quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O que sobra da derrota...

Mais importante que o resultado ou a exibição da renovada selecção dos sub-21, é conferir o desempenho dos jogadores que actuaram na partida contra a Ucrânia.

Começando pelos guarda-redes: tarde descansada para Patrício, o que já não se aplica a Ventura. O guardião formado nas camadas jovens do Porto, apesar do golo sofrido, revelou tranquilidade e segurança sempre que foi chamado a intervir.

Centrais: Carriço esteve ao seu nível, o que significa que foi dono e senhor de quase todos os lances que disputou. Miguel Vítor foi outro que esteve à altura das expectativas que temos, ou seja: uma exibição esforçada, mas com pouca lucidez. Já André Pinto demonstrou algumas dificuldades no posicionamento, assim como alguma lentidão nos processos.

Laterais: João Gonçalves foi o que se exibiu ao melhor nível. Algumas culpas no lance do golo (o adversário que cruzou para o golo foi mais forte que ele no "choque") não ensombram uma bela exibição, principalmente a atacar. Tiago Pinto esteve desastrado no passe, revelando demasiada ansiedade. Ruben Pinto exibiu-se a um nível superior, pecando apenas por exagerar nos lançamentos longos (no lance do golo não acompanhou o jogador que fez a diagonal e concretizou a jogada).

Médios: Stélvio Cruz, um Pelé, mas em mau. Castro e Rui Pedro (jogam em posições diferentes, bem sei) são um pouco a antítese um do outro: Castro joga bem, mas em esforço e sem ponta de estilo. Rui Pedro, estilo tem; o problema é que revela pouca imaginação, assim como pouca segurança no passe. O futebol de Pereirinha continua igual a si próprio: tão correcto e inteligente, que até parece simples. Mas não é. Romeu Ribeiro, nos poucos minutos que esteve em campo, fez-me questionar o que se passa com o Miguel Rosa (apesar deste ser mais novo).

Extremos (bem sei que Portugal apresentou, no início, um 442. Mas a verdade é que Candeias funcionou mais como extremo do que como interior): o extremo portista é forte nos duelos individuais, misturando técnica e velocidade em boas doses. O problema é que dá ideia que não sabe fazer mais nada que fintar e rematar. E rematar de qualquer forma, e de qualquer sítio, não me parece uma solução muito inteligente. Ukra mostrou muito pouco nos minutos que entrou. Já o vi actuar noutras ocasiões e, apesar de não o achar nada de extraordinário, não é tão mau quanto pareceu. Paim teve ainda menos tempo. Mostrou bom toque de bola, mas de forma inconsequente. Pareceu demasiado individualista.

Avançados: Orlando Sá parece-me um jogador a rever. Não é muito evoluído tecnicamente, mas não é mau nos apoios, e movimenta-se bem na área. Pena não jogar mais vezes no Braga. Seria interessante ver a sua evolução. Yazalde pareceu mais forte no 1x1 que o Orlando; nos poucos minutos que jogou demonstrou isso, fazendo uso da sua velocidade e força. No entanto, é outro jogador que jogou poucos minutos. Daí ser complicado dizer muito mais.

Sendo cedo para tirar conclusões, há no entanto meia-dúzia de jogadores interessantes que merecem um acompanhamento mais próximo, assim como mais oportunidades nos respectivos clubes. Outros... Nem tanto...

5 comentários:

ricardofaria90 disse...

Boas! Só hoje é que tive o prazer de visitar este blog. E posso dizer que gostei bastante. Tenho uma proposta a fazer-vos, mas preferia que não fosse em público. Por isso - e como não tenho qualquer forma de privar convosco - vinha aqui deixar os meus contactos e pedir que me enviassem qualquer coisa para depois entrármos em contacto.

ricardofaria90@gmail.com
r_faria9@hotmail.com

Cumprimentos,
Desculpem a invasão ;)

Anónimo disse...

O Rosa é da mesma idade que o Romeu. E está emprestado ao Estoril, onde já fez uns joguitos e marcou um golo.

Refutador100 disse...

Só agora reparei neste post e, como ponto prévio, devo dizer que não vi o jogo em questão, pelo que não me vou alongar em demasia.
Daquilo que sei desses jogadores (que não é muito) estou de acordo com a avaliação que fazes. Com uma excepção: o Candeias.
Já percebi, pela leitura de outras análises, que não são grandes apreciadores das qualidades desde extremo; eu sou de opinião contrária, porque o acho um valor seguro no seu escalão etário.
Como dizes, tem técnica, velocidade e imaginação nos duelos individuais, algo que fundamental num extremo. Aquilo em que peca é sobretudo ao nível da tomada de decisões, mas considero, e penso que vocês têm a mesma opinião, que um extremo não tem que ser especialmente inteligente; os desiquílibrios que eventualmente possa criar trazem benefícios para a mecânica colectiva da equipa. O Quaresma ou o Reyes são casos paradigmáticos daquilo que defendo.
Por tudo isto, parece-me que o Candeias tem um potencial considerável e que se pode afirmar no Porto.
De resto, nada a acrescentar, até porque não vi o jogo.
Abraço e continuação do bom trabalho.

Nuno disse...

Sim, também achamos que os extremos podem não ser especialmente inteligentes, desde que possam oferecer, em doses consideráveis, argumentos individuais. E desses não há muitos. É por isso que não nos agrada o Candeias, porque não achamos que individualmente seja determinante como o Quaresma ou como o Reyes. Pelo que já vi dele, não o acho muito distinto do Bruno Gama, ou do David Caiado, ou do Vierinha: são rápidos, com um bom poder de arranque, mas limitados a isso. São jogadores que parece que fazem tudo em esforço e, se fores a ver as vezes em que a equipa beneficia dos lances individuais deles, dá quase zero.

Um abraço!

Refutador100 disse...

Nuno, não considero o Candeias um prodígio. O Hélder Barbosa, por exemplo, parece-me superior, sobretudo porque o acho mais dotado intelectualmente.
Porém, penso que o Candeias tem um potencial de evolução claramente superior aos nomes que referiste. Tanto o Bruno Gama, como o Vieirinha, como o David Caiado são menos dotados tecnicamente do que o Candeias, além de serem consideravalmente menos fortes nos duelos individuais. Mas, como pensam que são melhores do que são, abusam do 1x1 e, nestes casos, a equipa não beneficia com estas acções. O Candeias é bastante forte neste capítulo e, sendo verdade que é excessivamente individualista, parece-me exagerado colocá-lo no mesmo pacote destes três jogadores.

Abraço