segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um Problema de Sol

Como é Verão, vamos falar de sol e de coisas que pessoas não fazem por estar muito sol. Devo dizer que este texto, pelo menos em parte, estava escrito já há vários meses, e que apenas por desmazelo não foi publicado mais cedo. Reporta-se a uma partida do campeonato espanhol, que opôs o Málaga ao Real Madrid de Mourinho. Diamantino Miranda, esse arauto do disparate, foi o comentador de serviço do desafio, e disse, entre outros disparates certamente merecedores de referência, que as equipas do sul de Espanha eram, por norma, menos agressivas que as do norte. A razão pela qual Diamantino pensa assim, disse-o depois, prende-se com as diferenças climatéricas. Segundo o astuto comentador, equipas que estejam sediadas em regiões com climas mais quentes, com praias, sol e, provavelmente, raparigas de biquini, são compostas por jogadores mais tecnicistas, mas menos disponíveis para ajudar a defender. Por si só, a ideia de que o clima define características de um atleta é suficientemente estúpida para que lhe fique indiferente, e é disso que vou falar em seguida. Antes, porém, quero falar do argumento particular de Diamantino. Muito rapidamente, e até porque estendeu a ideia a outros países, a Portugal, por exemplo, o argumento faz depender a pouca agressividade defensiva de onze atletas da localização geográfica de uma cidade. Do que Diamantino se terá esquecido é que os onze jogadores que, segundo ele, eram pouco agressivos, não eram naturais de Málaga, nem tão-pouco de cidades do sul de Espanha. A menos que, a juntar ao primeiro argumento, mais geral, defenda Diamantino também que estes jogadores perdem agressividade de acordo com o sítio onde vivem, e que, por exemplo, Toulalan, que jogou toda a vida em Lyon, era agressivo até se ter mudado para Málaga, não percebo muito bem como é que pode defender o que defendeu.

Enfim, não quero perder muito tempo a discutir o raciocínio de Diamantino Miranda, pois não me parece fácil tentar perceber lógica onde ela não existe. Mas a ideia de que o clima influencia as características de um atleta merece algum debate, e sobre isso gostaria de dizer algumas coisas. Há coisa de dois anos, lançou o Filipe no Jogo Directo uma discussão parecida, defendendo que "há indícios claros de que a temperatura mexe, e bem, com o calor do jogo". Tive a oportunidade de comentar esse texto, e de participar na discussão. Ainda hoje penso do mesmo modo, e o comentário de Diamantino Miranda veio apenas tornar presente algo que me faz de facto bastante confusão. Como é que alguém pode sequer conceber que o clima tem influência directa no tipo de futebol que se pratica em determinado sítio? Na verdade, talvez sem se aperceber, o Filipe defendia duas coisas diferentes: primeiro, que uma equipa não se consegue comportar como se comporta habitualmente, se a temperatura for consideravelmente mais alta; em segundo, que os brasileiros jogam de modo mais "acalorado" porque o clima assim o propicia. O primeiro caso não se insere sequer no mesmo tipo de discussão: qualquer equipa europeia que vá jogar a 2000 metros de altitude, com baixas concentrações de oxigénio, tem desempenhos inferiores, e não consegue manter o ritmo habitual. Não é propriamente a temperatura, mas sim qualquer condicionante externa que modifica o comportamento habitual dos jogadores, que estão preparados para responder em determinadas condições e têm dificuldades imediatas em adaptar-se a condições novas. O "calor" do jogo, nesse primeiro caso, é determinado pela habituação, ou falta dela, e não porque a temperatura desempenhe um papel providencial. Mas é o segundo caso que mais interessa, pois é sobre ele que as pessoas mais opiniões engraçadas têm.

Existe, aliás, a tendência para achar que não é só o futebol, mas todo o tecido social, que é reflectido pelo clima de um país. Acho tal conclusão, como deverão calcular, um profundo disparate. Para muita gente, os países mediterrânicos são menos produtivos, em geral, porque são países com climas temperados, e é o clima que se regista nesses países que faz com que as pessoas sejam mais preguiçosas, mais irresponsáveis, mais inconstantes, e mais emocionais. O raciocínio de quem pensa assim é mais ou menos o seguinte: as pessoas vivem debaixo de temperaturas altas toda a vida, e isso frita-lhes as ideias. Enfim, achar que a temperatura é responsável pela definição do carácter de um povo é tão ridículo que chega a ser difícil falar sobre isso. As características gerais de um povo - se é possível, de facto, traçá-las - são definidas ao longo de séculos de História, e influirá mais no tipo de pessoas que os portugueses são, para usar o exemplo de Portugal, o facto de termos uma tradição católica profundamente enraízada, ou o facto de termos sofrido certos acidentes históricos, do que o facto de vivermos à beira-mar, com um clima ameno. O ser humano é uma criatura de hábitos, e as pessoas comportam-se como vêem os outros comportar-se. Se o clima em Portugal mudasse subitamente, e passássemos a ter um clima nórdico, a geração seguinte seria exactamente igual à geração seguinte que viria, caso isso não acontecesse. Quem fala em portugueses, fala noutros povos quaisquer. Se a temperatura, ou a latitude, fossem determinantes, ingleses e irlandeses seriam praticamente iguais.

A ter alguma influência no carácter de um povo, o clima tem uma influência reduzidíssima. Se assim é, menor será ainda essa influência em qualquer manifestação cultural desse povo. O futebol, enquanto manifestação cultural, não foge à regra. O futebol praticado numa determinada região do globo difere do futebol praticado noutra região por várias razões. Primeiro, porque são manifestações culturais de povos diferentes, com culturas diferentes, com preocupações diferentes, com legados históricos diferentes, com estruturas morais diferentes. Depois, e sobretudo por isso, porque o próprio futebol cria uma determinada tradição. Por que é que os italianos são mais defensivos? Porque, enquanto povo, são mais conservadores, mais reservados, mais precavidos? Obviamente que não. Porque, a dada altura, os modelos defensivos italianos começaram a ter sucesso, e criaram escola. A tradição futebolística de um país é talvez o factor mais relevante na definição do tipo de futebol que se pratica num país. Que causa está por trás do futebol de toque da Espanha, nos últimos anos? Um trabalho de fundo que modificou radicalmente a identidade do futebol espanhol, o privilégio pela inteligência e pelo talento. E no Brasil, por que é que no Brasil o jogo é tão "acalorado", há tanta irresponsabilidade táctica, e há tanto jogador talentoso? Não é por causa do calor, que faz com que os jogadores tenham as emoções à flor da pele, assim como é o calor que leva os miúdos para a praia e para as ruas, onde aprendem a jogar? Claro que não. São as condições sociais, a cultura do país, o fundo católico, etc.. Será a irresponsabilidade táctica característica do futebol brasileiro assim tão diferente da irresponsabilidade táctica de outros países sul-americanos? Não é. E o que dizer da irresponsabilidade táctica dos britânicos? É uma irresponsabilidade diferente da dos brasileiros, mas ainda assim é irresponsabilidade. Como explicá-la, se o clima não é "acalorado"? Essencialmente, porque a tradição futebolística na Grã-Bretanha não conheceu praticamente evoluções, nos últimos 50 anos, e porque no futebol (e no desporto, em geral) britânico se tendem a privilegiar atributos atléticos.

Acreditar que a temperatura (e o sol, em particular) determina o tipo de futebol que se pratica num certo país é não perceber nada de futebol, e é não perceber nada de seres humanos. O futebol, como todas as expressões de um povo, reflectem em parte o tecido histórico, cultural, religioso, e social desse povo. Mas, em si, é uma prática isolada, que pode, a qualquer altura, seguir um trajecto completamente distinto, sem qualquer relação directa com esse tecido. Estes dois tipos de factores são aqueles que, a meu ver, melhor explicam as distinções entre os vários tipos de futebol que se praticam pelo mundo. O clima, ou qualquer factor ambiental, não entra em nenhum deles. Não é sequer um factor secundário; não influi sequer na personalidade dos indivíduos que compõem esse povo, quanto mais nas suas práticas. Pode, quando muito, num passado muito remoto, ter ajudado a que determinados povos se dedicassem mais a umas actividades do que a outras, optassem por um determinado estilo de vida e não por outro, e que a personalidade desse povo - que foi sendo criada paulatinamente, ao longo dos tempos - tenha então sofrido inflexões decisivas em determinado período da sua formação por força do clima em que se vivia. Mas isso nem uma influência indirecta é. Se, a partir de agora, começasse a nevar durante todo o ano na península ibérica, e fizesse sol na Islândia, seriam preciso inúmeras gerações, e vários séculos para que os islandeses passassem a ter tradição futebolística, e os portugueses e os espanhóis perdessem a deles. A influência dos factores ambientais é, na melhor das hipóteses, uma influência remota, e só com muita boa vontade é que se consegue aceitar que Diamantino Miranda e outros que, como ele, acreditam em tais disparates, não estejam ainda hospitalizados.

27 comentários:

Batalheiro disse...

Se a doutrina de Diamantino (e seguidores da mesma escola) estivesse correcta, que tipo de jogo deveria praticar a selecção do Japão com os seus tsunamis e tremores de terra e por aí fora? Havia de ser um estilo de jogo bem entretido.

Na verdade as equipas do Japão, em geral, são produto de um molde "brasileiro" de jogar. Durante muito tempo o 4x2x2x2 (que é quase um dogma no Brasil) foi o modelo da selecção nipónica, que sempre privilegiou jogadores tecnicistas, baixinhos, dribladores e atrevidos. O que confere peso à ideia que é possível a um país escolher o estilo de jogo que deseja adoptar.

MM disse...

O futebol Japonês é um bom exemplo, quando há outros: o excelente futebol jogado por senhoras - ver onde se concentram as melhores praticantes / equipas / selecções. Ou notar as diferenças de como se joga em diferentes nações Africanas onde as temperaturas são elevadas para muitas delas: se tivesse de escolher preferiria ver um jogo entre equipas Sauditas ou Nigerianas relativamente a Marroquinas.

Não obstante o clima tem influência, pelo motivo contido na mensagem. Os «povos» constroem-se ao longo de muitos séculos: o clima sujeita «povos» a hábitos e os hábitos sujeitam populações. Dentro do clima um elemento talvez mais importante que o Sol: chuva. Quando o futebol começou a ser jogado nos finais do século XIX imagino que no Sul da Europa ou América do Sul era jogado em maior quantidade de tempo durante muito mais meses ao longo de um ano comparativamente a outros lugares. Por causa da chuva, talvez.

Marco Morais disse...

O clima não tem influência, obviamente. A única coisa que tem influência é o modo como nos adaptamos a ele.

Pode haver 'n' alíneas para explicar e argumentar. Mas o princípio terá que ser este.

B Cool disse...

O clima não tem com toda a certeza influencia na forma como os brasileiros encartam o futebol, aliás, nem se deve falar de futebol brasileiro, pois o futebol carioca e paulistano já é suficientemente diferente para se considerar como tendo as mesmas características, para já não falar das outras regiões - rio grande do sul, minas, bahia, etc.

A forma como as pessoas encaram o futebol e consequentemente como e o que os adeptos exigem aos seus clubes, tem a ver essencialmente com os períodos de sucesso que os clubes/selecções tiveram. No Rio prefere-se a técnica individual acima de tudo, ou não seja o Rio a terra do Garrincha. Já em São Paulo prefere-se um futebol mais físico e mais disciplinado tacticamente, embora muito longe dos modelos europeus.

De tempos a tempos o Santos aparece com umas vedetas e é a excepção, mas Palmeiras, São Paulo, etc. são clubes onde o futebol mais colectivo ganha relevo face aos do Rio (a excepção no Rio actualmente é o Fluminense).

Uma coisa é certa, o clima influencia a forma como as pessoas se comportam, mas a cultura, mais do que a religião (os americanos têm grandes comunidades católicas, os irlandeses são maioritariamente católicos, os russos, etc.), e a história e a comunidade onde o ser humano se insere têm maior influência que o clima.

Quer no Brasil, quer em África, a forma de encarar a vida é muito diferente de Portugal, mas dentro do Brasil, ou em vários países em África e mesmo dentro deles, já não encontramos comportamentos tão iguais como isso.

B Cool disse...

Quanto ao comentário do Diamantino que não ouvi, compreendo que possa invocar que com temperaturas mais elevadas se adapte a forma de jogar para não existir uma intensidade tão grande como quando jogam com temperaturas mais baixas para que o desgaste físico não seja tão pronunciado.

Agora não acredito que o Málaga jogue assim tantas vezes a mais de 30 graus, para que os seus jogadores incorporem essa atitude como a regra e portanto que não pressionem por causa do clima. Isso parece-me apenas idiotice.

Cisto disse...

excelente texto. acrescento uma ideia, que tem crescido em mim quanto mais jogo futebol com ingleses (vivo em UK): um factor que me parece preponderante na cultura futebolistica de países como Portugal e Espanha em comparação com Inglaterra é o recinto onde se aprende a jogar à bola. Em Inglaterra, país que tem muitos espaços verdes e chuva suficiente para os alimentar, inicia-se o futebol pelo futebol de 11 (ou parecido) ao passo que países como Portugal, Espanha, Brasil etc o futebol começa-se a jogar nas ruas, nos pátios, nos ringues de futsal, i.e., em espaços reduzidos, que suscitam mais o passe curto que o kick and rush; a técnica ao invés da força.
Nesta hipótese, o clima exerce uma certa influência (a chuva que rega os relvados), embora mais importante seja a existência dos espaços físicos onde se pratique o futebol de pontapé longo.

Vasco disse...

"Se o clima em Portugal mudasse subitamente, e passássemos a ter um clima nórdico, a geração seguinte seria exactamente igual à geração seguinte que viria.."

Enganas-te.

Daniel MP disse...

"Acreditar que a temperatura (e o sol, em particular) determina o tipo de futebol que se pratica num certo país é não perceber nada de futebol, e é não perceber nada de seres humanos.".

Esta frase demonstra um sólido conhecimento futebolístico e uma solarenga ignorância relativamente à espécie humana (ao negar a importância de uma condicionante fundamental do comportamento desta).
O seu texto ganharia imenso se não procurasse conter a humanidade numa opinião que é, de raiz, futebolística. É que sabe, assim acaba por ficar demasiado parecido com o Diamantino Miranda...

Mozart öZZil disse...

Mas o que é isso,EntreDez a falar de meteorologia??!Puta que p....!
Que viene los Clasicos de SuperCopa del tradicional agosto,carambaa!!
Mou vs Tito,Marcelo vs Cesc,Arbeloa vs Villa,Dani the dog vs CR7,Busquets Vs Lass,Ozil Vs Messi(encontro Entre"10"!!),Pepe Vs o resto do mundo,etc,etc... Isto é que é futebol(ou corrida.. Olééééééé)!!

PS:Ó Nuno,reparaste no André Gomes(Benfica)??Pra mim é totalmente "EntreDez-compatível"!Mesmo muita classe(elegância),o puto... Na sua maneira inteligente de movimentar-se,organizar com simplicidade(un-dois toque)o jogo,aparecer no hora-H na area pra finalizar,etc,etc... Não engana,tem pinta de craque(exijo um "Certeza" para este menino!!)!
Um grande Numero10,mesmo!!

Nuno disse...

Batalheiro diz: "O que confere peso à ideia que é possível a um país escolher o estilo de jogo que deseja adoptar."

Claro. Em muitos países, a tradição tem um peso muito grande, e não se acredita nisto. Mas a verdade é que, com um trabalho de fundo, sustentado, pensado a longo prazo, um país que joga num estilo X pode, ao fim de alguns anos, passar a jogar num estilo Y.

B Cool diz: aliás, nem se deve falar de futebol brasileiro, pois o futebol carioca e paulistano já é suficientemente diferente para se considerar como tendo as mesmas características, para já não falar das outras regiões - rio grande do sul, minas, bahia, etc."

É verdade. Mesmo dentro de "modelos" de futebol há diferenças significativas.

"Quanto ao comentário do Diamantino que não ouvi, compreendo que possa invocar que com temperaturas mais elevadas se adapte a forma de jogar para não existir uma intensidade tão grande como quando jogam com temperaturas mais baixas para que o desgaste físico não seja tão pronunciado."

Não. Aquilo em que o Diamantino acredita é que o Málaga, sejam quais forem os jogadores que compõem o plantel, joga sempre num estilo "brasileiro", muito mais ofensivo do que defensivo, com bons jogadores em termos técnicos, mas "preguiçosos" em termos tácticos. Ele acha que, no Málaga, porque é uma cidade do sul, o futebol obedece a um estilo padronizado estipulado pelo clima da cidade.

Cisto diz: "um factor que me parece preponderante na cultura futebolistica de países como Portugal e Espanha em comparação com Inglaterra é o recinto onde se aprende a jogar à bola. Em Inglaterra, país que tem muitos espaços verdes e chuva suficiente para os alimentar, inicia-se o futebol pelo futebol de 11 (ou parecido) ao passo que países como Portugal, Espanha, Brasil etc o futebol começa-se a jogar nas ruas, nos pátios, nos ringues de futsal, i.e., em espaços reduzidos, que suscitam mais o passe curto que o kick and rush; a técnica ao invés da força."

Concordo, embora ache que a influência do clima é muito menor do que a influência cultural, nesse caso.

Vasco diz: "Se o clima em Portugal mudasse subitamente, e passássemos a ter um clima nórdico, a geração seguinte seria exactamente igual à geração seguinte que viria.."

Enganas-te."

Engano-me porquê? És capaz de o explicar, ou é só um palpite?

Daniel MP diz: "Esta frase demonstra um sólido conhecimento futebolístico e uma solarenga ignorância relativamente à espécie humana (ao negar a importância de uma condicionante fundamental do comportamento desta).
O seu texto ganharia imenso se não procurasse conter a humanidade numa opinião que é, de raiz, futebolística. É que sabe, assim acaba por ficar demasiado parecido com o Diamantino Miranda..."

Daniel, é capaz de fundamentar a sua convicção de que a temperatura é uma condicionante fundamental da espécie humana? Ou é só uma coisa em que acredita? A temperatura condiciona pouquíssimo o comportamento das pessoas, e menos condicionará ainda uma actividade que, muito mais do ser condicionada pelo tipo de comportamento de um povo, é condicionada pela forma como foi evoluindo ao longo do tempo.

Mozart Ozzil, referi-me ao André Gomes aquando do europeu de sub-19. Gosto da forma de pensar dele, e daquilo que tenta fazer. Preciso de vê-lo mais vezes, mas gosto de algumas coisas dele. Ainda assim, tem algumas coisas contra ele, como a altura e a pouca agilidade a ela associada. Não sei o que poderá dar daqui para a frente, embora lhe reconheça algum valor. Não me parece um jogador extraordinário, mas tem alguns atributos interessantes.

Centro de Jogo disse...

Nuno,

Lembro-me perfeitamente desse jogo. Liguei até a um amigo meu para saber se ele tinha ouvido o que dizia Diamantino. Acabamos a rir, claro. Não da pessoa, mas daquilo que dizia.

É por esse motivo que dizem que o Nórdicos são também frios a jogar.

Cisto falou (e bem) no "Kick and Rush". Não discordo do argumento, mas é muito mais que isso. Da mesma forma que se levanta a bola para jogar na frente num "relvado pesado", também se o pode fazer num toque curto. Do mesmo modo que num pátio ou num ringue é também possível colocar a bola na frente em vez de se privilegiar determinadas combinações ou mudanças bruscas de direcção. A questão não é o modo como essas acções aparecem, e sim a forma como o Comportamento Humano (aqui o Nuno disse e com razão, o Homem é um animal de hábitos) é transmitido (dirigido) e absorvido (compreendido) pelas novas gerações. Mas a temperatura nada interfere nisso.

O Prof. Manuel Sérgio tem uma frase muito boa.
"A crença gera biologia". No fundo, é apenas disso que se trata.

Abraço, Jorge D.

Ricardo Faria disse...

Nuno: "como a altura e a pouca agilidade a ela associada [acerca do André Gomes]"

Confesso que fiquei desiludido com esta opinião. De certa forma, estás a cometer os mesmos erros que apontas a pessoas que partem do físico de um jogador para a analisar.
Concordarás comigo - e "atacas" quem pensar o contrário - que jogadores baixos e mais fortes fisicamente valem sobretudo por outros atributos, casos de Xavi, Iniesta, Moutinho, André Martins.

Logo, acho falacioso este teu raciocínio, de a partir de características físicas determinar, de certa forma, a valia de um futebolista.

Mozart öZZil disse...

Como Rui Faria,fico desiludido por esta frase!
Então o Rosado tem 1.85,Pastore 1.87.. E o André Gomes por ter 3 centimetrinhos a mais do que Rosado,só 1 a mais do que Pastore,já é pouco ágil!!
Mas o que é isso??
Ó Nuno volta no bom caminho!Tas enganado(é raro,mas aqui tas..)...
André Gomes é um genio como poucos!Vem no campo,e dá uma autêntica lição de futebol(como um mestre que é),sempre com aquela cara relaxada(como os maiores)do gajo que sobrevoa a disciplina!
É preciso saber admira-lo...
Acho que tens de o ver mais,Nuno!

Mozart öZZil disse...

"Ricardo",perdão^^

Nuno disse...

Jorge, eu não simpatizo muito com o Manuel Sérgio, mas a frase é certeira.

Ricardo e Mozart Ozzil, talvez não me explicado bem. Não estou a dizer que o André Gomes é pouco ágil por ser alto, embora ele provavelmente tenha dificuldades em ser mais ágil por ser tão alto. Agora, há jogadores altos que são bastante ágeis. Entre estas duas características, estou sobretudo interessado na agilidade. Agora, também não acho que essas características sejam importantes, se o jogador souber compensá-las. Isto é, o André Gomes é pouco ágil para o que a sua posição em campo requer. Terá de compensar sempre isso com outras coisas, como a criatividade, e a inteligência. Parece-me que tem um pouco destas, e isso é um bom sinal. Agora, tem limitações para jogar entre linhas óbvias. Nem estou a dizer que é um problema genético. Estou a dizer que, para jogar entre linhas, em espaços curtos, se não se é ágil, tem de se ser mais forte, por exemplo, a proteger a bola, a jogar de primeira, etc. O que estou a dizer é que o André Gomes tem algumas características que o prejudicam, para jogar ali, e que exigem que trabalhe outras coisas. O Diogo Rosado, por exemplo, tem uma relação com a bola muito mais desenvolvida do que o André Gomes. Não é por serem quase da mesma altura que são os dois pouco ágeis. São quase da mesma altura, mas um desenvolveu melhor a agilidade do que o outro. Isto não invalida, ainda assim, que o André Gomes possa trabalhar certas coisas que compensem essa falta de agilidade. Acho que pode.

Falo da técnica e da agilidade porque são características importantíssimas para quem tem de tomar decisões rapidamente, como é o caso de alguém que jogue na posição do André Gomes. O André Gomes parece-me um jogador inteligente. Um jogador inteligente não precisa de ser forte, rápido, ou alto, para ser muito bom. Mas de técnica e de agilidade, sobretudo se é médio-ofensivo, precisa. Principalmente porque a capacidade de um jogador decidir bem não é independente dos seus atributos físicos ou técnicos. Isto não é um ataque aos jogadores altos, nem é, como pode parecer, uma contradição. Aquilo contra o qual me posicionei sempre foi a ideia de que atributos físicos ou técnicos, por si só, são mais-valias. Da mesma maneira que não acho que a velocidade, a técnica, ou o tamanho sejam, por si só, definidoras de um jogador, não acho que a falta delas o seja. Agora, a posse ou a carência destas características têm influência no perfil de decisão do jogador. Normalmente, a rapidez, a força física e a técnica, são formas de escapar à imposição de decidir bem. Mas também podem ser armas para ajudar a decidir melhor, e mais rapidamente. Um jogador que não tenha nenhuma destas características pode, evidentemente, ser muito bom jogador, e decidir muito bem. Mas dificilmente poderá jogar em posições do campo que lhe exijam decisões rápidas.

Resumindo, eu não acho que a altura e a falta de agilidade estejam necessariamente relacionadas, e não acho que condicionem decisivamente um jogador, seja ele qual for. Agora, são imposições ao tipo de jogador que será. Não tendo desenvolvido a agilidade, o André Gomes tem de ter outras características que lhe permitam ter um rendimento eficaz em posições que exigem, como a posição de médio-ofensivo, que decida rápido. Ele tem algumas: a inteligência, sobretudo. Mas, não acreditando que venha a desenvolver a criatividade muito mais do que já a tem desenvolvida, sobretudo porque considero que a agilidade, em futebol, é determinante para o desenvolvimento da criatividade, creio que precisa de desenvolver outras coisas: a capacidade de proteger a bola (para ganhar tempo e espaço para decidir), por exemplo.

Mozart öZZil disse...

"O Diogo Rosado, por exemplo, tem uma relação com a bola muito mais desenvolvida do que o André Gomes"

De acordo com isto!Rosado trata melhor a bola que Gomes.Um pouco melhor...
Mas pra mim o que me interessa num medio-ofensivo(mas num futebolista,em geral)é a fluidez!
Fluidez de movimento(a des marcarse pra receber entre linhas),fluidez no seu jogo com bola(considerando que um jogador não precisa saber bem transportar a bola;basta ser rapido na tomada de decisão e saber bem medir os seus passes,tipo Lucho Gonzalez!.. -o pra fazer no "produto nacional" um jogador como David Simão!
Também posso meter o francês Gourcuff nesse lote!
Estes jogadores não tem uma condução de bola monstruosa(a bola não fica muito bem colada os pés),pero "inventan la jugada"!
Um-Dois Toque(sempre com clarivêndencia)!!
Dão uma fluidez incrivel ao jogo,e é isso o mais importante,em futebol!!
A Fluidez...




Mozart öZZil disse...

André Gomes é fluido!!

Mozart öZZil disse...

Embora acho que o Rosado é ainda mais fluido!
Mas saber quem é o mais forte entre Rosado e Gomes não me interessa muito;na realidade estou contente de ver que o nosso futebol produz de novo esse tipo de futebolistas(que fazem lembrar os Rui Costa,Figo,Pedro Barbosa,etc...)!!
Rosado e Gomes são uns verdadeiros herdeiros desta geração!!
Sabem introduzir a pausa no jogo,são inteligentes(com grande sentido coletivo)!!Pra resumir,com "classe"....
Todo o contrario do que se viu na Ucrania-Polonia em junho(a par de Moutinho;e Veloso talvez..)
E acho que com estes dois Mestres a Seleccão pode de novo sonhar em ter un jogo digno desse nome!

Mozart öZZil disse...

Já agora Nuno,o que pensas de Rosado no Blackburn?Perder-se ali(2a liga inglesa)é triste não?
Pensas que ele pode afimarse nesse campeonato fisico?

Daniel MP disse...

Caro Nuno,

Sou capaz de lhe fundamentar a minha, não convicção mas opinião, de que a temperatura (enquanto elemento de um todo maior denominado clima) é uma condicionante fundamental da espécie humana. Se é só uma coisa em que acredito muito estranho que esteja acompanhado de estudos geográficos e antropológicos. A temperatura - mais uma vez enquanto característica climatérica e não como episódio de um dia - condiciona efectivamente o comportamento das pessoas,enquanto indivíduos e enquanto comunidade -pense-se na produção agrícola à cabeça. Menos condicionará uma actividade como o futebol, de tão recente que é. Não lhe contrariei tal conclusão seja como for.
Por estes dias - graças a si - tenho pensado que a tradição futebolística do norte da Europa, por exemplo, nada deve dever, afinal, à circunstância de o terreno de jogo se encontrar sujeito a nevões e chuvas persistentes. Longe disso. Afinal foram tão só atrasados mentais que podendo optar entre um futebol de toque e decisão optaram antes, os tontos, por um futebol de confronto e pelo chuta adiante. O próprio calendário competitivo dessas latitudes existe apenas e só para irritar o colégio de altos estudos futebolísticos universais,pois trata-se de um mero capricho, não é?

Que raio. Toda a gente percebeu a tonteria futebolística (e não só, pois o Málaga, que se saiba, não é gerido, treinado ou composto por 23 jogadores Malagueños de gema, nem tão pouco é reconhecido por manter um estilo especialmente característico de jogo como uns Catalães que tanto apreciamos.) das afirmações de Diamantino M., não precisa você de enveredar por uma igualmente ridícula doutrina negacionista dos efeitos do clima sobre nós - humanos - para no fim vir a ter futebolística razão. Tenho dito.

Nuno disse...

Mozart Ozzil, duvido que ele se imponha. No futebol inglês não há praticamente jogadores do estilo dele, e os seus melhores atributos não são minimamente valorizados em Inglaterra. Como também não me parece que ele tenha vontade de abdicar de quem é só para se adaptar a um futebol mais pobre, não acho que venha a ser aproveitado. É pena. Mas é pena também que o Sporting não tenha feito nada dele. Depois queixam-se.

Daniel MP diz: "Se é só uma coisa em que acredito muito estranho que esteja acompanhado de estudos geográficos e antropológicos"

Caro Daniel, devo dizer que gosto muito de pessoas que sustentam as suas opiniões com a existência de alegados estudos que a comprovam. Parece-me gente sensata, essa que faz dos estudos científicos a Bíblia pessoal e a Verdade incontestável.

"A temperatura - mais uma vez enquanto característica climatérica e não como episódio de um dia - condiciona efectivamente o comportamento das pessoas,enquanto indivíduos e enquanto comunidade -pense-se na produção agrícola à cabeça."

Hein? Produção agrícola? Será que um país em que se produzem muitos alperces é um país em que as pessoas se comportam com alguma condescendência? Ou serão mais irritadiços? Juro que não entendi. Isto é, entendi a relação da temperatura com o tipo de produção agrícola. O que não entendi é o que é que a temperatura ou a produção agrícola têm a ver com o comportamento das pessoas. A menos que defenda que trabalhar no campo faz bem ao carácter...

"Por estes dias - graças a si - tenho pensado que a tradição futebolística do norte da Europa, por exemplo, nada deve dever, afinal, à circunstância de o terreno de jogo se encontrar sujeito a nevões e chuvas persistentes. Longe disso. Afinal foram tão só atrasados mentais que podendo optar entre um futebol de toque e decisão optaram antes, os tontos, por um futebol de confronto e pelo chuta adiante."

Nem a tradição futebolística, nem qualquer outra tradição deve o que quer que seja a circunstâncias ambientais. A tradição deve-se precisamente a isso, a ser uma tradição, e a nada mais. Será que o clima em Itália é tão diferente do clima no sul da Europa para que, a partir dos anos 80, sobretudo, o futebol italiano tenha passado a cultivar um estilo defensivo que não foi cultivado em mais lado nenhum? E por que razão se lembraram os holandeses, na década de 70, de começar a cultivar um estilo ofensivo? Será que os belgas, seus vizinhos e parceiros de clima, não podiam seguir-lhes as pisadas?

Mas olhe, ainda estou à espera de uma boa fundamentação da sua opinião. Para já, consistiu em falar em produção agrícola, e em afirmar que os países nórdicos nunca poderiam jogar um futebol apoiado porque faz frio no Inverno. Parece-me pouco, não acha?

Joao Varela disse...

Nuno,

É a primeira vez que comento neste blog pois infelizmente descobri-o há muito pouco tempo. É bom saber que há pessoas como tu que consegue ver e analisar o futebol de forma bem diferente e bem mais avançada do que os demais. Adoro ler as tuas análises, e confesso que muito aprendo com elas.

Sou um incondicional adepto do Barcelona desde muito novo, e também já reparei que gostas muito deste clube, ou pelo menos desde o início da era Guardiola. Por isso mesmo gostaria de saber quais achas que são as diferenças que que existem ou poderão existir entre o Barça de Pep e o de Tito, quais seriam quanto a ti as contratações a fazer para esta época e se achas que Neymar seria uma boa opção para esta equipa?

Obrigado e continuação do bom trabalho até agora desenvolvido.

Cumprimentos.

Nuno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno disse...

João, obrigado pelas palavras. A minha simpatia pelo Barcelona, realmente, data do início da era Guardiola. Não que não gostasse do que os catalães fazem já há muitos anos, mas foi com Guardiola que começaram a fazer coisas que nunca ninguém tinha feito, e que se começaram a distinguir radicalmente de todos os modelos futebolísticos que até então existiam.

Sobre o Tito Vilanova, não o conheço e não sei que ideias particulares terá. Para já, parece-me pouco virado para continuar a apostar no 343, mesmo como modelo variante a utilizar em certas partidas. Isso, parece-me, é contraprodutivo. Mas, tirando isso, parece-me inclinado a seguir muitas das ideias de Guardiola. Não creio que vá mudar muita coisa. Quanto a contratações, acho que falei um pouco disso há uns tempos. Um lateral esquerdo (Bale ou Alba), um central (Thiago Silva ou Verthongen) e um avançado (Van Persie, Falcao, ou Llorente, por exemplo). Equacionava ainda os regressos de Bojan e de Oriol, sobretudo se saíssem jogadores como Tello, Afellay, e Keita. A questão do lateral está resolvida, e Tito parece inclinado a utilizar Mascherano como central, o que faz com que não seja preciso ir buscar ninguém. Também me parece que a aposta em Bartra conhecerá este ano uma evolução, e talvez não faça sentido ir contratar um central quando se tem um jovem tão promissor em quem apostar. Quanto à questão do médio, a saída de Keita deverá ser colmatada, e Song é um excelente jogador, até porque também pode actuar como central. Sempre é menos uma vaga para o Mascherano. Se a aposta for no Song, parece-me acertadíssima. De resto, no ataque, acho que existe um excesso de opções para as linhas (Pedro, Alexis, Afellay, Cuenca, Tello, Villa) e poucas soluções para o meio. É verdade que Messi é intocável, e ir contratar um avançado que jogue apenas no meio, como seja Llorente ou Falcao, acaba por não fazer muito sentido. Mas não há uma verdadeira alternativa ao argentino, sobretudo em jogos em que se quiser soltá-lo. Villa e Alexis podem jogar no meio, assim como Fabregas, no 343, mas nenhum deles tem características ideais para jogar enfiado na defesa adversária. A minha aposta seria no Llorente (já que o Van Persie já não é opção), mas sabendo que a utilização dele seria muitíssimo condicionada. Quanto ao Neymar, muito sinceramente, acho que está verde para jogar na Europa. E no Barcelona, neste momento, não teria lugar. Seria uma estupidez ir contratá-lo, ainda por cima quando há tantos jogadores para a sua posição. Eu, por exemplo, ficava apenas com o Villa, o Alexis, o Pedro e o Cuenca. Vendia o Tello e o Afellay, e utilizava o Delofeu de vez em quando.

Cumprimentos

Daniel MP disse...

Caro Nuno

Uma vez que aparenta abominar estudos, misturando esquemas de acumulação de conhecimento (e erros) com Bíblias e Verdades incontestáveis, além de ponderar oferecer-lhe pelo Natal um lança chamas epistemológico com duas botijas carregadinhas de nihilismo, vou optar também por desafiá-lo a vir praticar um skizinho ao fim do dia, coisa bastante normal e usual entre nós aqui plantados no Litoral. Concerteza que está muito familiarizado com este desporto pois é dos mais praticados pelas agremiações da nossa comunidade.

Ah, e não se preocupe com a merenda que eu levo alperces, pois parece que o Nuno faz deles a base da sua alimentação, não é?
Quanto à sua irritabilidade ou condescendência confesso que não arrisco um prognóstico, pois essas serão características tão pessoais que com certeza se manterão inalteráveis após 3 semanas de chuva consecutivas ou 3 semanas de sol. (e que raio, confesso-lhe que quando me referi a comportamento humano estava longe de me referir a características tão pessoais, mas enfim).

Mas enquanto esperamos que role neve pelo Pq. Eduardo VII, desde já lhe digo que percebo perfeitamente que as condições climatéricas não são um factor determinante e inelutável quanto ao FUTEBOL praticado, dependendo este hoje muito mais de opções conscientes: sejam elas tácticas ou do somatório de características dos executantes com os quais se decidiu constituir um plantel.
E, a propósito, e o Nuno pelos vistos é muito pouco sensível a esta perspectiva, eu não lhe tenho que explicar porquê que o futebol nórdico não pode ser apoiado - perspectiva futura - você é que me terá que explicar porque razão não nasceu ele assim e não se desenvolveu ele a esse ponto por forma a ser essa - ora aí está - a sua tradição. - perspectiva passada.

Como lhe havia dito, se me afirmar que hoje o futebol (profissional) não tem razão nenhuma para ser determinado pelo clima da geografia em que é praticado, bato-lhe palmas. Se me afirmar - como afirmou - que o clima não influencia o comportamento humano e que a tradição caiu-nos do céu - para mais atribuindo-me a mim o ónus de provar o contrário - só posso mesmo desejar que não apresente a sua tese fora de ágoras tecnocráticos ou puramente desportivos.

Vou refrescar-me, está calor.

Nuno disse...

Daniel MP diz: "Como lhe havia dito, se me afirmar que hoje o futebol (profissional) não tem razão nenhuma para ser determinado pelo clima da geografia em que é praticado, bato-lhe palmas. Se me afirmar - como afirmou - que o clima não influencia o comportamento humano e que a tradição caiu-nos do céu - para mais atribuindo-me a mim o ónus de provar o contrário - só posso mesmo desejar que não apresente a sua tese fora de ágoras tecnocráticos ou puramente desportivos."

Daniel, como disse no meu texto, houve factores que condicionaram o comportamento humano no passado e que determinaram os primórdios das tradições. Dentro desses factores, inclui-se o clima. Mas o clima não tem, dentro desses factores, a importância que têm, por exemplo, a cultura, a religião, a moral, etc. O clima possibilitou ou impossibilitou certas práticas: não lhes influenciou os passos. É natural que um país em que não há neve nunca tenha tido tradição nos desportos de Inverno. Mas garanto-lhe que a única influência que o haver ou não haver frio produz é a possibilidade de um povo se dedicar ou não a determinada prática. Como deve calcular, diz pouquíssimo do tipo de esqui de fundo que é praticado em diferentes países o facto de haver clima que propicie que tal desporto seja praticado. O mesmo em relação a qualquer outro desporto. Que relação é que o clima norte-americano tem com a produção de tantos basquetebolistas negros de qualidade? Não acha que o factor decisivo, para tal, é socio-cultural? Não acha que é porque é cultural, em qualquer bairro americano, haver uma tabela e um cesto, que nos EUA o basquetebol tem tanta expressão? E não acha que é precisamente por ser um desporto de bairro, de rua, que é praticado na rua maioritariamente por jovens de famílias pobres, que os melhores sejam tendencialmente pertencentes a uma minoria étnica específica? Acha mesmo que é o calor que se faz sentir que leva o miúdo brasileiro a jogar na rua? Ou é exactamente a mesma razão socio-cultural que leva o miúdo negro a praticar basquetebol no campo de basquete da sua rua?

Como disse, o clima nem sequer é um factor de segundo grau no que toca a explicar as características de determinada prática. Factores sociais, culturais, religiosos, etc., explicam-no muito melhor. E mesmo esses são factores de segunda ordem. Os mais importantes são a tradição da própria prática. O clima não explica nada. Possibilita ou impossibilita que se pratique um determinado desporto, mas não explica uma única característica desse desporto. Se não o percebe, paciência. Ficou a tentativa...

Felipe Roldan disse...

O futebol brasileiro é movido a mero individualismo.

O porque de isto acontecer é que o futebol é visto como meio de ascensão social, muitos favelados buscam no futebol a maneira de vencer na vida.

Natural que desde novos só queiram aparecer a despeito do coletivo, todo jovem jogador do Brasil pensa em ser uma estrela.
Este fenômeno do calor é notável e fato, como o país é muito grande no extremo sul onde a população tem origem européia e é frio se joga um futebol parecido com o alemão enquanto do Rio de Janeiro e para cima no mapa é mais voltado pro instinto e drible.

Não são ensinados valores humanos nem tática, o jogador enfrenta obstáculos e uma seleção natural até chegar aos profissionais.

Como o Brasil forma uma seleção forte as vezes então ? Simples, os jogadores tem habilidade sim, mas ao serem comprados por times europeus aprendem um pouco a jogar de forma coletiva.

Isto acontecia quando a busca por talentos brasileiros era maior, os jogadores principais dos times de ponta eram brasileiros. Hoje vemos que são os espanhóis os mais valorizados e o times europeus tem investido mais em jogadores da europa mesmo, e menos nos brasileiros que passam a ser coadjuvantes em times secundários.

O Exemplo é Neymar, a farsa da vez, porém tem 1m74 e pesa exatos 60 quilos. Não consegue aguentar a marcação em jogos sérios, só tem sucesso quando é muito protegido pelos juízes no brasileirão.

É também um jogador desleal(sem valores) que usa muito os cotovelos e quando se joga simulando falta chuta o marcador (os juízes ainda não perceberam essa malandragem) Isto não funcionaria na europa, então ele prefere continuar no Brasil enganando. É o perfeito exemplo de jogador do clima quente.

Isso se reflete na fraca seleção do Brasil, que possivelmente fará um fiasco em 2014. Será importante para reavaliar conceitos.