segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um Jogo Estúpido

Por que é que o futebol é um jogo estúpido, de gente estúpida, para gente estúpida, disputado por gente estúpida e arbitrado por gente estúpida? Porque as leis do jogo, que são estúpidas, e os árbitros que as interpretam, que são ainda mais estúpidos, permitem que, no mesmo jogo, um jogador veja dois amarelos por um puxão e por um empurrão, acabando expulso, enquanto outro jogador, inocentado pela estupidez intrínseca do jogo, envia um adversário para o hospital com uma rotura de ligamentos no tornozelo, após entrada por trás para travar um contra-ataque, e é admoestado com um amarelo, com o qual acaba o desafio, satisfeito com a sorte.

P.S. Às vezes, gostava de acreditar que o futebol era um jogo para seres racionais.

19 comentários:

João disse...

De quem falas?

Gonçalo disse...

passou-me ao lado nuno, isto aconteceu em que jogo?
força com o blog que o conteúdo é de grandíssima qualidade; parabéns aos dois.

Ricardo disse...

Falas num jogo específico ou no geral?

Quanto ao critério disciplinar, faz sentido que haja diferença de punição consoante a gravidade do lance - ou seja, um empurrão ou um puxão merecem amarelo e uma entrada violenta o vermelho. Quanto a esta última, não pode haver excepções, se é violenta, seja por trás, pela frente pelo lado, por cima, por dentro (!), é vermelho, ponto; se às primeiras, sou apologista da noção de sensibilidade - deve sempre depender do perigo que a falta evita. Se há um empurrão ou um puxão de um jogador sobre outro na área defensiva deste, não me parece lógico qualquer tipo de punição; se a falta cortar um lance rápido de transição ou se for já nos últimos metros de uma jogada de perigo, faz todo o sentido que ela seja punida com amarelo. Aliás, faz sentido e ajuda ao jogo: de outra forma a quantidade de faltas seria imensa e estragaria o desporto.

Pedro disse...

Só podes criticar a falha do árbitro em não expulsar a entrada por trás pq se um jogador leva dois amarelos por faltas menores ams marecedores de tal castigo não há nada a dizer.

Os castigos não podem estar dependentes da lesão que causam no adversário pq há entradas duras q nada provocam e há lances "normais" que causam sérios problemas (por exemplo a recente lesão de Cardozo).

O q é estúpido é a falta de critério dos árbitros em lances semelhantes e é uma das principais dores de cabeça que provocam!!

Gonçalo disse...

Achas normal que puxar a camisola a um adversário, por exemplo, tenha o mesmo tipo de punição que uma entrada a pés juntos, em situações de jogo idênticas? É que é isso que quase sempre acontece.
Em que medida é que isso protege o jogo? Sem ser o jogo dos bárbaros?

MM disse...

A solução passará por punir extra-jogo o jogador que tentar entradas perigosas e/ou violentas, uma vez que aquele que agarra as camisolas dos adversários merece sem dúvida a exibição da cartolina amarela.
Nuno, imagina-te ires muito bem no teu dia-a-dia a caminho de qualquer lado e um tipo qualquer agarrar-te a camisola e dizer-te "agora não vais, agora vais ficar aqui".
É muito chato ...

Punição à posteriori para o jogo violento, a chave do enredo está aqui. Caso se pretenda punir no e para o jogo onde a entrada violenta tiver tido lugar pois teremos de inventar mais cores para os cartões ou inventar novas punições.
1 puxão, saída do jogo durante 10 minutos.
2 puxões (reincidência), amarelo.
2+1 puxão, vermelho.
1 entrada violenta, vermelho.
Mas aqui teriam os árbitros de possuir muito bom senso porque há puxões e puxões. Como o bom senso existe em muito pouca quantidade o melhor mesmo é deixar as coisas como estão ... mas punir à posteriori.
Entrada violenta, 7 jogos de castigo.
Entrada violentíssima, 15 jogos de castigo.
Entrada cruel, incompreensivelmente insana de tão maldosa e bárbara que foi, 30 jogos de castigo.
Entrada que deixe o colega fora de actividade durante 5 meses - não propositada, as tais entradas ligeiras que podem lesionar gravemente ... talvez, talvez ... 6 jogos, e um pedido de desculpas.
Entrada que lesione, com propósito de entrada perigosa mesmo que não seja chocante, 13 jogos.
Entradas a pés juntos, vermelho e 2 jogos.
Entradas em carrinho que acertem com os pitons nas pernas do adversário, 9 jogos.
Entradas em pitons que acertem nos carrinhos, 90 jogos.
90 entradas em carrinho que não acertem em nenhum piton, 0 jogos.

Nuno, Sua Excelência, mistura lusa de Galileu com António Tadeia, concorda, ou nem por isso?

Pedro disse...

Gonçalo, o "se achas bem" não se pode aplicar aqui pq não se trata de achar ou deixar de achar. Tens 2 tipos de penalização, amarelo e vermelho, pelo que são essas as sanções q são aplicadas. Um vermelho é vermelho seja por duplo amarelo ou entrada violenta. Não há forma de fugir a isto.

Ou alteras as leis de forma profunda ou não há nada a fazer.

É claro q eu não posso comparar um puxão de camisola com uma entrada a matar, mas a lei pune o puxão de camisola com amarelo e a entrada a matar com vermelho. Se puxares duas camisolas levas dois amarelos.

Nuno disse...

João, Gonçalo e Ricardo, coisas como estas já aconteceram e voltarão a acontecer. É uma crítica ao jogo, de um modo geral.

Pedro, a crítica é à injustiça das leis. Mesmo uma entrada por trás valer o mesmo que dois puxões é incrivelmente absurdo. Não faz sentido nenhum, se vires bem.

MM, a punição extra-jogo era um passo importante a dar, mas não tem propriamente com o que estou a criticar aqui. A crítica aqui é às leis do jogo, no jogo em si, e com a forma ridícula como penalizam de um modo nada igualitário. Que sentido faz uma entrada por trás, ainda que não seja para aleijar, valer o mesmo que dois puxões. Nem cinco. O puxão não põe em risco a integridade do atleta; a entrada sim. O puxão devia, pelo menos, ser entendido como uma forma consciente de fazer falta. Quem puxa a camisola, sabe que faz uma falta sem pôr em risco o adversário. E nunca, mas nunca mesmo, é valorizado por isso. Aliás, pelo contrário, são os puxões precisamente os lances que os árbitros mais facilmente ajuizam. Porquê? Porque é evidente a intenção do jogador que faz a falta e porque é uma aplicação fácil das regras. Ora bem, é isto que eu critico. Os árbitros aproveitam-se dessa facilidade para nem ajuizarem a sensatez do que estão a fazer. E, de repente, acontece-lhes uma coisa destas: expulsar um jogador que fez duas faltas que não colocaram em risco ninguém e deixar em campo um jogador que mandou outro para o hospital. Para mim, qualquer pessoa que consiga ficar indiferente à injustiça disto é um idiota. Sem discussão.

Por fim, uma outra coisa, relacionada com a diferença de gravidade entre uma agressão e uma entrada violenta. Para muitos, a agressão deve ter uma punição maior. A razão é simples: não há outra intenção que não agredir o adversário. Como na entrada violenta há uma intenção, por mínima que seja, de acertar na bola, a punição tem de ser menor. Pois bem, eu acho que esta avaliação está errada. Em primeiro lugar, pouquíssimos são os casos em que uma agressão põe em risco a integridade de um adversário. Lembro-me de dois ou três casos, ao todo, e são agressões um pouco mais bárbaras. Só este argumento deveria chegar. Mas o argumento forte, a meu ver, é outro. É que uma entrada violenta é inconsciente. Releva de o jogador achar que pode chegar à bola quando, evidentemente, a probabilidade de lhe chegar sem fazer falta ou aleijar o adversário é mínima. Enquanto a agressão é um caso de maldade, a entrada violenta é um caso de estupidez. E a estupidez, por norma, tem consequências bem mais graves que a maldade. Se uma agressão é punida com 3 ou 4 jogos, uma entrada violenta deveria ser punida com 7 ou 8. E assim se educariam os jogadores. Perder a cabeça todos podem perder, num momento de descontrolo emocional. E devem ser punidos por isso. Mas entradas violentas, porque são actos inconscientes e estúpidos, acontecem porque os jogadores têm vícios que não deviam ter. O que é educável é o inconsciente e é esse que deve servir de exemplo. Aliás, quantas agressões não provêm de respostas a entradas violentas de adversários? Muitas vezes, é o ser-se demasiado consciente e não se suportar a inconsciência dos outros que provoca esse tipo de respostas.

Bruno Pinto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MM disse...

Nuno,
Mas isso so faria sobrar a necessidade de inventar novas punicoes dentro do jogo porque evidentemente puxar a camisola de um jogador adversario 1, 2, 3 ou 4 vezes tem de ser punida com o amarelo.
Se o arbitro deixa em campo um jogador que cometeu uma entrada violenta e expulsou um jogador que impediu o seu adversario de jogar 1, 2, 3 ou 4 vezes ... o seu erro esta unicamente em nao ter expulso o primeiro tambem. Apenas isso.
Nao faz sentido relacionar as 2 situacoes porque as leis do jogo nao fazem prever diferentes punicoes para diferentes tipos de prevaricacao. No minimo leva-se amarelo, no maximo vai-se para a rua, e seja la qual for o regulamento do jogo os castigos serao sempre estes. E impossivel aos arbitros controlar isto.

A modificacao das leis do jogo nao podem resolver o problema. Ja a introducao de novas punicoes pode tentar ...

Bruno Pinto disse...

Um estúpido a falar de um jogo estúpido. Tudo, portanto, em família.

Gonçalo disse...

Deixa que o Ministro já vem a caminho...

Ministro disse...

Bruno Pinto, meu cara de caralho roto. Volta para o teu buraco. Pareces um virus!

Abraço Gonçalo e Nuno! lol

Pedro disse...

Nuno estava a concordar com o q dizias até que chegas à parte de achares que a estupidez deve ser mais castigada q a maldade. É pá, nunca na vida. A maldade é intencional logo áí tem q ser severamente punida, a estupidez resulta da uma qqr limitação, seve ser punida se tiver consequências graves mas não pode ser superior a um acto de maldade. Bolas...pensava q isso não tinha discussão.

MM disse...

Pedro,
Julgo que o Nuno se referia à maldade em termos de agressão. Ele acha que por exemplo uma entrada violenta estúpida durante o jogo é mais grave do que um sururu qualquer com o jogo parado em que um jogador agrida outro, mesmo que de forma violenta. Concordo perfeitamente com isso, consigo ver de facto mais gravidade na 1ª situação.

Ministro,
Essa tua intervenção foi a coisa mais parola que já vi desde há muito em caixas de comentários blogoesfera fora.
És ridículo rapaz.

Nuno disse...

MM diz: "Mas isso so faria sobrar a necessidade de inventar novas punicoes dentro do jogo porque evidentemente puxar a camisola de um jogador adversario 1, 2, 3 ou 4 vezes tem de ser punida com o amarelo."

Porquê? Depende da falta, da situação. 4 ou 5 seguidas, todas intencionais, poderão motivar isso. Mas é muito comum ver um árbitro puxar do amarelo ao primeiro puxão. E é francamente incomum ver um árbitro puxar do amarelo à primeira rasteira. É aqui que está o problema. Não é preciso inventar nada. É preciso é bom senso. E os árbitros não o têm.

"Se o arbitro deixa em campo um jogador que cometeu uma entrada violenta e expulsou um jogador que impediu o seu adversario de jogar 1, 2, 3 ou 4 vezes ... o seu erro esta unicamente em nao ter expulso o primeiro tambem. Apenas isso."

Isto é falso. O erro acontece nas duas ocasiões. A menos que os 4 puxões tenham sido em lances em que, de facto, iriam ocasionar perigo evidente.

Ministro, sempre sucinto! :)

Pedro diz: "A maldade é intencional logo áí tem q ser severamente punida, a estupidez resulta da uma qqr limitação, seve ser punida se tiver consequências graves mas não pode ser superior a um acto de maldade. Bolas...pensava q isso não tinha discussão."

Pois, Pedro, o problema é acharmos que há coisas que não têm discussão. Esta é uma delas. Quando falo de agressão, não falo de agressão em jogo corrido. Falo, por exemplo, no pontapé do Maniche ao Rui Miguel. É um lance em que há maldade, mas em que não há perigo de aleijar gravemente o adversário. É uma agressão e deve ser punida com vermelho directo e alguns jogos de castigo. Mas não é pior do que uma entrada a matar do Bruno Alves, não é pior que uma entrada à bola em que se acerta no adversário. A inconsciência é sempre pior do que a maldade. Isto é que não deveria ter discussão.

Mike Portugal disse...

É um assunto interessante de se debater. Eu diria que, embora um puxão não seja algo que ponha a integridade física do jogador em causa, é algo que é anti-jogo. E o anti-jogo deve ser punido. Por exemplo, se me falares dum lance que não é contra-ataque e afastado da área, eu diria que não se devia mostrar amarelo. Mas se o mesmo lance já for perto da área, o amarelo deve ser mostrado.

Por outro lado, para mim, uma entrada maldosa ou estupida que ponham a integridade fisica do jogador em causa, será sempre vermelho directo. Depois o castigo pode ser mais ou menos jogos, dependendo de alguns factores como:
- tempo de paragem do jogador adversario
- intenção da falta

Isto com as regras que existem.
Se quiseres falar de novas regras, eu diria que se devia introduzir um cartão azul para poder expulsar um jogador temporariamente e, por exemplo, a cada X faltas um jogador sai durante 5m.

Pedro disse...

Nuno as entradas a matar do Bruno Alves eram maldade pura...

Bruno Pinto disse...

Fala-se em estupidez e aparece o Ministro. Faz sentido, sim senhor.