domingo, 29 de abril de 2012

Jornal O Idiota!

É o que me surge, ao vislumbrar a primeira página do jornal deste Sábado: " Desgaste provocado pelo português decisivo para o adeus do catalão" ou " Aposta do Real Madrid no projecto Mourinho provocou rombo no porta-aviões culé" foram as frases que me arrebataram a atenção. Já é sobejamente conhecida a fidedignidade de grande parte dos artigos deste jornal, mas ainda assim, perante tamanha estultícia, nem o parco respeito que destilo pelo jornal A Bola me prevenira para a sua parangona. Piorou, no entanto, a minha incredulidade, ao ler as linhas que se encerravam sobre a despedida de Pep. Miguel Correia assinou a crónica ataviada das seguintes pérolas: "uma certeza: um dos aspectos que mais terá contribuído para o desgaste do ainda responsável pelo Barcelona terá sido a guerra de palavras protagonizada por José Mourinho, treinador do Real Madrid, mind games tanto do agrado do técnico português e aos quais Josep Guardiola esquivou-se permanentemente, direcionando o seu discurso,educado, sempre noutras direções. Mas há quem defenda que, afinal, o técnico, que ainda não digeriu o último desaire contra o Real, atirou a toalha para o chão, temendo que, na próxima época, Mou ganhe os títulos mais importantes, uma atitude bem diferente da que mostrou na sua carreira de jogador, isto é, nunca se rendia as adversidades".

Tanta patetice deixou-me perdido, confesso. Não percebia se isto se tratava de uma peça humorística, ou se era apenas idiotice do Sr. Miguel Correia. Idiotice, afinal. Acho piada uma pessoa aludir a uma suposta cobardia de Guardiola, sendo que ele próprio,o Sr. Miguel Correia, abafado que está nesse lamaçal, inventa personagens para assim poder, da forma mais cobarde possível, apelidar Pep de cobarde. Depois, a convicção que coloca numa crença absolutamente idiota, quase religiosa, de que Guardiola está desgastado pela sua relação com Mourinho. Ele, Pep, que nunca adaptou a sua equipa a terceiros, que se centrou única e exclusivamente no aperfeiçoamento do seu modelo, encontrava-se desgastado pela acção de terceiros? Que estupidez!

Um aparte, em que prometo ser breve, sobre Mourinho e Ronaldo. Que são, cada um no seu espaço, elementos de enorme valia, ninguém dúvida, mas esta coisa absurda de os colocar acima de todos só porque são portugueses não encerra em si mesma a mais caluniosa das ofensas? Não será este tipo de xenofobismo a forma mais primitiva de, na sua miserável existência, se sentirem minimamente importantes? Se Mozart teve piolhos, estas pessoas dariam tudo para trocar a sua vida pela desses parasitas.

Depois, na sua habitual crónica, surge Luís Freitas Lobo. Freitas Lobo faz-se acompanhar sempre de uma elegância tremenda, evitando ao máximo melindrar quem quer que seja; porém, encontrei na crónica deste Sábado elemento que justificam reparos. Na sua coluna de opinião, intitulada "As verdades do Futebol", Freitas Lobo dá a entender que a abordagem efectuada pelo Chelsea foi meritória. Isto porque, no seu entender, os 73% de posse de bola do Barcelona estiveram sempre controlados, apesar de 2 bolas no ferro, duas enormes defesas de Petr Cech, (e já nem vale a pena abordarmos o que se passou na primeira mão). Mais, a diferença que Freitas Lobo apregoa deste Barcelona para o que venceu na época passada assenta, segundo ele, na estrutura. Critica o 343 de Guardiola, defendendo que "nenhuma equipa no futebol moderno resiste a este desequílbrio posicional", ignorando o que na realidade contribuiu para o falhanço deste ano, para além de circunstâncias relacionadas com o lado caótico do jogo, como o acaso, ou seja: as opções infelizes que o próprio Guardiola reconheceu ter tomado, assim como aquelas de que ele não falou, como seja o caso de Piqué.

O cronista português podia ter abordado a "aparente má época de Guardiola" através das suas opções, mas quis encontrar uma justificação mais elaborada, o que resultou num redundante engano. Mais, ao afirmar que nenhuma equipa no futebol moderno está preparada para o desequilibrio estrutural de que fala, Freitas Lobo ignora o essencial sobre esta equipa: as regras que se aplicam ao restante universo futebolístico não se podem notar na equipa catalã; as regras são diferentes, por que um diferente paradigma assim o obriga. No futebol moderno, como ele defende, a tendência empurra as equipas para atribuirem uma maior importância aos factores físicos. Esse nunca foi um ponto importante na equipa de Guardiola, e, apesar disso, esta "inferior" equipa, no que aos aspectos físicos diz respeito, dominou o futebol mundial nos últimos 4 anos ao mesmo tempo que lançou mais de 20 miúdos na ribalta. Não sei a partir de que data devemos começar a definir o "futebol moderno", mas esta supremacia contraria, de forma clara, a sua sugestão de que o sucesso na Europa responde a uma superioridade física de umas equipas sobre outras. Termino com uma frase de bancada, com que ele nos brinda, na sequência da que já salientei sobre a mudança de estrutura no conjunto catalão: "Realidade tática agravada com o facto de, contra o Real, forte no jogo aéreo, o central eleito(Puyol) ter apenas 1.78metros". Não sei o que dizer, nem consigo encontrar no jogo contra o Real indícios de que o que é defendido nesta frase encerra o mais ínfimo sentido. À excepção dos últimos 10 minutos, em que existiu algum desnorte do Barcelona, o Real não conseguiu beliscar sequer a superioridade do seu adversário. As melhores oportunidades de golo, de todo o jogo, foram as duas do Barcelona. Os golos do Real resultam de erros a que nada corresponde a baixa estatura de Puyol (o primeiro golo surge de um ressalto, e no segundo Valdés não está isento de culpas), e, sendo assim, não consigo descortinar a relevância dos centimetros a menos de Puyol.

26 comentários:

makebafonica disse...

Gonçalo, parabéns pelo excelente artigo. É difícil encontrar pessoas que consigam ver para além de um clubismo bacoco e um pseudo-nacionalismo idiota. Escribas e paineleiros sem categoria há muitos. A diferença está em nós, pois há aqueles que filtram a informação que recebem e os outros, autênticos carneiros, que "comem" tudo o que lhes dão.

MM disse...

Gonçalo e o pior é que mesmo sem as explicações absurdas dessa revista e outras ou jornais e comentadores blogues e tudo (que desmontaste), a maioria dos adeptos vê superficialmente o problema do mesmo modo que eles. O público é hoje aquilo que o grosso do futebol nos últimos 15 ou 20 anos fez dele: público pouco virado para o jogo e quase exclusivamente concentrado no espectáculo. Daí a importância aos placards finais de resultados, quem vence e quem perde, figuras icónicas como Ronaldo e Messi, às palavras, imagem, guerras reais ou fabricadas.

Miserável a globalização no futebol, consumiu-o por inteiro e por isso destaco quando dizes "para cima de 20 miudos". Os méritos no futebol de Guardiola são fundamentais mas para o jogo, modalidade, a filosofia e as suas opções são mais: tipo de plantéis que formou, equipa feita com futebolistas da casa onde predominam jogadores da Nacionalidade do país onde jogam e no fundo aquilo que deveria ser por todos desejado.

Guardiola 20 anos depois demonstrou que o sucesso duma equipa de futebol não se faz com dinheiro; faz-se com inteligência e boas opções. Deu a esse nível uma sapatada na modalidade.

Perante duas esferas tão diferentes Madrid / Barcelona de que lado coloca-se o público? Dividido. Como é possível?

Não subscrevo a parcela da xenofobia (xenofobismo é em Português do Brasil): o público Português não gosta do Real por serem Mourinho e Ronaldo Portugueses. Já alguém havia-vos dito em comentário no «post» anterior. Existe alguma maioria de público em Portugal a torcer pelos Portugueses que jogam na Alemanha, França, Bélgica ou outros? Não. Besiktas que tem ou tinha 5 ou 6 Portugueses e era treinada pelo Carvalhal, é alguma equipa especialmente querida em Portugal? Não.

Não tem que ver com Nacionalidade, como diz o Nuno e agora disseste também. Tem que ver com o serem grandes figuras do futebol mundial e serem familiares aos Portugueses. Se o Zidane tivesse jogado 3 anos em Portugal antes de ir para a Juventus e depois para Madrid era quase a mesma coisa.

No Chelsea estiveram Villas-Boas e nenhuma multidão torceu por ele. Já pelo David Luiz e pelo Ramires, sim.

Não digam que tem que ver com Nacionalidade porque não tem. Quanto ao resto que é quase tudo: subscrevo por inteiro.

AbraXas disse...

Gonçalo, vou ser curto e conciso (não me apetece alongar muito agora, por isso espero que percebas a profundidade do que vou escrever agora e que seja mote de um próximo post teu. ah, exlente post, este, À semelhança de tudo o que é feito neste blog):

LFL e outros que tais, com o "falhanço" do barcelona desta época vêm potencialmente validados os príncipios e modelos teóricos através dos quais vêm o jogo e o analisam e comentam.

este modelo teórico, com o qual tentam aprisionar a realidade , não se adequa à realidade do futebol e é completamente posto a nu pelo que guardiola e o seu barcelona realizaram nestes últimos anos.

daí o seu regozijo com o falhanço do 3-4-3, por exemplo.

No fundo podes estabelecer uma comparação com os geocentristas (que defendiam a centralidade da terra no universo) em que tudo o que observavam era interpretado sob a lente e de modo a validarem o seu erróneo e "wishfull thinking" conceito da realidade. distorcendo-a de modo a , não só validarem o seu pensamento, como também, num extremo oposto, darem um sentido à sua vida que está assente nesse conceito.

é como a um católico, que vê as desgraças e os bons acontecimentos sob o desígnio maior de uma vontade incompreensível, para nós, de um endeus, serem-lhe apresetadas provas cabais da inexistência de um tal deus. dái só lhe restam 3 possibilidades. 1)ou passa a ver o drama como um drama e a felicidade como a felicidade, que em nada interessam e nada significam para um potencial deus. 2)ou enlouquece e renega a evidência; 3)ou vÊ a prova da não existência do deus específico em que crê como uma prova, um teste, a que o deus, específico em que crê, lhe colocou para que o crente mostre a força da sua fé.

é o caso o AFB

abraço

Mike Portugal disse...

Estou bastante curioso para saber se Guardiola irá treinar alguma equipa para o ano que vem e se vai tentar implementar este seu método nessa mesma equipa. Seria interessante ver se ele o conseguiria fazer, por exemplo, no Arsenal, que é um equipa que joga futebol atrativo e (pelo anos que Wenger lá está) não dá tanta atenção aos títulos ganhos como outras.

Bruno Pinto disse...

Nuno,

Deves andar com uma azia que não é brinquedo... Cada vez te sentes mais patetinha não?

Joel disse...

Bruno Pinto, este artigo não foi escrito pelo Nuno

Antonio disse...

O comentario do Sr Bruno Pinto revela a atenção com que lê o blog. Se essa atenção fôr a mesma que dá ao futebol estamos entendidos

Batalheiro disse...

O Bruno Pinto tem uma capacidade de concentração limitada.

Gonçalo disse...

MM, a alusão a xenofobia decorre dos inúmeros casos em que li, ou ouvi alguém dizer, que, por exemplo o Ronaldo, só porque é Portugues, é melhor. Sei de gente que defendeu isto, de forma clara! Talvez " chauvinismo" se aplique com mais justiça, nestes casos. O texto não passa de um desabafo, mas ainda assim achei importante mostrar o meu desagrado com tanta patetice. No caso do Freitas Lobo, a minha irritação acentua-se porque, supõe-se que ele seja um dos melhores "analistas" da nossa praça. O Bruno Pinto é a alegria do nosso blogue!

Um abraço!

Bruno Pinto disse...

Mas quem disse que eu leio o que estes mentecaptos escrevem? Eu não vim ler nem comentar o post. Vim apenas lembrar ao Nuno o quão patetinha ele é com as opiniões proferidas no início desta temporada acerca de Ronaldo, do duelo Barça-Real, de Mourinho, de Guardiola, enfim...

Vocês pelo que vejo acompanham o Nuno na burrice... Não se tratem não...

Um abraço apertado no pescoço.

Bruno Pinto disse...

Antes de virem com deduções brilhantes como: "se não lês, como sabes que o Nuno tem essas opiniões", devo dizer que antes cheguei a perder o meu tempo a fazê-lo. No entanto, além de ser prepotente, o Nuno consegue ser mais burrinho que o Balotelli. Perdi a paciência e deixei de ler semelhante personagem. Deve ter sido mais ao menos na altura em que ele disse: "O Ronaldo em Espanha não marcará tantos golos como em Inglaterra..." Um gajo consegue aguentar tanta estupidez até um certo ponto, mas chega ua altura em que o que era preciso era o pagamento de uma taxa a quem abrisse a boca só para dizer merda. Pelo que vejo, neste blog não são só os autores a fazê-lo. Os comentadores e visitantes vão pelo mesmo caminho. Influências...

Sempre ao dispôr.

Joel disse...

Já pensaste que o problema deve ser teu?

Mike Portugal disse...

Vocês é que perdem tempo a responder ao "gajo que manda os outros trabalhar, no Lidl". Não seria muito mais facil apagar os comentários?

Gonçalo disse...

Deixa estar que eu vou já ligar pro Ministro. Ele trata-te da saúde...

Pinto disse...

O ministro? Esse esta fechado em casa desde os 5-0 do ano passado

Luís Garcia disse...

Concordo com o Freitas Lobo em alguns aspectos, acho que o uso excessivo do 3-4-3 prejudicou o Barça no final desta temporada. Esta táctica necessita ser executada com uma precisão tremenda. Claro que agora é fácil criticar, mas tenho quase a certeza de que em 4-4-3 e com piqué em campo, muito dificilmente o Barça tinha perdido por 1 a 0 em Londres.

O grande problema é que as outras equipas também fazem o seu TPC, e depois do efeito surpresa desta táctica que resultou na perfeição no Barnabéu, com o Atlético e com o Villareal, as equipas acabaram por encontram maneiras de tirarem partido dos espaços criados.

pedro oliveira disse...

Muito boa a análise, pensei, precisamente, o mesmo ao ler o citado pasquim.
A análise que os citados cronistas e analistas fazem é tão estúpida (não me ocorreu outro termo) que seria o mesmo que dizermos:
-Vítor Pereira não aguenta a pressão de ser eliminado da Taça da Liga pelo Benfica e demite-se; mind games de Jesus tramam o treinador do Porto.
Sei que soa a ridículo o que acabei de escrever mas Mourinho (em Madrid) faz o mesmo que Jesus, conquista um troféuzito por época.
Na primeira uma Taça do Rei.
Nesta, provavelmente, uma Liga.
Enquanto isso nessas duas épocas Guardiola conquistou:
Uma Champions,uma Liga, uma Super Taça Europeia, um Mundial de Clubes, duas Super Taças de Espanha (uma delas a Mourinho nesta época) e, provavelmente, uma Taça do Rei.
Isto em troféus, em resultados nem se fala, na primeira época nos confrontos entre Real e Barça o Real não venceu nenhum* mas conseguiu ser derrotado por cinco zero, a célebre manita, Mourinho tem, também, o triste record de ser o treinador em toda a história do Real que perdeu mais jogos consecutivos em casa com o Barcelona.
Enfim, agora ganhou um joguito, (já repararam que se fosse uma eliminatória o Real seria eliminado [1-3/ 2-1]?) e parece que acabou o mundo para Guardiola e para o Barcelona.
* o resultado da final da Taça do Rei foi zero a zero, depois o Real venceria no prolongamento mas o resultado oficial do jogo é, obviamente: 0-0.

Nuno disse...

Nos intervalos de mandar os outros trabalhar no LIDL, o Bruno Pinto vai a um blogue, não para ler o que lá vem escrito, mas para ladrar um bocado. Não têm inveja da vida deste tipo?

Luis Garcia diz: "acho que o uso excessivo do 3-4-3 prejudicou o Barça no final desta temporada. Esta táctica necessita ser executada com uma precisão tremenda. Claro que agora é fácil criticar, mas tenho quase a certeza de que em 4-4-3 e com piqué em campo, muito dificilmente o Barça tinha perdido por 1 a 0 em Londres."

Discordo, em grande parte, das críticas que têm sido feitas ao 343. Em primeiro lugar, o que é "uma precisão tremenda". É que os jogos mais tranquilos que o Barça fez esta época foi em 343. Em Londres, o Barça perdeu 1-0, mas jogou em 433, e não em 343. Aliás, desde o empate em Valência, na primeira volta, que o Guardiola começou a ter cautelas em utilizar o 343 em jogos fora de casa. A verdade é que é difícil separar as goleadas em casa ao Villareal, ao Atlético de Madrid, e ao Valência (todas por 5), e as vitórias diante do Real para a Supertaça, para o campeonato, e para a taça, da utilização deste esquema. Outra coisa de que as pessoas se parecem esquecer é que, em casa, foi quase sempre em 343 que o Guardiola jogou, esta época. O primeiro golo que sofreu em casa foi num jogo contra o Bétis, na jornada 19. Ou seja, no último jogo da primeira volta. A diferença é que, nessa primeira volta, houve sempre Abidal. E quase sempre Piqué e Puyol. Com estes três, o 343 funcionou às mil maravilhas, e ninguém se queixou.

"O grande problema é que as outras equipas também fazem o seu TPC, e depois do efeito surpresa desta táctica que resultou na perfeição no Barnabéu, com o Atlético e com o Villareal, as equipas acabaram por encontram maneiras de tirarem partido dos espaços criados."

Também discordo disto, Luis. Não acho que as equipas tenham aprendido nada. Aliás, em 343 as equipas adversárias ainda têm, normalmente, mais dificuldades em conseguir jogar contra este Barcelona. Quando se fala em espaços criados, tem de se dar conta de que espaços são esses. É que, em 343, por exemplo, os espaços interiores são bem menores. Onde as equipas adversárias encontram mais espaços é em lançamentos longos para os flancos, pois isso obriga a que os três defesas basculem, o que cria espaços do outro lado do campo. Normalmente, isso não é um grande problema, porque há sempre tempo de o resto da equipa recuar e, se forem bem efectuadas as coberturas, não há espaços interiores de progressão. O que acontece é que, neste esquema, qualquer má decisão de um defesa, qualquer erro de posicionamento, é ainda mais decisivo do que noutro esquema. E o Barcelona, tendo jogadores fracos na decisão a jogar nessas posições, como o Adriano e o Mascherano, habilitou-se a sofrer golos que, com outros jogadores não sofreria. Repara, se o Adriano não fosse disparatadamente ao meio, não se criaria o espaço para o Ozil junto à linha. Se o Mascherano basculasse, oferecendo uma cobertura mais próxima, o Ozil nunca conseguiria meter a bola no Ronaldo. São erros individuais de percepção dos lances, erros que jogadores mais inteligentes, como o Abidal e o Piqué, não cometeriam. Contra o Chelsea, passou-se o mesmo. O Mascherano foi atrás do Lampard até à linha e o Ramires entrou no espaço dele, entre o Puyol e o Busquetes. Daí que seja errado sugerir que as equipas aprenderam a aproveitar os espaços dados por este esquema. Isso não aconteceu. O que aconteceu foi que o esquema foi interpretado por jogadores limitados. E aí sim, concordo, com apenas 3 defesas, talvez seja ainda mais importante jogadores que saibam interpretar os lances da melhor maneira.

Nuno disse...

O que quero dizer é que esta táctica, ao contrário do que se presume, não é mais arriscada por si. É mais exigente, do ponto de vista intelectual, sobretudo para os defesas. Mas mais arriscada não concordo. E não acho que ninguém tenha sabido aproveitar pontos fracos da táctica, porque acho, muito sinceramente, que tem tantos pontos fracos quanto o 433. A diferença entre as duas não está no risco; está no tipo de espaços que privilegiam.

Pedro Oliveira, pois, as pessoas esquecem-se desses pormenores. É tão fácil esquecer o passado recente.

Luís Garcia disse...

Concordo que em 3-4-3 o Barça tem ainda maior dominio do jogo e consegue pressionar e ter ainda mais posse de bola. Mas lá está, era isto que eu queria dizer com uma precisão tremenda: "O que acontece é que, neste esquema, qualquer má decisão de um defesa, qualquer erro de posicionamento, é ainda mais decisivo do que noutro esquema."

Acho que esta táctica é perfeita para o Barcelona, mas no último jogo com o Real Madrid, com a equipa a ser pressionada nos minutos iniciais como é habitual, deveriam ter optado pelo 4-3-3, e só depois de tomarem o controlo da partida é que poderiam passar com mais segurança para o 3-4-3.

Mas não importa, o que aprendemos com este modelo de jogo é que é possível ser corajoso, arriscar e ter sucesso.

Gonçalo Correia disse...

Bruno Pinto,

Essa previsão do Nuno, relativamente ao Ronaldo em Espanha, pareceu-me derivar da opinião que tem do Campeonato Espanhol (e que eu só partilho em parte; concordo que é mais "exigente" que o inglês, mas não o considero tão forte quanto isso).

E estava longe de ser uma previsão descabida, especialmente se enquadrada no seu contexto. Não se verificou, sendo também de salientar a evolução que o Ronaldo tem tido "recentemente". Mas agora é fácil falar, não é? Falando do Passado, não corremos o risco de engano...

Quanto ao Barça-Real, Mourinho vs Guardiola... este ano o Real terá melhores resultados, no ano passado foi o Barcelona (e a supremacia foi mais significativa, a nível de resultados).

Mas são duas grandes equipas, dois grandes treinadores. Há muitos factores que interferem na obtenção de resultados, e nesse conjunto, o Real foi mais forte este ano.

Nada a dizer, porque considerando tudo o mérito é claro, ainda que isso pouco diga da qualidade de jogo do Barcelona e da sua supremacia no panorama colectivo das equipas.

É natural que quem faça dezenas de previsões tenha algumas que não se verifiquem (mais que não seja, porque estamos a falar de futebol, com tudo o que isso em si acarreta...).

O que não é natural é que exista quem faça uma perseguição constante devido a uma previsão que não se verificou. O que não é natural é que se venha à Internet procurar constantemente um confronto pela falácia de uma previsão, ou de duas, ou seja o que for.

PS - Não quero com isto defender ninguém. Nem sempre aprecio a forma do Nuno e do Gonçalo (embora não conheça tão bem os seus textos, mas ainda assim) expressarem as suas ideias.

Agora, aquilo que o meu caro aqui vem fazer e sobretudo aquilo que cá vem dizer... não é sequer uma questão de justiça, honestidade, respeito, seja o que for. É uma loucura...

Gonçalo Correia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gonçalo Correia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ministro disse...

Burro Pinto, meu ganda filho da puta, já cortaste a carne toda do Lidl? Ou mandaste?

Põe-te a andar daqui para fora, meu grande monte de merda, ainda não percebeste que atrasados mentais não fazem aqui falta!?

Vai e volta só para avisar o Pinto quando o teu patrão mandar um desconto igual ao do pingo doce.

Pinto disse...

Que personagem este ministro, escusas de me mencionar porque nem tens nada que possas usar contra mim, essa pseudo piada foi idiota. Nem sequer faz sentido.

Manuel Nascimento disse...

Ao Entre Dez:

Gracies Pep! T'estimem!