terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Legado de Luis Enrique e outras coisas

1. O Fim de uma Era

Quando a época passada terminou, e o Barça de Luis Enrique conquistou os três principais títulos, tive o ensejo de escrever um texto que, por vários motivos, acabei por nunca escrever. O que queria ter dito na altura e não disse é o que, muito abreviadamente, direi agora. O Barça ganhou tudo e, para muitos, voltou ao domínio do futebol europeu. A minha opinião é ligeiramente diferente: o Barça ganhou tudo, e perdeu finalmente a hegemonia que teve na última década. Pode parecer um contrassenso, mas creio que as conquistas do ano passado são o ponto final de uma era que começou com a chegada de Guardiola ao clube. O futebol da equipa de Luis Enrique já não tinha muito a ver com aquele que Guardiola preconizava (e que Tito Villanova e Tata Martino, mal ou bem, mantiveram), e o sucesso desse futebol significa a ruptura decisiva com o passado. Correndo o risco de parecer incoerente, uma vez que defendo que esse futebol já não tinha muito a ver com a da grande equipa de há uns anos, acho que muito desse sucesso se deve ao que os jogadores aprenderam com Guardiola: muito do que seria o trabalho do treinador é dispensado pelo que os jogadores, em termos colectivos, ainda retêm dessa altura. O mérito de Luis Enrique nas conquistas da equipa é, aliás, muito reduzido. Além de um conjunto de jogadores que cresceram a fazer uma série de coisas que agora fazem de olhos fechados, contou com jogadores que, do ponto de vista individual, fizeram toda a diferença. Para dizer de outro modo, o Barcelona ganhou tudo como poderia ter perdido tudo e como várias equipas ganham tudo. Jupp Heynckes ganhou tudo pelo Bayern há uns anos, e não me parece que lhe deva ser dado um mérito especial. Há sempre alguém que tem de ganhar, e o ano passado calhou ao Barcelona. Ao ganhar desse modo, como ganharia qualquer outra equipa, o Barça voltou a ser uma equipa normal. E a hegemonia que teve, e que continuava a assustar toda a gente, acabou. Por outras palavras, foi a melhor equipa dos últimos dez anos, mas arrisco-me a dizer que não será a melhor dos próximos. Se o impacto de Guardiola se viu até ao ano que passou, culminando com o triplete de Luis Enrique, o impacto de Luis Enrique ver-se-á daqui a 5 anos, quando o Barça for uma equipa banal.

2. A Lesão de Messi

Há um pormenor que costuma ser negligenciado quando se fala nas conquistas europeias: as lesões. Os dois anos em que Guardiola não ganhou a Champions quando ao serviço do Barcelona foram pautados por lesões relativamente longas ou recorrentes de jogadores importantes: Ibrahimovic, Iniesta, Villa, etc.. A equipa de Luis Enrique teve um ano praticamente imaculado, a esse nível, e isso também foi decisivo. Foi-o, de modo evidente, na forma como pôde superar o Bayern de Guardiola, fustigado por lesões, mas foi-o também ao longo de toda a época. Não houve lesões de grande duração em nenhum jogador importante, e isso permitiu à equipa manter os seus índices de produtividade. Que o tenha sido não me parece, de modo nenhum, irrelevante. Repetir a sorte de uma época sem lesões é praticamente impossível, e creio que isso ditará um ano bem mais modesto em termos de conquistas. A primeira lesão importante aconteceu este fim-de-semana, e ainda não se sabem bem as consequências dela. Apesar de ser preferível perder Messi nesta altura, dois meses (mais um mês ou dois até recuperar o melhor ritmo) é tempo suficiente para que o Barça perca terreno, por exemplo, no campeonato. Messi, aliás, foi decisivo nos jogos decisivos da época passada, e o principal responsável pelo sucesso de Luis Enrique nas provas a eliminar (em vários jogos da Champions, concretamente contra o Bayern, e na final da Taça do Rei, por exemplo). Sem Messi, o Barça de Guardiola era só a mesma equipa menos o seu melhor jogador. Sem Messi, o Barça de Luis Enrique vale menos de metade.

3. Xavi e Iniesta

Apesar de ter perdido a titularidade a época passada, Xavi foi quase sempre utilizado por Luis Enrique. Quando jogava de início, o Barça era quase sempre melhor, apesar de praticamente ninguém conseguir ver isso. Quando entrava, a equipa passava automaticamente a jogar melhor. Ainda que em final de carreira, aquele que foi, muito possivelmente, o melhor jogador de sempre, no que diz respeito à tomada de decisão, mantinha uma influência incrível, e só aqueles que acham que o futebol requer os melhores atletas não eram capazes de percebê-lo. Como o futebol é dominado por essa gente, tornou-se praticamente consensual que a era de Xavi no Barça chegara ao fim. Tenho para mim que não foi só a era de Xavi que terminou. Com Xavi, foi-se também a melhor equipa de sempre. Aliás, restam dessa equipa poucos jogadores: Dani Alves, Piqué, Busquets, Iniesta e Messi. Com a saída de Xavi (e a de Pedro), a somar-se às saídas em anos anteriores de Thiago Alcântara e Fabregas, por exemplo, o futebol de toque curto, mais pensado do que corrido, chegou ao fim. O próprio Iniesta, se virmos bem, é um autêntico órfão em campo. Messi tem capacidades atléticas (e idade) que lhe permitem adaptar-se a um estilo de jogo diferente, e o entendimento com jogadores mais vertiginosos torna-se fácil. Iniesta não as tem, e o seu futebol eclipsa-se a cada dia que passa. Não quero ser mal entendido: esse futebol não se eclipa por  Iniesta já não ter capacidades físicas para mantê-lo vivo, mas porque já não está rodeado de colegas a quem interessa jogar o mesmo jogo. Cada jogador é aquilo que o rodeia. E Iniesta deixou de estar rodeado dos mais inteligentes. O Barça de Luis Enrique já não é o Barça de Xavi e Iniesta. Em tempos, num lance que não consigo situar (imaginava, erradamente, ter sido o lance em Old Trafford que permitira a Paul Scholes fazer o golo que eliminou o Barça nas meias finais da Champions de 2007/2008), Xavi falhou um passe decisivo à entrada da área por tê-lo feito sem perceber antecipadamente se o colega a quem passava a bola estaria à espera de recebê-la. Ninguém me compreendeu, porque para quase toda a gente não se deve passar a bola antes de olhar a ver se lá está o colega. Xavi, ao falhar esse passe, antecipava o Barcelona de Guardiola. Antecipava-o na medida em que antecipava aquilo que o Barcelona de Guardiola permitia a todos os jogadores, e em especial ao próprio Xavi: jogar de olhos fechados e passar sem precisar de perceber se o colega vai estar onde deve estar. Xavi passou a bola, nesse dia, para onde devia estar o colega. Só que o colega não estava lá porque não tinha sido ensinado a perceber antecipadamente onde Xavi queria que ele estivesse. O Barcelona de Guardiola fez-se sobretudo disto: todos pareciam saber com antecedência suficiente as intenções dos colegas. Numa equipa assim, ninguém superava Xavi. Tinha sempre mais passes que toda a gente, percorria sempre mais metros do que os outros. Sem bola, dava mais opções ao portador do que qualquer outro colega. Com ela, era sempre o mais eficaz, optasse pelo passe curto ou pelo passe longo. Agora que a equipa de Xavi e Iniesta já não existe, a única boa notícia é que estão os dois (especialmente Xavi) mais próximos de se tornarem treinadores de futebol.

 4. As Inconsistências e os Estúpidos

Quando, na segunda época de Guardiola, Ibrahimovic marcou 16 golos na Liga Espanhola em 2034 minutos (num total de 21 golos em 3285 minutos jogados em todas as competições), quase toda a gente concluiu que tinha sido uma má época do sueco. Apressaram-se então a dizer que falhara na Catalunha, ainda que o seu contributo para a manobra ofensiva do Barça tivesse sido inestimável, e que Guardiola se equivocara ao contratá-lo. Guardiola e Ibrahimovic não parecem ter-se entendido às mil maravilhas, é verdade, mas duvido que o rendimento do sueco tenha sido o problema. Guardiola começava a perceber que precisava de colocar Messi numa posição central, e Ibrahimovic não parecia disposto a jogar noutra posição. A saída de Ibrahimovic do clube pareceu dar razão àqueles que defenderam o mau investimento, e o principal argumento foi sempre aquele que os estúpidos mais depressa invocam: os números. Ora, os números de Ibrahimovic nessa primeira época são praticamente os mesmos que os de... isso, acertaram: Luis Suarez! Suarez fez, a época transacta, os mesmos 16 golos em 2180 minutos na Liga Espanhola (num total de 25 golos em 3535 minutos em todas as competições). Em média, Suarez marcou menos golos por minuto jogado na Liga Espanhola do que Ibrahimovic. Com quatro agravantes. A primeira é a de que o Barça de Luis Enrique, enquanto equipa, fez mais 12 golos do que o de Guardiola nessa época, o que significa que Ibrahimovic fez 16,3% dos golos da equipa e Suarez apenas 14,5%. A segunda é a de que, apesar de ter começado a jogar mais tarde, Suarez nunca se lesionou, o que fez com que nunca tivesse quebras de rendimento, coisa que não aconteceu com Ibrahimovic, que esteve constantemente a recuperar de lesões. A terceira é a de que, além dos golos, Suarez não ofereceu mais nada à equipa, o que também não foi o caso com Ibrahimovic, cujo envolvimento com o colectivo foi muito importante. A quarta é a de que Luis Suarez foi bem mais caro do que Ibrahimovic. Tudo somado, até para aqueles que gostam de apoiar os seus argumentos nos números, é impossível defender que Ibrahimovic tenha feita uma má primeira época e  que Suarez tenha feito uma boa época. Mas - surpresa das surpresas - é exactamente isso que é defendido de modo generalizado! Suarez é hoje tido como um dos elementos mais importantes da equipa catalã, está eleito entre os três melhores jogadores da temporada passada, e há sobre ele uma opinião generalizada muito favorável. Não é impressionante que assim seja. A maior parte das pessoas baseia as suas opiniões no que ouvem dizer e o que ouvem dizer é geralmente o que não interessa ouvir. Neste caso, Suarez é tido como uma grande contratação porque o Barça ganhou a Champions e porque Suarez é aquele tipo de avançado do qual se condescende porque é aguerrido. Não tem metade da qualidade de Ibrahimovic, não fez metade do que Ibrahimovic fez em Barcelona e, como se demonstra, nem sequer marcou mais golos do que Ibrahimovic. O futebol continua a ser dos estúpidos, e os estúpidos continuam a fazer-se ouvir a outros estúpidos. Um dos avançados mais sobrevalorizados da actualidade já pode dizer que foi eleito para melhor jogador do mundo; o melhor avançado da história do jogo nunca chegou a sê-lo, e provavelmente já não virá a sê-lo.

32 comentários:

R.B. NorTør disse...

Grande, enorme artigo.

A análise do Suárez à luz dos números então é de mestre, pena que não se oiça. Suárez é o mais priveligiado espectador dos jogos das Champions. Devia pagar bilhete para entrar em campo e no entanto continua-se a fazer-lhe elogios desmedidos. Compará-lo com Ibrahimovic é quase insultuoso para o sueco.

Blessing disse...

Defendi exactamente o mesmo sobre LE, que aquilo já não era o Barcelona. Como ganhou tudo...
Mais uma vez, sem mácula.

Cantinho do Morais disse...

Grande reflexão, cheia de verdades.

O Barcelona já não existe. O trabalho de Luís Enrique não existe. Na época passada, com tudo perdido, viu-lhe ser oferecido uma Liga pelo Ancelotti e pelos seus excelentes jogadores. Messi reapareceu numa forma tremenda, Neymar desequilibrou e teve um Xavi, Iniesta, Rakitic, Busquets e Alves num grande nível.
Venceu porque tinha, no momento certo, os melhores a jogarem no melhor das suas qualidades.

Este ano...

Ao contrário, Bayern não venceu a Champions porque os melhores, no momento certo, não estavam lá. Enquanto existiram (1ª parte da temporada) foram os reis da europa. Tinham tudo. Só não tiveram sorte.

Jogar sem Ribery, Robben, Alaba e Javi Martinez, aliado ao facto de Lahm e Thiago regressarem de longas lesões é o mesmo que o Barça ter jogado sem Messi, Neymar, Alves e Piqué. E ainda terem Iniesta e Busquets regressados de longas lesões. Dá para imaginar?

Mário Alexandre disse...

O golo que falas do Scholes não é o zambrotta que falha o passe? Em relação ao Suarez e Ibra estou totalmente de acordo.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Chop-Chop.

No outro dia contava ao Blessing esta história: vi o segundo jogo da eliminatória Barça-Bayern, da época passada, com um amigo. E durante o jogo disse-lhe várias vezes que, para mim, o Lewa não só é muito melhor jogador do que o Suarez (e ainda expliquei porquê) como é um dos melhores avançados do mundo.

O gajo olhava para mim e parecia que tinha visto o diabo (a minha sorte é que não somos católicos). Quase que caía para o lado.

O Blessing, uma vez, quase teve de atirar o Posse de Bola abaixo porque resolveu mostrar que o Suarez tem uns tamancos do tamanho do Brasil...

Artur Semedo disse...

acho que aquilo de que se fala no primeiro ponto é similar ao que sucede na relação entre os ciclos económicos e os índices de confiança da população: a euforia das pessoas continua a crescer, mesmo depois de se verificar a quebra e abrandamento económicos; e a descrença permanece, mesmo depois de se voltar a crescer... ou, então, não.

Hélder disse...

A prova que este não é o barça foi dada num jogo contra o Real, em que apertado o Barca renunciou à posse de bola. Nunca com Pep isso aconteceria. Quando a equipa estava com dificuldade a entrar no bloco baixava mais gente, circulava mais na zona de cosntrucao mas nunca renunciava à posse.

Até doi ver reconhecerem isso como inteligencia da equipa de LH - saber quando abdicar da posse vs saber como nunca perder a bola...

No entanto o mestre continua a ganhar campeonatos em Fevereiro...

Tomás Fonseca disse...

"Há sempre alguém que tem de ganhar, e o ano passado calhou ao Barcelona."

"Jupp Heynckes ganhou tudo pelo Bayern há uns anos, e não me parece que lhe deva ser dado um mérito especial."

Para ti não há mérito nunca já reparaste? És do clube "Dos Contras" - agora seguindo o raciocínio da parte emocional do Futebol (escrito por mim em mais um demérito teu ao jogador André André), proponho te fazeres um inquérito aos Bávaros e Catalães e ver se eles têm a mesma opinião de que "Há sempre alguém que tem de ganhar, e no ano passado calhou ao Barcelona" e à uns anos ao Bayern.

Estou chocado com as barbaridades que tu és capaz de dizer. Escreves bom português, mas na minha opinião (que vale o que vale) dizes tantas mas tantas barbaridades que és mais um daqueles "pseudo-intelectuais" do futebol. Adorava que o nosso Rodolfo Reis lesse as tuas barbaridades e que respondesse "para calar de vez os bin laden do futebol Português" e mundial como tu.

Tomás Fonseca disse...

Tinha muitas outras coisas a comentar mas prefiro deixar aqui reescrito mais uma das tuas barbaridades.. ( que depois do ponto 1, admito que foram lidas na diagonal).

"Um dos avançados mais sobrevalorizados da actualidade já pode dizer que foi eleito para melhor jogador do mundo; o melhor avançado da história do jogo nunca chegou a sê-lo, e provavelmente já não virá a sê-lo." - Já te disse uma vez e volto a dizer "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa"

Hélder disse...

Eia bem...

Então Tomás para ti este barca do LH é melhor que o do Guardiola? E o Suárez é melhor que o Ibra?

É o que se discute aqui não e?

Nuno disse...

Cantinho do Morais diz: Jogar sem Ribery, Robben, Alaba e Javi Martinez, aliado ao facto de Lahm e Thiago regressarem de longas lesões é o mesmo que o Barça ter jogado sem Messi, Neymar, Alves e Piqué. E ainda terem Iniesta e Busquets regressados de longas lesões. Dá para imaginar?"

Olha que começa a não ficar longe disso. Este arranque de época tem sido fraco, e agora com a lesão do Messi e a do Iniesta ainda há-de ser pior. Aliás, quando referi a lesão do Messi e a implicação que isso podia ter, esqueci-me de referir que o Dani Alves também já se lesionou e que o Rafinha, que podia ser muito útil esta época, enfrenta uma longa paragem. Somando a isto o facto de não poderem inscrever jogadores, antecipo uma primeira metade da época sofrível. A sorte do Barça é mesmo aquela cantera. O Sergi Roberto parece ter finalmente as oportunidades que já merecia, e o Munir vai poder crescer jogando.

Mario Alexandre diz: "O golo que falas do Scholes não é o zambrotta que falha o passe?"

É o Xavi, creio que tentando solicitar o Edmilson.

Edson Arantes do Nascimento diz: "No outro dia contava ao Blessing esta história: vi o segundo jogo da eliminatória Barça-Bayern, da época passada, com um amigo. E durante o jogo disse-lhe várias vezes que, para mim, o Lewa não só é muito melhor jogador do que o Suarez (e ainda expliquei porquê) como é um dos melhores avançados do mundo."

O Lewandowsky está, neste momento, entre os melhores avançados do mundo. Diria que está num grupo restrito, com o Benzema, o Ibra, o Cavani, o Aguero e o Morata.

"O Blessing, uma vez, quase teve de atirar o Posse de Bola abaixo porque resolveu mostrar que o Suarez tem uns tamancos do tamanho do Brasil..."

E tem. A bola atrapalha tanto naqueles pezinhos...

Helder diz: "A prova que este não é o barça foi dada num jogo contra o Real, em que apertado o Barca renunciou à posse de bola. Nunca com Pep isso aconteceria. Quando a equipa estava com dificuldade a entrar no bloco baixava mais gente, circulava mais na zona de cosntrucao mas nunca renunciava à posse."

Sim, por exemplo.

Tomás Fonseca diz: "Para ti não há mérito nunca já reparaste?"

Como assim, Tomás? Estou a contrastar o Barça do Luis Enrique com o do Guardiola, porque no do Guardiola há mérito. Não percebi este teu raciocínio. Mas também já não é novidade eu não perceber os teus raciocínios.

"Tinha muitas outras coisas a comentar mas prefiro deixar aqui reescrito mais uma das tuas barbaridades.."

Queres justificar o porquê de achares que são barbaridades? É que eu posso dizer que não tens neurónios. Sem o justificar, vale o que vale...

Tomás Fonseca disse...

Hélder,in

Não, eu nao acho este Barça melhor que o de Guardiola nem acho o Suarez melhor que o Ibrahimovic. As coisas são temporais, o jogadores também... Ou achas que o Maradona ou o Pele ainda davam uma perninha?

Acho sim, que, ano passado a melhor equipa era o Barça de LH e que no ano passado, foi melhor o Suarez que o Ibrahimovic! Percebeste ou queres um desenho ?

Mário Alexandre disse...

Se o lance que estás a referir é na segunda mão da meia final da champions de 2008, em que o scholes manda um missil fora da area e eles ganham 1 a o a eliminatoria o artista que lhe fez a "assistencia" foi o zambrotta. O edmilson não saiu do banco nesse jogo. Se foi outro jogo corrige me sff.Porque naquela situação o xavi nunca fazia um "trabalho" daqueles.

Nuno disse...

Mário, tens razão. E eu estou a confundir os lances. Lembro-me de ter discutido, não sei se aqui se noutro blogue, sobre um passe falhado do Xavi na mesma zona do terreno, e com o tempo devo ter associado essa discussão ao golo do Scholes. No lance a que me refiro, o Xavi não olha sequer para onde mete a bola, como é o caso do Zambrotta neste lance.

Tomás Fonseca disse...

(A ti Nuno o "Sr (des)Entendido", não respondo a nem mais barbaridade)

Hélder disse...

Já nem sei quem foi o treinador, mas uma equipa uma vez marcou cedo ao barça e depois o barça não "caiu em cima deles" - como aliás não o faziam - mas simplesmente pôs o adversário mais de 10 minutos sem tocar mais de duas vezes seguidas nela. O Barça dá a volta e o treinador disse que ter marcado era o pior que podia ter acontecido, que se pudesse escolher marcava só na segunda parte.

Ao mesmo tempo o Mourinho trabalhava a marcação HxH dos avançados aos centrais adversários e a saida de bola Pepe-Ozil-Cr7 como forma de sair da pressão...

Mário Horta disse...

Boas,

É a primeira vez que comento neste espaço,embora já o siga há algum tempo. Partilho muito da visão do futebol e o tipo de jogador que idealizas por aqui, tal como tu Nuno também não gosto ver jogar o Suarez, acho-o tecnicamente do pior que há no futebol de topo, e de vez em quando 'engana-se' e tem logo direito a ir para o youtube ter milhões de visualizações, como foi o caso daquele cabrito ao Benatia. Mas à parte disto, e de não gostar dele, reconheço-lhe mérito e até admito que Suarez consegue ser útil até a uma equipa como o Barça. Provavelmente não concordas, mas acho que Suarez é um jogador inteligente e que no meio daquela atrapalhação toda consegue decidir grande parte das vezes bem, para além de ter uma excelente técnica de remate.
Não sei se é sorte se o que é , mas vejo inumeros lances dele em que ele ao dominar se atrapalha com a bola e depois remedeia e consegue até ter uma decisão boa, por exemplo ontem contra o Leverkusen falhou a receção mais simples do mundo, vai na raça (ou na queima) e isola o Sandro Ramirez. A dificuldade está em conseguir distinguir o que é sorte (que ele tem muita, basta ver os golos e assistencias que lhe atribuiram o ano passado, há lá assistencias que é a bola a ressaltar nele, ou passes em aflição), do que é intencional , mas que ele tem sucesso mais vezes do que o que seria suposto para alguém com sua qualidade técnica, lá isso tem e eu tenho tido dificuldade em justificar isso. Posso atribuir parte à sorte e parte à confiança que ele ganhou com a sorte que foi tendo, mas acho que também tenho que lhe reconhecer inteligencia em saber jogar com a equipa (não é nenhum Nelson Oliveira em que com 2 ou 3 jogadores em melhor posição resolve rematar)...

Zizou disse...

Avaliar a qualidade das contribuições do Suarez no que ao jogo diz respeito é uma daquelas questões da praxe para se perceber se alguém sabe alguma coisa sobre o assunto. A outra é o clássico "Messi x Ronaldo".
Ambas são facílimas, mas é incrível como a unanimidade que há para a primeira esteja claramente errada e que a unanimidade que seria tão evidente para a segunda quase nunca ocorra.

Abraço.
Zizou

Nuno disse...

Tomás Fonseca diz: "(A ti Nuno o "Sr (des)Entendido", não respondo a nem mais barbaridade)"

Mas já tinhas respondido a alguma?

Hélder, e explicar às pessoas que o melhor caminho não é necessariamente o mais curto e o mais rápido?

Mário Horta diz: "à parte disto, e de não gostar dele, reconheço-lhe mérito e até admito que Suarez consegue ser útil até a uma equipa como o Barça."

A este Barça, sem dúvida.

"Provavelmente não concordas, mas acho que Suarez é um jogador inteligente e que no meio daquela atrapalhação toda consegue decidir grande parte das vezes bem, para além de ter uma excelente técnica de remate."

Pois, não concordo. Aquilo em que ele é forte é na forma como se dobra sobre a bola, provocando faltas e dificultando os desarmes. Não é tecnicamente extraordinário, mas é eficaz, portanto, a proteger a bola, a provocar o contacto e a ganhar ressaltos. Não me parece que tenha a ver com inteligência. Ao tirar partido disso muitas vezes, torna mais fácil a tomada de decisão. O problema é que isso encrava o jogo colectivo, quase sempre. Acabar por não perder a bola ou acabar por tomar uma boa decisão não implica que não tenha decidido mal inicialmente. Quanto à técnica de remate, francamente, não a acho extraordinária. É um avançado com o centro de gravidade baixo, e isso facilita a técnica do remate. Mas não me parece exemplar, desse ponto de vista.

"Não sei se é sorte se o que é , mas vejo inumeros lances dele em que ele ao dominar se atrapalha com a bola e depois remedeia e consegue até ter uma decisão boa, por exemplo ontem contra o Leverkusen falhou a receção mais simples do mundo, vai na raça (ou na queima) e isola o Sandro Ramirez."

Pois, eu não posso achar que isso tenha sido uma decisão boa. Remediou, e acabou por correr bem. E quantas vezes uma má decisão não dá golo? Aquela recepção, de resto, é o Luis Suarez...

Abraço, Zizou.

João Fernandes disse...

Mesmo em termos de camadas jovens já se começa a piorar. Tive oportunidade de ver o jogo que a equipa de juniores fez em Roma e fiquei desiludido, pois vi uma equipa muito focada nos passes longos na diagonal, com pouca noção de jogo colectivo, sobretudo pelo corredor central, sempre à procura dos corredores laterais. Uma pena ver jogadores como Aleñá por exemplo, envolvidos neste tipo de ideias. Gabriel De La Torre, mais conhecido por Gabi, faz lembrar o Lopetegui.

Rui Gonçalves disse...

Boas, Nuno viste a decisão do Busquets no segundo golo Barcelona? É tão este blog, ele tem oportunidade de marcar dois ou três golos por época e mesmo assim não hesita entre fazer o melhor para equipa. :)

DC disse...

Discordo contigo apenas num ponto. Acho que o Ibra, pelo menos a partir de certa altura, desistiu de se tentar integrar totalmente no modelo do Pep. Recordo-me de jogos em que ele baixava à linha para vir buscar jogo e depois ficava estático uns minutos sem procurar jogo. A partir de certa altura isto era frequente. Provavelmente por ter ficado chateado com a adaptação de Messi a falso 9, não sei. Mas sabendo que no modelo do Pep era essencial a movimentação dos avançados (que o Villa depois passou a fazer com mestria), o Barça efectivamente passou a jogar melhor sem ele.

Quanto ao Suarez, horrível tecnicamente mas elogio-lhe uma coisa. Tem sentido colectivo, não procura o protagonismo individual do golo. Nisso surpreendeu-me bastante.

joao santos disse...

Boas Nuno. Muito bom artigo. Espero que seja para continuar, pausas menos prolongadas. Como alguem aqui te disse, o tempo que perdes a responder extensamente aos "tomazes", se o aproveitasses para ir colocando uma ou outra observação sobre a actualidade futebolistica, seria mais bem aproveitado.
Eu percebo que há padrões de qualidade que queres manter, mas ainda assim, muitos agradeciam.

Eu não partilho da certeza de uma grande queda do Barcelona nos próximos anos. Tudo depende do tipo de jogadores que irão ter. Se mais adaptados a um jogo mais vertiginoso que parece ser do agrado de Luis Enrique, poderão tambem assim ter sucesso continuado. Agora, e nisso sim, penso que não há duvida, a jogar assim, não irão ter a qualidade dos anos dourados de Guardiola, Xavi e Iniesta pelas razões que muito bem apresentaste.

Zizou, no classico MessiXRonaldo, apesar de a minha resposta ser Messi, não a dou colocando uma distância gigantesca entre os dois. Este Ronaldo actual, convenhamos, é muito menos do que já foi. E infelizmente para ele, será provavelmente o que ficará na memória...uma especie de Gerd Muller ou Inzaghi melhorado. Ronaldo perdeu grande parte da sua aceleração, velocidade, agilidade. E com a perda das capacidades atleticas, tornar-se-á cada vez menos influente. As suas equipas procurarão aquilo que ele manterá intacto com o passar dos anos e em que é provavelmente o melhor de sempre: o momento da finalização.
Mas Ronaldo passou por várias fases. E momentos houve, em que não sendo especialmente dotado na tomada de decisão, conseguia ser tremendamente influente através da sua capacidade individual. O melhor Ronaldo nunca foi melhor do que o melhor Messi, mas que deu origem a um duelo epico, muito para alem dos interesses de marketing, lá isso deu!

PicaretaLeonina disse...

Não resisto a meter este lance aqui. O Nápoles do Maurizio Sarri, que já referi aqui, foi a Milão golear o AC Milan por 0-4, e a jogada do segundo golo é verdadeiramente sensacional. Não resisto meter aqui, porque é a jogada do Entre10, por assim dizer. Criação de linhas de passe constante, apoios frontais, utilização abusiva(no bom sentido!) do passe vertical, ir de um lado ao outro para obrigar o adversário a bascular e, quando surge a oportunidade, uma simples tabela para ultrapassar a linha defensiva. Sensacional.

https://streamable.com/1uiv

Tomás Fonseca disse...

Nuno,

É fácil dar mérito quando a fasquia é altíssima, e naquela altura foi realmente alta - talvez a mais alta de todos os tempos. O que faz com que seja um "dado adquirido" e sem possibilidade de discussão, que, aquele Barça tinha mérito do treinador. Agora, por um ser mais espectacular do que o outro não quer dizer que não haja mérito.

Senão eu pergunto te: de quem é o mérito em 2009/2010 quando o Inter de Mourinho ganhou ao Barça de Guardiola ? Ou melhor, será que o mérito de um apaga o mérito do outro ?

Lucas Favero disse...

falando sobre o bayern Nuno, Douglas Costa parece me um jogador
que depende de suas capacidades atléticas para chegar a linha de fundo e cruzar,ou ganhar no 1x1
Sera que guardiola percebeu que jogar sem laterais, e ter mais superioridade interior
pode ser possível colocar na equipa um ponta que contribua tao pouco coletivamente faca a diferença individualmente?
ou estaria ele dando indicios de uma possível síndrome de mourinho? ganhar a qualquer custo?

Nuno disse...

João Fernandes, também tenho essa impressão.

Rui Gonçalves diz: "Boas, Nuno viste a decisão do Busquets no segundo golo Barcelona? É tão este blog, ele tem oportunidade de marcar dois ou três golos por época e mesmo assim não hesita entre fazer o melhor para equipa. :)"

O Busquets joga para as boas decisões. É impressionante!

DC diz: "Acho que o Ibra, pelo menos a partir de certa altura, desistiu de se tentar integrar totalmente no modelo do Pep. Recordo-me de jogos em que ele baixava à linha para vir buscar jogo e depois ficava estático uns minutos sem procurar jogo."

É possível. Embora a segunda metade da época tenha sido pautada por muitas lesões. Não sei se isso não ajudou a criar a ideia de que falas. Ele raramente esteve em bom plano físico, nessa segunda metade da época, e isso coincidiu com certas exigências colectivas.

"Quanto ao Suarez, horrível tecnicamente mas elogio-lhe uma coisa. Tem sentido colectivo, não procura o protagonismo individual do golo. Nisso surpreendeu-me bastante."

Dá-lhe tempo. Ele chegou a uma equipa em que havia Messi, Iniesta e Neymar. É natural que não tenha procurado logo esse protagonismo. Aliás, o própria Neymar não o fez. Mas basta ver o que aconteceu nos jogos em que o Messi e o Iniesta não jogaram. É uma diferença absurda.

João Santos diz: "Eu não partilho da certeza de uma grande queda do Barcelona nos próximos anos. Tudo depende do tipo de jogadores que irão ter. Se mais adaptados a um jogo mais vertiginoso que parece ser do agrado de Luis Enrique, poderão tambem assim ter sucesso continuado."

João, o meu argumento é o de que boa parte do sucesso da época passada se deveu a qualquer coisa que ficara arreigada desde o tempo de Guardiola. Se tiver razão, este ano há ainda menos disso na equipa. E, com o tempo, haverá ainda menos. Sem isso, não há sucesso continuado. E o que o Luís Enrique preconiza tende a matar progressivamente isso. Podem ter sucesso, aqui e ali, mas o Barça acabou. E só poderá voltar a aparecer se aparecer um treinador com ideias totalmente diferentes.

PicaretaLeonina, grande lance. Vou estar mais atento ao Nápoles.

Tomás Fonseca diz: "Senão eu pergunto te: de quem é o mérito em 2009/2010 quando o Inter de Mourinho ganhou ao Barça de Guardiola ? Ou melhor, será que o mérito de um apaga o mérito do outro ?"

O que é que isto tem a ver? Estamos a falar de mérito continuado. Achas que é um jogo ou uma eliminatória que dá ou tira mérito a alguém? O problema é que tu achas que é. E assim torna-se difícil explicar-te as coisas.

Lucas Favero diz: "Sera que guardiola percebeu que jogar sem laterais, e ter mais superioridade interior
pode ser possível colocar na equipa um ponta que contribua tao pouco coletivamente faca a diferença individualmente?"

Lucas, o Douglas Costa é muito forte no um para um e foi para isso que foi contratado. O Guardiola já teve jogadores no passado que se destacavam só por isso e de que fazia usos muito concretos. Um bom exemplo é o Tello. A ideia - parece-me - é colocar o Douglas Costa sempre aberto no flanco e fazer a bola chegar rapidamente a ele de modo a provocar um desgaste continuado naqueles que procuram combater a velocidade e o drible dele. Mas a verdade é que, pelo menos para já, tem sabido dosear as iniciativas individuais. Em jogos mais complicados, acho que pode ser prejudicial ao jogo de posse do Bayern, e não sei qual é o papel que o Guardiola tem reservado para ele nessa altura. Continua a ser um jogador importante em transição, por exemplo. Mas, de resto, a utilidade de Douglas Costa vai ser muita, sobretudo porque Ribery e Robben vão passar boa parte da época sem jogar. De qualquer forma, é esperar. Para ser sincero, custa-me mais perceber a importância de Arturo Vidal do que a do Douglas Costa, que vem claramente colmatar uma lacuna da equipa, que era a pouca quantidade de jogadores fortes no drible.

Tomás Fonseca disse...

Nuno,

"O que é que isto tem a ver? Estamos a falar de mérito continuado. Achas que é um jogo ou uma eliminatória que dá ou tira mérito a alguém? O problema é que tu achas que é. E assim torna-se difícil explicar-te as coisas"

"O que é que isto tem a ver ?" Para ti tem tudo... porque quem defende que "Há sempre alguém que tem de ganhar, e o ano passado calhou ao Barcelona" és tu.. Eu como já referi, não defendo essa tua ideia fraca e sem emoção. Há sempre alguém que tem de ganhar, é verdade, mas não é uma questão de "calhar"... Não confundas conceitos, nem tentes dizer que eu acho que o mérito não é continuado porque CLARO QUE ACHO! Tu é que defendes que para haver mérito de 1 não pode haver mérito de outro, senão vejamos esta frase:

- " A saída de Ibrahimovic do clube pareceu dar razão àqueles que defenderam o mau investimento, e o principal argumento foi sempre aquele que os estúpidos mais depressa invocam: os números." - mas depois só falas dos números e apesar de concordar contigo que o problema de Ibra com Guardiola não foi de certeza desportivo, não concordo ctg quando dizes:

- "Um dos avançados mais sobrevalorizados da actualidade já pode dizer que foi eleito para melhor jogador do mundo; o melhor avançado da história do jogo nunca chegou a sê-lo, e provavelmente já não virá a sê-lo." - Porque lá está, não é pelo Ibra ter saído a mal (mesmo com melhores números) que o Suárez não tenha mérito.

Já percebi que para ti só as "Super-Equipas" e os melhores da história é que têm mérito. Para mim não, para mim há épocas e épocas, há méritos e méritos.

Eu Adorava que pessoas do futebol lessem as tuas barbaridades e comentassem... Porque meu caro, como já te disse e repito, o Futebol é dos adeptos e para os adeptos, não para ateus como tu... Pseudo-Intelectuais sem clube (ou melhor do Clube dos Contras) onde só vez mérito quando ele está aos olhos de qualquer um.

Ricardo Gil Dias Lopes da Cunha disse...

Nuno,

Vê-me este bocadinho do Nápoles, frente ao AC Milan :)

https://cdn.streamable.com/video/mp4/1uiv.mp4

Abraço!

Bernard öZilva disse...

Nuno:"O Lewandowsky está,neste momento,entre os melhores avançados do mundo.Diria que está num grupo restrito,com o Benzema,o Ibra,o Cavani,o Aguero e o Morata"

Não metes o Higuain nesse lote?

Nuno disse...

Tomás Fonseca diz: "O que é que isto tem a ver ?" Para ti tem tudo... porque quem defende que "Há sempre alguém que tem de ganhar, e o ano passado calhou ao Barcelona" és tu.. "

Tomás, é difícil conversar com alguém que não percebe uma linha do que lhe é dito. Eu, ao dizer que há sempre alguém que tem de ganhar, estou a dizer precisamente que há jogos em que não é possível dar mérito a quem ganha. E, no entanto, quem ganha passa. Ora, tu tinhas-me perguntado o seguinte: "de quem é o mérito em 2009/2010 quando o Inter de Mourinho ganhou ao Barça de Guardiola?" E eu respondi-te dizendo que só consigo falar de mérito continuado. Ao dizer isto, estou a ser absolutamente coerente com a ideia de que quem ganha (neste caso o Inter) não tem necessariamente mérito em ganhar e quem perde (neste caso o Barça) não tem necessariamente demérito em perder. O ano passado calhou ao Barcelona ganhar. Podia ter calhado a outro. Calhou ao Barcelona porque tinha obrigatoriamente da calhar a alguém. Como é obrigatório que alguém ganhe, é natural que possa haver quem ganhe sem que tenha particular mérito nisso. Repara, tu achas que estás a falar de mérito continuado, mas não estás. Porque, para ti, quem ganha uma competição tem de ter sempre mérito. Como uma competição destas é disputada por eliminatórias, o teu argumento implica que o mérito continuado se registe em cada jogo. Logo, estás a falar do mérito de um jogo. É por isso que não faz sentido.

"mas depois só falas dos números"

Não, não falo, Tomás. Se não sabes ler, não digas disparates. O que eu mostrei foi que nem sequer os números sustentam a opinião generalizada de que o Suarez fez uma boa primeira época e o Ibrahimovic não. Eu não preciso dos números para nada, e a minha opinião sobre os dois não depende de números. Está bem explicada para quem sabe ler. Os números que apresento servem apenas para mostrar que nem pelos números o Suarez se safa.

"Porque lá está, não é pelo Ibra ter saído a mal (mesmo com melhores números) que o Suárez não tenha mérito."

Tomás, se tu gostas de ser estúpido, tudo bem. Eu não gosto. Quando dizem muito mal do Ibrahimovic e dizem muito bem do Suarez, estão inadvertidamente a compará-los. O que estou a denunciar não é a opinião sobre o Suarez per si, mas essa opinião quando comparada com outras, nomeadamente a opinião sobre o Ibrahimovic. O ridículo nessa opinião é a comparação que ela estabelece, inadvertidamente ou não, com a opinião sobre o Ibrahimovic.

"Porque meu caro, como já te disse e repito, o Futebol é dos adeptos e para os adeptos, não para ateus como tu... Pseudo-Intelectuais sem clube (ou melhor do Clube dos Contras) onde só vez mérito quando ele está aos olhos de qualquer um."

Isso, insiste na parvoíce do ateísmo. O futebol não é para os adeptos, não. É para os resultados. Se fosse para os adeptos, havia resultados de andebol. A ideia de que o futebol é para os adeptos é tão estúpida que só uma criança é que poderia acreditar nela. Por isso, desculpa ter puxado tanto por ti. Julgava mesmo que estava a falar com um adulto.

Ricardo, já vi, já vi. Promete. Tenho de estar mais atento ao Nápoles.

Bernard oZilva, não. De todo. O Higuain está longe de me encher as medidas.

José Parrila disse...

Se não sabe onde se contradiz então nem vale mesmo a pena...
Vá lá, você sabe mais que isso.