2. A melhor oportunidade do Sporting na primeira parte foi cortada para fora por uma cabeçada sem nexo de São Liedson. Carriço tinha tudo para fazer o golo, mas Liedson, desamparado, sem qualquer hipótese de fazer golo, vendo o colega em melhor posição, decidiu lançar-se à bola para lhe tocar de qualquer forma. Boa decisão, sem dúvida.
3. O Belenenses é patético. Defende homem a homem em todo o terreno. Ainda assim, o Sporting fez um jogo miserável e, apesar de conseguir um domínio territorial evidente, não criou oportunidades de golo à excepção de dois ou três remates de longe. Romagnoli, o melhor jogador leonino em espaços curtos, continua inexplicavelmente proscrito.
4. Polga está irreconhecível. A facilidade com que é, constantemente, ultrapassado no um para um é constrangedora. Tonel e Carriço teriam de ser os titulares, neste momento.
5. Miguel Veloso, a lateral, está a ser queimado. Não sei se as suas dificuldades defensivas na posição serão mesmo dificuldades. Lembro-me de vê-lo jogar a lateral esquerdo na selecção de sub-21 e não lhe reconhecia estes defeitos. Creio estar certo quando afirmo que as dificuldades são mais falta de vontade do que outra coisa.
6. Rochemback não tem lugar neste Sporting. E os seus defeitos não terminam com a má forma física. Compreende mal o jogo e as necessidades da equipa a cada momento, é francamente displicente em termos posicionais e não oferece rigorosamente nada ao conjunto. Talvez seja por perceber isto que Veloso anda chateado e por Paulo Bento não perceber isto que o Sporting não joga nada à bola.
7. Postiga tem obrigatoriamente de jogar nesta equipa. Não é pelo golo nem pela assistência; é pela classe, pela tranquilidade, pela imaginação, pela capacidade de decisão e pelo sentido de colectivo que empresta em todos os momentos do jogo. É, com Romagnoli, o melhor leão a funcionar como apoio vertical, coisa de que a equipa necessita como um indigente necessita de pão.
8. Vukcevic é extraordinário. Ao contrário do que muita gente diz, as qualidades do montenegrino não terminam na explosão e na capacidade de resolver individualmente. Para os argumentos técnicos e físicos que possui, é um jogador que decide muitas vezes bem, ao contrário de outros parecidos com ele, como Hulk ou Di Maria.
9. O Porto venceu, mas a coisa esteve tremida. Valeu um argentino pequenino que, para muitos, não vale nada. Farias não é um jogador extraordinário, mas é um ponta-de-lança eficaz, esperto, concentrado, com um instinto de baliza formidável. Dentro da área, é um jogador temível: sabe esperar o momento certo para atacar a bola e perceber o espaço onde ela vai cair como poucos. Fora da área, é banal, mas ainda assim não inventa muito, pelo que não prejudica em demasia a sua equipa. Os pontos de contacto com São Liedson são evidentes, mas enquanto um é Deus, o outro é só um peão descartável.
10. Luis Freitas Lobo, no Domingo Desportivo, disse que Hulk é bom é no meio. Mas também disse que David Luiz é lateral-direito, por isso se calhar é melhor não ligar. Hulk no meio é fraco. Até pode não sê-lo contra equipas que defendem mal, como o Rio Ave, mas contra equipas que defendam mais ou menos, é previsível, fácil de anular, e muito, muito contraproducente. A insistência nos lances individuais é angustiante. Ontem, teve uma jogada que toda a gente gabou. Passou pelo meio de dois, tirou Gaspar do caminho e chutou do meio da rua, atingindo o poste da baliza de Paiva. O que muita gente não percebe é que esta jogada mostra o que de bom Hulk pode dar a uma equipa e, ao mesmo tempo, o que de mau pode oferecer. O bom é, naturalmente, capacidade de arranque, drible e remate forte, ou seja, argumentos individuais. O mau é a tomada de decisão. O primeiro drible, a passar pelo meio de dois adversários, ainda que arriscado, é consequência de não ter apoios, mas a seguir há vantagem numérica. Se o drible sobre Gaspar é uma coisa de recurso, pois o defesa saiu-lhe às pernas, já o remate é um disparate. Após a finta, o defesa-direito do Rio Ave aproxima-se de Hulk para evitar a progressão do brasileiro. Nessa altura, Hulk deveria ter soltado em Mariano, que ficaria isolado, ainda que ligeiramente descaído para a esquerda. Optou pelo remate. Poderia ter dado um grande golo, é verdade. Mas a opção não foi a melhor. E o resultado foi o mais provável. Ou seja, Hulk, apesar de ter a capacidade de provocar desequilíbrios, raramente os aproveita da melhor maneira. Assim, o seu desempenho continua muito aquém do que as suas capacidades individuais possibilitam.
11. Na hora de trocar Fucile, lesionado, Jesualdo introduziu Tomás Costa. Até aqui, nada de estranho. O esquisito foi ter puxado Fernando para a direita e colocado o argentino no meio. Fernando é o principal responsável pelo equilíbrio exibicional que a equipa nortenha atingiu esta época. A sua inclusão na equipa constituiu o maior reforço desta temporada. Abdicar dele ali foi um erro que Jesualdo só não pagou caro porque não calhou.
12. Fábio Coentrão voltou a marcar um golo fantástico ao Porto. Merece, sem dúvidas algumas, uma oportunidade para lutar por um lugar no Benfica na próxima época. É, de longe, o melhor extremo português da sua idade. O que é parvo é, na selecção de sub-21, não ter a notoriedade que têm Bruno Gama, Ukra e Candeias, uma vez que é claramente superior a qualquer um deles.
13. Na Luz, o Benfica mostrou que o bom jogo contra o Porto foi uma excepção. Este Benfica tem a capacidade de ser forte contra grandes, mas é absolutamente banal quando tem de tomar a iniciativa de jogo. Contra uma equipa francamente má e que veio discutir o jogo com uma estratégia muito primitiva, viu-se facilmente manietado. Não teve capacidade para criar superioridade numérica em posse, nem inteligência para evitar a armadilha do fora-de-jogo. Valeu um erro do guarda-redes adversário, para abrir o marcador, e dois momentos de inspiração de Ruben Amorim e Di Maria.
14. Aimar continua a mostrar por que é que os caluniadores são gente sem massa encefálica. É aquele jogador sem o qual o modelo táctico de Quique atingiria o cúmulo da previsibilidade.
15. Carlos Martins arrisca-se a passar ao lado de uma época. Tudo porque as suas qualidades não são minimamente potenciadas por um modelo estupidamente inadequado.
16. Onde jogou Miguel Vítor, essa grande "referência" do Benfica dos dias de hoje?
17. O Braga escorregou. Nada de muito impressionante. A equipa de Jorge Jesus não é o monstro papão que têm feito dela.
18. Manuel Machado, apesar das referências individuais na marcação defensiva, continua a fazer um bom campeonato. Continua a valer Nené, uma das maiores revelações da temporada.
19. Em Itália, amainou a tempestade para o Inter de Mourinho. O campeonato está praticamente no papo, o que pode bem dar a dose de confiança necessária para enfrentar as restantes provas com maior tranquilidade.
20. O Barcelona voltou a empatar, mas é de salientar a forma saudável como conseguiu reagir à desvantagem. As grandes equipas também se vêem nestes momentos.