuno, faz-me um favor, escreve aqui que o Liedson tem o enorme defeito de não marcar em jogos europeus. Com a apetência que ele parece ter para semanalmente desmentir as "lições" que dás aqui na tua cátedra, pode-se já contar com um golo ao Atlético.

Mas, ao que parece, nem só de teses inovadoras sobre jogadores consensualmente tidos como competentes se faz a doutrina de Nuno. A doutrina de Nuno assenta também na exaltação de jogadores como Nuno Assis, que, apesar das múltiplas oportunidades em vários Clube, parece, por coincidência, certamente, só produzir em equipas mais fracas. Uma leitura menos avisada poderia levar à conclusão que Nuno Assis vive no limbo dos jogadores de futebol, aquela franja de qualidade acima do Guimarães onde pontifica, mas abaixo dos grandes, onde se arrastaria. O que vale é que temos o Nuno, que com a humildade e o respeito pela diversidade de opinião que é seu timbre, nos ilumina a todos sobre não só as mirabilia arcanae de Nuno Assis, mas também sobre as nossas confrangedoras limitações cognitivas por não reconhecermos esta verdade absoluta sozinhos e andarmos sozinhos na escuridão até iluminados por Nuno.

Para completar, outra pérola: Os jogadores não têm tarefas, e quem não percebe isto, não tem como ver o futebol como um desporto colectivo. Parece que é paradoxal. Depois de negar as qualidades de Liedson, comparar-se a Galileu, apodar-se de visionário e acusar Mourinho de já não preencher os seus elevados padrões de excelência, Nuno sente-se agora confortável para desmentir Adam Smith ao afirmar que a especialização de tarefas não comporta vantagens colectivas. Ao que parece, a "tarefa" é "fazer o melhor em cada momento", e os jogadores têm apenas "posições", que parecem estar arredias de qualquer "job description". É andar por ali e fazer o que for preciso. A tese é então a do jogador enquanto passepartout. Prevejo que os textos coligidos deste blog vendam mais que "A Riqueza das Nações". Até tenho vontade de discorrer um pouco sobre como os jogadores de futebol têm características morfológicas, técnicas e intelectuais que os vocacionam para certas tarefas, e como, assim sendo, a sua posição no campo é consequência e não causa da especificidade dessas mesmas tarefas. Apetece-me ainda chorar na campa do treino específico para certas posições, que trabalham as tarefas próprias de um jogador que actue numa determinada posição, e que foi morto pelo quantum leap dado por Nuno neste blog, que nega o seu valor, e até, in limine, a sua existência. Mas confesso que tenho algum medo que o Nuno me chame logo um nome elaborado qualquer ou me compare a um animal em vias de extinção, e como eu não andei no FMH, não tenho as necessárias ferramentas técnicas, teóricas e intelectuais para me bater com tão ilustre personalidade.

Um abraço e agora aguardo pelo teu também já conceituado argumento "é pena é não teres ideias, por isso não te respondo".

Pedro disse...

Não há treinador que resista ao disparate do Muntari. Qqr táctica vem por aí abaixo qd aquilo acontece. Mas parece q Mourinho não consegue estabilizar em Itália, estará a sentir mais dificuldades do q pensava. É claro q o Inter é campeão mas isso tb o foi com Mancini. A verdade é q o Inter joga feio, muito feio, e na Europa não teve qqr evolução.

O Nuno Assis rendeu e muito no Benfica. Foi peça fundamental no titulo de Trap. Mas o Nuno não defende que o Assis seja o melhor do mundo.

farfalheira disse...

E a caga do Liedson!?? Porra, nos 3 golos..

Nuno disse...

Miguel diz: "Não digo que Mourinho apenas desse relevancia ao físico, mas acho que sempre o considerou da mesma importancia que a inteligencia..."

Pá, isso não é verdade. Basta leres alguns livros sobre o pensamento do Mourinho. E achar que Nuno Valente, Paulo Ferreira, McCarthy, Derlei e Maniche foram contratados por causa do físico é no mínimo estranho. No Porto de Mourinho, Postiga foi determinante no primeiro ano; Pedro Mendes, Alenitchev, Carlos Alberto no segundo. Tinha ainda Paulo Ferreia, Ricardo Carvalho, Deco, jogadores inteligentes e nada físicos. Não tinha Muntaris... E fez o que fez... É uma diferença grande...

MHumberto diz: "Atentem nos ultimos planteis do Mourinho, de onde resultam frequentemente 11's com pelo menos 4 ou 5 veteranos de inicio, repletos de experiencia ... Zanetti, Stankovic, Figo, Cambiasso, Ibrahimovic, Eto'o ... tudo jogadores imensamente atleticos, possantes, autenticos tanques, sem nenhuma ponta de categoria decerto ... especialmente o Cambiasso e o Zanetti, muito fraquinhos, mediocres, quanto o Lucio."

Pá, eu nem sequer percebo aquilo que queres dizer. És mentalmente gago, não és? Pá, não achamos o Cambiasso e o Zanetti medíocres. Chega? O que eu não percebo é por que é que se veio falar no resto dos jogadores do Mourinho, quando aqui foram referidos, especificamente, estes três...

"Sim, e esta a razao do Mourinho ter regredido: nao ganhar a Liga dos Campeoes, novamente."

Ouça, você é novo aqui e percebo que tenha vontade de entrar a partir tudo. Mas dê-se ao trabalho de ler o que costumamos escrever. Não nos interessa os resultados. O nosso argumento nunca se baseia no ter ou não ter ganho isto e aquilo. Quando dizemos que regrediu, é porque o futebol que as suas equipas pratica regrediu. Não se trata de ter deixado de ganhar ou não. Foi perdendo certas coisas. Começou ainda no Chelsea e estendeu-se ao Inter. O futebol das recentes equipas de Mourinho é inferior ao que as suas primeiras equipas apresentavam. É isso que está a ser dito.

JL diz: "Mais uma semana, mais uma demonstração da "sorte" de Liedson. Há 15 dias, Liedson marcava porque tinha sorte. Marcou 4 golos. Afinal, explicou o Nuno, não era tanto a sorte, mas antes o facto de Liedson consumir a frente da ataque e não permitir outra produtividade da equipa. Liedson marca um, sofre a falta que dá origem a outro e assiste ainda para um outro, i.e., jogou e fez jogar. Sorte madrasta. A tua, claro, que a do Liedson parece estar bem e recomendar-se."

JL, a quantidade de merda que dizes nesta linhas é verdadeiramente assustadora. 1) Liedson voltou a ter sorte. É uma oferta inacreditável do defesa do Vitória. Qualquer energúmeno que se atreva a dizer o contrário, será obviamente tratado com o desprezo com que é tratado um atrasado mental. 2) No lance do primeiro golo, a existência da falta é, no mínimo, duvidosa. O João Alves tem as mãos no ombro do Liedson, mas o Liedson deixa-se claramente cair. 3) Nunca se disse aqui que o Liedson não era decisivo em 1 ou 2 lances. O que disse, e repito, é que no conjunto, Liedson prejudica mais do que ajuda. O facto de ter participado em 2 ou 3 lances de ataque significa o quê? Serve como argumento para quê? Só um atrasado mental é que, depois de tudo o que já foi escrito aqui sobre o assunto, tem a desfaçatez de vir aqui argumentar contra o que digo com os exemplos dos lances dos golos. Pá, vê o jogo inteiro. Reporta-te ao conjunto dos lances, se faz favor. Se não, estás só a perder tempo.

Nuno disse...

"Nuno, faz-me um favor, escreve aqui que o Liedson tem o enorme defeito de não marcar em jogos europeus. Com a apetência que ele parece ter para semanalmente desmentir as "lições" que dás aqui na tua cátedra, pode-se já contar com um golo ao Atlético."

Pá, o que eu digo é que o Liedson tem muitas dificuldades em marcar contra equipas que defendam bem, de forma organizada e colectiva. Em Portugal, este ano, teve azar, porque há mais do que uma equipa (normalmente era o Porto) a defender bem, de forma organizada. Há o Benfica, o Braga, a Académica, o Porto, e até o Rio Ave, este ano. E o Liedson ainda não marcou, esta época, a estas equipas. Contra o Atlético, não me admiro que marca. As equipas do Quique têm alguns princípios defensivos interessantes, mas depois joga num duplo-pivot que concede sempre espaços entre sectores. Assim sendo, não me admiro.

"A doutrina de Nuno assenta também na exaltação de jogadores como Nuno Assis, que, apesar das múltiplas oportunidades em vários Clube, parece, por coincidência, certamente, só produzir em equipas mais fracas."

Eu sei que o Benfica é grande, mas daí a ser "vários Clube" vai uma grande diferença? Se bem que a ausência da marca de plural em "Clube" parece indiciar uma posição acertada. O Nuno Assis brilhou no Benfica. No de Trapattoni. Com Koeman, sempre que entrou, foi dos melhores. Infelizmente o holandês não tinha ideias e preferia o Beto. Certamente, porque achas que o Nuno Assis não tem valor, também preferirias. São opções. Com Fernando Santos, voltou a ser muito utilizado e foi muito útil ao Benfica. Depois, Quique dispensou-o, apesar de ter sido o melhor jogador na pré-época, coisa que o próprio Quique chegou a referir. Preferiu ficar com Balboa. Também são opções.

"Nuno sente-se agora confortável para desmentir Adam Smith ao afirmar que a especialização de tarefas não comporta vantagens colectivas."

Em primeiro lugar, uma equipa de futebol não é uma sociedade a gerar riqueza. Nem tão-pouco pode ser entendida como algo em que, se cada um fizer aquilo para que está especificamente preparado, o todo é o mais forte possível. Isto por uma razão simples. Porque futebol não é matraquilhos. Um avançado tem que fazer muitas das coisas que um médio faz, existe dinâmica e permutas de posições constantes, os movimentos de cada jogador são definidos pelos movimentos dos restantes colegas. Trata-se de um jogo em que os jogadores não têm propriamente uma função. Isto é assim por definição. O que estás a tentar fazer é aproximar o futebol do futebol americano. Aí sim, os jogadores têm funções. O Quarter back tem uma função, o Running back outra, etc... No futebol, porque é muito mais dinâmico e complexo, as funções de um são muitas vezes a de outro. Não estou a desmentir o Adam Smith, embora me pareça que estás a reduzir excessivamente e a descontextualizar aquilo que é dito por ele, porque simplesmente estou a falar de uma coisa completamente diferente. E é quase assustador que continues a pensar que, por ter dito que os jogadores não têm funções, aquilo que resulta é os jogadores andarem por ali a fazer o que for preciso. Não é. E ao contrário do que pensas, o futuro do futebol tende a caminhar não para a especialização, mas para a generalização. Dou o exemplo, como sempre do Barcelona. Achas mesmo que os jogadores têm tarefas? Não achas que existe uma identidade colectiva que está acima daquilo tudo? Como vês, discuti os teus argumentos. É isso que acontece quando as pessoas tenta argumentar. E ainda que praticamente não o tenhas feito senão usando a ironia, procurei não te fazer a desfeita.

farfalheira, não me apetece falar com pessoas que só viram os golos do jogo...

saint disse...

Alguém tem aí o nº telemóvel do Liedson? Precisava de umas dicas para o EuroMilhões...

Nuno disse...

Que comentário tão idiota... Resulta essencialmente de não se saber ler...

MHumberto disse...

Nuno, porque preciso de matar uns minutos:

As tuas palavras: "Este ano nem vê-los. Acho que cedeu um pouco ao facto de os jogos em Itália serem muitas vezes decididos nas bolas paradas e não resistiu a isso."

Como sou mentalmente gago vou repetir e fazer zoom do "a isso".
"A isso": o que Fernando havia dito, sobre o Mourinho rodear-se fundamentalmente de jogadores possantes fisicamente, essencialmente.

Fazemos o seguinte: esquece o Zanetti, o Cambiasso, o Figo, o sérvio, o camaronês ou o ido sueco.
Concentra-te no Maicon, no Sneijder, no Quaresma, no Milito ou no Bolatelli. Este último aliás - lançado pelo Mourinho - a juntar ao Quaresma - reforço pelo Mourinho indicado à sua Direcção - confirmam essa necessidade do Mourinho de fazer plantéis compostos por bestas quadradas de 100 kg sem jeitinho algum.

Tens razão portanto, tu e o Fernando. Ou o Fernando e tu, ele falou primeiro. (Não leves a mal as repetições, a gaguez mental tem disto).

Quanto ao Lúcio, 90 jogos pela Selecção do Brasil, mais de 200 pelo Bayer Leverkusen, quase 150 pelo Bayern Munich e agora chamado pelo Mourinho para reforçar o Inter ... não chegam para atestar da sua qualidade.

O teu vídeo manhoso de 3 minutos do YTube encerra mais força, tens razão. Novamente.
Já agora, há um vídeo giro do Schemichel com mais de 30 frangos ao serviço do Manchester, podes quem sabe analisá-lo também e qualificá-lo de medíocre (ao dinamarquês, não ao vídeo claro). Fica a sugestão.

E já agora e sobre o que dizes do Liedson em resposta ao JL. De facto só um atrasado mental não qualifica o golo de ontem como tendo sido de sorte ... ou um atrasado mental, ou alguém que não sofra de complexos intelectuais de inferioridade misturados com um qualquer amor bela bola, um destes casos Nuno, será um destes ...

Quanto à tua facilidade no recurso ao insulto - directo ou mascarado - não me choca, e assenta-te bem.
(Vem com os complexos).

Nuno disse...

MHumberto, a mim, pelo contrário, choca-me muito certas coisas. Choca-me, por exemplo, que não saiba ler um texto. Quer ver?

Pega na minha frase que começa "Este ano nem vê-los" e acha que me estou a referir a todos os jogadores de campo. Era fácil se tivesse percebido que eu estava a referir-me apenas a centrais, coisa que a frase exactamente anterior denuncia, ao se dizer: "O ano passado ainda jogou vários jogos com dois centrais baixos por opção." Logo, ter começado a pensar no plantel todo por causa desta frase não faz sentido nenhum. Ou melhor, faz todo o sentido quando não se sabe ler. De resto, ninguém está a defender que o Mourinho só tem jogadores atléticos. O que se está a defender é que o Mourinho nunca quis nem um jogador que não tivesse cérebro e que só valesse pelos seus atributos físicos. E agora tem vários: Muntari, Materazzi, Lúcio, etc.
Por todas estas confusões, recomendo seriamente que volte à escola, talvez até à primária, altura em que é provável que tenha interrompido a sua educação. Tente aprender a ler. E depois volte, mais calminho e com capacidade intelectual suficiente para falar comigo. Obrigado!

saint disse...

Só um gajo com uma sorte do caraças (uma autêntico Gastão) é que conseguia marcar aquele golo... uma pessoa normal teria "apenas" atirado por cima..

Assinado: aquele que não sabe ler !

MHumberto disse...

Fá-lo-ei Nuno, mas deixa-me só - antes de fazê-lo - responder-te qualquer coisa já (ainda vão uns bons anos desde a primária até ao doutoramente "Galileu Galilei" que orgulhosamente ostentas, e como não quero que esperes muito, repara só no seguinte):

Não precisas de dissecar a semântica usada para afirmar o desdito. Não precisas, nem deves.
O Mourinho nunca quis. Ninguém aqui defende que. Mas - dizes tu - que os tem, tem-nos (isto qualifica como repetição e gaguez mental?).
Não compliques Nuno, quiseste então dizer que o Moutinho quer cepos mas só para a posição de central, é isso?

Se for isto, esquece lá a questão e perdoa-me os cm3 a menos que não me deixam (saber) ler como deve ser.

Se não for isto, e o que quiseste realmente dizer - sem conseguir explicar - foi que o Mourinho de repente baixou de nível enquanto Treinador, contrata mal, e um dos exemplos dessa sua menor - pós Stamford Bridge - qualidade é a contratação do "medíocre" Lúcio, pois então não sei ... esquece a questão também.
Não és obrigado a saber mais do que aquilo que sabes, nem ninguém te impede de divagar sobre assuntos dos quais possuis noções mas ... sobre os quais estás longe de estar capacitado para falar deles da forma que falas. Rotular jogadores, treinadores, suas qualidades ou defeitos, e basicamente toda a diarreia mental que por aqui libertas.
De novo e para que me entendas bem: da forma que o fazes.

Não obstante - e naturalmente - tens o direito.
Mesmo tendo-o, não tens a propriedade.
É bastante simples, e se quiseres entendê-lo só tens a ganhar com isso.

Ps: A questão Liedson, é dor de corno por não teres lá nenhum como ele no teu Clube?

MHumberto disse...

Doutoramento*
Mourinho*
clube*

LMGM disse...

Uma pequena dúvida, "Converter a grande penalidade à Panenka, estando o jogo empatado, é merecedor de destaque. O autor foi Mascara."

Destaque pela inteligência ou pela estupidez?

Zé Barbosa disse...

Nuno, apesar de concordar e achar interessantes algumas análises, e até perceber onde queres chegar com outras... peço-te para deixares de denegrir a imagem da minha faculdade onde não andas só tu. Podes ter a tua opinião e as pessoas outra sem ser preciso insultares... atenção que o mercado é cruel....e que assim que tiveres a tua equipa, à primeira derrota serão muitos a cair-te em cima. ou nao vais perder?? se não tiveres lá gajos com sorte a marcar golos vais perder alguns de certeza.
Já agora diz-me de que ano e turma és, gostava de falar contigo. sem teclados e monitores...pq como disse no inicio, tens ideias muito interessantes...umas que coincidem com as minhas, outras nem por isso... mas assim iniciam-se conversas, trocam-se impressões, e acima de tudo aprende-se..... olha que o galileu nao percebia muito de futebol...

José Leal disse...

E já agora seria interessante o reverso da medalha, isto é, explicar como o Catania ganha o jogo em 15 minutos.

JL disse...

Ah, ainda andas na escola? Pois, está tudo explicado. Achava que tinhas experiência...sei lá, em qualquer coisa.

Agora já percebo a empáfia e falta de humildade. Ainda achas que vais treinar o Benfica na final da Liga dos Campeões, e que a equipa que te tenha ao leme vai andar sempre a somar, porque tiveste melhor nota que o Mourinho em várias cadeiras.

Quando acabares a dar aulas de educação física numa C+S em Linda-a-Velha, e a pores os putos a jogarem damas no pavilhão quando chover, logo te passam as peneiras.

Mas, e porque apesar de ainda seres novinho (presumo), não te quero deixar sem resposta, aqui vai:

Sobre o Liedson: Gajos melhores que tu no métier (que são todos, porque pelos vistos experiência tens zero) convocam o Liedson para a equipa principal do SCP e (pasme-se) para a Selecção Nacional. Numa e noutra o Liedson marca, assiste e mete a cabeça em água aos defesas. Queres continuar a debitar as tuas alarvidades em nome duma qualquer noção de nicho ou de "luminária-alternativa-que vê-o-que-os-meros-mortais-não-conseguem-ver", continua, que o Levezinho, conforme já te disse, lá continuará a marcar golos e a marimbar-se para as tuas teses. Não discuto factos e números com um gajo que parece genuinamente achar que está a ver certo o que toda a gente vê errado.

Quanto a chamares-me atrasado mental e salientares a falta da marca plural numa palavra, nem sei que te diga. Tanta mania e nem conseguires reconhecer o chamado "lapsus calamis" é grave e talvez aconselhe acompanhamento clínico.

Quanto ao Adam Smith, uma equipa de futebol só não é um conjunto de gajos a fazer cada um a sua parte em nome do proveito comum na tua cabeça. Há efectivamente especialização, o avançado tem, ultima ratio, que fazer golos, e o guarda-redes tem que os impedir. São estas as suas tarefas (grosso modo, claro), e é nelas que eles têm que se melhorar e produzir, sob pena da sua presença na equipa se deixar de justificar.

A este respeito, o teu argumento de o avançado ter que fazer coisas que o médio também faz não colhe, porque estás a falar de actuação de circunstância, de o avançado estar ali e ter que suprir uma falha de quem ali devia estar, o que em nada choca com a concepção de Adam Smith, que é, generally speaking "se cada um fizer só uma coisa e a fizer bem, o todo vai ser mais do que a soma das partes".

Mas discorreres longamente sobre nada e teres teorias avant-garde sobre pontos assentes não é de todo grave. Um dos direitos constitucionais que te assistem é o de dizeres/escreveres o que quiseres. Até as imbecilidades que escreves. O grave é a maneira como tratas qualquer opinião diferente da tua, o profundo desrespeito com que tratas gajos que se dão ao trabalho de comentar o que escreves, em vez de te chamarem simplesmente "tontinho" entre dentes e seguirem o seu caminho.

Não tens uma pontinha de humildade, de respeito pela opinião alheia, e achas genuinamente que por teres passado uns semestres a estudar futebol, vives no éter do desporto-rei e que os outros são uns desgraçados que nem um jogo sabem ver.

Tudo somado, o que salta verdadeiramente à vista é que és um puto com um fato de treino e com a mania das grandezas, que, desesperado por conciliar a "profissão da bola" com um vocabulário melhorzito, esqueceu que por cada Mourinho que explode, existem 1000 Nunos a trabalhar no MacDonalds e a darem aulas de aeróbica a velhotas no Holmes Place. Talvez sejas o melhor treinador do mundo em potência, talvez sejas a dádiva ao futebol que o futebol "já merecia", mas até seres, aceita um conselho: não enchas o peito como se já fosses.

Nuno disse...

LMGM diz: "Destaque pela inteligência ou pela estupidez?"

Destaque pela coragem. Normalmente, quem marca assim, fá-lo em situações em que a equipa já está a ganhar e a pressão não é muita. Não foi o caso.

Zé Barbosa diz: "Nuno, apesar de concordar e achar interessantes algumas análises, e até perceber onde queres chegar com outras... peço-te para deixares de denegrir a imagem da minha faculdade onde não andas só tu. Podes ter a tua opinião e as pessoas outra sem ser preciso insultares..."

Zé, em primeiro lugar, não sei de onde tiraste a ideia de que ando na mesma faculdade que tu. Alguém falou em FMH, mas não creio que fosse para se referir a mim. Se o era, enganou-se. Depois, observa melhor como começam os insultos. Quem cá vem para discutir as minhas opiniões, é tratado com respeito. Quem cá vem com ideias feitas e com religiosidades inatacáveis, normalmente vem para insultar. A única coisa que faço é responder condignamente a essas pessoas. Os que cá vêm com cortesia não são insultados. Nem um...

José Leal diz: "E já agora seria interessante o reverso da medalha, isto é, explicar como o Catania ganha o jogo em 15 minutos."

José, isso está implícito no texto. O jogo estava controlado, o Catania não conseguia sequer aproximar-se da baliza do Inter. Até que o Lúcio e o Muntari ofereceram a reviravolta. Foi isso que se passou.

Nuno disse...

JL diz: "Agora já percebo a empáfia e falta de humildade. Ainda achas que vais treinar o Benfica na final da Liga dos Campeões, e que a equipa que te tenha ao leme vai andar sempre a somar, porque tiveste melhor nota que o Mourinho em várias cadeiras."

Isso. Que excelente comentário. Seria das melhores coisas que aqui já escreveram, se infelizmente não fosse baseado no pressuposto errado de que ando na escola.

"Quanto ao Adam Smith, uma equipa de futebol só não é um conjunto de gajos a fazer cada um a sua parte em nome do proveito comum na tua cabeça."

É por isso que não percebes nada de futebol. Enquanto achares que uma equipa é a soma dos seus elementos, estamos conversados. Não vale a pena pôr mais lenha na fogueira, Jaime Pacheco...

"Há efectivamente especialização, o avançado tem, ultima ratio, que fazer golos, e o guarda-redes tem que os impedir. São estas as suas tarefas (grosso modo, claro), e é nelas que eles têm que se melhorar e produzir, sob pena da sua presença na equipa se deixar de justificar."

O único que tem uma função específica dentro de campo é o guarda-redes. Mas tem-na até porque para ele as regras são bastante diferentes. Quanto ao resto, a única coisa que te posso dizer, uma vez que não aceitas os argumentos e a única coisa que dizes é que não é assim porque não, é que estás errado. Talvez venhas a percebê-lo, um dia.

"A este respeito, o teu argumento de o avançado ter que fazer coisas que o médio também faz não colhe, porque estás a falar de actuação de circunstância, de o avançado estar ali e ter que suprir uma falha de quem ali devia estar"

Aqui é que está o cerne do problema. Estás a partir do princípio que o avançado só tem de fazer funções do médio para suprir uma falha, ou seja, muito ocasionalmente. Isto não é verdade. Mesmo na sua posição, o avançado tem que fazer muitas coisas que o médio faz. Tem de defender, tanto quanto o médio. Tem de passar, tanto quanto o médio. Tem de fazer praticamente tudo o que o médio faz. Só que fá-lo noutro ponto do terreno.

"o que em nada choca com a concepção de Adam Smith, que é, generally speaking "se cada um fizer só uma coisa e a fizer bem, o todo vai ser mais do que a soma das partes".

Hannn??? Como disse? Estás a ver como não sabes ler? A concepção do Smith não diz nada disso. O que estás a defender é precisamente que não pode haver mais do que a soma das partes. Se cada parte fizer apenas o que lhe diz respeito, o resultado final é a soma das partes. Porquê? Porque as partes não fazem nada que valorize a relação entre si. Uma equipa, para ser mais que a soma das partes, tem de ser as partes mais a relação entre cada uma das partes. Se cada um cumprir a sua função, pode bem acontecer que cada parte funcione o melhor possível, mas ignorou-se por completo a relação entre partes. Não perceber que o teu argumento conduz a esta inevitabilidade diz muito do teu raciocínio...

"O grave é a maneira como tratas qualquer opinião diferente da tua, o profundo desrespeito com que tratas gajos que se dão ao trabalho de comentar o que escreves,"

JL, trato com respeito quem merece. Quem cá vem respeitosamente, sai de cá com respeito. Quem cá vem armado com pedras é que é maltratado. Quanto a isso, desculpa lá, mas é da responsabilidade de cada um. Não estou para aturar tontinhos e gosto de distinguir as pessoas pela cordialidade e pela inteligência que revelam.

José Leal disse...

Nuno,

Permite-me discordar, porque o que observei foi um Inter muito lento a recuperar no terreno cada vez que o Catania recuperava a bola na sua zona defensiva e construía o ataque. Foram várias as vezes que o Catania conseguiu chegar às redondezas da área milaneza sem grandes impedimentos.

Aliás, as desconcentrações e erros individuais acontecem em zonas já muito perto da baliza do Inter. É com facilidade que o jogador do Catania chega perto da área e cruza para o Maxi, é com facilidade que o jogador do catania entra pela zona central do Inter em direcção à area e sofre falta do Muntari.

Portanto, falar de jogo controlado quando víamos a equipa do Catania a atacar vaga após vaga e que não resultava em maior perigo devido somente à baixa qualidade de último passe, parece-me redutor.

Em todos os jogos há duas equipas, e parece-me bastante redutor do mérito e trabalho de uma equipa reclamar que a sua vitoria só acontece devido a erros individuais dos adversários.

Aliás, sendo assim, não podemos também assacar a um erro defensivo do catania a responsabilidade do golo do Inter?

JL disse...

"Hannn??? Como disse? Estás a ver como não sabes ler? A concepção do Smith não diz nada disso. O que estás a defender é precisamente que não pode haver mais do que a soma das partes. Se cada parte fizer apenas o que lhe diz respeito, o resultado final é a soma das partes."

Acho que um dos teus vários problemas nesta sede é falares do que não sabes. A tese de Smith parte dum cenário em que 100 trabalhadores produzem X por dia (sendo a produção total de X vezes 100). Mas, teoriza Smith, se esses 100 trabalhadores se dividirem por entre os vários momentos de produção de um mesmo produto e se focarem só nele, os mesmos trabalhadores produzem mais, bastante mais, ou seja, se cada parte fizer sua parte (passe o pleonasmo), a produção total passa a ser mais que uma soma da individual de cada um deles.

É aquilo a que se chamou o individualismo económico. Mas de acordo contigo, que dominas bem esta temática, Adam Smith, o autor por excelência do individualismo, terá antes defendido os méritos do colectivo e de as pessoas fazerem não apenas o seu trabalho, mas também o dos outros. Está certo.

Compra um Wealth of Nations e lê-o, depois conversamos.

Mas para discutir economia clássica, troco comentários com um gajo que perceba dela e não contigo, portanto adiante.

Sinceramente, é-me igual que andes na escola ou não, mas o facto de fazer perfeito sentido que andasses, atenta a tua arrogância quasi-juvenil, não deixa de ser sintomático.

Não andando, as minhas desculpas. És mesmo só arrogante e não respeitas ninguém que discorde de ti.

Quanto à tua política de "Quem cá vem respeitosamente, sai de cá com respeito", agradeço que me expliques em que é que o MHumberto e outros te faltaram ao respeito para merecerem logo serem chamados de iletrados para cima. Se me queres dar baile, podes tentar à vontade, mas tens que ser mais inteligente do que és.

Quem vem aqui e concorda contigo e te pede opiniões como se fosses o catedrático da bola, leva com o teu "respeito". Quem discorda de ti e to diz, é porque não percebe nada de nada. Simple as that.

Quem te lê, diria que és um treinador com um currículo de sucesso, feito de vitórias e inovações tácticas que serão. Uma espécie de Rappan e Herrera, misturados com a panache do Valdano, digamos. O aborrecido é que não és, e tens que convir que às pessoas faça alguma espécie serem chamadas de tudo por discordarem de uma opinião que tem o mesmo valor concreto que a delas.

Para finalizar:

Eu escrevo:

"Quanto ao Adam Smith, uma equipa de futebol só não é um conjunto de gajos a fazer cada um a sua parte em nome do proveito comum na tua cabeça."

E ainda:

"se cada um fizer só uma coisa e a fizer bem, o todo vai ser mais do que a soma das partes".

Tu lês:

"Enquanto achares que uma equipa é a soma dos seus elementos,"

E ainda:

"O que estás a defender é precisamente que não pode haver mais do que a soma das partes"

Sim pá. Sou eu quem precisa de aprender a ler. Não andas na escola, mas talvez devesses. Entre Adam Smith e interpretar um texto, talvez saísses de lá com qualquer coisinha no bornal.

Um abraço

Nuno disse...

José Leal, na segunda parte, antes do golo do Maxi López, o Catania não teve uma única oportunidade de golo relevante. E nos minutos anteriores nada fazia antever o golo do empate. Isto não significa que o Catania não tivesse mais bola. O Inter concedera a iniciativa ao adversário, como tantas vezes faz Mourinho agora, e recuara o bloco. Raramente houve momentos de transição significativos antes do empate. Há-os depois, no lance do segundo golo, mas apenas porque o Inter abriu para tentar chegar à vitória. Enquanto esteve a ganhar, baixou o bloco e defendeu bem, com o Catania sem conseguir penetrar no bloco adversário.

JL diz: "Acho que um dos teus vários problemas nesta sede é falares do que não sabes. A tese de Smith parte dum cenário em que 100 trabalhadores produzem X por dia (sendo a produção total de X vezes 100). Mas, teoriza Smith, se esses 100 trabalhadores se dividirem por entre os vários momentos de produção de um mesmo produto e se focarem só nele, os mesmos trabalhadores produzem mais, bastante mais, ou seja, se cada parte fizer sua parte (passe o pleonasmo), a produção total passa a ser mais que uma soma da individual de cada um deles."

JL, começa a ser desesperante. Vamos lá tentar mais uma vez. Ouve, o que aumenta na tese de Smith é a produção de cada uma das partes, o que, somando, dá uma produção total maior, mas ainda assim igual à soma individual. O que aumenta é a produção individual. O que estou a dizer é que, numa equipa de futebol, não só aumenta a produção individual, como aumenta a produção colectiva, isto é, a relação entre cada uma das individualidades. O teu problema é não perceberes o que significa a expressão "valer mais que a soma das partes".

"É aquilo a que se chamou o individualismo económico. Mas de acordo contigo, que dominas bem esta temática, Adam Smith, o autor por excelência do individualismo, terá antes defendido os méritos do colectivo e de as pessoas fazerem não apenas o seu trabalho, mas também o dos outros. Está certo."

Han?? As drogas fazem mal, rapaz. Não defendi nada relacionado com o Smith. A única coisa que disse foi que uma equipa de futebol não tem nada a ver com a tese do Smith. Tu é que queres juntar à força a tese do Smith e aproveitá-la num contexto completamente diferente. Eu não.

"Não andando, as minhas desculpas. És mesmo só arrogante e não respeitas ninguém que discorde de ti."

Respeito quem merece o respeito, JL, já o disse. Não respeito couves lombardas porque entendo que não têm muito que falar de coisas que não sabem.

"Quanto à tua política de "Quem cá vem respeitosamente, sai de cá com respeito", agradeço que me expliques em que é que o MHumberto e outros te faltaram ao respeito para merecerem logo serem chamados de iletrados para cima. Se me queres dar baile, podes tentar à vontade, mas tens que ser mais inteligente do que és."

Pá, relê o primeiro comentário do MHumberto. Se achas que não há ironia, sarcasmo, provocação, maledicência, é contigo. De tudo o que diz, a única coisa que sobressai é a tentativa de ridicularizar a minha opinião. Se há coisa que isso demonstra é falta de respeito.

"Quem vem aqui e concorda contigo e te pede opiniões como se fosses o catedrático da bola, leva com o teu "respeito". Quem discorda de ti e to diz, é porque não percebe nada de nada. Simple as that."

JL, o Fernando discordou de mim. Fê-lo educadamente. Não tenho que concordar com ele nem ele tem que concordar comigo. Respondi-lhe educadamente. A diferença dele para ti e para outros é que ele tem interesse em defender a sua opinião, enquanto vocês têm interesse em ridicularizar a dos outros. A diferença é enorme.

Nuno disse...

"O aborrecido é que não és, e tens que convir que às pessoas faça alguma espécie serem chamadas de tudo por discordarem de uma opinião que tem o mesmo valor concreto que a delas."

Não, não tenho que convir nada disso. Às pessoas o que faz confusão é que alguém possa ter ideias tão estranhas à sua cabeça pequenina. O valor concreto das minhas ideias é infinitamente superior por uma única razão: porque é fundamentada. E o que certas pessoas pensam é que ideias fundamentadas e ideias não fundamentadas têm o mesmo valor. Não têm. Umas são ideias; as outras são só palpites.

Agora o mais sublime de tudo. Dizes: "Eu escrevo:

"Quanto ao Adam Smith, uma equipa de futebol só não é um conjunto de gajos a fazer cada um a sua parte em nome do proveito comum na tua cabeça."

E ainda:

"se cada um fizer só uma coisa e a fizer bem, o todo vai ser mais do que a soma das partes".

Tu lês:

"Enquanto achares que uma equipa é a soma dos seus elementos,"

Pá, como é que tu queres ser respeitado com argumentos contraditórios destes? Vou repetir: não sabes o que significa ser mais do que a soma das partes. Tenta concentrar-te nesta última frase. Vais ver que percebes onde te estás a espalhar.

Tentando agora resolver o teu problema. Na primeira frase, estás a dizer precisamente que uma equipa "é um conjunto de gajos a fazer cada um a sua parte em nome do proveito comum". Dizer isto significa que o "proveito comum" é a soma de cada parte. Não há volta a dar. Foi depois desta frase que referi que achavas que uma equipa era a soma dos seus elementos. A seguir a isto, vens defender a tese contrária, a de que "se cada um fizer só uma coisa e a fizer bem, o todo vai ser mais do que a soma das partes". Isto tem dois problemas. O primeiro é que é inconciliável com a primeira frase. Estás em contradição. O segundo é que não percebes o que significa que algo seja mais do que a soma das partes. Vou repetir: mais do que a soma das partes é a soma das partes + a soma das relações entre as partes. Se cada um fizer apenas o que lhe diz respeito, o resultado final é a soma das partes + 0, porque não se contemplou a soma das relações entre as partes. Entendeste agora onde é que estás errado? Estás a esquecer a relação entre as partes. E é isso que a tese do Smith não contempla. A tese do Smith é individualista, é sempre apenas a soma das partes. Tu estás a defender o contrário. Estás enganado.

José Leal disse...

Obrigado pela tua opinião Nuno. Eu confesso que mantenho uma opinião diferente sobre este assunto. Reconheço que esta época tenho visto pouco futebol internacional também.

A ver se hoje estou atento ao jogo de Londres.

Gonçalo disse...

Jl, como é que o Adam Smith incluiu a sorte e o acaso na sua investigação sobre a natureza e causas da riqueza das nações? E o atrito?
Confesso que já se passaram alguns anos desde que li a obra de Adam Smith, mas não me lembro de ele dedicar uma frase a estes "pormenores".

Um abraço.

MHumberto disse...

Nuno,

A forma insultuosa como escreves embora seja ofensiva não ofende ninguém. Como és iluminado não precisas que te diga o seguinte mas, só para o caso de escapar-te alguma coisa (é improvável eu sei, mas é mesmo só para o caso) tens de certeza noção que isto é um meio onde não se possui qualquer controlo sobre aquilo que alguém decide ou não escrever. Como tal, só uma pessoa bastante inocente ou "distraída" é que se deixa atingir por algo que se passa num contexto que não consegue nem pode controlar.
Todas essas idiotices que escreves só te deixam ficar mal a ti, porque és tu o autor delas.
Ninguém mais.
Coisas deste tipo repara:

"uma determinada fatia da populaça para quem Nuno Assis é um jogador banal."

"fatia de gente escandalosamente impudica."

"e gosta desse tipo de jogadores porque o seu cérebro não tem capacidade para processar mais do que é visível."

"um universo alargado de carneiros que comungam da opinião e não deviam falar de futebol."

Este post foi a única coisa que li de ti, inteira. E chegou-me.
Este, e a forma como respondeste a 2 ou 3 comentários feitos por 2 ou 3 pessoas diferentes no post do Liedson.
Por isso não julgues lá que a cantiga do "quem vem com respeito sai com respeito" interessa para grande coisa. O teu substracto fica a nu na forma complexada como escreves. E a forma como respondes a comentários é tão só natural e segue na linha da primeira.

Apenas isto.
Novo abraço, e viva o Hugo Viana. Subscrevo-te quando dizes que é um jogador injustiçado.

Ps: Escusado dizer que as palavras lá em cima fazem parte de um post.
Anterior a quaisquer comentários portanto.

JL disse...

"De tudo o que diz, a única coisa que sobressai é a tentativa de ridicularizar a minha opinião. Se há coisa que isso demonstra é falta de respeito"

Nuno dixit.

Lê os teus posts, prévios a quaisquer comentários, e vê lá se não são uma "tentativa de ridicularizar" TODAS as opiniões dissonantes da tua. Não precisas de explicar o que isso revela, já te pronunciaste com clareza e eu concordo em absoluto.

Achas que mereces uma medida especial de deferência e de respeito. Quem vem aqui escrever tem que vir "mansinho", mesmo que tu comeces logo por alardear: "só um urso pardo é que acharia o contrário do que eu acho". Se esta é a tua noção de respeito, estamos conversados. Não posso concordar mais contigo: merece respeito quem dá respeito. O problema é que tu não o dás, mas achas que o mereces só porque putativamente percebes muito disto.

A discussão contigo é portanto estéril, Nuno. A tua opinião é "superior", porque é "fundamentada". Em quê, parece de ser de somenos indicar. Na tua experiência e resultados próprios não será com certeza. É em quê então? Nos livros do Mourinho? Nas opiniões dos teus professores? Então mais vale discutir com eles do que a voz do dono.

Por mais que te amofine, não tens NADA que te habilite especialmente a teres opiniões definitivas sobre o futebol. TU não achas grande coisa. Leste e concordas com o que outros gajos acham, o que não deixa de tornar ainda mais bizarra a tua postura de iluminado, como se o leitor viesse aqui beber a originalidade do teu pensar.

Achas que és o Messias revelado à tribo do futebol, eu acho que não. Por enquanto, a realidade vai-me dando razão porque o teu escaparate é este e não o banco do Real Madrid. Portanto, até que tenhas tarimba e currículo para acompanhar tanta mania, talvez um pouco mais de contenção seja the way to go. Eu sei que o estilo "cocky" do Mourinho está imenso na moda, mas ele é assim porque os méritos dele estão em vitrines, sob a forma de troféus, e não em blogs, sob a forma de posts. Terás que convir que ele pode ter alguma arrogância de postura. Tu não.

Gonçalo:

O elemento "alia", embora exista em tudo, não é ponderado nem contado -ou melhor, não deve ser - em nada. Parece-me pouco avisado o treinador que negue que existe a casualidade no campo, mas ainda menos o treinador que conte com ela no seu trabalho.

apenasfutebol disse...

Amigo Nuno,

Epa, tenho andado com muito pouco tempo para blogar, daí ter perdido o contacto. Entretanto, também preciso que me envies o teu número de telemóvel, pois tive um azar com o telefone (outra vez!).

Opa, pois, já agora, e comentando a seguir ao jogo de ontem, torna tudo diferente, mas sabes bem qual a minha opinião sobre este Inter de Mourinho. Ontem, Mourinho teve, francamente, um mérito incontestável na preparação do jogo e, naturalmente, na organização da sua equipa, quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo. Brilhante, mesmo! Mas também devo dizer o seguinte, aquilo ontem sem Sneijder tinha sido muito mais difícil...

Não estranho a tua opinião sobre o Lúcio, e percebo-a, é uma opção, uma questão de gosto, contudo, eu digo-te que aprecio bastante o jogador. Já falámos sobre isso. Eu na posição de "central" valorizo, naturalmente as capacidades intelectuais (têm que ser valorizadas em qualquer posição), mas considero a agressividade uma característica muito importante, algo que tu desvalorizas bastante. Dou-te um exemplo que tu até abordas de tempos a tempos, o Sidnei e o David Luiz. O primeiro, calramente é superior em vários aspectos e, designadamente, a nível intelectual, o que o leva a, também, ser muito melhor que o segundo em termos de posicionamento, leitura dos lances etc, no entanto, a sua postura "molengona" trai-o bastante, ao contrário de David que nesse aspecto é a antítese dessa postura.

Quanto ao Nuno Assis, epá, é como diz o paulo Sérgio, será um crime o jogador não ser convocado par a África do Sul. Ele e Hugo Viana...mas do pugilista dos aeroportos espera-se tudo. Assis é, claramente, o médio ofensivo português em melhor momento de forma. Quem não vir isto é quique flores...

Vá Nuno, não te esqueças de me enviar sms com número, a ver se ainda vimos um jogo do Benfica juntos esta época ;). E grande abraço.

Gonçalo disse...

Não querendo ser inconveniente, mas não foi por isso que eu levantei a questão do atrito e do acaso.

Quando afirmas:
"Nuno sente-se agora confortável para desmentir Adam Smith ao afirmar que a especialização de tarefas não comporta vantagens colectivas. Ao que parece, a "tarefa" é "fazer o melhor em cada momento", e os jogadores têm apenas "posições", que parecem estar arredias de qualquer "job description". É andar por ali e fazer o que for preciso. A tese é então a do jogador enquanto passepartout. Prevejo que os textos coligidos deste blog vendam mais que "A Riqueza das Nações". Até tenho vontade de discorrer um pouco sobre como os jogadores de futebol têm características morfológicas, técnicas e intelectuais que os vocacionam para certas tarefas, e como, assim sendo, a sua posição no campo é consequência e não causa da especificidade dessas mesmas tarefas. Apetece-me ainda chorar na campa do treino específico para certas posições, que trabalham as tarefas próprias de um jogador que actue numa determinada posição,", ou ainda,:
"É aquilo a que se chamou o individualismo económico. Mas de acordo contigo, que dominas bem esta temática, Adam Smith, o autor por excelência do individualismo, terá antes defendido os méritos do colectivo e de as pessoas fazerem não apenas o seu trabalho, mas também o dos outros. Está certo."

Assim, estás a partir do princípio de que os jogadores apenas se tém de preocupar com um dado número de acções específicas que a posição deles requere. Mas para isso acontecer tens de saber como é que o jogo vai decorrer, e ter a certeza de que não há contrariedade. Ou seja, numa empresa, os trabalhadores não só não tem competição directa, impedindo-os de realizar as suas tarefas, como não lidam com o acaso.( Pegando no exemplo dado pelo autor, de certeza que eles, os operários, beneficiam de uma ordem instituida:ao que estica o metal segue-se o que o endireita,depois o outro corta-o, etc. Ora, isto não se verifica no futebol.)
Não só é impossivel, durante o jogo, separar os momentos do mesmo, como não é possível determinar a ordem e local onde os mesmos se vão suceder.
Na tua concepção os defesas são só para defender, mas como pode ser isso se a forma como a equipa ataca está intrinsecamente ligada à maneira como a equipa recuperou a posse da bola? E isto não acontece apenas ocasionalmente, nem está relacionado com desposicionamento de um colega. Acontece sempre.
A teoria de Smith não tem valência no futebol(a da divisão do trabalho, porque há outras contribuições importantes do autor que podem ser aplicadas neste jogo) porque é incapaz de compreender um elemnto tão presente no jogo: o atrito, e o acaso.
Fosse o futebol jogado sem adversários, e talvez pudesse reconhecer mérito à extrapolação que fizeste.

Quanto ao treino específico, estavas a pensar na peridozação táctica? É que a especificidade encontrada nesse método de treino visa preparar o jogador para as situações que provavelmente vai encontrar no jogo. Não o prepara exclusivamente para defender ou para atacar.

MHumberto disse...

Gonçalo,

Não sou advogado nem estou mandatado pelo JL mas como as minhas capacidades de interpretação ainda permanecem intactas deixa-me dizer algo mais ou menos óbvio:

O recurso a Adam Smith e o uso de expressões como divisão de tarefas e especialização foi se quiseres um justo 80 que apenas serviu para fazer balanço ao 8 lançado pelo Nuno.
Nem os jogadores de uma equipa de futebol estão ausentes de específicas tarefas e funções, nem o JL quis dizer que esses mesmos jogadores estão APENAS afectos ao desempenho de específicas tarefas e funções.

Uma serviu meramente para contra-balançar o exagero da outra.
Pareceu-me claro isto, ao ler.
Daí o JL ter falado em "actuação de circunstância", porque hoje em dia - e em 8 em cada 10 jogos e equipas - os jogadores estão de facto cada vez mais presos a lugares, a tarefas e a funções.
Erradamente, se calhar, mas estão.
Se virmos jogos dos anos 70 e 80 aí sim, havia mais espaço, tempo, os jogadores dispersavam-se mais, o jogo era bastante mais bonito e atraente e de uma forma geral era frequente encontrarem-se defesas donos de uma imensa técnica por exemplo - centrais então nem se fala, de repente ocorrem-me alguns 10 ou 15 que sendo centrais tinham mais técnica e jeitinho que muitos hoje conceituados médios que o jogo oferece - e que portanto era normal vê-los em várias zonas do campo, a levar a bola e a fazer jogar, porque era assim mesmo, os treinadores montavam as equipas e davam liberdade para que isso acontecesse. No fim da década de 80, ao longo da década de 90 e hoje então nem se fala, tudo isso acabou, e os jogadores são tratados como autênticos bonecos que levam para dentro de campo toda uma série de instruções e comandos que na maioria das vezes apenas produzem jogos deprimentes em que verdadeiro futebol só aparece muito de vez em quando.

Há excepções claro, e houve equipas que misturavam as 2 muito bem, e com resultados: o Ajax tri-campeão europeu, era uma equipa altamente formatada mas ao mesmo tempo espectacular. O Barcelona do Van Gaal, idem. Ou mesmo o Barcelona do Guardiola, hoje. Já o Barcelona do Cruijff não o era por exemplo, é pessoalmente a equipa que mais gosto de todos os tempos, e aquilo embora fosse evidentemente organizado havia bastante liberdade, mas isso também pudera, com Stoichkov, Laudrup, Romário, Guardiola, Bakero ou Koeman, inundar jogadores deste tipo - altamente tecnicistas e inteligentes - de instruções seria um crime. Da mesma forma que o grande Milan do Sacchi não o era (do grupo das primeiras), era precisamente o oposto: fantasia 0, liberdade nenhuma, cada 1 fazia o que o treinador lhes mandava especificamente fazer na grande maioria do tempo.

É claro que hoje há especialização dentro do campo. É claro que há treino específico. É claro que raramente se vê um central deixar a sua zona - exceptuando a tal actuação de circunstância - sem que o seu treinador o mande. E é claro que isto cada vez mais produz jogadores do tipo máquinas, pouco inteligentes, e um futebol pobre, feio e na maioria do tempo medonho.
Para quem já consumiu futebol a sério, evidentemente. Não tenho dúvidas que para muita gente este futebol é bom e de qualidade, mas porque também é o único que conhecem ...
É o que temos.

Nuno disse...

MHumberto, tanto quanto sei, o Big Bang não foi ontem. Com isto quero dizer, caso não tenhas percebido, que tudo o que se diz é influenciado por coisas anteriores. E seja em comentários, seja nos próprios textos, se há invectivas a alguém, há-as porque antes as houve em sentido contrário. Quanto aos exemplos que dás, pica-te se quiseres. Não estou a ofender ninguém em particular, mas qualquer pessoa a quem sirva a carapuça deve e merece ser insultada. Repara, estou apenas a dizer isto: em relação ao Nuno Assis, todo aquele que o ache banal não tem condições para falar de futebol. Simples. Se pertences a esses, está tudo dito. Se apenas te sentes incomodado com o facto de eu estar a ofender quem não partilha dessa minha opinião particular, paciência.Quem acha que o homem não foi à lua não merece respeito.

JL diz: "Lê os teus posts, prévios a quaisquer comentários, e vê lá se não são uma "tentativa de ridicularizar" TODAS as opiniões dissonantes da tua."

JL, não, não são. Há opiniões que não aceito, como alguém achar que o Liedson é o melhor avançado que passou por Portugal nos últimos 10 anos, ou que o Nuno Assis é banal. Qualquer pessoa que ache isto não merece que a sua opinião seja digna de discussão. Ponto final. Isto é uma parte daquilo que digo. Há muitas outras opiniões que aceito discutir, sobretudo se as pessoas que não concordem com elas mostrarem argumentos interessantes com que as defendam. Tu é que ainda não percebeste que este blogue não é uma monarquia absoluta e que todos os que cá vierem com ideias são bem recebidos. E achas que aqui só se faz aquilo que se fez a ti, porque nem percebes que a única causa da maneira como foste tratado foste tu.

"A discussão contigo é portanto estéril, Nuno. A tua opinião é "superior", porque é "fundamentada". Em quê, parece de ser de somenos indicar. Na tua experiência e resultados próprios não será com certeza. É em quê então? Nos livros do Mourinho? Nas opiniões dos teus professores? Então mais vale discutir com eles do que a voz do dono."

As minhas opiniões são fundamentadas com argumentos, como qualquer opinião deve ser fundamentada. Estás a confundir o que se faz aqui. O interesse aqui é discutir futebol, não é treinar futebol. Não tenho que ser treinador, nem tenho que ter preparação de treinador, para falar de futebol. Se estou mais habilitado a falar do que certas pessoas, tenho de demonstrá-lo sempre que falo, apresentando argumentos. O mesmo serve para todos. Para ti, pelos vistos, um crítico literário não pode falar de literatura enquanto não for um escritor. Isso é tão estúpido...

"Leste e concordas com o que outros gajos acham, o que não deixa de tornar ainda mais bizarra a tua postura de iluminado, como se o leitor viesse aqui beber a originalidade do teu pensar."

E quem é que eu li, ó palerma? Até agora, a única pessoa que apareceu aqui com ideias de outra pessoa foste tu, com o Adam Smith. E ainda por cima tentando aplicar uma teoria a uma coisa ontologicamente diferente e à qual não pode, de maneira nenhuma, ser aplicada. Se alguém apareceu aqui com ideias convencionais e de outros, não fui eu. Concordo com umas pessoas em relação a umas coisas, concordo com outras em relação a outras, etc. É assim que se constrói um pensamento. Tu é que vieste aqui agredir uma teoria que, por não lhe compreenderes a novidade, achas que não presta. E ainda tens a lata de afirmar que eu não acho grande coisa...

Por fim, JL, para rematar todo este fogo-de-artifício de disparates que é o teu raciocínio, não percebeste puto da pergunta do Gonçalo, o que confirma, primeiro, que, caso tenhas lido, leste mal o Adam Smith e, segundo, que não consegues compreender o carácter evidentemente falacioso da aplicação da tese dele a uma coisa completamente diferente como o futebol. Brilhante!

MHumberto disse...

"Quanto aos exemplos que dás, pica-te se quiseres."

Não, não me pico, mas também não te guies por mim, sou algo esquisito nessa matéria ... a minha capacidade para retirar sensações - negativas ou positivas - da net é algo escassa.

Por isto mesmo gostava que entendesses que não precisas de socorrer-te desse tipo de palavreado.

Mas se dizes que o "Big Bang não foi ontem" não tenho outro remédio que não aceitá-lo claro. Só espero é que esse Big Bang não te tenha deixado marcantes mazelas, que justifique aplicares esse tipo de auto-limitação no teu discurso.
Sim, porque é essa a imagem que passa, de pura limitação e de alguém ressabiado.

Quanto ao mais, continuas a recorrer ao insulto ... e tal como te disse, o único que fica mal na fotografia és tu, ninguém mais.
Para mais, quando o alvo do insulto nessa tua intervenção, é alguém notoriamente inteligente e ágil.

Refutador disse...

Boas, Nuno e Gonçalo

Comentário muito, muito pertinente. O Mourinho, de quem sou um admirador confesso, tem-me desiludido um pouco nesta passagem por Itália. Além da equipa estar demasiado dependente dos momentos de transição e da profundidade que o Milito e o Eto'o oferecem, acho que Mourinho operou mal no mercado. Conseguiu Sneijder, Milito e Eto'o, é verdade, mas, por outro lado, não reforçou a equipa convenientemente em termos de criatividade no meio-campo . Quem é o Thiago Motta? E o Mariga? E o Muntari e o Stankovic continuam a ser opção porquê? Não percebo. E não pode queixar-se de falta de criativos disponíveis...Van der Vaart, Diego, Lucho, Hleb, Aquilani, Gago etc. Havia muito por onde escolher. Mas talvez a culpa não seja inteiramente dele. O Moratti dá-me ideia que não dá grande margem de manobra ao Mourinho no que toca à política de contratações...

Ah, e também me surpreende a aposta tímida (ou inexistente) no Santon. E no Quaresma, já agora.

Quanto ao tema propriamente dito, concordo que o Materazzi e o Muntari não têm categoria para estar no Inter, mas não me parece que colocar o Lúcio no mesmo pacote dos outros dois seja justo. O Lúcio não é um jogador brilhante em termos posicionais, é um facto, mas é um jogador experiente e "matreiro" e que se sente confortável a jogar em blocos altos, quando pode cair rápido em cima do adversário para recuperar a posse de bola. Pode, por isso, ser bastante útil ao Mourinho, se ele quiser subir as linhas. É um pouco como o David Luiz no Benfica...

Saudações desportivas.

Miguel disse...

Desde que apareceu Guardiola que Mourinho deixou de ser o teu ídolo, não é?...Mas até te dou razão... este Barcelona é f-a-n-t-á-s-t-i-c-o! Adorava ver Mourinho no Madrid a levar uma cabazada daquelas deste Barça...

Miguel disse...

off-topic: Este blog deve ser o que tem mais respostas por post na blogoesfera...devia haver um prémio...nem que seja pela frequência de insultos que por aqui anda..eheh

Nuno disse...

MHumberto diz: "O recurso a Adam Smith e o uso de expressões como divisão de tarefas e especialização foi se quiseres um justo 80 que apenas serviu para fazer balanço ao 8 lançado pelo Nuno."

O que não percebeste, MHumberto, é que eu não estou a exagerar. Estou mesmo a dizer o que quero dizer. Os jogadores não têm funções específicas. Qualquer tese contrária, qualquer tese que ache mais ou menos isto mas que ainda assim tenha dúvidas, não pode conceber o futebol como algo verdadeiramente colectivo. Acreditar que cada jogador tem funções específicas é, automaticamente, hipotecar a ligação desse jogador ao colectivo. E o termo "colectivo" passa apenas a poder ser usado de modo caridoso para significar a soma das tarefas de cada elemento.

De resto, MHumberto, as suas restantes ideias dizem bem do que pensa acerca de futebol. Destaco três: 1)que o futebol actual é mais feio e, em suma, pior do que antigamente; 2) que o futebol actual os jogadores são menos livres e, portanto, estão mais agarrados às suas tarefas; e 3) que entende, por tarefas, as ordens que os jogadores recebem dos treinadores.

Em relação a 1), só lhe posso dizer que está completamente enganado. O futebol tem evoluído em termos de inteligência e aquilo que considera feio é o resultado de uma aproximação, em termos de compreensão do jogo, das equipas. O futebol está mais culto, mais inteligente e, necessariamente, mais rico. Afirmar o contrário indica claramente uma incapacidade de compreender o jogo assutadora. Preferia o futebol de antigamente porque tinha golos (imaginando que estes eram o sumo do jogo), porque tinha espaço, porque os jogadores tinham liberdade. Não percebe é que isso tudo era consequência de se jogar mal. É mais ou menos o mesmo que dois principiantes a jogar xadrez. O jogo é dinâmico, come-se peça atrás de peça, há oscilações constantes entre quem está a atacar e a defender. Parece mais divertido, do ponto de vista de uma criança. Mas é mal jogado. E entre dois jogadores a sério o jogo parece chato, é demasiado meticuloso, pouco dinâmico. É resultado de se jogar bem. Você gosta é do futebol que se jogava mal e não percebe isso.

Sobre 2), posso-lhe dizer que o pensamento é falacioso. Os jogadores, antigamente, eram mais livres, mas porque não compreendiam tão bem o jogo. Se hoje parecem mais amarrados, é porque entendem e são obrigados a servir ideias que pretendem simplesmente que se jogue bem. Aliás, não faz sentido nenhum dizer que uma equipa muito mecanizada é uma equipa amarrada, que é o raciocínio que faz. Há sempre liberdade, desde que se saiba como fazer. O Barcelona é das equipas mais organizadas do mundo e a liberdade que os jogadores têm é muita. Você não está a falar de liberdade, está a falar de irresponsabilidade. Um jogador pode ser responsável e manter-se livre. Actualmente, o que não existe é espaço para a irresponsabilidade. Para a liberdade continua a existir.

Em relação a 3, por tarefas ou funções não entendo instruções do treinador. As instruções do treinador são instruções colectivas, têm a ver com o que quer que o jogador faça de modo a que o colectivo funcione bem. Nenhum treinador competente dá instruções aos seus jogadores para marcar golos, marcar em cima o adversário X, recuperar bolas, etc... Quando falo de funções, o que estou a dizer é que o avançado não é responsável por marcar golos, como o central não é responsável por marcar um adversário, como o trinco não é responsável por recuperar bolas, como o extremo não é responsável por cruzar bolas, etc... Numa equipa ideal, os jogadores não têm tarefas específicas, mas admito que, ainda assim, muitos treinadores, jogando com a parte estratégica do jogo, peçam a um extremo, por exemplo, para forçar o um para um quando o adversário directo está amarelado, ou para a equipa canalizar o jogo por determinado flanco por entender que é mais fácil jogar por aí. Isso, de qualquer forma, são tarefas estratégicas e não funções como a de marcar golos.

Nuno disse...

Grande Paulo, a SMS já foi enviada.

Em relação ao Inter, acho que o Mourinho venceu e bem o jogo. Mas há várias coisas a dizer em relação a isso. O Mourinho pôde jogar assim porque era contra o Chelsea, uma equipa que tem as suas principais virtudes na força e na intensidade, e porque estava em vantagem na eliminatória. Não acho, por isso, que tenha sido um jogo extraordinário do Inter. Resultou porque o Chelsea não é uma equipa confortável quando tem de assumir as despesas do jogo e procurar furar blocos baixos. O Inter trabalhou as transições muito bem, e canalizou o seu jogo sempre da mesma maneira, fazendo a bola entrar em Snejder para este lançar os dois avançados, sempre com espaço. Contra o Barcelona ou contra uma equipa mais competente com bola, este tipo de jogo do Inter não teria resultado. O problema disto tudo é que jogar assim não foi só uma opção, tem sido o melhor que o Inter de Mourinho tem apresentado. E é pouco.

Em relação ao Lúcio, acho obviamente que está num patamar superior em relação ao Materazzi. Mas acho-o inferior ao Córdoba, por exemplo, que é igualmente agressivo, embora mais baixo, mas que não perde em termos de concentração e abordagem aos lances. O Lúcio é extremamente displicente e disputa todos os lances da mesma maneira. Ainda na terça, poderia bem ter comprometido as aspirações do Inter logo na primeira parte, em duas jogadas em que esteve muito mal e o Chelsea não marcou apenas por acaso. Acho que é um central sobrevalorizado, assim como o Pepe e o David Luiz, simplesmente porque é um central espalhafatoso e as pessoas gostam é disso. Não é, claro, o pior do mundo, mas tem problemas que fazem com que não seja, também, dos melhores do mundo.

Grande Abraço!

Nuno disse...

Refutador diz: "E não pode queixar-se de falta de criativos disponíveis...Van der Vaart, Diego, Lucho, Hleb, Aquilani, Gago etc."

Está a faltar aqui um que, até se falou nele, e que tenho impressão que vai ser um monstro daqui a uns anos: Gourcuff.

Quanto ao Lúcio, já pensei como tu. Mas essencialmente porque havia essa convenção, de que era rápido a recuperar e que podia, por isso, jogar alto. Já não acredito muito nisso. Acho que, se tinha velocidade, já não tem tanta. Depois, não é muito ágil. Pode ter uma velocidade de ponta interessante, mas não tem um arranque muito forte e rins. E acho, sinceramente, que a sua contratação visava jogar mais alto, coisa que no início da época o Mourinho até tentou, mas que aos poucos terá visto que não resultava. O problema é que, jogando mais alto, as suas debilidades em termos de posicionamento e leitura dos lances ficam muito mais expostas do que num bloco baixo. Ao contrário, portanto, do que se pensa, acho que o Lúcio é mais forte em blocos baixos, tal como o Bruno Alves, porque é muito impetuoso e agressivo, mas tem problemas graves que ficam mais evidentes quando há mais espaço para preencher.

MHumberto disse...

"Afirmar o contrário indica claramente uma incapacidade de compreender o jogo assustadora. Preferia o futebol de antigamente porque tinha golos (imaginando que estes eram o sumo do jogo), porque tinha espaço, porque os jogadores tinham liberdade. Não percebe é que isso tudo era consequência de se jogar mal."

Não Nuno ... preferia o futebol de antigamente porque era um futebol melhor.
Podia dedicar uns minutos a explicar-te por A mais B porque é que (para mim) o futebol já foi mais bem jogado e as razões que (para mim e fora de mim) conduziram a que chegasse ao pobre estado a que chegou, em tudo: no jogo propriamente dito, jogado no relvado, e o que se soma à volta dele, em tudo o que respeita à Modalidade.
Não o farei por 2 motivos:
1 - Não sinto vontade de fazê-lo aqui.
2 - A tua capacidade de aprendizagem é nula.

"Os jogadores, antigamente, eram mais livres, mas porque não compreendiam tão bem o jogo."

"Quando falo de funções, o que estou a dizer é que o avançado não é responsável por marcar golos, como o central não é responsável por marcar um adversário, como o trinco não é responsável por recuperar bolas, como o extremo não é responsável por cruzar bolas."

E eu quando falo de funções falo precisamente de todas essas particulares funções inerentes à posição que ocupam dentro do campo e, às específicas instruções (tarefas sim, podes quem sabe consultar um dicionário sobre o seu significado) que cada 1 deles recebe do seu treinador sobre o que devem fazer caso aconteça A, B, C ou D.
Obviamente que este caso não é "se a bola vem dali tu vais para acolá", ou "se o jogador que estás a marcar levantar a sua perna direita tu arqueias o tem joanete esquerdo".

Escuta, sabes uma coisa?
Adeus.
A tua desorganização mental, capacidade de inventar, arte de misturar tudo para forçosamente tentar mostrar que vê o que mais ninguém vê, não é nada.
Fosse o tema outro e poderia ser engraçada, mas nem isso é.

Ps: o segundo conjunto de palavras que alinhaste no teu comentário e que estão aí não merecem comentário, é só mesmo para as releres.

Abraço e felicidades, pardal.

Yazalde disse...

"Preferia o futebol de antigamente porque tinha golos (imaginando que estes eram o sumo do jogo), porque tinha espaço, porque os jogadores tinham liberdade. Não percebe é que isso tudo era consequência de se jogar mal. É mais ou menos o mesmo que dois principiantes a jogar xadrez. O jogo é dinâmico, come-se peça atrás de peça, há oscilações constantes entre quem está a atacar e a defender. Parece mais divertido, do ponto de vista de uma criança. Mas é mal jogado. E entre dois jogadores a sério o jogo parece chato, é demasiado meticuloso, pouco dinâmico. É resultado de se jogar bem. Você gosta é do futebol que se jogava mal e não percebe isso."

Prefiro eu e prefrem mais de 90% dos adeptos que veêm bola.
Aqueles seres que pagam e que graças a eles é que existe o futebol.
Daí se percebo porque é que as audiências de jogos de merda (como o entre o Chelsea e o Inter) estão a diminuir e as novas gerações apenas se interessam por alguns jogos com impacto mediático e não pela totalidades dos jogos de uma competição.
Ou porque é que em Portugal as assistências diminuem, excepto quando as equipas jogam bom futebol - vistoso e com golos - como nos exemplos dos recentes jogos do Sporting e do campeonato do Benfica, que diga-se tem mais adeptos do que a última vez que foi campeão.
Eu tenho orgulho em afirmar que gostava do tal futebol básico e mal jogado, mas posso afirmá-lo e tenho toda a competência para criticar o actual paradigma do futebol, pois também o sustento e sustento aqueles treinadores que vão matando o futebol.
São os adeptos como eu que mantém vivo o futebol. Os iluminados podem não gostar de quando se está a jogar no meio campo em marcações e pressing e que o público assobie, mas a vida é assim, paciência, não gostam mudem de vida ou mudem de futebol.
Felizmente esta crise mundial, pode ser benéfica para os adeptos, com o decréscimo de patrocínios e de assistência e com o endividamento dos principais clubes, pode ser que os clubes se virem de nova para o adeptos e para o futebol primitivo, belo e do espectáculo, que no fundo é a essência de qualquer desporto de massas.
Tal como Cruyff, o tal do futebol total, que prefere ganhar por 5-3 do que por 1-0, também defendo que umas das medidas para aproximar o público do espectáculo que é o futebol será acabar com o fora de jogo ou alargar a linha do fora de jogo, de modo a diminuir a importância daqueles que estão a matar o futebol, os treinadores defensivos e calculistas e devolver o futebol aos verdadeiros artistas, os garrinchas desta vida.
Felizmente que de vez em quando aparece um seguidor de Cruyff como Guardiola que percebe que o futebol tem como escopo os adeptos, e que o sal do futebol são os golos e o espectáculo, sem adeptos não há futebol.

Jorge Frias disse...

Considerar o futebol antigo melhor que o actual.. Ouviram dizer que o futebol já foi mais técnico e pronto.. Agarram-se a isto..

Gonçalo disse...

Hei! Mais respeitinho pelo Markl:)

Eduard von Hartmann disse...

Estas pequenas calamidades de última hora, são frequentes a equipas que se encontram numa posição confortável, ou seja quando os jogadores começam a tratar os seus adversários, não como adversários mas como derrotados, atribuindo juizos de valores.
E como toda a gente sabe os juizos de valores levam a ideias completamente erróneas das qualidades das pessoas.
Nestas ocasiões não se trata de dizer que os jogadores se comportaram como crianças, é pior que isso demonstraram um completa falsa visão de jogo e de uma superioridade ariana face aos oponentes.

E quando os oponentes sentem que não estão a ser tratados como tal, comportam-se tal como um animal que se sente encurralado, seguem para o ataque, nem que isso lhes custe a vida, pois já não têm nada a fazer senão lutar e foi o que a equipa do Catania,(sejam lá eles quem forem), fez, lutou, surpreendeu os seus adversários e vendo que estes tombavam, acreditaram e deram a volta ao resultado.
Poder-se-á dizer que a "felicidade" de ver o Inter a cair lentamente e a auto-estima do Catania subir, contribuiu para este resultado.