segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ficar em contenção

Dois lances, dois golos, duas abordagens diferentes. Os lances em questão dizem respeito aos dois golos sofridos pelo Sporting este fim-de-semana. Apesar de o desfecho de cada um dos lances ter sido igual (golo sofrido), a verdade é que as abordagens defensivas foram diferentes, tendo uma delas sido correcta e a outra não. As jogadas são relativamente parecidas, embora ocorram em flancos opostos, e é por isso que é possível compará-las. Um avançado adversário tem a bola junto à linha e um defesa sai-lhe ao encalço. A missão do defesa, neste tipo de lances, é impedir que o avançado consiga progredir e evitar o mais que puder que se aproxime da sua baliza. Só. Não tem por missão fazer um corte, roubar a bola, parar a jogada. O único objectivo que a sua presença deve ter é a de criar um obstáculo e obrigar o avançado a ter de tomar uma opção. Ainda por cima, em situações como as duas em questão, em que as coberturas não estão imediatamente garantidas, é altamente irresponsável o defesa pensar noutra coisa que não em ficar em contenção. Ir à queima e procurar ganhar o lance tem o risco de, caso o perca, permitir que o avançado se aproxime da sua baliza, uma vez que não tem colegas por perto para o ajudar.



Ora, no primeiro golo do Nacional, Daniel Carriço toma precisamente a melhor das opções, saindo ao avançado madeirense, mas ficando em contenção, não correndo o risco de ser ultrapassado. Ao fazê-lo, deu a iniciativa ao adversário, o que se recomenda, em casos como este. A partir desse momento, o avançado pode ir para o drible, pode jogar para trás, ou pode tirar um cruzamento pouco perigoso, uma vez que não é feito da linha de fundo e a defesa está de frente para o lance. Qualquer das opções é preferível a tentar o corte, opção que acarretaria o risco de, caso não fosse bem sucedida, permitir que o avançado levasse a bola mais para perto da baliza e, aí sim, causar estragos irreparáveis. Como o atacante não tinha a possibilidade de soltar a bola num colega, o defesa não tem que ir direito a ele para ganhar a jogada a qualquer custo. Como a situação é de um para um e nem o atacante tem apoios próximos nem o defesa tem atrás de si a cobertura que lhe permita o risco de tentar ganhar a jogada, o melhor a fazer é parar à frente dele. Ao parar à frente do adversário, Carriço dá-lhe a iniciativa. Isto não só faz com que fique preparado para aquilo que o atacante vai fazer, como dá tempo aos colegas para se reorganizarem. Carriço adopta a postura correcta, não procurando ganhar o lance e obrigando o avançado a definir a jogada. Se, por acaso, a opção tivesse sido o drible, o defesa tem sempre mais probabilidades de ganhar duelos no um para um quando deixa ser o adversário a iniciar o drible, porque está preparado para essa eventualidade. Tendo sido a opção o cruzamento, não é propriamente algo que constitua perigo imediato, tendo em conta que a defesa está de frente para o lance. O facto de o lance ter dado golo não pode servir de justificação contra isto. Não só era muito improvável que, naquelas condições, acontecesse um golo, como a probabilidade de ele acontecer aumentaria muito se a postura de Carriço tivesse sido outra. Apesar do golo sofrido, o central do Sporting esteve, por isso, muito bem.



No segundo golo do Nacional, a história é outra. O lance é muito semelhante, mas acontece no flanco contrário e, em vez de Daniel Carriço, é João Pereira quem sai ao adversário. Ao contrário do colega que interveio no primeiro lance, João Pereira ignora por completo o facto de não ter cobertura nas costas e vai ao lance para ganhá-lo. Em vez de ficar em contenção, esperando pela iniciativa do adversário, ataca a bola. Ao fazê-lo, deixa parte do desfecho do lance entregue ao acaso e acaba por perdê-lo. Isso permite que o adversário se acerque da baliza e que cruze numa zona muito mais perigosa. As consequências, apesar de serem as mesmas que no lance anterior, podiam facilmente ter sido evitadas se João Pereira tivesse tomado a melhor opção, que passaria por ficar em contenção e obrigar o adversário a optar pelo drible ou a cruzar bem de longe. João Pereira teve um comportamento, portanto, incorrecto, potenciando a jogada de perigo adversária. Ao contrário, portanto, de Daniel Carriço, no primeiro lance, é o principal responsável pelo golo sofrido.

Estes dois comportamentos antagónicos ilustram, com exactidão, aquilo que se pode esperar dos dois intervenientes em termos de interpretação dos lances. Daniel Carriço é um jogador sóbrio, com escola, que entende as necessidades de cada lance. O seu comportamento é, por isso, invariavelmente condizente com aquilo que a jogada requer dele. Já João Pereira é um jogador impetuoso, que vale pelos seus atributos físicos e técnicos, pela velocidade de reacção e pela agressividade. Em lances defensivos, a sua interpretação é quase sempre a mesma: atacar a bola, sejam as condições quais forem. João Pereira está, por isso, muito mais susceptível ao erro. Não tendo propriamente concorrente à altura para a sua posição na equipa comandada por Carlos Carvalhal, não deixa de ser, por isso, um jogador cujo comportamento, em alguns aspectos do jogo, não é o melhor, e um jogador que não tem tanta qualidade quanto a que lhe querem conferir. Muito se tem falado, nos últimos dias, da qualidade que João Pereira veio trazer à equipa. Acredito que veio trazer presença no ataque ao seu flanco e agressividade ao mesmo, mas pouco mais. Este é apenas um exemplo daquilo que faz de João Pereira um jogador menos correcto do que o têm feito. Mais coisas virão, certamente.

29 comentários:

Pedro disse...

No primeiro golo o jogador do Nacional em corrida teve q preocupar-se, primeiro, em não deixar sair a bola e só depois se virou para a baliza e decidir o q fazer. Se o Carriço ataca a bola no momento em q o adversário procura não deixar a bola sair as probabilidades de a jogada morrer ali eram enormes. Compreendo o q dizes do Pereira e a comparação que pretendes fazer mas o Carriço esteve muito mal. Inclusivê deu um dos lados ao adversário que aproveitou logo para centrar com tranquilidade. Não concordo nada ctg quando dizes que o centro é infensivo (como se provou que não é). Qualquer centro feito com a tranquilidade e espaço com q este foi feito é sempre perigoso pois o jogador tem tempo para ver os colegas e colocar lá a bola. Como aconteceu. Quem deixou o Ruben sozinho tem muitas culpas mas Carriço ao deixar centrar tb tem culpas.

Nuno disse...

Desculpa, Pedro, mas não tens razão. Primeiro, nem sequer consegues ver que o Carriço vem atrasado e não chega ao lance senão quando o avançado já está de frente para ele. Atacar ali a bola seria correr o risco de perder o lance no um para um. Depois, não entendo o que queres argumentar com o dar um dos lados. Como é que não se dá um dos lados?? Um defesa tem de escolher sempre se defende por dentro ou por fora, se dá a linha de fundo ou a parte de dentro. O Carriço fez o que tinha a fazer. Fechou a passagem para a linha de fundo, obrigando-o a vir para trás. Ele não podia, pura e simplesmente, fazer mais nada. Ninguém fecha os dois lados. É uma estupidez pensar o contrário.

Quanto a centrar com tranquilidade, é mentira que seja sempre perigoso. É perigoso centrar com tranquilidade de meio-campo? Não é. Porquê? Porque a defesa está de frente para o lance. Também não é perigoso centrar dali a não ser que a defesa esteja a recuar. Não era o caso. A defesa tinha a posição ganha e ia atacar a bola de frente. Um cruzamento ali nunca é perigoso e o Nacional fará golo assim 1 vez num milhão. Não há ninguém a atacar a bola na área, mas de qualquer forma o cabeceamento é atrás da marca de penalty. As probabilidades de dar golo são ínfimas. Correu bem.

Pá, ultimamente, tens apontado lances em que dizes que o Carriço está mal para que consigas demonstrar que ele comete tantos erros como o David Luiz. Como se vê por este lance, não sabes o que dizes. Qualquer pessoa que não perceba que o Carriço teve o comportamento mais correcto no lance, não percebe nada de futebol. É natural que, depois disto, não compreendas que o David Luiz tem demasiados defeitos para ser o central genial que dizes que é. Como tal, nem vale a pena discutir estas coisas com alguém que, simplesmente, não é capaz de perceber evidências como esta.

MB disse...

Concordo no geral com o post.

No entanto existem jogadores, que pela rapidez de reacção e velocidade que possuem, podem arriscar ir à queima, porque depois recuperam. Provavelmente não arriscam tão perto da área, é certo.

Um jogador que às vezes me irritava era o Miguel, que fazia isso com bastante frequência. Ia à queima, mas das poucas vezes era ultrapassado, recuperava a posição, pela velocidade que tinha (há uns anos, Kgs, noitadas e tiros atrás). Não sei se o fazia consciente e confiante na sua capacidade de recuperação, ou se nem sequer pensava nisso, mas o facto é que era bastante eficaz, apesar de a movimentação ser bastante imprudente.

filipe disse...

Estou genericamente de acordo com a leitura feita e sublinho alguma excessiva necessidade de se penalizar os defensores sempre que algo corre mal, quando, muitas vezes, as coisas acontecem sem que haja forçosamente erros claros na fase final das jogadas.

No primeiro lance, o erro está na origem da transição e na forma como o Adrien não resolveu a jogada no meio campo. O Carriço tem a postura correcta essencialmente porque dá o pé fraco ao jogador que tem pela frente, diminuindo as possibilidades de um cruzamento ser bem tirado. Se o Edgar Costa fosse canhoto o posicionamento tinha de ser diferente. Mesmo na área não há grandes hipóteses de fazer melhor, porque o cruzamento vai para uma zona fora daquela que deve ser protegida e o Ruben Micael vem de trás, surpreendendo quem lá está. Embora ache abusivo dizer-se que esteve "muito bem", penso que é claro que podia ter feito outra coisa.

No segundo lance, embora o ângulo da imagem nunca permita ver o que aconteceu no meio, creio que há sobretudo infortúnio do Carriço e do Patrício no ressalto da bola. A ideia que dá é que o Carriço, em vez de tentar uma abordagem posicional, optou por marcar o Edgar individualmente, o que é o correcto numa situação de 1x1 na área. Provavelmente por isso é que o avançado tentou o primeiro poste porque é naturalmente mais forte ao segundo. Ainda assim, o seu remate não foi conseguido e apenas pela felicidade no ressalto o conseguiu fazer.

Quanto ao João Pereira, a sua intervenção é, obviamente, a grande responsável pela origem do lance. Ainda assim, e embora concorde que não necessitava nem devesse arriscar, até pela fase do próprio jogo, ir à queima não foi, a meu ver, uma decisão absurda para a jogada. Pelo contrário. O Anselmo vai desapoiado e tem de evitar a saída da bola. O defesa, nestas situações, tem tudo para tentar ficar com a bola, porque sabe qual vai ser o primeiro toque do avançado e porque este vai, forçosamente, perder equilíbrio na rotação. Não resultou bem, é evidente, mas não foi descabido. Outro pormenor, é que João Pereira, perdendo o lance inicialmente fica impedido de fazer falta por ter amarelo. Se não tivesse provavelmente teria feito falta e matado a jogada. Este é, para mim, o grande motivo pelo qual ele não devia ter arriscado ir à queima no lance, porque, de resto, o lance em si não desaconselhava o risco.

O que não concordo, naturalmente, é que se use este lance para tirar mérito ao João Pereira e ao impacto que tem tido. Já esperava que viesse a ser um bom reforço, mas o que tem feito tem superado as expectativas que tinha. A sua mais valia é em termos ofensivos e na qualidade que dá ao jogo com bola da equipa, mas defensivamente é também um lateral perfeitamente fiável e não é por perder um 1x1 que isso é posto em causa. Certamente vai ganhar muitos e perder outros, como qualquer lateral.

Abraço

Cisto disse...

Concordo inteiramente e acho que estes posts que vocês colocam aqui são excepcionais. Uma nota apenas: um dos lances ocorreu nos primeiros 30 minutos da partida, o outro nos últimos instantes e por isso dou o benefício da duvida aos níveis de cansaço do João Pereira, que influenciam também o tipo de decisões tomadas. Sabendo estar diante de um avançado mais rápido (nas condições do momento), o defesa pode optar por tentar o corte num momento em que lhe pareceu ser possível, evitando assim ser ultrapassado em corrida. Saíu-lhe mal (estando mais cansado, é-se também mais lento) e resta-me apenas dar-lhe o benefício da dúvida, uma vez que não o conheço muito bem. A ver vamos se é um jogador burro ou não.

Petinga disse...

Pessoalmente tambem concordo inteiramente com a analise (nem consigo entender os argumentos do Pedro) e acho muito interessante a missao pedagogica do entre10, desde que nao levada ao extremo e sem arrogancia.
O lance do Carrico e muito ingrato. Tambem me parece que ele defende como o deve fazer e ainda por cima oferece apenas o pe mais fraco ao adversario para cruzar. A defesa esta de frente para o lance (coisa que nao sucederia se ele tivesse oferecido o outro lado, pe mais forte do Edgar Costa e cruzamento com a defesa toda de costas!) portanto teria todas as possibilidades de travar a jogada. Parece-me que a assacar erros eles veem de tras, precisamente no Adrien (como alguem aqui escreveu).

Quanto ao lance do Joao Pereira e claro como agua que o golo acontece por culpa quase exclusiva dele. Nao acho que isso faca dele um jogador pior do que as exibicoes que tem feito e dai ate chamar-lhe "burro" ou com pouco discernimento vai uma grande distancia, porque o Cisto aponta e bem o cansaco como possivel atenuante. Agora, que um jogador com cartao amarelo nao pode permitir-se ir a queima seja em que lance for a menos que tenha 200% de cobertura e um facto. Ate porque ali bastava um puxaozito na camisola do adversario para pelo menos emendar o erro e com o amarelo que ja tinha o JP percebeu logo que nao o podia fazer (logo nao e assim tao burro LOL).

Cumprimentos

Pedro disse...

"Um cruzamento ali nunca é perigoso"

E eu é que não percebo nada de futebol?

Ó Nuno....és capaz de bem melhor.

"É perigoso centrar com tranquilidade de meio-campo?"

Isto é uma contra argumentação á master kodro...se é por aí que queres ir terás de ir sozinho.

saint disse...

Infelizmente, começa a tornar-se hábito que as coisas boas que aqui se escrevem sejam superadas pela arrogância e pela prepotência de quem as escreve, sobretudo quando há alguém que não concorda...

Em relação ao tema... penso que o Carriço poderia ter sido um pouco mais agressivo no lance, sem no entanto ir "à queima"... no resto concordo com a análise.

Nuno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno disse...

MB, sim, é verdade, há jogadores que, pela velocidade, conseguem compensar maus posicionamentos ou interpretações de lances deficientes. O Pepe, por exemplo, vale-se muito da velocidade para superar este tipo de lacunas. No entanto, em lances como este, uma vez ultrapassado, é quase impossível recuperar. Está demasiado perto da área e, a menos que o avançado, depois, seja lento a executar, há pouca margem para recuperar. Lembro-me, por exemplo, de um erro que o Pepe comete deste tipo contra a Albânia e que dá o golo dos albaneses na altura. O João Pereira também é rápido e já não foi a tempo de recuperar do erro, por exemplo.

Filipe, é verdade que o Anselmo vai desapoiado, mas nunca perde o contacto com a bola. Nessas condições, um toque do João Pereira pode originar várias coisas, ficando um bocado à mercê do acaso. Atacar a bola naquelas condições pode, por isso, originar um ressalto indesejado, que até foi mais ou menos o que aconteceu. O problema, a meu ver, não é o amarelo, porque uma falta ali, naquelas condições, é sempre desnecessária. O Anselmo não tem apoios e só poderia ganhar o lance individualmente. O João Pereira, acautelando-se em relação a isso, deveria ter ficado a um metro e obrigá-lo a recuar, dando tempo aos seus colegas para se reorganizarem. Quando um lateral não tem cobertura e o avançado não pode dar seguimento à jogada a não ser individualmente, nunca é boa opção procurar ficar com a bola porque, nesse caso, está a equilibrar-se a balança das probabilidades de êxito a favor do atacante. Se o João Pereira tivesse ficado em contenção, tinha limitado as possibilidades de o Anselmo o ter superado no um para um e tinha dado tempo para que se formasse uma cobertura atrás de si que inviabilizasse que, mesmo que fosse comido no um para um, o atacante conseguisse transformar isso numa jogada de perigo. A falta após a perda de bola seria um mal menor, mas ainda assim um mal. A melhor opção seria sempre ficar em contenção.

Cisto, é verdade que o cansaço pode ter influenciado. Não concordo, sobretudo a este nível e tendo em conta o jogador que é, que não tivesse pernas para ganhar o lance, mas o cansaço pode ter influenciado a tomada de decisão, pois retira, entre outras coisas, capacidade de discernimento. No entanto, é o João Pereira. Conhecendo-o como conheço, este lance é tão possível de acontecer no fim do jogo como no princípio. O cansaço mental advém essencialmente da concentração que se coloca no jogo e o João Pereira não é um jogador excepcionalmente concentrado. É alguém que interpreta os lances de forma muito semelhante, o que revela que a concentração que deposita no jogo não é muita e o que revela que, em lances semelhantes, terá o mesmo comportamento.

Pedro, como disse, um cruzamento dali, com o pé fraco do atacante, a levar a bola a entrar na zona de penalty, com a defesa a atacar a bola de frente, NUNCA é perigoso. Era muito mais perigoso se o Carriço lhe desse a linha e ele cruzasse atrasado ou então que cruzasse dali, mas para o espaço entre o guarda-redes e os defesas. Dali, naquelas condições, NUNCA é perigoso.

Saint, o Carriço percebe que não tem cobertura nas costas. Nestes lances, nunca é boa ideia ser um pouco mais agressivo. Nestes lances, tem de se dar sempre a iniciativa total ao avançado. A partir do momento em que se dá a iniciativa, não só se ganha tempo, como se fica em melhor posição para se vencer o lance caso o avançado se decida pelo drible. E o Carriço não pode arriscar um pouco mais de agressividade porque isso implica menos equilíbrio e menos capacidade de reacção a mudanças de direcção e de velocidade. Nestas condições, ele faz o que lhe compete. Isto aprende-se nos escalões de formação.

Pedro disse...

Mas ó Nuno como é que tu sabes onde a bola vai cair? Não sabes. Qt muito sabes que lhe dás o lado do pé mais fraco. A partir daí não sabes para onde vai o centro. Defender q um centro dali nunca é perigoso é das coisas mais estranhas q ouvi. É q tu tens milhares de golos que nascem de cruzamentos destes. Qualquer cruzamento feito com tranquilidade, e por tranquilidade entenda-se, espaço e tempo para o efectuar em boas condições, é sempre perigoso pq vai cair numa zona perto da baliza onde facilmente poderá ser desviada para golo. Defender o contrário é casmurrice pura. Um cruzamento só não é perigoso se na área não estiver nenhum jogador da equipa que está a efectuar o centro.

Esta discussão lembra-me um dos golos que Portugal sofreu contra a Inglaterra no Euro2000 em que o Dimas dá todo o tempo do mundo para o Beckam centrar à vontade e o resultado foi golo. A zona do cruzamento ainda é um pouco mais afastada da área e da linha de fundo.

Ricardo Galeiras disse...

Eu só gostava de saber onde vão vocês buscar tanto tempo para discutir estes assuntos. :-)

Boa análise, bom post e bons e péssimos comentários.

Se tivesse tempo aprofundava mais um pouco a questão no entanto vou passando por cá para ver os desenvolvimentos.

Mantenham a elevação.

Nuno disse...

Pedro, não só é só o sítio onde está a bola. Já o disse. É o ter sido ali, mas naquelas condições. Não é só o pé fraco, é também o jogador ter de voltar para trás, o que facilita o trabalho da defesa. Repara também que, daquela posição, e com a defesa do Sporting colocada como está, ele nunca conseguiria cruzar a bola para trás dos defesas. Um cruzamento ali só seria perigoso se a bola fosse cair atrás dos defesas, obrigando-os a recuar e ficando assim na mesma posição dos atacantes. Assim, os defesas vão estar de frente para atacar a bola e têm sempre vantagem em relação aos avançados. Compara com o terceiro golo do Sporting. A defesa do Nacional está a recuar e a bola entra precisamente atrás deles, com o Liedson a aparecer ali. É completamente diferente e o cruzamento até é tirado mais atrás. Não é uma questão de ser mais ou menos perto da linha de fundo. É o facto de ser feito numa posição em que facilita o trabalho da defesa porque a mesma estará sempre de frente para o lance. Não se trata de casmurrice. É um facto. Se o Carriço tem permitido que o avançado fosse para o outro lado, o cruzamento seria muito mais perigoso, porque os defesas teriam de se aproximar do guarda-redes para evitar que houvesse espaço por onde a bola entrar e porque iriam abordar o lance de perfil, sem puderem perceber com exactidão onde estariam os adversários que poderiam atacar a bola.

Ao contrário do que dizes, não há milhares de golos com cruzamentos destes. Aliás, lembro-me de muito poucos. Isto porque, ao que parece, ainda não percebeste que não digo isto porque o cruzamento é feito naquela posição. Isto não tem nada a ver com a posição em que é feito. Tem a ver com a forma como é feito e com a forma como a defesa está posicionada.

Outra coisa, o Dimas não é culpado por ter deixado o Beckham cruzar. Ele não tinha que evitar o cruzamento atacando a bola. Deveria, isso sim, ter constrangido esse movimento aproximando-se um pouco do Beckham de modo a obrigá-lo a vir para trás para cruzar com o esquerdo, que foi precisamente o que o Carriço fez neste lance. E isto não porque o pé esquerdo não seja o melhor do Beckham. Isso é apenas uma circunstância. A verdadeira razão pela qual se deve fazer isso é porque o cruzamento tirado com o pé esquerdo, ali, vai descrever uma trajectória que facilita o trabalho aos defesas, ao passo que, com o pé direito, a bola vai com o efeito contrário. É por isso que tantas vezes se ouve os avançados a criticar os alas que, quando chegam à linha para cruzar, voltam para trás e cruzam com o outro pé. Isso pode facilitar-lhes o cruzamento, mas dificulta o ataque à bola por parte dos avançados porque os defesas vão estar melhor colocados, uma vez que vão atacar a bola de frente.

Nuno disse...

Outro exemplo eram as trivelas do Quaresma. São muito mais eficazes, enquanto cruzamento, na esquerda do que na direita. E isto tem a ver unicamente com o efeito que a bola leva. Por que é que achas que os cruzamentos de trivela dele eram mais eficazes que os cruzamentos normais? Não era uma questão de precisão. E muito menos um truque inconsequente. A eficácia das suas trivelas na esquerda tinha a ver com a trajectória que a bola descrevia, que causava muito mais problemas aos defesas do que um cruzamento normal de pé direito. Um cruzamento de pé direito, na esquerda, vai apanhar os defesas de frente para o lance; uma trivela pode entrar atrás deles ou não, mas de certeza que obriga a que eles se posicionem muito mais de perfil, não podendo perceber com tanta certeza como é que os avançados vão atacar a bola. Além de que a própria trajectória da bola afecta a força do remate e pode facilitar o gesto técnico do mesmo. É muito mais fácil cabecear uma bola que venha a fugir da baliza do que uma que venha a aproximar-se da baliza.

Repara que o Carriço impede o cruzamento com o pé direito e obriga literalmente o avançado a vir para dentro, para cruzar com o esquerdo. Isso é o que se deve fazer sempre, naquelas situações, seja o Beckham ou não. E a razão é simples. Porque facilita o trabalho dos defesas. As probabilidades de êxito foram, por isso, reduzidas pela acção do Carriço. O facto de o Nacional, ainda assim, ter marcado golo, não significa o contrário.

Nuno disse...

Ah, e outra coisa. O Carriço sabe a posição em que está e a posição dos colegas. Sabe perfeitamente que um cruzamento dali, com o pé esquerdo, nunca vai cair entre os defesas e o guarda-redes porque não há espaço para tal. Como tal, sabe que a bola só pode ser cruzada como foi, para a zona de penalty e que aí, à partida, os defesas têm o lance controlado e que é muito difícil alguém fazer golo de primeira. Aconteceu, mas a probabilidade não é muita.

Ricardo Galeiras disse...

Depois do cruzamento sair, acrescentava eu que o João Pereira ficou a nanar, o Tonel sai ao Ruben Micael e está mais longe. Se bem que a estatura do lateral do Sporting de pouco teria adiantado, no entanto fica estático.

Pedro disse...

Bem o carriço é um espectáculo para saber isso tudo numa fracção de segundos...
:)

Concordo com tudo o que dizes sobre a maior ou menor dificuldade de execução e maior ou menor probabilidade de êxito. Mas continua a ser sempre um lançamento perigoso para dentro da área. Se ele não faz o cruzamento não havia golo. Não entro na discussão de se o Carriço defendeu como tinha que defender, apenas discordo (e estes teus ultimos comentários já atenuam um pouco a tua posição mais drástica de antes) que um cruzamento não seja perigoso.

E se tu és teimoso eu, às vezes, tb sou. Lá em cima dizes "nem sequer consegues ver que o Carriço vem atrasado e não chega ao lance senão quando o avançado já está de frente para ele". Revendo o lance peço-te para reparares nos segundos 8,9 e 10. É percepetível o abrandamento do Carriço para ganhar posição, no segundo 9 qd o jogador toca a bola com o impulso sai do campo e roda sobre si para voltar-se para a bola. Se o Carriço não abranda teria-lhe sido possível chegar á bola ao mesmo tempo, no minimo, q o jogador do Nacional e resolver o lance atirando a bola para fora. A partir deste momento, não tendo atacado a bola como eu acho que era perfeitamente possível, aceito que tenha tomado as melhores decisões. Não é aí que eu discordo de ti.

Nuno disse...

Pedro, o Carriço não tem tempo para chegar ao lance e poder cortá-lo de forma limpa, isto é, sem arriscar fazer falta porque o adversário deu um toque à última na bola ou sem arriscar um ressalto. Repara que o João Pereira, no segundo lance, está muito mais perto do adversário e, mesmo assim, acaba por perder no ressalto. O Carriço, se fosse à queima, até podia ganhar o lance. Mas ia sempre depender da sorte. O mais certo era perder o ressalto ou chegar tarde à bola. Além disso, o avançado do Nacional demora a fazer a rotação porque sabe que tem tempo para o fazer. Além disso, o Carriço abranda porque percebe antes que não vai chegar a tempo de cortar o lance. Toda esta tua argumentação está, por isso, errada, porque se baseia na ideia errada de que o Carriço tinha tido tempo para cortar o lance. Pois não tinha e ver na jogada provas do contrário diz muito do facto de se gostar do David Luiz. É que o mais certo era que o David não tivesse abrandado e se fosse despenhar contra o adversário. É por isso que tu gostas dele. Mas é também por isso que não percebes que não era a postura correcta, que a postura correcta era parar à frente do adversário, como fez e bem o Carriço.

Nuno disse...

Ricardo, depois do cruzamento partir não consigo imputar responsabilidades individuais. É verdade que o João Pereira fica quieto e poderia ter atacado a bola, mas não sei até que ponto isso era o mais correcto.

Ricardo Galeiras disse...

Nuno, apenas falei nisso não para procurar um "bode respiratório :-)" mas porque me parece que o posicionamento do João não é o melhor, uma vez que está de perfil e é surpreendido pelo surgimento do Ruben Micael, ele sabe que está um elemento na zona do Tonel mas nem se apercebe do deslocamento do Ruben, que se não me engano faz o passe que origina o cruzamento e vai finalizar. (Boa contratação do Porto)

pretty_boy disse...

Boas,

Nuno obrigado por este blog, está fenomenal é pena que existam muito poucos como este....

Em relação ao post na minha opinião está muito bem conseguido. Concordo com a tua análise, tendo em conta que ambos os lances são realizados em contra-ataque o João Pereira teria de fazer contenção, esperando que a equipa equilibra-se.
A estratégia do Nacional era mesmo surpreender o Sporting em contra-ataque ou em ataque rápido. Para a jogada "morrer" a contenção era a melhor acção, obrigando o Nacional a organizar o seu jogo.(No meu ver neste momento a eficiéncia de organização de jogo do Nacional é muito fraca).

Abraço

Sporting Eterno disse...

Andam aí muitos Sportinguistas eufóricos com a certificação da Academia. Par a quê e que interessa isso? Qual a mais-valia? E o resto? O mais importante? Que vale a certificação sem o principal? Talvez nos contentemos com pouco! Com um papel pendurado na parede! Para dizer que os outros que não têm? Se calhar os outros não têm o papel, mas têm algo muito mais importante que o papel pendurado na parede!

Gostava de sentir a v/opinião e se concordarão comigo ou não. Pode ser polémica mas…

http://sportingeterno.blogspot.com

Pedro disse...

O David Luiz tinha limpo aquele lance...isso é certinho!!!
:)

Peyroteo disse...

Acho que o Nuno tem razão quando diz que o Carriço fez a opção correcta. De facto, um jogador cruzar dali com o seu pior pé raramente dá em golo. Há que atribuir mérito ao cruzamento do Edgar Costa e sobretudo ao cabeceamento do Ruben Micael que foi muito bem efectuado. Foi um lance bastante semelhante ao 3º golo do SPorting no Sporting-Benfica (3-2) da época passada. Lembram-se? O Pereirinha cruzou de pé esquerdo e o Liedson cabeceou no mesmo canto e mais ou menos do mesmo local.

Nuno disse...

Pedro diz: "O David Luiz tinha limpo aquele lance...isso é certinho!!!
:)"

Pedro, da mesma forma que limpou o lance no único golo do Setúbal? Ou da mesma forma como pensou que ia limpar o lance no segundo golo do Poltava e saiu da sua posição, por onde, por acaso, o ataque dos de leste seguiu? Ou da mesma forma que limpou o lance no golo do Leiria, fazendo auto-golo num lance que o Quim tinha controlado? Ou da mesma forma que limpou o lance (esse sim, devia ter-se despenhado contra ele) do Pateiro, que por pouco não dava o segundo golo do Leiria? Ou da mesma forma que quis limpar o lance contra o Marítimo e concedeu penalty? Ou da mesma forma que limpou aquele lance na área, recentemente, frente ao Nacional, em que virou o adversário? Realmente, era certinho que o rapaz limpasse o lance. Isto porque tem poucos telhados de vidro...

Peyroteo, acho que o lance do Pereirinha é um pouco diferente porque, embora tenha voltado para trás e facilitado, nesse aspecto, o reposicionamento da defesa, que já não atacou a bola enquanto corria na direcção da sua baliza, o cruzamento é junto à linha de fundo e a defesa tem de atacar a bola de perfil e não de frente, não podendo, ao mesmo tempo, perceber com tanta facilidade onde estão os adversários. É, por isso, muito mais perigoso cruzar de onde cruzou o Pereirinha do que cruzar onde cruzou o avançado do Nacional.

PLF disse...

Nuno,

pode ser que tenha interesse em dar uma vista de olhos pelo meu blog hoje (em particular) devido à análise feita. Já agora apreciaria o seu contributo.

Balakov10 disse...

Em geral é um excelente post

http://outra--visao.blogspot.com/

CR7 disse...

Watch more of footballing action here at Soccer Highlights & Cristiano Ronaldo