sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Estilo de jogo

Muito se discute sobre a eficácia do estilo de jogo que priviligie a posse de bola. Talvez porque se confunda muitas vezes equipas com estilo de jogos semelhantes, mas que estão subjacentes a ideias e interpretações do jogo bastante diferentes. Vemos, por exemplo, conjuntos que gostam de ter bola para poderem retirar o máximo proveito dos malabaristas que proliferam no seio da equipa, outras porque a sua carga "histórica" a isso os obriga, e outros, como o caso do Barcelona, que o fazem não por causa dos jogadores que possuem, mas porque a posse de bola, e aquele estilo de jogo apoiado, de toque curto e seguro, são a "trave-mestra" de todo o seu futebol. Independentemente dos jogadores.

No entanto, apesar da importância dos motivos que sustentam um estilo de jogo, até a filosofia de jogo mais evoluída precisa de uma estrutura que lhe permita de forma inequívoca demonstrar toda a sua magnitude e superioridade perante as outras interpretações do jogo. Daí a importância do sistema táctico: não é indiferente, como muito boa gente apregoa. As dinâmicas realmente importam, mas a dinâmica está intimamente relacionada com a estrutura da equipa. O sistema táctico deverá permitir que as dinâmicas necessárias à concretização do nosso modelo de jogo sejam alcançadas compreendendo todos os momentos do jogo de forma una, contínua e equilibrada. Procura-se desta forma minimizar a nossa exposição a desequilíbrios (ofensivos e defensivos, em qualquer uma das fases de transição) inerentes única e exclusivamente ao nosso modelo de jogo.

Não possuo dados que me possam garantir quais as directrizes que sustentam o modelo de jogo do Arsenal, isto é, se a qualidade da posse de bola é o sintoma da "doença" certa, mas podemos constatar, nos jogos que temos observado neste início de temporada, uma consistência e equilíbrio inéditos que estão intimamente ligados ao sistema táctico adoptado por Wenger nestes jogos: o 4x3x3.

A valência desta filosofia vai muito para lá dos factores estéticos. O toque curto requer que a equipa jogue coesa, com os seus sectores juntos. Os próprios jogadores beneficiam de uma "rede" de apoios próximos que assim lhe oferecem mais opções, dificultando a acção defensiva do seu adversário. A esta imprevisibilidade contrapõe-se muitas vezes o risco que corremos de, com tantos passes, perdermos a bola em zonas proibidas. A verdade é que este argumento não só é falacioso como também ignora outra característica das equipas cujo modelo, desde que bem orientadas, assenta nesta filosofia: a capacidade de reagir de forma rápida e intensa aos momentos de transição, não só defesa/ataque, mas essencialmente ataque/defesa. O elevado número de jogadores na zona onde eventualmente a equipa perda a posse da bola, fruto do estilo de jogo baseado em apoios próximos, permite uma resposta mais rápida e eficaz sobre o adversário que havia recuperado o esférico. Mais, o facto de os sectores terem de jogar juntos retira espaço entre linhas para a equipa adversária se movimentar.

Posto isto, facilmente percebemos a importância de uma equipa como o Arsenal optar por jogar num sistema que lhe permite apresentar uma melhor ocupação dos espaços, benificiando de um maior número de linhas, não premitindo desta maneira tanto espaço e liberdade aos seus adversários, principalmente na transição ataque/defesa.

Beneficia o Arsenal com esta alteração, assim como os jovens que militam no clube londrino. Ramsey, Song, Vela, etc., vão poder exponenciar, ainda mais, todas as características, moldadas em função do estilo de jogo que "sustenta" o conjunto de Wenger. O treinador francês promove o desenvolvimento das tomadas de decisão nos seus jogadores, fruto da filosofia que implantou nos gunners. A constante criação de várias soluções em cada jogada obriga os seus jogadores a analisar um grande conjunto de variáveis. Desta forma, a regular necessidade de decidir entre as várias opções que lhe são "sugeridas" serve como um estímulo indispensável para a evolução intelectual dos seus jogadores. Agora, porém, com uma sistema mais equilibrado e racional, estes jogadores já não ficam obrigados a utilizar a sua mais valia para colmatar as lacunas do sistema táctico, encontrando ao invés um aliado não só na sua evolução como jogadores, mas também no seu caminho rumo ao sucesso.

1 comentário:

mendes disse...

Boas,

Ainda que em jeito de offtopic, gostava de dizer uma ou duas coisas..
Não sou um perito em futebol, mas acompanho os jogos dos grandes e do Belenenses (meu clube), para além dos jogos das ligas Espanhola, Inglesa e Italiana. Vejo futebol como a grande maioria das pessoas, com prazer, sem prestar demasiada atenção aos pormenores tácticos, às linhas de corrida, etc, etc.
Mas acho que, mais uma vez, se verificou que as críticas que aqui vêm sendo manifestadas ao David Luiz fazem todo o sentido. O rapaz até marca golos, é fisicamente muito capaz, grande poder de salto, rapidez superior que lhe permite antecipar-se ou fazer um corte ou outro com muita "estética", por assim dizer. Mas não é um central inteligente, muito menos disciplinado. Joga com fulgor, entusiasma-se, mas, como se notou ontem, sobretudo no lance do golo do paços, só NÃO lhe falta instinto para ser o grande defesa central do Benfica. Parece-me ainda menos inteligente a jogar do que o Luisão, ou do que o Bruno Alves por exemplo. Ainda mais instável emocionalmente e mais inconstante do que ambos. O que, na minha opinião de não-perito, é dizer muito.
Sobre o post.. Viva o Arsenal! Mesmo quando leva cabazadas vale a pena vê-los sempre motivados a jogar bonito, ver a inteligência de um Fabregas ou de um Arshavin, a explosão e os “tiros” de um Van Persie, o talento em bruto de um Vela por exemplo. Quem me dera que houvesse um clube com uma estrutura suficientemente corajosa para permitir esta forma de jogar em Portugal. E esta forma de se estar no futebol.