Luís Freitas Lobo, numa passagem do seu livro, Planeta Futebol, cita Menotti acerca da perspectiva que este detém sobre os jogadores que prefere, ou que mais admira. Através desta frase – dando a entender a predilecção por Makélélé, em detrimento de Ronaldo, o “Gordo” – Menotti é claro nas suas preferências: a opção por um jogador que lhe permite defender um modelo de jogo e as idiossincrasias do mesmo, em detrimento de jogadores que, apesar de potenciarem uma maior individualidade, comprometem o indivíduo abstracto, o chamado colectivo, é clara. E, para isto acontecer, um jogador tem de compreender o que é o “jogar bem” futebol, enquanto desporto colectivo, e não como um espectáculo de circo.
O futebol, como desporto colectivo que é, deve assentar as suas bases na organização e coordenação entre os seus elementos. Não se trata apenas de um desporto, em que são as capacidades atléticas que definem as reais possibilidades de uma equipa se tornar vencedora; trata-se um jogo e, como tal, a componente cognitiva assume uma relevância determinante.
Por isso, mais do que ser brilhantes na execução, devemos ser bons na interpretação do jogo.
No entanto, a maior parte dos jogadores idolatrados são, na sua essência, jogadores que se destacam pelos seus desempenhos individuais, em detrimento dos que através da sua acção são, quando utilizados, de grande valia para o colectivo. Poderíamos pegar em vários casos: no Sporting, Liedson e Custódio; no Benfica, Petit e Nuno Gomes; no Porto, Assunção, e Quaresma. Todavia, este último exemplo difere dos dois primeiros em alguns aspectos. No que toca ao Assunção, a sua actuação tem sido exaltada por colegas, o que lhe veio conferir, de alguma forma, justiça às suas actuações. Se juntarmos a este facto a sua excessiva agressividade, de tão agrado do adepto, facilmente se vislumbra o porquê do seu reconhecimento junto das massas. Quanto a Quaresma, a situação é diferente. É um jogador alheado do colectivo, que vive para a satisfação dos seus caprichos; no entanto, a suas qualidades tornam legítimas as suas acções. Não é determinante para a “saúde” do colectivo, mas o facto de conseguir muitos desequilíbrios, através das suas acções individuais, acaba por beneficiar o colectivo. Alguns poderão alegar que este facto resulta da posição que Quaresma ocupa, e que esta obriga a um maior número de acções exclusivamente individuais. Para isso peço que tenham em consideração uma comparação entre Quaresma e Nani. Se ignorarmos os aspectos intelectuais, poderemos dizer que o extremo portista e o jogador do Manchester são em tudo muito semelhantes. Fortes no 1x1, rápidos, tecnicistas, e criativos. A diferença reside, acima de tudo, na forma como interpretam a sua integração no colectivo. Apesar de alguma “queda” para o individualismo, as acções de Nani compreendem, na maioria das vezes, as necessidades do colectivo, ao invés de Quaresma, que apenas o faz ocasionalmente e de forma desconexa.
Destes casos, a maior evidência vai, sem dúvida, para o caso dos leões, Custódio e Liedson (a minha ideia inicial seria de pegar em Farnerud, na vez de Custódio, mas como este assunto já tem sido tão debatido, achei por bem escolher um outro exemplo). Facilmente um jogador como Liedson agrada às massas: um jogador que vale exclusivamente de acções individuais, viradas para beneficio próprio, sobressaindo destes gestos, sobretudo, as qualidades físicas do mesmo. A diferença deste para um jogador como Quaresma, ou Ronaldo, – falo do “Gordo” – é que Liedson, apesar de optar demasiado pelas iniciativas individuais, oferece muito pouco à sua equipa com essas movimentações. Se não é raro observar os dois primeiros “resolverem” jogos com as suas acções individuais, não é fácil encontrar uma mão cheia de acções individuais do “levezinho” que tenham resultado num benefício real para a sua equipa. A grande valia do avançado sportinguista esgota-se no seu faro pelo golo (muitos não hesitariam em assinalar a sua disponibilidade em lutar pelo esférico, mas a verdade é que o facto de realizar estas acções de forma isolada da movimentação colectiva redunda numa inconsequência de esforços, maior parte das vezes), e esta virtude beneficia principalmente da movimentação colectiva, a mesma que Liedson, não poucas vezes compromete.
Por outro lado, um jogador que se distinga pela forma como defende o colectivo, distinguindo-se através de factores intelectuais, em detrimento do individual, dificilmente será reconhecido pelo adepto comum. Por mais irónico que pareça, Custódio, ao sacrificar a sua importância individual, em favor do colectivo, contribuía decisivamente para a sua parca popularidade entre os adeptos leoninos. E isto acontece por duas razões:
1 - A necessidade das pessoas se reverem no indivíduo e não no colectivo, pois este, sendo um elemento abstracto, é incomparavelmente mais complicado de compreender e quantificar.
2 - A mesma necessidade de quantificar as qualidades de cada jogador vai impor que se dê destaque àquelas que mais facilmente se vislumbram: os índices físicos. Este facto tem uma importância maior, na medida em que esta visão é partilhada por maior parte dos treinadores de futebol. Isto vai levar a que a selecção dos jogadores seja feita de uma forma semelhante à que fazemos no jogo PES, ignorando que não vale de nada a superioridade físico\técnica dos jogadores se não a conseguirem utilizar de forma a beneficiar o colectivo.
Assim, acredito que jogadores que se distingam pela forma como definem as suas actuações em prol do colectivo, em detrimento da evidência individual, continuarão a ser injustiçados pelo público. Já os que roubarem do colectivo para se evidenciaram, continuarão a ser os eleitos pelo povo, mesmo que no fim de contas a equipa não lucre, em nada, com esta situação...
domingo, 27 de abril de 2008
Compreender Futebol, em vez de o jogar...
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Gonçalo
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Lição
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Nuno
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18:58:00
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Etiquetas: Barcelona, Competições Europeias, Raciocínios Tácticos
domingo, 20 de abril de 2008
O que é um passe?
Muito mais que saber colocar a bola num local preciso, do que ter a capacidade de executar com perfeição um passe, é importante, para o jogador que tem a bola e a quer endossar a um colega, perceber como, quando e por que razão o deve ou não fazer. Num passe, a técnica cumpre um papel meramente secundário: mais importante que conseguir colocar a bola onde se quer é querer colocar a bola no sítio correcto. A um passe preside uma intenção e é essa intenção e não o passe em si que concorre para a qualidade do mesmo. Por mais certeiro que um passe seja, são as condições em que o colega vai receber a bola, assim como aquilo que a equipa pode extrair desse passe, que verdadeiramente interessa. Se um jogador consegue colocar a bola a cinquenta metros no pé de um colega, mas este não tem qualquer espécie de apoios e está rodeado de adversários, o passe efectuado pelo primeiro, ainda que tecnicamente perfeito, não produz consequências positivas. É por isso que, num passe, a componente técnica é completamente independente da componente intelectual. Aquilo que defendo é que, para que um passe seja considerado bom, a segunda componente é muito mais decisiva que a primeira.
Assim, poder-se-ia dividir um passe, à partida, em ideia e execução. Em termos de ideia, contudo, há várias sub-divisões a fazer. Um jogador, ao pensar em fazer um passe, deve ter em conta várias coisas: condições de recepção do colega; apoios que o colega tem ou vai receber; ganhos colectivos; situação e necessidades presentes do jogo (se a equipa está a ganhar ou a perder); etc. Por exemplo, um bom passe a nível técnico não é necessariamente um bom passe se o jogador que receber a bola não tiver condições suficientemente boas para tal. Pelé, por exemplo, é um jogador, a nível do passe, de grande qualidade técnica: os seus passes, por norma, encontram o colega a que se destinam. A sua qualidade técnica não é, porém, condizente com a opção de passe. Não raro, o jogador do Inter, embora executando com qualidade, não tem em conta tudo aquilo que deve ter. Um passe seu é, do ponto de vista estético, de boa qualidade, mas, não pensando Pelé se o mesmo representa a melhor opção para a equipa e se o colega vai poder dar seguimento à jogada, o mesmo passe é, muitas vezes, inconsequente. Não são poucas as vezes que alonga o jogo sem necessidade nem poucas as vezes que faz o passe pelo ar quando pode fazê-lo pelo chão. Pelé não se preocupa com o que vai acontecer a seguir ao seu passe, mas apenas com o passe em si, o que é errado. Aquilo que define um bom passe é muito mais tudo o que vem depois do passe do que o próprio passe.
A capacidade de uma equipa fazer posse de bola advém muito mais da capacidade que os jogadores têm para entender o que vai acontecer a seguir a cada passe do que da capacidade e da qualidade de passe de cada um deles. Para que a equipa permaneça com a posse de bola, um jogador, ao passar, deve perceber que opções de passe terá o jogador que receber a bola, no momento em que a receber. Muito mais do que perceber se há uma linha de passe aberta, um jogador que tem a bola e a vai passar tem de conseguir perceber se, assim que receber a bola, o seu colega terá forma de dar continuidade à jogada. Se não tiver esta capacidade, o jogador que passa só poderá fazer bons passes por acaso: todos os passes que permitirem a continuidade da posse de bola ou que permitirem progressão acontecem então por acidente, porque o jogador que recebe, felizmente, soube encontrar uma solução, ou porque o adversário não tinha capacidade para inviabilizar a continuidade da jogada. O acto de passar, em futebol, é um pouco como cada jogada de xadrez: se não se tiver em conta as próximas jogadas, se não se imaginarem possibilidades futuras, uma jogada por si só é facilmente contrariada. Uma equipa cujos jogadores não tenham capacidade para imaginar aquilo que o colega vai ser capaz de fazer assim que receber a bola jogará muito em função da sorte e da capacidade individual dos jogadores. Os melhores jogadores, ao nível do passe, são aqueles que, ao entregarem a bola, percebem imediatamente quais as soluções que o colega vai ter. Pelé não é um destes casos. Os seu passes não são ponderados e, embora encontrem com regularidade o destinatário, colocam invariavelmente dificuldades ao mesmo, ou à equipa. Abusa dos passes longos em ocasiões em que, além de uma recepção difícil, o jogador que recebe não tem apoios para dar continuidade à jogada, o que torna um passe, já por si arriscado, numa jogada completamente ineficaz. Não se preocupa com as condições de recepção dos colegas e, muitas vezes, quando pode jogar curto e seguro, prefere arriscar e dificultar a acção dos mesmos. Além de tudo isto, não é capaz de perceber que uma equipa que ataca deve fazê-lo progressivamente e que, sem apoios, um passe só funciona como último passe. Apesar de revelar algum critério no descongestionamento dos flancos, ou demora a fazer o passe quando deveria apressá-lo, ou fá-lo rápido quando deveria contemporizar. É com alguma facilidade que vemos a equipa onde joga não ser capaz de progredir ou perder tempo relevante após um passe seu.
O passe é, na minha opinião, o elemento mais importante no processo ofensivo de uma equipa. Mas o passe em si, isto é, o gesto técnico, é uma parte muito irrelevante do mesmo. O passe engloba coisas como a visão de jogo, a imaginação, a capacidade de perceber movimentações colectivas, a velocidade de raciocínio, etc. E é a competência em todos estes processos que define um jogador com uma boa capacidade de passe. Por isso, porque são aspectos intelectuais e não técnicos que definem um bom passe, dificilmente um jogador pouco inteligente será bom nesse capítulo. Sem o auxílio do intelecto, um jogador não poderá compreender mais que o trivial e nunca fará bons passes para além daqueles mais fáceis do ponto de vista do raciocínio. É também por isso que me fascinam certos jogadores que, para a grande generalidade do público, são banais, jogadores esses que são capazes de pensar, a cada momento, o que é melhor para a equipa e de que forma uma acção aparentemente simples como um passe pode ser aproveitada nos momentos seguintes ao mesmo. Para a grande generalidade do público, o passe é uma coisa simples e qualquer um é capaz de fazê-lo. Por isso, um jogador que se destaque apenas neste capítulo não é, para esses, suficientemente bom. Para mim, como o passe é praticamente tudo no futebol, um jogador capaz de fazer bons passes com frequência (e por bons passes entende-se, por tudo o que foi dito, passes consequentes) deveria reunir maior apoio que qualquer outro tipo de jogador.
O passe é, pois, para a maior parte das pessoas, um gesto técnico individual. Para mim, não é nem um gesto técnico nem um gesto individual. É um gesto intelectual, porque o intelecto tem muito mais peso que a técnica na definição do mesmo, e é um gesto colectivo (engloba passe do jogador, recepção do colega, movimentação de toda a equipa, preocupação com posicionamento do adversário, preocupação com as eventualidades seguintes, etc.) porque só naquilo de bom que a equipa pode usufruir de um passe é que se pode medir a qualidade do mesmo.
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Nuno
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
Sondagem (5)
Sugere então esta votação que, apesar de ter posto o Benfica a praticar o futebol mais agradável dos últimos 15 anos (com resultados significativos), Fernando Santos não reuniu amigos. Já Trapattoni, embora seja de louvar o facto de ter sido campeão com parcos recursos, foi sempre um treinador pouco audaz, sobretudo para um grande. O seu Benfica acabou por ter alguma sorte na forma como conquistou o campeonato e isso terá certamente contribuído para que, hoje, seja visto como o melhor dos últimos tempos. Camacho, por seu lado, teve uma equipa completamente desnorteada, como já não se via desde Jupp Heynckes, mas ainda assim tem quem o apoie. Completamente esquecido estará Koeman, embora tenha levado o Benfica, em termos europeus, mais longe do que qualquer outro treinador nos últimos tempos.
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Nuno
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00:33:00
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
Melhor o resultado...
Na jornada que consagrou o “tri-campeão”, nem só os adeptos portistas têm razões para se sentirem felizes. Depois dos tropeções dos “Vitórias” e posteriormente do rival da segunda circular, os sportinguistas não só levaram o Braga de vencida como recuperaram Djaló.
O jogo começou da forma esperada, com um Braga recuado, apostando principalmente na capacidade de luta dos seus jogadores para suster o ímpeto ofensivo leonino. Carlos Fernandes e Rodriguez destacavam-se no sector defensivo: o português pela forma inteligente como fechava o flanco e iniciava os lances de ataque do Braga – quase sempre com uma solicitação em Matheus - o sul-americano na maneira como fechava os espaços, cortando várias linhas de passe.
Não conseguiu ter bola a equipa minhota, mas, apesar disso, conseguiu criar dois lances perigosos, sempre pela ala esquerda, com Linz a revelar-se muito perigoso (aquele toque de calcanhar...).
Mas foi na desorganização do meio-campo bracarense que surgiu o ascendente, ainda que tímido, da equipa leonina. Com Brum sozinho a pensar o jogo, - Contreras e Vandinho apenas se destacavam pela agressividade - a equipa arsenalista perdia demasiadas bolas, facilitando a tarefa à equipa leonina.
Do lado do Sporting, destaque, mais uma vez, para Farnerud. Não gostam do sueco, mas a verdade é que Pontus pensa e executa com grande qualidade. No meio-campo leonino foi o único a conseguir dar “traço” ao jogo da equipa de Alvalade. Com Moutinho escondido a “dez”, e Veloso a definir as suas acções mais vezes mal do que bem, tornando o jogo leonino muito confuso, eram o sueco e Izmailov que iam criando as soluções mais conseguidas do futebol verde-e-branco: o sueco através dos seus passes verticais, solicitando de forma soberba os avançados leoninos, e o russo com importantes movimentos verticais.
Com o primeiro golo (muito bem Liedson – por que é que ele não faz sempre “aquilo”, em vez das habituais tentativas, frustradas, de remate ou drible? –) apareceram, em bom estilo, os avançados, Liedson e Djaló. Logo após a obtenção do primeiro golo, surgiu o segundo, com mais uma excelente combinação entre o duo da frente.
Aqui um pequeno parêntesis: tem sido frequente neste espaço criticar o futebol de Liedson, defendendo que um avançado tem de ser, forçosamente, muito mais que o jogador do último toque. Defendemos que um avançado, como qualquer outro jogador, tem de compreender o que é melhor para a equipa em cada momento. Seja um toque para o lado, ou para trás, seja a opção de rematar, ou fintar, um jogador tem de compreender qual a melhor opção para a equipa. Não embarco no velho dogma que defende que um avançado, para ser útil, tem de ser egoísta. Liedson, sem fazer qualquer golo, fez dos melhores 45 minutos que já o vimos fazer. Infelizmente, na segunda parte, voltou ao seu estilo habitual.
Veio o intervalo e também um Braga mais atrevido. Jaílson, no lugar de Vandinho, mexeu com o jogo bracarense. Deu mais profundidade, assim como mais capacidade ofensiva. Valeu ao Sporting, nos momentos de maior aperto, Patrício, a barra, e Bruno Paixão (aquele golo foi anulado porquê?). O clube de Alvalade voltou a manifestar dificuldade na gestão da posse de bola. Daí não ter conseguido cruzar os últimos 45 minutos sem sobressaltos. Só nos últimos minutos, já com Pereirinha em campo, é que logrou ameaçar novamente a baliza minhota. Pereirinha, com dois remates perigosos, assim como uma excelente jogada de Farnerud, que provavelmente só não deu golo porque o Levezinho optou pelo remate, em vez de lhe devolver o esférico, foram os lances mais perigosos da equipa lisboeta no segundo tempo.
No fundo, uma vitória que se aceita, mas não por estes números. O Braga pagou a factura da pouca ambição demonstrada no primeiro tempo. Mas não é só nos aspectos ofensivos que a equipa de Machado merece reparos. A equipa é mal organizada nos processos defensivos, e nem o facto de jogar num bloco baixo consegue disfarçar este factor.
Do lado do clube leonino, destacar a incapacidade em circular a bola entre os seus sectores, sem o fazer em nítido esforço. O futebol sportinguista é confuso e vive apenas de momentos individuais e da inspiração, aleatória, dos jogadores. A sua organização defensiva, prejudicada por erros individuais (Abel tem sido simplesmente horrível na maneira como fecha o lado direito), e pela incapacidade da equipa em manter a posse de bola, expondo-se em demasia às iniciativas dos adversários, tem sido muitas vezes colocada em causa.
Depois, existe a velha questão dos avançados. À excepção de Derlei, e do inoperante Purovic, os avançados leoninos são, acima de tudo, jogadores explosivos, que não se destacam pela forma como conseguem segurar o esférico. Esta debilidade veio a tornar-se decisiva, de forma negativa, de diferentes formas, e em diferentes momentos: numa primeira fase, porque o losango leonino abriu em demasia, e neste caso era importante que os avançados soubessem contemporizar e assumir um maior protagonismo na gestão da posse de bola. Como isto não sucedia, a equipa ficava demasiado dependente das transições feitas através das alas, ficando sem apoios para variar o jogo de forma sustentada e segura. Numa fase posterior, a ineficácia dos avançados leoninos em segurar o esférico, veio-se a revelar contraproducente para o estilo de jogo quer de Veloso, que de Adrien. Ambos são jogadores com uma grande apetência ofensiva, e que baseiam as suas actuações numa grande mobilidade. Isto vai retirar ao jogo leonino apoios, pois muitas vezes estes jogadores, ao envolverem-se directamente na condução dos processos ofensivos, não conseguem criar apoios recuados. Desta forma, era importante que os avançados recuassem, criando superioridade, propiciando desta forma um maior número de apoios ao portador da bola. Sem um jogador como Custódio, o futebol leonino fica sem uma saída de emergência, ficando desta forma comprometida a possibilidade de descongestionar o jogo de forma segura. Daí a nossa insistência: Por que não Farnerud a trinco?
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Gonçalo
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21:42:00
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Etiquetas: Sporting
sábado, 5 de abril de 2008
Breves da Semana
2. Já o Sporting, ganhou folgadamente à Naval, mas a exibição foi medíocre. É gritante, por exemplo, a falta de ideias da equipa no último terço do terreno.
3. O Benfica também goleou e Rodriguez fez um golaço. Custa compreender como é que não se conserva uma unidade tão rentável como o uruguaio.
4. Na Champions, Manchester e Liverpool gozaram de uma sorte inacreditável. O futebol de qualidade da Roma e o massacre dos Gunners mereciam mais.
5. O Fenerbahce continua a surpreender e promete não facilitar na segunda mão. Sendo, com o Shalke, a equipa mais modesta em prova, nutro alguma simpatia pelos turcos. Dar-me-ia, sem dúvida, algum gozo que, depois de eliminarem o Sevilha, fossem capazes de derrubar dois colossos ingleses e marcar presença na final.
6. Neste momento, um cenário perfeitamente possível para as meias-finais da Champions faz jogar Barcelona com Manchester e Fenerbahce com Arsenal. O futebol de ataque, alegre e bem trabalhado estaria, nesse caso, em força, nas meias-finais da prova, coisa da qual, provavelmente, não haverá memória. Melhor, só mesmo se a Roma fosse capaz de eliminar o Manchester em Old Trafford.
7. Na UEFA, o Sporting tem boas condições de atingir as meias-finais. O resultado, no entanto, ao contrário do que se pode pensar, não me parece favorável aos leões. Sendo o factor casa cada vez menos determinante e mantendo-se a lei dos golos fora, marcar golos como visitante na primeira mão de uma eliminatória é fundamental. É que, também ao contrário do que se diz, a eliminatória já não está no intervalo. O Rangers já não pode sofrer golos em casa, pelo que cada golo que marque significa que o Sporting tem de marcar esse golo e mais um. Empatar a 0-0 na primeira mão chega a ser, às vezes, para a equipa que joga em casa, melhor do que ganhar por 2-1, por exemplo. Apesar de tudo, considero o Sporting superior e creio que tem condições para seguir em frente. Aliás, até talvez nem fosse mau o Rangers marcar mesmo um golo em Alvalade: obrigava o Sporting a jogar para marcar golos e impedia que a eliminatória fosse para penaltys, o que seria mau para os portugueses.
8. O futebol do Rangers poderia ser mais primitivo? Não foi um 442 clássico apenas pela disposição em campo do Sporting. Marcando homem a homem no meio-campo, jogar contra o losango do Sporting implicava jogar em 451/541. O Rangers marca ao homem a todo o terreno, joga um futebol directo, e tem na vontade a sua única arma. Em termos individuais, a equipa é banal; colectivamente, funciona por impulsos individuais, ou seja, pela vontade de cada elemento. O público, então, não poderia mesmo ser mais primitivo. A exultação nunca foi por uma sucessão de passes correctos ou por lances bem gizados, mas por iniciativas em que os jogadores revelavam aplicação. A cada disputa de bola, a cada desarme ou tentativa de desarme, os adeptos exaltavam-se de uma maneira quase absurda. É ridículo que o futebol britânico continue a viver deste tipo de coisas. E em Inglaterra não é diferente. O poderio financeiro é que disfarça esta forma bizarra de ver o mundo. O ser humano, sobretudo o ser humano britânico mas não só, já se educava esteticamente, não?
9. O Zenit de São Petersburgo está demolidor. Depois de limpar o Marselha, deu cabo do Bayer Leverkusen. Um amigo russo dizia-me, antes da eliminatória, que o único problema do Zenit, até à final, seria o Bayern de Munique. Achei-o demasiado optimista, mas parece que, para já, a razão está do lado dele. Uma perguntinha: como é que Arshavin ainda está a jogar na Rússia?
10. Se o Zenit é sensação, o que dizer do Getafe de Laudrup? Tenho pena de não ter podido assistir a nenhum dos jogos do Getafe contra o Benfica, mas no país vizinho diz-se que o futebol dos pupilos de Laudrup é admirável. Pode ser que continuem em prova...
11. O meu prognóstico para as meias-finais da UEFA: Sporting vs Fiorentina e Zenit vs Getafe.
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Nuno
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00:38:00
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Muito mais que uma tragédia
Dois jogos, duas selecções, AA e sub-21, que deixam a desejar, seja nos comportamentos, seja nos elementos que as compõem.
Primeiro os sub-21. Jogo feio, mal jogado. Por muito que o Rui Caçador defenda que são uma equipa de elite, as esperanças portuguesas não se mostraram dignas de tal epíteto. Mas antes de explicar por que é que o treinador dos sub-21 está a sonhar alto, chamar a atenção para três erros crassos, para uma equipa que se auto-entitula de "elite".
Primeiro: Uma equipa de elite com um guarda-redes daqueles? Segundo: um meio-campo formado por Machado, Manuel Fernandes e Pélé não nos pode oferecer nada de muito positivo. Terceiro: com Saleiro, optar pelo João Moreira? Para confundir os adversários? Só pode.
Admito que, nas selecções, devido ao pouco tempo que se dispõe para trabalhar certos aspectos tácticos, não é fácil aprimorar coisas como as rotinas, as movimentações, etc. Todavia, podemos debruçar-nos sobre as escolhas de Caçador. Porquê apostar em Pereirinha para lateral-direito e deixar um lateral de raiz como Pedro Correia fora da convocatória? Depois, a opção de deixar o melhor extremo de fora, Hélder Barbosa, melhor do que qualquer um dos que jogou de inicío, Gama e Vieirinha. Já nem vou falar de Coentrão e Ivan Santos. Depois, o "endeusamento" a que foi submetido Manuel da Costa não só prejudica o jogador como o próprio colectivo. Carriço já merecia uma chamada a sério a esta selecção. Por fim... aquele guarda-redes. Não conheço muito bem o Mário Felgueiras, mas, do pouco que vi, parece-me uma solução bem melhor.
Antes de terminar, uma nota para os comentadores, um dos quais até apreciado pelo Entre 10.
Começando pelo absurdo de considerar João Moreira como um avançado com melhor leitura do movimento dos colegas do que Saleiro, assim como defini-lo como um jogador com maior inteligência de movimentos, fora da área, é de rir. Pior é não compreender por que é que numa equipa, Leixões, este jogador não calça. A sério?!?! Mas também... Luis Freitas Lobo não se coibiu de definir Purovic como um jogador inteligente e elegante.
Depois, toda a euforia em redor de Pelé. Não digo que seja o pior jogador do mundo, que não o é, mas mal da nossa selecção se ele for o nosso jogador mais influente.
Na selecção principal, a história é um pouco diferente. Scolari optou por fazer experiências. Tudo bem, mas se ele pretendia testar Martins a dez, por que é que o encostou à direita mal Simão saiu? E aquele duplo-pivot... Já não é grande coisa; com Meira nele, ainda piora. Considero Meira bom jogador, mas não como médio-defensivo, muito menos num dulpo-pivot, em que se pretende(?) que o médios defensivos se soltem, à vez, em movimentos ofensivos. Pelo menos, foi o que sucedeu no jogo de quarta. Quando subia, Meira não conseguia acrescentar nada; antes contribui para a falência de várias tentativas do ataque lusitano.
A Grécia apresentou-se com um esquema bem definido: pressionando alto, com um bloco subido, impediu que a equipa portuguesa tivesse bola. Portugal raramente conseguiu circular a bola entre os seus elementos. As únicas aproximações de Portugal à área helénica surgiam através de acções individuais, ou então das movimentações de Nuno Gomes, excelente a segurar a bola, a tabelar, ou a criar linhas de passe. Quando Moutinho entrou, Portugal ganhou mais dinâmica na gestão da posse de bola, mas perdeu profundidade, pois Carlos Martins flectia para o meio, e Paulo Ferreira não se aventurou muito em missões ofensivas, muito por culpa de Amanatidis.
Gostei da Grécia. Já não via este conjunto desde a final do Europeu. E esta selecção está diferente. Para melhor. Apesar de não gostar da táctica apresentada, o futebol deles foi quase sempre apoiado, de forma precisa, inteligente na maneira como manietou os intérpretes portugueses.
Karagounis, como dez, ia-se movimentando a belo prazer entre linhas, proporcionando a subida no terreno a Basinas, quando baixava, ficando Katsouranis menos solto, sendo ele que equilibrava as subidas de Torosidis, do lado oposto. Patsazogiou mostrava-se menos atrevido nas suas incursões. Charisteas, partindo da ala, provocava dificuldades a Caneira, criando dessa forma, muitas vezes, situações de igualdade no centro da área portuguesa.
Mérito para a Grécia, que não recuou em demasia, pelo menos em grande parte do jogo, não abdicando da posse de bola. Quanto a Portugal, é verdade que a Grécia é uma equipa bem equilibrada, mas a verdade é que a forma como Portugal se apresentou facilitou a tarefa aos gregos. Como seria o jogo se Scolari, em vez de Meira e Veloso, apresentasse Veloso atrás de Moutinho e Martins? A Grécia teria mais dificuldades em pressionar alto, pois correria o perigo de criar linhas de passe no seu maio-campo, assim como esta disposição iria obrigar a um maior apoio por parte dos laterais, pois Veloso no meio não se poderia desmobilizar em demasia, para não desequilibrar a equipa, e assim a selecção portuguesa iria jogar mais próxima, de forma mais apoiada, e com um bloco progressivamente mais subido. Esta opção teria a desvantagem de criar espaços nas costas do defesas, mas com Pepe ( principalmente este!) e Ricardo Carvalho, a velocidade é problema?
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Gonçalo
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18:28:00
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Carvalhal: mais do que a soma das individualidades
Já foi tema de um texto neste espaço algo semelhante. Na altura, defendi que Mourinho era tudo menos um treinador defensivo, coisa que, obviamente, ainda mantenho. Com Carlos Carvalhal passa-se actualmente o mesmo. Quem não percebe muito de futebol, tende a achar que treinadores como estes dois são treinadores defensivos. Obviamente, estão equivocados. Os dois têm filosofias de jogo muito parecidas, o que não é novidade, pelo que quem ache que um é defensivo tem tendência a achar que o outro também o é. Estão enganados em relação aos dois.
O futebol do Setúbal é, provavelmente, o futebol mais correcto da Primeira Liga, talvez a par do futebol do Porto. Paulo Bento teve oportunidade de dizê-lo: o Setúbal é a equipa da liga que melhor faz as transições ofensivas. Concordo inteiramente com isto. Mas, assim sendo, como compatibilizar uma equipa supostamente defensiva com uma equipa que faz boas transições ofensivas? Uma destas coisas não pode ser verdade. A não ser que essas transições ofensivas, embora boas, sejam esporádicas, o que não correcto. Acontece, isso sim, que o Setúbal é uma equipa bastante completa. Defende muitíssimo bem, com uma organização estupenda, em bloco, com os jogadores muito juntos, utilizando uma pressão baixa, mas agressiva. Esta forma de defender privilegia a ocupação de espaços recuados, o encurtamento entre linhas e dá a iniciativa de jogo, até certo ponto do terreno, ao adversário. Em vez de começar a pressionar logo no meio-campo, o que concederia alguns espaços entre linhas, o Vitória encolhe-se estrategicamente e só ataca o portador da bola mais atrás. Isto faz com que haja pouco espaço e que o futebol do adversário, se não for dinâmico e envolvente, tenha pouco sucesso.
É verdade que há mais equipas que assentam o seu sistema defensivo num bloco baixo, mas poucas aquelas que conseguem executar o tipo de pressão que o Setúbal executa, a toda a largura do terreno e com uma concentração de jogadores extraordinária. Esse é o grande segredo da consistência defensiva dos sadinos. Agora, se o Setúbal fosse só isto, uma equipa que defende bem, talvez conseguisse alguns empates e, com sorte, ganhasse alguns jogos às custas da inspiração dos avançados. A verdade é que isto não é bem assim. Saíram alguns jogadores nucleares e a equipa, enquanto equipa, continuou a ser eficaz, o que prova que o sucesso ofensivo não estava directamente relacionado com a perícia dos elementos ofensivos. O Setúbal de Carvalhal, além de defender bem, ataca bem. Quando em posse de bola, a equipa não a esbanja desleixadamente. Se o adversário puder ser apanhado em contrapé, o ataque é lançado rapidamente, mas sempre com transições seguras, com passes rasteiros, ponderados, de pé para pé. Mesmo quando a equipa utiliza um futebol mais directo, a bola raramente é lançada para jogadores com poucas possibilidades de a conservarem. Os passes verticais são do melhor que há neste campeonato, normalmente à procura de Pitbull, que depois segura, espera pelo avanço dos companheiros e orienta o ataque. Quando o adversário está melhor posicionado, o Setúbal opta por sair a jogar calmamente, procurando sempre o meio-campo: a bola do lateral raramente percorre a linha; o passe é sempre à procura do médio. O futebol apoiado do Vitória, nas primeiras fases de construção, é de uma precisão espantosa. Depois, raramente a bola sai do médio para as alas; a transição típica é o passe rasteiro vertical, o que possibilita uma subida gradual da equipa. Além disso, sem bola, toda a equipa trabalha muitíssimo bem e há, normalmente, bastantes linhas de passe.
Em termos ofensivos, este é, basicamente, o segredo da equipa: futebol seguro, rápido quando pode sê-lo, mas sempre consciente da importância da posse de bola. A equipa sobe sempre em bloco, provocando poucas rupturas entre linhas, e a movimentação sem bola de todos os elementos é excelente. Além disso, é notável a capacidade que a equipa tem para dar apoios: o jogador que recebe a bola raramente o faz sem ter uma solução de passe imediatamente garantida. Aliás, o jogo em apoios do Setúbal não tem mesmo paralelo em Portugal. E é precisamente este jogo apoiado, este subir e descer em conjunto, como se os jogadores estivessem amarrados, que faz a força da equipa. Defendem bem e atacam bem porque raramente fazem os dois processos isoladamente; defendem e atacam em equipa, como poucos o fazem, com cada jogador a apoiar outro, com e sem bola.
Para quem diz que o Setúbal joga um futebol feio, conte-se os passes falhados, os pontapés sem nexo que a equipa dá. Para os que acham que a equipa só defende, conte-se a posse de bola que conseguem, em cada jogo. Carlos Carvalhal disse, depois de ter ganho ao Sporting após ter perdido Edinho e Matheus, que ficava provado que "uma equipa não é apenas o somatório das individualidades". Para muita gente, isto é uma tautologia e nem sequer se terão preocupado em entender correctamente o significado destas palavras. Mas a verdade é que o Vitória de Carvalhal ilustra isto melhor que qualquer outra equipa neste campeonato. Não estou a falar de vontade, de garra, de motivação, de coragem, de espírito de grupo. Estou a falar de táctica. Há equipas (90% delas) cuja valência se poderia obter somando a valência de cada jogador. Não é o caso deste Setúbal. Com um plantel modesto, a equipa já ganhou uma taça da Liga, está nas meias-finais da Taça de Portugal e reparte o quarto lugar do campeonato com o Sporting. Coincidência? Boa época que não mais se voltará a repetir? Claro que não. A excelente temporada do Vitória é fruto do futebol colectivo da equipa. Muito mais que um extremo de qualidade, quem joga a extremo é toda a equipa; mais do que uma dupla de centrais experiente, quem defende é toda a equipa. Cada processo de jogo é obtido dividindo o esforço por cada jogador. Não há uma bola que se dispute que a equipa não o faça em conjunto. Os jogadores estão sempre perto uns dos outros, sempre preparados para dobrar o companheiro ou para lhe dar uma linha de passe quando ele tiver a bola. Esta coesão, este sentido colectivo, muito mais significativo que a soma de todas as individualidades, é que é a verdadeira valência da equipa. Nenhum jogador está entregue a si próprio, quando tem a bola, ou quando não a tem. Nenhum jogador tem uma função em campo; tudo o que um simples jogador tem para fazer é feito em conjunto. Para bom entendedor, isto basta.
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Nuno
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15:48:00
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sábado, 22 de março de 2008
A Modest Proposal
Como Swift, tenho também uma "proposta modesta", proposta essa que, estou em crer, catapultaria o futebol português para níveis competitivos bastante consideráveis. Proponho, portanto, que, a partir de agora, os jogadores de futebol que não agridam nenhum adversário, no decorrer dos noventa minutos, sejam alvos de processos sumaríssimos. Acho que já chega de gente pacata nos relvados portugueses; fazem falta aqueles jogadores que são autênticas bestas dentro de campo. Um rapaz que, ao saltar com o adversário, não o atinja com a bota no pescoço é um cobarde. E de cobardes andamos nós fartos! O que o futebol português precisa é de verdadeiros energúmenos, de gente sem escrúpulos que agride descaradamente os adversários, por vezes nas barbas dos árbitros. Esses, sim, é que são jogadores a sério! O verdadeiro português é um brutamontes, um bárbaro. D. Afonso Henriques andou à espadeirada com os mouros todos e conquistou-nos um país para quê? Temos de seguir-lhe as pisadas e passar a bater com força! Só com porrada é que isto vai lá! Aquele que não der uma valente pisadela num companheiro de selecção não presta para nada; aquele que não intimidar, em todos os jogos, o adversário que lhe cabe marcar é um franganote. A minha proposta é simples: a partir de agora, perante uma bola dividida, o árbitro só deve mostrar cartões caso os jogadores não se toquem. Nesse caso, deverá atribuir cartão àquele que, na disputa da bola, não meter o pé acima da cintura do adversário. Aliás, acho mesmo que isto deveria ir mais longe; acho que o jogador cujo maxilar fica deslocado após uma cotovelada de um adversário deve ser imediatamente expulso pelo juiz da partida. No futebol, não há lugar para aleijados. Era o que faltava...
Creio que Swift, caso percebesse alguma coisa de futebol, concordaria comigo e penso, honestamente, que o futebol português teria muito a ganhar se se livrasse desses pseudo-jogadores que têm muito jeitinho, mas que, na hora de sacar da moca para bater nos outros, se encolhem. Proteger os artistas? Está bem, está. Protejamos antes os que vão às canelas em vez de irem à bola... Estou farto de tecnicistas, de intelectuais e de gente bem formada e civilizada. Viva os carniceiros! Viva os desajeitados! Viva as bestas! E, acima de tudo, viva a conivência e a cegueira selectiva dos árbitros e de quem tem poder para castigar os jogadores! A esses, peço-lhes, com toda a sinceridade e do fundo do coração: por favor, abram os olhos e não deixem passar impunes aqueles que, por escrúpulo ou nobreza de espírito, têm a desfaçatez de não atingir, com força suficiente para aleijar a sério, os adversários com quem disputam a bola!
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Nuno
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00:08:00
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terça-feira, 18 de março de 2008
Sporting - Nacional
Foi um Nacional em bom estilo, aquele que se apresentou na segunda-feira passada em Alvalade. Com excelentes princípios, fazendo uma óptima circulação de bola, correcta nos apoios, assentes num 433 bem definido (um pivot defensivo, com dois médios ofensivos), o Nacional, até sofrer o primeiro golo, já na segunda parte, em nada foi inferior ao Sporting.
Foi, principalmente, através das movimentações de Fellype Gabriel que o clube da Madeira conseguiu criar as melhores ocasiões de golo. Ao flectir para o meio, convidando assim à subida de Patacas, estas movimentações, associadas aos movimentos verticais quer de Juliano, quer de Edson, criaram alguns desequilíbrios. É pena que Coentrão não se tenha apresentado ao seu melhor nível. Neste período, não seria de todo surpreendente que o Nacional se adiantasse no marcador. Com alguma sorte, e Patrício, as redes do Sporting mantiveram-se invioláveis. Do lado sportinguista, as caras mudaram mas as dificuldades mantiveram-se. Adrien ofereceu poucas linhas de passe, comprometendo com isso as primeiras transições leoninas. O puto é bom e as suas características bastantes apreciadas neste espaço, mas de momento ainda lhe falta o discernimento necessário para não se colocar em situações complicadas. Para si e para o colectivo. Nos júniores é capaz de contornar essas más opções com argumentos técnico/físicos, mas nos seniores (ainda) não tem essa facilidade.
O futebol do Sporting continua desconexo e inconsistente. A ânsia de chegar à baliza adversária retira-lhe discernimento, contrariando assim a finalidade de uma boa circulação de bola, ou seja, fazê-la circular até encontrar um desequilíbrio no adversário que lhe permita abordar a conclusão do seu processo ofensivo com uma maior probabilidade de sucesso. Neste momento, o Sporting opta sempre por forçar, e com isso a qualidade do seu futebol diminui, comprometendo quer o seu processo ofensivo, quer o defensivo, com inúmeras perdas de bolas, desequilibrando desta forma a sua organização defensiva.
Realçar o comentador da Sport TV. Não falo, obviamente, de Simões, mas da caricatura que o acompanhou. Os seus comentários, de tão ridículos, tornaram o visionamento do jogo uma verdadeira comédia.
Até ao golo, o jogo não se modificou muito, mas a partir do minuto 55 a história do mesmo alterou-se drasticamente, favorecendo o Sporting.
A partir daí, o clube de Alvalade cresceu e justificou a vitória, mas não pelos números que a obteve. Destacar a exibição de Moutinho, assim como o regresso de Djálo aos golos, assim como Liedson, que obteve dois golos fáceis, depois de assistências de Pereirinha (de calcanhar), e Moutinho (de carrinho), respectivamente.
Duas notas:
1 - Tendo Saleiro e Ricardo Nogueira nos seus quadros, a aquisição de Tiuí serviu para quê?
2 – Quem é capaz de me explicar porque é que se continua a embirrar com o Pontus? Falta de intensidade? Passes curtos e só para o lado? A sério?
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Gonçalo
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21:05:00
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Derby de que futuro...?
No dia oito deste mês, Sporting e Benfica defrontaram-se no escalão de júniores. Um encontro pobre, sem grandes pólos de interesse. Uma primeira parte cinzenta, sendo que os únicos jogadores que foram capazes de emprestar algum colorido à partida foram os números dez das respectivas equipas. Rosa e Rosado destoaram dos restantes pela elegância e inteligência de movimentos. No meio das “desculpas” benfiquistas para tão pesado resultado encontramos o facto de a formação encarnada se apresentar desfalcada. Vi o jogo da primeira volta e nenhum dos jogadores que jogaram para Miguel Rosa começar no banco tem metade da qualidade deste, por isso não aceito as desculpas apresentadas pela generalidade dos adeptos, de que o Benfica rubricou exibição tão fraca devido à ausência de alguns jogadores.
Os comandados de José Lima, com transições simples, procuravam os corredores laterais, descurando as penetrações interiores. Este facto, aliado à incapacidade dos extremos sportinguistas em vencer os duelos individuais, tornou o jogo da equipa verde e branca “amorfo” e previsível. Para piorar a situação, tanto Welinton Matos, como Vinicius Golas, (apesar de o primeiro se ter destacado, pela negativa, em relação ao seu colega) saíram poucas vezes a jogar, optando quase sempre, e de forma errada, pelos lançamentos longos. Neste sector, nota positiva para actuação de Mihai Radut, se bem que não apresente a qualidade de André Nogueira, por exemplo: é correcto a defender e demonstrou critério nas manobras ofensivas.
João Alves apresentou uma equipa em 442 clássico, com a única particularidade a estar relacionada com a maior liberdade de movimentos concedida ao numero onze, Daud Machude. Com um sector defensivo descoordenado, valeu aos laterais a parca inspiração dos seus adversários directos, assim como a Wagner Silva, principalmente este, deu jeito a pouca qualidade das transições ofensivas, pois sempre que foi posto à prova revelou grandes dificuldades na resolução dos (poucos) problemas que surgiram nas imediações da sua área.
Com um futebol mais directo, o Benfica apostou tudo nas movimentações dos dois avançados, sendo que Boti Demel foi o que se destacou mais neste aspecto, enquanto Miguel Rosa, que ia espalhando classe no relvado principal da academia, fazia os possíveis por dar algum sentido àquele futebol desconectado.
O intervalo veio e, com ele, os golos. À passagem do minuto vinte da segunda parte, e já depois do melhor jogador leonino, Diogo Rosado, ter saído, Diogo Amado, num lance feliz, converteu em golo um livre em que pretendia servir um companheiro. Foi a altura de o público rejubilar com “uma fartura de nada” com que o pequeno Rabiu brindou a plateia. Não que esteja a colocar a qualidade do nigeriano em causa, longe disso, até porque a qualidade técnica e o raciocínio rápido estão lá, mas a necessidade de aplaudir a mais nova coqueluche do universo leonino chegou a ser ridícula. No lado benfiquista, Leandro Pimenta destoava pela vocação que demonstrava para o circo: se ele se preocupasse mais em decidir o que é melhor para o colectivo, em vez de executar movimentos “esquisitos” com a bola, assim que encontrava a oposição de um adversário, talvez, talvez ele pudesse dar alguma coisa. Já perto do fim, Bruno Matias, depois de uma jogada de Marco Matias, na qual sofreu um penalty, converteu a grande penalidade, - e que teve como consequência disciplinar a expulsão de dois elementos Benfiquistas - aumentado assim para 2-0 o resultado do jogo. William Owuso, nos descontos, fechou a contagem, fixando em 3-0 o resultado final.
Poderei estar a ser injusto nesta análise ao jogo e respectivas equipas, mas depois de conhecer a equipa de 2005/2006, na qual pontificavam nomes como Diogo Tavares, Pereirinha, Carriço, Celestino, André Nogueira, Patrício, Caiado, etc., a diferença de qualidade existente entre essa equipa e as que pisaram o relvado principal da Academia Sporting/Puma, no sábado passado, condiciona, e de que maneira, a minha perspectiva sobre o futuro de grande parte dos jogadores que neste momento compõe o plantel da equipa de júniores de ambos os clubes da capital.
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Gonçalo
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18:49:00
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Etiquetas: Benfica, Destaques Individuais, Raciocínios Tácticos, Sporting
quarta-feira, 12 de março de 2008
As lágrimas de Messi
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Nuno
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07:56:00
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sábado, 8 de março de 2008
Por essa Europa fora
Uma jornada europeia, no mínimo, bastante interessante. Por um lado, o desalento, quer pela lesão de Messi, quer pela impossibilidade de jogadores como Lucho, Quaresma, e Lisandro, continuarem na Champions. Não falo das derrotas do Real Madrid ou do Milan, porque nesses jogos era inevitável que um excelente naipe de jogadores ficasse pelo caminho. O Porto, com uma exibição bem conseguida, mas também muito consentida pelo adversário, não foi capaz de ultrapassar um Schalke demasiado receoso. De nada valeu o excelente trabalho de Lisandro naquele extraordinário golo. O Fenerbahçe, apesar do guarda-redes, fraquinho, e do avançado sem talento para fazer dupla com Liedson – Deivid -, deixou pelo caminho o Sevilha, que parece outra sem Juande Ramos. O Milan não resistiu ao talento de Cesc Fabregas e companhia, assim como o Lyon foi demasiado curto para o Manchester, com mais um golo de Ronaldo. De resto, Barcelona e Chelsea, com naturalidade, limitaram-se a confirmar a sua superioridade, enquanto o Roma, repetindo o resultado da primeira mão, deixou o Real pelo caminho.
Na Uefa, o Bayern continua imparável: 5-0, e um livre soberbo de Ribery. Do lado dos portugueses, Sporting e Benfica dão uma péssima imagem do nosso futebol. O onze de Alvalade é uma caricatura da equipa do ano passado. Jogam mal, de forma desorganizada, e sem identidade. Aquilo que no ano anterior faziam com tanta qualidade, a circulação de bola, a inteligência necessária para perceber que, caso de não se conseguir entrar por um lado, deve-se circular a bola até se encontrar uma situação privilegiada para se concluir o lance. Depois, a opção pelo jogo directo (com Abel em destaque) com uma equipa inglesa é, no mínimo, brilhante. Começando nas palavras do técnico leonino, que optou por pedir que os seus jogadores jogassem com as armas do adversário, em vez das suas – falo das suas palavras aos jornalistas: “ Vamos ter de saltar, correr, lutar...”. Um apelo feito ao único aspecto em que os ingleses poderiam superá-los: A vontade e entrega. No entanto o resultado não foi tão mau como a exibição, e o empate a uma bola, abre boas perspectivas para o jogo em Alvalade, desde que haja Vukcevic.
por Gonçalo
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Nuno
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20:06:00
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quarta-feira, 5 de março de 2008
Lógica da Batata
Se o campeão Italiano e actual líder isolado da liga italiana, com 6 pontos de avanço, só muito dificilmente permanecerá em prova, devendo cair, portanto, nos oitavos-de-final da Champions,
Se o hexa-campeão Francês e actual líder isolado da liga francesa, com 3 pontos de avanço, caiu nos oitavos-de-final da Champions,
Logo, era natural que o bi-campeão português e actual líder isolado da liga portuguesa, com 12 pontos de avanço, caísse nos oitavos-de-final da Champions.
É impressão minha ou, esta temporada, as equipas que estiveram envolvidas num campeonato pouco competitivo, resolvido ou controlado há muito, acabaram por não se safar na Champions? Além do campeão italiano, que provavelmente cairá, do campeão espanhol, do campeão francês e do campeão português, também caíram o campeão escocês, o campeão grego, o detentor da Champions e o detentor da Uefa. Só há um campeão nacional em prova, caso o Inter seja mesmo eliminado: o Manchester United.
P.S. Eu sei que esta lógica é estúpida, logo justificar a eliminação do Porto desta forma não é senão uma piada. Apesar disso, aposto que vão aparecer aí mentecaptos a justificar a eliminação do Porto pela exibição de sonho do guarda-redes do Shalke e pela má arbitragem. E esses, ao contrário de mim, vão estar a falar a sério...
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Nuno
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22:58:00
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Farnerud: um estudo
1 minuto: Corte (antecipa-se a um adversário e ganha, chutando para longe, uma bola que vinha do ar.)
1 minuto: Bom passe. (Recebe, roda e joga na linha.)
2 minutos: Bom passe. (Recebe, controla a bola e dá no meio.)
2 minutos: Bom passe. (Recebe, aguenta uma carga, protegendo a bola e dá no meio.)
3 minutos: Corte. (Corte para fora.)
4 minutos: Bom passe. (Recebe e dá na esquerda; a bola é-lhe devolvida e dá em Moutinho.)
6 minutos: Drible e bom passe. (Recebe a bola vinda de um lançamento de Grimi, coloca-a no chão e passa no meio de dois adversários, dando depois em Veloso.)
7 minutos: Boa opção. (Bate livre curto para Grimi, que dá em Polga; este entrega-lhe novamente a bola e ele faz um passe vertical para Purovic, que, depois de dominar a bola, se deixa antecipar por Robson.)
8 minutos: Boa opção. (Ganha a bola no meio de dois adversários e dá de calcanhar para Grimi.)
9 minutos: Corte. (Corte junto à bandeirola de canto, cedendo um pontapé de canto.)
9 minutos: Corte. (Corta uma bola de cabeça difícil, mas adianta-a em demasia.)
10 minutos: Bom passe. (Recebe no meio de dois e dá no meio em Pereirinha.)
13 minutos: Perda de bola. (Desarmado por Janício, quando se preparava para executar um passe.)
13 minutos: Mau passe. (Passe de primeira demasiado comprido para Moutinho.)
14 minutos: Recuperação de bola. (Desarma Bruno Gama e Grimi limpa.)
15 minutos: Boa opção. (Recebe de Polga, dá em Grimi, que lhe devolve a bola; tabela com Liedson e dá novamente no avançado do Sporting, que a perde.)
19 minutos: Recuperação de bola. (Desarma um adversário e dá de calcanhar para Veloso.)
21 minutos: Bom passe. (Recebe de Polga, avança com a bola, mas, sem soluções, lateraliza para Veloso.)
22 minutos: Bom passe. (Recebe de Polga e dá em Veloso.)
26 minutos: Recuperação de bola. (Ganha uma bola no meio e dá para Moutinho, que lança Pereirinha em velocidade.)
28 minutos: Bom passe. (Recebe no meio e dá para Grimi.)
28 minutos: Bom passe. (Recebe de Polga e dá para Veloso.)
29 minutos: Má recepção. (Recebe a bola, conseguindo controlá-la em esforço, mas acaba por perdê-la pelas dificuldades na recepção.)
29 minutos: Recuperação de bola. (Desarma um adversário no meio e entrega rápido.)
30 minutos: Bom passe. (Recebe a bola vinda de um lançamento e dá para Polga.)
30 minutos: Bom passe. (Moutinho corta a bola, que sobra para ele; dá em Liedson, mas o avançado disputa o lance em falta.)
31 minutos: Corte. (Corte para fora.)
31 minutos: Bom passe. (Recebe de Moutinho e dá em Liedson, na linha.)
31 minutos: Desarmado. (Janício antecipa-se-lhe e fica com a bola.)
33 minutos: Recepção difícil. (Recebe à queima-roupa, à altura do peito, tentando endereçar a bola de primeira para Purovic.)
34 minutos: Boa opção. (Recebe de Liedson e dá em Polga (aparentemente, Liedson fica a protestar por o sueco ter interrompido o contra-ataque, mas a decisão foi bem tomada, uma vez que Liedson, se fosse servido, estaria encostado à linha, com a equipa toda recuada, e rodeado por três adversários).)
35 minutos: Bom passe. (Joga atrás em Polga.)
36 minutos: Bom passe. (Recebe de Veloso e dá de primeira em Moutinho, que joga de primeira em Veloso (excelente triangulação).)
38 minutos: Mau passe. (Tenta servir Grimi, mas o passe sai comprido.)
38 minutos: Bom passe. (Dá curto para Moutinho.)
39 minutos: Bom passe. (Recebe, dá em Veloso; recebe de novo, dá em Pereirinha, que lhe devolve a bola; de primeira, faz um passe de 40 metros pelo ar para Moutinho, aberto na esquerda.)
39 minutos: Bom passe. (Dá para Polga, que subira pela linha.)
40 minutos: Bom passe. (Dá para Purovic.)
41 minutos: Boa opção. (Alivia à entrada da sua área.)
41 minutos: Falta. (Recebe a bola da cabeça de Grimi, protege-a e sofre falta.)
42 minutos: Bom passe. (Recebe e dá de primeira em Grimi.)
44 minutos: Bom passe. (Recebe a bola no meio, vinda de Veloso, e dá em Liedson, na linha.)
44 minutos: Bola de cabeça. (Tenta ganhar um lance de cabeça, mas chega tarde e perde.)
47 minutos: Drible e passe. (Recebe de Grimi, dribla um adversário e lateraliza.)
50 minutos: Bom passe. (Recebe de Polga e dá em Grimi.)
51 minutos: Falta não assinalada. (Passe comprido de Grimi que ele consegue captar já em cima da linha; sofre um empurrão de Janício, que não é assinalado.)
52 minutos: Bom passe. (Recebe a bola de um lançamento de Grimi e entrega de primeira.)
52 minutos: Mau passe. (Passe vertical interceptado.)
53 minutos: Bola de cabeça. (Ganha bola de cabeça.)
54 minutos: Bom passe. (Recebe de Pereirinha no meio e faz um passe a rasgar para Grimi, que fica com o flanco esquerdo escancarado.)
55 minutos: Recuperação de bola. (Recupera para Polga.)
55 minutos: Bom cruzamento. (Recebe de Moutinho junto à linha, gira e cruza a meia-altura.)
56 minutos: Boa opção. (Cruzamento largo vindo da direita, recebe, protege e dá atrás em Grimi, que cruza.)
57 minutos: Bom passe. (Recebe de Polga e entrega rápido para Liedson, iniciando um contra-ataque sustentado.)
58 minutos: Boa opção. (Sobra uma bola à entrada da área do Vitória, que dá de primeira em Liedson, que perde.)
59 minutos: Bom passe. (Dá em Veloso, mas este adianta demasiado a bola e perde-a.)
61 minutos: Bom passe. (Recebe e dá rápido para Moutinho, que estica o passe para Tiuí, numa transição rápida.)
62 minutos: Bom passe. (Lança Tiuí, recebe do brasileiro e dá em Grimi, que cruza.)
63 minutos: Bola de cabeça. (Ganha de cabeça para Tiuí.)
63 minutos: Bom passe. (Isola Liedson na linha, que cruza.)
64 minutos: Bom passe. (Dá para Grimi, recebe de novo e dá no meio.)
64 minutos: Bom passe. (Recebe na coxa e joga na frente em Tiuí.)
65 minutos: Corte falhado. (Tenta cortar uma bola, mas Bruno Severino ganha o ressalto.)
69 minutos: Boa opção. (Recebe, progride com a bola e dá em Tiuí, no pé, mas o brasileiro não entende e tenta fugir nas costas da defesa, perdendo-se o lance.)
69 minutos: Má recepção. (Recupera uma bola, mas a recepção da mesma não é a melhor e a bola é novamente recuperada pelo Vitória.)
70 minutos: Boa opção. (Pressiona Auri, obrigando-o a chutar para fora.)
Coloquei em negrito as coisas negativas do jogo de Farnerud. Vamos então aos resultados:
1) 66 acções durante 70 minutos; 58 boas acções; 88% acções positivas.
2) Em 50 lances com a bola nos pés e com condições para fazer algo (exclui-se portanto os lances de bola parada ou as disputas de cabeça, ou os lances em que procura recuperar a bola, ou os lances em que não tem a bola totalmente dominada), teve 46 boas opções contra 4 más opções; 92% de boas opções.
3) Destas 4 más opções resultaram 4 perdas de bola, sendo que só 3 delas ficaram em jogo, saindo a outra do terreno de jogo.
4) Há quem ache que o rapaz não se mexe e que, além de ser mau a nível ofensivo, não ajuda em tarefas defensivas, mas Farnerud fez 6 cortes, recuperou 5 bolas e ganhou 2 bolas de cabeça.
5) Efectuou 42 passes correctos (não são contados aqueles que, por negligência dos colegas, não tiveram consequência) contra 3 passes errados; 93% de passes acertados. Há quem diga que ele só faz passes para o lado e para trás (o que por si só não deixa de ser bom para a equipa reter a posse de bola), mas a verdade é que, destes 42 passes acertados, 11 passes permitiram à equipa uma progressão imediata no terreno (passes verticais, passes de ruptura, tabelas, etc). Além disso, 2 deles foram passes de claro risco, nas costas da defesa. Os três passes falhados foram todos passes do mesmo tipo, ou seja, passes que visavam uma progressão imediata, pelo que dos 45 passes tentados, 14 passes comportavam um risco relativo, o que faz com que 31% dos seus passes sejam passes de progressão imediata. Afinal, parece que não joga só para o lado e não faz só passes de 3 ou 4 metros.
6) Não sendo a sua primeira opção, sempre que precisou de recorrer ao drible, desenvencilhou-se dos oponentes, perfazendo 2 dribles.
7) Não fez nenhuma falta e sofreu 1.
8) Raramente reteve a bola em seu poder demasiado tempo, fazendo fluir o jogo do Sporting numa primeira fase de construção. Foi muito participativo, como demonstra a impressionante média de quase 1 acção por minuto jogado, o que refuta a teoria de que foge da bola e se esconde do jogo. Pediu com frequência a bola e quase todos os ataques do Sporting passaram pelos seus pés.
Notas finais: através do acerto dos seus passes (93%) e da recorrência das boas opções (92%), Farnerud conferiu segurança nas primeiras fases de construção, momentos em que é fortíssimo, como se vê. Assegurando de tal forma o equilíbrio da equipa, libertou outros jogadores para lances de maior exigência criativa, como seja o caso de Moutinho e Pereirinha, mas não deixou de se integrar no ataque, tendo solicitado várias vezes os colegas à linha, em posição privilegiada para cruzarem, e tendo sido, inclusivamente, responsável por alguns passes que desequilibraram o adversário. Depois disto, que outros argumentos terão os que não apreciam as qualidade do sueco?
Outras coisas sobre este jogo:
1) Pereirinha fez um jogo notável, jogando e fazendo jogar. Juntou à já conhecida responsabilidade colectiva pormenores deliciosos e um carácter competitivo cada vez mais condizente com aquilo que sei dele. Já começa a calar muita gente...
2) Moutinho, Farnerud e Grimi também estiveram em bom plano.
3) Veloso esteve profundamente desinspirado e foi com bola, ao contrário do que tem sido hábito, que cometeu mais erros.
4) Liedson fez uma exibição patética. Não sei mesmo se pior que a de Purovic.
5) Dá-me ideia que Tiuí é outro Liedson, mas com menos moral... por enquanto.
6) Polga tem vindo a descer de forma.
7) Pedro Silva esteve muito nervoso.
8) O melhor losango do Sporting, neste momento, é composto por Farnerud, Pereirinha, Moutinho e Romagnoli.
9) O erro fatal de Patrício acabou por condenar a equipa, mas há que continuar a apostar no miúdo e confiar que aprenderá com os erros. E, para os críticos, é apenas o segundo erro dele...
10) O problema do Sporting voltou a ser a sua linha ofensiva. A equipa fez um jogo relativamente bom até ao último terço do terreno, no qual não conseguiu entrar em progressão, muito graças, também, ao excelente bloco baixo do Vitória. Isto resulta, contudo, principalmente da deficiência dos avançados em segurar bolas para a entrada dos médios e dos poucos movimentos laterais dos mesmos e do vértice ofensivo do losango. Sem bola, o sector ofensivo do Sporting tem sido uma nulidade esta época e quase todos os bons resultados da equipa ficaram ligados à ajuda na movimentação sem bola de Romagnoli. Ao contrário de outros momentos da época, o losango jogou curto e funcionou quase na perfeição (excepção para Miguel Veloso); os laterais também fizeram um bom jogo interior e ocuparam espaços ofensivos, essencialmente na segunda parte; pelo que os processos ofensivos não tiveram qualidade unicamente pelo sector ofensivo.
11) Carvalhal é grande...
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Nuno
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
Estupidificação
O objectivo deste texto é, porém, outro. Entradas como estas têm tanto de maldade, de selvajaria, de barbaridade, como de estupidez. E é aqui que pretendo chegar: no futebol inglês, abunda a estupidez e a irracionalidade. Nesta mesma tarde, assisti a alguns momentos do Liverpool-Middlesborough e o primeiro golo nasce de um erro infantil de Júlio Arca. Ora, este mesmo jogador caiu nas minhas boas graças há 7 anos, no decorrer do mundial de sub-20. Na altura, Júlio Arca era o defesa-esquerdo da magnífica selecção argentina que venceu o torneio. Nessa equipa, despontavam jogadores talentosos como Javier Saviola (o melhor marcador de sempre de um mundial de sub-20), Andrés D'Alessandro, Leandro Romagnoli, Fabricio Coloccini, Maxi Rodriguez e Mauro Rosales. Houve, no entanto, dois outros jogadores que me agradaram e que não mais tive oportunidade de ver jogar: Nicolás Medina e Júlio Arca. Apesar de saber do seu percurso, desde a final de 2001 que não via jogar Arca. Foi, portanto, com alguma surpresa que o vi actuar no meio-campo e com perplexidade que o vi cometer um erro tão infantil. Em primeiro lugar, é importante tentar perceber a sua posição em campo. Júlio Arca era defesa-esquerdo, tecnicamente evoluído, como qualquer lateral sul-americano, muito inteligente e forte no jogo interior. Em Inglaterra, mais do que noutros países, um jogador que tenha um pouco de habilidade e esteja rotinado a defender é aproveitado para o meio-campo. É o que parece que aconteceu com Júlio Arca. Dotado de técnica e discernimento acima da média, Arca joga no meio-campo (não sei se é costume ou se foi apenas acidental). Isto, na minha opinião, é um erro, até porque creio que o argentino tinha tudo para ser um dos melhores na sua posição de origem.
Esquecendo isto, importa tentar perceber tamanho erro vindo de um jogador tão esclarecido. Do resto dos lances que vi dele, gostei da forma tranquila e racional como os abordava: era dos poucos, juntamente com Rochemback, que procurava jogar curto; saía a jogar sempre que podia, esforçando-se, mesmo dentro da sua grande área, por não desperdiçar a posse de bola à toa; procurava passes verticais, normalmente para Tuncay. Por tudo isto, aquele lance só pode ser visto como uma aberração. O que é verdade é que o futebol inglês é propício a este tipo de lances. A obrigação de jogar rápido, o hábito de executar primeiro e pensar depois está tão arreigado na mentalidade britânica que as equipas jogam pressionadas por isso. Júlio Arca, noutro campeonato, com outra cultura, ter-se-ia apercebido que estava sozinho, teria parado a bola, colocado a mesma junto à relva, levantado a cabeça e jogado calmamente. Como estava no campeonato inglês, no qual um simples pontapé sem nexo provoca acelerados batimentos cardíacos nos adeptos, Arca estava pressionado pela obrigação de fazer tudo em velocidade. Muitas vezes, em muitas ocasiões, o melhor é pausar o ritmo de jogo, jogar devagar, fazer as coisas lentamente, mas bem. Muitos dos erros que se vêem no campeonato inglês devem-se à velocidade estonteante e irracional a que se joga. Foi o caso deste falhanço. Não parando para pensar, querendo executar demasiado rápido, Arca isolou Fernando Torres, que fez o golo. Porque se sentiu na obrigação de não perder tempo a pensar, o argentino cometeu um erro grave, que não tem desculpa, é certo, mas que tende a acontecer em Inglaterra com mais frequência do que noutros sítios. Muitas vezes, sobretudo na zona de meio-campo, os jogadores devem preferir a segurança, a exactidão do passe, a posse de bola, ainda que inconsequente, à velocidade. No meio-campo, as transições devem ser, por isso, curtas, acauteladas e, se bem que um jogador não deve, por princípio, ficar na posse de bola demasiado tempo, tem de lhe ser incutida a necessidade de não executar excessivamente rápido e de, caso seja necessário, tentar reter a bola em seu poder até ter condições ideais de endereçá-la a um colega. É por isso que a qualidade técnica e a inteligência são importantes em qualquer jogador, mas ainda mais nos jogadores de meio-campo, incluindo médios-defensivos. Um jogador que privilegie a segurança à velocidade, a posse de bola à intensidade de jogo, dificilmente cometerá erros destes. Há um sueco em Portugal de quem ninguém gosta que é o exemplo paradigmático disto.
Resumindo, erros como o de Júlio Arca esta tarde, ou entradas violentas como a de Martin Taylor, ainda que não possam ser desculpados, são, em grande parte, explicados pela irracionalidade do futebol britânico. Vítimas da mentalidade de guerrilha do futebol britânico, os jogadores que actuam nestes campeonatos tendem a esquecer-se do intelecto em casa e a jogar emocionalmente, como se o caminho para o triunfo num jogo de futebol fosse o mesmo que para uma batalha. Ora, isto tanto pode dar para fazerem coisas sem nexo, como pode dar para disputarem bolas como se estivessem a lutar com javalis. O futebol inglês, em muitos casos, é assim um poço de estupidificação. Jogadores como Júlio Arca, que têm qualidades intelectuais acima da média, acabam por cometer erros incríveis exactamente por serem obrigados a ignorar a importância do intelecto no futebol. Assim de repente, lembro-me, não há muito tempo, de um dos melhores jogadores da liga inglesa, Steven Gerrard, cometer um erro semelhante, pelas mesmas razões. Recordo-me ainda de achar que Manuel Fernandes, ao voltar ao Benfica no início desta época, depois da experiência no Everton, estava pior jogador do que antes. A opinião pública era diferente: Manuel Fernandes voltava mais jogador, tinha mais garra, vinha mais forte, com uma mentalidade mais competitiva, etc. Isto tudo era verdade, mas naquilo que importava, no plano das decisões, Manuel Fernandes não tinha evoluído rigorosamente nada. Estava até, do meu ponto de vista, mais fraco, pois vinha com os vícios do campeonato inglês. Ao contrário do que se dizia, Manuel Fernandes não evoluíra; estava o mesmo, com mais alguns argumentos a nível físico, mas definitivamente pior em termos intelectuais. Lembro-me de discutir com muita gente sobre a forma como o futebol inglês o estupidificou. Não tenho dúvidas nenhumas que assim foi e que muitos jogadores não evoluem porque são vítimas dessa estupidificação. Este erro de Arca é mais um exemplo disso mesmo. O futebol inglês, apesar de todo o brilho que ostenta, de todo o "glamour" hollywoodesco, de todo o dinheiro que o envolve, não passa de uma luta de galos na qual se pede que os jogadores invistam uns contra os outros com toda a força que tiverem, sem estratégias e sem ideias...
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Nuno
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
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Nuno
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Curtas mesmo mesmo curtas
2. Liedson não marca golos normais? Além disso, já alguém contava quantos golos de baliza aberta ele falha por jogo.
3. O Braga já é nono... Alguém rogou uma praga ao Manuel Machado?
4. Linz já leva 10 golos. Com a inteligência dos dirigentes portugueses, para o ano está na liga cipriota...
5. Camacho é uma anedota... Bynia é uma anedota... Luís Filipe é uma anedota... Makukula é uma anedota... Adu é uma anedota... O futebol do Benfica é uma anedota...
6. O melhor médio-defensivo do plantel do Benfica joga a central.
7. O melhor defesa central do plantel do Benfica fica no banco... mas pode entrar para médio-defensivo...
8. Segundo se disse, no lance do segundo golo do Benfica, antes de cruzar para Nuno Assis, Sepsi passou por 2 adversários... Eu tenho quase a certeza que ele passou, isso sim, por 23...
9. João Ribeiro já merecia outros emblemas...
10. Depois de vencer o Guimarães, Jokanovic quis bater em Cajuda. Há pessoas que têm um mau-ganhar insuportável...
11. Segundo o presidente do Guimarães, Jokanovic deveria ser "radiado" do futebol. Discordo, pois acho mal "astigar" assim as pessoas por "udo" e por "ada".
12. Nani deu cabo do Arsenal...
13. Ao contrário do que se passa em Portugal, em Espanha o campeonato volta a ter interesse...
14. Para 15 equipas em Portugal, os árbitros têm dois cartões ao seu dispor: o amarelo e o vermelho. É por ser líder que o Porto goza de um estatuto diferente e as coisas já não são assim, ou é por gozar de tal estatuto que é líder?
15. São cenas daquelas que demonstram que Pedro Henriques não tem um método de arbitragem aceitável, além de só ser autoritário quando lhe convém...
16. Ao contrário do colega que apitou o Marítimo-Porto, Rui Costa, árbitro do Naval-Benfica, foi criticado por marcar todas as faltinhas. Ia jurar que um árbitro tem a função de apitar quando é falta e de deixar jogar quando não é, mas parece que afinal também é função dele seleccionar quais as faltas que devem ser apitadas e quais as que não devem, para que o jogo não esteja sempre parado. Além de juiz, um árbitro deve igualmente optimizar a qualidade dos jogos. Está certo...
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Nuno
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16
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Sofismas à parte...
Quando hoje vejo as constelações de estrelas que se agrupam no céu da Premiership, é-me impossível não comparar a actualidade deste campeonato com o da Liga Italiana, há mais de uma década. Nessa altura, não hesitaria em eleger o futebol italiano como o meu predilecto. Era deste campeonato que emergiam as figuras que invadiam a minha imaginação, ou inspiração, quando dava os meus pontapés na bola. Mais do que no futebol português, era no futebol italiano que eu descobria as minhas referências: Del Piero, Baggio, Van Basten, Rijkaard, Gullit, Maldini, Savicevic, Sousa, Baresi, Brolin, entre outros.
Nos torneios internacionais, na ausência da nossa selecção, “sofria” sempre pela turma transalpina. Mesmo que aquela equipa recheada de talentos não jogasse a ponta de um corno, era sempre por eles que eu torcia. Sabe Deus o quanto eu amaldiçoei a selecção brasileira, depois do “fatídico” penalty de Baggio.
Entretanto, fui desenvolvendo um maior interesse pelo futebol e, assim que ia trilhando a minha formação, enquanto praticante deste desporto, fui perdendo encanto por aquele futebol que, outrora, me entusiasmara mais até do que os "raides" de Figo, as simulações de Balakov e Costa, a classe de Xavier e Valdo, a elegância desse “desprezado” do futebol nacional, Fernando Nelson, não esquecendo Barbosa, esse louco. Aborrecia-me tanta monotonia, tanta tristeza.
À medida que os desaires da Squadra Azurra se acumulavam, a assimetria de êxitos alcançados pelos clubes italianos e a selecção Italiana intrigava-me. Talento e espírito competitivo eram coisas que não faltavam, assim como a ideia de uma demarcada superioridade táctica. Olhando para trás, é fácil explicar este fenómeno. As equipas italianas tinham os melhores jogadores; qualquer jogador que desse dois pontapés na bola, desejava o Calcio, nada menos. A nível interno, a competitividade era ditada pelo poderio económico dos clubes: o que tivesse o maior número de bons jogadores e os mais adaptados, vencia.
O futebol inglês passa pela mesma fase. A diferença é que não é tão organizado, embora, por outro lado, os jogadores desfrutem de uma maior “alegria”, que lhes permite uma maior performance individual. Para além de ser, enquanto espectáculo, muito mais apelativo. Não será o futebol italiano muito mais rico, do ponto de vista técnico-táctico, e, por isso mesmo, mais interessante, para quem gosta de compreender os modelos e sistemas de cada equipa? A meu ver, a diferença entre as duas realidades, é exígua. Estará mais relacionada com questões culturais, do que com questões tácticas. O futebol italiano, baseado, acima de tudo, numa cultura de medo (até por questões sociais), procura o êxito através do menor risco possível, da forma mais pobre. Paulo Sousa alerta, no prefácio do livro de Luís Freitas Lobo, O Planeta do Futebol, para os efeitos nefastos de tal mentalidade. A obsessão em atingir resultados positivos a qualquer custo tornou-se um obstáculo demasiado elevado para a evolução do seu futebol.
Sousa fala da “ cultura do resultado” que se instalou, o que levanta a seguinte questão: se o resultado é o mais importante e se é em busca de resultados que todas as equipas definem as suas estratégias, e se durante um largo período o domínio italiano foi uma realidade, que falhou então? Como se poderá falar do futebol italiano como algo tão obsoleto, se enquadrarmos nesse futebol treinadores como Trapattoni, Capello, Lippi, etc? A resposta encontra-se na “mescla” entre os grandes talentos mundiais que durante muitos anos tinham como destino, na maioria das vezes, Itália, e uma mentalidade calculista e extremamente defensiva, que resultou numa excelente organização defensiva, deixando, todavia, os processos ofensivos numa posição muito menos cuidada, quase rudimentar. O facto de terem grandes talentos tapou, durante muitos anos, esta lacuna.
Das equipas italianas diz-se que são muito tácticas, o que eu discordo. São muito defensivas? Sim! Desequilibradas? Sim! Extremamente profissionais e minuciosos, na maneira como abordam o jogo? Sem dúvida! Não nego que, num passado, que já não é assim tão recente, se pudesse falar nalguma superioridade táctica, por parte do futebol italiano, mas na maneira como concebo o futebol, a maneira como se defende é tão importante como se ataca; mais, acredito que a forma mais evoluída de explorar tacticamente o potencial de uma equipa passa, inquestionavelmente, por não separar os vários momentos da equipa, sejam eles, especulativos, ofensivos, ou defensivos.
A evolução humana explica-se, substancialmente, pela necessidade. O futebol não é diferente. Os objectivos que se esgotam numa coisa tão fortuita como uma bola na trave, uma tarde desinspirada, arriscam-se a colocar em causa, e de forma rápida, toda uma época de trabalho, pois, retirando-se os resultados, estas equipas ficam sem nada. Por isso, defendo que a principal preocupação das equipas será sempre jogar bem, porque jogar bem (o meu jogar bem) implica que uma equipa seja equilibrada, que tenha uma atitude positiva de jogo, que não se alheie dos seus objectivos delineados, que queira progressivamente, jogo após jogo, ser mais “ dona” dos seus jogos. Só assim uma bola na trave não vai colocar uma semana, ou mês, ou época em causa, se eu souber que no fim, mesmo perdendo o jogo, estou mais perto dos objectivos da equipa, por mais utópicos que sejam.
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Gonçalo
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Curtas da Jornada 18
2. Veloso anda a dormir em campo. A sonolência deve ser contagiosa, pois Paulo Bento ainda não percebeu.
3. Mais dois extraordinários golos de Liedson. Ou terão sido falhanços?
4. Grande golo de Zé Pedro e grande fezada de Jesus no 352.
5. O Braga continua imparável no oitavo lugar.
6. Manuel Machado - segundo soube - ficou irritado com o empate frente ao Estrela da Amadora e fez questão de atribuir a culpa do resultado à atitude ingénua de César Peixoto, que lhe valeu a expulsão numa altura em que o Braga ganhava por 1-0. Independentemente do erro de Peixoto, acho fabuloso responsabilizar um jogador por um mau resultado quando a burrice directamente ligada ao golo do empate é da responsabilidade de outro jogador e o facto de esse jogador estar em campo ser responsabilidade de quem o lá colocou.
7. Farias começa a mostrar serviço.
8. Os jogadores do Leiria vão aos treinos? Ou gostam de cestinhos de fruta?
9. O Guimarães, à campeão, virou o jogo frente ao Leixões, mas aquele segundo golo é das coisas mais toscas que vi nos últimos tempos...
10. O melhor guarda-redes do campeonato foi-se embora, mas nem assim o Benfica marcou golos ao Nacional.
11. Camacho voltou a ser ambicioso: sem Rui Costa, não apostou em Nuno Assis. Além disso, fiquei a saber que quem quer ganhar tira um lateral e mete outro.
12. Pacheco e Mota degladiaram-se e propiciaram um espectáculo digno das distritais. Como houve sete golos, as apreciações ao que se passou no terreno foram positivas. Quanto a mim, vi apenas um campo empapado e ridículo, duas equipas ridículas, 5 golos ridículos e uma expulsão de Pacheco ridícula. Salvaram-se dois grandes golos de Laionel, mas o jogo não deixou de ser ridículo.
Escrito por
Nuno
às
00:19:00
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