sexta-feira, 23 de maio de 2008

Os melhores

Eis os melhores da Liga 2007/2008:

Guarda-Redes: Diego Benaglio
Defesa Direito: Bosingwa
Defesa Esquerdo: Léo
Defesas Centrais: Polga e Rodriguez
Médio-Defensivo: Paulo Assunção
Médios-Ofensivos: Lucho Gonzalez e Rui Costa
Extremos: Quaresma e Vukcevic
Avançado: Lisandro Lopez

Treinador: Carlos Carvalhal

Os suplentes:

Guarda-redes: Quim
Defesa Direito: Ricardo Esteves
Defesa Esquerdo: Carlos Fernandes
Defesas Centrais: Geromel e Tonel
Médio-Defensivo: Delfim
Médios-Ofensivos: Moutinho e Zé Pedro
Extremos: Tarik Sektioui e Christian Rodriguez
Avançado: Roland Linz

Treinador: Manuel Cajuda

Os que também poderiam ter sido eleitos, mas que por esta ou aquela razão não foram:

Guarda-Redes: Eduardo, porque só podia escolher dois guarda-redes.
Defesas direitos: Abel, porque revelou lacunas defensivas graves; Nélson porque perdeu toda a confiança que tinha quando chegou ao Benfica; Andrezinho, porque embora seja muito forte a atacar, é muito fraco a defender.
Defesas Esquerdos: Rodrigo Alvim, porque só podia escolher dois.
Defesas Centrais: David Luiz, porque passou grande parte da época lesionado e nunca conseguiu atingir um nível exibicional constante; Bruno Alves por razões óbvias.
Médios-Defensivos: Miguel Veloso, porque apesar de ter começado e acabado confiante, passou grande parte da época num nível medíocre; Raúl Meireles, porque num esquema como este não poderia ser médio-defensivo, e para médio ofensivo havia melhores; Ruben Amorim, porque só podia escolher dois e a sua posição também não é a de médio mais recuado; Roberto Brum porque só podia escolher dois; Katsouranis, porque fez uma época bem abaixo do desejável, tendo muitas vezes actuado como defesa central.
Médios-ofensivos: Romagnoli, porque as suas exibições sofrem quando a equipa está mal e, como tal, passou ao lado de bastantes jogos. Fajardo, porque não conseguiu manter os níveis do início da temporada, nem foi capaz de ser, como o foi na altura, o jogador mais preponderante do Guimarães; Jorge Ribeiro porque a médio é banal, apesar dos golos que consegue, fruto do seu bom pontapé.
Extremos: Hélder Barbosa, porque alguém decidiu ir buscá-lo a meio da época para pô-lo no banco; Matheus porque beneficiou claramente por estar incluído num colectivo forte, ressentindo-se quando trocou de ares; Fellype Gabriel porque não pôde jogar regularmente e manter o bom nível do início da temporada; Di Maria, porque alternou entre exibições formidáveis e momentos menos bons, quase todos por estar incluído numa equipa sem rumo; Alan e João Ribeiro porque só podia escolher quatro.
Avançados: Cardozo, Cláudio Pitbull, Roncatto, Weldon e Wesley por só poder escolher dois; Liedson por razões óbvias.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Curtas de fim de época

1. Sem jogar tanto como a Fiorentina, o Zenit venceu o Rangers e vingou italianos, portugueses, alemães e gregos. Contra equipas que só defendem, a arte e o engenho são, por certo, o caminho mais curto para o sucesso, mas, como fica bem visível nesta final, bastava um lance para que a equipa escocesa não fosse capaz de virar o rumo dos acontecimentos. Ficou também visível que os escoceses, em todas as eliminatórias que superaram, nunca controlaram os desafios, deixando-se à mercê da sorte, que lhes foi sendo favorável. Desta vez, e como não é possível ter sempre sorte, a justiça imperou. Seria frustrante para o futebol que, depois da Grécia de Rehhagel, o Rangers de Walter Smith ganhasse alguma coisa a jogar assim.

2. No Benfica, afinal, Eriksson já não vem. Confesso que o sueco não correspondia ao perfil de treinador que acho adequado para o Benfica, mas a sua personalidade e o seu profissionalismo convenciam-me de que era a melhor das alternativas até então apresentada. Gorada, portanto, a possibilidade Eriksson, o Benfica vira-se para Quique Flores. Formidável! O que o Benfica precisava era mesmo de um tipo que gosta de jogar com 4 defesas centrais...

3. Rui Costa cessou funções como jogador e, no dia seguinte, estava, vestido a rigor, a iniciar uma nova etapa na carreira, num novo cargo. A primeira notícia: renovação com Léo. Parece começar com a classe com que acabou.

4. Scolari revelou os 23 eleitos para o Euro 2008. Não convocar Maniche, Carlos Martins, e Caneira são, para mim, os principais equívocos do seleccionador. Não levando Bruno Alves nem Jorge Ribeiro, e abdicando ou de um dos avançados, ou de Raúl Meireles, ou mesmo de Miguel, estes três caberiam perfeitamente no lote de convocados, ficando o mesmo muito mais equilibrado. Assim, não há alternativas reais a Deco; vão 4 centrais e 4 laterais; vão apenas 5 jogadores de meio-campo; e ainda vai um jogador que, se é lateral, mais valia Caneira (podendo, pela polivalência deste, não levar um dos centrais), se é para o meio-campo, havia claramente melhores. Tirando tudo isto, é ainda tempo para falar de jogadores que nunca foram aposta de Scolari, mas que mereciam, pelo menos, ter sido testados. São eles Zé Castro, Pedro Mendes, Paulo Assunção e Nuno Assis.

5. Na taça de Portugal, Jesualdo Ferreira voltou a tentar adaptar a sua equipa à forma de jogar do Sporting. E voltou a perder. Burros velhos não aprendem mesmo línguas...

6. O Sporting fez das exibições mais adultas da época: dominou sempre o jogo, teve muito mais posse de bola, soube sempre evitar o pressing portista, nunca se descontrolou emocionalmente e nunca se desequilibrou no campo. A juntar a isto, conseguiu uma coisa que jamais conseguiu esta época: penetrações pelo centro do terreno. A isto se deveu o excelente desempenho dos avançados, sobretudo de Derlei, a segurar a bola de costas para a baliza, permitindo a entrada dos colegas nas costas ou tabelando com os mesmos, entrando em posse em zonas perigosas. Quem é que não jogou mesmo no sector ofensivo?

7. Rochemback é reforço leão para a próxima temporada. Acho-o um bom reforço, mas a euforia leonina é exagerada. É um jogador experiente, com qualidades, mas não inventem coisas que não são verdade. Não é um jogador concentrado, nem um jogador intenso, nem alguém preponderante no desempenho defensivo da equipa, nem sequer um jogador muito correcto do ponto de vista posicional. As suas principais virtudes são o discernimento e a tranquilidade com que joga, sabendo pautar com rigor os ritmos da equipa; a facilidade com que tem a bola no pés e a capacidade técnica e atlética, que lhe permite ganhar muitos dos duelos individuais. Agora, não é jogador de grandes rasgos, e muito menos um jogador de equilíbrios. Também não é jogador para grandes correrias, pelo que, na posição 10 do losango, a mais exigente sem bola, é desadequada. Do meu ponto de vista, Rochemback pode ser uma mais-valia, mas nunca para médio-defensivo ou para médio-ofensivo no losango do Sporting. É apenas como interior que o vejo a poder render e apenas se Moutinho sair.

8. Rijkaard despede-se de Barcelona com uma vitória por 5-3 e a sensação de que poucos treinadores poriam uma equipa a jogar tanto à bola como a sua. É verdade que os intérpretes contam, mas a equipa de Rijkaard, em bom ou em mau estado, apresentou sempre dinâmicas colectivas que poucas equipas apresentaram. As trocas sucessivas de bola nas imediações da área, as triangulações curtas e rápidas que desposicionavam facilmente os oponentes e a quantidade de posse de bola por jogo não terão mesmo comparação com qualquer outra equipa dos últimos tempos. Se o Barcelona campeão europeu em 2006 foi, por muita gente, considerada a equipa da década, não será demais elogiar o trabalho do holandês e colocá-lo também entre os melhores treinadores dos últimos anos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Chegou ao fim!

Chegou ao fim a carreira futebolística de um dos mais fantásticos jogadores de sempre do futebol português. Ontem, dia 11 de Maio de 2008, Rui Costa pendurou as botas. Nesta hora, ao invés das lágrimas do adeus, apetece-me lembrar tudo o que ele foi. Laudrup disse, ao terminar a carreira, que em poucos anos deixaria de haver jogadores como ele: referia-se aos números 10 puros, ao tipo de jogador que comanda o leme de uma equipa, que puxa todos os cordéis ofensivos, que dribla, passa e remate como se estivesse a executar a mais simples das tarefas. Rui Costa é um desses últimos jogadores. Foi o meu primeiro grande ídolo! Depois dele, teria vários, é certo, mas foi com ele que aprendi a sorrir perante um jogo, foi ele o primeiro a quem quis imitar os movimentos. Numa das muitas inconfessadas ilusões infantis, desejei ser jogador de futebol e imaginei-me ao lado dele num campo. É justo, portanto, dedicar-lhe, na despedida, tudo o que puder dedicar. As recordações são imensas e seria impossível distinguir todos os grandes momentos da sua carreira. Quero, porém, neste momento, relembrar aqueles que mais me marcaram: o penalty decisivo que deu a vitória do mundial de sub-20 em 1991; o chapéu perfeito frente à Irlanda, na Luz, que abriu caminho à vitória que nos levaria ao Euro 96; o melhor jogo que o terei visto fazer, um Portugal-França de carácter amigável, em 96, cujo resultado final foi de 3-2 para os franceses, mas durante o qual Rui Costa parecia um objecto estranho, um fenómeno de outro planeta, com uma alegria a jogar que nunca mais lhe vi repetida, coroada com um golo que ilustra toda a sua classe; os incontáveis últimos passes para Batistuta na Fiorentina; o passe de morte, após uma jogada brilhante de toda a equipa, para o golo do empate frente à Inglaterra, na mítica reviravolta do Euro 2000; o golo de raiva frente à Inglaterra no Euro 2004, calando ingleses e portugueses. Pelo meio, aquela expulsão absurda frente à Alemanha, que o pôs a chorar pela injustiça e posicionou todo o povo lusitano contra o árbitro Marc Batta. Era em tudo isto e em muito mais que pensava ontem, na Luz, quando fui dedicar o meu preito ao grande maestro.

Figo terá dito que Rui Costa é maior que o Benfica. Atrevo-me a dizer que Rui Costa é maior que o futebol! São raríssimos os exemplos de jogadores que conquistaram tantos corações. Portugueses, florentinos e milaneses. Além dos corações, que nunca decepcionou, Rui Costa ganhou o respeito do mundo: a carta que o Milão lhe endereçou, agradecendo-lhe, é das demonstrações mais fortes do homem que foi. Ontem, dia 11 de Maio, apesar do quarto lugar do Benfica na Liga, a emoção e os festejos terão sido certamente maiores, mais significativos, e, daqui a uns anos, mais lembrados, do que os festejos portistas, com a conquista de mais um título, ou do que os festejos leoninos, pelo acesso directo à Liga dos Campeões, ou ainda do que os festejos vimaranenses, por uma classificação inédita. É que, de um lado da balança estavam os sucessos desportivos, efémeros por excelência; do outro, estava uma carreira ímpar, um homem como poucos, que tão depressa não será esquecido. Fica até a sensação de que a ele, Rui Costa, muito mais do que a qualquer outro jogador da sua geração, todos os eventuais erros seriam perdoados. E isso não é toda a gente que consegue. Tenho praticamente a certeza de que, se se despedisse, como Zidane, com uma agressão numa final de um campeonato do mundo, seria mais celebrado do que criticado.

Chega, pois, o fim de uma etapa na sua vida. Os relvados agradecem a sua passagem e choram o desaparecimento de um dos últimos românticos. Laudrup - confesso-o com pena - tinha razão: o futebol caminha numa direcção na qual os jogadores como ele tendem a desaparecer. Depois de Zidane, é a vez de Rui Costa. Sobra ainda Riquelme, afastado contudo dos grandes palcos. Teremos um dia ainda a possibilidade de inverter esta tendência e recuperar este tipo de jogadores, agora tão em desuso? Seria bom, para o futebol, que sim. Rui Costa disse, no fim da partida, que, no final da carreira, preferia rir, em vez de chorar, como tantas outras vezes. Também eu, em vez do pranto, deixei escapar um largo sorriso. Porque Rui Costa vale mais que lágrimas; vale o esforço de as conter perante a inevitável certeza de que tudo chegou ao fim e de que não mais se repetirão as proezas com que tantas vezes nos deliciou.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Clássicos: (Taça dos Campeões Europeus 86/87 - FC Porto vs Bayern de Munique)

A equipa de Artur Jorge actuou num 451, mostrando desde logo respeito e receio dos germânicos. Mlynarczyk na baliza, João Pinto à direita e Inácio à esquerda, Celso e Eduardo Luís no centro da defesa. No meio-campo, Jaime Magalhães à direita e Quim à esquerda eram quase segundos laterais. André, Sousa e Madjer ajudavam a fechar o meio, ficando o ataque entregue única e exclusivamente a Paulo Futre. O Bayern tomou, por isso mesmo, conta do jogo logo de início e só em fugazes contra-ataques, normalmente lançamentos para a velocidade de Futre, o Porto conseguia sacudir a pressão germânica. Em largura, a equipa defendeu muito mal, sendo os alemães capazes de chegar à linha para cruzar com muita frequência. As figuras em maior evidência, nesta fase, foram o lateral direito Winklhofer e o extremo-esquerdo Ludwig Kögl, um jogador velocíssimo e dotado de uma requintada técnica. Os alemães iam causando cada vez mais perigo até que, num lance esquisito, após um lançamento lateral, a bola sobra para Kögl, que, na área, mergulha e faz, de cabeça, o primeiro golo. Não fica, contudo, isento de culpas o guardião portista, que saíra dos postes sem necessidade. A partir desta altura, sensivelmente a meio da primeira parte, o Porto não mais foi capaz de lançar os seus contra-ataques, apesar de Madjer ter avançado no terreno, para o lado de Futre. A equipa enervou-se e perdeu bastantes bolas, coisa que os alemães aproveitaram. Apareceu nesta fase Lothar Matthäus, com vários passes de morte, não aproveitados pelos seus companheiros. Entretanto, Kögl continuava a fazer o que queria de João Pinto, rubricando uma exibição fantástica. O resultado de 1-0 ao intervalo era lisonjeiro para aquilo que o Porto tinha feito.

No segundo tempo, Artur Jorge lançou Juary, tirando Quim. Puxou Sousa para a esquerda e o brasileiro passou a fazer companhia a Futre na frente. Isto teve o condão de soltar mais o 10 portista, que começou a pôr em água a cabeça aos alemães. Já na primeira parte fora travado em falta várias vezes, mas nesta segunda parte seria ainda mais castigado. O Bayern, apesar da maior audácia portista, nunca se enervou e continuou a controlar a partida. Os primeiros 25 minutos da segunda parte foram repartidos e nenhuma equipa se superiorizou à outra, acumulando-se jogadas de ataque nos dois meios-campos. De assinalar, nesta fase, um excelente remate de Madjer, após um ressalto, que levou a bola a sobrevoar a barra da baliza, bem como um lance na área portista, em que João Pinto derruba Kögl e o árbitro não vê. Logo após este lance, surge a melhor jogada de todo o encontro, iniciada numa tabela de Futre com Jaime Magalhães. O 10 do Porto, recebendo a bola de Jaime, entra então na área com ela dominada, ultrapassa dois adversárias, sentando-os, e remata a rasar ao poste direito da baliza de Pfaff: era o sinal do que viria a seguir. Antes ainda da reviravolta no marcador, nota para uma entrada assassina de Celso, que viu apenas amarelo; para um lance anedótico em que Celso trava Kögl e no qual o árbitro, em vez de dar o segundo amarelo ao central portista, assinala falta contra o Bayern por interpretar que o extremo alemão mergulhara; e para uma sucessão de faltas e de protestos de Jaime Magalhães que lhe poderiam ter valido o segundo amarelo. Artur Jorge faz então entrar Frasco e, minutos depois, numa altura em que o Bayern até já sacudira a maior pressão dos portugueses, um passe em profundidade encontra Juary, que toca pela segunda vez na bola durante os 30 minutos que já estava em campo; este dá para Frasco, que tira um adversário do caminho e cruza; a bola encontra novamente Juary, que remata; o remate vai encontrar Madjer que, de costas para a baliza, já sem Pfaff, utiliza o calcanhar para igualar a partida. Após este lance, Madjer saiu do terreno para ser assistido e, ao reentrar, cria um desequilíbrio na esquerda. Recebe um passe longo, dá um nó de todo o tamanho em Winklhofer e, já em esforço, cruza para Juary que, sem oposição, encosta para o 2-1: estava dada a volta no marcador. Até ao final, o Porto limitou-se a pontapear a bola para onde estava virado e a queimar tempo, sendo que os germânicos perderam todo o discernimento que tinham e não foram capazes de voltar a criar situações de real perigo.

Notas Finais:

1) O Porto venceu num jogo em que foi claramente inferior, aproveitando um lance fortuito e uma desconcentração germânica para marcar. Além de Futre, que conseguiu sempre, através da sua técnica e da sua velocidade, ameaçar as hostes alemãs, e de alguns pormenores de Madjer e Sousa, pouco ou nada o Porto fez para merecer igualar o marcador. Em termos tácticos, os alemães foram superiores até à altura em que sofreram dois golos de rajada, nunca perdendo o domínio dos acontecimentos, gerindo ritmos e conseguindo levar o jogo para longe da sua área. Foi, pois, em pequenos detalhes que o jogo se definiu. Poder-se-ia dizer que as opções de Artur Jorge foram acertadíssimas, mas nem isso é bem verdade. Até à altura do primeiro golo, o Porto da segunda parte limitou-se a chutar bolas para as costas da defesa do Bayern, a solicitar a velocidade de Juary, sendo que os lances raramente assustavam os germânicos. O brasileiro, que acabou por ser decisivo e esteve nos dois golos, tocou três vezes na bola em 33 minutos, o que revela que não teve muito a ver com a vitória. Os lances dos golos nada tiveram a ver com uma mudança de atitude ou com uma melhoria do futebol do Porto: foram lances isolados e o êxito dos mesmos deveu-se a um ou outro detalhe, como o facto de Madjer, no lance do segundo golo, não estar marcado por ter acabado de reentrar na partida.

2) O homem da partida foi Ludwig Kögl, que não parou um minuto e levou tanta ou mais porrada que Futre. Do lado dos germânicos, há ainda a destacar a excelente exibição de Matthäus e alguns pormenores de Rummenigge (irmão de Karl-Heinze Rummenigge), enquanto que no Porto os melhores foram Futre, Madjer e Sousa.

3) Nota negativa, do meu ponto de vista, para Jaime Magalhães, que passou o jogo a refilar e só não foi expulso porque o árbitro não quis, que teve uma entrada maldosa sobre Kögl, já com um amarelo, não tendo ido para a rua uma vez mais por caridade, e que, depois do 2-1, sempre que o árbitro interrompia o jogo, ia a correr e dava uma biqueirada na bola para o mais longe possível, sem sofrer as devidas consequências desse comportamento.

4) A estratégia inicial de Artur Jorge revelou-se perfeitamente errada e o Porto só não foi para o intervalo com uma desvantagem maior por manifesta incompetência dos avançados alemães na hora da finalização. Além disso, o lance do penalty na área do Porto poderia ter sentenciado o jogo.

5) Fica, pois, para a História, um Porto desconhecido que vergou e humilhou o arrogante colosso alemão. Fica para a História um Golias caído aos pés de um David. E o que a História nos deixou, aquilo que fica, é que o Porto foi um justo campeão. Ainda que a outra história, com "h" pequeno, a história do jogo, tenha sido um pouco diferente daquilo que a História com "H" grande preservou.

domingo, 4 de maio de 2008

Erro de Casting ou Casting Errado?

Luís Freitas Lobo, num artigo sobre Tiago, explica, e bem, por que razão o internacional português não rendeu o que se esperaria dele nesta época. Diz Freitas Lobo:

"Na Juventus de Rainieri, [Tiago] entrou num 4x4x2 clássico em linha e com grande distância entre-linhas como um dos membros de um duplo-pivot central. Deixou de ter apoios para jogar curto, tocar e desmarcar-se, numa progressão apoiada, até à entrada da área, para ter à sua frente um corredor inteiro para percorrer, seja em posse, seja à espera de um passe, seja na recuperação. Não é este o habitat indicado para o futebol de Tiago. Assim, fica fora dos timings do jogo, ritmos e espaços."

Concordo, na íntegra, com isto. Acho que as características de Tiago não lhe permitem ser um jogador de topo neste sistema e, mais, que o 442 clássico, além de todas as lacunas que lhe reconheço, é das tácticas nas quais os jogadores têm de ser mais completos. Porque o futebol caminha na direcção da especialização, a própria táctica é um fóssil. Por exemplo, um médio de topo neste sistema tem de ser óptimo a atacar e óptimo a defender, tem de ser criativo, saber ler o jogo e, ao mesmo tempo, correr quilómetros (o que provoca desgaste, sobretudo psicológico, e retira discernimento), ser forte nos duelos corpo a corpo, etc. Para uma táctica destas, há poucos médios de qualidade. O melhor, aquele que melhor se enquadra neste sistema, que tanto ataca como defende com qualidade, talvez seja Steven Gerrard. Tendo em conta tudo isto e tendo em conta que Tiago nunca se evidenciou num sistema idêntico, que foi sempre um jogador de apoios curtos, não seria de espantar que não fosse capaz de vingar na Juventus. Outro exemplo foi Hugo Viana no Newcastle, ou no Valência. Diz ainda Freitas Lobo:

"O seu melhor lugar é como um dos médios interiores no vértice avançado de um meio campo em triângulo só com um pivot-defensivo. Ou seja, no centro de um 4x3x3. Assim, sente as costas protegidas por um trinco forte e depois, de perfil com outro médio culto, faz as transições defesa-ataque-defesa. Foi assim, com as linhas próximas, que brilhou no Lyon, à frente de Diarra, e a lado de Juninho. Tal como fez no Chelsea."

Sem dúvida. Mas num 442 losango também renderia, como interior. Ou em qualquer táctica que privilegie o jogo em apoios, na qual tenha, a seu lado, alguém com quem trocar a bola, para que nunca tenha de jogar comprido, ou de fazer uso da capacidade de transporte, aspectos do jogo em que é um jogador mediano. Os seus melhores jogos na selecção foram ao lado de Deco, porque aí consegue ter alguém que lhe facilite o jogo, que lhe dê soluções colectivas e não o obrigue à individualidade, na qual é banal.

Tiago é um jogador de colectivo e não tem capacidade para resolver sozinho os problemas da equipa, seja a construir o jogo ofensivo, seja a transportar a bola, seja a jogar comprido, seja a recuperar bolas ou a ganhar lances de cabeça. Nesse sentido, jamais se integraria com facilidade numa táctica como o 442 clássico, que é uma táctica iminentemente individual, que não privilegia um jogo em apoios e na qual os jogadores têm de acumular funções.

Freitas Lobo resume bem os porquês de Tiago ter tido uma época tão abaixo do que se esperaria dele, mas fica por aí. Quero pegar no seu argumento para concluir três coisas que não poderia deixar de dizer:

1) Que o 442 clássico - repetindo o que disse acima - no contexto actual do futebol, é uma táctica que não privilegia o colectivo e que os jogadores, sobretudo os do meio-campo, são obrigados a preencher espaços maiores, a esforços redobrados, a demasiadas tarefas e funções. Isto faz com que um jogador de meio-campo, para ser eficaz nesta táctica, tenha de possuir uma capacidade que só os melhores do mundo possuem. Neste contexto, esta táctica só poderá ser desempenhada com sucesso por equipas com capacidade para contratar os melhores do mundo.

2) Que não foi Tiago em si, ou seja, o jogador, quem falhou, mas sim a contratação de Tiago. Quero com isto dizer que, tendo o aval de Ranieri (desconheço se o teve, mas tenho de partir do pressuposto de que teve), a contratação de Tiago foi um erro. Se o plano era jogar em 442 clássico, o treinador italiano deveria ter percebido que Tiago não era o jogador ideal para esse sistema, uma vez que as suas características são totalmente opostas às que se requerem num médio nesta táctica. Ranieri terá contratado, então, Tiago pelo bom futebol que praticou noutra equipa, não tendo em conta as suas características, mas apenas a posição que ocupava em campo. Em vez de querer um médio competente para um 442 clássico, terá apenas desejado um médio.

3) Que este tipo de erros grosseiros (como foi exemplo também a contratação de Leandro Lima, um médio de toque curto, para jogar entre linhas, coisa que a equipa de Jesualdo não contempla) denota a incapacidade da grande maioria dos treinadores em reconhecer os atributos de cada jogador, bem como a incapacidade destes para perceber que os atributos intelectuais são de todo mais importantes na adequação de um jogador a um modelo de jogo do que os atributos técnicos e físicos. É fácil, portanto, concluir que Ranieri, como Jesualdo, como grande parte dos treinadores, olha apenas para os atributos técnicos e físicos dos jogadores, descuidando os atributos intelectuais, sem dúvida mais relevantes. Em Tiago, ter-se-á visto que é um jogador de boa técnica, com boa capacidade de passe e remate, mas não se terá visto, com certeza, que não é um jogador para ritmos demasiado altos, que é bom a nível posicional, fornecendo correctamente os apoios, que reconhece que os processos ofensivos passam por diferentes etapas, que não arrisca passes demasiado longos, privilegiando a segurança e a posse de bola, que precisa de ter várias soluções de passe perto de si, pois não é forte em acções individuais, etc. São estes atributos, estas capacidades intelectuais e não as capacidades técnicas e físicas, que definem a posição de um jogador, bem como o papel que o mesmo pode desempenhar num colectivo. E foram estes atributos intelectuais que não se tiveram em conta quando se decidiu contratar o internacional português.

Discordo, portanto, que Tiago tenha sido um erro de casting. O próprio casting (bem como a quem competia fazê-lo) esse sim, é que foi um erro.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pequenas coisas

1. O Porto acaba o campeonato a golear o segundo classificado, em casa deste, e a aumentar a diferença que o separa dos que o seguem. A confiança tem destas coisas. Há quem diga que os vinte e tal pontos reflectem a diferença de nível entre os dragões e os opositores, mas tal é pura ilusão. Se a conquista do campeonato não sofre contestação, já a diferença pontual só pode reflectir que, sem pressão sobre si e estando os opositores pressionados, uma equipa parece sempre mais superior do que o é, na realidade.

2. O Benfica venceu o Belenenses e assegurou, antes da decisão do caso Meyong, que pelo menos o quarto lugar não lhe foge. Como em vez de se pensar com cautelas a próxima época, já se anda a contratar tudo o que tenha duas pernas, esta é uma classificação que, em futuras temporadas, talvez seja satisfatória.

3. O Sporting venceu o Marítimo, com um golo de matraquilhos. Se a bola tivesse batido em Liedson e não em Romagnoli, aposto que se imaginava logo que aquele lance absolutamente fortuito tinha sido precipitado pela disponibilidade e pela entrega do "Levezinho", que teria feito uso da sua ímpar capacidade de pressão para enervar o defesa madeirense, levando-o a chutar contra si.

4. José Mota foi atropelado por um jogador do Braga, quando se encontrava junto à linha lateral. Ficou com cara de poucos amigos, mas não sei se por causa do acidente, se por a roda da fortuna, esta época, estar em sentido oposto ao da época passada.

5. Manuel Machado foi despedido e o Braga voltou a ganhar. Coincidência?

6. A Naval garantiu a permanência e Delfim, o autor do golo da vitória, foi expulso por uma mão na bola a meio-campo. Este é daqueles casos que, às vezes, merecia que se fechassem os olhos.

7. Na Champions, o Manchester, mais continental do que seria de esperar, mas menos continental do que têm dito, ganhou o direito à final, depois de 180 minutos a defender. O Barcelona, com 90 minutos de grande futebol e alguns bons momentos nos outros 90, acabou por claudicar após um erro individual. A este nível, é verdade, um erro daqueles pode ser fatal, mas não me tentem convencer de que passou a melhor equipa, porque isso não aconteceu. Uma equipa que só defende, por melhor que o faça, não merece nunca ganhar um jogo. Merece-o ainda menos se do outro lado estiver uma equipa que ataque como dever ser. Mas o futebol é assim e lá vamos ter a final inglesa que tantos ceguinhos queriam...

8. No duelo individual entre o melhor do mundo em 2007/2008 e o melhor do mundo em termos absolutos, Ronaldo levou uma cabazada de Messi. Apesar de tudo, o português deverá ganhar o prémio de melhor do mundo, sem contestação, por tudo o que fez de bom esta temporada.

9. O Chelsea mostrou que, nesta altura, é talvez a equipa inglesa com maior frescura física. Depois de vencer o Manchester para o campeonato, conseguiu superar o Liverpool e está na final da Champions. Um final de época absolutamente fantástico, com hipóteses de ganhar algo. O que não é tolerável é que, por causa deste final de época, esqueçam a final da taça da Liga com o Tottenham, bem como o resto da temporada e todos os records que Mourinho bateu em Inglaterra, pondo em cima da mesa idiotices como a comparação entre Grant e o Special One...

10. O Zenit esmagou o Bayern. Memorável!

11. O Rangers eliminou o Panathinaikos, o Werder Bremen, o Sporting e a Fiorentina com uma média de 2 ou 3 remates por jogo. Se os leões não foram muito competentes na forma de atacar o sistema ultra-defensivo dos britânicos, a Fiorentina, só no jogo da segunda mão, criou perto de 20 oportunidades de golo. Não via uma equipa com tanta sorte desde a Grécia de 2004.

12. Esta Fiorentina é só mais um exemplo daquilo que o futebol italiano já não é. O 4º lugar na liga, à frente de Milan e Lazio, por exemplo, assim como a chegada até esta fase da UEFA, denotam bem a qualidade da equipa. O sistema de jogo é o 433, com um só pivot-defensivo. A quantidade de jogadores com características ofensivas é notável: o jogador mais recuado do meio-campo, Liverani, era originariamente um médio de características ofensivas; Jorgensen e Gobbi, os laterais, são de origem médios. Esta é, verdadeiramente, uma equipa italiana virada para o ataque. Fiorentina, Roma, Inter, Juventus e Milan: os primeiros cinco do campeonato italiano já não jogam à italiana. Após a decadência da última década, em que os emblemas mais fortes, encostados ao poderio financeiro, se deixaram embalar e não acompanharam as inovações tácticas, eis que ressurge o futebol transalpino. Neste momento, a Inglaterra está no topo, com os grandes clubes a reinarem na Europa, mas a competitividade do campeonato interno não consegue acompanhar a do campeonato espanhol e a do italiano e essas grandes equipas, munidas dos melhores elementos disponíveis no mercado, descuidam a evolução táctica, fechando-se defensivamente e entregando as iniciativas ofensivas a esses elementos. Estão no mesmo ponto que o futebol italiano no início dos anos 90. É um novo ciclo que se está a iniciar e não prevejo, para o futebol inglês, nada mais nada menos que o mesmo destino que o italiano teve e que o fez, ao fim de décadas de uma herança defensiva, modificar-se radicalmente para poder sobreviver.

13. Em jogo a contar para a primeira jornada da Fase Final do Nacional de Júniores, o Sporting bateu o Benfica por 2-1. O 442 clássico de João Alves foi angustiante, sobretudo pela rigidez a que a equipa esteve sujeita e pela colocação do melhor jogador encarnado, o capitão Miguel Rosa, de origem um médio-ofensivo, o melhor na construção de jogo, no flanco direito. Já o Sporting, apresentou um 433 defeituoso, com rotinas mal trabalhadas e uma defesa assustadora. Diogo Rosado, o melhor dos leões e o único com boas ideias em todo o jogo, foi alvo da estupidez da massa associativa. Tudo começou quando, ao reparar que um colega precisava de assistência, escorregou quando se preparava para chutar a bola para fora. Cordialmente, os jogadores do Benfica seguiram a jogada e empataram o jogo. A partir daí, sempre que tocava na bola, era assobiado e insultado. Apesar de nunca ter virado à cara à luta e de ter sido dos que mais empenho demonstrou, não lhe perdoaram aquele lance, bem como outros em que, mais por erros dos companheiros do que por seus, perdeu a bola. Chegaram a dizer que era o Farnerud dos júniores, com toda a carga negativa que tal associação comporta. Até que ganhou uma falta depois de driblar um adversário junto à linha de fundo. Nessa altura, gostaram. Mas, nessa altura, deviam estar caladinhos. Se por acaso tivesse marcado o golo da vitória, as mesmas pessoas que disseram mal deveriam ser obrigadas a sair do estádio, a não festejar o golo. E não é porque não devem criticar os jogadores da sua equipa; é mesmo porque não perceberam, sequer, que estava a ser o melhor em campo. A estupidez do adepto comum é gritante! Este miúdo estará, nos próximos anos, entre os melhores jogadores portugueses e os adeptos que hoje levantaram a voz para dizer mal dele deveriam pagar imposto para festejar os seus futuros êxitos. Em cima dos 90 minutos, o Sporting colocou-se novamente a ganhar. Ninguém festejou mais do que Diogo Rosado. Terá sentido, certamente, um grande alívio por ter estado ligado ao golo do empate do Benfica, mas não acredito que não tivesse sentido também que, com a vitória, já não seria injustamente acusado das coisas que o acusavam. No fim do jogo, ficou alguns minutos ajoelhado no terreno. No fim de contas, salvara-se da humilhação a que a estultícia do povo, que só vê o que é fácil de ver, o submetera. Fica, contudo, a nota: o adepto comum vai ao estádio para poder fazer o que não faz na rua, para poder insinuar que todos os que não torcem pela sua equipa são filhos de mulheres da vida, para poder ofender aqueles que têm o poder durante aqueles 90 minutos, e pretende, portanto, que a sua equipa mostre, não arte, não ciência, não organização, não boas ideias, mas sangue, suor e lágrimas. Pretende, pois, dos seus jogadores, não ideias, mas empenho. Se uma equipa de futebol fosse uma empresa de construção civil e o adepto comum um empreiteiro, os trabalhadores não construiriam segundo um projecto, mas trabalhariam incessantemente, colocando tijolos em tudo o que era sítio. Não haveria casa, mas ninguém os poderia acusar de não terem trabalhado. Enquanto adepto, o adepto comum, como este empreiteiro, é um incompetente. E, sinceramente, o futebol já merecia adeptos competentes...

domingo, 27 de abril de 2008

Compreender Futebol, em vez de o jogar...

Luís Freitas Lobo, numa passagem do seu livro, Planeta Futebol, cita Menotti acerca da perspectiva que este detém sobre os jogadores que prefere, ou que mais admira. Através desta frase – dando a entender a predilecção por Makélélé, em detrimento de Ronaldo, o “Gordo” – Menotti é claro nas suas preferências: a opção por um jogador que lhe permite defender um modelo de jogo e as idiossincrasias do mesmo, em detrimento de jogadores que, apesar de potenciarem uma maior individualidade, comprometem o indivíduo abstracto, o chamado colectivo, é clara. E, para isto acontecer, um jogador tem de compreender o que é o “jogar bem” futebol, enquanto desporto colectivo, e não como um espectáculo de circo.

O futebol, como desporto colectivo que é, deve assentar as suas bases na organização e coordenação entre os seus elementos. Não se trata apenas de um desporto, em que são as capacidades atléticas que definem as reais possibilidades de uma equipa se tornar vencedora; trata-se um jogo e, como tal, a componente cognitiva assume uma relevância determinante.
Por isso, mais do que ser brilhantes na execução, devemos ser bons na interpretação do jogo.


No entanto, a maior parte dos jogadores idolatrados são, na sua essência, jogadores que se destacam pelos seus desempenhos individuais, em detrimento dos que através da sua acção são, quando utilizados, de grande valia para o colectivo. Poderíamos pegar em vários casos: no Sporting, Liedson e Custódio; no Benfica, Petit e Nuno Gomes; no Porto, Assunção, e Quaresma. Todavia, este último exemplo difere dos dois primeiros em alguns aspectos. No que toca ao Assunção, a sua actuação tem sido exaltada por colegas, o que lhe veio conferir, de alguma forma, justiça às suas actuações. Se juntarmos a este facto a sua excessiva agressividade, de tão agrado do adepto, facilmente se vislumbra o porquê do seu reconhecimento junto das massas. Quanto a Quaresma, a situação é diferente. É um jogador alheado do colectivo, que vive para a satisfação dos seus caprichos; no entanto, a suas qualidades tornam legítimas as suas acções. Não é determinante para a “saúde” do colectivo, mas o facto de conseguir muitos desequilíbrios, através das suas acções individuais, acaba por beneficiar o colectivo. Alguns poderão alegar que este facto resulta da posição que Quaresma ocupa, e que esta obriga a um maior número de acções exclusivamente individuais. Para isso peço que tenham em consideração uma comparação entre Quaresma e Nani. Se ignorarmos os aspectos intelectuais, poderemos dizer que o extremo portista e o jogador do Manchester são em tudo muito semelhantes. Fortes no 1x1, rápidos, tecnicistas, e criativos. A diferença reside, acima de tudo, na forma como interpretam a sua integração no colectivo. Apesar de alguma “queda” para o individualismo, as acções de Nani compreendem, na maioria das vezes, as necessidades do colectivo, ao invés de Quaresma, que apenas o faz ocasionalmente e de forma desconexa.

Destes casos, a maior evidência vai, sem dúvida, para o caso dos leões, Custódio e Liedson (a minha ideia inicial seria de pegar em Farnerud, na vez de Custódio, mas como este assunto já tem sido tão debatido, achei por bem escolher um outro exemplo). Facilmente um jogador como Liedson agrada às massas: um jogador que vale exclusivamente de acções individuais, viradas para beneficio próprio, sobressaindo destes gestos, sobretudo, as qualidades físicas do mesmo. A diferença deste para um jogador como Quaresma, ou Ronaldo, – falo do “Gordo” – é que Liedson, apesar de optar demasiado pelas iniciativas individuais, oferece muito pouco à sua equipa com essas movimentações. Se não é raro observar os dois primeiros “resolverem” jogos com as suas acções individuais, não é fácil encontrar uma mão cheia de acções individuais do “levezinho” que tenham resultado num benefício real para a sua equipa. A grande valia do avançado sportinguista esgota-se no seu faro pelo golo (muitos não hesitariam em assinalar a sua disponibilidade em lutar pelo esférico, mas a verdade é que o facto de realizar estas acções de forma isolada da movimentação colectiva redunda numa inconsequência de esforços, maior parte das vezes), e esta virtude beneficia principalmente da movimentação colectiva, a mesma que Liedson, não poucas vezes compromete.

Por outro lado, um jogador que se distinga pela forma como defende o colectivo, distinguindo-se através de factores intelectuais, em detrimento do individual, dificilmente será reconhecido pelo adepto comum. Por mais irónico que pareça, Custódio, ao sacrificar a sua importância individual, em favor do colectivo, contribuía decisivamente para a sua parca popularidade entre os adeptos leoninos. E isto acontece por duas razões:

1 - A necessidade das pessoas se reverem no indivíduo e não no colectivo, pois este, sendo um elemento abstracto, é incomparavelmente mais complicado de compreender e quantificar.

2 - A mesma necessidade de quantificar as qualidades de cada jogador vai impor que se dê destaque àquelas que mais facilmente se vislumbram: os índices físicos. Este facto tem uma importância maior, na medida em que esta visão é partilhada por maior parte dos treinadores de futebol. Isto vai levar a que a selecção dos jogadores seja feita de uma forma semelhante à que fazemos no jogo PES, ignorando que não vale de nada a superioridade físico\técnica dos jogadores se não a conseguirem utilizar de forma a beneficiar o colectivo.

Assim, acredito que jogadores que se distingam pela forma como definem as suas actuações em prol do colectivo, em detrimento da evidência individual, continuarão a ser injustiçados pelo público. Já os que roubarem do colectivo para se evidenciaram, continuarão a ser os eleitos pelo povo, mesmo que no fim de contas a equipa não lucre, em nada, com esta situação...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lição

O Barcelona é talvez a equipa que, a nível ofensivo, melhor representa aquilo que se defende neste espaço. Jogar ao ataque contra equipas que defendem com autocarros deve ser executado exactamente como o Barcelona o fez ontem contra o Manchester. Aliás, aproveito até um jogo em que o adversário se defendeu bem e em que o resultado não foi positivo para dar ênfase à forma extraordinária como a equipa de Rijkaard atacou. Embora não tenha conseguido materializar o seu futebol em golos, o jogo do Barça foi perfeito. Perante uma equipa que vinha para defender os 90 minutos e tentar aproveitar o avanço das linhas espanholas para lançar Ronaldo, o Barcelona fez um jogo quase irrepreensível. Muitos dirão que a vantagem na posse de bola, quase esmagadora, não reflecte um domínio do jogo. Em muitos casos, isso pode ser verdade. Mas, no jogo de ontem, não foi o caso. O Barcelona circulou a bola pelos seus jogadores com paciência, mas sempre em progressão, sempre com o objectivo claro de avançar no terreno, de vencer as linhas inimigas. De pé para pé, lentamente, com arranques individuais aqui ou ali a provocar desequilíbrios, com movimentos constantes dos jogadores que não tinham a bola, o Barcelona foi circundando a defesa do Manchester, composta por duas linhas, cada uma com quatro jogadores. O bloco baixíssimo do Manchester foi incapaz de pressionar com êxito os jogadores do Barcelona e a equipa soube sempre evitar perder a bola. Depois, aproveitava tabelas para romper entre linhas e ganhar espaços à entrada da área: não foram poucas as vezes que os jogadores "blaugrana" conseguiram aparecer, em posse, à entrada da área, e só mesmo a pouca espontaneidade e alguma falta de agressividade nesta fase impediram a equipa de criar mais perigo. Muitos dirão que a prova de que o Manchester defendeu bem foi que o Barcelona não conseguiu muitas oportunidades de golo. É verdade que assim foi, mas há explicações para isto. Além da já referida falta de agressividade na definição dos lances, creio que influenciou a equipa a eventualidade de sofrer um golo em casa. Assim, tentou não correr riscos desnecessários, tentou não executar passes mais arriscados, que tanto poderiam ter ajudado a romper a defensiva britânica como poderiam prejudicar a posse de bola e o controlo do jogo. Com vista a não perder nunca este controlo, o Barcelona foi uma equipa paciente, mas ao mesmo tempo menos audaz do que poderia ter sido. Deste ponto de vista, se bastava ao Barcelona arriscar um pouco mais e se só não o fez para não perder o controlo do jogo, é porque quem controlou as operações foi a equipa espanhola e nunca a inglesa. Aconteceu por diversas vezes ver o Manchester a pressionar com eficácia e os catalães a conseguirem manter a posse da bola, descongestionando e reiniciando a jogada por outro sítio, obrigando a equipa inglesa a esfalfar-se para não abrir espaços. O Barcelona controlou o jogo todo, mantendo sempre a posse de bola e conseguindo, não raras vezes, introduzir-se em zonas ameaçadoras. O futebol foi envolvente, de toque curto e rápido, dinâmico, progressivo e competente. Não andou apenas a circular a bola, a fugir à pressão do Manchester; foi capaz de superá-la e de se intrometer entre as duas linhas defensivas inglesas. É verdade que o Manchester defendeu muito bem em largura e pressionou com alguma eficácia. Mas isso só acrescenta mérito às vezes que o Barcelona conseguiu superar essa boa estratégia defensiva de Ferguson. Se a equipa não conseguiu ir muitas vezes à linha, conseguiu entrar com a bola controlada pelo meio por diversas vezes, dispondo de remates à entrada da área e até de algumas entradas em posse na área britânica. O jogo de ontem deixa tudo em aberto, é certo, mas foi uma verdadeira lição de futebol e de como se deve atacar contra equipas que defendam tão em baixo quanto o Manchester o fez. O simples facto de não ter conseguido marcar golos não deve constituir prova de que esse futebol foi inconsequente; apesar de não ter marcado, o Barcelona demonstrou um poder ofensivo fenomenal e nenhum adepto inglês, depois do jogo de ontem, pode não ficar apreensivo. Parecendo paradoxal aquilo que vou dizer, quero reiterar que o que se passou em Camp Nou foi um verdadeiro hino ao futebol de ataque e, embora o 0-0, é assim que se deve atacar, com ponderação, segurança, paciência e competência. Muitos dirão ainda que um hino ao futebol de ataque é um jogo que acabe com muitos golos. Errado! O futebol do Barcelona ontem, esse sim, foi uma demonstração do que é atacar: atacou, empurrou, massacrou, sem nunca perder a cabeça, sem nunca descuidar a defesa; atacou sempre de forma equilibrada, sem riscos loucos, respeitando a qualidade do adversário e reconhecendo a estratégia cínica do mesmo. O futebol de ataque do Barcelona ontem foi o melhor futebol de ataque que vi nos últimos tempos e uma brilhante lição que os manuais de futebol deveriam preservar.

domingo, 20 de abril de 2008

O que é um passe?

Foi aqui dito, há tempos, que o Entre 10 ensinaria a Pelé, o jovem internacional sub-21 português, em que consiste um passe. Chegou, pois, a altura de tão adiada tarefa. Ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, o passe é tudo menos um gesto técnico simples. Aliás, é até precipitado defini-lo como um gesto técnico, pois o que é mais relevante, para a obtenção de um bom passe, não tem rigorosamente nada a ver com condições técnicas. Assim sendo, enquanto a opinião do vulgo defende que um passe é um gesto técnico, eu defenderei, nestas linhas, que um passe é, isso sim, um gesto intelectual, ao qual a técnica serve apenas de intermediário. Ademais, defenderei que um passe, embora seja executado por um indivíduo, não é um gesto individual, mas sim um gesto colectivo, pois é resultado de diferentes dinamismos e só tem aproveitamento enquanto beneficiar uma acção colectiva.

Muito mais que saber colocar a bola num local preciso, do que ter a capacidade de executar com perfeição um passe, é importante, para o jogador que tem a bola e a quer endossar a um colega, perceber como, quando e por que razão o deve ou não fazer. Num passe, a técnica cumpre um papel meramente secundário: mais importante que conseguir colocar a bola onde se quer é querer colocar a bola no sítio correcto. A um passe preside uma intenção e é essa intenção e não o passe em si que concorre para a qualidade do mesmo. Por mais certeiro que um passe seja, são as condições em que o colega vai receber a bola, assim como aquilo que a equipa pode extrair desse passe, que verdadeiramente interessa. Se um jogador consegue colocar a bola a cinquenta metros no pé de um colega, mas este não tem qualquer espécie de apoios e está rodeado de adversários, o passe efectuado pelo primeiro, ainda que tecnicamente perfeito, não produz consequências positivas. É por isso que, num passe, a componente técnica é completamente independente da componente intelectual. Aquilo que defendo é que, para que um passe seja considerado bom, a segunda componente é muito mais decisiva que a primeira.

Assim, poder-se-ia dividir um passe, à partida, em ideia e execução. Em termos de ideia, contudo, há várias sub-divisões a fazer. Um jogador, ao pensar em fazer um passe, deve ter em conta várias coisas: condições de recepção do colega; apoios que o colega tem ou vai receber; ganhos colectivos; situação e necessidades presentes do jogo (se a equipa está a ganhar ou a perder); etc. Por exemplo, um bom passe a nível técnico não é necessariamente um bom passe se o jogador que receber a bola não tiver condições suficientemente boas para tal. Pelé, por exemplo, é um jogador, a nível do passe, de grande qualidade técnica: os seus passes, por norma, encontram o colega a que se destinam. A sua qualidade técnica não é, porém, condizente com a opção de passe. Não raro, o jogador do Inter, embora executando com qualidade, não tem em conta tudo aquilo que deve ter. Um passe seu é, do ponto de vista estético, de boa qualidade, mas, não pensando Pelé se o mesmo representa a melhor opção para a equipa e se o colega vai poder dar seguimento à jogada, o mesmo passe é, muitas vezes, inconsequente. Não são poucas as vezes que alonga o jogo sem necessidade nem poucas as vezes que faz o passe pelo ar quando pode fazê-lo pelo chão. Pelé não se preocupa com o que vai acontecer a seguir ao seu passe, mas apenas com o passe em si, o que é errado. Aquilo que define um bom passe é muito mais tudo o que vem depois do passe do que o próprio passe.

A capacidade de uma equipa fazer posse de bola advém muito mais da capacidade que os jogadores têm para entender o que vai acontecer a seguir a cada passe do que da capacidade e da qualidade de passe de cada um deles. Para que a equipa permaneça com a posse de bola, um jogador, ao passar, deve perceber que opções de passe terá o jogador que receber a bola, no momento em que a receber. Muito mais do que perceber se há uma linha de passe aberta, um jogador que tem a bola e a vai passar tem de conseguir perceber se, assim que receber a bola, o seu colega terá forma de dar continuidade à jogada. Se não tiver esta capacidade, o jogador que passa só poderá fazer bons passes por acaso: todos os passes que permitirem a continuidade da posse de bola ou que permitirem progressão acontecem então por acidente, porque o jogador que recebe, felizmente, soube encontrar uma solução, ou porque o adversário não tinha capacidade para inviabilizar a continuidade da jogada. O acto de passar, em futebol, é um pouco como cada jogada de xadrez: se não se tiver em conta as próximas jogadas, se não se imaginarem possibilidades futuras, uma jogada por si só é facilmente contrariada. Uma equipa cujos jogadores não tenham capacidade para imaginar aquilo que o colega vai ser capaz de fazer assim que receber a bola jogará muito em função da sorte e da capacidade individual dos jogadores. Os melhores jogadores, ao nível do passe, são aqueles que, ao entregarem a bola, percebem imediatamente quais as soluções que o colega vai ter. Pelé não é um destes casos. Os seu passes não são ponderados e, embora encontrem com regularidade o destinatário, colocam invariavelmente dificuldades ao mesmo, ou à equipa. Abusa dos passes longos em ocasiões em que, além de uma recepção difícil, o jogador que recebe não tem apoios para dar continuidade à jogada, o que torna um passe, já por si arriscado, numa jogada completamente ineficaz. Não se preocupa com as condições de recepção dos colegas e, muitas vezes, quando pode jogar curto e seguro, prefere arriscar e dificultar a acção dos mesmos. Além de tudo isto, não é capaz de perceber que uma equipa que ataca deve fazê-lo progressivamente e que, sem apoios, um passe só funciona como último passe. Apesar de revelar algum critério no descongestionamento dos flancos, ou demora a fazer o passe quando deveria apressá-lo, ou fá-lo rápido quando deveria contemporizar. É com alguma facilidade que vemos a equipa onde joga não ser capaz de progredir ou perder tempo relevante após um passe seu.

O passe é, na minha opinião, o elemento mais importante no processo ofensivo de uma equipa. Mas o passe em si, isto é, o gesto técnico, é uma parte muito irrelevante do mesmo. O passe engloba coisas como a visão de jogo, a imaginação, a capacidade de perceber movimentações colectivas, a velocidade de raciocínio, etc. E é a competência em todos estes processos que define um jogador com uma boa capacidade de passe. Por isso, porque são aspectos intelectuais e não técnicos que definem um bom passe, dificilmente um jogador pouco inteligente será bom nesse capítulo. Sem o auxílio do intelecto, um jogador não poderá compreender mais que o trivial e nunca fará bons passes para além daqueles mais fáceis do ponto de vista do raciocínio. É também por isso que me fascinam certos jogadores que, para a grande generalidade do público, são banais, jogadores esses que são capazes de pensar, a cada momento, o que é melhor para a equipa e de que forma uma acção aparentemente simples como um passe pode ser aproveitada nos momentos seguintes ao mesmo. Para a grande generalidade do público, o passe é uma coisa simples e qualquer um é capaz de fazê-lo. Por isso, um jogador que se destaque apenas neste capítulo não é, para esses, suficientemente bom. Para mim, como o passe é praticamente tudo no futebol, um jogador capaz de fazer bons passes com frequência (e por bons passes entende-se, por tudo o que foi dito, passes consequentes) deveria reunir maior apoio que qualquer outro tipo de jogador.

O passe é, pois, para a maior parte das pessoas, um gesto técnico individual. Para mim, não é nem um gesto técnico nem um gesto individual. É um gesto intelectual, porque o intelecto tem muito mais peso que a técnica na definição do mesmo, e é um gesto colectivo (engloba passe do jogador, recepção do colega, movimentação de toda a equipa, preocupação com posicionamento do adversário, preocupação com as eventualidades seguintes, etc.) porque só naquilo de bom que a equipa pode usufruir de um passe é que se pode medir a qualidade do mesmo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sondagem (5)

Segundo os leitores do Entre Dez, dos últimos 4 treinadores do Benfica, Trapattoni foi o melhor. Com 35 votos, contra 13 de José António Camacho, a velha raposa parece ter deixado saudades. Os restantes 6 votos foram distribuídos pelos outros dois candidatos, sendo que Fernando Santos arrecadou 4 votos e Koeman apenas 2. Reconheço que esta votação era um pouco um voto no "menos mau". A mediocridade dos treinadores do Benfica tem sido tanta que a votação teria de ser mesmo assim. Não sou fã de nenhum dos 4 treinadores em questão, mas o menos mau, para mim, seria Fernando Santos, seguido de Trapattoni. Se posso, de certa maneira, perceber a votação no italiano, não entendo, porém, o segundo lugar do espanhol.

Sugere então esta votação que, apesar de ter posto o Benfica a praticar o futebol mais agradável dos últimos 15 anos (com resultados significativos), Fernando Santos não reuniu amigos. Já Trapattoni, embora seja de louvar o facto de ter sido campeão com parcos recursos, foi sempre um treinador pouco audaz, sobretudo para um grande. O seu Benfica acabou por ter alguma sorte na forma como conquistou o campeonato e isso terá certamente contribuído para que, hoje, seja visto como o melhor dos últimos tempos. Camacho, por seu lado, teve uma equipa completamente desnorteada, como já não se via desde Jupp Heynckes, mas ainda assim tem quem o apoie. Completamente esquecido estará Koeman, embora tenha levado o Benfica, em termos europeus, mais longe do que qualquer outro treinador nos últimos tempos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Melhor o resultado...

Na jornada que consagrou o “tri-campeão”, nem só os adeptos portistas têm razões para se sentirem felizes. Depois dos tropeções dos “Vitórias” e posteriormente do rival da segunda circular, os sportinguistas não só levaram o Braga de vencida como recuperaram Djaló.

O jogo começou da forma esperada, com um Braga recuado, apostando principalmente na capacidade de luta dos seus jogadores para suster o ímpeto ofensivo leonino. Carlos Fernandes e Rodriguez destacavam-se no sector defensivo: o português pela forma inteligente como fechava o flanco e iniciava os lances de ataque do Braga – quase sempre com uma solicitação em Matheus - o sul-americano na maneira como fechava os espaços, cortando várias linhas de passe.
Não conseguiu ter bola a equipa minhota, mas, apesar disso, conseguiu criar dois lances perigosos, sempre pela ala esquerda, com Linz a revelar-se muito perigoso (aquele toque de calcanhar...).

Mas foi na desorganização do meio-campo bracarense que surgiu o ascendente, ainda que tímido, da equipa leonina. Com Brum sozinho a pensar o jogo, - Contreras e Vandinho apenas se destacavam pela agressividade - a equipa arsenalista perdia demasiadas bolas, facilitando a tarefa à equipa leonina.

Do lado do Sporting, destaque, mais uma vez, para Farnerud. Não gostam do sueco, mas a verdade é que Pontus pensa e executa com grande qualidade. No meio-campo leonino foi o único a conseguir dar “traço” ao jogo da equipa de Alvalade. Com Moutinho escondido a “dez”, e Veloso a definir as suas acções mais vezes mal do que bem, tornando o jogo leonino muito confuso, eram o sueco e Izmailov que iam criando as soluções mais conseguidas do futebol verde-e-branco: o sueco através dos seus passes verticais, solicitando de forma soberba os avançados leoninos, e o russo com importantes movimentos verticais.

Com o primeiro golo (muito bem Liedson – por que é que ele não faz sempre “aquilo”, em vez das habituais tentativas, frustradas, de remate ou drible? –) apareceram, em bom estilo, os avançados, Liedson e Djaló. Logo após a obtenção do primeiro golo, surgiu o segundo, com mais uma excelente combinação entre o duo da frente.

Aqui um pequeno parêntesis: tem sido frequente neste espaço criticar o futebol de Liedson, defendendo que um avançado tem de ser, forçosamente, muito mais que o jogador do último toque. Defendemos que um avançado, como qualquer outro jogador, tem de compreender o que é melhor para a equipa em cada momento. Seja um toque para o lado, ou para trás, seja a opção de rematar, ou fintar, um jogador tem de compreender qual a melhor opção para a equipa. Não embarco no velho dogma que defende que um avançado, para ser útil, tem de ser egoísta. Liedson, sem fazer qualquer golo, fez dos melhores 45 minutos que já o vimos fazer. Infelizmente, na segunda parte, voltou ao seu estilo habitual.

Veio o intervalo e também um Braga mais atrevido. Jaílson, no lugar de Vandinho, mexeu com o jogo bracarense. Deu mais profundidade, assim como mais capacidade ofensiva. Valeu ao Sporting, nos momentos de maior aperto, Patrício, a barra, e Bruno Paixão (aquele golo foi anulado porquê?). O clube de Alvalade voltou a manifestar dificuldade na gestão da posse de bola. Daí não ter conseguido cruzar os últimos 45 minutos sem sobressaltos. Só nos últimos minutos, já com Pereirinha em campo, é que logrou ameaçar novamente a baliza minhota. Pereirinha, com dois remates perigosos, assim como uma excelente jogada de Farnerud, que provavelmente só não deu golo porque o Levezinho optou pelo remate, em vez de lhe devolver o esférico, foram os lances mais perigosos da equipa lisboeta no segundo tempo.

No fundo, uma vitória que se aceita, mas não por estes números. O Braga pagou a factura da pouca ambição demonstrada no primeiro tempo. Mas não é só nos aspectos ofensivos que a equipa de Machado merece reparos. A equipa é mal organizada nos processos defensivos, e nem o facto de jogar num bloco baixo consegue disfarçar este factor.

Do lado do clube leonino, destacar a incapacidade em circular a bola entre os seus sectores, sem o fazer em nítido esforço. O futebol sportinguista é confuso e vive apenas de momentos individuais e da inspiração, aleatória, dos jogadores. A sua organização defensiva, prejudicada por erros individuais (Abel tem sido simplesmente horrível na maneira como fecha o lado direito), e pela incapacidade da equipa em manter a posse de bola, expondo-se em demasia às iniciativas dos adversários, tem sido muitas vezes colocada em causa.

Depois, existe a velha questão dos avançados. À excepção de Derlei, e do inoperante Purovic, os avançados leoninos são, acima de tudo, jogadores explosivos, que não se destacam pela forma como conseguem segurar o esférico. Esta debilidade veio a tornar-se decisiva, de forma negativa, de diferentes formas, e em diferentes momentos: numa primeira fase, porque o losango leonino abriu em demasia, e neste caso era importante que os avançados soubessem contemporizar e assumir um maior protagonismo na gestão da posse de bola. Como isto não sucedia, a equipa ficava demasiado dependente das transições feitas através das alas, ficando sem apoios para variar o jogo de forma sustentada e segura. Numa fase posterior, a ineficácia dos avançados leoninos em segurar o esférico, veio-se a revelar contraproducente para o estilo de jogo quer de Veloso, que de Adrien. Ambos são jogadores com uma grande apetência ofensiva, e que baseiam as suas actuações numa grande mobilidade. Isto vai retirar ao jogo leonino apoios, pois muitas vezes estes jogadores, ao envolverem-se directamente na condução dos processos ofensivos, não conseguem criar apoios recuados. Desta forma, era importante que os avançados recuassem, criando superioridade, propiciando desta forma um maior número de apoios ao portador da bola. Sem um jogador como Custódio, o futebol leonino fica sem uma saída de emergência, ficando desta forma comprometida a possibilidade de descongestionar o jogo de forma segura. Daí a nossa insistência: Por que não Farnerud a trinco?

sábado, 5 de abril de 2008

Breves da Semana

1. Antes do jogo com o Porto, Jorge Jesus disse que, qualquer que fosse o resultado, uma coisa era certa: o Belenenses iria ser melhor tacticamente que o Porto. Jesualdo, após a vitória suada, fez questão de deixar bem claro que o Porto tinha sido tacticamente superior ao Belenenses. Adoro pessoas que, quando ganham, precisam de rebaixar os outros para se sentirem homenzinhos.

2. Já o Sporting, ganhou folgadamente à Naval, mas a exibição foi medíocre. É gritante, por exemplo, a falta de ideias da equipa no último terço do terreno.

3. O Benfica também goleou e Rodriguez fez um golaço. Custa compreender como é que não se conserva uma unidade tão rentável como o uruguaio.

4. Na Champions, Manchester e Liverpool gozaram de uma sorte inacreditável. O futebol de qualidade da Roma e o massacre dos Gunners mereciam mais.

5. O Fenerbahce continua a surpreender e promete não facilitar na segunda mão. Sendo, com o Shalke, a equipa mais modesta em prova, nutro alguma simpatia pelos turcos. Dar-me-ia, sem dúvida, algum gozo que, depois de eliminarem o Sevilha, fossem capazes de derrubar dois colossos ingleses e marcar presença na final.

6. Neste momento, um cenário perfeitamente possível para as meias-finais da Champions faz jogar Barcelona com Manchester e Fenerbahce com Arsenal. O futebol de ataque, alegre e bem trabalhado estaria, nesse caso, em força, nas meias-finais da prova, coisa da qual, provavelmente, não haverá memória. Melhor, só mesmo se a Roma fosse capaz de eliminar o Manchester em Old Trafford.

7. Na UEFA, o Sporting tem boas condições de atingir as meias-finais. O resultado, no entanto, ao contrário do que se pode pensar, não me parece favorável aos leões. Sendo o factor casa cada vez menos determinante e mantendo-se a lei dos golos fora, marcar golos como visitante na primeira mão de uma eliminatória é fundamental. É que, também ao contrário do que se diz, a eliminatória já não está no intervalo. O Rangers já não pode sofrer golos em casa, pelo que cada golo que marque significa que o Sporting tem de marcar esse golo e mais um. Empatar a 0-0 na primeira mão chega a ser, às vezes, para a equipa que joga em casa, melhor do que ganhar por 2-1, por exemplo. Apesar de tudo, considero o Sporting superior e creio que tem condições para seguir em frente. Aliás, até talvez nem fosse mau o Rangers marcar mesmo um golo em Alvalade: obrigava o Sporting a jogar para marcar golos e impedia que a eliminatória fosse para penaltys, o que seria mau para os portugueses.

8. O futebol do Rangers poderia ser mais primitivo? Não foi um 442 clássico apenas pela disposição em campo do Sporting. Marcando homem a homem no meio-campo, jogar contra o losango do Sporting implicava jogar em 451/541. O Rangers marca ao homem a todo o terreno, joga um futebol directo, e tem na vontade a sua única arma. Em termos individuais, a equipa é banal; colectivamente, funciona por impulsos individuais, ou seja, pela vontade de cada elemento. O público, então, não poderia mesmo ser mais primitivo. A exultação nunca foi por uma sucessão de passes correctos ou por lances bem gizados, mas por iniciativas em que os jogadores revelavam aplicação. A cada disputa de bola, a cada desarme ou tentativa de desarme, os adeptos exaltavam-se de uma maneira quase absurda. É ridículo que o futebol britânico continue a viver deste tipo de coisas. E em Inglaterra não é diferente. O poderio financeiro é que disfarça esta forma bizarra de ver o mundo. O ser humano, sobretudo o ser humano britânico mas não só, já se educava esteticamente, não?

9. O Zenit de São Petersburgo está demolidor. Depois de limpar o Marselha, deu cabo do Bayer Leverkusen. Um amigo russo dizia-me, antes da eliminatória, que o único problema do Zenit, até à final, seria o Bayern de Munique. Achei-o demasiado optimista, mas parece que, para já, a razão está do lado dele. Uma perguntinha: como é que Arshavin ainda está a jogar na Rússia?

10. Se o Zenit é sensação, o que dizer do Getafe de Laudrup? Tenho pena de não ter podido assistir a nenhum dos jogos do Getafe contra o Benfica, mas no país vizinho diz-se que o futebol dos pupilos de Laudrup é admirável. Pode ser que continuem em prova...

11. O meu prognóstico para as meias-finais da UEFA: Sporting vs Fiorentina e Zenit vs Getafe.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Muito mais que uma tragédia

Dois jogos, duas selecções, AA e sub-21, que deixam a desejar, seja nos comportamentos, seja nos elementos que as compõem.

Primeiro os sub-21. Jogo feio, mal jogado. Por muito que o Rui Caçador defenda que são uma equipa de elite, as esperanças portuguesas não se mostraram dignas de tal epíteto. Mas antes de explicar por que é que o treinador dos sub-21 está a sonhar alto, chamar a atenção para três erros crassos, para uma equipa que se auto-entitula de "elite".

Primeiro: Uma equipa de elite com um guarda-redes daqueles? Segundo: um meio-campo formado por Machado, Manuel Fernandes e Pélé não nos pode oferecer nada de muito positivo. Terceiro: com Saleiro, optar pelo João Moreira? Para confundir os adversários? Só pode.

Admito que, nas selecções, devido ao pouco tempo que se dispõe para trabalhar certos aspectos tácticos, não é fácil aprimorar coisas como as rotinas, as movimentações, etc. Todavia, podemos debruçar-nos sobre as escolhas de Caçador. Porquê apostar em Pereirinha para lateral-direito e deixar um lateral de raiz como Pedro Correia fora da convocatória? Depois, a opção de deixar o melhor extremo de fora, Hélder Barbosa, melhor do que qualquer um dos que jogou de inicío, Gama e Vieirinha. Já nem vou falar de Coentrão e Ivan Santos. Depois, o "endeusamento" a que foi submetido Manuel da Costa não só prejudica o jogador como o próprio colectivo. Carriço já merecia uma chamada a sério a esta selecção. Por fim... aquele guarda-redes. Não conheço muito bem o Mário Felgueiras, mas, do pouco que vi, parece-me uma solução bem melhor.

Antes de terminar, uma nota para os comentadores, um dos quais até apreciado pelo Entre 10.
Começando pelo absurdo de considerar João Moreira como um avançado com melhor leitura do movimento dos colegas do que Saleiro, assim como defini-lo como um jogador com maior inteligência de movimentos, fora da área, é de rir. Pior é não compreender por que é que numa equipa, Leixões, este jogador não calça. A sério?!?! Mas também... Luis Freitas Lobo não se coibiu de definir Purovic como um jogador inteligente e elegante.

Depois, toda a euforia em redor de Pelé. Não digo que seja o pior jogador do mundo, que não o é, mas mal da nossa selecção se ele for o nosso jogador mais influente.

Na selecção principal, a história é um pouco diferente. Scolari optou por fazer experiências. Tudo bem, mas se ele pretendia testar Martins a dez, por que é que o encostou à direita mal Simão saiu? E aquele duplo-pivot... Já não é grande coisa; com Meira nele, ainda piora. Considero Meira bom jogador, mas não como médio-defensivo, muito menos num dulpo-pivot, em que se pretende(?) que o médios defensivos se soltem, à vez, em movimentos ofensivos. Pelo menos, foi o que sucedeu no jogo de quarta. Quando subia, Meira não conseguia acrescentar nada; antes contribui para a falência de várias tentativas do ataque lusitano.

A Grécia apresentou-se com um esquema bem definido: pressionando alto, com um bloco subido, impediu que a equipa portuguesa tivesse bola. Portugal raramente conseguiu circular a bola entre os seus elementos. As únicas aproximações de Portugal à área helénica surgiam através de acções individuais, ou então das movimentações de Nuno Gomes, excelente a segurar a bola, a tabelar, ou a criar linhas de passe. Quando Moutinho entrou, Portugal ganhou mais dinâmica na gestão da posse de bola, mas perdeu profundidade, pois Carlos Martins flectia para o meio, e Paulo Ferreira não se aventurou muito em missões ofensivas, muito por culpa de Amanatidis.

Gostei da Grécia. Já não via este conjunto desde a final do Europeu. E esta selecção está diferente. Para melhor. Apesar de não gostar da táctica apresentada, o futebol deles foi quase sempre apoiado, de forma precisa, inteligente na maneira como manietou os intérpretes portugueses.

Karagounis, como dez, ia-se movimentando a belo prazer entre linhas, proporcionando a subida no terreno a Basinas, quando baixava, ficando Katsouranis menos solto, sendo ele que equilibrava as subidas de Torosidis, do lado oposto. Patsazogiou mostrava-se menos atrevido nas suas incursões. Charisteas, partindo da ala, provocava dificuldades a Caneira, criando dessa forma, muitas vezes, situações de igualdade no centro da área portuguesa.

Mérito para a Grécia, que não recuou em demasia, pelo menos em grande parte do jogo, não abdicando da posse de bola. Quanto a Portugal, é verdade que a Grécia é uma equipa bem equilibrada, mas a verdade é que a forma como Portugal se apresentou facilitou a tarefa aos gregos. Como seria o jogo se Scolari, em vez de Meira e Veloso, apresentasse Veloso atrás de Moutinho e Martins? A Grécia teria mais dificuldades em pressionar alto, pois correria o perigo de criar linhas de passe no seu maio-campo, assim como esta disposição iria obrigar a um maior apoio por parte dos laterais, pois Veloso no meio não se poderia desmobilizar em demasia, para não desequilibrar a equipa, e assim a selecção portuguesa iria jogar mais próxima, de forma mais apoiada, e com um bloco progressivamente mais subido. Esta opção teria a desvantagem de criar espaços nas costas do defesas, mas com Pepe ( principalmente este!) e Ricardo Carvalho, a velocidade é problema?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Carvalhal: mais do que a soma das individualidades

Como andam aí papagaios a dizer coisas que não são verdade, é tempo de falar delas, com a atenção que merecem. É opinião algo generalizada que Carlos Carvalhal, actual treinador do Vitória de Setúbal, é um treinador defensivo e que a sua equipa pratica um futebol assente na defesa, feio e de aproveitamento dos erros do adversário. Isto não é verdade.

Já foi tema de um texto neste espaço algo semelhante. Na altura, defendi que Mourinho era tudo menos um treinador defensivo, coisa que, obviamente, ainda mantenho. Com Carlos Carvalhal passa-se actualmente o mesmo. Quem não percebe muito de futebol, tende a achar que treinadores como estes dois são treinadores defensivos. Obviamente, estão equivocados. Os dois têm filosofias de jogo muito parecidas, o que não é novidade, pelo que quem ache que um é defensivo tem tendência a achar que o outro também o é. Estão enganados em relação aos dois.

O futebol do Setúbal é, provavelmente, o futebol mais correcto da Primeira Liga, talvez a par do futebol do Porto. Paulo Bento teve oportunidade de dizê-lo: o Setúbal é a equipa da liga que melhor faz as transições ofensivas. Concordo inteiramente com isto. Mas, assim sendo, como compatibilizar uma equipa supostamente defensiva com uma equipa que faz boas transições ofensivas? Uma destas coisas não pode ser verdade. A não ser que essas transições ofensivas, embora boas, sejam esporádicas, o que não correcto. Acontece, isso sim, que o Setúbal é uma equipa bastante completa. Defende muitíssimo bem, com uma organização estupenda, em bloco, com os jogadores muito juntos, utilizando uma pressão baixa, mas agressiva. Esta forma de defender privilegia a ocupação de espaços recuados, o encurtamento entre linhas e dá a iniciativa de jogo, até certo ponto do terreno, ao adversário. Em vez de começar a pressionar logo no meio-campo, o que concederia alguns espaços entre linhas, o Vitória encolhe-se estrategicamente e só ataca o portador da bola mais atrás. Isto faz com que haja pouco espaço e que o futebol do adversário, se não for dinâmico e envolvente, tenha pouco sucesso.

É verdade que há mais equipas que assentam o seu sistema defensivo num bloco baixo, mas poucas aquelas que conseguem executar o tipo de pressão que o Setúbal executa, a toda a largura do terreno e com uma concentração de jogadores extraordinária. Esse é o grande segredo da consistência defensiva dos sadinos. Agora, se o Setúbal fosse só isto, uma equipa que defende bem, talvez conseguisse alguns empates e, com sorte, ganhasse alguns jogos às custas da inspiração dos avançados. A verdade é que isto não é bem assim. Saíram alguns jogadores nucleares e a equipa, enquanto equipa, continuou a ser eficaz, o que prova que o sucesso ofensivo não estava directamente relacionado com a perícia dos elementos ofensivos. O Setúbal de Carvalhal, além de defender bem, ataca bem. Quando em posse de bola, a equipa não a esbanja desleixadamente. Se o adversário puder ser apanhado em contrapé, o ataque é lançado rapidamente, mas sempre com transições seguras, com passes rasteiros, ponderados, de pé para pé. Mesmo quando a equipa utiliza um futebol mais directo, a bola raramente é lançada para jogadores com poucas possibilidades de a conservarem. Os passes verticais são do melhor que há neste campeonato, normalmente à procura de Pitbull, que depois segura, espera pelo avanço dos companheiros e orienta o ataque. Quando o adversário está melhor posicionado, o Setúbal opta por sair a jogar calmamente, procurando sempre o meio-campo: a bola do lateral raramente percorre a linha; o passe é sempre à procura do médio. O futebol apoiado do Vitória, nas primeiras fases de construção, é de uma precisão espantosa. Depois, raramente a bola sai do médio para as alas; a transição típica é o passe rasteiro vertical, o que possibilita uma subida gradual da equipa. Além disso, sem bola, toda a equipa trabalha muitíssimo bem e há, normalmente, bastantes linhas de passe.

Em termos ofensivos, este é, basicamente, o segredo da equipa: futebol seguro, rápido quando pode sê-lo, mas sempre consciente da importância da posse de bola. A equipa sobe sempre em bloco, provocando poucas rupturas entre linhas, e a movimentação sem bola de todos os elementos é excelente. Além disso, é notável a capacidade que a equipa tem para dar apoios: o jogador que recebe a bola raramente o faz sem ter uma solução de passe imediatamente garantida. Aliás, o jogo em apoios do Setúbal não tem mesmo paralelo em Portugal. E é precisamente este jogo apoiado, este subir e descer em conjunto, como se os jogadores estivessem amarrados, que faz a força da equipa. Defendem bem e atacam bem porque raramente fazem os dois processos isoladamente; defendem e atacam em equipa, como poucos o fazem, com cada jogador a apoiar outro, com e sem bola.

Para quem diz que o Setúbal joga um futebol feio, conte-se os passes falhados, os pontapés sem nexo que a equipa dá. Para os que acham que a equipa só defende, conte-se a posse de bola que conseguem, em cada jogo. Carlos Carvalhal disse, depois de ter ganho ao Sporting após ter perdido Edinho e Matheus, que ficava provado que "uma equipa não é apenas o somatório das individualidades". Para muita gente, isto é uma tautologia e nem sequer se terão preocupado em entender correctamente o significado destas palavras. Mas a verdade é que o Vitória de Carvalhal ilustra isto melhor que qualquer outra equipa neste campeonato. Não estou a falar de vontade, de garra, de motivação, de coragem, de espírito de grupo. Estou a falar de táctica. Há equipas (90% delas) cuja valência se poderia obter somando a valência de cada jogador. Não é o caso deste Setúbal. Com um plantel modesto, a equipa já ganhou uma taça da Liga, está nas meias-finais da Taça de Portugal e reparte o quarto lugar do campeonato com o Sporting. Coincidência? Boa época que não mais se voltará a repetir? Claro que não. A excelente temporada do Vitória é fruto do futebol colectivo da equipa. Muito mais que um extremo de qualidade, quem joga a extremo é toda a equipa; mais do que uma dupla de centrais experiente, quem defende é toda a equipa. Cada processo de jogo é obtido dividindo o esforço por cada jogador. Não há uma bola que se dispute que a equipa não o faça em conjunto. Os jogadores estão sempre perto uns dos outros, sempre preparados para dobrar o companheiro ou para lhe dar uma linha de passe quando ele tiver a bola. Esta coesão, este sentido colectivo, muito mais significativo que a soma de todas as individualidades, é que é a verdadeira valência da equipa. Nenhum jogador está entregue a si próprio, quando tem a bola, ou quando não a tem. Nenhum jogador tem uma função em campo; tudo o que um simples jogador tem para fazer é feito em conjunto. Para bom entendedor, isto basta.

sábado, 22 de março de 2008

A Modest Proposal

A Modest Proposal é o título de um famoso artigo publicado em 1729 por Jonathan Swift. Perante os problemas sociais da Irlanda, sobretudo a pobreza das classes baixas e a fome, Swift sugeria que os filhos das famílias mais pobres, constituindo mais uma boca para alimentar e sendo, por isso mesmo, um fardo demasiado pesado, deveriam ser vendidos e servir de alimento para os mais ricos. Num tom sério, Swift afirma que esta medida salvaria da miséria os mais desprotegidos e da míngua toda a Irlanda.

Como Swift, tenho também uma "proposta modesta", proposta essa que, estou em crer, catapultaria o futebol português para níveis competitivos bastante consideráveis. Proponho, portanto, que, a partir de agora, os jogadores de futebol que não agridam nenhum adversário, no decorrer dos noventa minutos, sejam alvos de processos sumaríssimos. Acho que já chega de gente pacata nos relvados portugueses; fazem falta aqueles jogadores que são autênticas bestas dentro de campo. Um rapaz que, ao saltar com o adversário, não o atinja com a bota no pescoço é um cobarde. E de cobardes andamos nós fartos! O que o futebol português precisa é de verdadeiros energúmenos, de gente sem escrúpulos que agride descaradamente os adversários, por vezes nas barbas dos árbitros. Esses, sim, é que são jogadores a sério! O verdadeiro português é um brutamontes, um bárbaro. D. Afonso Henriques andou à espadeirada com os mouros todos e conquistou-nos um país para quê? Temos de seguir-lhe as pisadas e passar a bater com força! Só com porrada é que isto vai lá! Aquele que não der uma valente pisadela num companheiro de selecção não presta para nada; aquele que não intimidar, em todos os jogos, o adversário que lhe cabe marcar é um franganote. A minha proposta é simples: a partir de agora, perante uma bola dividida, o árbitro só deve mostrar cartões caso os jogadores não se toquem. Nesse caso, deverá atribuir cartão àquele que, na disputa da bola, não meter o pé acima da cintura do adversário. Aliás, acho mesmo que isto deveria ir mais longe; acho que o jogador cujo maxilar fica deslocado após uma cotovelada de um adversário deve ser imediatamente expulso pelo juiz da partida. No futebol, não há lugar para aleijados. Era o que faltava...

Creio que Swift, caso percebesse alguma coisa de futebol, concordaria comigo e penso, honestamente, que o futebol português teria muito a ganhar se se livrasse desses pseudo-jogadores que têm muito jeitinho, mas que, na hora de sacar da moca para bater nos outros, se encolhem. Proteger os artistas? Está bem, está. Protejamos antes os que vão às canelas em vez de irem à bola... Estou farto de tecnicistas, de intelectuais e de gente bem formada e civilizada. Viva os carniceiros! Viva os desajeitados! Viva as bestas! E, acima de tudo, viva a conivência e a cegueira selectiva dos árbitros e de quem tem poder para castigar os jogadores! A esses, peço-lhes, com toda a sinceridade e do fundo do coração: por favor, abram os olhos e não deixem passar impunes aqueles que, por escrúpulo ou nobreza de espírito, têm a desfaçatez de não atingir, com força suficiente para aleijar a sério, os adversários com quem disputam a bola!

terça-feira, 18 de março de 2008

Sporting - Nacional

Foi um Nacional em bom estilo, aquele que se apresentou na segunda-feira passada em Alvalade. Com excelentes princípios, fazendo uma óptima circulação de bola, correcta nos apoios, assentes num 433 bem definido (um pivot defensivo, com dois médios ofensivos), o Nacional, até sofrer o primeiro golo, já na segunda parte, em nada foi inferior ao Sporting.

Foi, principalmente, através das movimentações de Fellype Gabriel que o clube da Madeira conseguiu criar as melhores ocasiões de golo. Ao flectir para o meio, convidando assim à subida de Patacas, estas movimentações, associadas aos movimentos verticais quer de Juliano, quer de Edson, criaram alguns desequilíbrios. É pena que Coentrão não se tenha apresentado ao seu melhor nível. Neste período, não seria de todo surpreendente que o Nacional se adiantasse no marcador. Com alguma sorte, e Patrício, as redes do Sporting mantiveram-se invioláveis. Do lado sportinguista, as caras mudaram mas as dificuldades mantiveram-se. Adrien ofereceu poucas linhas de passe, comprometendo com isso as primeiras transições leoninas. O puto é bom e as suas características bastantes apreciadas neste espaço, mas de momento ainda lhe falta o discernimento necessário para não se colocar em situações complicadas. Para si e para o colectivo. Nos júniores é capaz de contornar essas más opções com argumentos técnico/físicos, mas nos seniores (ainda) não tem essa facilidade.

O futebol do Sporting continua desconexo e inconsistente. A ânsia de chegar à baliza adversária retira-lhe discernimento, contrariando assim a finalidade de uma boa circulação de bola, ou seja, fazê-la circular até encontrar um desequilíbrio no adversário que lhe permita abordar a conclusão do seu processo ofensivo com uma maior probabilidade de sucesso. Neste momento, o Sporting opta sempre por forçar, e com isso a qualidade do seu futebol diminui, comprometendo quer o seu processo ofensivo, quer o defensivo, com inúmeras perdas de bolas, desequilibrando desta forma a sua organização defensiva.

Realçar o comentador da Sport TV. Não falo, obviamente, de Simões, mas da caricatura que o acompanhou. Os seus comentários, de tão ridículos, tornaram o visionamento do jogo uma verdadeira comédia.

Até ao golo, o jogo não se modificou muito, mas a partir do minuto 55 a história do mesmo alterou-se drasticamente, favorecendo o Sporting.

A partir daí, o clube de Alvalade cresceu e justificou a vitória, mas não pelos números que a obteve. Destacar a exibição de Moutinho, assim como o regresso de Djálo aos golos, assim como Liedson, que obteve dois golos fáceis, depois de assistências de Pereirinha (de calcanhar), e Moutinho (de carrinho), respectivamente.

Duas notas:
1 - Tendo Saleiro e Ricardo Nogueira nos seus quadros, a aquisição de Tiuí serviu para quê?
2 – Quem é capaz de me explicar porque é que se continua a embirrar com o Pontus? Falta de intensidade? Passes curtos e só para o lado? A sério?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Derby de que futuro...?

No dia oito deste mês, Sporting e Benfica defrontaram-se no escalão de júniores. Um encontro pobre, sem grandes pólos de interesse. Uma primeira parte cinzenta, sendo que os únicos jogadores que foram capazes de emprestar algum colorido à partida foram os números dez das respectivas equipas. Rosa e Rosado destoaram dos restantes pela elegância e inteligência de movimentos. No meio das “desculpas” benfiquistas para tão pesado resultado encontramos o facto de a formação encarnada se apresentar desfalcada. Vi o jogo da primeira volta e nenhum dos jogadores que jogaram para Miguel Rosa começar no banco tem metade da qualidade deste, por isso não aceito as desculpas apresentadas pela generalidade dos adeptos, de que o Benfica rubricou exibição tão fraca devido à ausência de alguns jogadores.

Os comandados de José Lima, com transições simples, procuravam os corredores laterais, descurando as penetrações interiores. Este facto, aliado à incapacidade dos extremos sportinguistas em vencer os duelos individuais, tornou o jogo da equipa verde e branca “amorfo” e previsível. Para piorar a situação, tanto Welinton Matos, como Vinicius Golas, (apesar de o primeiro se ter destacado, pela negativa, em relação ao seu colega) saíram poucas vezes a jogar, optando quase sempre, e de forma errada, pelos lançamentos longos. Neste sector, nota positiva para actuação de Mihai Radut, se bem que não apresente a qualidade de André Nogueira, por exemplo: é correcto a defender e demonstrou critério nas manobras ofensivas.

João Alves apresentou uma equipa em 442 clássico, com a única particularidade a estar relacionada com a maior liberdade de movimentos concedida ao numero onze, Daud Machude. Com um sector defensivo descoordenado, valeu aos laterais a parca inspiração dos seus adversários directos, assim como a Wagner Silva, principalmente este, deu jeito a pouca qualidade das transições ofensivas, pois sempre que foi posto à prova revelou grandes dificuldades na resolução dos (poucos) problemas que surgiram nas imediações da sua área.
Com um futebol mais directo, o Benfica apostou tudo nas movimentações dos dois avançados, sendo que Boti Demel foi o que se destacou mais neste aspecto, enquanto Miguel Rosa, que ia espalhando classe no relvado principal da academia, fazia os possíveis por dar algum sentido àquele futebol desconectado.

O intervalo veio e, com ele, os golos. À passagem do minuto vinte da segunda parte, e já depois do melhor jogador leonino, Diogo Rosado, ter saído, Diogo Amado, num lance feliz, converteu em golo um livre em que pretendia servir um companheiro. Foi a altura de o público rejubilar com “uma fartura de nada” com que o pequeno Rabiu brindou a plateia. Não que esteja a colocar a qualidade do nigeriano em causa, longe disso, até porque a qualidade técnica e o raciocínio rápido estão lá, mas a necessidade de aplaudir a mais nova coqueluche do universo leonino chegou a ser ridícula. No lado benfiquista, Leandro Pimenta destoava pela vocação que demonstrava para o circo: se ele se preocupasse mais em decidir o que é melhor para o colectivo, em vez de executar movimentos “esquisitos” com a bola, assim que encontrava a oposição de um adversário, talvez, talvez ele pudesse dar alguma coisa. Já perto do fim, Bruno Matias, depois de uma jogada de Marco Matias, na qual sofreu um penalty, converteu a grande penalidade, - e que teve como consequência disciplinar a expulsão de dois elementos Benfiquistas - aumentado assim para 2-0 o resultado do jogo. William Owuso, nos descontos, fechou a contagem, fixando em 3-0 o resultado final.

Poderei estar a ser injusto nesta análise ao jogo e respectivas equipas, mas depois de conhecer a equipa de 2005/2006, na qual pontificavam nomes como Diogo Tavares, Pereirinha, Carriço, Celestino, André Nogueira, Patrício, Caiado, etc., a diferença de qualidade existente entre essa equipa e as que pisaram o relvado principal da Academia Sporting/Puma, no sábado passado, condiciona, e de que maneira, a minha perspectiva sobre o futuro de grande parte dos jogadores que neste momento compõe o plantel da equipa de júniores de ambos os clubes da capital.

quarta-feira, 12 de março de 2008

As lágrimas de Messi

Pelo terceiro ano consecutivo, o astro argentino do Barcelona, Lionel Messi, ficará (tudo indica) impossibilitado de participar na caminhada da sua equipa pela Liga dos Campeões. Depois de o ano passado a equipa ter sido eliminada cedo e de, há duas épocas, se ter lesionado precisamente nos oitavos-de-final e de não mais, até à final, ter conseguido recuperar, voltou este ano a contrair uma lesão nos oitavos-de-final, numa eliminatória que o Barcelona, uma vez mais, superou. Não sei se a lesão deste ano implicará um tempo de paragem igual à de há dois anos, mas quase toda a caminhada do Barcelona estará, certamente, perdida. O argentino, um dos melhores do mundo e, sem dúvida, um dos jogadores que mais entusiasma, hoje em dia, o verdadeiro adepto de futebol, saiu do terreno lavado em lágrimas. A cena foi mesmo comovente: aquele miúdo, que o mundo do futebol já aprendeu a respeitar, rendeu-se à pequenez humana, a uma pequena, mas decisiva lesão, a um claro sinal de como o corpo humano é frágil e pode, a qualquer momento, trair-nos, e chorou compulsivamente. Com as mãos tapando o rosto, pranteando como uma criança perdida da mãe, foi confortado pelos colegas. Acredito que não sentiu nenhum gesto de apoio, nenhum aplauso, nenhuma palmadinha nas costas. Na sua cabeça, estaria apenas a dor de não poder continuar em campo, muito maior que a dor física, e a raiva, a impotência perante tamanho azar. Até nisso o futebol nos mostra o quão injusto pode ser: há jogadores que fazem falta, que não mereciam lesionar-se nunca. Mas assim foi. Como Aquiles, fatalmente atingido no único ponto do corpo que o poderia matar, Messi não pôde continuar a jogar. Saiu a chorar, como se não lhe restasse mais do que deixar escapar a frustração. As lágrimas foram do argentino, é certo. Digo eu, porém, que aquelas lágrimas são de todos aqueles que sentiram, ao mesmo tempo que o pequeno génio chorava, que se passara algo de profundamente errado nos desígnios divinos.

sábado, 8 de março de 2008

Por essa Europa fora

Uma jornada europeia, no mínimo, bastante interessante. Por um lado, o desalento, quer pela lesão de Messi, quer pela impossibilidade de jogadores como Lucho, Quaresma, e Lisandro, continuarem na Champions. Não falo das derrotas do Real Madrid ou do Milan, porque nesses jogos era inevitável que um excelente naipe de jogadores ficasse pelo caminho. O Porto, com uma exibição bem conseguida, mas também muito consentida pelo adversário, não foi capaz de ultrapassar um Schalke demasiado receoso. De nada valeu o excelente trabalho de Lisandro naquele extraordinário golo. O Fenerbahçe, apesar do guarda-redes, fraquinho, e do avançado sem talento para fazer dupla com Liedson – Deivid -, deixou pelo caminho o Sevilha, que parece outra sem Juande Ramos. O Milan não resistiu ao talento de Cesc Fabregas e companhia, assim como o Lyon foi demasiado curto para o Manchester, com mais um golo de Ronaldo. De resto, Barcelona e Chelsea, com naturalidade, limitaram-se a confirmar a sua superioridade, enquanto o Roma, repetindo o resultado da primeira mão, deixou o Real pelo caminho.


Na Uefa, o Bayern continua imparável: 5-0, e um livre soberbo de Ribery. Do lado dos portugueses, Sporting e Benfica dão uma péssima imagem do nosso futebol. O onze de Alvalade é uma caricatura da equipa do ano passado. Jogam mal, de forma desorganizada, e sem identidade. Aquilo que no ano anterior faziam com tanta qualidade, a circulação de bola, a inteligência necessária para perceber que, caso de não se conseguir entrar por um lado, deve-se circular a bola até se encontrar uma situação privilegiada para se concluir o lance. Depois, a opção pelo jogo directo (com Abel em destaque) com uma equipa inglesa é, no mínimo, brilhante. Começando nas palavras do técnico leonino, que optou por pedir que os seus jogadores jogassem com as armas do adversário, em vez das suas – falo das suas palavras aos jornalistas: “ Vamos ter de saltar, correr, lutar...”. Um apelo feito ao único aspecto em que os ingleses poderiam superá-los: A vontade e entrega. No entanto o resultado não foi tão mau como a exibição, e o empate a uma bola, abre boas perspectivas para o jogo em Alvalade, desde que haja Vukcevic.


por Gonçalo

quarta-feira, 5 de março de 2008

Lógica da Batata

Se o campeão Espanhol e actual líder isolado da liga espanhola, com 5 pontos de avanço, caiu nos oitavos-de-final da Champions,

Se o campeão Italiano e actual líder isolado da liga italiana, com 6 pontos de avanço, só muito dificilmente permanecerá em prova, devendo cair, portanto, nos oitavos-de-final da Champions,

Se o hexa-campeão Francês e actual líder isolado da liga francesa, com 3 pontos de avanço, caiu nos oitavos-de-final da Champions,

Logo, era natural que o bi-campeão português e actual líder isolado da liga portuguesa, com 12 pontos de avanço, caísse nos oitavos-de-final da Champions.

É impressão minha ou, esta temporada, as equipas que estiveram envolvidas num campeonato pouco competitivo, resolvido ou controlado há muito, acabaram por não se safar na Champions? Além do campeão italiano, que provavelmente cairá, do campeão espanhol, do campeão francês e do campeão português, também caíram o campeão escocês, o campeão grego, o detentor da Champions e o detentor da Uefa. Só há um campeão nacional em prova, caso o Inter seja mesmo eliminado: o Manchester United.

P.S. Eu sei que esta lógica é estúpida, logo justificar a eliminação do Porto desta forma não é senão uma piada. Apesar disso, aposto que vão aparecer aí mentecaptos a justificar a eliminação do Porto pela exibição de sonho do guarda-redes do Shalke e pela má arbitragem. E esses, ao contrário de mim, vão estar a falar a sério...