terça-feira, 19 de março de 2019

Tribuna Expresso

A partir de agora, também podem ler-me na Tribuna Expresso. O primeiro texto é sobre Ronaldo e Messi.

5 comentários:

Iniesta de Mundet disse...

Brilhante, como sempre! Só há 2 tipo de pessoas que não afirmam que Messi é melhor: as que não percebem nada de futebol e as que percebendo fingem não perceber, por facciosismo.

Rui Pedro disse...

Na discussão Messi / CR, há uma série de argumentos que são repetidos até à exaustão, apesar de não fazerem qualquer sentido.

1. Que Messi nasceu com talento, enquanto tudo em CR é fruto de trabalho: a ideia de se nascer com um "toque divino" para uma construção humana como um desporto não faz qualquer sentido. No limite, se desde criança se é estimulado para determinada actividade, quando a mente é muito mais flexível, muito mais rapidamente se começa a absorver e a aprender. Faz sentido, isso sim, dizer que se nasce com uma vantagem física, ser mais alto, mais rápido, mais forte. E nisso, quem partiu com a vantagem até foi o português, já que La Pulga desde muito novo revelou ser bem atarracado, o que poderia ter atrapalhado o descolar da sua carreira como profissional, e apenas foi resolvido com tratamento hormonal (há quem avance que essa sobredosagem hormonal perturbou o sistema endocrinológico, provocando aqueles constantes vómitos durante os jogos. Não há conhecimento de sequelas físicas semelhantes em Ronaldo).

2. Que fora do Barcelona não faria nada: este Barcelona em nada se relaciona com o de Guardiola, e já então o argentino era a principal estrela. Além de Piqué, não resta mais ninguém da equipa maravilha, nem o jogo de agora tem qualquer relação com o de então. São, para todos os efeitos, realidades distintas.

3. Que a grande vantagem de CR é a força mental: no último Espanyol VS Barcelona de 2018, foi muito comentada a marcação por Messi de dois livres directos, cada um num canto superior da baliza. Mas para mim essa não foi a grande jogada, mas sim a assistência do segundo golo. Ao seguir em corrida para a grande área adversária, sofreu falta não sancionada que o lançou ao chão. Enquanto estava no chão, roubou a bola aos adversários, rodou sobre si mesmo, ficando de costas para a baliza, levantou-se e provocou a marcação por quatro adversários. Estando severamente marcado, assistiu, ainda de costas para a baliza, o colega isolado. O processo mental de todas estas decisões, por entre a pressão adversária, de se livrar, levantar e assistir! Isto ninguém irá negar: Ronaldo teria tentado provocar a marcação da falta, de modo a conseguir o livre directo, porque nestas situações é a única solução que tem (livre directo, do qual, já agora, nunca foi especialista, o que me deixa verdadeiramente surpreendido sempre que por acaso o consegue e é celebrado como se fosse habitual).

A jogada em causa:
https://youtu.be/9knRj34ya2Q
A partir dos 0:07

4. Que falta a Messi um grande título pela selecção para se afirmar: isto é tão estúpido que nem tenho resposta.

Com tudo isto, não há nada a retirar da capacidade de Cristiano Ronaldo: os índices físicos são incríveis, e a vontade competitiva é estratosférica. Pode e deve ser celebrado como o grande jogador que é. Agora, que possam sequer ser comparados não faz qualquer sentido. Messi joga numa dimensão à parte, e joga sozinho. Não se conhece por enquanto ninguém que se possa sequer aproximar

Miguel Pinto disse...

'Messi joga numa dimensão à parte, e joga sozinho. Não se conhece por enquanto ninguém que se possa sequer aproximar'.
Se jogasse sozinho já teria sido campeão do Mundo pela Argentina. Pelo menos, duas vezes...

César Vieira disse...

Não obstante discordar de alguns aspetos e de achar que há excesso de densidade que não acrescenta conteúdo efetivo, devo dizer que este é o teu melhor artigo de há muito tempo, ou mesmo o único artigo que tem algum interesse, desde logo porque tem menos acinte e provocação gratuita mesmo explorando um tema que, se fosse escrito em exclusivo no blog, muito provavelmente resvalaria para o intratável.

Nuno disse...

Iniesta de Mundet, obrigado.

Rui Pedro diz: " Que Messi nasceu com talento, enquanto tudo em CR é fruto de trabalho: a ideia de se nascer com um "toque divino" para uma construção humana como um desporto não faz qualquer sentido."

Pois, acho que são dois tipos de talento diferentes. Desenvolveram-se de modos diferentes, e focaram-se em coisas diferentes.

César Vieira diz: "e fosse escrito em exclusivo no blog, muito provavelmente resvalaria para o intratável."

Ok.