domingo, 10 de janeiro de 2010

O que fazer?

O Arsenal empatou esta tarde em casa frente ao Everton e esteve mesmo a ponto de perder o desafio, não fosse o golo marcado já em período de descontos por Rosicky. O que me traz aqui, porém, não é o jogo em si, mas aquilo que permitiu, de certo modo, o desfecho negativo para os homens de Wenger. Falo do segundo golo, um lance de contra-ataque que Pienaar concluiu com categoria e que, para muitos exemplifica um contra-ataque bem gizado. A apreciação que faço do lance é, todavia, bem diferente. E explica, de certo modo, não só este resultado mas também a frequência com que os deslizem acontecem a este Arsenal. Já frente ao Chelsea tinha identificado os erros individuais de Sagna como as principais causas do mau resultado e já contra o Manchester City a derrota pode bem ser explicada por vários erros de Clichy. Agora foi a vez de Traore, um jogador veloz e que até cruza bem, mas cujas deficiências a nível posicional e de interpretação dos lances fazem dele uma constante ameaça à sua própria equipa. O lance do golo encontra-se já a seguir; a análise ao mesmo logo abaixo.



Após um canto do Arsenal, o Everton recupera a bola e fá-la chegar ao seu homem mais adiantado - creio que Bilyaletdinov - e Traore é o último homem. Nasri vem a recuar para compensar e Pienaar aparece apenas atrás de Nasri. Tendo Nasri feito a aproximação a Bilyaletdinov, Traore não tem que ir cair em cima do russo. Sendo o último homem, não pode ir obstruir a passagem ao russo sem esperar por reforços. Mas foi o que fez. Ao ir direito ao jogador do Everton, desguarneceu a zona central do terreno e permitiu que a bola aí entrasse depois. Naquela situação, recomendava-se uma de duas coisas: 1) ou fazer contenção, procurando que Bilyaletdinov avançasse com a bola, de preferência obrigando-o a derivar ligeiramente para a linha, e esperando que os restantes jogadores do Arsenal recuperassem posições para, aí sim, poder atacar o portador da bola; 2) ou então, se é para ir direito ao russo, que fosse para fazer falta ou para recuperar a bola a qualquer custo. Traore nem ficou em contenção, nem foi morder os calcanhares ao russo ou impedi-lo de soltar a bola. Naquela situação, sendo o último homem, se decide atacar o portador da bola, tem de, pelo menos, impedi-lo de passá-la. Mas Traore foi só para cima do russo, ficando a um metro dele, à espera do que ele ia fazer para reagir a isso. Esperava, certamente, que este arrancasse individualmente, para depois persegui-lo, não antecipando a possibilidade de ele passar a bola a um colega. Ao preocupar-se apenas com o russo, não antecipou as possibilidades que o russo teria depois de receber a bola. Conclusão: uma cratera enorme a facilitar a entrada de Pienaar, que conclui sem oposição, e o Arsenal em desvantagem, outra vez por causa da infantilidade de alguns dos seus jogadores.

9 comentários:

MB disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MB disse...

Na minha opiniao existiram 2 erros defensivos. Primeiro o referido no post, do Traore ter ido "à queima", deixando o centro vazio, mas também do penultimo defesa, quem em vez de ter ido preencher o espaço deixado por Traore no centro do terreno deixando o atacante do everton com espaço na zona central para correr.

MB disse...

Ou seja, o Nasri tb nao sai bem na fotografia

Nuno disse...

MB, o Nasri faz o movimento que tem de fazer, se o Traore tivesse ficado em contenção. Ou seja, ia equilibrar e forçar o russo a ir para a linha sozinho. É verdade que, depois de ver o Traore a atacar o russo, deveria ter corrido imediatamente para o meio, mas aí, o mais que se poderia acusá-lo seria de não ter sabido corrigir o erro do companheiro. O primeiro erro é o do Traore e é o que define o lance.

DC disse...

gostaria de iniciar assim uma parceria com o vosso blogue
o meu é muito recente ainda sem promoçao
gostaria que me ajudassem neste aspecto
estou tambem disposto a ajudar a divulgar o vosso
obrigado

http://dcfutebolclube.blogspot.com/

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MB disse...

Continuo a não ver o Traoré como principal responsável pelo golo.

Concordo que deveria ter esperado no centro e dado a linha, seria a opção com menor risco. Mas o erro do Nasry é no minimo tão grave como o do Traoré.

Revê o lance e pára no seg. 24. Neste momento a bola está com o jogador do Everton e o Traoré está a tapar-lhe o caminho para a baliza. O Nasry está para trás e tem outro jogador do Everton atrás dele. A opção que provavelmente evitaria o golo seria se o Nasry corresse pelo meio, cobrindo a zona central, mas o que faz é ainda pior do que o Traoré, pois este não tinha deixado ninguém sozinho. Não percebo o objectivo do Nasry a fazer um 2 para 1, e deixar o corredor central vazio.

O erro do Traoré era facilmente emendável, o do Nasry não.

Nuno disse...

MB, eu percebo o que estás a dizer em relação ao Nasri e concordo que ele poderia ter tido um comportamento diferente, mas apenas em determinada altura. E é aqui que é importante chegar. A primeira reacção dos dois jogadores é que interessa, porque é a mais importante. O Nasri, nessa altura, faz o que tem a fazer, vai em direcção ao Bilyaletdinov para o obrigar a fugir dele, impedindo, ao mesmo tempo, que faça um passe lateralizado. Se o Traore tem adoptado a postura correcta, ou seja, se tem ficado no meio, o Bilyaletdinov nunca conseguiria pôr a bola no meio por causa da acção destes dois jogadores, e seria obrigado a progredir com a bola, tendencialmente para a esquerda. Isto daria tempo à defesa do Arsenal para recuperar. Ora, o Traore não faz isto e opta por ir direito ao russo. Só quando ele chega ao pé do russo é que o Nasri tem hipótese de perceber isso e só nessa altura é que deveria ter abandonado o seu movimento inicial e ocupado a zona central. O Traore, porque é o último homem e é aquele que está de frente para o jogo é que tem de ler a situação o melhor possível e não o faz. O erro inicial é dele e é esse erro que faz com que o Nasri depois não se comporte correctamente. Logo, o primeiro erro é mais importante, não só por ser o primeiro, mas por ser o que causa o segundo e por ter sido protagonizado por alguém que estava de frente e podia observar tudo muito melhor. O Nasri acaba por não conseguir corrigir o erro do companheiro e modificar o seu comportamento inicial, mas nunca o seu erro é mais grave que o outro pelo simples facto de que não podia prever o erro do companheiro.

"A opção que provavelmente evitaria o golo seria se o Nasry corresse pelo meio, cobrindo a zona central, mas o que faz é ainda pior do que o Traoré, pois este não tinha deixado ninguém sozinho."

MB, em alta competição, em equipas a sério (e o Arsenal não foge à regra) deixar alguém sozinho não significa nada. O que interessa defender é o espaço, cortar as linhas de passe e antecipar as possibilidades que o adversário tem para evoluir no terreno. O teu erro, ao apreciares o lance, parece-me ser o de estares demasiado focado nas referências "homem". O Nasri, como aliás, o Traore, não tem que se preocupar e não deixar ninguém sozinho. Aliás, o problema do Traore é precisamente esse, o de não perceber que podia deixar o Bilyaletdinov quietinho. O Nasri tem de ocupar o espaço correcto, e isso ele fá-lo no início da jogada. Só quando o Traore chega ao pé do russo é que o Nasri deveria ter adoptado outro comportamento, mas aí já seria para corrigir o erro inicial do colega e não o seu.

Para finalizar, há ainda outra coisa. Nunca o Nasri pode ter culpa de nada porque, mesmo que depois de perceber o erro de Traore tivesse corrido para o meio, o Everton ficava com uma situação de 2 para 2 e, nessas situações, ainda por cima sendo o último homem, é sempre recomendável que se avance para o adversário para pára-lo. Mesmo que o Nasri tivesse feito o que devia, dependia sempre do Traore parar a jogada em falta, porque essa era a melhor opção. Ao Traore, porém, isso nem lhe passou pela cabeça, uma vez que não foi capaz de antecipar o que era possível de acontecer. O erro é, por isso, quase integralmente do defesa esquerdo do Arsenal.

MB disse...

"em alta competição, em equipas a sério (e o Arsenal não foge à regra) deixar alguém sozinho não significa nada. O que interessa defender é o espaço, cortar as linhas de passe e antecipar as possibilidades que o adversário tem para evoluir no terreno"

Não podia concordar mais. Quando disse que o Nasry deixou o jogador do Everton sozinho, estava implicito que (usando as tuas palavras) não defendeu o espaço, não cortou linhas de passe, nem antecipou as possibilidades que o adversário tinha para evoluir no terreno (o Piennar marcou golo correndo 40 metros sozinho com a bola, usando o espaço que o Nasry poderia ter coberto) .


"O teu erro, ao apreciares o lance, parece-me ser o de estares demasiado focado nas referências "homem"". Estás equivocado. o meu problema com o Nasry é que ele só se preocupou com a bola. Se reparares todos os seus movimentos acabam por ser reactivos ao movimento da bola. Ele só viu a bola e ignorou tudo o resto. Quando o Traoré deixou a zona central vazia o Nasry deveria ter feito a compensação, em vez de correr atrás da bola. Parecia que estava a jogar "à rabia" e não futebol.



"Nunca o Nasri pode ter culpa de nada porque, mesmo que depois de perceber o erro de Traore tivesse corrido para o meio, o Everton ficava com uma situação de 2 para 2" Pois, mas uma situação de 2 para 2 é melhor do que 1 para 0. Repito, a partir do momento em que o Traoré faz o seu movimento, o Nasry deveria ter percebido que tinha de mudar de opção (concordo que o Traoré estava de frente para o jogo, mas o Nasry estava de frente para o Traoré e não há forma de não ter visto que o movimento do colega implicava uma mudança de movimento sua, para preenhcer os tais espaços).



Parece-me que ambos concordamos que os dois erraram. Apenas diferenciamos em quanto ao critério para classificar a gravidade do erro. Os meus critérios são: se o erro pode ser compensado ou não e qual facilidade de se concretizar essa compensação.