domingo, 27 de abril de 2014

Idade das Trevas

Vivem-se hoje, no que diz respeito ao futebol, tempos idênticos àqueles que o mundo conheceu na sequência do declínio do Império Romano, tempos de obscuridade em que o progresso parece ter sido interrompido. Um pouco por todo o lado, triunfam as equipas cuja principal virtude é a transpiração, sendo o maior exemplo disto o Atlético de Madrid de Simeone, uma equipa tão competitiva quanto retrógrada. A primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões que opôs o Atlético de Madrid ao Chelsea foi, a todos os níveis, um dos jogos mais deploráveis do século XXI. Haver num campo de futebol duas equipas e nenhuma delas ser uma equipa de futebol não só não é coisa que se esperasse ver numa meia-final de uma competição tão importante como não é coisa que se tenha visto muito nos últimos 20 anos. Não obstante, não quero falar muito deste Atlético de Madrid, ou do Chelsea de Mourinho. O sucesso de Guardiola em Barcelona contribuiu muito, a meu ver, para o progresso do futebol, e os anos que se seguem tratarão de o comprovar, ainda que esse progresso se faça paulatinamente e, pelo meio, haja retrocessos pontuais, como parece ser o caso desta época.

A melhor forma de falar da escuridão que tem sido esta temporada futebolística, com pouquíssimas novidades dignas de interesse, é opor dois treinadores, um que pertence ao século passado, outro que é um visionário. Refiro-me a Tata Martino e a Pep Guardiola. Martino tem, apesar de tudo, uma virtude: a de não ter tentado uma revolução. Percebeu que tinha de continuar o trabalho de Guardiola e de Tito Villanova, e percebeu que o melhor a fazer era não mexer muito. As pessoas esquecem-se, por exemplo, que a primeira volta do Barcelona, este ano, foi impecável (mesmo sem Messi durante alguns meses), e isso se deve, sobretudo, à forma como Martino procurou fazer com que os jogadores continuassem a jogar da maneira como sabiam. Faltou a Martino, porém, tudo o resto. Faltou perceber que jogar de determinada maneira implica fazer um sem número de coisas, faltou ser capaz de manter os jogadores concentrados em jogos de baixa exigência, faltou dar minutos de descanso a alguns jogadores (como Xavi) e mostrar a outros que a equipa precisa deles  não apenas quando não há outros para jogar (Bartra, Song e Sergi Roberto) e faltou ser capaz de ler bem aquilo que os jogos pediam dele. Até à eliminatória com o Atlético de Madrid, para a Liga dos Campeões, estes problemas pareciam pouco visíveis. O Barça tinha superado um adversário difícil, o Manchester City, tinha mostrado que continuava superior ao Real Madrid, nos confrontos directos, e só dependia de si para ser campeão.

Tudo terminou quando uma equipa super-agressiva, que joga à margem das leis, na maioria das vezes, deixou a nu os principais problemas de Tata Martino. É verdade que o Atlético de Madrid, com árbitros menos ingleses (os primeiros dez minutos da segunda mão foram vergonhosos, com o Atlético a criar sistematicamente situações de perigo que começam em faltas não assinaladas por Howard Webb), dificilmente teria passado essa eliminatória, mas o que é constrangedor é que isso nunca fora um problema, por exemplo, no tempo de Guardiola. Martino começou a perder a eliminatória quando sugeriu que, para vencer a equipa de Simeone, o Barça precisava de ser tão intenso como o Atlético. Não percebeu que, contra equipas intensas, o melhor antídoto é ser pouco intenso, é ficar com a bola, reduzir o ritmo de jogo, circular em segurança, cansar o adversário, levá-lo para onde quer, etc.. Contra uma equipa cuja principal estratégia ofensiva é pressionar alto para aproveitar os possíveis erros do adversário, a melhor contra-estratégia é arriscar, sair a jogar pelos centrais, fazer baixar os três médios para criar linhas de passe interiores, e adiantar os laterais. O Barcelona tentou fazer a sua circulação habitual, mas muito timidamente, e abandonando-a sempre que sentiu medo de cometer erros. Contra uma equipa que faz da intensidade com que joga a sua maior arma, a melhor estratégia é sempre fazer com que essa intensidade não tenha relevância. E isso faz-se tendo a bola, entrando nas zonas de pressão do adservário apenas para sugerir ao adversário que pode recuperar a bola, saindo delas imediatamente e, com isso, cansando o adversário. 

Quando se fala de posse de bola, esquece-se geralmente de que ela tem um uso passivo e um uso activo. Diz-se que ter muita bola não serve para nada, e muitos treinadores até preferem que a equipa adversária tenha a bola para lha poderem tirar. Esquece-se de que quem tem a bola não tem apenas a bola; tem também a possibilidade de conduzir o adversário para onde quiser. O Barcelona de Tata Martino não tem apenas menos posse de bola, em quantidade, do que tinha o Barça de Guardiola. É também muito menos inteligente a fazer um uso táctico da bola. O Barcelona de Guardiola usava a bola para descansar, para se reorganizar, para retirar a iniciativa de jogo ao adversário, mas usava a bola também de forma activa, entrando no bloco para solicitar que o adversário activasse a sua pressão, saindo rapidamente do bloco para circular por fora e assim ir explorar os espaços deixados em aberto pela pressão que entretanto o adversário activara. Este Barcelona continua a usar a bola de forma passiva muito bem, continua a ser capaz de ter mais bola que os adversários, e continua a ser capaz de, ocasionalmente, activar combinações estonteantes entre os seus jogadores, mas não sabe usar a bola, porque não tem treinado para isso, como um engodo. E esse uso era precisamente aquilo que, há uns anos, fazia com que houvesse um fosso gigantesco entre essa equipa e as restantes. Esse fosso, actualmente, deixou de existir, e o Barcelona é uma equipa tão permeável aos detalhes quanto outra qualquer. Ainda que continue a ser dos melhores conjuntos, e ainda que continue a ter alguns dos melhores jogadores do mundo, já não é uma equipa que, em condições normais, ganha sempre. Acresce a esse problema um outro, que com ele se relaciona: o facto de Tata Martino não perceber que, para jogar como o Barcelona deve jogar, em toque curto, com posse, tem de cumprir um vasto leque de requisitos. Não pode, por exemplo, ter a linha defensiva sediada no meio-campo, a dez ou mais metros do médio-defensivo; tem de haver uma sucessão de coberturas que impossibilite que o adversário consiga criar linhas de passe assim que recupera a bola.

Se, contra o Atlético de Madrid, ficou evidente que Tata Martino é um treinador banal, não percebendo sequer que a equipa de Simeone não é sequer muito forte em termos zonais e que bastava ter jogado com dois extremos constantemente abertos (Martino percebeu a meio da época que tinha mais sucesso jogando com Iniesta e Neymar nas alas, ou seja, com jogadores menos profundos e que gostam de vir para dentro, mas achou que essa fórmula era a fórmula certa para todo e qualquer jogo) para que houvesse mais espaço pelo meio (aliás, foi assim que o passe de Iniesta pôde entrar, no golo de Neymar), algumas das novidades tácticas apresentadas por Guardiola no seu Bayern de Munique devem ajudar a confirmar que o catalão é mesmo de outra galáxia. É verdade que Guardiola tem cedido a algumas pressões dos dirigentes bávaros e é verdade que algumas das suas ideias, por esse motivo, têm demorado a ser implementadas. Mas nota-se, sobretudo quando as coisas correm bem e sente a possibilidade de testar coisas diferentes, uma vontade enorme de revolucionar o futebol dos alemães. A mais recente das surpresas tácticas confirma que quem acha que, em futebol, já tudo foi inventado, é um imbecil. Tal como mostrou, na Catalunha, que ainda era possível jogar em 343 ao mais alto nível, mostra agora que um lateral não é necessariamente só o que as pessoas pensam que é. Para muitos, o lateral serve para jogar pela linha. Mais defensivamente ou mais ofensivamente, é papel do lateral jogar encostado à lateral, pensa quase toda a gente. Para Guardiola, para quem os laterais foram sempre, como outros jogadores quaisquer, participantes de tudo o que equipa faz, isso nunca foi bem assim. Apesar disso, nunca os laterais de Guardiola tinham sido médios. Até agora.

Desde o início da época que se percebia que os laterais do Bayern não faziam bem o mesmo que os laterais do Barça de Guardiola, integrando a manobra ofensiva por dentro e não por fora do extremo. Agora, contudo, Guardiola parece interessado em fazer dos laterais não apenas participantes do jogo interior no último terço do terreno, mas médios de construção. Assim que a equipa entra em processo ofensivo, os centrais abrem, o médio defensivo baixa, formando uma linha de três atrás, e os laterais, em vez de subirem no terreno pela linha, vêm para dentro, para a zona deixada vaga quer pelo abaixamento do médio-defensivo, quer pela subida dos outros dois médios, que passam a preocupar-se em solicitar linhas de passe dentro do bloco adversário. O que acontece é a equipa passar a jogar com três defesas, dois médios defensivos, dois extremos bem abertos, e dois médios atacantes, constantemente preocupados em explorar os espaços atrás dos médios adversários. Introduzindo esta dinâmica logo na primeira fase de construção, Guardiola consegue assim manter bastantes jogadores no meio-campo, de maneira a dar linhas de passe próximas na primeira fase de construção sem perder a profundidade e a largura dos extremos e sem perder médios dentro do bloco adversário, algo a que dá muitíssima importância e algo que nem Kroos nem Schweinsteigger têm conseguido dar-lhe. Com esta estratégia, a equipa parece conseguir manter o adversário o mais aberto possível (dado o posicionamento dos extremos, que deixam de ter de vir tanto para dentro) e parece ser capaz de manter vários homens dentro do bloco adversário, a solicitar linhas de passe entre as linhas adversárias, duas coisas que, até agora, estava a ter dificuldades em conseguir em simultâneo. Tal como o 343 na Catalunha servira para ter muitos médios ofensivos entre as linhas adversárias, sem perder a largura que força a que o adversário esteja aberto, esta dinâmica parece assim permitir duas das coisas a que Guardiola mais importância dá, em termos ofensivos.

Não obstante ter algumas reservas quanto a mudanças de posições relativas de jogadores de processo defensivo para processo ofensivo, reconheço que é das coisas mais engenhosas que já vi um treinador pensar. E sentir que há quem seja capaz de surpreender com coisas nunca antes tentadas, em termos tácticos, é das coisas mais gratificantes, para quem percebe o jogo. A mim, Guardiola continua a surpreender-me. É pena que Beckenbauer, que ainda esta semana não percebeu nada do que se passou no jogo da primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões contra o Real Madrid (o Bayern só jogou mal quando abdicou da posse de bola com que dominou toda a primeira parte), ache que o Bayern deve continuar a ser uma equipa banal, sujeita à mesma aleatoriedade da fortuna que todas as outras. E é pena que Guardiola, por força da pressão que Beckenbauer tem exercido com a sua estupidez, não possa reformar a equipa como deseja. Num ano de trevas, como este, há quem queira que as trevas engulam até a única pessoa que não se conforma em viver nas trevas. Os estúpidos só estão bem se todos à volta deles forem estúpidos como eles.

45 comentários:

Mike Portugal disse...

Não sei se Guardiola estará sobre tanta pressão como dizes, mas se assim for e se ele achar que a pressão é demasiado alta para ele continuar a treinar como quer, então no final da época deveria demitir-se como técnico do Bayern.

DC disse...

È sempre um prazer ler estes textos, Nuno.

Confesso que ando muito perdido com as ideias de Guardiola, sem saber bem quais são as suas reais intenções, mas este texto fará, com certeza, com que olhe para os próximos jogos de outra forma.

Já agora, fazendo um paralelismo para um nível qualitativo um pouco mais baixo, o erro de Paulo Fonseca foi querer fazer uma revolução numa equipa onde a única coisa a melhorar era o processo ofensivo. Provavelmente se não fizesse a revolução teria perdido na mesma, mas teria chegado ao final da época tal como Tata.

Bernardo Pinheiro disse...

Gracias Nuno, como o DC disse, um prazer!

Antonio disse...

Nuno, no fundo, como referem no "Paradigma Guardiola" trata-se de um regresso aos primórdios do "football" com a táctica da pirâmide invertida. Concerteza com as adaptações necessárias aos tempos de hoje que, neste momento, só Guardiola lhe poderá dar.

joao santos disse...

Sim, tambem li o Paradigma Guardiola.

Nuno disse...

Mike Portugal, basta ler os comentários dos dirigentes do Bayern ao longo da época. Mesmo quando ganhavam, ficavam incomodados com o facto de a equipa jogar de uma determinada maneira. Quando o Mandzukic não jogava (e houve uma altura em que Guardiola parecia determinado a jogar sem avançado) e a equipa demorava a fazer golos, lá vinha a conversa do costume. Até que o Guardiola aceitou a pressão e pôs a equipa a jogar em 4231, como o ano passado. Pessoalmente, acho que o Bayern só é uma equipa diferente quando Guardiola esquece o que lhe vai à volta e põe a equipa a jogar como quer. Mas não me parece que ele seja imune às pressões. Sobretudo numa equipa que ganhou tudo o ano passado. Se o Bayern não tivesse ganho a Liga dos Campeões, ele teria margem para jogar como quer. Assim não.

DC, o Paulo Fonseca falhou em muitas coisas. Não sei se quis fazer uma grande revolução. O Porto perdeu alguns jogadores importantes e ele não soube pôr a equipa a jogar como devia nem confiou nos jogadores certos.

Antonio, não tenho lido o Paradigma Guardiola. Mas talvez faça sentido, isso da pirâmide invertida.

Kafka I disse...

Portanto tu e o Guardiola são os inteligentes, e quem pensa de forma diferente como o Beckenbauer é estúpido, está certo, de facto o Beckenbauer nem percebe nada disto nem nada, o Homem já ganhou tudo como jogador e treinador, mas o inteligente aqui és tu, enfim, os artistas como tu são do melhor que há, para nos fazer rir, enfim..

Ronaldinho disse...

Ganhou tudo como treinador?? Epa estamos conversados, o homem ganhou 3 titulos (o frances nem sequer conta) e tu dizes que ganhou tudo?!

Kafka I disse...

Percebeste bem o que quis dizer, literalmente não ganhou tudo obviamente, mas se conheceres muitos jogadores/treinadores com o curriculum dele avisa, sff...pelo menos no Planeta Terra não há, mas pronto tu lá sabes...

Ronaldinho disse...

O curriculum dele como jogador nao me diz nada (ou vais dizer que o cristiano ronaldo percebe muito de futebol?) e como treinador nao impressiona ninguem, por isso nao percebo onde queres chegar...

Kafka I disse...

Claro, um jogador que revolucionou a sua o posição como ele o fez, só pode ser de alguém muito estúpido, secalhar tens razão, ou então não...quanto à parte do treinador, nem que tivesse ganho apenas um campeonato de infantis, é infinitamente superior ao do Nuno que é o maior mas sentado no sofá, portanto é profundamente ridículo a sobranceria dele de estar a chamar estúpido, ao Beckenbauer, só porque pensa o futebol de forma diferente dele...mas não deixam de ser engraçados pessoas como tu e ele, ao menos fazem-nos rir a todos..

Nuno disse...

Kafka I, o Beckenbauer pode ter sido um grande jogador. Não implica que perceba alguma coisa de futebol. O Maradona foi, talvez, o melhor de todos os tempos. É um treinador medíocre. O mesmo se passa em qualquer outra profissão. Uma pessoa pode ser um dos melhores cérebros em determinada área e não saber nada de outra. Jogar futebol e perceber alguma coisa de futebol são coisas diferentes. Aliás, nem sequer são saberes do mesmo tipo. O primeiro é um saber prático, que se adquire por experiência, por tentativa e erro, ao longo de muitos anos, e no decorrer da prática. O segundo é um saber teórico, que se adquire por reflexão, cálculo lógico e teorização. É perfeitamente possível haver quem tenha um saber prático extraordinário e seja completamente inepto a teorizar sobre o que faz, como é perfeitamente possível o contrário, ou seja, haver quem nunca tenha desenvolvido um grande saber prático e que, no entanto, tenha um bom saber teórico. É por essa razão que o argumento de que eu, por estar sentado num sofá, não posso saber mais do que o Beckenbauer, é absurdo. E é por isso que posso dizer de quem tinha um grande saber prático, como o Beckenbauer, que é estúpido quanto ao saber teórico.

Se não percebes esta distinção, não percebes nada. E isso é que é engraçado.

Roberto Baggio disse...

Hahahahah essa gente dá para rir.
Agora que o trocaste todo com as mudanças de direcção entre o saber fazer e o saber sobre o saber fazer, vamos lá ver como se safa.

Ps: O Keiser não percebe nada, nadinha do saber sobre saber fazer, quanto mais do saber sobre o saber treinar. Pelo que sim, as opiniões dele são estúpidas, e reflectem a realidade do futebol no tempo dos dinossauros. Tempo dele, claro.

Artur Semedo disse...

pfff... se fosse possível fazer viajar no tempo o imperador da era do calção-cueca para a actualidade, tenho para mim que até levava era cheirete atrás de cheirete em campo, quanto mais o conhecimento teórico que então desenvolveu e que para sempre estagnou...

Kafka I disse...

Roberto Baggio, não sejas patético, mas o Nuno alguma vez me baralhou, mas qual foi a novidade que ele disse, que eu já não saiba? por favor... obviamente que um jogador não significa automaticamente um grande treinador...quem dá para rir és tu e a turpe que acha que só a vossa opinião e forma de ver o futebol está certa e tudo o resto é estúpido, só é engraçado é que o Bayern o do ano passado "dos estúpidos e dos burros e dos dinossauros" esmagou tudo e todos e venceu a Champions a brincar, e o deste ano da inteligência suprema está neste momento a ser esmagado pelo Real Madrid na própria casa, é a diferença, dos estúpidos para os inteligentes, ou então não..

Nuno disse...

Kafka I, sabes por que é que umas pessoas são estúpidas e outras não? Porque as primeiras acham que argumentar é apontar para um resultado mau e para um jogo mau, que se decidiu única e exclusivamente pelos pormenores das bolas paradas, numa competição que tem muito de aleatória, e julgar que isso chega para justificar que uma equipa é inferior a outra que ganhou essa competição no ano passado.

Na verdade, o Beckenbauer e os outros sofrem do mesmo mal que tu. Sempre que a equipa não produz o resultado que desejam, acham que o problema é do meio com que o tentou e não da aleatoriedade que há no jogo ou de outra coisa qualquer. São estúpidos porque não são capazes de perceber que os resultados, em futebol (e numa competição que se decide por eliminatórias ainda mais) nunca espelham a qualidade das equipas. São estúpidos porque não são capazes de perceber que, mesmo perdendo assim, estão mais perto de ganhar no futuro. São estúpidos porque preferem continuar a ser a equipa que dependia de tudo e mais alguma coisa para ganhar a competição mais importante da Europa em vez de serem uma equipa que controla o máximo do que é possível controlar em futebol. E são estúpidos porque não gostam de futebol.

Roberto Baggio disse...

Patética é dizeres que não te ensinou nada, ou te deu novidade nenhuma quando começas com: Já ganhou tudo como jogador, já foi treinador e ganhou coisas. Ora O Jaime Pacheco também LOL!

Não sejas tu patético. E vê ao menos se não te enterras com opiniões sem qualquer tipo de argumento que valha.

Kafka I disse...

ahahahah, só mesmo para rir, este teu último texto é bom, concorre com o melhor que falecer do RAP, no humor és bom, já a perceberes de futebol deixas um bocado a desejar, mas pronto entendo que a azia de mais um esmagamento do tiki-taka de deixe assim, bem vistas as coisas, pelo 2º ano consecutivo que o génio do teu tiki taka é humilhado (o ano passado precisamente pelos que tu chamas estupidos, enfim), e tu vens falar em aleatoridades, continua com o teu futebol de sofá onde tu és o maior de sempre, pode ser que um dia consigas um campeonato de FM talvez...até lá continua com os teus textos, sempre dá para ir rindo

Kafka I disse...

Roberto Bagio, volto a repetir, não sejas patético, o Nuno ensinar-me algo a mim? só se for sobre humor, porque de futebol deixa muito a desejar, fica lá na tua redoma de vidro, e passa bem com mais uma humilhação do genial tiki-taka que voltou a ser humilhado, algo que já começa a ser habitual

Roberto Baggio disse...

Hahahaha, andaste 4 anos calado à espera desta não é? Aposto que sim. Boa, parabéns. Esperaste para ver Guardiola perder, para que pudesses falar. És um génio. Vê lá é se não te esperam mais 4 anos de silêncio.

DC disse...

Os ratos nestas alturas saem todos da toca. Tiveram que esperar muitos anos, mas festejam como tolinhos este resultado do Guardiola.

Curiosamente, são coerentes ao ponto de achar o Mourinho o maior do mundo e de festejar, ao mesmo tempo, a lição que um treinador, no seu primeiro ano de Real, dá aos "métodos Mourinho". Mostra que pode ganhar com criativos em campo e discutir eliminatórias e finais com o Barça e o Pep sem ter que meter só trincos.

Infelizmente para eles, Pep é um génio e não vai errar sempre como errou esta época. Vai estar sempre perto, muito perto de ganhar e isso vai-lhes continuar a doer.

Interior-Direito disse...

"(...) que se decidiu única e exclusivamente pelos pormenores das bolas paradas (...)".

Achas que o Bayern foi superior ao Real Madrid durante 180 minutos em todas as outras vertentes, menos nesta - e foi logo esta a decidir tudo? eheheh

"E são estúpidos porque não gostam de futebol."

Nuno, isto tudo resumido, achas que só gosta de futebol quem gosta do chamado método Barça/Guardiola/tiki taka? Os que preferem um futebol mais vertical/transições rápidas/contra-ataques/pragmático (you name it) não gostam de futebol?

Edson Arantes do Nascimento disse...

Nuno, é a primeira vez que comento aqui mas tenho lindo com atenção os outros. Parabéns pelo blogue porque é interessante e bem escrito e com convicções.

Normalmente estamos de acordo e talvez seja por isso que ainda não comentei.

Também acho que Guardiola é o melhor treinador dos últimos tempos (largos) mas tenho sido muito crítico desta sua passagem pelo Bayern. Sobretudo depois da paragem de Inverno. Não entendo certas coisas e fiquei sempre com a sensação que os dirigentes do clube tiveram alguma influência nas mudanças.

Este teu texto é mais uma defesa intransigente do Guardiola do que propriamente uma análise de grande valor crítico (não no sentido de criticar pela negativa mas no sentido de nos ajudares a entender algumas coisas).

A mudança que falas em relação aos laterais parece-me um logro. Porque este Bayern tem claramente, na minha opinião, graves problemas em transição defensiva e em organização ofensiva. Porque por fora do bloco adversário até joga relativamente bem.

Julgo que isto resulta do Bayern ter um meio-campo fraco, pouco criativo e, sobretudo, mal-organizado. Os três elementos formam muitas vezes quase como que um triplo-pivot (chega a ser bizarro), não arriscam nada dentro da organização adversária, não jogam entrelinhas e isto causa diversos problemas...

Em organização ofensiva passam o tempo todo a lateralizar, não há quase nenhum apoio frontal ou uma linha de passe por dentro ou uma ideia diferente. Tantas e tantas vezes fica um espaço enorme entre sectores.

Eu, que me habituei a ver o Guardiola a ir aos arames com alguns (poucos) cruzamentos sem nexo que o Barça fazia, estou escandalizado com uma equipa que acaba algumas partidas com mais de trezentas - digamos assim - bolas lá pra cima.

O facto dos médios não jogarem entrelinhas dificulta também a transição defensiva porque quando perdem a bola os jogadores estão muito distantes uns dos outros e isso, sobretudo contra grandes jogadores, é a morte do artista.

A ajudar à festa temos uma defesa (tirando o grande Lahm e Alaba... às vezes) de pernetas e de gajos que mal entendem o que é defender à zona - quanto mais ter o discernimento para tomar boas decisões quando em posse de bola.

Os centrais são burros e com a bola no pé então - é mesmo para esquecer.

Por exemplo, o Simeone, que tem o estilo que tem (que não é meu certamente), trabalhou uma equipa muito forte nas transições (ofensiva e defensiva), óptima em organização defensiva, mas fraca em organização ofensiva. No entanto, tem direito a nota elevada em três dos quatro momentos do jogo (estou a excluir as bolas paradas desta equação).

Acho que merece algum respeito.

Hugo disse...

"Porque as primeiras acham que argumentar é apontar para um resultado mau e para um jogo mau, que se decidiu única e exclusivamente pelos pormenores das bolas paradas"

Isto é para levar a sério? A troupe dos Guardiolas e dos tiki takas levaram um ensinamento de todo o tamanho e vens dizer que o jogo se decidiu nas bolas paradas.

"São estúpidos porque não são capazes de perceber que os resultados, em futebol (e numa competição que se decide por eliminatórias ainda mais) nunca espelham a qualidade das equipas"

Só gente burra esta que avalia as equipas pelos resultados. Proponho avaliar as equipas pela posse de bola e pelo número de rodinhas que fazem sobre si próprios

DC disse...

Edson, o Atlético de Madrid não me parece nada forte em transição ofensiva.

Nuno disse...

Kafka I, já te disse tudo o que te tinha a dizer. Enquanto não perceberes o que é um argumento, é escusado continuarmos a falar.

Roberto Baggio diz: "Hahahaha, andaste 4 anos calado à espera desta não é? Aposto que sim. Boa, parabéns. Esperaste para ver Guardiola perder, para que pudesses falar."

Ele e muitos. Isto é tão incompreensível quanto ilustrativo do que é o ser humano. O Guardiola é tão diferente de tudo o resto que há um conjunto grande de pessoas que, por se sentir de algum modo esmagada por aquela pessoa, tem de rezar a todos os santinhos para que ela não tenha sucesso. Inacreditável.

DC diz: "Curiosamente, são coerentes ao ponto de achar o Mourinho o maior do mundo e de festejar, ao mesmo tempo, a lição que um treinador, no seu primeiro ano de Real, dá aos "métodos Mourinho". Mostra que pode ganhar com criativos em campo e discutir eliminatórias e finais com o Barça e o Pep sem ter que meter só trincos."

Pois, mas os métodos do Mourinho ( nem o Mourinho em si) nunca foram o que esteve em causa. O que estava em causa era destruir o monstro. Já falei disso aqui várias vezes. O Barça e Guardiola é, para muita gente, um monstro ameaçador que não compreendem e lhes põe a nu a estupidez. E só estão bem quando qualquer coisa que compreendam os consegue derrotar. O Mourinho nunca foi elogiado por si próprio, ou pela ideia de jogo. Foi elogiado porque era o herói humano, com métodos humanos, que ia desafiar o dragão medonho. O que estas pessoas tinham era medo. E o medo fazia com que elogiassem irracionalmente quem quer que pudesse ajudar a destruir a origem desse medo. O Ancelotti pôs o Real Madrid a jogar como o Mourinho devia ter posto, e dessa diferença abismal ninguém fala.

Interior-Direito diz: "Achas que o Bayern foi superior ao Real Madrid durante 180 minutos em todas as outras vertentes, menos nesta - e foi logo esta a decidir tudo?"

Não, não acho. Acho é que não é justo falar do que se passou depois do 2-0, porque a eliminatória ficou decidida, os jogadores alemães desnortearam-se, baixaram a guarda, desconcentraram-se, etc.. Ouves os comentadores a falar no jogo depois do final e ouves dizer que o Bayern se expôs muito, que foi incapaz disto e daquilo, que o Real saiu sempre com perigo para o ataque. Mas vais a ver e até ao segundo golo, onde é que estão os lances de contra-ataque perigosos? O que é que o Real fez até ao 2-0? Nada. Num livre e num canto fez dois golos. A partir daí o jogo foi diferente, mas até aí a estratégia de Guardiola é inatacável. E ele não tem culpa de a equipa falhar nos detalhes. A primeira mão foi equilibrada, e não o Bayern, não tendo feito um jogo brilhante, não foi inferior ao Real. Aliás, foi até bem superior na primeira parte. Na segunda mão, a eliminatória continuava equilibrada, mas os dois golos, em dois lances de bola parada, mudaram as coordenadas do jogo. Eu, para quem tudo tem explicações racionais, não consigo explicar o desaire do Bayern com base na estratégia das duas equipas, e no jogo extraordinário do Real, e no mau jogo do Bayern, porque aqueles dois lances mudaram tudo. Sim, o Bayern fez um jogo fraco depois disso, e permitiu lances de contra-ataque letais. Mas depois disso é-me difícil perceber o que é que foi causado pelo mérito de uma equipa e o demérito da outra e o que é que foi causado pelo facto de a eliminatória já estar resolvida. Da mesma maneira que as duas goleadas que o Barça sofreu o ano passado diante do Bayern não espelham uma diferença real entre as duas equipas e entre o que as duas equipas fizeram naquela eliminatória, a goleada do Real ontem não espelha grande coisa. Se o Bayern marcasse primeiro, o jogo era completamente diferente, e as pessoas têm tendência a esquecer-se disso e a achar que o resultado final era inevitável, dado o que se passou em campo. Pois, não era inevitável. Aconteceu.

Nuno disse...

"Nuno, isto tudo resumido, achas que só gosta de futebol quem gosta do chamado método Barça/Guardiola/tiki taka? Os que preferem um futebol mais vertical/transições rápidas/contra-ataques/pragmático (you name it) não gostam de futebol?"

Gostam. Gostam é de futebol como poderiam gostar de natação. Gostam de futebol porque calharam a nascerem num país em que todos à volta deles gostam de futebol. Não gostam é de futebol pelo futebol.

Edson Arantes do Nascimento diz: "Este teu texto é mais uma defesa intransigente do Guardiola do que propriamente uma análise de grande valor crítico (não no sentido de criticar pela negativa mas no sentido de nos ajudares a entender algumas coisas)."

Edson, este texto não era muito explicativo. O objectivo era distinguir um treinador banal de um treinador que, ainda que não esteja a fazer tudo o que poderia estar a fazer, continua a surpreender como mais ninguém no planeta.

"A mudança que falas em relação aos laterais parece-me um logro. Porque este Bayern tem claramente, na minha opinião, graves problemas em transição defensiva e em organização ofensiva. Porque por fora do bloco adversário até joga relativamente bem."

O que é que são graves problemas? Há alguma equipa melhor em organização ofensiva do que esta? Se houver é o Barça, e mesmo assim porque os jogadores continuam a fazer muito por isso. É verdade que não é tão boa quanto poderia, e que não entra tanto no bloco como devia, etc., mas ainda assim está a léguas de qualquer outra. Quanto à transição defensiva, eu nem sei bem o que é ser forte em transição defensiva. Aliás, tenho cada vez mais dificuldades em perceber o futebol dividido por momentos. O que é uma transição defensiva? É o momento do jogo que dura entre o momento em que a equipa perde a bola e o momento em que os jogadores reocupam as suas posições relativas em campo. O que é que define uma equipa que tem boas transições defensivas? Uma equipa no qual esse momento dura pouco tempo. Dito isto, o que é que um treinador tem de fazer para que a sua equipa seja forte em transição defensiva? No momento da transição propriamente dito, nada a não ser exigir que os jogadores sejam rápidos. Parece-me pouco. Dito isto, acho que uma equipa é mais forte na transição defensiva se estiver menos desorganizada quando em processo ofensivo. Ora, as equipas do Guardiola pautam-se por ser muitíssimo bem organizadas com bola. A rede de coberturas que normalmente serve para circular a bola, com os jogadores muito perto uns dos outros, a oferecer linhas de passe curtas constantes, é a rede de coberturas de que precisam no momento em que perdem a bola. Por isso, não vejo que este Bayern seja especialmente fraco na transição defensiva. O Guardiola tem, aliás, a preocupação de fazer com que a sua linha defensiva esteja sempre alta, quando têm a bola, precisamente para que esteja perto da linha média de modo a não haver espaços entre linhas por onde o adversário possa iniciar a sua transição ofensiva. Não concordo, portanto, que a equipa seja fraca em transição defensiva. É, aliás, bastante forte. Isto não implica que, em situações concretas, alguns jogadores não interpretem mal o que devem fazer (Boateng, sobretudo).

Nuno disse...

"Julgo que isto resulta do Bayern ter um meio-campo fraco, pouco criativo e, sobretudo, mal-organizado. Os três elementos formam muitas vezes quase como que um triplo-pivot (chega a ser bizarro), não arriscam nada dentro da organização adversária, não jogam entrelinhas e isto causa diversos problemas..."

Bom, mal organizado não diria. É um meio-campo cujos elementos fogem do risco. Quer o Schweinsteiger, quer o Kroos, gostam de jogar de frente para o jogo e não fazem aquilo que deveriam fazer sem bola, que era intrometer-se nas linhas adversárias quando a bola está do lado contrário ao deles, para arrastar marcações e oferecerem linhas de passe verticais. Esse é, do meu ponto vista, o principal problema deste meio-campo, e já o disse várias vezes. Kroos, desse ponto de vista, foi uma decepção. Thiago e Gotze seriam, na minha opinião, as melhores soluções para o meio-campo.

"Em organização ofensiva passam o tempo todo a lateralizar, não há quase nenhum apoio frontal ou uma linha de passe por dentro ou uma ideia diferente."

Isso não é verdade. É verdade que lateralizam excessivamente, mas comparando com o Bayern do ano passado e comparando com qualquer outra equipa mundial à excepção do Barça e, talvez, do Arsenal, é a equipa que mais penetrações centrais tenta. Repara que os extremos, em processo ofensivo, vêm muitas vezes dentro, dar opção entre linhas, e são eles, sobretudo quando joga Mandzukic, os principais responsáveis pelo jogo interior da equipa. Não é verdade que o Bayern, no último terço, só lateralize. De maneira nenhuma.

"Eu, que me habituei a ver o Guardiola a ir aos arames com alguns (poucos) cruzamentos sem nexo que o Barça fazia, estou escandalizado com uma equipa que acaba algumas partidas com mais de trezentas - digamos assim - bolas lá pra cima."

Concordo, em parte. Quando joga o Mandzukic, sim. Quando não joga, não. Nesta segunda mão, que cruzamentos viste a equipa fazer, sem ser quando alguém chegava à linha? Eu não me lembro de nenhum. E na segunda parte, com o Muller na frente, acho que ainda menos tentação tiveram, mesmo quando iam à linha. Daí que a presença de Mandzukic seja nociva para esta equipa. Foi algo que Guardiola quis contrariar, a determinada altura da época, mas que não o deixaram. Agora sofrem as consequências. Muitos acham que Beckenbauer estava certo, depois do que se passou ontem. Eu acho que o que passou ontem deu foi razão a Guardiola. Ele quis mudar certas coisas, e foi por não o terem deixado mudá-las que a equipa chegou a esta eliminatória sem fazer tudo o que devia.

"A ajudar à festa temos uma defesa (tirando o grande Lahm e Alaba... às vezes) de pernetas e de gajos que mal entendem o que é defender à zona - quanto mais ter o discernimento para tomar boas decisões quando em posse de bola."

Também não concordo. Acho o Dante muito bom. O Boateng é a ovelha negra desta equipa, e foi o responsável directo pelo golo do Real na primeira mão e o principal responsável pelo terceiro golo ontem. Parece-me claramente o jogador menos inteligente da equipa. Mas os restantes são muito bons. E com bola o Dante é bem acima da média. Não percebo essa. A menos que seja influência do Freitas Lobo, que meteu na cabeça que o Dante é desajeitado. O Dante tinha um problema, no início da época, que era o estar constantemente a procurar o extremo do lado contrário. Agora já raramente estica o jogo e sai quase sempre como deve sair. Não percebo o porquê de dizerem que é mau com os pés. Está talvez no Top 5, nesse capítulo.

Nuno disse...

"Por exemplo, o Simeone, que tem o estilo que tem (que não é meu certamente), trabalhou uma equipa muito forte nas transições (ofensiva e defensiva), óptima em organização defensiva, mas fraca em organização ofensiva. No entanto, tem direito a nota elevada em três dos quatro momentos do jogo (estou a excluir as bolas paradas desta equação)."

Pois, como disse, não consigo conceber o futebol assim. Era simples, se assim fosse. Não consigo separar uns momentos dos outros. A equipa do Simeone só tem uma virtude, em termos tácticos, que é ter sempre as linhas muito juntas. Isso faz com que consiga pressionar sempre com eficácia, com que consiga reagir bem à perda e com que ganhe bastantes segundas bolas. Resume-se a isto e a nada mais o futebol do Atlético. Para mim é pouco, e dura enquanto durar o estado anímico dos jogadores. É boa em transição ofensiva? Não acho nada de especial. É agressiva nesse momento. É boa em transição defensiva? Não sei o que é isso. Tem os jogadores bastantes juntos, e isso é uma virtude, e é por isso que parece forte em transição defensiva. É boa em organização defensiva? Nem acho nada de especial. Abusa de certas referências ao homem, por exemplo. Defende é constantemente com 9 homens atrás da linha da bola, e isso ajuda a esconder algumas deficiências posicionais.

Hugo diz: "Isto é para levar a sério? A troupe dos Guardiolas e dos tiki takas levaram um ensinamento de todo o tamanho e vens dizer que o jogo se decidiu nas bolas paradas."

A primeira mão foi equilibrada e a segunda começou equilibrada. Como expliquei acima, o jogo mudou quando o Real marcou 2 golos de bola parada. Aí, a eliminatória ficou resolvida e a partir daí o jogo foi outro. Até aí, o Real não foi superior, e foram os detalhes que desequilibraram a eliminatória, não a qualidade de uma ou outra equipa.

"Só gente burra esta que avalia as equipas pelos resultados. Proponho avaliar as equipas pela posse de bola e pelo número de rodinhas que fazem sobre si próprios"

Sim, gente burra que, como pelos vistos tu, não percebe que os resultados não dizem nada acerca dos jogos. Uma das melhores primeiras partes (e talvez um dos melhores jogos do Bayern) esta época foi a primeira parte frente ao Borussia de Dortmund. O jogo terminou 3-0 a favor do Borussia. O Bayern teve mais de 20 oportunidades de golo. O futebol é um jogo em que, por se marcarem poucos golos, os detalhes por vezes são decisivos. Por isso mesmo, é possível que equipas apresentem muita qualidade e não tenham bons resultados. Por isso mesmo, os resultados não espelham a qualidade das equipas. E achar que apontar para resultados é uma forma de argumento, em futebol, é um disparate tão grande como apontar para um livro sagrado que diz que Deus fez o Homem à sua imagem para argumentar que o planeta em que o Homem habita tem de ser o centro do Universo. É um argumento religioso, e eu não sei discutir argumentos religiosos.

Kafka I disse...

Roberto Bagio, e continuas a insistir na patetice, fantástico...esperei 4 anos? vai lá ver bem se foram 4 anos, ou será que o Barça na última época que ele lá esteve também não perdeu o campeonato para o Real e foi eliminado da Champions...ai essa tua falta de memória, para além de insistires em ser patético também demonstra falta da conhecimento da história, mas eu entendo, o tiki-taka de ano vai morrendo e como tal estás a sentir-te nervoso...

Nuno, continuas na onda dos sketchs humorísticos, o RAP que se cuide, que um adversário à altura, ah espera mas isto é um blogue de futebol ou de humor? fico sempre na duvida quando leio tanto disparate junto...

Roberto Baggio disse...

Ah sim. Guardiola disputou 6 campeonatos como treinador.
1 no Barça B. Campeão.
4 no Barça A. 3x campeão.
1 no Bayern. Campeão.

Ganhou 5 de 6. É o treinador mais ganhador da história. E tu estás mesmo a dizer o quÊ? Que um gajo que perde 1 em 6 é o quÊ? Tem juízo tu, e vai tu perceber a história, e sobretudo o presente. A única coisa que morre és tu, cujos argumentos são nenhuns, e que como tal só sabes disparatar, com coisas como RAP, humor, ou outra coisa qualquer. A opinião, de tipos sem opinião, não me enervou, nem nunca o fez, nem nunca o fará.

joao santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
joao santos disse...

Nuno menos extremismo se faz favor. Nem toda a gente que prefere outro tipo de jogo, o prefere por incompreensão do que fazem as equipas de Guardiola ou porque não gosta do "verdadeiro futebol". O Simeone pode não ser o gajo mais inteligente, mas ontem acertou, dizendo mais ou menos isto: "respeito todos os tipos de futebol, porque a variedade enriquece o jogo". E eu concordo. E pessoas que gostam de uma boa batalha argumentativa, seriam certamente menos felizes, se não existisse esta variedade que permite que este e outros blogs com visões opostas, tenham sentido. Cumps

Nuno Martins disse...

Grande Nuno... rebentas ai com 3 ou 4 clichés de quem sendo adepto da posse de bola critica este bayern: o dos cruzamentos, da defesa fraca, do meio campo mal organizado, o da transição defensiva (embora não perceba onde tentas chegar quando dizes que já não percebes a divisão do jogo em momentos, quando o problema é que o pessoal fala dos momentos sem saber o que significam) e evidencias um facto da organização que alguns ainda nem tinham visto que era a construção com os laterais no meio campo por dentro. Não concordo minimamente com a tua opinião de que o jogo fechou ao 2-0 mas nisso és coerente pois também foi essa a tua lógica no ano passado aquando da derrota por 5 do barcelona... no entanto até ao 2ª golo o Real tinha tido 2 ou 3 oportunidades de finalizar em boas condições, e já em Madrid isso tinha acontecido enquanto o bayern nos dois jogos teve no máximo 1 ou 2 (e estou a dar de bonus porque não me lembro de absolutamente nenhuma). Resumindo, bom a analisar o jogo em si, mas depois entras no campo dos dogmas (que dizes não gostar) quando falas dos resultados e do gosto das pessoas pelo futebol.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Para mim, ser bom em transição defensiva é estar preparado para, no momento em que perdes a bola, seres rápido o suficiente, e organizado (contenção e cobertura), para reagir a esse momento.

Percebo o que queres dizer com a ideia de não limitar as perspectivas isoladamente, mas temos de aceitar - nem que seja para criar uma referência de análise - que o jogo tem diferentes momentos (diferentes situações).

Para mim, uma boa equipa é aquela que consegue dominar (até pode nem ser na perfeição; mas ser competente) os diferentes momentos do jogo. Acho que foi isso que o Guardiola conseguiu fazer quando tornou o seu Barça a melhor equipa de sempre - e eles já eram muito bons.

Por exemplo, no Posse de Bola discutia-se há pouco tempo o trabalho do Bielsa. Eu gosto dele. Mas as equipas que treinou são claramente deficientes a defender (tanto na organização como na forma como abordam os momentos em que perdem a bola).

Falaste na rede de coberturas e de posicionamentos do Bayern, mas na minha opinião eles não o fazem com qualidade. E já disse porquê (na minha opinião): o impacto dos médios não procurarem espaços para dar apoios próximos do avançado, de tentar desmontar o bloco contrário, resulta depois em sectores demasiado afastados e em dificuldades de posicionamento.

Ontem, por exemplo, o terceiro golo do Real surge desta forma. Recuperação de bola, um ou dois passes e estava Bale e Ronaldo para o Boateng. Em dois passes ficaram nove jogadores de fora da jogada. A facilidade com que o Modric jogou, nos dois jogos, surpreendeu-me pela negativa.

Quanto aos cruzamentos acho que não estou a falar de nenhuma opinião; é factual. E também não estou a falar dos jogos com o Real. Podia mas não é preciso (mesmo assim, na segunda-parte só me recordo de uma jogada pelo corredor central, de resto foi sempre bola no meio, bola no corredor lateral; sempre; a própria condução dos jogadores do Bayern era sempre nesse sentido).

A quantidade de cruzamentos que esta equipa faz é absurda. Sim, tenta combinações para desequilibrar e cruzar. Mas é tudo muito mecânico. Parece o Benfica do JJ (tirando, ligeiramente, os últimos meses).

Para mim, os centrais do Bayern são fracos para o que o Guardiola lhes pede. Têm dificuldades nos posicionamentos (são lentos, demoram a perceber o jogo, interagem mal com os colegas) e executam mal.

Dizer que o Dante é dos cinco melhores é uma novidade para mim. Eu não o coloco nem nos 20 primeiros. Acho que tem algumas virtudes (será, com certeza, muito melhor do que o Boateng) mas não o vejo como um jogador de grande nível.

Quanto ao Atlético, estamos mesmo em desacordo. Não me agrada a forma como jogam mas tenho de reconhecer que são uma equipa forte. Com trabalho feito.

Nuno disse...

Kafka I diz: "o tiki-taka de ano vai morrendo e como tal estás a sentir-te nervoso..."

Há 6 anos, o tiki-taka não existia. Hoje em dia, tens 2 das melhores equipas a jogar desse modo. Tudo indica que o Bayern será mais forte a fazê-lo no ano que vem, e o Barça continua a ser uma equipa temível para todos, e com um treinador diferente e algumas mexidas no plantel será com certeza candidato a muita coisa. Em Inglaterra, o Arsenal melhorou bastante do ano passado para este e, não havendo saídas relevantes, melhorará, com certeza, no ano que vem. Terás 3 equipas europeias capazes de discutir tudo com as melhores num estilo de jogo deste género. E achas que o tiki-taka está a morrer? Só porque nos últimos 3 anos não ganhou a principal prova da Europa, uma prova que, ainda por cima, tem tanto de aleatório, e quando mais de 90% das equipas jogam de outro modo e, portanto, a probabilidade de ser uma equipa deste género a ganhar é baixíssima? E ainda tens a lata de achar que os outros é que são estúpidos?

João Santos diz: "Nem toda a gente que prefere outro tipo de jogo, o prefere por incompreensão do que fazem as equipas de Guardiola ou porque não gosta do "verdadeiro futebol"."

Está bem, João.

Nuno Martins diz: "no entanto até ao 2ª golo o Real tinha tido 2 ou 3 oportunidades de finalizar em boas condições, e já em Madrid isso tinha acontecido enquanto o bayern nos dois jogos teve no máximo 1 ou 2 (e estou a dar de bonus porque não me lembro de absolutamente nenhuma)."

Nuno, esta terça-feira o Real tinha tido, antes dos golos, o lance do Bale, que tentou aproveitar aquele mau alívio do Neuer. Repara que nem sequer é um contra-ataque bem executado e muito menos uma oportunidade "criada" pelo Real. Antes dos golos, foi a única coisa que o Real fez. Não sei onde vais buscar esses 2 ou 3 lances. Em Madrid, exactamente o mesmo. Antes do golo de Benzema, o Real não tinha tido um único lance de perigo. O Bayern tinha tido vários, desde logo uma rotação do Robben à entrada da área que culminou com um remate a rasar o poste e o lance que antecedeu o contra-ataque do Real que daria o golo, um lance que as pessoas tendem a esquecer, e que só não deu o 1-0 ao Bayern porque a bola encontrou o corpo do Pepe, já na pequena área. É verdade que, no cômputo geral, o Real teve mais oportunidades que o Bayern, neste segundo jogo. No primeiro não concordo. Teve tantas ou menos. Mas o que me importa realçar, sobretudo no segundo jogo, é que o Real foi melhor apenas depois de a eliminatória estar resolvida, e eu não consigo avaliar a qualidade de uma e outra equipa sem meter na equação aquilo que o resultado fez para condicionar o comportamento dos jogadores.

Nuno disse...

Edson diz: "Para mim, uma boa equipa é aquela que consegue dominar (até pode nem ser na perfeição; mas ser competente) os diferentes momentos do jogo."

Para mim, não. Falamos de 4 momentos de jogo e não só os separamos como achamos, por uma lógica que não compreendo, que têm todos a mesma importância. Por exemplo, ter o momento de organização ofensiva tão bem trabalhado como o tinha o Guardiola fazia com que os três momentos restantes fossem quase irrelevantes. O Barça não era forte em transiçao ofensiva, e ainda bem, porque se o fosse não conseguiria ser tão forte em organização. Abdicava de um momento para ser óptimo noutro. Da mesma maneira, circulando tão bem a bola como o fazia e sendo óptimo em organização ofensiva, o momento de transição defensiva acabava por nem precisar de ser muito trabalhado. Advinha do facto de fazerem muito bem uma coisa o estarem automaticamente bem colocados para fazerem outra. Da organização defensiva, então, nem vale a pena falar, porque raramente o Barça se encontrava em organização defensiva. É o melhor exemplo que encontro para mostrar que uma equipa que só domina um momento desses 4 pode ser uma grande equipa. E pode sê-lo essencialmente porque domina o momento mais importante. Daí se segue que a ideia de que é melhor uma equipa que domine melhor cada um dos momentos de jogo seja uma falácia.

"Acho que foi isso que o Guardiola conseguiu fazer quando tornou o seu Barça a melhor equipa de sempre - e eles já eram muito bons."

Por tudo o que disse antes, isto não é verdade.

"Mas as equipas que treinou são claramente deficientes a defender (tanto na organização como na forma como abordam os momentos em que perdem a bola)."

Pois, este é um bom exemplo para veres como separar os momentos não é uma boa maneira de pensar nestas coisas. O problema defensivo das equipas do Bielsa não é um problema defensivo per si. O Bielsa não é o Wenger, e as suas equipas costumam ter boas ideias defensivas, costumam ser muito agressivas a pressionar. O problema das equipas do Bielsa é ofensivo. Jogam demasiado rápido, desorganizam-se em demasia quando têm a bola, e, por isso, ficam vulneráveis quando a perdem. O Bielsa é um excelente treinador, mas o seu modelo de jogo, esse sim, é que é demasiado arriscado.

"o impacto dos médios não procurarem espaços para dar apoios próximos do avançado, de tentar desmontar o bloco contrário, resulta depois em sectores demasiado afastados e em dificuldades de posicionamento."

Também não concordo. Uma das vantagens, talvez a única, de os médios serem cobardes e não entrarem no bloco, é estarem quase sempre posicionados na cobertura, a dar uma opção de passe recuada. Não percebo de onde vem essa ideia de que a equipa é má nas transições defensivas. Viste quantos jogos do Bayern esta época? A equipa foi sempre de uma solidez impressionante, a defender sempre no meio-campo adversário e raramente permitindo veleidades aos contra-ataques adversários.

"Ontem, por exemplo, o terceiro golo do Real surge desta forma. Recuperação de bola, um ou dois passes e estava Bale e Ronaldo para o Boateng. Em dois passes ficaram nove jogadores de fora da jogada."

É o terceiro golo, numa altura de completo desnorte emocional. Não sei se consigo tirar ilações de um lance tão condicionado como esse. De qualquer modo, o Boateng tem responsabilidades incríveis nesse lance, ao não perceber que se devia aproximar e não afastar do Dante.

Nuno disse...

"A facilidade com que o Modric jogou, nos dois jogos, surpreendeu-me pela negativa."

Por que é que achas que foi o Modric. O homem é uma máquina do caraças. Facilidade? Pois claro. Porque a criou. Estava sempre rodeado de adversários e saía a jogar na mesma. Achas mesmo que é demérito da equipa do Bayern? É aliás uma das principais diferenças do Real do Ancelotti para o de Mourinho, e uma lição a todos os que acham que, para jogar em contra-ataque, é preciso recuperadores de bola e velocistas. Não. É preciso é tipos que saibam sair de situações complicadas com qualidade. Com Modric, o Real passou finalmente a ser uma equipa extraordinária.

"Quanto aos cruzamentos acho que não estou a falar de nenhuma opinião; é factual. E também não estou a falar dos jogos com o Real."

Mas eu concordo com isso dos cruzamentos. O que digo é que tem a ver com o Mandzukic. A meio da época o Guardiola disse que o Mandzukic era o melhor avançado da Europa a jogar de cabeça. Foi a forma de ele justificar a sua utilização, que era imposta pelos dirigentes.

"Para mim, os centrais do Bayern são fracos para o que o Guardiola lhes pede. Têm dificuldades nos posicionamentos (são lentos, demoram a perceber o jogo, interagem mal com os colegas) e executam mal."

Posicionalmente, o Dante é muito bom. O Boateng tem dificuldades para interpretar o que os lances lhe pedem. Sim, são lentos. E então? Executam mal? O Boateng tudo bem. O Dante executa muito bem.

"Dizer que o Dante é dos cinco melhores é uma novidade para mim. Eu não o coloco nem nos 20 primeiros."

É dos cinco melhores com bola. Foi isso que disse. Aliás, com bola, só me lembro, assim de repente, de 2 melhores do que ele: o Piqué e o Hummels.

"Quanto ao Atlético, estamos mesmo em desacordo. Não me agrada a forma como jogam mas tenho de reconhecer que são uma equipa forte."

Eu também acho que são uma equipa forte. Mas a força deles depende de coisas que não se podem controlar: decisões do árbitro, estado anímico dos jogadores, momentos de forma, resultados desportivos da equipa, etc.. São uma equipa forte como o Real dos 100 pontos foi uma equipa forte. Na altura, disse que, depois de ganharem o que iam ganhar, essa força esvaziava-se. O que se confirmou. Com este Atlético passar-se-á inevitavelmente o mesmo. É uma equipa forte cuja força se deve às circunstâncias e não ao modelo competitivo sobre que assenta. Quantos jogadores achas, por exemplo, que vão dar mais do que aquilo? Eu só vejo ali 2 ou 3 jogadores com algum potencial para outros patamares. O Courtois, o Miranda e o Arda. Há outros 2, mas que raramente jogam: o Adrian, e o Oliver Torres, que até foi emprestado. Fala-se no Koke, mas o Koke é um jogador banalíssimo, que acaba por ser a mais fiel imagem do que é este Atlético: uma equipa que vence pelo desgaste, pelos atropelos, pelo músculo, pela irracionalidade que consegue pôr no jogo. O Koke é isso tudo num jogador. Nunca há-de ser um jogador de futebol a sério, mas por estes dias parece a maior estrela de todos os tempos. Ontem o Freitas Lobo dizia que era o protótipo do médio moderno. O Xavi, o Iniesta e o Pirlo, de repente, foram apagados da história por um tractor. Está certo.

Pedro disse...

É defendido, com boa argumentação e lógica que, uma competição a eliminar tem particularidades que permitem a equipas menos fortes (em todos os aspectos) conseguirem sucesso perante equipas muito mais poderosas. Os tais pormenores que escapam ao controlo dos treinadores. Argumentam então que num campeonato de 30 e tal jornadas esses pormenores são esbatidos pela qualidade colectiva da equipa. Ou seja, o bom trabalho do treinador aparece nessas competições longas, nas "maratonas" e não nos "sprints".

Aceito perfeitamente essa ideia.

O que não percebo então é a vossa sistemática desvalorização ao feito de Jaime Pacheco e agora Simeone. Ganhar um campeonato, uma prova de regularidade, uma prova onde os pormenores contam menos, tem que ter mérito. Tem que ter.

Não podem usar um argumento e depois o seu contrário.

Artur Semedo disse...

as alterações no jogo do bayern que se começaram a ver em janeiro lembram-me aquele filme com o tom cruise, o "dias de tempestade". há uma altura em que o robert duvall lhe diz: para ganhar, temos de saber usar os pneus. portanto, vamos fazer 50 voltas ao teu modo, e outras 50 ao meu. no fim, os pneus do estilo robert duvall impecáveis, os do tom cruise, rebentados. pena, para o fracisco imperadorzinho, que lhe tenha saído a borracha pela escapatória.
como foi dito acima, este fim de época apenas valida ainda mais as ideias do guardiola relativamente ao que lhe querem impor. agora, o que me deixa curioso é saber qual a reacção dos dirigentes bávaros. se fosse por cá, óbvio é que o treinador estava despedidíssimo!

João D. disse...

1- acho que ao barcelona do guardiola servia perfeitamente não ser o melhor sem ser no momento ofensivo. aliás, se eles fossem muito bons em transição era parvo, porque a ideia é exactamente nunca jogar em transição, é ter sempre a bola. a ideia de que ter a bola é o melhor ataque e a melhor defesa, porque se a temos não vamos sofrer golos de certeza. aliás acredito que o bielsa pense a mesmíssima coisa e se calhar é por isso que não trabalha tão bem os momentos defensivos. se tiveres a bola de certeza que não sofres golos. simples.

2- pode não ser um futebol bonito nem artístico, e haver muita porrada lá pelo meio, mas não deixo de achar graça ao atlético. é exactamente aquilo que o normal adepto gosta: luta, confrontos, mais imprevisibilidade nas acções. o que um gajo gosta é exactamente de quem desafia as probabilidades, porque a incerteza está muito mais presente. as pessoas acham o futebol do barça secante por causa disso. é muito mais previsível saber onde vai parar a bola na maior parte das vezes. um cruzamento à parva para a área é mais emocionante que um passe para o lado visando desposicionar a defesa adversária. exactamente por ser menos provável de ser bem sucedido. por deixar o espectador mais inseguro em relação ao resultado final da acção. é isso que interessa e não o futebol em si: são os momentos emocionantes. isso o atlético tem de facto, é inegável parece-me. e depois, tem a aura de david contra os golias o que igualmente qualquer pessoa acha graça. bem sei que o real joga mais bonito e ter lá o modric sempre faz diferença, mas preferia que o atlético ganhasse. se calhar porque não percebo muito de futebol, e portanto penso mais no simbolismo histórico e cultural da coisa. e acho piada aparecer alguém a morder os calcanhares à nobreza do futebol. mesmo que o seu futebol seja um bocado primitivo.

Nuno disse...

Pedro diz: "Argumentam então que num campeonato de 30 e tal jornadas esses pormenores são esbatidos pela qualidade colectiva da equipa. Ou seja, o bom trabalho do treinador aparece nessas competições longas, nas "maratonas" e não nos "sprints"."

Pedro, expliquei isso quando falei do Real Madrid dos 100 pontos, ao qual comparo agora este Atlético. O argumento, sim, é o de que é em provas de regularidade que o trabalho de um treinador melhor pode ser avaliado. A razão de ser desse argumento é a de que, para ser campeão em provas desse tipo, é preciso ser regularmente melhor que os adversários, e melhor, nomeadamente, a jogar contra equipas mais pequenas. Ora, à partida, é natural que as melhores equipas, aquelas que têm mais facilidade a impor-se a adversários mais pequenos, falhem menos vezes. Mas há muitas nuances. O Domingos do Braga, por exemplo, discutiu o campeonato com o Jesus até à última jornada com base em resultados de 1-0, por exemplo. Acho difícil uma equipa conseguir manter-se tanto tempo lá em cima com vantagens tão tangenciais como as que eram expressas pelo Braga dele, mas é possível. Isto é, o argumento nunca foi o de que, em provas de regularidade, só ganham os bons. O argumento é o de que, em provas de regularidade, é mais difícil os maus ganharem. Mas acontece, por muitas razões. Sempre defendi aqui que não há critérios objectivos para determinar quem é bom e quem é mau. Portanto, não faz sentido ver em provas de regularidade a pedra de toque infalível pela qual se pode medir as qualidades de um treinador. Não há, por isso, contradição alguma. É possível um Jaime Pacheco e um Diego Simeone serem campeões, sem que sejam treinadores notáveis. Pode acontecer porque os outros falharam nos momentos decisivos, porque a equipa tem os índices motivacionais elevados, e por muitas outras coisas que não tenham necessariamente a ver com as competências tácticas do treinador.

João D. diz: "pode não ser um futebol bonito nem artístico, e haver muita porrada lá pelo meio, mas não deixo de achar graça ao atlético. é exactamente aquilo que o normal adepto gosta: luta, confrontos, mais imprevisibilidade nas acções. o que um gajo gosta é exactamente de quem desafia as probabilidades, porque a incerteza está muito mais presente. as pessoas acham o futebol do barça secante por causa disso."

Pois, é possível. As pessoas gostam da incerteza, gostam de pequenas equipas empertigadas, e não gostam de pensar. Eu não acho o futebol do Barça nada previsível. Antes pelo contrário. Mas percebo o que queres dizer. Não diria que tem a ver com imprevisibilidade, mas com irracionalidade. As pessoas gostam de ver acontecer coisas que ninguém espera que aconteçam. Com o Barça, também não se sabe o que vai acontecer, mas as pessoas sentem que aqueles jogadores sabem exactamente o que estão a fazer, e como vai acabar a jogada. E é essa superioridade intelectual, parece-me, que as deixa desconfortáveis. Preferem ver humanos a martelar contra paredes, a transpirar, e a confiar na sorte do que a ver extraterrestres a fazer coisas que não compreendem.

Tatiana Segala disse...

Bom dia

Me chamo Tatiana, trabalho em uma agencia de Marketing Digital e gostaria de saber qual o valor cobrado por vocês para publicar um publieditorial. Seria para um dos nossos clientes que é do ramo de venda de entradas online. Sobre a tematica a Final da Taça de Portugal. Se está interessado entre em contato comigo: tamin@ibooster.es

John Matusek disse...

Você parece os comentadores da tvi quando o Ronaldo toca na bola, a falar do Guardiola parece que lhe está a dar um orgasmo. Largue as palas, olhe para o Bayern do Heynckes (acho que é assim xD) isso sim puro futebol, qual merdas de invenções que não fazem sentido nenhum, futebol aborrecido do Guardiola, o que vale é que não está no ADN dos jogadores do Bayern mas mesmo assim alguns jogos foram realmente aborrecidos. Grande Guardiola, o treinador que me faz adormecer durante os jogos. E mesmo assim continua a ter a proteção dos árbitros e só assim consegue ganhar taças como se viu recentemente.

John Matusek disse...

"E é essa superioridade intelectual, parece-me, que as deixa desconfortáveis. Preferem ver humanos a martelar contra paredes, a transpirar, e a confiar na sorte do que a ver extraterrestres a fazer coisas que não compreendem."

OLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Epah, que riso esta frase.

O autor deste blog é mesmo um burro no que toca a futebol, tenho de começar a ler mais quando me quiser rir.

Agora cada acéfalo consegue ter um blog.