sábado, 7 de novembro de 2009

Napoleão joga em Alvalade?

Há fármacos - disseram-me há tempos - que atenuam certas doenças mentais. Dedicar-se, por isso, à droga, era capaz de ser uma boa ideia para muito bom jornalista. É o caso de Nuno Madureira, autor deste brilhante artigo de opinião, no MaisFutebol. O jornal já nos habituou à demência dos seus opinadores, mas nunca é demais referir certos casos. Este vale francamente a pena, até porque assenta numa opinião amplamente difundida por mais de metade dos malucos que têm opiniões sobre futebol.

O que Nuno Madureira tenta fazer é explicar de forma simples o problema que se abateu sobre o Sporting. Acontece que só procura explicar coisas complexas de forma simples quem não tem muito juízo. Assim, a manifestação das perturbações mentais de Nuno Madureira começa logo com a sua primeira frase:

"Há muitas maneiras de enumerar os problemas do Sporting. Uma das mais básicas e directas resume-se a uma frase: afinal, Liedson é humano."

A falta de siso começa logo com um problema no discurso. Nuno Madureira diz que há várias formas de enumerar problemas e propõe-se a enumerá-los numa frase, mas depois não enumera nada e resume uma enumeração de várias coisas a apenas uma coisa. O resto deve ter-se, certamente, perdido pelo caminho. Mas antes de ler o resto do artigo, adivinhamos logo que o problema mental do senhor tem por origem uma desilusão relacionada com a natureza de Liedson. Ao que parece, a precipitação do estado de demência ter-se-á ficado a dever à descoberta de que o enormíssimo jogador brasileiro era, afinal, apenas um humano. Convém dizer que nem toda a gente está mentalmente preparada para descobertas deste tipo. Mas eis que prossegue a demonstração de loucura:

"Quantas vezes, nas últimas épocas, a uma exibição mediana - ou medíocre, ou mesmo má - do Sporting, se seguiu a entrada em cena do 31, aparecendo do nada, para resolver o jogo e atenuar as diferenças para a concorrência?"

Posso estar enganado, mas não me lembro de uma única ocasião em que Liedson tenha aparecido "do nada", a fintar os onze adversários e a fazer golos. Mas como não tinha por hábito assistir aos treinos dos leões, posso estar a fazer juízos precipitados. Continuemos:

"De tanto habituar os seus adeptos - e os dos adversários - a um rendimento superlativo, semana após semana, o «levezinho» construiu nos últimos anos, por mérito próprio, uma imagem de super-herói."

Superlativa é a pancada deste senhor; super-heróis foram os pais dele, que tiveram que lhe aturar a estupidez. Adiante:

"Agora, que a sua inacreditável regularidade conhece uma quebra consistente e prolongada - dois golos em nove jornadas, o último há mais de mês e meio - tudo o que andava disfarçado, ou atenuado, parece mais evidente."

Agora?? Mas é a primeira vez que o rapaz fica muito tempo sem marcar?? E quantos jogos resolveu o Sporting nesse mês e meio, sem Liedson? Comecemos pelo fim: foi Saleiro quem marcou frente ao Venstpils, dando o empate; foi Matías Fernandez quem marcou frente ao Guimarães e frente ao Marítimo, o que valeu, das duas vezes, um empate; foram João Moutinho e Miguel Veloso quem marcaram na vitória ante o Ventspils; foram João Moutinho, Daniel Carriço e Vukcevic quem marcaram na vitória frente ao Olhanense; foi Adrien Silva quem marcou na vitória ante o Hertha de Berlim. O problema é mental, mas também é de memória. E de matemática, já agora. O que "andava disfarçado, ou atenuado" e que agora é evidente é que doentes mentais não têm competência para serem jornalistas. Continua Nuno Madureira, dizendo:

"A equipa tem poucas soluções tácticas alternativas? Sim, como sempre teve."

O senhor Nuno Madureira tem poucas ideias que não sejam idiotas? Sim, como sempre teve.

"Falta qualidade individual em quase todos os sectores? Sim, de há muito tempo para cá."

Falta qualidade individual a cada uma das sinapses deste senhor? Sim, é provável que falte.

"Paulo Bento repete receitas e discursos, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez também nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas."

Nuno Madureira repete sentenças populares e discursos de massas idiotas, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas e conseguiu completar um curso superior. Mas eis o que diz no último parágrafo:

"A maior diferença - não a única, claro - é que noutras épocas o Sporting tinha um fenómeno a ponta-de-lança."

Um fenómeno? Mas um fenómeno natural? Era o El Niño? Ia jurar que esse jogava no Liverpool. E será permitido por lei fazer alinhar, no onze inicial, furacões, anti-ciclones, tsunamis e fenómenos dessa natureza?

"Nesta altura, tem apenas um excelente avançado, a lutar para recuperar os superpoderes."

Agora sim, percebo o que o senhor quer dizer. Na cabeça de Nuno Madureira, Liedson é o Super-Homem e o problema do Sporting é que ninguém consegue descobrir onde é que o Lex Luthor pôs a Kriptonyte. Será isso? E Nuno Madureira conclui a sua análise ao problema do Sporting do seguinte modo:

"Afinal, Liedson é humano. E o Sporting não estava preparado para lidar com isso."

Como se depreende, para Nuno Madureira, a humanidade de Liedson estragou os planos ao Sporting. A equipa estava preparada para jogar com dez seres humanos e uma entidade divina, mas a partir de agora vai ter de passar a jogar só com onze seres humanos. E isso, de facto, é um problema, visto que mais nenhuma equipa no campeonato português joga só com onze seres humanos. Aliás, vai ser muito difícil ao Sporting continuar a ser competitivo num desporto como o futebol, em que poucas são as equipas que não têm três ou quatro alienígenas, dois ou três veículos de guerra e um alguidar.

Resumindo, todo o maluco que se preze pensa que é Napoleão. Nuno Madureira é um maluco mais sofisticado. Está convencido de que Liedson é Napoleão. Isto se não estiver convencido de que é Napoleão quem é Liedson. Repito as primeiras palavras do texto: "há fármacos que atenuam certas doenças mentais." É capaz de ser altura, até porque vem aí o Natal, de oferecer ao senhor Nuno Madureira um colete de forças e umas férias pagas no Miguel Bombarda. Ou isso ou autógrafo de Deus... perdão, de Liedson.

P.S. Um bom fármaco contra este tipo de maluquice em particular e que ajuda a compreender os verdadeiros problemas do Sporting é o texto que escrevi a 31 de Julho de 2009 e que pode ser encontrado aqui. Aconselha-se a sua ingestão, duas vezes ao dia, durante três meses e vinte e sete dias...

20 comentários:

Pedro disse...

Estava a ver o derby minhoto e dei por mim a pensar numa questão para te colocar:

Achas q um meio campo composto por Custódio, Nuno Assis, Viana e Aimar era exequível?

E com Nuno Gomes e Postiga como dupla atacante?

Sobre o post pouco há a dizer. Novamente Liedson... Tu és masoquista!!!
:)

Nuno disse...

Pedro, achas que esse meio-campo seria muito diferente de um meio-campo com Custódio, Carlos Martins, Viana e Pedro Barbosa, meio-campo que certamente José Peseiro apresentou variadas vezes quando treinador do Sporting? Claro que era exequível.

Nuno Gomes e Postiga são dois bons avançados. Não são os melhores da nossa liga, pois há Saviola, Cardozo e Falcao, sobretudo, mas são bons. Numa equipa que se preocupasse em trocar a bola, seriam utilíssimos.

Raul Cisto disse...

tropecei nesse miserável (mais um) texto do maisfutebol, também.

sugiro que se relembrem deste outro:

http://monosdabola.blogspot.com/2009/09/luis-sobral.html

Pedro disse...

"...o segundo avançado do sporting deve ser aquele q permite ao Liedson jogar melhor..."

Diz-me q ouviste esta do comentador do Rio Ave-Sporting?
:):)

Luís disse...

Mais um grande jogo do melhor central a actuar em Portugal para o Nuno, o Daniel Carriço.

Nuno disse...

Então porquê, Luisinho? Por ter sido expulso por causa de uma entrada banal? Ou por ter algumas responsabilidades no primeiro golo? E já agora era importante saber quem é, para vossa excelência, melhor que ele. É que dá jeito, para comparar...

Nuno disse...

Pedro, não ouvi, mas não me espanta. Ouvem-se coisas dessas quase todos os jogos. O que não se ouve é, como hoje a dada altura, o Tadeia a dizer que o Liedson tomara uma má decisão, como se isso fosse uma coisa extraordinária.

Joel disse...

Voltaste a falar do sporting do peseiro...aquele que era o mais parecido com o benfica de Jesus...que tambem dava goleadas..o mais interessante é as pessoas pensarem que o futebol esta a perder emoçao quando na verdade, quando jogamos futebol com 11 (pelo menos) jogadores que pensam em vez de correr (e fazem aquilo que distingue HUmanos de animais) ele fica mais espetacular e com mais golos...nao percebo porque...o futebol nao é um desporto duro onde temos que ter grandes caracteristicas fisicas?

Frederico disse...

O Sporting de Peseiro, era uma equipa que jogava muito futebol, o Peseiro é concerteza um treinador com grande conhecimento táctico, mas não achas que lhe falta alguma coisa? Como explicas, os consecutivos insucessos que ele vai somando?
Em relação a esses pseudo-comentadores que andam por aí, subscrevo a tua opinião completamente. A qualidade de 90% dos comentadores de futebol, que por aí andam, é quase nula, só falam banalidades, quando tentam passar da banalidade, caem na asneira. Anda por aí um bando de loucos a comentar, e 95% das pessoas que os ouve, come tudo o que estes pseudo-entendidos da bola dizem, simplesmente porque se estão a comentar é porque devem saber. Então na Sport TV, a qualidade dos comentadores é vergonhosa. Agora parece que até o Chainho também comenta...Ridículo. Em relação as esses senhores do Mais Futebol, são péssimos. O Mais Futebol, devia-se dedicar somente ao que é bom, que é na rapidez / qualidade de informação pura e dura. Esses "sobes e desces", deviam ser eliminados, porque não há gente com competência para isso, somente uma cambada de mentecaptos como esse Madureira e o Luís Sobral,etc,etc.
Quanto ao problema do Sporting penso, que é de facto complexo, não se resume à falta do Super-Herói, ou seja por o Porto ter o Hulk não quer dizer que o Sporting tenha de ter o Spiderman. O Sporting não tem dinheiro para essas loucuras, tem de remediar com o Batman.
Não agora falando a sério, julgo que o problema é de facto extenso, e abrange várias variáveis. A análise que fazes em Julho, é correcta, mas aborda apenas a componente técnico-táctica do Sporting, que é um dos problemas. Contudo penso que o problema do Sporting abrange também o capítulo da psicologia, da política para o futebol,por aí fora. É preciso analisar porque é que se prefere o Caicedo ou o Angulo ao Hugo Viana.

Luís disse...

Nuno, ainda o artigo do David Luiz.
Ainda pensas o mesmo desde que o escreveste?

Eu tenho visto o Carriço muito trapalhão, pouco concentrado, com muitos erros e fraco no jogo aéreo.

Até o Luisão o tem batido aos pontos.

Nuno disse...

Luis, evidentemente que penso o mesmo. E também percebo que vejas trapalhada, pouca concentração e muitos erros. Os óculos encarnados têm esses efeitos secundários. O David Luiz continua precipitado e tirando os golos de Braga e o golo frente ao AEK, todos os outros golos sofridos pelo Benfica esta época tiveram responsabilidade directa dele. Comparar estes números com os do Carriço é brincar à matemática. Aliás, se há alguém que não tem estado trapalhão no Sporting esta época é o Carriço. Tem sido, invariavelmente, o pronto-socorro daquilo. Não sei que jogos tens visto. Quanto à capacidade aérea, para o seu 1,82m ganha mais bolas do que seria previsível. Em relação ao golo de ontem, é essencialmente descuidado ao estar 2 metros atrás da linha defensiva e colocar o extremo do Rio Ave em jogo. No entanto, o principal responsável do lance é o Pedro Silva, que fica parado a ver os adversários a jogar. O Carriço não dá para tudo e ontem não deu. E não te esqueças que, numa equipa que esteja bem, será sempre mais produtivo.

Frederico disse...

E em relação ao Peseiro?

Nuno disse...

Desculpa, Frederico. Não sei se foram consecutivos insucessos e não sei até que ponto continua a acreditar nas mesmas coisas. O futebol do Sporting era bom e a equipa não ganhou nada por manifesto azar. Talvez houvesse, em termos tácticos, algumas deficiências a nível da transição defensiva, mas o caudal ofensivo da equipa era de tal modo grande que chegava perfeitamente para ter ganho coisas não fosse a displicência individual de jogadores como Polga, Beto, Hugo e Ricardo, principalmente, e o azar em determinadas partidas.

Ora, depois desse ano, não sei se Peseiro voltou a acreditar nas mesmas coisas. No segundo ano, modificou completamente a forma de jogar da equipa e os primeiros jogos foram um fracasso absoluto. Tal como Paulo Bento, penso que foi infectado por uma vontade de objectividade (talvez por necessidade de resultados) que lhe foi prejudicial. A partir do momento em que abdicou da posse e circulação de bola acima de tudo, o seu Sporting deixou de ter a força que tinha e tornou-se numa equipa banal. Foi o mesmo que aconteceu a Paulo Bento. As restantes experiências de Peseiro talvez tenham dado continuidade a esta tendência iniciada no segundo ano de Sporting. Não sei ao certo. Nem sequer sei se o Peseiro, naquele ano, acreditava mesmo naquelas coisas ou se viu constrangido a jogar assim por causa dos jogadores que tinha. Li há tempos que ele procurara jogar daquela forma porque a equipa era lenta atrás e era a melhor forma de poupar esse sector da velocidade dos adversários. Se foi só por isto que optou por colocar o Sporting a jogar como jogou, as suas competências não são tão extraordinárias como parecem. Mas não sei.

Luís disse...

Nuno, e os lances que o David já salvou? Não merecem a tua análise?

Luís disse...

Oh Nuno, viste o David Luiz hoje?

Frederico disse...

Exacto. Concordo com o que foi dito de José Peseiro. A equipa jogava bastante bem, teve muito azar, contudo em transição defensiva era fraco de facto, não é por acaso que nos 6 ou 7 anos a equipa de José Peseiro, foi a equipa do Sporting, que mais golos sofreu em média por jogo (superior a 1, 36 golos em 34 jogos). E nesse aspecto com Paulo Bento melhorou substancialmente, apesar de ofensivamente a equipa ter perdido bastante. Parece-me que Peseiro é um treinador do "quase", chega sempre muito perto dos objectivos propostos (Panathinaikos, Arábia Saudita, Sporting), mas depois sucumbe sempre no momento essencial, e será aí que lhe faltará algo, talvez não relacionado com aspectos tácticos, mas mais provavelmente com aspectos de ordem psicológica, motivacional, de liderança.
Nuno, queria propor-te uma coisa. Agora que se fala, em vários nomes para o banco do Sporting, alguns que nem vou referir, por manifesta falta de lógica (Manuel José, Jorge Costa...), outros por não terem para mim o mínimo de qualidade (Manuel Fernandes,...), gostava que de uma lista que eu vou colocar de nomes de treinadores portugueses, como é certo que será o próximo do SCP, e que não se tenham já auto-excluído (como Cajuda), que me respondesses a três perguntas:

1. Qual destes treinadores para ti seria mais adequado para o Sporting e/ou aprecias mais as suas competências?

2. Tens alguma percepção de qual virá a ser o escolhido?

3. Se achas que nenhum destes seria o mais adequado, qual seria então a escolha certa (aqui podes incluir estrangeiros se assim achares)?

Lista:

Carlos Carvalhal
André Villas-Boas
Manuel Machado
José Peseiro

(Espero não me ter esquecido de ninguém viável neste momento)

Gonçalo disse...

Frederico posso responder, ou é so para o Nuno?

Frederico disse...

Óbvio, lol. Mas como o Nuno é normalmente o mais interventivo, dirigi-me a ele. Mas força. Gostava de saber a vossa opinião acerca deste assunto.

Gonçalo disse...

Bem , de todos, a minha escolha recairia sobre o Vilas Boas(inclusive, ainda hoje devo explicar porquê, isto num texto que vou colocar). O Peseiro deu indicações demasiado más na segunda época, e deu-me a ideia que tb se deixou tentar pela "objectividade", desprezando uma das suas maiores virtudes na epoca transacta: a posse e circulação de bola.
Qt ao Carvalhal, não digo que não pudesse fazer um trabalho interessante(seria até, de certa forma, o derradeiro teste na carreira dele). O problema é que as equipas dele nem sempre me convenceram, independentemente dos resultados que obteve com as mesmas. A qualidade de jogo é que me preocupa. E nalguns casos, principalmente no Setubal, ele nem sempre conseguiu apresentar uma qualidade de jogo apreciável. Abdicava da bola durante largos periodos privilegiando, sobretudo, as transições. Resultou é verdade, mas será que essa filosofia é assim tão diferente da do Bento?
Quanto à hipótese Manuel Machado, tu és benfiquista, não és? A sério, acho-o mau demais. Pior do que o Manuel Fernandes, por exemplo.

Cumprimentos.

Frederico disse...

Gonçalo, eu também me agradaria essa escolha. Não o conheço ainda bem, vi um ou dois jogos da Académica, mas tenho quase a certeza que vai vingar no futebol. Contudo e apesar de isso por si só não ser argumento, não achas que um treinador com 32 anos, não será cedo de mais para assumir o comando de um grande? É que uma coisa é o Paulo Bento aos 36 ou o José Mourinho com 38 ou por aí, agora 32? E com experiência nula a nível de comandar uma equipa, como técnico principal. É que uma coisa é ser Adjunto, outra é ser principal. Não seria bom para ele, eu já nem digo muitos anos, mas treinar um clube da dimensão da Académica, onde há pouca pressão de resultados, e pode testar as suas ideias com o máximo de tranquilidade, aí uns dois anitos, e depois sim estaria preparado? Esta é a minha única reserva em relação ao André, porque de resto gostava de o ver no SCP.
Em relação ao Carvalhal, confesso-te que sempre fui admirador do seu trabalho, e tenho óptima ideia dele. É um estudioso do futebol. Fez város excelentes trabalhos, contudo tarda em confirmar o seu valor, pois quando passa para clubes com mais algumas ambições do que os que está habituado, o Carvalhal a acaba sempre por sair pela porta pequena, pelo que me começa a suscitar alguma desconfiança. Em relação à forma de jogar do Setúbal da altura, faço-te uma pergunta: Teria o Setúbal na altura, jogadores que permitissem jogar um futebol que previligiasse a posse de bola? Eu não me parece sinceramente, e o que foi feito em Setúbal por Carvalhal, foi extraodinário. Desde que ele saiu, tem-se visto o rumo do Setúbal, e o seu nível exibicional e o desnorte total a nível de política de contratações, escolha do treinador, etc. Quanto ao Manuel Machado, nem sou admirador dele, não gosto da forma com que ele aborda certos jogos, nem do estilo de jogo, que ele imprime às suas equipas. Agora, que ele já fez obra no futebol português, isso fez. Penso, que com excepção do Braga, tem efectuado excelentes trabalhos, pelas equipas por onde tem passado, cumprindo sempre os objectivos propostos no início da época. Acho que não se deve comparar ao Manuel Fernandes, é muito mais polido, e parece-me ter outro nível intelectual. Sabes...O Manuel Fernandes faz parte de uma geração de treinadores, que estava no auge nos anos 90, que é uma geração, que eu não tenho qualquer tipo de admiração. É essa "geração do Fato-Treino", que está quase extinta, e que dominou o Futebol Português, representada por meia dúzia de treinadores rudimentares e saloios, que julgavam mandar em todo o futebol português e que felizmente e para bem do futebol, foram passando para clubes cada vez piores, e hoje praticamente desapareçeram do futebol profissional. O tempo e a sua falta de adaptação áquilo, que foi a evolução do futebol, em termos de Metodologias de Treino, Psicologia, Gestão Desportiva, etc etc..encarregaram-se de os pôr fora. Provavelmente dessa geração o Manuel Fernandes até será dos melhores, contudo causa-me sempre desconfiança. E sou sportinguista por acaso lol

P.S.: Sem revelar fontes digo-te uma coisa, que conclui agora mesmo, através de alguma reflexão conjugada com informações de um familiar desse treinador, que me chegaram agora mesmo. E garanto-te a 90%, não a 100%. O Villas-Boas vai ser o próximo treinador do Sporting.