sábado, 21 de novembro de 2009
Milevsky
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Nuno
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Evolução a frio...
Na anterior ronda da Champions, vimos o conjunto de Guardiola realizar uma exibição que apelou a um grande esforço dos catalães. E este esforço tem uma relação exígua com factores externos à equipa do Barcelona.
Perante um adversário que procurou acima de tudo tapar os caminhos da sua baliza, os campeões europeus fizeram uma primeira parte de uma qualidade e concentração irrepreensíveis. O jogo posicional da equipa espanhola, com os sectores sempre juntos, e um notável critério no passe permitiu-lhes jogar os primeiros 45 minutos em cima do adversário sem, no entanto, se exporem a qualquer situação de perigo por parte da equipa russa. E foi neste último aspecto que encontrei motivos para dissertar sobre o dito encontro.
Se, por um lado, o jogo posicional e a excelente qualidade da posse e circulação de bola já não espanta ninguém, a maneira como o conjunto catalão conseguiu impor o seu estilo a um conjunto que "defende" uma cultura tão antagónica à sua foi um sinal inequívoco de uma equipa sem limites no que toca à evolução do seu modelo de jogo. É verdade que os altos níveis de concentração apenas duraram 45 minutos, mas, deste jogo, o Barcelona, mais do que perder dois pontos, evoluiu. Evoluiu com a experiência que lhe foi proporcionada durante a partida. Por mais que se treine, por mais que se incuta nos jogadores as dinâmicas que são pretendidas, só mesmo perante grandes adversidades eles podem evoluir e melhorar os seus conceitos de jogo.
A maneira como o Barcelona desmontava o "ferrolho" adversário (que começava com os seus dois avançados na linha de meio-campo, oscilando em função da bola, tentado cortar as linhas de passe para os médios no corredor central, ou criando superioridade nas linhas, para, desta forma, impedir a progressão compacta que caracteriza os catalães) foi perfeita. Sem precipitações, ou ansiedade, rodavam o esférico até conseguirem a linha de passe mais "sólida", não caindo na tentação de procurar em demasia, através do jogo directo, Ibrahimovic.
Seriam certamente poucas as equipas a conseguir, durante todo o jogo, o mesmo número de ocasiões que o Barcelona, perante um conjunto que simplesmente se dedicou a um único momento de jogo, alcançou. E isto sem se desequilibrar (a única vez que o conjunto russo logrou visar a baliza catalã com algum perigo foi no seguimento de um pontapé de canto... do Barcelona). Mais do que uma equipa de futebol ofensivo, o Barcelona é, cada vez mais, uma equipa "brutal" em todos os seus momentos.
Se há algo de importante a retirar deste jogo, não é o resultado, mas sim a capacidade do Barcelona em evoluir a cada adversidade com que se depara. E isto só é possivel porque a equipa respeita a sua identidade, o seu modelo. É desta "massa" que se fazem grandes equipas, grandeza essa que encontra fundamento na capacidade que têm para evoluir a cada jogo.
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Gonçalo
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Ponto de viragem?
O Sporting vive, neste momento, uma fase extremamente importante. Mais do que tentar salvar a época, é imperativo que a equipa leonina encontre um treinador que a possa colocar no rumo certo. Não será fácil, mas acredito que existem soluções que podem catapultar o clube de Alvalade para um patamar superior.
Não acredito que os treinadores devam procurar o melhor modelo para os seus jogadores; antes devem procurar o modelo que serve melhor a concepção que detêm sobre o jogo. Posto isto, o que os dirigentes leoninos devem ter em consideração é a filosofia do treinador que vão escolher. Devem procurar alguém com um modelo que permita ao clube leonino voltar ao trilho do sucesso, cujo estilo, por defeito, valorize os activos do Sporting. E isto não pode ser feito senão através de um estilo que valorize a inteligência dos seus jogadores.
Vendo as soluções ventiladas para suceder a Bento, a melhor solução, no meu entender, surge através de Villas Boas. Só porque o seu nome está associado a tudo o que representa Mourinho? Não. Porque Vítor Pontes também tem uma forte ligação com o "Special One" e dificilmente o veria como uma solução que pudesse servir da melhor forma o clube leonino.
Baseio-me nos jogos que tive a oportunidade de ver da Briosa. É cedo? É. No entanto, os princípios que têm servido de base às exibições da Académica são os melhores. A Académica é uma equipa que revela organização em todos os momentos do jogo, privilegiando a posse do esférico, procurando sair sempre de forma apoiada, obrigando os extremos a jogar mais por dentro. Enfim, procura-se que todas as acções sejam verdadeiramente colectivas. Este factor retira alguma "objectividade" à equipa, impedindo que seja mais rápida nas situações de contra-ataque. No entanto, torna a equipa mais forte no momento ofensivo, assim como retira vulnerabilidade às transições ataque-defesa da sua equipa. Outra coisa que me impressiona é a constante criação de apoios efectuada por toda a equipa. Não é responsabilidade de um ou dois jogadores, mas sim de toda a equipa. Resumindo, é um modelo que não relega para segundo plano a capacidade dos seus elementos em relacionar-se entre si, sempre em função das linhas gerais que guiam a consciência colectiva da equipa. E que melhor modelo, que não este, para fazer crescer jogadores como Pereirinha, Adrien, Carriço, Rosado, André Martins, Rui Fonte, Diogo Amado, Pedro Mendes, ou até, porque não, João Moutinho, Veloso, etc.?
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Gonçalo
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sábado, 7 de novembro de 2009
Napoleão joga em Alvalade?
O que Nuno Madureira tenta fazer é explicar de forma simples o problema que se abateu sobre o Sporting. Acontece que só procura explicar coisas complexas de forma simples quem não tem muito juízo. Assim, a manifestação das perturbações mentais de Nuno Madureira começa logo com a sua primeira frase:
"Há muitas maneiras de enumerar os problemas do Sporting. Uma das mais básicas e directas resume-se a uma frase: afinal, Liedson é humano."
A falta de siso começa logo com um problema no discurso. Nuno Madureira diz que há várias formas de enumerar problemas e propõe-se a enumerá-los numa frase, mas depois não enumera nada e resume uma enumeração de várias coisas a apenas uma coisa. O resto deve ter-se, certamente, perdido pelo caminho. Mas antes de ler o resto do artigo, adivinhamos logo que o problema mental do senhor tem por origem uma desilusão relacionada com a natureza de Liedson. Ao que parece, a precipitação do estado de demência ter-se-á ficado a dever à descoberta de que o enormíssimo jogador brasileiro era, afinal, apenas um humano. Convém dizer que nem toda a gente está mentalmente preparada para descobertas deste tipo. Mas eis que prossegue a demonstração de loucura:
"Quantas vezes, nas últimas épocas, a uma exibição mediana - ou medíocre, ou mesmo má - do Sporting, se seguiu a entrada em cena do 31, aparecendo do nada, para resolver o jogo e atenuar as diferenças para a concorrência?"
Posso estar enganado, mas não me lembro de uma única ocasião em que Liedson tenha aparecido "do nada", a fintar os onze adversários e a fazer golos. Mas como não tinha por hábito assistir aos treinos dos leões, posso estar a fazer juízos precipitados. Continuemos:
"De tanto habituar os seus adeptos - e os dos adversários - a um rendimento superlativo, semana após semana, o «levezinho» construiu nos últimos anos, por mérito próprio, uma imagem de super-herói."
Superlativa é a pancada deste senhor; super-heróis foram os pais dele, que tiveram que lhe aturar a estupidez. Adiante:
"Agora, que a sua inacreditável regularidade conhece uma quebra consistente e prolongada - dois golos em nove jornadas, o último há mais de mês e meio - tudo o que andava disfarçado, ou atenuado, parece mais evidente."
Agora?? Mas é a primeira vez que o rapaz fica muito tempo sem marcar?? E quantos jogos resolveu o Sporting nesse mês e meio, sem Liedson? Comecemos pelo fim: foi Saleiro quem marcou frente ao Venstpils, dando o empate; foi Matías Fernandez quem marcou frente ao Guimarães e frente ao Marítimo, o que valeu, das duas vezes, um empate; foram João Moutinho e Miguel Veloso quem marcaram na vitória ante o Ventspils; foram João Moutinho, Daniel Carriço e Vukcevic quem marcaram na vitória frente ao Olhanense; foi Adrien Silva quem marcou na vitória ante o Hertha de Berlim. O problema é mental, mas também é de memória. E de matemática, já agora. O que "andava disfarçado, ou atenuado" e que agora é evidente é que doentes mentais não têm competência para serem jornalistas. Continua Nuno Madureira, dizendo:
"A equipa tem poucas soluções tácticas alternativas? Sim, como sempre teve."
O senhor Nuno Madureira tem poucas ideias que não sejam idiotas? Sim, como sempre teve.
"Falta qualidade individual em quase todos os sectores? Sim, de há muito tempo para cá."
Falta qualidade individual a cada uma das sinapses deste senhor? Sim, é provável que falte.
"Paulo Bento repete receitas e discursos, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez também nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas."
Nuno Madureira repete sentenças populares e discursos de massas idiotas, sem um rasgo de novidade? Sim, como o fez nos anos em que, sucessivamente, superou as expectativas e conseguiu completar um curso superior. Mas eis o que diz no último parágrafo:
"A maior diferença - não a única, claro - é que noutras épocas o Sporting tinha um fenómeno a ponta-de-lança."
Um fenómeno? Mas um fenómeno natural? Era o El Niño? Ia jurar que esse jogava no Liverpool. E será permitido por lei fazer alinhar, no onze inicial, furacões, anti-ciclones, tsunamis e fenómenos dessa natureza?
"Nesta altura, tem apenas um excelente avançado, a lutar para recuperar os superpoderes."
Agora sim, percebo o que o senhor quer dizer. Na cabeça de Nuno Madureira, Liedson é o Super-Homem e o problema do Sporting é que ninguém consegue descobrir onde é que o Lex Luthor pôs a Kriptonyte. Será isso? E Nuno Madureira conclui a sua análise ao problema do Sporting do seguinte modo:
"Afinal, Liedson é humano. E o Sporting não estava preparado para lidar com isso."
Como se depreende, para Nuno Madureira, a humanidade de Liedson estragou os planos ao Sporting. A equipa estava preparada para jogar com dez seres humanos e uma entidade divina, mas a partir de agora vai ter de passar a jogar só com onze seres humanos. E isso, de facto, é um problema, visto que mais nenhuma equipa no campeonato português joga só com onze seres humanos. Aliás, vai ser muito difícil ao Sporting continuar a ser competitivo num desporto como o futebol, em que poucas são as equipas que não têm três ou quatro alienígenas, dois ou três veículos de guerra e um alguidar.
Resumindo, todo o maluco que se preze pensa que é Napoleão. Nuno Madureira é um maluco mais sofisticado. Está convencido de que Liedson é Napoleão. Isto se não estiver convencido de que é Napoleão quem é Liedson. Repito as primeiras palavras do texto: "há fármacos que atenuam certas doenças mentais." É capaz de ser altura, até porque vem aí o Natal, de oferecer ao senhor Nuno Madureira um colete de forças e umas férias pagas no Miguel Bombarda. Ou isso ou autógrafo de Deus... perdão, de Liedson.
P.S. Um bom fármaco contra este tipo de maluquice em particular e que ajuda a compreender os verdadeiros problemas do Sporting é o texto que escrevi a 31 de Julho de 2009 e que pode ser encontrado aqui. Aconselha-se a sua ingestão, duas vezes ao dia, durante três meses e vinte e sete dias...
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Nuno
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Os Pequenotes
De um deles, disse há pouco mais de um ano que era o meu maior ídolo na actualidade e que seria um prazer poder vê-lo em Portugal, mas que temia que o seu futebol não fosse apreciado e valorizado no contexto nacional e no contexto particular da equipa para onde vinha. A época transacta deu razão às minhas reservas, mas, felizmente, tudo mudou desde Agosto. Do outro, sempre fui fã incondicional e não tinha dúvidas do seu valor. Como em relação ao primeiro, cheguei a temer que a mentalidade retrógrada do país não soubesse retribuir-lhe a qualidade. Felizmente, uma vez mais, encontrou o espaço ideal e a mentalidade ideal na equipa para a qual veio habitar.
Por esta altura, qualquer pessoa sensata saberá já que estas palavras de apreço não poderiam ser dirigidas senão a Pablo Aimar e a Javier Saviola. Os dois argentinos são, a uma distância que não consigo sequer qualificar, de tão vasta, os melhores jogadores deste campeonato. Com eles, o Benfica não é só um candidato ao título normal; é uma equipa mentalmente saudável, imaginativa como muito poucas no mundo. O futebol encarnado tem, colectivamente, uma qualidade considerável e Jesus está, por isso, de parabéns. Mas a principal virtude deste conjunto são estes dois pequenotes. E não estes dois, cada um por si; estes dois, sim, mas quando relacionados um com o outro. O Benfica torna-se especialmente poderoso quando estes dois conseguem combinar entre si, quando se conseguem entender. A relação entre eles é que é formidável. As suas qualidades mais interessantes, por isso, são aquelas que lhes permitem perceber-se um ao outro e não aquelas através das quais conseguem, ocasionalmente, resolver situações individuais.
O principal mérito de Jorge Jesus, de entre os muitos que tem, é ter confiado incondicionalmente o seu Benfica à arte destes dois enormes jogadores. Ao contrário de Paulo Bento, que parece desenhar a sua equipa sempre em função de Liedson, o mérito de Jesus consistiu em perceber em função de quem é que vale a pena desenhar equipas. Se uma equipa de futebol deve ser pensada em função de alguma coisa, deve sê-lo em função do talento. E é de talento que tem de se falar quando se fala nos nomes de Aimar e de Saviola. Estes dois artistas não têm muitos dos atributos que, hoje em dia, muita gente considera essenciais a um jogador de topo. Não são extraordinariamente velozes, não são agressivos, não são capazes de jogar intensamente durante 90 minutos, não são fortes fisicamente, não são altos. No fundo, são dois pequenotes. Acontece que, ao contrário do que muita gente pensa, o futebol é essencialmente para os pequenotes. E Aimar e Saviola encontraram na Luz quem percebesse isso.
O sintoma que mais fielmente denota a saúde desta equipa não é a capacidade de pressionar alto durante 90 minutos, não é a resistência física dos seus jogadores, não é a organização táctica da equipa, não é a quantidade absurda de golos marcados, não é a capacidade de criar jogadas de perigo a toda a hora. Tudo isto são, de facto, indícios positivos. Mas aquilo que melhor espelha o potencial desta equipa não é nenhuma destas coisas. Aquilo que faz pensar que, de facto, o Benfica poderá fazer uma época extraordinária e medir forças com quase todas as equipas do mundo é um pormenor que tem passado despercebido a quase toda a gente. Falo de Aimar e de Saviola, claro. Mas falo deles não por tudo o que é normal dizer deles, mas por outra coisa. Vejam como trocam a bola entre eles descomplexadamente, como jogam para trás quando podiam progredir, como parecem divertir-se ao mesmo tempo que decorre a competição, como se procuram um ao outro em campo, como tabelam com uma destreza inigualável, como confiam um no outro e endossam a bola ao outro mesmo quando este se encontra rodeado de adversários, como jogam à rabia entre adversários, como iludem tudo e todos negligenciando a ideia de progressão e preferindo repetir o passe para trás. Parecem almas gémeas. Entendem-se na perfeição e podem dar-se ao luxo de levar esse entendimento para patamares de complexidade incompreensíveis para a maior parte dos adversários. Ao fazê-lo, tornam-se muito difíceis de parar. Quando se pensa que Aimar vai definir a jogada, com um passe para as costas da defesa, eis que procura Saviola; quando se pensa que este se vai virar para o adversário e forçar a verticalidade, eis que devolve em Aimar; quando se pensa que, agora sim, Aimar vai dar profundidade, eis um passe para o lado para o amigo Javier; quando se pensa que Saviola, após tanta cerimónia, vai finalmente procurar ser objectivo, eis mais um toque curto para o amigo Pablito. E estão nisto o tempo que for preciso. E os adversários à roda, à procura da bola, com a língua de fora e já sem discernimento para perceber que, com tudo isto, se desorganizaram por completo. A consequência deste tipo de futebol é precisamente esta: desorganizar, pela imprevisibilidade, pela estranheza da coisa, toda uma defesa. O futebol curto de Aimar e Saviola, as tabelas e as contra-tabelas, o exagero de passes e devoluções entre eles, tudo isto corresponde ao maior trunfo deste Benfica. Ser capaz de fazer isto é ser capaz de fazer o que há de mais difícil e eficaz em futebol. Há pouquíssimas duplas que o conseguem. Neste momento, só me ocorrem os nomes de Xavi e Iniesta.
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Nuno
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Campeonato do Mundo dos Comentários Hilariantes (Grupo B)
1) Anónimo (29 de Novembro de 2007) (post Sub-Aproveitamento):
"tu percebes de futebol é? quem to disse? tens curriculo para apresentar? é que se n tens es igual aos restantes, podes mandar umas "papaias" para o ar mas é igual aqueles que rejeitas... cumprimentos"
(Nota: Anónimo, anónimo, tu percebes de disparates? Tens currículo para apresentar? É que se não tens és igual aos restantes a dizer disparates, podes mandar umas "papaias", mas dizes disparates tão disparatados como os daqueles que rejeitas...)
2) Bruno Pinto (4 de Dezembro de 2007) (post Falsas aparências... Parte dois):
"Se um gajo não sabe cruzar, não pode ser lateral, se não sabe atirar a bola lá para dentro, não pode ser avançado, se não sabe marcar em cima, não pode ser central. Etc, etc, etc."
3) Pedro (10 de Dezembro de 2007) (post As asneiras de Luís Freitas Lobo):
"Sim caro Nuno o talento nasce com as pessoas....por muito q tu aprendas a cantar se não tiveres voz não chegarás ao nível máximo. Pq o talento é o q define aquilo q separa uns de outros, talento é aquele factor x que não se explica, tem-se ou não se tem. Simplesmente isso. Chama-lhe instinto, inspiração, whatever, talento nasce connosco..."
e (a 11 de Dezembro de 2007)
"Não se trata da inteligência ser inata ou não. Trata-se sim de tu estudares uma vida inteira e não conseguires resolver os mais dificeis problemas matemáticos e outros aos 15 anos resolverem-nos desde os 7."
(Nota: Achou o comentário confuso?? Faça uma pausa às 15 horas desde as 7.)
4) Anónimo (10 de Dezembro de 2007) (post As asneiras de Luís Freitas Lobo):
"a homossexualidade é, obviamente, genética. Ninguém é gay/lésbico por opção (ao contrário do que alguns tontos homossexuais parecem acreditar, provavelmente por receio que lhes chamem doentes hereditários...)."
5) Bruno Pinto (10 de Dezembro de 2007) (post As asneiras de Luís Freitas Lobo):
"O Maradona foi o que foi porquê? Primeiro, porque Deus deu-lhe um talento absolutamente incrível para jogar futebol. Segundo, porque treinou e aprendeu a usar esse talento no futebol de alta competição."
(Nota: O Deus é um maluco, a distribuir presentes assim pela malta.)
6) pedro silva (11 de Janeiro de 2008) (post O Boavista de Pacheco):
[falando de Mateus, Fary e Zé Kalanga]
"os 3 abundam em talento...mas é preciso um treinador!"
e
"O diakite é um jogador fundamental no boavista. ele não está lá pra jogar à bola... está lá pra não deixar jogar e aí está o teu erro de interpretação."
e
"O futebol defensivo é o mais ganhador de sempre na história do futebol. "
e (a 12 de Janeiro de 2008)
"Mourinho é claramente um defensor do estilo de jogo defensivo. Qualquer um sabe disso."
(Nota: Diz Mourinho, sobre a sua filosofia de jogo, em contraste com a de Bobby Robson, no livro de Luís Lourenço, Liderança: as lições de Mourinho, o seguinte: "(...) mantendo a primazia por um futebol de ataque, procurei no fundo, organizá-lo melhor e essa organização parte, muito justamente, da defesa." Afinal parece que não é assim tão defensivo.)
7) pedro silva (11 de Janeiro de 2008) (post Tragédia Grega... e não só):
[sobre Katsouranis]
"Sei que muita gente gosta dele mas eu, reconhecendo-lhe as qualidades que tem, acho que tem defeitos a mais para jogar no benfica."
8) Bruno Pinto (13 de Janeiro de 2008) (post Tragédia Grega... e não só):
"Bem, eu começo a pensar que o Nuno e o Gonçalo são o mesmo cromo, de tão parecidas que são as estupideses que dizem e a forma como não percebem o que se diz. Vontade de rir... Ainda não percederam (percebeu?) patavina do que eu disse do Veloso e do Moutinho. Não percebem... O Veloso e o Moutinho são os dois inteligentes. E não percebem porque eu prefiro um ao outro. É que não percebem. E depois ainda acham que percebem de futebol... Epá..."
(Nota: Não percebi como é que se não se percebe que um gajo não perceba que usou quase uma centena de vezes o verbo "perceber" numa frase, sem perceber que a estava usar de forma a tentar perceber algo que não tem capacidade para perceber.)
e
"Eu não acho que chamar burro é insultar (...) Um burro é um gajo sem inteligência. Não é insulto."
(Nota: Eu não acho que chamar prostituta à mãe deste artista seja insultar. Prostituta é uma gaja que usa o corpo para trabalhar. Não é insulto.)
9) Bruno Pinto (16 de Janeiro de 2008) (post 22 curtinhas):
"Nuno, escreve-se 'covarde'. Muda lá isso que não estou habituado a erros ortográficos neste blog."
(Nota: O ensino do português, a norte do Tejo, parece-me pouco competente. Assim como o ensino da bazófia.)
10) Pedro (18 de Fevereiro de 2008) (post Curtas mesmo mesmo curtas):
"Sinto da tua parte uma embirração com o Binya...e algo me diz q em breve vais ter q te retractar..."
e (a 19 de Fevereiro de 2008)
"Por acaso acho um pouco estranho q tu, logo tu, tenhas uma opnião assim tão fechada de Binya mas não vou aprofundar muito a questão. Acho q se nota q há ali muito potencial mas adiante...agora não reconhecer q com ele em campo o Benfica ganha agilidade e dinâmica na pressão defensiva é puxado."
11) Anónimo (6 de Abril de 2008) (post Breves da Semana):
"E se alguem desencantar um extremo que marque golos de cabeça com a facilidade do Ronaldo, digam, está bem?
Ao artolas que comentou anteriormente - já não tens paciência para o CR7? Olha, ainda vais ter que o aturar por muito tempo... e no Europeu, quando precisares dele para ganhar jogos, como é?"
(Nota: O que vale é que tínhamos o Ronaldo no Europeu, se não teríamos ficado aí pelos quartos-de-final.)
12) Messi (23 de Abril de 2008) (post O que é um passe?):
[sobre Pelé]
"Ainda bem que há gente como vocês para ensinar um jogador que joga no campeão Italiano o que é um passe.
Serviço público no seu melhor."
(Nota: Um jogador que "jogava" no campeonato italiano. Assim é que está certo. Um jogador que passou a primeira metade da época passada a brilhar na Liga Intercalar e que depois foi brilhar para um colosso inglês. E que agora brilha em Espanha. Fica a correcção. E o serviço público.)
13) Trigo (30 de Abril de 2008) (post Compreender Futebol, em vez de o jogar...):
"Só se diz merda neste blog? Execução vs interpretação... Conversa estúpida!! Só cromos nesta rua."
14) Julio Cruz (11 de Maio de 2008) (post Clássicos: Taça dos Campeões Europeus 86/87 - FC Porto vs Bayern de Munique):
"Não concordo, aquela equipa do Artur Jorge era brilhante tacticamente, não me venham dizer o contrário."
15) ChuckE (12 de Maio de 2008) (post Clássicos: Taça dos Campeões Europeus 86/87 - FC Porto vs Bayern de Munique):
"Que biltre horrivel que és... podes admitir que não gostavas do estilo do porto daquela altura, e naquela final em especial, de "combate". Mas daí a chamar-lhe mau jogo..."
e
"Eu já vi a repetição do jogo na rtp memória, também. Apreciei bastante o jogo do Porto, num estilo de jogo semelhante ao praticado pelo Porto do Carlos Alberto, muito combativo, sólido a defender, sempre na recuperação de bolas, futebol apoiado, meio campo de pitbulls baixotes, como foi o estilo do Porto durante anos. "
(Nota: O raciocínio que importa reter é: todo aquele que não gosta de "pitbulls baixotes" é um "biltre horrível".)
16) Pedrovsky (25 de Maio de 2008) (post Os melhores):
"OFF-TOPIC: viste o (outro) grande golo do Pelé na final da taça de Itália? Leste o que é que os jornais italianos, gazzeta e corriere dello sport disseram dele? Qual é mesmo o teu problema com ele? Palpita-me que este será um sapo grande que vais ter de engolir mais cedo ou mais tarde, ai vais vais..."
(Nota: A mim palpita-me é que não fui eu quem engoliu sapos...)
e (a 26 de Maio de 2008):
"Nuno, eu sempre achei o Pelé um possível grande jogador de FUTURO. O grande golo que ele marcou (mais um)é mais uma prova e não apenas um motivo para dizer que ele é bom.
Qto às possibilidades com Mourinho, lembro-te apenas que o Bosingwa com Mourinho quase nunca jogou e hoje é o lateral mais caro do mundo, enquanto o dani alves não sai do sevilha. Por isso, o tempo está a favor do Pelé, mesmo que ele fique mais tempo no banco."
(Nota: Exacto, o tempo continua a favor do Pelé.)
17) slb4ever (26 de Maio de 2008) (post Os melhores):
[sobre Pelé]
"se com Mourinho não explodir, o problema é do Zé..."
(Nota: Se com Mourinho não explodir, o problema é do Zé; se com o Jesualdo não explodir, o problema é do Jesualdo; se com o Tony Adams não explodir, o problema é do Tony; basicamente, o problema é de todos menos dele...)
18) Anónimo (28 de Maio de 2008) (post Os melhores):
"És o maior tono do caralho!!"
(Nota: O que é um "tono"?)
19) Pedrovsky (29 de Maio de 2008) (post Pelé: um estudo):
"tens problemas com o M. da Costa? Já alguma vez viste um central com a habilidade dele na frente?"
20) Pedro Silva (29 de Maio de 2008) (post Pelé: um estudo):
"Nuno, exageras e ainda vais passar mal com o pelé."
21) Anónimo (5 de Junho de 2008) (post Sondagem (6)):
[sobre uma votação para eleger a equipa com melhores condições para vencer o Euro 2008]
"Votos na Espanha: nuno, gonçalo, o cão do nuno e o gato do gonçalo."
(Nota: os patetas do costume, uma vez mais com opções de voto que não lembram nem ao Diabo.)
22) Anónimo (14 de Junho de 2008) (post Incidências da Primeira Ronda do Euro 2008):
"Este blog é de escachar o coco a rir."
(Nota: Nunca percebi por que é que partir um côco é motivo de riso. Já "escachá-lo" é-o, seguramente.)
23) José Henriques (18 de Junho de 2008) (post Segunda Ronda):
"Mister fred (k de mister nao deve ter nada), já devo ver fut há mt mais tmp k tu!! por isso não me substimes...e n des exemplos parvos...o diakité e o binya são 2 pretos xulos.o petit é 1 gajo ja com visao d jogo e um remate mt forte..e a grécia eu nao digo k seja espectacular! mas k é boa tacticamente é! e vai xamar nabo à tua avó torta, k eu ja vejo futebol a 20 anos! este blog é so energumenos e gente sem humildade. isto é uma vergonha. a juntar a censura. parece q k voltamos ao estado novo."
(Nota: O nível dos insultos é brilhante, o português usado melhor ainda. Melhor, só mesmo a justificação para a falta de qualidade de Diakité e Bynia seguida da indignição por um comportamento, supostamente, em conformidade com a censura do Estado Novo. O que vale é que há coerência!)
24) Zé das Hóstias (20 de Junho de 2008) (post Ronda Final):
[sobre a França no Euro 2008]
"ESTE GAJO NAO SABE O Q DIZ!!!! A FRANÇA JOGOU MT BEM SÓ TEVE AZAR!!!"
25) Costa (decora o nome, cromo) (30 de Junho de 2008) (post Final e mais coisinhas):
"Ó palhaço, quem disse que o Pelé é dispensável? Se o fosse, o Quaresma há muito que já tinha ido para o Inter, não achas? Além disso, o que se fala é de um empréstimo, não de uma cedência definitiva."
(Nota: Professor Karamba e as suas adivinhações prodigiosas.)
E é isto: humor de qualidade, poderes de adivinhação prodigiosos e análise futebolística extremamente requintada. Falar de futebol a rir - eis o lema deste espaço e de todos os seus intervenientes.
Escrito por
Nuno
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13:52:00
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domingo, 18 de outubro de 2009
Simplesmente... Viana.
Um dos melhores jogadores portugueses da sua geração (e só não o considero o jogador mais importante do campeonato porque na Luz moram dois argentinos que são para lá de extraordinários). Ignorado pelo clube que o lançou para a alta roda do futebol, Hugo Viana foi parar a Braga. Na altura, as alarvidades que se disseram sobre o assunto multiplicaram-se: fosse porque era lento, ao contrário do velocíssimo Zizou, ou porque não se encaixava bem no modelo do Sporting, nem em qualquer um dos grandes, etc., a estupidez dos argumentos só encontrava par no talento que Viana teimava em espalhar pelos relvados, semana após semana.
Realmente, tenho de concordar que um jogador como Hugo Viana não faz o menor sentido num modelo como o Sporting: uma equipa que despreza a bola, que apela única e exclusivamente ao espírito de sacrifício dos seus jogadores, enfim, um modelo que ao invés de elevar os seus jogadores apenas os rebaixa não é, com toda certeza, o mais indicado para um jogador com o potencial de Hugo Viana, pois quanto maior é o potencial de um jogador sob o jugo daquela igreja maior é a atrocidade cometida contra o futebol. Se não, vejamos os casos de Pereirinha, Romagnoli, Farnerud, etc. Portanto, não será de todo disparatado dizer que a miopia que o "empurrou" para Braga foi a grande responsável pelo excelente campeonato que o Braga está a realizar. É verdade que a equipa minhota "parece" trabalhar sob a luz certa: tem um treinador que apela, de forma positiva, ao orgulho dos seus jogadores, dá importância à posse de bola, para além de conceder a liberdade necessária aos seus jogadores. No entanto, não é uma equipa muito organizada, e nem sempre se consegue apresentar com os sectores unidos, quer a atacar, quer a defender. Domingos parece um treinador com grande potencial, (tal como parecia Bento, há três anos) mas ainda é cedo para perceber se os motivos para jogar como pretende são os mais correctos. Falta perceber se os erros que comete não passam disso mesmo, ou se são sinais inequívocos de uma fraqueza que o tempo não tardará a pôr a descoberto, essa vertigem pela fé no resultado, sem se interessar, ou perceber, como o alcança. Por agora, com a liberdade concedida a Hugo Viana, Domingos não tem de se preocupar ora com a qualidade de jogo da equipa, ora com a menor valia (individual) dos argumentos da equipa arsenalista.
Hugo Viana é um caso raro de evolução. Poderia ser a esta altura mais bem-sucedido, isto se não se tivesse transformado naquilo que é hoje: um jogador muito inteligente que conhece todos os "cantos" do jogo, que percebe as necessidades da equipa, que mede cada acção que toma com uma gravidade que não se esgota na execução do passe ou do drible. E como seria fácil, para um jogador como Hugo Viana, focar-se apenas e só nas suas qualidades individuais. Bastava "apregoar" a toda a hora a facilidade com que a qualidade do seu passe longo se manifesta, forçando com isso um maior número de passes de risco e conseguindo um maior número de assistências, ainda que isso, muito provavelmente, se viesse a revelar contraproducente para a equipa. Poderia também, como muitos dos ídolos (com pés de barro) cá do burgo, procurar incessantemente, e a qualquer custo, obter o golo através de acções individuais. Decerto que a esta hora a sua conta pessoal seria bem mais atractiva; talvez até pudesse ser titular na selecção de todos vós. Mas de certeza que o Braga não seguiria invicto, com um registo impressionante, como líder do campeonato. Por isto tudo, não me parece exagerado dizer que, a par de Aimar e Saviola, Hugo Viana é, sem qualquer ponta de dúvida, a figura maior deste campeonato.
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Gonçalo
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Os energúmenos
1. Os que acham que a agressividade é uma coisa meramente mental e que para se tornar agressivo basta haver força de vontade.
2. Os que acham que o espírito de sacrifício é a maior virtude de um jogador.
3. Os que acham que o respeito se ganha exigindo-o arbitrariamente e não por demonstração de competência.
4. Os que querem bolas na linha só porque ouviram dizer que se deve jogar pelos flancos.
5. Os que protegem a humildade em vez do talento e os que dispensam os mais talentosos jogadores apenas porque não souberam lidar com o seu feitio.
6. Os que acham que podem justificar as suas ideias dizendo que aquilo que defendem está escrito em "livros" e que, como tal, não pode ser questionado, quando facilmente são desarmados se pensarmos que o livro mais influente na cultura ocidental se baseia na existência de uma entidade que, obviamente, não existe.
7. Os que não percebem que os jogadores mais competentes e através dos quais melhores resultados se podem extrair não são aqueles que dão tudo de si em termos físicos, mas sim aqueles que dão tudo de si em termos intelectuais, procurando perceber e melhorar as suas competências, não se limitando apenas a esticar ao máximo as suas competências actuais.
8. Aqueles que criticam um jogador por inventar e que aplaudem outro quando este faz algo simples, mas previsível.
9. Os que, com uma equipa cujas maiores virtudes são as competências técnicas e intelectuais, acham que os ingredientes necessários para vencer um adversário cujas principais características são a agressividade e a força são precisamente a agressividade e a força.
10. Os que não percebem que a impetuosidade não se contraria com impetuosidade, mas com inteligência, calma e qualidade de passe.
11. Os que não percebem que os melhores jogadores são os que tentam fazer as coisas mais difíceis e que, no meio de cinco adversários, dominar no peito, proteger a bola, metê-la no chão e dar num companheiro de modo a que a equipa possa começar a construir é muito mais difícil do que ir às alturas ganhar uma bola de cabeça cujo destino passa a ser absolutamente imprevisível.
12. Os que preferem jogadores que não compliquem àqueles que, sabendo das dificuldades, procuram ainda assim fazer coisas difíceis por perceberem que o êxito nas mesmas implica ganhos relevantes para a equipa.
13. Os que preferem jogadores velozes mas ineptos a jogadores lentos mas talentosos.
14. Os que têm Diogo Rosado e Fábio Paim no plantel e não os aproveitam, deixando-os no banco e utilizando outros como Wilson Eduardo.
15. Os que pensam que a qualidade de um avançado se determina pela quantidade de golos que marca e depois não têm capacidade para explicar por que é que o melhor avançado da Liga tem um quarto dos golos do melhor marcador da Liga.
16. Os que acham que o momento de atirar à baliza é mais importante que qualquer outro momento de jogo, usando o extraordinário argumento de que, no futebol, a conclusão é mais importante que a introdução e que o desenvolvimento apenas porque sim.
17. Aqueles que pensam que é possível criar jogadas de finalização de forma constante utilizando, em todo o processo ofensivo, apenas três ou quatro toques.
18. Os que ainda não perceberam por que razão é que o Braga, não sendo uma equipa especialmente bem organizada, nem especialmente agressiva, nem especialmente bem preparada fisicamente, está em primeiro no campeonato.
19. Os que acham que pedir atitude aos jogadores é uma fórmula mágica para os motivar e ignoram que a motivação só pode ser fruto do reconhecimento de competência.
20. Todos aqueles que, enfim, não privilegiam as características certas, aqueles que não percebem que tipo de carácter os seus jogadores devem possuir, aqueles que valorizam excessivamente as trivialidades, aqueles que acham que uma equipa deve ser composta por onze monges franciscanos, aqueles que acham que a simplicidade per si é louvável e que o futebol é um jogo simples, aqueles que não conhecem o episódio bíblico de David e Golias e acham que, para se vencerem Golias, se deve ser parecido com Golias, aqueles que não percebem que o próprio conceito de jogo implica que haja formas mais eficazes do que outras de se vencer e que, de maneira nenhuma, todas as estratégias são aceitáveis, etc...
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Nuno
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12:29:00
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Estilo de jogo
Muito se discute sobre a eficácia do estilo de jogo que priviligie a posse de bola. Talvez porque se confunda muitas vezes equipas com estilo de jogos semelhantes, mas que estão subjacentes a ideias e interpretações do jogo bastante diferentes. Vemos, por exemplo, conjuntos que gostam de ter bola para poderem retirar o máximo proveito dos malabaristas que proliferam no seio da equipa, outras porque a sua carga "histórica" a isso os obriga, e outros, como o caso do Barcelona, que o fazem não por causa dos jogadores que possuem, mas porque a posse de bola, e aquele estilo de jogo apoiado, de toque curto e seguro, são a "trave-mestra" de todo o seu futebol. Independentemente dos jogadores.
No entanto, apesar da importância dos motivos que sustentam um estilo de jogo, até a filosofia de jogo mais evoluída precisa de uma estrutura que lhe permita de forma inequívoca demonstrar toda a sua magnitude e superioridade perante as outras interpretações do jogo. Daí a importância do sistema táctico: não é indiferente, como muito boa gente apregoa. As dinâmicas realmente importam, mas a dinâmica está intimamente relacionada com a estrutura da equipa. O sistema táctico deverá permitir que as dinâmicas necessárias à concretização do nosso modelo de jogo sejam alcançadas compreendendo todos os momentos do jogo de forma una, contínua e equilibrada. Procura-se desta forma minimizar a nossa exposição a desequilíbrios (ofensivos e defensivos, em qualquer uma das fases de transição) inerentes única e exclusivamente ao nosso modelo de jogo.
Não possuo dados que me possam garantir quais as directrizes que sustentam o modelo de jogo do Arsenal, isto é, se a qualidade da posse de bola é o sintoma da "doença" certa, mas podemos constatar, nos jogos que temos observado neste início de temporada, uma consistência e equilíbrio inéditos que estão intimamente ligados ao sistema táctico adoptado por Wenger nestes jogos: o 4x3x3.
A valência desta filosofia vai muito para lá dos factores estéticos. O toque curto requer que a equipa jogue coesa, com os seus sectores juntos. Os próprios jogadores beneficiam de uma "rede" de apoios próximos que assim lhe oferecem mais opções, dificultando a acção defensiva do seu adversário. A esta imprevisibilidade contrapõe-se muitas vezes o risco que corremos de, com tantos passes, perdermos a bola em zonas proibidas. A verdade é que este argumento não só é falacioso como também ignora outra característica das equipas cujo modelo, desde que bem orientadas, assenta nesta filosofia: a capacidade de reagir de forma rápida e intensa aos momentos de transição, não só defesa/ataque, mas essencialmente ataque/defesa. O elevado número de jogadores na zona onde eventualmente a equipa perda a posse da bola, fruto do estilo de jogo baseado em apoios próximos, permite uma resposta mais rápida e eficaz sobre o adversário que havia recuperado o esférico. Mais, o facto de os sectores terem de jogar juntos retira espaço entre linhas para a equipa adversária se movimentar.
Posto isto, facilmente percebemos a importância de uma equipa como o Arsenal optar por jogar num sistema que lhe permite apresentar uma melhor ocupação dos espaços, benificiando de um maior número de linhas, não premitindo desta maneira tanto espaço e liberdade aos seus adversários, principalmente na transição ataque/defesa.
Beneficia o Arsenal com esta alteração, assim como os jovens que militam no clube londrino. Ramsey, Song, Vela, etc., vão poder exponenciar, ainda mais, todas as características, moldadas em função do estilo de jogo que "sustenta" o conjunto de Wenger. O treinador francês promove o desenvolvimento das tomadas de decisão nos seus jogadores, fruto da filosofia que implantou nos gunners. A constante criação de várias soluções em cada jogada obriga os seus jogadores a analisar um grande conjunto de variáveis. Desta forma, a regular necessidade de decidir entre as várias opções que lhe são "sugeridas" serve como um estímulo indispensável para a evolução intelectual dos seus jogadores. Agora, porém, com uma sistema mais equilibrado e racional, estes jogadores já não ficam obrigados a utilizar a sua mais valia para colmatar as lacunas do sistema táctico, encontrando ao invés um aliado não só na sua evolução como jogadores, mas também no seu caminho rumo ao sucesso.
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Gonçalo
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20:44:00
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Patetice
Quando Pateiro pega na bola, Shaffer está adiantado e é David Luiz quem cobre provisoriamente o lado esquerdo. Pateiro dribla Javi Garcia e, nesse mesmo momento, David Luiz desata a correr desalmadamente para trás. Será que se lembrou que tinha uma coisa importantíssima para dizer a Quim? Será que estava a ter um ataque epiléptico? Será que o neurónio esquerdo informou o direito de que correr estupidamente na direcção contrária à do local da bola provoca extraordinárias sensações de prazer? Todas estas hipóteses são plausíveis e, em abono da verdade, podem servir para desculpar o comportamento esquisito de David Luiz. Aquilo que não pode deixar de se notar é que a reacção do jogador é uma reacção anormal. O normal seria responder precisamente da maneira oposta, havendo para isso até duas possibilidades. Poderia ter atacado o portador da bola, obrigando-o a voltar para trás, a tentar o drible ou a soltar a bola, sabendo de antemão que a única opção de passe era Carlão e o mesmo iria demorar a reocupar uma posição legal, ou poderia simplesmente ter-se mantido naquela zona, fechando o corredor e aguardando que Javi Garcia ocupasse o espaço central de modo a equilibrar a equipa. David Luiz fez o oposto: correu para trás, como que fugindo do portador da bola, e para o meio, abrindo uma avenida para que o atacante leiriense progredisse até ao momento de cruzar. Um lance de clara superioridade numérica da defesa encarnada foi assim transformado na melhor ocasião dos leirienses na segunda parte. A abordagem perfeitamente disparatada de David Luiz ao lance denota uma dificuldade particular do jogador em entender quando é que deve atacar o portador da bola e quando é que deve esquecê-lo. Há ainda a possibilidade da opção de David Luiz ter sido condicionada pela movimentação de Carlão, o que é igualmente grave. Nesse caso, David Luiz estaria naquela zona apenas porque Carlão lá estava e, assim que este se moveu nas suas costas, foi atrás dele, acabando depois por perceber que talvez fizesse falta no meio. Qualquer que tenha sido a razão que fez com que David Luiz tivesse cometido este enorme erro, é certo que errou e que fez precisamente o contrário do que deveria fazer. Embora seja mais comum errar ao contrário, tentando atacar o portador da bola quando deve ficar quietinho, a fonte do erro é a mesma: uma má leitura das necessidades colectivas e da adequação das suas acções ao momento concreto da jogada. Aos seus problemas posicionais, de excesso de confiança, de má decisão com bola e de impetuosidade excessiva, acresce assim um que, de certo modo, se relaciona com todos os outros, a patetice. E, como ficou evidente, essa patetice não é minimamente pontual. Acontece recorrentemente e muitas vezes em prejuízo da equipa. Não querer ver isto, retendo na memória apenas o fulgor com que joga, é um problema de falta de juízo tão grande como a falta de juízo que, jogo após jogo, David Luiz faz questão de demonstrar.
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Nuno
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15:28:00
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Bruno Alves, Chygrynskiy e o que significa sair a jogar
Por que preferia Guardiola Chygrynskiy a Bruno Alves? É possível que haja quem diga que eles são parecidos e que a idade do ucraniano acabou por ser o factor decisivo. Obviamente, Chygrynskiy tem nos seus 22 anos uma vantagem em relação ao portista, mas discordo totalmente da ideia de que sejam parecidos. A opção de Guardiola não teve a ver com factores extrínsecos como a idade e a margem de evolução, mas sim com características do próprio jogador. Embora tenham alturas parecidas, creio que Bruno Alves faz desse factor uma arma maior que o ucraniano. O problema é que a capacidade aérea dos seus defesas não é uma das coisas mais importantes para Guardiola. Chygrynskiy, apesar de grande, não foi contratado pela sua estatura. A obsessão de Guardiola por ele tem a ver com a sua capacidade técnica, com o facto de ser exímio no passe longo e com a facilidade que tem em sair a jogar, tudo características adequadas ao perfil dos defesas centrais pretendidos pelo treinador catalão. Chygrynskiy é muito mais "macio" que Bruno Alves, não é impetuoso, não é ríspido. No entanto, é muito seguro defensivamente, muito calmo a jogar, posicionando-se normalmente bem e contribuindo com bastante classe na construção ofensiva. Antes da Supertaça Europeia, Guardiola falou da sua obsessão por Chygrynskiy e disse que, além de um defesa central muito bom, como havia muitos, era um central com as características certas para o Barcelona, sendo raro encontrar defesas tão bons com essas características. Parece óbvio, portanto, que a obsessão de Guardiola se explica pelo facto de considerar que não havia grandes alternativas a Chygrynskiy, que os defesas de classe mundial que possuíam as características por ele pretendidas não eram assim tantos. Ou seja, para Guardiola, sempre terá sido Chygrynskiy ou ninguém. Não faria sentido, até, contratar um central se o mesmo não viesse trazer algo de diferente. O Barcelona tinha até, antes da contratação do ucraniano, um excesso de centrais: Marquez, Piqué, Puyol, Henrique e o jovem Muniesa, se não contarmos com Gabriel Milito para já. O problema é que, destes, só Piqué tem qualidade suficiente e é, ao mesmo tempo, o tipo de central que Guardiola prefere, tendo em conta que Marquez iniciaria a época lesionado. Contratar Bruno Alves seria apetrechar-se com algo que já existe, quer em Puyol, quer em Milito, quer até em Cáceres, que mais tarde viria a ser emprestado. Viria trazer apenas quantidade e não diversidade.
A discussão em torno das valências de Bruno Alves e Chygrynskiy pode ser transportada para o futebol português e é possível tentar comparar jogadores segundo as suas capacidades para sair a jogar. Antes, porém, é preciso definir com exactidão o que significa sair a jogar. Sair a jogar tem pouco a ver com correr com bola, com tentar driblar adversários ou com ser capaz de colocar a bola à distância com facilidade. Sair a jogar tem a ver com classe, com elegância, com certeza no passe, com inteligência. Um central bom a sair a jogar raramente tem de tirar adversários do caminho recorrendo ao drible. Faz-me por isso alguma confusão que se afirme que David Luiz é bom a sair a jogar porque de vez em quando galga trinta metros com a bola numa corrida desenfreada e enfrenta os adversários utilizando o seu drible. Um central que drible é um central pouco precavido. Sempre. Sair a jogar não tem a ver com isto. Tem a ver com o privilegiar um desarme em vez de um corte, de modo a que a equipa possa automaticamente reiniciar o ataque; tem a ver com o jogar de cabeça levantada, procurando o melhor colega a quem dar a bola; tem a ver com o perceber quando há espaço para progredir individualmente com a bola e quando não há; tem a ver com o saber pesar as vantagens e as desvantagens de uma subida no terreno; tem a ver com o entender qual a melhor solução para a equipa em cada momento. Quem é, segundo estes parâmetros, melhor a sair a jogar? David Luiz ou Sidnei? Pepe ou Zé Castro? John Terry ou Ricardo Carvalho? Miguel Vítor ou Daniel Carriço? As minhas escolhas ficam invariavelmente pelas segundas opções.
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Nuno
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18:27:00
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A Falta de Escola de Liedson
Ronaldo não foi imediatamente no drible, esperou por reforços. Isso daria tempo a Liedson para passar nas suas costas. Esse simples movimento, não obrigando Ronaldo a dar-lhe a bola, deixaria o defesa húngaro à ilharga de Cristiano sem saber o que fazer e o português com mais opções do que a iniciativa individual. A partir do momento em que Liedson passasse nas costas de Ronaldo, o jogador português que conduzia a bola passava a ter duas opções: soltar para Liedson ou tentar ele a finalização. Isto faria com que a oposição do defesa húngaro fosse menos sólida e a finalização tivesse mais possibilidades de êxito, caso essa fosse a opção de Ronaldo. Liedson deveria ter feito uma diagonal para passar por trás de Ronaldo e não ter corrido em frente feito doido. É esta a diferença entre um jogador de futebol e um tipo que aprendeu a jogar à bola enquanto trabalhava num supermercado; é a diferença entre um jogador de futebol e um rapaz com boa vontade que de vez em quando até está no sítio certo.
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Nuno
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12:45:00
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Os erros de David Luiz
Este texto tem, por isso, a pretensão de revelar alguns dos erros recentes do brasileiro, erros graves que não têm a ver, como muitos julgam, com o facto de jogar a lateral e não a central. Os seus erros têm a ver com índices de concentração, com sentido posicional, com capacidade para se manter emocionalmente estável, com precipitações, com excesso de confiança, etc. E têm acontecido ora quando joga a lateral, ora quando joga a central. Recupero, então, as últimas duas partidas do Benfica (em Poltava e na Luz contra o Setúbal), por ter estado ligado aos três golos sofridos pelos encarnados nesses desafios. Houve ainda outro lance no jogo frente ao Vitória que não deu em golo por mero acaso e no qual David Luiz, após um passe de Di Maria - creio -, passe bastante arriscado, é certo, abordou o lance de forma excessivamente passiva, deixando a bola passar-lhe por trás e sendo captada pelo avançado setubalense que, depois, driblou o central encarnado, acabando, no entanto, por chutar por cima. De qualquer modo, não consegui arranjar imagens do lance, pelo que não falarei mais dele.
Vamos então aos lances:
1. O lance corresponde ao primeiro golo do Vorskla. Em jogada de contra-ataque do Vorskla Poltava, conduzido pela direita, David Luiz, a actuar a lateral-esquerdo nesse jogo, está estranhamente do lado direito do ataque. O que estava lá a fazer não sei. Sei que não estava onde devia e o Poltava ataca por onde ele deveria estar, obrigando toda a equipa do Benfica a um reajustamento que permite que o lance na área seja disputado apenas pelo avançado ucraniano que faz o golo e por Luís Filipe. É certo que Moreira não fica bem na fotografia, mas David Luiz é o primeiro a comprometer. Além disto, a forma como não acompanha a jogada, sendo que lhe era possível ter chegado à area, ainda que pelo lado direito, denota a pouca preocupação com o papel defensivo que deveria estar a desempenhar. Para acabar em beleza, alguém lhe chama a atenção e é possível vê-lo, no final da jogada, no canto superior esquerdo, protestando com esse alguém.
2. No segundo golo, o mau posicionamento de David Luiz é ainda mais gritante. Inicia a jogada estranhamente metido para dentro e bem à frente da linha de defesa. Depois, reage a um passe na zona central, abrindo ainda mais o buraco que criara do seu lado. Como é óbvio, a bola entra na direita, onde não está ninguém, obrigando Sidnei a corrigir essa lacuna e ficando a defesa desprotegida. O cruzamento acaba por encontrar um avançado ucraniano, que se antecipa a Luis Filipe e faz golo. Javi Garcia ainda tenta ocupar um lugar central, mas David Luiz nem se preocupa em ocupar, pelo menos, a posição de Javi Garcia, que lhe fora fazer a dobra. O lance denota, uma vez mais, displicência, falta de concentração e uma péssima tomada de decisão.
3. A culpa do golo do Vitória de Setúbal pode bem ser atribuída a Quim, que sai dos postes quando não o deveria ter feito. Mas David Luiz é o primeiro responsável, pois tem o lance controlado, mas, por excesso de confiança, demora a atacar a bola e, quando o faz, já Hélder Barbosa lá chegara. Poderia ter resolvido facilmente o lance quer passando de cabeça para César Peixoto, quer aliviando mais prontamente a bola. Mas não o fez. Confiou demasiado na sua capacidade de reacção e acabou por facilitar.
4. O quarto lance nada tem a ver com David Luiz. Penso que os três anteriores chegam e sobram para que se reflicta um pouco sobre a sua pretensa qualidade. É o lance do quinto golo do Benfica ante o Vitória de Setúbal e é para mim uma ilustração perfeita daquilo que foi o jogo da Luz. Tinha dito que Saviola foi a chave do desafio e que, pela sua movimentação, desconcertou toda a defesa sadina. Nesta jogada, é evidente o porquê dessa minha afirmação. O lance começa com um passe de Luisão para Di Maria, que cruza para Cardozo ajeitar para Ramires. Repare-se, em primeiro lugar, no espaço que há entre os defesas sadinos e o meio-campo, permitindo a entrada de Ramires. Repare-se igualmente no espaço que há entre cada um dos defesas sadinos. Isto só é possível porque Carlos Azenha veio à Luz defender primitivamente homem a homem. Mas repare-se agora onde está Saviola. Atrás de Di Maria. E perto dele - incrível! - o seu marcador directo. O mais caricato do lance é ver Di Maria pronto a cruzar, com um defesa perto dele, enquanto o marcador directo de Saviola, em vez de estar a olhar para o lance e perceber como se deveria posicionar em função do mesmo, anda à procura de Saviola, virando várias vezes a cabeça para ver se o pequeno argentino não lhe escapava. Nos dias que correm, este comportamento defensivo é ridículo. Este lance demonstra inequivocamente que as razões pelas quais o Vitória foi humilhado na Luz não tiveram nada a ver com a inexperiência dos jogadores nem com qualquer aspecto emocional relacionado com o desenrolar do desafio. Teve a ver, exclusivamente, com a abordagem táctica ao jogo por parte do seu treinador. Se os jogadores estão preocupados com homens em vez de estarem organizados, o único responsável é o treinador. Carlos Azenha não o quis admitir. Falou em desorientação dos jogadores após o terceiro golo. Qual desorientação? Os jogadores já entraram em campo desorientados. E entraram desorientados porque tinham de andar a perseguir individualidades. A movimentação de Saviola, fugindo das zonas de finalização e com isso arrastando os defesas que deveriam ocupar esses espaços, foi por isso a chave da partida.
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Nuno
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Coisas por dizer
1. Começando pelo que se passou em Portugal ou com os clubes portugueses, uma palavra para a eliminação do Sporting ante uma Fiorentina a jogar muito mal e outra para o Nacional, que conseguiu eliminar o Zenit da Liga Europa. O Sporting confirmou o terrível início de época e, ironicamente, foi mesmo um dos jogadores a quem menos se podem apontar defeitos quem acabou por estar ligado ao golo de Jovetic. Do Nacional, não vi nada, mas este Zenit, sem as principais figuras e sem o treinador Dirk Advocaat, é certamente uma equipa bem diferente e muito menos forte do que o era há um ano.
2. Continuando no Sporting, Liedson voltou aos golos antes da estreia pela selecção nacional. Agora já ninguém se lembra que não marcava desde Maio e já é novamente o maior avançado de todos os tempos. Mesmo que tenha falhado golos escandalosos, lances esses que, se fossem protagonizados por Nuno Gomes, mereceriam ingente reprovação.
3. O Porto também venceu e há quem diga que Varela já começa a mostrar credenciais. Não sei se é pelo facto de ter participado no primeiro golo, no qual cruza sem olhar, ou se é por ter marcado o segundo, num lance em que o defesa esquerdo da Naval ficou a dormir. Neste tipo de jogos, contra adversários incompetentes a defender como o caso da Naval, jogadores explosivos como Varela têm facilidade em encontrar os espaços para poderem executar. O problema será quando estes espaços não existirem. Aí, Varela será só mais um.
4. O Benfica goleou o Setúbal. Desde cedo, antes mesmo do segundo golo, que me pareceu que o desfecho final seria algo parecido com o que aconteceu. As razões eram óbvias. Jesus não iria pedir nunca para os seus pupilos abrandarem e os erros de organização da equipa sadina eram gritantes. Há quem diga que as bolas paradas definiram o jogo. Discordo inteiramente disso. Antes dos lances que deram os golos, já o Benfica demonstrara conseguir penetrar com facilidade na defesa sadina, abrindo espaços graças à falta de educação táctica do conjunto liderado por Carlos Azenha. É verdade que o factor emocional terá ajudado ao desnivelamento do resultado, mas não foi a principal causa. O principal problema setubalense teve a ver com a forma como abordou o jogo. Interessado em marcações individuais, abdicou da organização própria. Sem talento, sem capacidade para sair das zonas de pressão e sem competência para fechar os espaços, a equipa sadina andou de um lado para o outro atrás dos jogadores do Benfica. É natural que uma equipa dinâmica, com jogadores que, sem bola, procuram os espaços livres, consiga arrastar um adversário que se preocupa com os adversários directos. Desconfio até que esta será a primeira de várias goleadas ao longo da época. Naval, Académica, Belenenses e Leixões, sobretudo pelo modo como jogam, são as equipas na calha para o que se segue.
5. Uma das coisas que Carlos Azenha disse quando chegou a Setúbal foi que ia defender à Sacchi. Marcações individuais é o antónimo disso. Mais um que pensa que ler é saber o significado das palavras que vêm escritas nos livros...
6. Se, como treinador, a sua competência não poderia ter ficado mais abalada, como líder poderia ter-se salvado. Optou por não o fazer. Em vez de defender os jogadores, em vez de poupá-los o mais possível à humilhação de modo a recuperá-los e a transmitir-lhes confiança, Carlos Azenha optou por sacudir a água do capote e colocou as culpas num plantel inexperiente, em jogadores de escalões secundários e na incapacidade dos mesmos para aguentar a pressão. Chamou-lhes , no fundo, incompetentes, mentalmente fracos e imaturos. Boa!
7. O melhor em campo, apesar dos três golos de Cardozo e das três assistências e um golo de Aimar, foi Javier Saviola. As movimentações sem bola do pequeno argentino foram perfeitas. Às vezes, parecia que arrastava meia-equipa sadina, abrindo espaços para os colegas, e ainda ficava sozinho. Foi muito por causa da sua movimentação que o Setúbal, apostando em marcações individuais, se desorganizou defensivamente. Sem Saviola, a história teria certamente sido outra.
8. O Braga continua líder e parece jogar cada vez melhor. Domingos, enquanto treinador, sempre me pareceu pouco coerente. As suas equipas tanto tinham coisas fantásticas como denotavam erros de principiante. O seu trabalho na Académica e no Leiria não foi perfeito, embora também não tenha sido fraco. Para já, o seu Braga está a jogar bem. Vamos ver no que dá. As minhas desconfianças começam, contudo, no facto de a aposta em Rodrigo Possebon não ser clara.
9. Hugo Viana está de volta. A pergunta que fica é: se o Sporting andava atrás de um médio, se não tinha muito dinheiro para gastar e se Hugo Viana até manifestou interesse em vestir a camisola verde e branca, por que razão não foi o escolhido?
10. Em Espanha, o Barcelona entra a ganhar com tranquilidade. Já o Real, superou o Deportivo com muitas dificuldades. Pellegrini vai ter muito que fazer para conseguir estar à altura de Guardiola. É sugestão minha que poderia começar por confiar mais em Gago, provavelmente o melhor médio-defensivo da actualidade.
11. O Barcelona conquistou a Supertaça Europeia num jogo de sentido único. O Shaktar interessou-se apenas em defender e o Barcelona mandou no jogo do princípio ao fim. Em muitos momentos, porém, não conseguiu ser rápido na circulação de bola de modo a aproveitar o espaço entre os diferentes elementos ucranianos. Como tal, não conseguiu muitas ocasiões de golo. A ausência de Iniesta deixa o Barça menos criativo e Ibrahimovic está ainda longe da forma física ideal. Valeu um lance de entendimento entre Messi e Pedro, lance que é um exemplo de como o Barcelona é uma equipa e não um conjunto de jogadores. Depois do golo, destaque para a forma como o Shaktar não conseguiu ter bola durante os cinco minutos que faltavam. Mais nenhuma equipa no mundo consegue trocar a bola durante tanto tempo quando o adversário precisa dela.
12. Em Itália, o Inter de Mourinho começou mal, mas compensou goleando o rival de Milão. O primeiro golo é uma obra-prima e um exemplo de como o futebol se joga pelo meio e não insistentemente pelas alas. A circulação rápida da bola e a movimentação constante dos jogadores acabou por abrir espaços para a entrada de um dos médios, neste caso, Thiago Motta, que só teve que escolher um lado. O Inter deste ano promete reavivar tudo o que de bom José Mourinho conseguiu ao serviço de Porto e Chelsea.
13. A Juventus continua a ser, para mim, o principal adversário doméstico do Inter. Desta feita, venceu sem apelo nem agravo a Roma e Diego, o tal que era fraquinho, foi o herói da partida.
14. Em Inglaterra, atenção ao Arsenal. Wenger parece ter deixado de lado, de vez, o 442 clássico. Com isso, deitou fora a principal fonte de problemas do futebol da sua equipa. A jogar em 433, com a filosofia de jogo que sempre revelou, este Arsenal será certamente mais consistente. Para já, um arranque de campeonato impressionante, com duas goleadas, só travado por um resultado injusto em casa do campeão. Em termos individuais, só um idiota poderia dizer que este Arsenal tem argumentos para rivalizar com Chelsea, Liverpool e Manchester, mas em termos colectivos é a equipa mais interessante em Inglaterra. A jogar assim, num 433 com um médio-defensivo nas costas de dois jogadores mais ofensivos e com dois extremos com liberdade para virem para o meio, o Arsenal mantém a dinâmica ofensiva que sempre possuíu sem se desequilibrar constantemente, como acontecia antigamente. Joga assim de forma mais pausada e não sempre em constante velocidade. O futebol é mais atractivo e mais seguro, ao mesmo tempo. Com o regresso de Nasri e Rosicky, se não abandonar estas ideias, o Arsenal tem tudo para fazer uma grande época.
15. O Chelsea lidera e mantém viva a candidatura ao título. O Liverpool começou mal e o Manchester não está em grande forma. O City terá muitos problemas ao longo do campeonato, assim como o Tottenham, que para já ocupa o segundo lugar, com os mesmos pontos que o Chelsea. Vai ser, porém, o campeonato mais interessante dos últimos anos.
16. Em França, Lisandro tem-se fartado de marcar golos. Mas o que é espantoso é mesmo como Cissokho é titular em vez de Grosso. Ferrara é que não desperdiçou a oportunidade de resgatar o internacional italiano e a Juventus arrecada mais uma boa contratação.
17. Na Alemanha, o Bayern de Van Gaal não começou bem, mas Robben veio dar uma injecção de qualidade e já valeu uma vitória. Espera-se um resto de época interessante.
18. Curiosidade de última hora: alguém sabe onde anda Co Adriaanse? Pista: foi campeão na última época, uma vez mais, e o seu nome continua a rimar com competência. Pena é que haja incompetentes, mesmo entre os holandeses, que tenham tanta ou mais reputação. Estou a falar de um que, por acaso, até lidera o campeonato holandês.
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Nuno
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09:07:00
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O Incrivelmente Ridículo Hulk
Em primeiro lugar, o árbitro não tem que proteger ninguém. Um árbitro deve ser isento e não a Madre Teresa de Calcutá. A única coisa que tem de fazer é aplicar leis. A aplicação correcta das leis encarregar-se-á de proteger quem tem de ser protegido. Assim, os jogadores mais imaginativos, tecnicamente mais dotados, de drible curto, capazes de esconder melhor a bola, serão sempre mais protegidos, porque serão inevitavelmente travados pela força ou pela transgressão das leis. Uma boa arbitragem protegerá assim, por consequência da aplicação das regras de futebol e não por qualquer diligência de índole caridosa, aqueles que merecem ser protegidos, aqueles que não têm outros argumentos além dos futebolísticos. Ora, não é, de todo, o caso de Hulk. É aqui que começa o ridículo da questão.
Ao contrário do que se pensa e do que se afirma em praça pública, com pompa e orgulho de gente pobre, o futebol não é um jogo de contacto. Muitos dirão que futebol não é basquetebol e que pode haver contacto. A resposta a estes é simples: vão às leis! A única carga permitida é a carga de ombro. E porquê? Porque é uma carga em condições iguais, assente numa superfície de corpo idêntica e em condições de equilíbrio semelhantes. Tirando a carga de ombro, todo o contacto que, de algum modo, perturbe o equilíbrio do jogador em posse da bola deve ser punido. Quem disser o contrário, não sabe o que é futebol. Não implica isto que não possa haver contactos, que um defesa não possa tocar no avançado, que não se possa encostar nele. Pode, evidentemente. O que não pode é usar esse contacto para ganhar vantagem na discussão pela bola; não pode desequilibrar minimamente o adversário para que este execute deficientemente; não pode agarrá-lo minimamente para que perca tempo de execução; não pode, em suma, fazer nada que não seja tentar recuperar a bola. Os melhores defesas são precisamente aqueles que não fazem uso do choque, são os que têm melhor tempo de desarme, os que são mais velozes e perspicazes a ganhar posição, os que percebem mais rapidamente as intenções do adversário, os que se conseguem antecipar melhor, os que lêem melhor as possibilidades de êxito das suas acções.
Aquilo que não se percebe em relação ao contacto é que ele não é uma possibilidade em futebol; é tão-somente uma consequência. Não é permitido usar o contacto físico para ganhar posição ou para ganhar qualquer tipo de vantagem. No entanto, há e deve haver contacto. Mas apenas como uma consequência natural de uma luta saudável pela melhor posição. Para dar um exemplo concreto, dois adversários acorrem a uma bola e um deles acaba por ocupar a melhor posição em primeiro lugar. É natural que, dada a proximidade dos dois, aconteça um contacto entre eles, mas esse contacto é consequência dessa disputa de bola. Em momento algum o contacto deve ser utilizado para ganhar vantagem na disputa da bola. É - repito - apenas uma consequência natural dessa disputa. Logo, todo o contacto que não seja resultado de uma consequência natural deve ser punido.
Isto não vale apenas para os defesas. É também para os atacantes. Em diversos momentos, numa disputa entre um atacante e um defesa, o defesa consegue ocupar a melhor posição face à bola. Se o atacante usar o contacto para recuperar essa posição e manter a posse de bola, deve ser punido tal como um defesa que use o contacto para ganhar posição o deve. É aqui que entra o futebol de Hulk. Hulk, pelas suas características, não é um jogador de drible curto e não tem uma capacidade extraordinária para proteger e esconder a bola. As suas virtudes são a velocidade e a força física. Consegue evitar os adversários muito mais graças às suas capacidades atléticas do que à sua capacidade técnica. Não é, por isso, um jogador que evite o choque. Ele é até uma das suas maiores armas. Assim sendo, a principal razão para que as suas lamentações não façam qualquer sentido é que aquilo de que se queixa é precisamente aquilo que lhe permite ser o que é.
Hulk queixa-se que os defesas não o deixam jogar quando é ele quem, pelo seu estilo de jogo, promove o contacto, quando é ele quem precisa dos duelos físicos para impor o seu futebol. Queria o quê? Que saíssem da frente e não o perturbassem? O futebol é um jogo para futebolistas, não para camiões TIR. Para progredir individualmente com a bola não basta metê-la para a frente e passar por cima de quem se coloca no meio do caminho. Hulk queixa-se também que os árbitros lhe assinalam muitas faltas. Maior parte delas são, de facto, falta. Mais uma vez, parece que queria que fossem criadas leis especiais em que só era falta quando fosse cometida sobre ele. Resulta disto que Hulk me parece não ter noção de quão ridículo é. O seu futebol vive da força e não me parece que o consiga perceber. Julga-se Maradona, certamente. Mas tem pouco a ver com o astro argentino. É que esse levava porrada porque saía do meio de três adversários com a bola controlada sem lhes tocar. Hulk sai do meio de três adversários pondo a bola para o lado e correndo ou deitando-os abaixo. O seu futebol vive da força e precisa até dela. Como tal, maior parte dos lances são disputados no máximo, sendo por isso muitas vezes impossível fugir ao contacto. É natural, por isso, que cometa muitas faltas, porque joga no limite, e que muitas vezes vá ao chão, porque tenta furar, sem arte, por onde nem Maradona se atreveria a passar. A única protecção de que Hulk necessita, portanto, é a de poder passar a entrar em campo conduzindo um carro blindado. Seria certamente mais difícil derrubá-lo.
Se o incrível Hulk me parece incrivelmente ridículo ao julgar que não o deixam jogar, já Jesualdo me parece desonesto. Fala em "falta de coragem para aplicar as leis" e imagina que Hulk esteja mesmo a ser prejudicado. O que queria Jesualdo? Que os adversários se pusessem em fila e abrissem o mais possível a defesa para não incomodar o brasileiro. O futebol não é um jogo de contacto, mas um jogo de posição. Os defesas têm por competência ocupar, a cada instante, a melhor posição possível de modo a vedar o caminho da baliza ao adversário. Se, por acaso, o adversário tem um tipo de futebol que consiste em tentar passar por cima dos outros, os defesas não têm a culpa. Ainda não vi nenhuma entrada à margem das leis sobre Hulk que não tivesse sido punida condignamente, ainda não vi entradas para aleijar sobre o brasileiro, ainda não vi nada que não fosse a normal função de um defesa. Hulk é que julga que é um comboio. E Jesualdo ajuda, fazendo "Puh-puh, pouca terra, pouca terra..."
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Nuno
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Elogio a Paulo Bento
Nos primeiros anos como técnico leonino, Paulo Bento iludiu como treinador: personalidade, coragem e uma primeira época (de raiz) em que, para além de ter vencido a Taça e lutado pelo campeonato até ao último minuto, a equipa jogava bem (não dava "show" como o Sporting de 2004/2005, mas apresentava um futebol mais equilibrado, que lhe permitiu, aliás, bater-se de igual com os grandes da Europa). Na Champions, o único resultado verdadeiramente decepcionante foi a derrota, em casa, num jogo em que tudo correu mal aos leões, contra o Spartak; nos confrontos com o Bayern e o Inter, cujos resultados, nos quais saiu derrotado pela margem miníma, não espelharam a qualidade demonstrada pelo conjunto leonino (sendo que, contra os bávaros, o conjunto orientado por Bento só não saiu vitorioso de um desses jogos por manifesta infelicidade).
No entanto, existiam alguns pormenores que, para o Entre Dez, eram incompreensíveis: a insistência num jogador como Liedson, o "abrir mão" de um jogador como Deivid, a aposta (demasiado) tímida em Pontus Farnerud, o esquecimento a que vetou um talento como Diogo Tavares, etc. Tudo isto eram pontos negativos mas, tendo em conta os outros factores, aparentemente positivos, o saldo da balança na apreciação ao treinador era, à partida, extremamente positivo.
Na segunda época, os equívocos continuaram, se bem que misturados com opções que eram, aparentemente, sinónimo de estarmos perante a solução ideal para um clube como o Sporting: se a opção por Gladstone não dizia nada de bom deste treinador, já a chamada de Paulo Renato e Pereirinha, a meio da época, parecia uma demonstração de que Bento prentendia tirar todo o proveito dos produtos da academia de Alcochete. Já a opção por Purovic e a justificação para a mesma, a necessidade de ter um jogador diferente para poder abordar de uma forma mais directa alguns adversários durante os jogos, até se poderia entender, com alguma boa vontade, como um raciocínio inteligente, uma forma dinâmica de ler as várias dificuldades com que uma equipa como o Sporting, muito provavelmente, se iria deparar. Mas nada disso fazia sentido. Mais do que isso, demonstrava de forma dissimulada, é certo, uma tendência para abdicar de uma das maiores virtudes do Sporting2006/2007: a qualidade (e quantidade) na posse e circulação da bola. O Sporting, na época 2007/2008, passou a jogar com uma maior ansiedade na procura do golo, tentando chegar mais rápido à baliza adversária, e isto à custa de um posicionamento mais largo da equipa no campo. O Sporting apresentou-se com os sectores mais afastados tanto em largura como em profundidade. Este facto veio promover uma maior dependência das acções individuais por parte dos seus jogadores. Com um futebol mais partido, a formação leonina passou a sentir, progressivamente, grandes dificuldades perante equipas que optassem por dividir o jogo contra os comandados de Bento: por não se remeterem a uma estratégia essencialmente defensiva (em alguns casa até acontecia exactamente o contrário) conseguiam exponenciar as debilidades que o "novo" modelo de Bento apresentava. Esta época foi ainda uma época que ficou marcada pelo reforço da equipa sportinguista por uma das maiores promessas dos ultimos anos: Bruno Pereirinha. As primeiras aparições de Bruno Pereirinha não me desiludiram em nada. Antes pelo contrário, apresentou maturidade e concentração, virtudes que, aliadas à inteligência que possuía e aos atributos físicos e técnicos que já havia demonstrado ao serviço quer dos juniores, quer do Olivais e Moscavide, indicava que a breve prazo o mundo se iria surpreender com mais um grande talento leonino. No entanto, nada disto se confirmou. A época leonina não confirmou tudo o que de bom a anterior tinha prometido e nem o facto de a equipa se cruzar perante adversários de inesquestionável menor valia lhe permitiu alcançar resultados de destaque nas competições europeias. Nas competições internas, salvou-se a conquista (de mais uma) Taça de Portugal, com o mais improvável dos heróis, visto que no campeonato as reais hipóteses de o Sporting lutar pelo título ficaram afastadas muito antes do térmito deste.
A terceira época de Bento foi apenas o corolário de todos os erros que o caminho pelo qual optara necessariamente implicaria: 442 clássico, sectores ainda mais afastados, a opção por jogadores que privilegiam o jogo directo, decréscimo acentuado da qualidade de jogo e das reais hipóteses de o Sporting se assumir candidato ao que quer que seja. Uma época patética sem nível, de constantes humilhações, em que até os seus jogadores entraram numa fase de regressão. Moutinho estagnou, e quem o viu no primeiro ano, com Peseiro, decerto não imaginava que continuasse, por esta altura, a um nível semelhante; Veloso, entre conflitos, e um modelo de jogo que não lhe permite evoluir na compreensão do jogo, perdeu todo o brilho que ostentava na sua época de estreia ao mais alto nível; Djálo, um jogador que se apresentou como um jogador com mais do que apenas velocidade, na companhia de um jogador como Liedson, que pretende resolver tudo sozinho em vez de procurar o colectivo, está cada vez mais parecido com o Levezinho, mas sem o capital de confiança que este tem; Pereirinha é o pior caso: ultimamente até na capacidade de decisão parece ter regredido, ja para não falar na gritante falta de confiança de que padece; Adrien, apesar da forte personalidade e de toda a qualidade que possui, vê-se privado de oportunidades devido a uma anedota como é o caso de Rochemback; Patrício será o único que se poderá sentir grato a Bento: apesar de se poder discutir se, por esta altura, Patrício beneficiaria se tivesse sido emprestado nos seus primeiros anos como sénior, a verdade é que a aposta de Bento, lentamente, começa a surtir efeito; Daniel Carriço, apesar de a grande generalidade das pessoas lhe reconhecerem muita qualidade e uma enorme importância na defesa leonina, não vê ser "explorada" toda a sua qualidade, nomeadamente no que toca à sua competência a sair a jogar; André Marques é talvez o que menos se ressente, mas a época ainda agora começou, por isso, ou algo de extraordinário altera a perspectiva de Bento, ou ainda vamos ver um André bem pior do que já vimos.
Finalizando: o caminho de Bento vai de encontro à maioria dos adeptos do futebol em geral e do Sporting em particular. Admito que, pela perspectiva que eles têm do futebol, vendo-o como um desporto que depende de uma série de desempenhos individuais que se vão somando aleatoriamente, o clube de Alvalade até nem está assim tão bem como isso. Mas se o enfoque do treinador se colocasse sobre a capacidade de os seus jogadores se relacionarem e combinarem a sua interpretação do jogo de forma una e colectiva, aí o clube de Alvalade seria dos mais fortes a nível Europeu. Não teríamos Liedson, Rochemback, etc., e teríamos de ter Farnerud, Romagnoli, Custódio, Hugo Viana, etc., o que para o adepto comum seria motivo de um tristeza inefável. O Sporting, porém, encontrar-se-ia neste momento perante um futuro (e provavelmente um passado recente) bem mais próspero.
Escrito por
Gonçalo
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08:02:00
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Defeso, Pré-Época, Novidades, Trafulhices e Mau Jornalismo
2. Para já, pelo início de temporada, mantém-se a impressão de que Jesualdo não sabe contratar. Falcão e Valeri serão jogadores a rever, mas parecem-me pouco capazes de fazer esquecer os dois argentinos que viajaram para França, sobretudo naquilo que de colectivo estes podiam oferecer. Quanto a Belluschi, aprecio algumas das suas qualidades, embora fique muito a dever, por exemplo, aos criativos dos rivais. O problema é que me parece que o argentino não tem nada a ver com o modelo de Jesualdo. E, ao contrário do que dizem, Jesualdo não adapta o modelo às características dos jogadores que tem. O modelo é rígido e só na frente conhece algumas variações. Tirando os três atacantes, que pelas suas características podem movimentar-se de forma diferente, do meio-campo para trás Jesualdo é inflexível. É por isso que jogadores menos tácticos e de toque mais curto, capazes de desequilibrar em espaços mais curtos, mas menos frios a jogar, têm poucas possibilidades de vingar. Veja-se os casos de Leandro Lima ou de Luis Aguiar. No modelo de Jesualdo, não há espaço para verdadeiros criativos. Os seus médios têm de ser competentes em transição, agressivos, capazes de definir com velocidade. Belluschi, por isso, terá dificuldades para se impor, uma vez que não é um jogador para um futebol tão veloz e objectivo como pretende Jesualdo. Quanto às restantes contratações, Álvaro Pereira é suficientemente bom para ser titular e dar alguma qualidade ao lado esquerdo da defesa. Mas Varela e Miguel Lopes são anedotas. Se pensarmos em Guarín, em Tomás Costa, em Kazmierczak, em Nélson Benitez e em tantos outros, vemos que Jesualdo, ao longo destas épocas, contratou essencialmente mal. Analisando concretamente, temos Rolando e Cissokho, que são jogadores razoáveis e que jogavam porque não tinham concorrência à altura, Fernando, que só encaixou na equipa porque não havia ninguém para o lugar e se conseguiu impor a Pelé e a Guarín, Rodriguez, que já tinha mostrado todo o seu valor no Benfica, e Hulk, que é um jogador que vale pelas suas qualidades individuais e que, por isso, não requer muita atenção. Jesualdo é competente na forma de trabalhar, mas é francamente fraco a avaliar jogadores e tem tido alguma sorte em poder contar com o poderio financeiro do clube.
3. Por falar nisso, para onde foi desta vez o Pelé? E, já agora, uma vez que era, a par do grande médio-centro formado no Guimarães, a grande estrela da selecção de sub-21 da altura, para onde vai também Manuel da Costa? Estes dois colossos continuam a sua descida vertiginosa em direcção ao esquecimento. O Entre Dez bem avisou...
4. Ainda no Porto, cheira-me que este ano o lema vai ser: "Passem ao Hulk que ele resolve..." O problema é mesmo que a única coisa que ele resolve fazer é não passar a ninguém e continuar a estragar jogadas de ataque. Se é verdade que as suas qualidades individuais poderão solucionar alguns problemas ofensivos, não é menos verdade que o Porto será menos equipa, será muito mais previsível e estará dependente da inspiração de um jogador. Será muito pouco... E será sobretudo a confirmação de que o modelo de Jesualdo se baseia nas individualidades e não no colectivo...
5. Por fim, o caso Cissokho. Vender Lucho e Lisandro pelas quantias conseguidas é normal. Vender Cissokho por 15 milhões é estupidamente absurdo. O senegalês é um jogador mediano, que soube ocupar um lugar para o qual não havia concorrência, mas que tem ainda muito a melhorar. Soube cumprir os princípios defensivos exemplarmente, apesar de um início um tanto ou quanto displicente, e valeu-se da sua melhor característica, a força. É um jogador capaz de ser regular, mas sobre o qual não antevejo um futuro brilhante que justifique um investimento tão arriscado quanto o do Lyon. Dito isto, não é possível esquecer todo o processo negocial. O Lyon foi a primeira equipa a mostrar interesse no jogador, mas não ia além dos 7 ou 8 milhões de euros, quantia muito mais consentânea com o valor e com o potencial de Cissokho. O Porto, procurando esticar a corda, ia adiando o negócio. E, de repente, aparece o Milan a oferecer o dobro pelo mesmo jogador. Ninguém com um mínimo de imaginação terá ficado indiferente a este brusco e peremptório interesse do Milan. A primeira coisa que pensei foi que isto era um esquema para que o Lyon decidisse oferecer a mesma quantia. Mas a verdade é que o negócio se consumou. Não querendo acreditar, imaginei ingenuamente que o jogador chumbaria nos testes médicos e voltaria ao Porto, valorizado por uma oferta que afinal não passara de um embuste para fazer crer a terceiros que o jogador tinha mercado e valia o dobro daquilo por que estava a ser pretendido. Quando saiu a primeira notícia sobre os testes médicos falhados, percebi que aquilo que pensara na forma de um gracejo, na forma de uma tentativa de justificar algo que me parecia absurdo, estava afinal bem próximo da realidade. Por coincidência, imaginara exactamente aquilo que veio a acontecer. As razões que me levaram a imaginar o sucedido não poderiam diferir, por certo, das razões que fizeram com que isso acontecesse de facto. Não tenho dúvidas que o interesse manifestado pelo Milan nos dias seguintes não foi mais do que uma forma de reforçar a ideia de que o clube italiano estivera mesmo interessado no lateral do Porto. E o Lyon acreditou. E aceitou pagar o dobro daquilo a que estava disposto. Qualquer pessoa dotada de bom senso perceberá que o Milan nunca esteve interessado em Cissokho. Além da desculpa esfarrapada dos dentes e da oferta repentina e descabida pelo jogador, razões suficientes para fazer desconfiar qualquer pessoa, a equipa italiana, depois de gorado o negócio, não procurou contratar outro lateral-esquerdo. Ora, estavam dispostos a dar 15 milhões de euros por um lateral e afinal nem sequer precisavam de laterais? Não faz sentido. É por demais evidente que o Milan e o Porto negociaram uma transferência fictícia de maneira a valorizar Cissokho para que o único e verdadeiro interessado no jogador, o Lyon, ficasse com a impressão de que havia emblemas dispostos a pagar 15 milhões e que o jogador talvez valesse assim tanto. Expus esta ideia ainda o Lyon não tinha avançado para a contratação de Cissokho, logo após o senegalês ser rejeitado pelo Milan, e houve quem achasse ridículo que um jogador que tinha chumbado nos testes médicos pudesse ficar valorizado. A mim, contudo, parece-me ridículo o contrário, tendo em conta que o jogador sempre esteve apto para jogar futebol. O interesse do Milan - repito - foi uma ficção, uma impostura, e teve a finalidade de impressionar e de acirrar o interesse do Lyon. Tendo em conta a actual conjuntura legal que envolve as negociações de atletas, este embuste, mais do que o reflexo da capacidade negocial dos dirigentes portistas, consiste numa actividade fraudulenta que merecia uma investigação cuidada.
6. O Sporting, ao contrário dos seus rivais, não contratou muito. Matías Fernandez, Saleiro e Caicedo renderam Romagnoli, Derlei e Tiuí. Não tenho nada contra a política financeira e desportiva do clube de Alvalade e acho até absurdo argumentar que tem menos meios que os rivais. Não tendo um poderio financeiro tão elevado, tem uma formação mais competente, o que compensa. E o valor do plantel, por causa disso, não se ressente. Aliás, o plantel leonino não é inferior ao do Porto, por exemplo. Desculpabilizar campeonatos mal conseguidos por incapacidade de competir com o Porto é ridículo. Revela um comportamento hipócrita e tacanho. Se o Sporting não tem conseguido competir com o Porto, é porque não tem sido tão competente. Afirmar que Paulo Bento tem feito o possível e repetir chavões como "sem ovos não se fazem omeletas" é uma atitude bem portuguesa que revela conformismo e servilismo. O Sporting tem argumentos tão ou mais válidos que os rivais, tem "ovos" de categoria com os quais pode fazer "omeletas" formidáveis. Quem pensa o contrário, engana-se.
7. Pela pré-época leonina, auguro uma época sombria. Paulo Bento tem perdido, gradualmente, as suas melhores características. O jogo do Sporting, agora, resume-se a um marasmo sem explicação. Não há motivação, não há alegria. E assim é difícil que haja vontade. O problema do Sporting - repito - é de liderança. Não tem a ver com liderança, porém, no sentido psicológico. Tem a ver com o saber extrair dos atletas o seu melhor, de ser capaz de puxar pela sua vaidade, pelo seu brio. E isso não se faz apenas com um discurso de líder. Faz-se sobretudo usando um modelo de jogo no qual os atletas ao seu dispor se sintam valorizados. No actual modelo, uma coisa feia, rectilínea, que tem por fim chegar à frente o mais depressa possível, que valoriza essencialmente a velocidade e a força física, que pretende jogar apenas pelas alas e não pelo meio, os virtuosos, os inteligentes, os criativos estão amordaçados. O Sporting é, dos três grandes, a equipa com mais jogadores cuja principal característica é a inteligência. Deveria aproveitar esse facto para praticar um futebol inteligente, de posse e circulação de bola, e não o contrário. Pratica um futebol de distrital, um futebol de equipa pequena. Por essa razão, os jogadores entram em campo com os colossos europeus a pensar que lhes são muito inferiores. Daí os desastres com o Bayern; daí o facto de jogadores como Pereirinha e Djaló permanecerem acanhados; daí a estagnação de Moutinho e Veloso; daí a pouca preponderância de Romagnoli e Matías Fernandez; daí a aparência de que Liedson é Deus.
8. As exibições com o Twente foram das piores que vi desde que Paulo Bento assumiu as rédeas da equipa. E não acredito que o Sporting melhore muito ao longo da época. Não acho Paulo Bento péssimo, mas neste momento é prejudicial ao Sporting. Enquanto não sair, a equipa não ganhará nada de importante, permanecerá amarrada a ideias que não podem vingar e os jogadores não evoluirão. Uma vez que a política do Sporting necessita da valorização dos seus activos, Paulo Bento já nem sequer é o homem certo à frente do leme. Os primeiros jogos do campeonato e a eliminatória com a Fiorentina deveriam servir para se reflectir sobre o futuro do Sporting, até porque, muito provavelmente, esses jogos comprometerão toda a temporada.
9. Liedson leva mais de 500 minutos sem marcar, não é? Isso dá o quê, 6 jogos? E Postiga foi o melhor marcador da equipa na pré-época, não foi? E quem é que Paulo Bento tirou para fazer entrar Caicedo, o rapaz que ainda não marcou um golo esta temporada e que não ganhou um lance durante o jogo, ou o melhor marcador da equipa na pré-temporada? É por haver estes tipo de indiscutíveis que há "azias" permanentes no balneário. É de todo irresponsável e errado censurar Miguel Veloso, Djaló ou Vukcevic por ficarem chateados por não jogar. A responsabilidade não é deles; é de Paulo Bento e das suas ideias preconcebidas.
10. No Benfica, nem tudo são rosas, apesar de o início de época ser auspicioso. A indefinição quanto ao guarda-redes titular, a incapacidade de se perceber que Sidnei é evidentemente o melhor central encarnado e que David Luiz, neste momento, não só não pode ser lateral como não tem lugar a central, as desconfianças em relação a Shaffer, o melhor defesa-esquerdo a actuar em Portugal, a discrepância entre o aplauso constante a Javi Garcia e o apupo permanente a Yebda, quando são jogadores de um nível idêntico, um melhor posicionalmente, outro mais ágil e agressivo e tecnicamente superior, a dificuldade que se adivinha em gerir expectativas quando há jogadores de estatuto idêntico que vão ficar necessariamente de fora (entre Carlos Martins, Ruben Amorim e Ramires só vai jogar um), o excesso de avançados, etc., são alguns dos problemas individuais que poderão comprometer a temporada. Há que ter em conta essas coisas no momento de elevar as expectativas.
11. Outro problema, para mim o principal em termos colectivos, está relacionado com o sistema táctico e com a abertura que se nota no meio-campo. O Benfica de Jesus, ao contrário do que tem sido apontado, não joga em 442 losango, mas sim em 4132, com Aimar a jogar na mesma linha dos interiores. Não sendo alas, estes dois homens jogam então necessariamente mais abertos do que num 442 losango, em que seriam responsáveis mais pelo trabalho interior do que pelo exterior. No Benfica de Jesus, esta amplitude permite à equipa maior largura, mais velocidade, mas compromete o centro do terreno e os apoios pelo miolo. Além de a ligação entre meio-campo e ataque não ser garantida com tanta facilidade, pois o 10 joga mais afastado da dianteira, o que afasta os sectores e prejudica necessariamente a pressão, a equipa perde ainda um apoio frontal, um homem a aparecer frequentemente no espaço entre linhas, tão útil no futebol moderno. Sem isso, o Benfica terá de ser constantemente dinâmico, terá de cair na vertigem de jogar sempre com uma intensidade elevadíssima e será incapaz de controlar o ritmo de jogo quando lhe convier que este seja mais pausado. O Benfica será, por isso, uma equipa muito dependente dos dois momentos de transição e aí terá de se defender com a sua capacidade posicional. Se o posicionamento de um médio-defensivo garante o equilíbrio em relação à defesa, é à frente dele e sobretudo ao lado que me parece que há espaços indevidos. Os interiores, sendo responsáveis pelo trabalho exterior, não estão constantemente a fechar no meio e isso, sobretudo em transição, pode ser fatal. Nesta pré-época, o principal problema defensivo do Benfica foi precisamente o espaço entre o médio-defensivo e os outros três médios, coisa que, não sendo corrigida, pode trazer amargos de boca nada agradáveis.
12. Escalpelizados os principais defeitos do Benfica de Jesus, resta uma palavra de apreço pelo futebol praticado, provavelmente o melhor nesta década para os lados da Luz. Considero o Benfica o principal candidato ao título esta época. Individualmente, tem um plantel fortíssimo. Colectivamente, tem o homem certo à frente do leme. E a concorrência parece bastante debilitada, seja o Porto pelo muito músculo e pouca cabeça, seja o Sporting pela incapacidade de compreender a força do seu plantel.
13. Para os detractores de Aimar, esta será uma época de poucas palavras. O argentino é o jogador mais talentoso do campeonato português e, inserido num modelo de jogo que potencia o verdadeiro talento, vai certamente encantar. A inteligência de Jesus começou a ser revelada no preciso momento em que reconheceu que Aimar era o jogador mais importante da equipa, entregando-lhe a batuta e construindo o resto em função da sua existência.
14. Aimar e Saviola formarão a dupla mais temível da Liga Portuguesa. A importância da relação entre dois ou mais jogadores costuma ser pouco valorizada. Já referi que essa era a principal arma do Porto nas últimas épocas e que Lisandro e Lucho se entendiam como ninguém. Agora que saíram de Portugal e que, no Sporting, Paulo Bento insiste em não aproveitar a capacidade intelectual dos seus jogadores para criar duplas ou triplas que se entendam muito bem, é no Benfica e nesta dupla de argentinos que reside o grupo de jogadores que melhor se entende no futebol português. É de assinalar a facilidade com que jogam um com o outro, caindo às vezes no exagero saudável de trocarem a bola entre si num espaço de três metros, enquanto os adversários andam à rabia.
15. Das restantes equipas da Liga, destaco Braga e Vitória de Guimarães, por me parecerem aquelas que reúnem melhores elementos a nível individual. Com Madrid, Possebon, Hugo Viana, Mossoró, Alan e Linz, Domingos Paciência está obrigado a fazer um grande trabalho. De igual modo, com Custódio, Desmarets, Nuno Assis, Rui Miguel, Jorge Gonçalves e Douglas, Nelo Vingada também não se poderá queixar de falta de qualidade do meio-campo para a frente. O Marítimo de Carlos Carvalhal, pela competência que lhe reconheço, terá também uma palavra a dizer no que diz respeito aos lugares europeus. Estou com alguma curiosidade para ver o que Jorge Costa fará neste regresso à primeira Liga, pelo que não sei até que ponto o Olhanense não será uma surpresa agradável. O Nacional é um clube estável e ocupará, por certo, posições confortáveis. O Vitória de Setúbal, a Naval, o Rio Ave, o Leiria, o Belenenses, o Paços, a Académica e o Leixões parecem-me as equipas mais débeis e prevejo que sairão deste grupo as duas despromovidas.
16. Em Inglaterra, o Manchester perdeu Ronaldo e Tevez de uma assentada. Vieram Owen e Valencia, o que deixa a equipa bastante inferiorizada. Poderá ser a época de explosão de Nani, mas creio que o reinado dos Red Devils estará ameaçado. Liverpool e Chelsea são, para mim, os principais favoritos à conquista do campeonato.
17. O Arsenal de Wenger reúne talento que nunca mais acaba, mas o sistema táctico manter-se-á o principal problema do treinador francês. As saídas de Adebayor e Touré não são graves, se pensarmos que há Fabregas, Rosicky, Nasri, Arshavin, Van Persie, Walcott, Eduardo e Carlos Vela, mas teriam de ser incluídos num modelo que os beneficiasse... Na rigidez de um 442 clássico, não há médios vocacionados para preencher tanto espaço, nem tantos criativos como Wenger tem ao seu dispor usufruem da liberdade que seria desejável.
18. O Manchester City contratou muito, mas mantém um treinador incompetente. Apesar de ter contratado bastante para o ataque, a defesa não está mal apetrechada. Zabaleta, Micah Richards, Kompany, Touré e Wayne Bridges deverão conferir qualidade ao sector. No meio-campo, há também alguns jogadores de qualidade, como Gareth Barry ou Martin Petrov. Mas Robinho, Santa Cruz, Adebayor e Tevez mereciam um treinador a sério.
19. Em Itália, continua a revolução de mentalidades. Ainda há muita gente que acredita que o futebol italiano é fechado, mas a verdade é cada vez menos condizente com esse preconceito. Há muito que o futebol italiano deixou de ser defensivo e este ano parece-me que se dá mais um passo rumo à desacreditação de tais ideias. Mourinho jogará de forma completamente diferente, pressionando provavelmente muito mais alto, e, contratando convenientemente para o meio-campo, terá equipa para lutar novamente pela Liga dos Campeões.
20. A Juventus será talvez o mais sério rival do Inter. Diego, Tiago, Camoranesi e Filipe Melo seriam as minhas escolhas para o meio-campo. Del Piero e Amauri constituíriam a dupla ofensiva. Não esquecer Giovinco, que este ano deverá aparecer em força.
21. O Milan de Leonardo parece-me estar um pouco abaixo da concorrência. A chegada de Huntelaar trará qualidade ao ataque, mas, pelo que pude ver na pré-época, os processos ofensivos passam muito por esperar que Ronaldinho esteja inspirado. Se Beckham regressar a Milão, como se diz, um 442 losango com Pirlo, Beckham, Seedorf, Ronaldinho, Huntelaar e Pato, bem trabalhado, seria demolidor.
22. Em Espanha, as contratações milionárias do Real Madrid fizeram furor. O Barcelona será novamente campeão e o resto é conversa.
23. Dispensar Huntelaar e Van der Vaart é uma palermice. Se acrescentarmos a esta lista a pouca vontade de Pellegrini em contar com Sneijder, Robben, Guti ou até mesmo Gago, parece-me evidente que o Real vai ser uma equipa de gente com músculos, mas sem muitas ideias. E duvido que Kaká consiga compensar tanta desorientação. Depois, contratar Granero, um jovem da cantera que regressou este ano do Getafe que pouco ou nada vai jogar e ceder o jovem Daniel Parejo, um jogador muito mais talentoso e com uma margem de progressão assombrosa, revela muito do que é este clube. Em resumo, o Real contratou em demasia e terá muitos problemas em formar uma equipa.
24. O Barcelona manteve a estrutura e contratou pouco e bem, como se recomenda. Não será por acaso que as duas contratações dos catalães, Maxwell e Ibrahimovic, passaram pelo Ajax. Também não é por acaso que Bruno Alves não foi para Barcelona e que Guardiola tenha optado por fazer regressar o central brasileiro Henrique. E também não é por acaso que o Barcelona se manterá como o mais forte candidato à vitória na Liga dos Campeões.
25. Para finalizar, um pequeno aparte sobre um momento da pré-época. Gosto de defender quem merece ser defendido e atacar quem merece ser atacado. Del Piero falhou um penalty na final da Peace Cup e a Juventus acabou por não ganhar a competição. Aos risos, que são naturais, juntou-se a estupidez de quem gosta de ser estúpido e falou-se em um dos piores penalties de sempre. A estupefacção tomou conta de mim. É verdade que Del Piero falhou, mas o penalty não foi mal marcado. Antes pelo contrário, Del Piero fez tudo o que o que deveria ter feito. Repare-se que ele modifica a corrida no momento anterior ao remate, tentando enganar o guarda-redes. Tecnicamente, não foi displicente. Ele sabia exactamente o que ia fazer e a sua ideia era fazer o guarda-redes cair para um lado e chutar para o meio. Aliemos a isto o facto de o guarda-redes, nas quatro penalidades anteriores, ter sempre tentado adivinhar o lado para onde o avançado ia chutar. Del Piero esteve certamente com atenção a isso. Sabia que o guarda-redes preferia adivinhar o lado e não haveria melhor forma de convertê-lo do que chutando para o meio da baliza. Tendo em conta que Del Piero raramente bate para o meio, o penalty foi até imprevisível. Por paradoxal que pareça, o guarda-redes defendeu a bola porque foi burro. E com a burrice dos outros é difícil de contar. Se o guarda-redes fosse inteligente, jamais decidiria ficar quieto. O que ele imaginou foi que Del Piero, por ser um craque, iria tentar bater à Panenka. Mas isso não é ser esperto. É ser burro. Porque Del Piero nunca bate à Panenka. Teve sorte e a bola bateu-lhe nos pés. Às vezes os burros têm sorte. E os comentadores, sem se darem ao trabalho de raciocinar, nem perceberam que o penalty foi bem batido, quer em termos de decisão, quer em termos técnicos, e que não houve displicência alguma. Houve sim sorte do guarda-redes. Catagolar um penalty bem batido que não deu golo porque o guarda-redes teve sorte como um dos piores penalties é uma doença grave. Ou então é aquele impulso de homem das cavernas de relatar factos surpreendentes aos outros, de contar histórias mirabolantes, como se conhecer tais histórias fizessem essas pessoas mais sábias, e que conduzem ao exagero de falar de coisas normais como se fossem coisas extraordinárias. Veja-se o que a redacção do Mais Futebol escreveu a seguir: "Curiosamente aquele não era mesmo o momento de Del Piero: para além de falhar o penalty, o internacional italiano falhou também a «recarga» - que de qualquer forma não ia valer, mas que fez em desespero de causa." Pois, o que o Del Piero queria era mesmo fazer a recarga. Claro. Nem estava irritado por não ter marcado nem nada. Ele queria mesmo era fazer a recarga... E chamam a isto jornalismo? Isto não é jornalismo; isto são bandalhos a dizer asneiras...
Escrito por
Nuno
às
17:01:00
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