quinta-feira, 3 de maio de 2007

Outro "Mito"...

Falo do mito que se criou em redor do trinco, médio defensivo, número seis, etc...
Deve ser um jogador em que destacam as seguintes características: garra, pulmão, agressividade, e disponibilidade para correr quilómetros. Petit, por exemplo, será o paradigma desta definição. Concordo, que numa equipa pequena, quer a nível social, como ideológico, realmente este tipo de definição seja correcto. Numa equipa de dimensão ofensiva esta definição torna-se falaciosa.

Pirlo, Redondo, Sousa, Guardiola... Nos últimos anos, alguém me consegue apresentar um médio defensivo com mais qualidade que eles? Algum melhor? Albertini, também era bom. Mas não tinha o nível destes. Mas nenhum deles se destacavam nos aspectos acima referidos. Qualidade de passe, visão de jogo, inteligência... Mas não eram, nem de perto, nem de longe, "raçudos", tão pouco se destacavam ( e destacam) pelas maratonas realizadas dentro de campo. E pego nestes jogadores porque se enquadram, totalmente, no que pretendo de um médio defensivo. No futebol que preconizo, o médio defensivo, por paradoxal que pareça, é, acima de tudo, a âncora do futebol atacante da sua equipa. A partir da sua localização, devemos partir para as transições ofensivas, de uma forma apoiada. Deve partir dele o primeiro traço, ainda que de uma forma suave, para um quadro que se deseja belo. Não espero que faça maravilhas com a bola, antes que seja rápido no seu endosso, e perspicaz na avaliação das opções de passe, considerando os riscos que a equipa, no momento, deve ou não correr.
Um grande médio defensivo, de uma grande equipa, correr muito é mau sinal. Este facto pode funcionar até como um delator de um erro, quer no modelo do jogo, quer de uma má associação entre os vários sectores. Por exemplo, um desiquilíbrio causado por um lateral, que ao subir desguarnece o sector defensivo, obriga este elemento a compensar essa acção, na maior parte das vezes. O ser este elemento responsável por este equilíbrio, não está em causa. Uns poderão concordar, outros nem por isso. Mas mais importante que este pormenor, é o facto de que esta situação, tornando-se repetitiva, demonstra que alguma coisa vai mal nas transiçoes atacantes da equipa. Seja o lateral que não respeita a cadência certa para se integrar no ataque, ou porque a equipa não está a aproveitar a sua presença da melhor forma... Enfim, podem ser vários motivos... Mas este facto vai levar a que o trinco se desgate. Da mesma forma que o nosso cérebro, ao detectar uma descida do nível de açúcar no sangue, cria uma estratégia que passa por nos conduzir a um estado de fome, levando-nos a comer, se nos concentrármos apenas no médio defensivo de uma equipa, conseguimos nos aperceber, atravéz da sua movimentação, do que vai mal, ou bem, nessa mesma equipa...

É importante perceber que a missão de um trinco, é muito mais que o ocupar de espaços, e interceptar linhas de passe. A sua movimentação é fundamental para o posicionamento, e atitude da equipa. Mais do que um guerreiro, tem de ser um estratega. Ou então não. Perguntem antes ao Jaime Pacheco...

2 comentários:

Anónimo disse...

S´falta acrescentar a esse naipe de grandes jogadores o Makelélé, na minha opinião. Parabéns pelo blog. Encontrei-o ocasionalmente mas gostei da concepção do mesmo e dos temas que aborda. Miguel Ângelo

Pedro disse...

Concordo plenamente ctg nesta análise...para mim um verdadeiro jogador de futebol tem que saber dar um chuto numa bola...mas existem jogadores que nitidamente não sabem e irrita-me quando m dizem que fzm falta a uma equipa. Ex:loureiro, paredes, diarra, c. zanetti, diakite,etc. Mas actualmente penso que existem dois argentinos que daqui a alguns nos proporcionaram grandes momentos de futebol: Gago e Banega.