quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O que é um Avançado?

O texto que se segue tem por objectivo esclarecer aquilo que é ou deve ser um avançado. Serão postuladas algumas teorias e denunciadas algumas falácias típicas. O texto estará dividido por secções, mas todo ele será atravessado pela tentativa de resposta à pergunta "O que é um avançado?"

Um Avançado Não serve para fazer Golos


A resposta à pergunta pode parecer intuitiva, mas estou certo de que pouca gente saberá, com exactidão, a relevância específica da posição. A teoria mais convencional consiste em afirmar que um avançado é ou deve ser o responsável pela conclusão dos lances de ataque da sua equipa. Essa teoria não só não faz sentido como também põe a nu as fracas competências analíticas de quem quer que a defenda. Segundo esta doutrina, um avançado serve para marcar golos, como se os golos - esse acontecimento tão especial e único - não devessem ser antes um objectivo geral da equipa. Os defensores desta teoria jamais se podem livrar da terrível concepção de que os jogadores de uma equipa têm funções específicas em campo. Ainda assim, há quem queira defender as duas coisas, não percebendo a incoerência do que defendem. Se um avançado serve para fazer golos, então um médio serve para construir jogadas de ataque, um defesa serve para defender e um médio-ala serve para ir à linha cruzar. Isto é rudimentar e está de tal modo ultrapassado que só um amigo de Jaime Pacheco pode defendê-lo e ainda assim achar que está certo. Mesmo assim, há quem ache que os jogadores não devem ter funções, mas que depois ceda à tentação de classificar um avançado pelos golos que marca. Além de incoerente, este é um comportamento estúpido.

Um avançado não só não serve para marcar golos como não pode, de maneira nenhuma, ser avaliado segundo a competência que denota nesse capítulo. Tudo porque as coisas têm de ser contextualizadas. Por exemplo, um avançado pode marcar muitos golos porque simplesmente não se preocupa com mais nada. Isto não faz nem pode fazer dele um jogador extraordinário. Do mesmo modo, um avançado pode fazer poucos golos porque passa maior parte do tempo a procurar servir a sua equipa de outra maneira. O seu registo pouco impressionante não pode, também, servir para caracterizar a sua qualidade geral. Um avançado que não marca golos pode ser o jogador mais influente da sua equipa. Tudo depende do seu desempenho geral e não de dois ou três lances numa partida. Aqueles que não são capazes de perceber isto devem interromper a leitura imediatamente. Certos saberes não podem ser adquiridos por toda a gente.

Saviola: o melhor Avançado da Liga Portuguesa

Falemos agora um pouco mais concretamente. Actualmente, poucos se atreverão, certamente, a dizer que Saviola não é o melhor avançado desta Liga. Falarão até, muito provavelmente, nas coisas certas, nos movimentos sem bola, na capacidade técnica, no improviso, na inteligência, na capacidade para se movimentar entre linhas e para tabelar com os companheiros. Tenho, porém, sérias dúvidas de que existisse tamanho consenso caso Saviola não tivesse marcado já bastantes golos, embora continuasse a ser extraordinário em tudo aquilo que se lhe reconhece. Por aqui, desde muito cedo que afirmámos que o avançado argentino era o melhor da Liga, numa altura em que Cardozo e Falcao se destacavam na liderança dos melhores marcadores e ele tinha ainda, apenas, dois golos obtidos. Não precisámos que Saviola marcasse a quantidade de golos que já marcou para lhe outorgarmos esse estatuto e continuaríamos a defender esta posição mesmo que o argentino continuasse sem marcar golos. Aquilo que Saviola faz em campo é tão extraordinário que, mesmo retirando os golos que tem marcado, não há ninguém ao seu nível. Saviola é avançado e não é pelos golos que marca que é o melhor avançado da Liga. Se, por azar, não tivesse nenhum golo obtido, continuaria a sê-lo.

Aquilo de que duvido é que a maioria das pessoas que reconhece valor ao argentino consiga ser isenta ao ponto de defender o mesmo nas circunstâncias em que apresentei, ou seja, no caso de ele não ter qualquer golo marcado. O que estou a dizer é que, consciente ou inconscientemente, maior parte das pessoas faz depender o valor que reconhecem em Saviola não de tudo o resto que falei mas dos golos que marca. Sem os golos, não teriam focado a atenção no argentino e não teriam reparado em tudo o resto e na relevância de tudo o resto. Isto não faz sentido. No fundo, é dizer que Saviola vale por tudo aquilo que foi referido, mas ter usado a bitola dos golos para lhe avaliar a competência. Estou certo que há pouquíssimas pessoas que entendem realmente o que é um avançado. Aquilo que vou fazer de seguida é tentar definir, com o grau de precisão que for possível, aquilo que deve ser um avançado.

Requisitos de um Bom Avançado

A única diferença entre um avançado e um defesa, ou entre um avançado e outro jogador qualquer, é a posição relativa em que joga. Por posição relativa entendo o posicionamento em campo em função dos restantes companheiros. Um avançado é, portanto, por definição, um jogador que joga numa posição mais avançada, em relação aos colegas. Isto em teoria, porque na prática, dependendo das situações do jogo, o seu posicionamento pode oscilar. Muita gente acha que, por ser o jogador que, teoricamente, joga mais avançado, deve ser aquele que deve ter por missão fazer golos, uma vez que está mais perto da baliza do que qualquer outro colega. Isso é, contudo, uma forma simplista de ver o jogo. O futebol é tudo menos um jogo simples e um avançado tem mais para fazer em campo do que ser o elemento mais avançado de uma equipa. O futebol, jogado como um todo, não pode estar refém de jogadores com funções específicas; uma equipa, para fazer golos, não pode estar refém do seu atleta mais adiantado. Tem de ser capaz de tornar complexo o seu jogar a ponto de ser absolutamente indiferente quem faz ou não faz os golos.

Um avançado serve para tudo o que outro jogador qualquer serve. Acontece, porém, que o estar numa determinada posição relativa em campo faz com que participe mais vezes numas situações e menos noutras. Deste modo, um avançado estará muito menos vezes de frente para a baliza adversária do que um defesa, pelo simples facto de que, na maior parte do tempo, o jogo está a ocorrer atrás de si. Assim, jogará muito mais vezes de costas para a baliza adversária e será quase sempre de costas para a baliza que será solicitado. Um avançado que se preze, numa equipa que jogue ao ataque, tem portanto de ser competente na maior parte das vezes em que é solicitado. Se maior parte das vezes em que é solicitado está de costas para a baliza e com adversários à ilharga, tanto mais competente será o avançado quanto melhor for a jogar de costas para a baliza, a servir de apoio vertical, a baixar no terreno para tabelar, sem se virar para o jogo. Ao avançado não se pede que seja capaz de ter uma visão periférica porque na maior parte das vezes deve estar preocupado, isso sim, em movimentos de aproximação, em perceber onde estão os colegas mais próximos e em proteger a bola. Ora bem, um bom avançado não é, portanto, um avançado que faça muitos golos. Quem pensar isto, está equivocado. Um bom avançado é alguém capaz de servir de apoio vertical, capaz de baixar no terreno para tabelar, capaz de proteger a bola, capaz de encontrar com celeridade um companheiro perto de si. Um avançado que recebe a bola de costas para a baliza e que a perde invariavelmente, que se vira mais vezes para o adversário do que procura jogar de frente, que não é capaz de encontrar soluções de passe com rapidez e que não sabe a importância de proteger uma bola, é um mau avançado pelo simples facto de, na maioria das situações, ser incompetente.

Numa equipa que joga ao ataque, as competências mais importantes num avançado são estas. A razão é simples e tem a ver com a quantidade de vezes em que as solicitações exigem essas competências. Naturalmente, um avançado não é só solicitado desta forma. Mas uma vez que esta é a forma geral em que mais vezes é solicitado, é um contrassenso imaginar que um avançado que não seja competente nesse aspecto possa ser um grande avançado. Um avançado que - imaginemos - é incompetente em 80% das situações em que é solicitado não pode nunca, por melhor que seja nos outros 20%, ser um grande avançado. Ainda assim, é talvez importante referir de que outras formas pode um avançado ser solicitado e de que outras formas pode ser competente. Sem bola, pode ser útil na forma como se movimenta de modo a arrastar marcações ou a desviar atenções, a esticar a equipa adversária ou a fazer diagonais para permitir linhas de passe aos colegas. Pode ainda ser solicitado através de cruzamentos e pode ser mais ou menos competente a atacar zonas de finalização. Há, no entanto, uma pequena ressalva a fazer em relação a isto.

O Melhor tipo de Avançado

Muita gente não percebe isto, mas penso que é algo que só a muito custo pode ser negado. Muitos dos avançados que passam maior parte do tempo preocupados em movimentos de aproximação, em servir de apoio vertical, em baixar para tabelar com um colega, não têm depois tempo para acorrerem ao cruzamento que toda a sua participação anterior tornou possível. Muitas vezes, quando um avançado baixa para que a equipa consiga desbloquear uma situação no meio-campo e a jogada prossegue e exige uma finalização, o avançado que antes baixara no terreno e possibilitou todo o desenho subsequente não é capaz de chegar à área em condições de atacar as melhores zonas de finalização. Isto é assim por definição. Como tal, é natural que um jogador que não tenha as preocupações anteriores, que não baixe no terreno e se mantenha bem posicionado e concentrado unicamente no ataque das zonas de finalização, seja capaz de marcar mais golos. O que é importante, porém, perceber, é o que é mais útil para a equipa: contar com um avançado que marque mais golos ou contar com um avançado que participa melhor na manobra ofensiva da equipa. Eu não tenho quaisquer dúvidas. Um avançado que esteja preocupado apenas em marcar golos, por mais competente que seja nesse aspecto, faz com que a equipa esteja permanentemente coxa, a jogar com um elemento que não se dá a mostrar, que não procura ser solicitado senão para finalizar.

Isto não é apenas uma questão de preferência. Não é só o facto de preferir um tipo de avançado em detrimento de outro. Trata-se de perceber que um tipo é melhor que o outro porque permite mais coisas à equipa do que o outro. Um avançado não serve para marcar golos e um avançado que só seja competente a marcar golos é um mau avançado. Ponto final. Pode ser melhor que um avançado que também só seja competente a marcar golos, embora não tão competente, mas é sempre inferior a um avançado que seja competente no resto, ainda que não seja tão competente a marcar golos ou, simplesmente, que a sua competência de goleador seja afectada pelo facto de estar mais interessado em outras competências.

Ibrahimovic e a Ausência de relação causal entre Eficácia Colectiva e Avançados Goleadores

Não há, talvez, melhor exemplo para demonstrar a razão do que digo que o do melhor avançado do mundo. Na melhor equipa do mundo, o melhor avançado do mundo, Zlatan Ibrahimovic, não marcava há 2 meses e meio. Voltou a marcar esta semana. Repito: não marcava há 2 meses e meio! E é o melhor do mundo. E joga na melhor equipa do mundo. E o que é extraordinário é que o jejum de golos do sueco coincidiu com o melhor período do Barcelona esta época. Neste período, o Barcelona ganhou praticamente todos os jogos, goleou mais vezes do que o tinha feito até aqui e jogou muito bem. Mais extraordinário ainda é que Ibrahimovic foi quase sempre dos melhores em campo. Esteve excelente na forma como contribuiu para o jogo de posse da equipa e foi, sem dúvidas, dos principais responsáveis pelo esmagador caudal ofensivo apresentado. O Barcelona não precisou que Ibrahimovic fizesse golos para vencer e para jogar bem; precisou, isso sim, que Ibrahimovic contribuísse para a competência ofensiva da equipa, para que a equipa, enquanto equipa, fosse capaz de atacar bem e de criar situações de golo. Durante este período, Ibrahimovic não marcou golos, mas o futebol do Barça melhorou. Para quem esteve atento, as razões são simples. Ibrahimovic esteve excelente nos movimentos de aproximação, no abaixamento no terreno para funcionar como apoio vertical, nas tabelas. Com isto, o futebol atacante do Barcelona fluiu exemplarmente e a equipa conseguiu ser mais acutilante. Em termos individuais, este tipo de coisas talvez tenham prejudicado o pecúlio do sueco, pois acabou por sair das zonas de finalização mais vezes, mas a equipa agradeceu. Um grande avançado, como o é Zlatan Ibrahimovic, é por isso muito mais alguém que propicia tais coisas à equipa do que alguém que faz muitos golos. O Barcelona - repito - esteve imparável, e Ibrahimovic, o único avançado da equipa, não marcou golos. É até irónico que, precisamente no dia em que voltou a marcar golos, o Barça tenha sido finalmente parado no campeonato. Nada poderia ser mais conclusivo: não existe qualquer relação causal entre um avançado que marca muitos golos e uma equipa eficaz. Uma boa equipa, que pratique um bom futebol, não necessita de ninguém em específico que marque muitos golos. Pensar o contrário trata-se de uma falácia absurda que os tempos modernos e o advento de modelos de jogo sofisticados como o de Guardiola ou - por que não dizê-lo? - o de Mourinho, nos seus primeiros anos, já deveriam ter erradicado.

Postiga, Liedson e a Irrelevância de um Avançado que faça golos

O que aconselho, por isso, às pessoas que continuam a achar que um avançado serve para fazer golos é que parem de dizer asneiras. Um avançado é muito mais do que alguém que faz golos e mesmo um avançado que não marque um único golo, numa prova inteira, pode ser um avançado muito importante na manobra da equipa. Para quem não consegue ver mais do que golos, para os cegos que seguem cegamente o fenónemo futebolístico, Hélder Postiga, que não marca há não sei quanto tempo, é um mau avançado. Além de isto ser francamente estúpido, porque ignora que, noutras alturas, Postiga já fez bastantes golos, é uma forma simples de avaliar um atleta. Não conseguem perceber o quanto o futebol do Sporting ganha com um avançado que faz o tipo de coisas que Postiga faz e, como não marca golos, apressam-se a injuriá-lo. A mais mordaz das respostas a este tipo de palermice está bem à vista de todos. Apesar de haver ainda quem o queira ignorar, é um facto indesmentível que o futebol do Sporting, desde que Postiga foi afastado, perdeu muita qualidade. Em Janeiro, quando, por sorte, Liedson esteve parado, o Sporting apresentou invariavelmente Postiga e Saleiro na frente de ataque. O que a equipa ganha com este tipo de jogadores foi aqui, atempadamente, anunciado: melhor circulação de bola, apoios verticais constantes, capacidade para segurar e entregar de frente, aproveitamento do espaço entre linhas. No último terço do terreno, o Sporting tinha jogadores que eram capazes de dar continuidade à troca de bola da equipa, jogadores capazes de propiciar mais soluções de passe e capazes de tabelar com os colegas. É inegável, para quem viu o Sporting jogar nessa altura, que a equipa tenha melhorado significativamente de qualidade. Na altura, referimos a presença destes dois avançados como a principal das causas para a melhoria que se registou. Além de a qualidade ter melhorado em relação ao passado e de a equipa ter apresentado um futebol como já não apresentava há já cerca de dois anos, o Sporting venceu também todos os jogos, entre eles um desafio frente ao Braga. Desde que Liedson regressou, o Sporting soma 1 empate e 5 derrotas, entre elas duas humilhantes goleadas ante os rivais. Nada poderia ser mais conclusivo, de novo. Junte-se a isto o regresso à ausência de ideias, a esterilidade dos processos ofensivos e a má qualidade, em termos gerais, do futebol praticado. O que mudou foi que o Sporting deixou de ter na frente, entre os defesas, um jogador capaz de dar continuidade ao processo ofensivo e passou a ter um jogador que raramente consegue dar continuidade ao que quer que seja e que só é útil no último toque. Com isto, o Sporting passou a jogar pior. Passou a não conseguir entrar no último terço do terreno com a bola controlada, como o fazia com Postiga; passou a perder mais bolas quando tinha de a trocar em espaços mais reduzidos; passou a viver mais do acaso e do improviso. Sugeriu-se, na altura, que a melhoria do mês de Janeiro tinha a ver com os adversários que o Sporting tinha encontrado, com a chegada de João Pereira e até com a mecanização das ideias de Carvalhal. Nada disto é verdade. O Sporting voltou a perder com o Braga e já encontrou adversários acessíveis aos quais não conseguiu ganhar, João Pereira manteve-se na equipa e as ideias de Carvalhal não deixaram de estar mecanizadas de um momento para o outro. O que mudou foi que o avançado que agora joga é completamente diferente do anterior e é alguém que não permite o mesmo tipo de coisas que o anterior. Sem Postiga, o Sporting é menos competente ofensivamente, joga pior, tem menos capacidade para ter a bola e torna-se uma equipa mais frágil. Não há como não reconhecer isto. Pode ganhar um avançado que faz alguns golos, mas perde capacidade de construir jogadas para golo. Pouco interessa que Liedson faça muitos golos se, com ele, a equipa é mais fraca. Postiga poderia nunca mais marcar golos na vida. Desde que continuasse a ter a influência que tem na manobra ofensiva da equipa, o Sporting seria sempre melhor com ele do que com Liedson.

A Mentalidade

Há quem ache ainda que, sobretudo num avançado, não fazer golos implica uma perda de confiança que afecta o seu desempenho geral. Isto não é verdade, como o comprova o exemplo de Ibrahimovic. Sobre a importância da mentalidade num jogador de futebol falarei brevemente. Para já, queria concentrar-me nesta ideia, que não faz sentido nenhum. Um avançado que valha pelos golos pode, de facto, sentir-se afectado se fica muito tempo sem marcar golos. Com o tempo, a ansiedade de voltar a marcar pode ser um factor emocional negativo, na hora de atirar à baliza. Mas achar que a ansiedade de não marcar golos implica um desempenho geral negativo é ridícula. O jogador pode sentir ansiedade quando confrontado com uma situação de finalização, mas dificilmente isso prejudicará o resto do seu jogo se tiver consciência de que, no resto, as coisas lhe têm saído bem. Basta olhar para os casos de Postiga e de Ibrahimovic. Talvez tenham denotado alguma ansiedade na hora de finalizar - sobretudo Postiga - mas continuaram excelentes em tudo o resto. A razão é simples. Ambos percebem a importância do resto das suas acções e não misturam as coisas. Aliás, estou plenamente convencido de que a reacção de Postiga ao facto de não marcar golos há tanto tempo passa por uma tentativa de se concentrar ainda mais naquilo em que é mesmo bom e que pode controlar, a sua inteligência, a sua capacidade para tabelar, para encontrar rapidamente soluções de passe, para jogar de costas para a baliza. Um jogador como Postiga, que sabe que é bom em determinadas acções e que não tem tido a felicidade de marcar, reage tentando estar mais concentrado naquilo em que se sente mais confortável. Talvez também por isso, por estar tão concentrado e preocupado com outras coisas, esteja tantas vezes longe das zonas de finalização. Postiga, ao contrário do que se pensa, não é mentalmente fraco. Se o fosse, todo o seu jogo se teria ressentido. Isso não aconteceu. Postiga tem reagido mentalmente bem, tal como Ibrahimovic o fez durante este período.

Uma coisa que demonstra que esta teoria não está certa é o facto de Postiga praticamente não usufruir de oportunidades de golo. É verdade que, as que teve, não conseguiu aproveitar. Mas não é um avançado que usufrua de muitas. Significa isto que Postiga não se mexe bem dentro da área? Não. Mexe-se bem. O problema é que não está tantas vezes em posição de atacar convenientemente as zonas de finalização porque passa mais tempo preocupado com outras coisas. A ausência de golos não provoca um abaixamento da confiança do jogador, como se pensa. Provoca, isso sim, que o jogador procure melhorar naquilo em que sabe que é bom, de modo a compensar a ausência de golos. Ao fazê-lo, acaba por, consequentemente, ter ainda menos oportunidades para marcar golos. Isto funciona sempre assim, em grandes avançados, em avançados com uma personalidade forte como Postiga. Funcionou assim com Ibrahimovic, também. Esta questão da mentalidade, portanto, é mais uma falácia que não tem qualquer fundamento.

36 comentários:

Nuno Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Pereira disse...

Boas!

Gostei do post, concordo com muitas das coisas mas, acho que faltou dizer que esse tipo de avançado, encaixa numa equipa que tem um modelo de jogo que prefere ataque posicional, organizado, que passa muito tempo com a bola.

Até que ponto, numa equipa que joga quase sempre em contra ataque, um avançado com as competências descritas no post faz sentido ?

De resto, concordo em absoluto.

JML disse...

Ora boas!

Pensei exactamente no mesmo que o Bruno Pereira ao ler o texto. Um bom exemplo é o David Suazo. Bom jogador e dos mais desiquilibradores do campeonato Italiano enquanto jogou em equipas pequenas, que jogam sobretudo em contra ataque, logo os seus principais atributos (velocidade, explosão, capacidade de tabelas e imediata desmarcação) são muito valorizados. No entanto, em equipas como o Inter e Benfica, essas qualidades perdiam-se completamente, por serem equipas que tendencialmente jogam em ataque mais continuado.

Até acredito que um jogador como o Suazo possa ser considerado o melhor jogador do campeonato Italiano, mas só jogando em equipas típicas de contra ataque.

Resumindo, as competências deste género numa equipa "pequena" não serão mais importantes do que as que descreveste?

De resto, só uma palavra de apreço pelo blog, que apesar de muitas vezes ter ideias com quais não concordo especialmente, estão geralmente bem fundamentadas e apoiadas, o que torna este género de análises muito mais interessantes. Parabéns!

João D. disse...

eu pelo menos tenho em mim(e não percebo grande coisa disto) que toda e qualquer equipa beneficia imenso se tiver uma boa circulação de bola. Jogue de que maneira jogar, se a eficácia do passe for boa e com lógica de jogo, é meio caminho andado para um possível sucesso.


Se o ideal num avançado é que priviligie sobretudo as movimentações da equipa, isso também prevê uma equipa a jogar em contra-ataque. Nesse caso ele poderá ser útil para ir atrás buscar jogo, ou tabelar com algum companheiro que venha de trás, a criar situações de superioridade numérica etc. O nuno gomes por exemplo já era bom no boavista que não era um dos grandes do campeonato - o campeonato do pacheco só veio uns tempos depois. Assim ficamos com mais um jogador a ajudar no processo ofensivo em vez de ficar meio parado lá na frente à espera que lhe caia uma bola em cima.


Eu não gosto muito de falar mal do liedson porque o tipo infelizmente já marcou demasiados golos contra o meu clube, mas acho que a perspectiva aqui colocada faz sentido.

BAD-RELIGION disse...

E o golo do Porto? UI... não sei bem as regras no que diz respeito á marcação rápida, mas que é estranho é...

PB disse...

Por norma, n leio textos tão grandes (pelo menos na net), mas este esta realmente bom, e vale a pena dar-lhe atenção.

Concordo com todas as ideias que aqui foram passadas.

Só não acho o Postiga assim tão bom (acho até q o próprio Cardozo, mesmo nesse aspecto está francamente melhor q ele), nem o Liedson assim tão mau.

Pedro disse...

A eterna discussão do Entre10...

Um dos problemas desta tua análise, e q tu normalmente não gostas de abordar, é q as principais críticas q se fazem ao Postiga, por exemplo, não é de ele não fazer golos apenas, é sim, essencialmente, de não marcar quando tem oportunidade para isso. É essa situação que o diferencia de um bom avançado. Eu concordo com tudo o q dizes sobre a importância q um avançado tem para o jogo colectivo da equipa, mas tal como tu reconheces, sendo ele um avançado significa q está mais vezes "na cara do golo" q um defesa e ao estar mais vezes perante o golo terá mais oportunidades. É importante, é muito importante q um avançado tenha qualidade no q diz respeito à finalização, pq, pela sua posição, irá ter mais oportunidades de golo q os restantes.

Ricardo Galeiras disse...

Gostei do texto.

Há algumas coisas com as quais não concordo a 100%, mas no geral está bem fundamentada a tua ideia base.

Alguns dos aspectos que apontas no Liedson podem ser vistas neste ultimo jogo com o Bolton, foi rara a ocasião que tabelou quando de costas ou que segurou para entregar.
No entanto...quem "saca" o penalty é ele e o que o "povo" gosta é de golos.

Gostava de saber qual a tua opinião sobre a época que o Rooney está a fazer pelo Manchester.


Continuação

farmacia disse...

Excelente texto. Tenho apenas uma questao nao relacionada com o texto Nuno, que achas da organização defensiva do Arsenal?

PS - Excelente blog já agora

Continuação.

Nuno disse...

Bruno Pereira diz: "Até que ponto, numa equipa que joga quase sempre em contra ataque, um avançado com as competências descritas no post faz sentido ?"

Sim, concordo que não faça tanto. Mas numa equipa grande, não faz sentido jogar sistematicamente em contra-ataque. Estava a referir-me a bons avançados, a avançados para equipas grandes.

JML, uma equipa pequena também pode jogar em ataque organizado. Aliás, não concebo uma boa equipa que jogue sistematicamente em contra-ataque. Por isso, só estou a falar de avançados para equipas com boas ideias. Quanto ao Suazo, carregou esse estigma injustamente. Ele não era só um jogador de contra-ataque, como queriam fazer dele. Com a bola no pé, decidia invariavelmente bem. Infelizmente, como era rapidíssimo, reduziram-no a essa característica.

Bad-Religion, no golo do Porto dá para culpar o árbitro, o pouco rigor das leis e a infantilidade dos jogadores do Arsenal. Para mim, o lance não é legal. Mas não há uma lei rigorosa que defenda este ponto de vista. É mais um dos casos em que os árbitros deveriam ser defendidos com a promulgação de leis concretas.

PB, o Cardozo, nesse aspecto, não é mau. Não é dos melhores, mas também não é dos piores. E tendo em conta que é bastante desengonçado, pouco ágil e tecnicamente banal, ser um jogador razoavelmente bom do ponto de vista intelectual é sem dúvida um ganho. Agora, está longe da categoria do Nuno Gomes, nesse aspecto, ou do Postiga, que são os dois melhores avançados nesse capítulo em Portugal, à excepção do Saviola, que não é deste mundo. Mas o Postiga é melhor que ele a ler as jogadas e a decidir, além de ser tecnicamente mais evoluído e muito mais ágil.

Pedro diz: "Um dos problemas desta tua análise, e q tu normalmente não gostas de abordar, é q as principais críticas q se fazem ao Postiga, por exemplo, não é de ele não fazer golos apenas, é sim, essencialmente, de não marcar quando tem oportunidade para isso."

Han? Essa então não faz sentido nenhum. Diz-me 5 oportunidades de golo que o Postiga tenha tido esta época. Não teve. Ele tem pouquíssimas. Por sua vez, são vários os jogos em que te consigo dar 5 oportunidades que o Liedson tem. Se é essa a crítica, ainda mais errados estão, porque nem se verifica a premissa.

"É importante, é muito importante q um avançado tenha qualidade no q diz respeito à finalização, pq, pela sua posição, irá ter mais oportunidades de golo q os restantes."

É isto que não percebes, Pedro. Terá assim tão mais oportunidades? Se trabalhar bem para a equipa, é capaz de ter menos oportunidades que um central para o qual todos os cantos são batidos. Talvez não seja o caso do Falcao ou do Farías, que são jogadores que atacam muito bem as zonas de finalização. Mas, por exemplo, o Bruno Alves tem muito mais oportunidades de golo do que um avançado como o Postiga, mesmo que jogassem na mesma equipa.

Nuno disse...

Ricardo Galeiras diz: "Gostava de saber qual a tua opinião sobre a época que o Rooney está a fazer pelo Manchester."

O Rooney está no seu melhor. Tem juntado à sua grande qualidade, este ano, muitos golos. Mas vale sobretudo pela forma como entra constantemente no jogo e como quase tudo o que faz é bem feito.

farmacia, acho que a organização defensiva do Arsenal deixa muito a desejar. Nesse capítulo, e só nesse, a equipa de Wenger é banal. Do ano passado para este, sobretudo com a adopção do 433, passou a controlar melhor as transições ataque-defesa, mas em organização defensiva continua uma equipa muito primitiva. Há várias falhas, desde logo o pouco rigor da linha defensiva. Quase nunca há uma linha defensiva bem definida. Depois, o espaço à frente dos defesas parece sempre mal protegido. Juntemos ainda a isto a pouco preocupação de fornecer coberturas e o espaço excessivo entre jogadores do mesmo sector. Se o Arsenal melhorasse nesse aspecto, seria imbatível em Inglaterra.

P.S. A forma mais eficaz de contactar os administradores do blogue é fazendo-o através da caixa de comentários. Para outros assuntos, é deixar o endereço de e-mail que nós entraremos em contacto. Obrigado!

vodka disse...

Fiquei exactamente com a mesma noção, os 4 defesas não conseguem nunca aguentar a linha defensiva, sempre com muito espaço entre eles, perseguições individuais de laterais a extremos e de centrais a Falcao, sempre com algum espaço entre linha defensiva e média.

Outro ponto importante neles é não conseguirem muitas coberturas assim como serem pouco agressivos nas zonas de pressão, e dou como exemplo o lance em que Hulk chuta logo aos 5' penso, em que Varela e Fucile conseguem sair de uma zona de pressão do Arsenal junto à linha lateral, devido ás coberturas estarem mal feitas e por serem pouco agressivos, isto porque até estavam 4x2 se considerarmos que neste caso a linha contaria a favor deles.

Enfim, foi uma ligeira desilusão para mim o Arsenal, não pelos seus restantes momentos de jogo, apesar de não concordar com todos eles, mas isso dava muito que falar, mas sobretudo pela falta de organização defensiva, tendo podido então comprovar ao vivo o porquê de eles me desiludirem quase sempre em jogos grandes.

PS- A nível de organização defensiva a melhor equipa que vi no Dragão ( e vi todos os jogos este ano, incluindo os da Champions), foi a Académica,

Sem mais,

farmacia

JML disse...

Já agora, uma pergunta de alguma forma relacionada.

Nuno, aqui há uns tempos escreveste um post de comparação entre Kaka, Messi e Ronaldo, em que dizias que o Ronaldo dificilmente se adaptaria a Espanha, devido ao tipo de futebol dele. Já foi há muito tempo, e ele está um jogador diferente desde essa altura, mas o que é que estás a achar da temporada dele no Real Madrid e da adaptação dele? (eu confesso que praticamente não vi os jogos deles este ano, só mesmo resumos e estatísticas, portanto nem tenho opinião formada sobre isso)

PB disse...

Por curiosidade, qual a vossa opinião sobre o Tiago Targino? :)

Refutador disse...

Boas, Nuno e Gonçalo

Concordo, na íntegra, com o teor do texto. Queria só acrescentar que as equipas que têm avançados que marcam poucos golos, mas que participam com grande qualidade no processo ofensivo, têm que desenvolver outros mecanismos para terem jogadores em zona de finalização. Por exemplo, no Barça, o avançado (o Zlatan ou outro) joga bastante em zonas baixas do terreno e, como tal, vai estar menos vezes próximo da baliza. Daí a importância dos movimentos interiores do Henry e do Messi, que marcam bastantes golos nas diagonais que fazem.

O mesmo se passa no Braga, onde o Meyong funciona como pivot, recuando para dar o apoio frontal e libertando os extremos "vagabundos" (Mossoró, Alan e Paulo César) para atacarem zonas de finalização.

Ah, outra coisa: li, outro dia, penso que no blog Lateral-Esquerdo, que vocês consideravam o Falcao mediano fora da área. A mim, parece-me que ele é bastante bom a jogar de costas para a baliza e a segurar a bola, e não apenas banal/mediano. Ainda continuam a achar isso?

Saudações,
Refutador

Nuno disse...

vodka, sobre o Arsenal, concordo basicamente contigo. Tenho um texto preparado já há algum tempo sobre esses assuntos, mas que teimo em não concluir.

JML, acho que o Ronaldo se modificou bastante como jogador. Ao contrário do que dizem, acho que se modificou para melhor. Isto é, melhorou capacidades onde pode fazer a diferença. Perdeu "ginga", mas isso não era algo que lhe fosse especialmente útil. Melhorou características atléticas e perdeu algumas manias, tornando o seu jogo mais objectivo. Mas acho que melhorou também em termos de entendimento do jogo. Está mais concentrado naquilo que importa e dá-se menos ao trabalho de perder tempo com malabarismos. Isso faz com que perceba melhor as coisas. Apesar desta melhoria, aquilo que disse nessa altura estava relacionado sobretudo com os números de Ronaldo nessa época. O que disse foi que, em Espanha ou em Itália, Ronaldo nunca alcançaria os números que conseguira naquela excelente época ao serviço do Manchester. E isso já se comprovou. Quanto ao seu impacto no Real, era natural, dada a sua mediatização. Continuo a achar que o futebol inglês beneficia muito o seu tipo de jogo e que ele não é tão influente no Real como o era no Manchester.

PB, acho que já o referimos aqui várias vezes. É muito muito mau...

Refutador, concordo. Só acho que, em equipas que, colectivamente não estão preparadas para isso, quem acaba por pagar é sempre o avançado. Ainda que o papel dele o faça bem.

Quanto ao Falcao, não o acho o melhor do mundo a jogar de costas para a baliza, mas acho que, depois de Saviola, Postiga e Nuno Gomes, é em Portugal o melhorzinho a jogar de costas para a baliza. É um jogador "brigão", que se sente bem com o contacto dos defesas e que, geralmente, decide bem. Falta-lhe alguma técnica e, sobretudo, classe. Mas é útil a jogar como pivot ofensivo e, sem dúvida, um avançado com categoria para o Porto. Não espero dele uma qualidade ímpar a descobrir colegas, nem óptimo a aparecer no espaço entre linhas, mas é razoável nesse aspecto. Como depois é muito forte a atacar as zonas de finalização, torna-se muito importante. Além disso, a segurar e a proteger a bola é, por norma, bastante eficaz.

PB disse...

tão mau, q nem um Jesus (q sei q tb apreciam mt) o salve? :D

Fernando disse...

Boas Nuno,

Bom texto mas, embora concorde contigo no que diz respeito à outras competências que um avançado deve ter, acho que exageras no desprezo dado à capacidade de aparecer em zonas de finalização e de finalizar. Sendo um avançado o jogador posicionado mais perto da baliza, é provável que seja aquele que mais vezes aparecer em condições de finalizar, logo não me parece uma característica que mereça desprezo.

Que opinião tem o EndreDez em relação ao futebol do Barcelona deste ano e o do ano passado? O Ibrahimovic é o melhor avançado do Mundo, mas parece-me ainda inadaptado à manobra ofensiva da equipa. Embora a capacidade criativa dele seja imensa, perde demasiadas bolas em lances em que quer inventar demais. Sem as estatísticas não posso ter a certeza mas parece-me que o Barcelona está também a falhar muitos mais passes e a não conseguir criar tantas ocasiões de golo como na época passada. Acho que a equipa está demasiado curta e não tão capaz de atacar a profundidade.

PB, permite-me responder à tua pergunta porque, como adepto do Vitória, vejo muitas vezes o Targino a jogar. Em termos de inteligência futebolística, o Targino não existe. É dos jogadores mais estúpidos que alguma vez vi jogar. No entanto, acho que tem sido útil devido às suas capacidades físicas e à desorganização da equipa antes do Paulo Sérgio ter entrado na equipa. Com a chegada do Fábio Felício, e com o lugar cativo que o Desmarets tem legitimamente na esquerda, o Targino não deve ter a mínima hipótese de conseguir um lugar no onze (espero eu!).

Cumprimentos.

Nuno disse...

Fernando, não há menosprezo, há relatividade. Se um avançado está muitas vezes preocupado com coisas mais importantes, é natural que não consiga ser decisivo no resto. O Barcelona o ano passado marcou mais de 100 golos e o Eto'o, mesmo assim, não foi o melhor marcador do campeonato. Porquê? Porque não lhe competia a ele atacar as zonas de finalização. Isso era da competência da equipa, enquanto todo, e muitas vezes, porque o Eto'o baixava, não era ele quem aparecia nas zonas de finalização.

Quanto ao Barcelona actual, acho-o mais forte que o ano passado. Não concordo que o Barcelona perca mais bolas que o ano passado. Aliás, o Ibrahimovic é mais forte que o Eto'o a baixar e a servir de apoio vertical. Nesse aspecto, o Barcelona está mais forte e o seu futebol está mais envolvente. Percebo o que dizes em relação a ter perdido capacidade de aproveitar a profundidade, mas não concordo. O Barcelona, este ano, tem sido vítima do seu plantel demasiado curto. Tem tido bastantes lesões e não tem conseguido, por isso, ser tão consistente. Ainda assim, os números são muito próximos daqueles que se registavam, por esta altura, no ano passado. E onde creio que a equipa está melhor é precisamente na utilização do avançado como referência para tabelar. Ibrahimovic é quase um "porto seguro", neste aspecto, quase sempre perfeito na forma como percebe as intenções dos colegas e dá seguimento às jogadas.

Nuno disse...

E outra coisa, Fernando, que me parece que não percebeste na nossa posição. Não estamos necessariamente a menosprezar a capacidade de aparecer em zonas de finalização, dizendo que isso é irrelevante. Estamos a dizer que o Postiga não é necessariamente inferior ao Liedson nesse ponto, até porque não é algo necessariamente complicado. O que acontece é que, quem se preocupa apenas com isso, tem muito mais probabilidades de ser bem sucedido na finalização, enquanto quem se preocupa também com outras coisas terá menos probabilidades de fazer golos. Não estou a dizer que o Postiga não é mau a atacar zonas de finalização, mas compensa noutras coisas. Estou a dizer que o Postiga também é bom a atacar zonas de finalização, mas uma vez que as suas preocupações incidem mais sobre outras coisas, está menos vezes em condições de finalização.

MB disse...

O Eto'o nao foi o melhor marcador, mas ainda assim marcoou 30 golos, só no campeonato. O "problema" foi que o Forlan marcou 32, que é um número bastante dificil de alcançar. Lembro-me no ano passado, já com o título ganho e em poupança para a final da Chapions, o Barça jogou com os habituais suplentes mais Eto'o, contra o Mallorca. Nesse jogo o Etto'o falhou um penalty e uma mao cheia de oportunidades.

Salvo a época passada, o Ibra nunca chegou aos 20 golos no campeonato. Nao é um "matador". No entanto tem caracteristicas que outros avançados nao têm e que ajudam a equipa.

O Barça este ano pode nao fazer tantos golos, mas é uma equipa que sofre ainda menos golos e muito dificil de bater.

Fernando disse...

Nuno,

Quanto ao Eto'o, pode não ter sido o melhor marcador do campeonato mas foi o melhor marcador da equipa. Sem dúvida que, como dizes, o Barcelona, como uma equipa organizada, atacava as zonas de finalização com o jogador que estivesse disponível para o fazer. E o Eto'o, apesar de, por vezes, deambular por outras zonas, pela posição que ocupava, ainda assim, era o jogador que mais vezes o fazia, seguido pelos extremos. É só isto que quero evidenciar.

Atenção que quando eu digo que o Barcelona perde mais bolas que no ano passado e que não ataca tão bem a profundidade, não sei se ficou claro que não acho que isso seja tudo responsabilidade do Ibrahimovic. Acho que, por exemplo, o Messi, seja pelas indicações que recebe ou por estar habituado a fazê-lo devido à incapacidade do Eto'o em participar na organização ofensiva relativamente ao Ibrahimovic, aparece demasiadas vezes num espaço que deveria ser ocupado pelas descidas do avançado. E quando o Iniesta joga na esquerda, tenho a mesma impressão. Quando esta situação ocorre, apesar de ambos serem tecnicamente imaculados, o Barça fica a perder, pois o adversário tem a possibilidade aproximar as linhas e reduzir a largura. É claro que o Barça baseia a sua organização ofensiva também na proximidade entre os jogadores, mas a proximidade excessiva de todos não é benéfica. Eu entendo que, pelo menos, o "medo" da exploração da profundidade deve estar presente no adversário. Já, por exemplo, quando jogam o Pedro ou o Bojan, os passes de ruptura costumam ser mais frequentes.
Quanto ao Ibrahimovic, concordo que seja muito inteligente. Só não estou a gostar de algumas das decisões dele quando tem a bola e parece-me que está tecnicamente pior que na época passada. Como disse, está a perder demasiadas bolas em lances perfeitamente escusados e a realizar passes que tecnicamente não estão ao nível dele.

Nuno, escolheste a pessoa errada para debater Liedson versus Postiga. Também não sou um grande apreciador das qualidades do Liedson, embora o considere bom o suficiente para ser titular do Sporting e o ache superior ao Postiga quer a finalizar quer a aparecer em zonas que possibilitem essa situação. Na maior parte do resto, talvez seja pior...

Cumpimentos, que vou ver o Inter-Chelsea.

Ricardo Galeiras disse...

Nuno,
Desculpa a maçada, mas que opinião tens do Jardel e do João Vieira Pinto?

Ontem ao rever algumas imagens de jogos do Sporting lembrei-me deste post e gostaria de saber a tua opinião sobre estes 2 jogadores.

Continuação de bom trabalho.

Yazalde disse...

Há os teóricos da bola, e depois há os práticos da bola:

"FC Barcelona coach Josep Guardiola was pleased to see Zlatan Ibrahimović silence his critics after the striker helped the UEFA Champions League holders to a first knockout round first-leg draw away to VfB Stuttgart."
Ibrahimović's 52nd-minute strike cancelled out Cacau's 25th-minute opener and gave Guardiola opportunity to rebuff any recent criticism of the 28-year-old Swedish international. "Strikers are judged by goals and he scored again, so surely that has to be good for everyone," said Guardiola. "The goal gave him the impetus he needed, and at the end of the day it's goals that count in football."
(http://www.uefa.com/uefachampionsleague/news/newsid=1453690.html#guardiola+backs+ibrahimovic).

Já anteriormente, Ibrahimovic tinha dito pedido desculpa aos adeptos do Barcelona devido à ausência de golos, afirmando que não estava na sua melhor forma.

Nuno disse...

Yazalde, querias o quê? Que o Guardiola e o Ibrahimovic andassem a dizer que se estavam a cagar para os golos? O futebol é um desporto de estúpidos e para estúpidos. Às massas tem de lhes ser dito o que querem ouvir. Intimamente, eles sabem que isso não era importante. Para fora, têm sempre de passar a mensagem que estão a trabalhar para melhorar isso, para não serem acusados de negligência ou displicência. Os estúpidos satisfazem-se com isto. Como se satisfazem com palavras que não demonstram senão a cordialidade de duas pessoas que sabem que não podem ser sinceros sob pena de não serem compreendidos.

MB disse...
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MB disse...
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MB disse...

Yazalde, esses comentários não desdizem nada do que que o Nuno diz.

O Guardiola, nunca esteve particularmente preocupado com a ausência de golos do Ibra (só relativamente à desmotivação que daí poderia advir).

Mais do que uma vez, companheiros de equipa (e o próprio Guardiola) afirmaram que o Ibra contribui para o jogo do Barça com muito mais do que apenas golos.

O facto de o Ibra estar descontente por não marcar golos, não significa que não esteja a jogar bem.

Yazalde disse...

Ou seja, são todos uma cambada de mentirosos, o Ibra e o treinador.
Nunca ousaria dizer que são os dois mentirosos, mas devem sabê-lo de fonte segura.
Pode ser que se andem a enganar a eles próprios, ou sejam hipócritas, mas também não o sei.
Mas como o futebol é um jogo de estúpidos, não percebo então para que se quer um jogador inteligente, só se for para atrapalhar, aí estou de acordo.
Quanto a frase do Ibra, ele não disse que estava descontente, ele pediu desculpa aos adeptos pelo mau momento que estava a passar (coincidente com a falta de golos), em baixo de forma, como ele referiu, o que é diferente de estar apenas descontente com não marcar golos.

Nuno disse...

Ya, Yazalde, um jogador inteligente só atrapalha...

PB disse...

Fernando, o Targino n volta a jogar pelo Guimaraes. PAra ti deve ser um alivio LOL

Fernando disse...

PB,
Se os escolhidos para o substituir forem o Felício ou o Rui Miguel (embora preferisse este no meio, ao lado do Assis), sim, é um alívio.
Problema é que o Marquinho e o Jorge Gonçalves também costumam entrar nas contas e é isso que me deixa preocupado!

Cumprimentos.

MB disse...

Yazalde, aconselho-te este link:

http://www.sport.es/default.asp?idpublicacio_PK=44&idioma=CAS&idnoticia_PK=685374&idseccio_PK=803

Jorge Sampaio disse...

verborreia. eu até fico arrepiado quando merdas destas são verborreadas em mestrados e doutoramentos...enfim.

PedroBM disse...

Nuno,

bom post, mas julgo que para reforcares as tuas ideias vais muitas vezes a um extremo que te faz perder a logica...

Por exemplo a tua analise do Saviola (muito boa para um muito bom jogador) perde-se no final com a teoria de que ele seria o mesmo sem os golos que marcou... Repara: os golos que ele marcou tem sido na sua maioria devido a:
1. Pura inteligencia
2. Inteligencia e tecnica

No primeiro espaco ponho golos como os que ele ja marcou de cantos apesar da sua estatura baixa. No segundo golos como contra o Porto com uma desmarcacao excelente e um toque apenas para finalisar...

Sao exactamente golos como este que nos ajudam a ver a qualidade do seu toque de bola e acima de tudo a sua inteligencia e se ele nao estivesse nesses espacos ou nao conseguisse finalisar entao nao era tao bom como aqui se diz...

Outro exagero que tu cometes e a menosprezar os homens-golo, jogadores que realmente pouco mais fazem que encostar mas que sao letais e acertam quase sempre... assim de repente lembro-me de Rudi Voeller, Jardel, Sheringham, Rossi... estes jogadores sao brilhantes por uma serie de razoes:

1. O seu impacto psicologico nos adversarios e nos companheiros
2. Arrastarem varios adversarios na sua marcacao
3. poderem resolver jogos em minutos
4. deixarem os companheiros preocupar-se mais com o jogo em si e menos com a ansiedade de ter de marcar