Como fazer isto? Pensei em dividir cada tabela classificativa final em quatro, agrupando, por exemplo, num campeonato de 20 equipas, as primeiras 5 classificadas, depois do 6º ao 10º, do 11º ao 15º e do 16º ao 20º. Ao dividir a tabela em quatro, possibilita-se que se contrastem as melhores equipas com as piores, bem como a primeira metade da tabela com a segunda metade. Para cada um destes grupos, calculei a média de golos por jogo, a média de golos sofridos por jogo e, finalmente, a média da diferença entre golos marcados e sofridos por jogo (a média é calculada por equipa e não para o grupo). Com estes resultados, poder-se-á verificar, por exemplo, a diferença de golos marcados entre as primeiras classificadas e as últimas classificadas de um determinado campeonato. Com base no cálculo da diferença entre os golos marcados e os golos sofridos (Goal Average) dos diferentes grupos poder-se-á perceber quão desnivelados foram os resultados entre esses grupos e, em última análise, aferir do desnivelamento entre as melhores equipas e as piores desse campeonato. Comparando os diferentes desnivelamentos poder-se-á comparar a competitividade entre cada um dos campeonatos em análise, sendo que, quão maior for o desnivelamento, menor é a competitividade desse campeonato. Se fizer a média dos desnivelamentos e dividir esse valor por cada um dos desnivelamentos, obterei então um coeficiente de competitividade para cada um dos campeonatos. Multiplicando esse coeficiente de competitividade pela produção doméstica de uma equipa (média de pontos obtidos por jogo no seu campeonato), será possível comparar, com mais justiça, a produção a nível interno entre equipas de campeonatos completamente distintos.
Segundo o Ranking da UEFA, os dez países mais poderosos são: Inglaterra, Espanha, Itália, França, Alemanha, Rússia, Roménia, Portugal, Holanda e Escócia.
Inglaterra: 1002 golos marcados; 2,64 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,79) (6º a 10º: 1,35) (11º a 15º: 1,17) (16º a 20º: 0,95)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 0,74) (6º a 10º: 1,27) (11º a 15º: 1,52) (16º a 20º: 1,74)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 1,05) (6º a 10º: 0,08) (11º a 15º: -0,35) (16º a 20º: -0,79)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 10º: 0,97)
(Entre 1º a 5º e 11º a 15º: 1,40)
(Entre 1º a 5º e 16º a 20º: 1,84)
Espanha: 1021 golos marcados; 2,69 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,92) (6º a 10º: 1,30) (11º a 15º: 1,13) (16º a 20º: 1,03)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 1,13) (6º a 10º: 1,31) (11º a 15º: 1,33) (16º a 20º: 1,61)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,79) (6º a 10º: -0,01) (11º a 15º: -0,20) (16º a 20º: -0,58)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 10º: 0,80)
(Entre 1º a 5º e 11º a 15º: 0,99)
(Entre 1º a 5º e 16º a 20º: 1,37)
Itália: 970 golos marcados; 2,55 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,76) (6º a 10º: 1,32) (11º a 15º: 1,11) (16º a 20º: 0,93)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 0,93) (6º a 10º: 1,37) (11º a 15º: 1,36) (16º a 20º: 1,45)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,83) (6º a 10º: -0,05) (11º a 15º: -0,25) (16º a 20º: -0,52)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 10º: 0,88)
(Entre 1º a 5º e 11º a 15º: 1,08)
(Entre 1º a 5º e 16º a 20º: 1,35)
França: 868 golos marcados; 2,28 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,52) (6º a 10º: 1,08) (11º a 15º: 1,04) (16º a 20º: 0,93)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 0,97) (6º a 10º: 1,00) (11º a 15º: 1,24) (16º a 20º: 1,36)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,55) (6º a 10º: 0,08) (11º a 15º: -0,20) (16º a 20º: -0,43)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 10º: 0,47)
(Entre 1º a 5º e 11º a 15º: 0,75)
(Entre 1º a 5º e 16º a 20º: 0,98)
Alemanha: 860 golos marcados; 2,81 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,78) (6º a 9º: 1,55) (10º a 13º: 1,29) (14º a 18º: 1,01)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 1,00) (6º a 9º: 1,49) (10º a 13º: 1,57) (14º a 18º: 1,61)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,78) (6º a 9º: 0,06) (10º a 13º: -0,28) (14º a 18º: -0,60)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 9º: 0,72)
(Entre 1º a 5º e 10º a 13º: 1,06)
(Entre 1º a 5º e 14º a 18º: 1,38)
Rússia: 562 golos marcados; 2,34 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 4º: 1,56) (5º a 8º: 1,17) (9º a 12º: 1,08) (13º a 16º: 0,88)
Sofridos p/ jogo: (1º a 4º: 0,98) (5º a 8º: 1,10) (9º a 12º: 1,21) (13º a 16º: 1,39)
Average p/ jogo: (1º a 4º: 0,58) (5º a 8º: 0,07) (9º a 12º: -0,13) (13º a 16º: -0,51)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 4º e 5º a 9º: 0,51)
(Entre 1º a 4º e 9º a 12º: 0,71)
(Entre 1º a 4º e 13º a 16º: 1,09)
Roménia: 726 golos marcados; 2,37 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,48) (6º a 9º: 1,39) (10º a 13º: 0,97) (14º a 18º: 0,90)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 0,78) (6º a 9º: 1,29) (10º a 13º: 1,19) (14º a 18º: 1,51)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,70) (6º a 9º: 0,10) (10º a 13º: -0,22) (14º a 18º: -0,61)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 9º: 0,60)
(Entre 1º a 5º e 10º a 13º: 0,92)
(Entre 1º a 5º e 14º a 18º: 1,31)
Portugal: 553 golos marcados; 2,30 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 4º: 1,55) (5º a 8º: 1,21) (9º a 12º: 0,92) (13º a 16º: 0,93)
Sofridos p/ jogo: (1º a 4º: 0,78) (5º a 8º: 1,05) (9º a 12º: 1,28) (13º a 16º: 1,50)
Average p/ jogo: (1º a 4º: 0,77) (5º a 8º: 0,16) (9º a 12º: -0,36) (13º a 16º: -0,57)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 4º e 5º a 9º: 0,61)
(Entre 1º a 4º e 9º a 12º: 1,13)
(Entre 1º a 4º e 13º a 16º: 1,34)
Holanda: 956 golos marcados; 3,12 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 5º: 1,90) (6º a 9º: 1,80) (10º a 13º: 1,51) (14º a 18º: 1,08)
Sofridos p/ jogo: (1º a 5º: 1,07) (6º a 9º: 1,52) (10º a 13º: 1,76) (14º a 18º: 1,93)
Average p/ jogo: (1º a 5º: 0,83) (6º a 9º: 0,28) (10º a 13º: -0,25) (14º a 18º: -0,85)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 5º e 6º a 9º: 0,55)
(Entre 1º a 5º e 10º a 13º: 1,08)
(Entre 1º a 5º e 14º a 18º: 1,68)
Escócia: 541 golos marcados; 2,73 golos por jogo.
Golos p/ jogo: (1º a 3º: 1,97) (4º a 6º: 1,39) (7º a 9º: 1,24) (10º a 12º: 0,86)
Sofridos p/ jogo: (1º a 3º: 0,91) (4º a 6º: 1,30) (7º a 9º: 1,52) (10º a 12º: 1,74)
Average p/ jogo: (1º a 3º: 1,06) (4º a 6º: 0,09) (7º a 9º: -0,28) (10º a 12º: -0,88)
Desnivelamento de Average: (Entre 1º a 3º e 4º a 6º: 0,97)
(Entre 1º a 3º e 7º a 9º: 1,34)
(Entre 1º a 3º e 10º a 12º: 1,94)
Resultados:
Média de Desnivelamentos entre as equipas de topo e as equipas de fundo da tabela: 1,43
Coeficientes de competitividade:
1º França: 1,33
2º Rússia: 1,31
3º Roménia: 1,09
4º Portugal: 1,07
5º Itália: 1,06
6º Espanha: 1,04
7º Alemanha: 1,04
8º Holanda: 0,85
9º Inglaterra: 0,78
10º Escócia: 0,74
Conclusões:
1) Os campeonatos mais competitivos, isto é, aqueles onde há menor desnivelamento entre equipas grandes e pequenas, são o francês e o russo. Estes dois campeonatos atingem mesmo coeficientes de competitividade muito mais altos que os que se seguem.
2) Roménia, Portugal, Itália, Espanha e Alemanha têm coeficientes de competitividade semelhantes, sendo que o nosso campeonato é mesmo o 4º mais competitivo.
3) Na cauda, surgem a Holanda, a Inglaterra e a Escócia, com o futebol britânico a ocupar os dois últimos lugares da lista.
4) Quanto aos golos marcados, a Holanda é o país onde se marcam mais golos (3,12 p/j); depois a Alemanha (2,81 p/j); Escócia (2,73 p/j); Espanha (2,69 p/j); Inglaterra (2,64 p/j); Itália (2,55 p/j); Roménia (2,37 p/j); Rússia (2,34 p/j); Portugal (2,30 p/j); e França (2,28 p/j).
5) O campeonato mais nivelado, o francês, é também aquele onde se marcam menos golos, podendo por isso presumir-se que muitos resultados serão empates a 0 ou vitórias por 1-0.
6) O campeonato holandês é o que tem mais golos marcados, o escocês é o terceiro e o inglês o quinto, o que indica que, sendo os três campeonatos mais desnivelados, as equipas de topo marcam muito mais golos às equipas do fundo da tabela do que noutros sítios.
7) O campeonato português é o segundo onde se marcam menos golos, o que indica que é nivelado muito por baixo.
8) Entre os três campeonatos maiores, o inglês é, de longe, o mais desnivelado, mantendo-se Itália e Espanha bem próximas. Se por um lado a supremacia das equipas de topo inglesas na Europa foi evidente e pode explicar algum do desfasamento em relação às ditas menores do seu campeonato, não deixa de ser também verdade que as equipas menores de Inglaterra são claramente inferiores às equipas menores de Espanha e de Itália.
9) De uma maneira geral, os campeonatos onde se marcam mais golos são os campeonatos onde há maior desnível entre grandes e pequenos. A excepção será a Alemanha, que mantém um coeficiente de competitividade elevado, ao nível médio, e que é o segundo campeonato onde se marcam mais golos.
10) Com estas contas, demonstra-se que é mais difícil uma equipa ser bem sucedida em Espanha, por exemplo, do que em Inglaterra. Isto implica que, um jogador de ataque numa equipa grande inglesa vai ter sempre a vida mais facilitada do que um jogador de ataque numa equipa grande espanhola. Assim, é de todo injusto comparar os golos marcados por um jogador que jogue numa equipa de topo em Inglaterra com outro que jogue numa equipa de topo em Espanha, uma vez que o primeiro terá mais facilidades em marcar.
11) Em Inglaterra, Escócia, Espanha e Itália registaram-se os maiores desnivelamentos entre as primeiras quatro ou cinco equipas e as equipas seguintes. Isto significa que, nestes 4 países, o poder das primeiras equipas encontra-se bem acima do das restantes. Creio que Portugal, com uma prestação normal de Benfica e Sporting, se incluiria neste lote, o que aumentaria o desnível competitivo do nosso campeonato.
12) Fazendo a média de pontos por jogo e multiplicando-a pelo coeficiente de competitividade, podemos aferir da produção doméstica das equipas e concluir, por exemplo, que há mais mérito no 3º lugar do Barcelona (1,76 pontos p/j x 1,04 (CCE) = 1,83) do que no 1º lugar do Manchester United (2,29 pontos p/j x 0,78 (CCI) = 1,79). Ou, por outras palavras, é mais difícil fazer 67 pontos em Espanha do que 87 em Inglaterra.
13) Como é óbvio, se reduzirmos o espectro e, em vez de calcularmos o coeficiente de competitividade com base no desnivelamento entre equipas do topo e equipas do fundo da tabela, o calculássemos com base no desnivelamento entre a primeira metade da tabela e a segunda, as diferenças entre os coeficientes de competitividade de cada campeonato seriam menores, mas as conclusões seriam, essencialmente, as mesmas.
14) Utilizando os 5 campeonatos onde se marcam mais golos, podemos concluir que em Espanha e na Alemanha, a existência de golos é razoavelmente racionada entre todas as equipas do campeonato, ao passo que na Holanda, na Inglaterra e na Escócia isso não acontece. Isto significa que na Espanha e na Alemanha a ineficácia defensiva dos adversários não é tão responsável pela eficácia ofensiva de uma equipa quanto o é na Holanda, na Inglaterra e na Escócia. Podemos então presumir que, em Espanha e na Alemanha, a relação entre atacar bem/defender mal não é tão evidente como na Holanda, na Inglaterra e na Escócia. O mesmo é dizer que em Espanha e na Alemanha as equipas são mais equilibradas na sua propensão ataque/defesa e que no futebol britânico e holandês as equipas são mais desequilibradas tacticamente.