terça-feira, 20 de novembro de 2007

Certezas (8)

Durante o último Benfica – Sporting, em júniores, o destaque não vai para as movimentações poderosas e constantes de Paez na área encarnada; tão pouco vai para o ar de veterano que Adrien deixa “escapar”. Então? - perguntam vocês. Vai para a fantasia do Carvalhas? A inteligência e elegância do Miguel Rosa? Não. E também não vos vou falar de nenhum jogador africano ou asiático. Falo-vos de um jogador que surgiu a escassos 15/20 minutos do apito final. A sua elegância e classe vislumbram-se de imediato. Apesar de alto, a agilidade que demonstra com a bola colada ao seu pé esquerdo não engana. Com uma condução do esférico segura, é com naturalidade que consegue ultrapassar os seus adversários, assim como assegura um passe, seja ele curto ou longo, pelo chão ou pelo ar, seja no pé do colega, seja a rasgar. E, nestes momentos, por muito que não queiramos cometer o erro de entrar em comparações, o que não é o caso, é quase impossível não nos lembrarmos de jogadores como Viana, ou até Barbosa, em alguns momentos.
Isto tudo se torna secundário perante a maneira como define cada jogada, como lê o jogo de uma forma quase perfeita. E como se todos estes atributos não fossem suficientes para se perceber de imediato a qualidade deste jogador, é ainda detentor de um remate fácil, colocado e forte. Não sei o que o futuro reserva a esta jovem, e precoce, promessa, mas, perante esta panóplia de virtudes, cheira-me que este Diogo Rosado vai longe...

Dependência...

Se vos pedir que pensem em futebol de qualidade, bem jogado, e nos seus intérpretes, na nossa cabeça surgirão, instantaneamente, nomes como Messi, Ronaldinho, Káká, Cristiano Ronaldo, Quaresma, etc. E é o factor desequilíbrio que une todos estes nomes. A capacidade de improviso, a magia, a criatividade, características que os distinguem dos demais. Todavia, os demais são parte fundamental na proliferação destes jogadores.
Os desequilíbrios terão de partir sempre dos equilíbrios. Assim, e só assim, se conseguem obter (bons) resultados. Se não, os desequilíbrios deixam de o ser para se tornarem apenas... Caos.

Um modelo de jogo bem estruturado, com transições bem definidas, posicionamento colectivo correcto e interiorização da filosofia de jogo pretendida: isto será sempre o ponto de partida para se alcançar os equilíbrios necessários, para a partir deste ponto se procurarem os desequilíbrios. E, à partida, pode-se cometer o erro de pensar que, nos desequilíbrios, a percentagem individual é superior à dos equilíbrios. Nada mais errado.
Toda a estrutura, por mais bem estruturada que esteja, se não estiver suportada por jogadores cujas virtudes sejam sobretudo de natureza colectiva, que se distingam pela forma como equilibram a equipa, será sempre instável. Isto, por si só, não vos oferece nada de novo. O que aqui se procura denunciar é a injustiça que este tipo de jogadores sofre.

Jogadores que se distinguem pela sua capacidade de acelerar o jogo, pelo seu drible, pelo último passe, remate, beneficiam da maior visibilidade que as suas características exibem. Vejamos: se a um jogador com este tipo de características for concedido 15/20 minutos num jogo, mais facilmente conseguirá notoriedade que um jogador que se distinga pelos equilíbrios que oferece à equipa, pois os segundos não precisam de ser exuberantes para serem bons, para concederem à equipa as suas qualidades.
Por outro lado, não raras vezes é lembrada a necessidade de existir uma boa organização e disciplina colectiva para o talento e criatividade se manifestarem. Correcto, todavia, se para um jogador que se distingue pela imprevisibilidade e pelo cunho individual das suas acções é necessário que existam rotinas e uma estrutura sólida na equipa onde está inserido, como será com um jogador que se “destaca” pela harmonia e fluidez que confere ao jogo da sua equipa? Se não existe uma filosofia, uma directriz segundo a qual ele possa emprestar todo o seu poder de organização e equilíbrio? Seria tão incorrecto como exigir a um professor competência sem lhe entregarem o plano para o ano lectivo que este leccionasse.
Estes são, na minha opinião, os que mais sofrem com a falta de organização e sincronismos de uma equipa, pois é o próprio colectivo a renegar as características e idiossincrasias destes jogadores. Jogadores como Custódio, Farnerud, Medina, Mikel, não precisam de ser exuberantes para serem bons, precisam apenas de encontrar organização para poderem proporcionar um brilho mais intenso àqueles que pretendem revolucionar o mundo com o seu génio.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O melhor campeonato do mundo

Tem sido dito, e é quase unânime, entre as vozes da opinião pública, que o melhor campeonato do mundo é o inglês. Devo dizer que discordo inteiramente e passo a explicar por que razões.

Em primeiro lugar, há que definir o que deve ter um campeonato para ser considerado o melhor ou, por outras palavras, é fulcral perceber o que significa "melhor". Melhor é aquele em que há mais competitividade? Não creio. Ou, pelo menos, isso não é suficiente. A competitividade tanto pode significar muitas equipas a jogar bem como muitas equipas a jogar mal. O futebol africano é competitivo, mas nem por isso é bom. O futebol italiano é competitivo, mas apenas porque a cultura táctica em terras transalpinas assim o obriga. O futebol italiano é competitivo porque as equipas defendem todas como se não houvesse amanhã. Num futebol no qual a palavra de ordem é defender, não admira que não haja resultados dilatados. Mas isso não significa que as equipas estejam a um mesmo nível. A competitividade em Itália é, digamos, apenas aparente. E o futebol inglês, não é competitivo? Sim, mas por questões semelhantes. A competitividade em Inglaterra resulta essencialmente dos princípios de jogo que se aplicam no país de Sua Majestade. Está enraízado no futebol inglês um estilo directo, de entrega a cem por cento, um futebol rápido, que não se dá ao luxo de perder tempo a pensar. O futebol em Inglaterra é "sempre para a frente". Perante este hábito, todas as equipas encaram o jogo para o ganhar e jogam essencialmente ao ataque. Resulta daqui um futebol emocionante, com muitas oportunidades de golo, que provoca todo o tipo de sensações. É competitivo porque nunca se vira a cara à luta; é competitivo porque os mais pequenos encaram o jogo da mesma forma que os grandes. Mas isso não significa que não seja uma atitude ingénua. E ainda significa menos que seja um futebol bem jogado. Ora, se a competitividade não pode ser o critério usado para descobrir qual o melhor campeonato, que critério será esse? Melhor é aquele em que o futebol é mais agradável? Se sim, é preciso definir o que significa "agradável". Acredito que haja quem se delicie com o futebol brasileiro, no qual quase todos os jogadores têm uma finta personalizada e no qual as acções individuais constituem grande parte dos motivos de interesse. Mas isso não significa que o jogo seja bem jogado. Por agradável entendo bem jogado. Assim, o campeonato melhor deve ser aquele em que o futebol é mais bem jogado. E o que significa ser bem jogado?

O futebol é um jogo colectivo. Durante muito tempo, esta noção viciou as ideias de treinadores, jogadores, comentadores, críticos, etc. Que o futebol é um jogo colectivo, já todos sabemos. O que muito pouca gente sabe é em que medida o futebol é um jogo colectivo. Por colectivo entendeu-se sempre que cada jogador deveria ajudar o conjunto de acordo com as suas características específicas. Por outras palavras, o conjunto deveria ter os altos e fortes na defesa, para cortar os lances adversários, os aguerridos no meio-campo defensivo, para recuperar bolas, os cerebrais no meio-campo ofensivo, para distribuir jogo, os tecnicistas nas alas, para desequilibrarem individualmente, etc. Nada mais errado. Isto não é colectivo. Isto são onze individualidades com a missão de ajudarem uma coisa abstracta chamada "colectivo". Só é possível jogar verdadeiramente em colectivo quando não se achar que os passes decisivos devem estar a cargo dos médios-ofensivos, ou quando não se achar que as idas à linha devem acontecer após o ala se desembaraçar individualmente do seu opositor. Jogar colectivamente implica predispor os jogadores para terem todas as funções que os outros têm. Ou seja, só há colectivo quando a incumbência de marcar golos é tanto do central como do avançado; só há colectivo quando a incumbência de distribuir jogo é tanto do médio-defensivo como do médio-ofensivo. As características dos jogadores não devem servir para que este desempenhe um papel individual dentro de um colectivo; as características de um jogador devem servir para que ele desempenhe um papel colectivo. Por jogar bem entendo jogar colectivamente, neste sentido específico. Como tal, o melhor campeonato será aquele em que isto aconteça com mais frequência. E que campeonato é esse então?

Acredito que seja unânime a opinião de que os três melhores campeonatos do mundo são o italiano, o espanhol e o inglês. Isto porque os melhores atletas se encontram distribuídos por estes campeonatos. Como é óbvio, o melhor campeonato do mundo terá de ser sempre um destes três. Em qual destes três, então, se joga melhor futebol, no sentido em que referi? Ou seja, qual é, destes, o campeonato em que se joga mais em colectivo? A resposta é simples: no espanhol. Em Inglaterra, pelo estilo do futebol, o jogo assenta essencialmente numa base individual. O futebol é de pontapé para a frente e aqueles que tiverem melhores intérpretes na frente são os que ganham mais bolas, os que conservam melhor a posse de bola, os que concretizam mais. Em Inglaterra, o futebol pode ser mais emocionante e mais competitivo que noutro lado qualquer, mas não é mais colectivo. E, como não é mais colectivo, é mais ingénuo, está mais sujeito à acção da sorte e à inspiração das individualidades. Embora o mais competitivo, não é o mais bem jogado. Em Itália, passa-se algo idêntico. As equipas privilegiam uma defesa sólida e um estilo directo. Assim, confiam a sorte à organização defensiva, que tanto pode ser conseguida através da presença das melhores unidades para essas posições como pode ser fruto de uma arrumação colectiva, e à inspiração dos avançados, que devem aproveitar o melhor possível as bolas que lhes chegam. Em Itália, joga-se em dois blocos, o defensivo e o ofensivo. Uns têm missão de defender, outros de atacar. Isto não é jogar colectivamente. Se é verdade que as equipas defendem muito, não é menos verdade que não o fazem em colectivo. São recrutados alguns jogadores para essas funções e esses jogadores, nunca os onze, devem defender para que os restantes possam atacar. Esta é a filosofia de jogo italiana: uma equipa partida em duas. Ora bem, resta a Espanha. Sem a pressão da tradição, como acontece em Inglaterra ou em Itália, o futebol espanhol é mais livre. Não está preso a um estilo obsoleto de futebol rápido, impensado, que assenta na força e na vontade de ganhar, como em Inglaterra. Também não está preso à obsessão italiana de defender para depois poder atacar. O futebol espanhol, de uma maneira geral, é hoje em dia o mais moderno. E, como tal, é aquele em que se joga mais em colectivo, no sentido que defini. Não é preciso, sequer, recorrer ao Ranking da UEFA para atestar esta certeza. As equipas espanholas comandam o futebol europeu, mas nem sequer é isso que faz do campeonato espanhol o melhor do mundo. Enquanto que no campeonato inglês ou italiano há, talvez, uma maior aproximação das equipas pequenas às grandes, essa aproximação não acontece por essas ditas equipas pequenas terem crescido. Isso acontece porque o estilo de futebol nesses dois países assim o permite. Em Espanha, talvez não haja tanta competitividade. Não há, também, a emoção perante a incerteza do resultado que há em Inglaterra. Mas, a nível europeu, as mesmas equipas que conseguem bater-se de igual para igual com os grandes em Inglaterra e em Itália não conseguem bons resultados. Em Itália, há muito tempo que não se houve falar de êxitos de outras equipas que não o Milan, o Inter, a Juventus e a Roma. Em Inglaterra, além de Manchester United, Liverpool, Arsenal e Chelsea, pouca coisa têm feito os outros. Em Espanha, para além de Barcelona, Real Madrid e Valência, temos outras equipas a dar cartas na Europa nos últimos anos: o Villareal, no ano em que encontrou o Benfica nos grupos, chegou às meias-finais da prova; no ano anterior, o mesmo Villareal tinha ficado nas meias-finais da UEFA; o Sevilha ganhou as duas últimas edições da UEFA; o Espanhol, o ano passado, foi até à final; o Deportivo da Corunha, embora desaparecido nos últimos anos, andou durante várias épocas entre os melhores da Europa. Não me lembro de equipas de segundo plano em Itália fazerem coisas destas desde os tempos áureos do Parma, ou da Fiorentina de Rui Costa e Batistuta, ou da Lázio na altura em que lá jogava o Sérgio Conceição. Não me lembro de equipas inglesas de segundo plano terem boas campanhas europeias desde o Leeds de David O'Leary. É por tudo isto que o campeonato espanhol é, no meu entender, o melhor do mundo, isto é, aquele em que se joga melhor futebol e aquele que produz um maior número de equipas capazes de atingir grandes feitos a nível europeu.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Luis Sobral (4)

Pois é, o ilustre Luis Sobral foi promovido a crónica. Mas não é caso para espanto... Sobre a situação actual do Sporting, muito se tem dito. O desaire em Braga aconteceu após um óptimo jogo diante da Roma, mas tem sido dito que as coisas vão muito mal no reino do Leão. Neste artigo, Sobral também o faz. Diz o seguinte:

"Paulo Bento colocou a questão no plano da atitude, ao dizer que não tinham feito por merecer a camisola do clube."

Paulo Bento não falou em atitude. Por se dizer que os jogadores não fizeram um bom jogo, não quer dizer que não tenham suado. Disse Paulo Bento que a equipa, em certos momentos, jogou devagar. Isto não significa que não tenha tido atitude. Significa apenas que não jogou a um ritmo adequado. Aliás, os primeiros minutos da segunda parte são de grande qualidade.

Continua Sobral, dizendo:

"Com Paulo Bento, o Sporting passou a guardar melhor a sua baliza. Um jogo mais sólido, um caminho menos directo para o golo, mas suficientemente eficaz."

O futebol do Sporting do Peseiro era mais directo?? Em que dicionário é que o senhor Sobral aprendeu o significado da palavra "directo"?

Continua Sobral:

"Em minha opinião, mais do que erros pontuais, estes golos resultam da má colocação do meio-campo. Nessa zona não existe um jogador em boa forma."

Esquisito. Ia jurar que a única coisa que não está mal no Sporting era o meio-campo. Mas se calhar estou enganado.

Mas antes diz isto:

"Esta época, o Sporting raramente joga o que se espera e defende mal, somando erros."

Pois, deve ser o meio-campo que está a defender mal e a somar erros. Era trocá-los todos, esses incompetentes...

Mas Sobral diz mais:

"Miguel Veloso tem sido a referência, mas atravessa uma fase em que parece jogar mais para ele do que a equipa. Cai pouco nas alas, não é tão firme a desarmar e marca o adversário sem rigor."

Ponto prévio: Miguel Veloso, a nível defensivo, está menos rigoroso, sem dúvida. Mas não é por cair poucos nas alas, ou por não ser tão firme a desarmar ou a marcar o adversário. Veloso, sobretudo em lances rápidos, perde um pouco a noção da sua posição, encostando-se em demasia aos centrais e não ocupando a zona à frente deles. Isto, repito, só acontece em lances em que a equipa adversária ataca rápido, como o lance do primeiro golo da Roma em Alvalade. De resto, a nível posicional, tem estado impecável. Não cai nas alas? Nem tem que o fazer. Daria o mesmo resultado que recuar para junto dos centrais. Pressupor que um médio-defensivo tem de cair nas alas é uma admirável forma de dizer ao mundo que não se é muito sabido. Não é firme a desarmar? Como assim? Firme como o Binya? Há firmeza, há, senhor Sobral. Quando não se sabe muito bem o que dizer para se argumentar uma intuição inventam-se coisas? Isso sim, é de quem percebe. Marca o adversário sem rigor? Mas quem é que lhe disse a si que o Miguel Veloso tem de marcar alguém? Pressupor que um médio-defensivo tem de marcar um adversário já não é só não ser muito sabido; é imaginar que não há uma coisa chamada "marcação à zona". Tenho uma novidade para si, senhor Sobral: o que os seus pais lhe disseram que não existia não era a "marcação à zona"; o que não existe é o Pai Natal.

Diz mais ainda, Luis Sobral:

"Ao lado, João Moutiho mantém a alma de outros dias. Mas só isso."

Ficamos a saber que João Moutinho ainda é João Moutinho. Estava convencidíssimo de que João Moutinho tinha agora a alma de Yannick Djaló. João Moutinho tem sido vítima não da descoordenação geral da equipa, não do desnorte colectivo, mas de uma alteração estratégica que Paulo Bento pareceu querer incutir à sua equipa este ano. A principal diferença do Sporting deste ano é a maior amplitude do losango quando a equipa tem a bola. Os interiores abrem muito e as transições têm de ser necessariamente menos curtas. A ideia é possibilitar um futebol mais objectivo, no qual os médios interiores têm um papel sem bola muito mais relevante do que aquele que tinham. As suas movimentações, contudo, são muito mais para criar espaços e provocar desequilíbrios do que para receber a bola. Logo, estes jogadores, principalmente, estão mais tempo sem a bola no pé. Resulta de tudo isto um futebol menos envolvente, menos curto, com transições mais rápidas e, não raro, predefinidas. Neste cenário, Moutinho toca menos vezes na bola e tem um papel mais discreto, mas igualmente preponderante, na equipa.

Continua Sobral:

"Izmailov simplesmente não percebeu a forma de jogar da equipa e Romagnoli tem sido de menos como «10», perdendo muitas vezes a bola e com isso desequilibrando a equipa."

Izmailov não percebeu a forma de jogar? É por isso que tem sido dos melhores em campo? Romagnoli perde muitas vezes a bola? Quando? Ao intervalo, nos balneários? E, ao perder a bola, desequilibra a equipa? Mas além de perder a bola imaginariamente, também a perde imaginariamente em zonas comprometedoras? É que perder a bola só desequilibra a equipa em zonas recuadas ou quando a equipa parte para um ataque rápido. E em nenhuma destas situações Romagnoli perde bolas. E o que significa "ter sido de menos como «10»? Não entendi estas duas opções do senhor Sobral. Quer dizer, até entendi. Precisava de dizer que os quatro do meio-campo não estavam bem e toca à dizer mal deles todos, inventando coisas.

E continua Sobral:

"Os dois golos sofridos frente à Roma são um bom exemplo de má colocação, com o meio-campo a defender demasiado atrás, concedendo espaço para remates de longe."

Não, não são. O primeiro golo resulta daquilo que disse do Miguel Veloso. Num lance rápido pela esquerda do ataque da Roma, recuou para junto de Polga. Cassetti, ao tirar do caminho Tonel, não encontrou oposição na zona de Veloso, precisamente porque ele tinha recuado indevidamente. Já o segundo golo não é nada. Pizarro remata a cerca de quarenta metros. Ninguém tem de sair a um remate a quarenta metros. Aconteceu que os italianos tiveram sorte. Só isso.

E, para acabar, Sobral, como qualquer tipo que acha que consegue mudar o mundo, tem sugestões:

"Por mim, a chave é amarrar Miguel Veloso, estabilizar Moutinho, escolher entre Izmailov e Romagnoli e utilizar mais um médio de trabalho. E depois esperar que Liedson resolva. Até que a confiança regresse."

Se Sobral fosse médico, estaria certamente a soldo dos alemães para receitar cianeto a judeus. 1) Amarrar Veloso? O que significa amarrar? Há pouco, o senhor Sobral disse que ele deveria cair mais nas alas e agora é preciso amarrá-lo? Não entendo. 2) Estabilizar Moutinho? O que significa estabilizar? Amarrar? E os outros nove, será que também devemos amarrá-los? Amarravam-se todos uns aos outros e punham-se à frente da baliza? Também não entendo. 3) Escolher entre Izmailov e Romagnoli e utilizar mais um médio de trabalho? O senhor Sobral não acha que o problema do Sporting seja um problema de atitude, mas pretende resolvê-lo recorrendo a trabalho? Isto não é um bocado contraditório? E que médio de trabalho? Paredes mal se mexe; Farnerud não é um médio de trabalho; Vukcevic e Pereirinha muito menos. Será que está a pensar em Adrien? Ainda entendi menos esta. 4) Esperar que Liedson resolva? Como resolveu em Braga? Ou como resolveu no Dragão? Ou como resolveu na Luz? Sugerir que, numa equipa grande, se espere que o seu avançado resolva as coisas é parvo; sugerir que o faça, sendo esse avançado o Liedson, ainda é mais parvo; mas o mais parvo é conceber um tipo de futebol em que se espera que a sorte caia do céu ou que as individualidades façam o que o colectivo deve fazer. 5) Mas isto só até que a confiança regresse. Depois é voltar ao esquema habitual, porque já não é preciso que o Liedson resolva. Para o senhor Sobral, Liedson é como a Nossa Senhora de Fátima. É ter fé que vai ajudar, mesmo quando já se viu que não tem poder para o fazer. Aliás, quando estiver mal da ciática, vou a Alcochete pedir um milagre e saudinha ao Liedson.

Para finalizar, Sobral ainda tem um "post-scriptum" onde diz coisas acertadíssimas, mas das quais saliento esta:

"Talvez esta análise esteja errada."

Pois. Se calhar, está.

Diz depois:

"Como explicar que Paulo Bento, a perder por 1-0 em Braga, com 45 minutos pela frente, decida alterar o sistema que mais vezes utilizou, trocando-o por um improviso?"

Pois é. Isto é dificílimo de explicar. Será que teve vontade de ganhar? É capaz, até porque arriscou e tirou um defesa. Se calhar, queria ganhar, o sacana. Improviso? Um sistema que já utilizou várias vezes e que está treinado é um improviso? Será que Sobral aprendeu esta palavra no mesmo dicionário que a outra?

E completa, dizendo:

"A entrada de Had, depois do 3-0, foi uma confissão pública da má avaliação anterior."

Sim, foi. Aliás, o Had trazia uma camisola por baixo, escrita pelo Paulo Bento, a dizer "Não percebo nada de futebol!" Paulo Bento explicou por que é que voltou à estrutura de quatro defesas. Se o senhor Sobral decidiu ignorar isso para escrever um texto, não é só ser idiota; é querer sê-lo.

Também tenho direito a um P.S. com conteúdos parvos, por isso, aqui vai ele:

P.S. "Talvez esta análise esteja errada", mas quer-me parece que o senhor Luis Sobral não acabou o liceu.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Injustiça...

Do jogo Sporting-Roma sobra uma sensação de injustiça.
O Sporting tirando o primeiro quarto de hora, em que a Roma com um bloco subido causou problemas à equipa leonina, foi sempre superior à equipa italiana.
Durante esse período, os primeiros quinze minutos, a formação romana circulou melhor a bola, retirando com isso a posse da mesma ao opositor, criando alguns desequilíbrios. Alcançou o golo e ameaçou a área adversaria por mais uma ou duas vezes.E só.
Depois a equipa verde e branca assumiu o controlo do jogo embalando para uma exibição de qualidade. O domínio do Sporting foi avassalador, contundo, esse domínio apesar de se reflectir numa boa exibição não permitiu à formação leonina construir tantas jogadas de golo como seria de supor.

Muitos cairão na tentação de tornar a culpa ao facto de se ter defrontado uma equipa italiana, por tradição muito defensivas, consentindo esse domínio, às custas de um maior povoamento no primeiro terço do terreno. Nada mais errado. A Roma joga à bola, e precisa da posse da mesma para defender bem.
O mérito do Sporting começa neste ponto. Por conseguir se impor e mandar no jogo, perante uma equipa que o gosta de fazer. Graças aos seus principios de jogo, e à forma "autista" como encara cada jogo.

Da formação leonina critica-se o facto de não explorar as alas da melhor forma, muito por culpa do seu losango. O que é errado, senão, experimentem contar o sem número de situações em que concluem os seus ataques através de cruzamentos para a área adversária. E no jogo desta quarta-feira este facto voltou-se a constatar. Portanto, o mito de que só com extremos, é que se consegue flanquear o jogo está posto de lado. E nem será por aqui que reside o problema do Sporting. É no corredor central do seu ataque que o futebol do Sporting encontra a sua maior resistência. A qualidade das penetrações centrais fica seriamente comprometida sem Derlei, o único avançado com qualidade, e características, para permitir aos médios movimentos de ruptura na área adversária.
Mas não é aqui que se esgotam os problemas do Sporting. Tacticamente há uma questão que demora a ser sanada, e que tem causado dissabores à equipa de Paulo Bento. Geralmente comete-se o erro de associar esta questão a um erro táctico. Nada mais errado, é um erro sim, mas de casting.

Ao vértice mais avançado do losango não compete ficar estático, resumindo a sua movimentação à posição inicial. Antes pelo contrário, na posse do esférico Romagnoli tem de procurar as faixas laterais, os espaços entre os centrais e laterais, para assim conseguir os desequilíbrios na equipa adversária. Este factor vai proporcionar uma superioridade nas faixas laterais, mas um descongestionamento na zona central. Neste cenário é aqui que entram os avançados. Com a desmobilização desta zona, alcançada através movimentações do médio argentino, é importante que os homens da frente dêem linhas de passe, e apoios ao jogador que transporta a bola, esteja ele numa zona interior, ou exterior. E por este meio surgem muitos dos problemas da formação de Paulo Bento. Não tendo nenhum avançado capaz de segurar a bola, ou de incorporar de forma satisfatória nas transições ofensivas, - Liedson “apenas” se destaca na conclusão das mesmas graças ao faro pelo golo que demonstra. - a dinâmica de jogo, assim como a criação de situações de golo fica muitas vezes fragilizada. O colectivo vê-se amputado de duas unidades que, pela posição que ocupam no campo, deveriam ser determinantes no desenho das movimentações ofensivas.

No jogo para a Liga dos Campeões este facto é gritante. O Sporting cilindrou a Roma? Sim. Mas criou quantas oportunidades claras de golo? Alguma delas que não resultasse de um remate de fora da área? Ou de um cruzamento? Existiu alguma situação de rotura que permitisse a um jogador aparecer na cara do guarda-redes italiano? Não. Quase que o Vukcevic e Izmailov, repetiam a façanha concretizada contra o Vitória, mas de resto...

Se uma equipa não sofrer golos na sua pequena área, para além da organização defensiva da equipa teremos de reconhecer algum mérito à dupla de centrais. Então se uma equipa que até joga bem, mas não consegue criar situações de golo como as que eu enumerei anteriormente poderá dizer o quê?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

10 coisinhas que precisam de ser ditas

1. Será que os árbitros receiam que, ao expulsar Quaresma, Scolari lhes bata para proteger o "minino"?

2. O Braga demitiu Jorge Costa e ainda não contratou ninguém para o substituir. Será que estão a tentar convencer o Mourinho?

3. Pedro Proença voltou a assinalar um atraso de um defesa para o respectivo guarda-redes, desta feita depois de uma rosca do defesa. Parece-me que Proença inventou um mundo para si, em que qualquer bola que chegue ao guarda-redes vinda de um defesa é um passe. Se acreditar muito que o homem consegue voar, pode ser que se atire do Cristo-Rei sem se magoar muito.

4. Belleti marcou um golo banal, mas José Marinho chamou-lhe "assombroso". Assombrosa é a estupidez de quem acha isto. Antes de concluir o lance com uma "biqueirada", Belleti caminhou 60 metros com a bola, mas só passou por um adversário e em velocidade. Só no futebol inglês é que uma equipa pode ser ingénua ao ponto de conceder golos como este.

5. Por falar em golos, Liedson marcou um. Foi um bom remate, sim. Mas resulta de uma opção errada. Tirando esse lance, tem um pontapé de bicicleta e uma boa tabela com Moutinho. Mais nada. Rigorosamente mais nada. Em 90 minutos, teve 3 acções positivas. O resto foram más opções, bolas perdidas, maus movimentos, vários golos falhados, burrice em doses industriais. Luis Sobral disse que Liedson foi, de longe, o melhor em campo. Recuso-me a insultar pessoas que não pensam: tenho medo que, por não pensarem, julguem que um insulto serve para comer. Só para citar alguns: Romagnoli voltou a fazer um grande jogo; Izmailov esteve excelente; Polga foi uma vez mais imperial. Se basta marcar um golo para ser o melhor em campo ou, por outras palavras, se basta um único lance, se mais nada conta, ai de quem me diga que o Liedson foi o melhor em campo, mas que o Quaresma, no último jogo da selecção, não o foi.

6. João Querido Manha cortou o cabelo. As ideias não estavam lá escondidas.

7. Postiga voltou a ser decisivo para o Porto. O que é pena é que, esta época, sempre que o Postiga foi decisivo, mais alguém o foi também.

8. O Benfica jogou mal, muito mal. Não desejo melhor a um clube no qual a maioria dos adeptos continua a gostar do futebol de Binya.

9. Há quem diga que Rovércio não fez falta sobre Léo. Gosto de pensar que sou o único a achar o contrário. Qual é o argumento de quem acha que não há falta? Rovércio estava parado e não se mexeu para impedir que Léo chegasse à bola. Isto é falso. Rovércio não se mexeu, é verdade, mas ao não o fazer, impediu que Léo passasse por ele. E fê-lo de forma intencional. Dirão que um jogador não tem obrigação de se mexer. Errado. Um jogador não tem obrigação de se mexer, mas pode evitar o contacto. Não interessou a Rovércio evitar o contacto. Outra coisa que não lhe interessou foi virar-se para correr atrás da bola. Rovércio não tirou os olhos de Léo. Se ficou parado foi porque Léo ia em desequilíbrio e na sua direcção. Se Rovércio não estivesse preocupado em travar Léo, ter-se-ia virado para a bola e tentado disputá-la. Não o fez e nem sequer discutiu a decisão do árbitro. Ele, melhor que ninguém, sabia que tinha feito falta. Ainda que, para isso, não tenha sido preciso mexer-se.

10. Ainda não vi um jogo ou um resumo do Arsenal este ano em que Fabregas não marcasse um golo. Grande Fabregas. O melhor do mundo, daqui a uns anitos.

sábado, 3 de novembro de 2007

Sondagem

Chegou ao fim a primeira sondagem do Entre 10. À pergunta "Que comentador desportivo tens vontade de atropelar?" responderam 29 pessoas. Desde cedo se limitou a luta a três dos seis candidatos. Luis Sobral e José Marinho acabaram mesmo por não somar qualquer voto, enquanto que António Tadeia arrecadou apenas 2. Dos três restantes, cedo também se começou a distanciar Rui Santos, acabando por vencer a eleição com 12 votos. O segundo lugar coube a João Querido Manha e a Joaquim Rita, ex aequo, com 7 votos. Que ilações se devem tirar de tudo isto? 1) Há 29 pessoas cuja vida é tão desinteressante que participam em votações perfeitamente idiotas. 2) João Querido Manha e Joaquim Rita geram ódios pelo país fora e talvez fosse tempo de se começarem a instruir. Ou então a não dizerem parvoíces. 3) Acredito profundamente que Rui Santos, com um cabelo decente, não ganharia esta sondagem. Embora, é certo, também ajudasse saber alguma coisa de futebol...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Porto invencível?

É praticamente consensual: o Porto teve um arranque de campeonato demolidor e dificilmente será alcançado. Digo "praticamente" porque, como eu, haverá alguns que não pensam assim. Ao contrário da opinião pública, não considero que o Porto tenha arrancado bem e que não possa ser apanhado na classificação. Para muitos, os bons resultados espelham a qualidade do futebol da equipa e a sua superioridade em relação à concorrência. Não acredito em nada disto.

Vamos a factos.

1) Calendário.
O Porto lidera o campeonato, contando 8 vitórias em 8 jogos realizados. Um pleno, é verdade. Mas das 8 equipas da primeira metade da tabela, o Porto só ainda jogou com o Sporting, com o Marítimo e com o Braga, sendo que a única deslocação complicada foi ao Minho. Falta o clássico com o Benfica e tem ainda pela frente tarefas nada fáceis como o Guimarães, o Setúbal e o Belenenses. Tirando essas três vitórias mais complicadas, as outras cinco foram conseguidas contra 5 das últimas 6 equipas da tabela. Se compararmos o calendário da equipa nortenha com o dos rivais, vemos que o Benfica já defrontou o Sporting, o Guimarães, o Braga e o Marítimo, tendo perdido 6 dos 8 pontos com os primeiros três, e que, do fundo da tabela, só ainda defrontou Leiria e Naval. Quanto ao Sporting, mediu forças com Porto, Benfica, Guimarães, Setúbal e Belenenses, 5 dos primeiros 8, tendo perdido 7 dos 9 pontos com estes adversários, e que ainda não jogou com nenhuma das últimas 5 equipas. Como se vê, o calendário do Porto foi até aqui muito mais favorável.

2) Lesões.
Ao contrário do Benfica e do Sporting, o Porto ainda não teve jogadores fundamentais afastados por lesão. Tirando o início do campeonato, em que Lucho ainda não estava nas melhores condições físicas, poucas ou nenhumas adversidades têm abalado a espinha dorsal da equipa comandada por Jesualdo Ferreira. A ausência de Adriano não só não foi notada, como foi bem-vinda, pois permitiu que Lisandro jogasse no meio. Postiga lesionou-se quando já não era opção e Pedro Emanuel não é um jogador determinante. Só o afastamento temporário de Hélton poderá ser considerado como uma ausência de peso. No Benfica, pelo contrário, as lesões têm sido mais que muitas: Nuno Gomes, Cardozo, Nélson, Petit e toda a defesa. No Sporting, Derlei faz muita falta e, apesar de ter sido por pouco tempo, a ausência de Polga também traz consequências nefastas.

3) Taça da Liga.
Tendo saído logo na primeira ronda, os jogadores do Porto não terão acumulado o mesmo esforço que os dos seus rivais. Concentrados internamente apenas numa competição, a equipa está também por isso mais sólida. Psicologicamente, não se afectou com a eliminação às mãos de uma equipa de um escalão inferior, mas também não deu azo a novos descuidos. A saída prematura desta competição foi, pois, benéfica para a equipa de Jesualdo.

4) Liga dos Campeões.
Na Champions, o Porto apanhou o grupo mais fácil dos três grandes. O Marselha, apesar do primeiro lugar, é uma equipa perfeitamente acessível (por sinal, está em apuros no campeonato francês) e não tem a força que o Celtic tem em casa nem o poderio da Roma. Quanto ao Besiktas, parece-me uma equipa bem montada, com algum potencial, mas ainda assim uma equipa de segunda linha. Será talvez mais forte que o Dinamo de Kiev desta época, mas não será superior ao Shaktar. Quanto aos cabeças de série, Milan e Manchester, só por si, são superiores ao Liverpool. Como se não bastasse, a equipa de Benitez tem surpreendido tudo e todos, tendo apenas 1 ponto em 9 possíveis, conquistado precisamente no Dragão. Resulta daqui que o Porto, sem muito esforço, está bem lançado no seu grupo. Sem grandes exibições, ainda não perdeu, tendo inclusivamente controlado o jogo em França e não tendo sofrido muito para empatar em casa diante do Liverpool.

5) Sorte e afins.
Sem o Quaresma decisivo das épocas anteriores, adivinhar-se-iam mais dificuldades para o Porto. Esse, contudo, não tem sido o caso. Que tem, então, ajudado a equipa? Em Braga, Quaresma, nos outros jogos, ora Lisandro, ora Lucho. Os jogos que o Porto não ganhou foram os jogos em que nenhum destes três conseguiu fazer a diferença. Além disto, têm conseguido resultados através de momentos de pura sorte, como na Turquia, depois de um jogo pobre e de uma jogada aos trambolhões, e no último minuto. Depois, 2 vitórias na Liga à custa de erros de arbitragem, uma frente ao Sporting e outra em que a bola enviada para a baliza já tinha estado fora do terreno de jogo.

Como é óbvio, não são apenas estes factores que têm dado pontos à equipa. A estrutura da equipa é sólida, os processos estão bem enraízados nos jogadores e a organização em campo é inexcedível. Mas, tendo faltado qualidade, este conjunto de factores ajuda a explicar este arranque aparentemente implacável. Dir-se-ia que, além de toda a solidez do conjunto, respira-se confiança e tranquilidade no Porto. Pudera... Mas essa confiança, sendo consequência directa dos resultados positivos, é também consequência daquilo de que os resultados são consequência, ou seja, todos estes factores. Sem a pontinha de sorte que já se manifestou em alguns jogos, sem a possibilidade de contar com dois ou três dos habituais titulares, sem um grupo tão acessível na Liga dos Campeões, tendo apanhado equipas mais complicadas no campeonato, estando ainda envolvido na Taça da Liga, só por milagre o Porto de Jesualdo, a jogar com a mesma pobreza que tem feito, continuaria invicto.

Não sei se o Porto ainda será alcançado na classificação, mas parece-me muito prematuro pensar que o não vai ser apenas porque tem estado imbatível. Medindo todos os factores e não acreditando que a sorte que até aqui se manifestou se manterá, será de esperar um abaixamento no rendimento da equipa num futuro próximo. Quando o rendimento começar a ser menor, a confiança inabalável da equipa tenderá naturalmente a descer. E, quando isso acontecer, as restantes equipas terão uma palavra a dizer. Portanto, apesar da diferença de pontos e da aparente invencibilidade da equipa, o Porto ainda tem muito caminho a percorrer e, de acordo com a pouca qualidade do seu futebol e com todos estes factores (sobretudo com o facto de que, a excepção da ida à Luz, terá todas as deslocações dificéis na segunda volta), não está numa posição tão privilegiada como, à partida, se pensa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Zidane, un portrait du XXIème siècle

O Doclisboa 2007 teve a bondade de incluir no seu programa este filme. Fui ver. Em Abril de 2005, 17 câmaras filmaram não o Real Madrid-Villareal, mas Zinédine Zidane durante esse jogo: o filme consiste em 90 minutos a olhar para o astro francês. Desinteressado no desenrolar do jogo, o plano acompanha Zidane. Sempre. Para quem tinha dúvidas, o filme é revelador: Zidane era um ser à parte; no relvado, parecia existir a equipa adversária, a equipa de Zidane e Zidane ele-próprio; ainda que incluído num conjunto, era um solitário. Houve, contudo, do princípio ao fim do filme, uma dúvida que não consegui esclarecer: como raio é que um tipo cujo futebol não tinha "intensidade", que andava a passo durante quase todo o tempo, se pôde tornar no melhor jogador de futebol dos últimos 15 anos?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Inquisição...

Nos dias que correm, automatismos é palavra recorrente nas tertúlias futebolísticas. Mas nem todos compreendem do que se trata, tão pouco o que trata. São estes que permitem definir as idiossincrasias dos modelos de jogo, a base da interactividade entre os seus sectores e jogadores.

Dai a sua importância no desempenho das equipas de futebol, ou em qualquer outro desporto colectivo. Mas a falta de automatismos revela-se tão perniciosa no plano colectivo como no plano individual. No futebol, e é sobre este desporto que neste momento nos debruçamos, a falta destes nota-se sobretudo em jogadores que não se destaquem pelas suas acções isoladas. Ou seja, em jogadores que procuram acima de tudo corresponder às necessidades da equipa, e que se distinguem pela sua inteligência na interpretação das necessidades do futebol praticado pela sua equipa.

Os automatismos são fundamentais para emprestar ao jogo o traço pretendido pelos técnicos, sem eles o futebol não passaria de onze jogadores dispostos em função da sua posição. A dinâmica que estes mesmos jogadores poderiam emprestar, órfã destes automatismos, seria inconsequente do ponto de vista colectivo. Nada de novo. Assim como não soará a nada de novo, se eu, por exemplo, afirmar aqui que este é indubitavelmente um dos pontos fortes do Sporting de Paulo Bento. E que estes demoram tempo até serem alcançados. Pelas mais variadas razões, seja pelo tempo que os jogadores demoram a interiorizar as ideias pretendidas pelo técnico – que terá sempre de passar pela vivência das mais variadas situações inerentes a cada sistema -, seja pelas dificuldades, naturais, em conjugar as características, e vícios, de cada um. A forma com que cada jogador se expressa estará sempre dependente do que lhe é pedido através desses automatismos, a qualidade com que o fará ou não, isso sim depende exclusivamente do seu valor intrínseco. É importante que se crie um palco familiar para os actores desempenharem o seu papel, assim como um guião que lhes permita uma interactividade funcional entre os seus intérpretes.

E foi isto que no Restelo o técnico leonino ignorou, ao optar por um losango totalmente inédito. E o futuro dirá até onde vão as consequências deste erro. Não só perdeu o jogo, como muito provavelmente perdeu jogadores que, num futuro próximo, poderiam se tornar mais-valias. Numa primeira impressão a ideia de rotatividade poderia saltar. O que se aceitava, mas não de uma forma tão radical. Frente a uma equipa bem estruturada, com uma filosofia de jogo positiva, e com automatismos bem definidos, a anarquia assumiu proeminência no reino do leão. Como é que se pode esperar que quatro jogadores se combinem em função de um ideal de um momento para o outro? Não é possível.
Neste jogo os únicos que não se ressentiram deste erro de Bento foram aqueles que não dependem da dinâmica colectiva, porque normalmente não contribuiem para a mesma. Ou seja, não existindo qualquer tipo de definições, ou mecanismos, não se tornaram nocivos para a harmonia colectiva. Liedson, por exemplo, terá feito a melhor exibição esta época, até agora.

A falta de coerência resultou num percalço na caminhada leonina. Bento, um dos mais promissores técnicos a nível europeu errou, mas de certeza que saberá fazer a síntese necessária, e indispensável, para a sua evolução como treinador.

domingo, 21 de outubro de 2007

Os mal-amados

Já todos sabemos que o futebol português é pródigo em esbanjar talentos. Não preciso, por isso, de recordar nomes como Diego, Roger, Mostovoi, etc. Hoje em dia, como noutros tempos, há jogadores que, muito injustamente, são mais criticados do que aplaudidos. Para mim, os cinco casos mais gritantes são os que se seguem:

5) Custódio.

Foi o melhor médio-defensivo português a nível posicional desde Paulo Sousa e, nem por isso, lhe guardam saudades os adeptos leoninos. Ocupava os espaços como ninguém; dava apoios perfeitos; jogava sempre, sempre simples, não tentando fazer nada que não fosse para ele; sabia sempre quando travar os contra-ataques adversários em falta. Era correctíssimo e inteligente, embora não fosse extraordinário a nível técnico nem muito agressivo a tentar recuperar a bola. Para a sua posição, antes de Miguel Veloso, não havia ninguém com a sua qualidade. Preferiu-se sempre jogadores com mais sangue, com mais vigor, com mais músculos. E perdeu-se alguém que sabia muito melhor quais os verdadeiros deveres de um médio-defensivo.

4) Hélder Postiga.

Mourinho, quando o seu jovem ponta-de-lança ficou impossibilitado de jogar a final da UEFA, disse dele que não se deveria preocupar, pois teria ainda muitas finais para jogar ao longo da sua promissora carreira. Enganou-se o "Special One" e Postiga não evoluiu enquanto jogador? Definitivamente, não. A opção pelo futebol inglês não terá sido a melhor, pois as suas características são pouco apreciadas por quem aprecia um futebol mais físico, mais intenso e menos pensado. Voltou a Portugal e, melhor que toda a concorrência, acabou por ser afastado da equipa pelo punho ditatorial de Co Adrianse. Voltou no ano seguinte, marcou mais golos que toda a gente e jogou que se fartou. Mesmo assim, não convenceu. Ao fim de algumas jornadas sem marcar, numa altura em que ainda liderava a tabela dos melhores marcadores, fruto de um arranque de campeonato fantástico, começou a ser criticado. Na pré-época, este ano, foi o melhor marcador da equipa. Não deixa de ser estranho que, depois disso, tenha voltado a ser afastado. Muito mais do que os golos que Postiga marca, vale por tudo o que pode dar à equipa. Não reconhecer que não há em Portugal, por esta altura, ninguém melhor que ele para a sua posição é, no mínimo, ingenuidade.

3) Nuno Gomes.

É um pouco como Postiga. É um avançado inteligentíssimo. Sabe que não é muito dotado tecnicamente, que não é forte e que não é rápido. Compensa tudo isso pensando, a cada instante, qual é a melhor opção. Seja a desmarcar-se, seja a adivinhar onde a bola vai cair, seja a tabelar com os colegas, seja a abrir espaços para que outros possam entrar, Nuno Gomes é um avançado como há poucos. É verdade que não é frio na hora de finalizar, que se precipita e falha golos fáceis. Mas também marca outros quase impossíveis e ninguém fala disso. O que é certo é que, muito do bom futebol que o Benfica pratica está ligado às acções de Nuno Gomes. Dizem que é desastrado, que é efeminado, que cai no chão com facilidade, que não vai ao choque. Talvez. Mas as suas decisões são melhores que as da generalidade. E boas decisões é quase tudo em futebol. Ah, e ainda é o melhor marcador em actividade no campeonato e, se tivesse tantos minutos como outros na selecção, estaria a lutar pela posição de melhor marcador de sempre.

2) Pontus Farnerud.

Achar que este sueco não tem qualidade é a melhor ilustração possível da falta de inteligência de quem fala de futebol. O mais parvo é que, embora não hesitem em falar mal dele, se lhes perguntarem que atributos maus tem ele para que não seja bom jogador, não sabem responder. Não é um jogador de choque; não é agressivo; o seu futebol não tem muita intensidade. Tudo isto é verdade. Mas nada disto é importante. Quase não falha um passe. E muitos deles verticais. Compensa defensivamente como poucos; é inteligentíssimo a posicionar-se; circula a bola com toda a segurança do mundo. A qualidade de passe é excelente; as opções, as melhores em cada lance. Dá à equipa um equilíbrio inigualável, gere os ritmos como mais ninguém, mas como não arrisca no um para um, como não faz passes a rasgar, como não disputa os lances como um rapaz esfomeado, acham que ele é mau. Esquecem-se, contudo, que em muitas fases de construção, é muito melhor ter jogadores que passam curto, que são discretos mas cumpridores, etc. Na primeira fase de construção, aquela que lhe compete, é excelente. Não perceber isto não é só estúpido; é criminoso.

1) Nuno Assis.

Falou-se, durante algum tempo, que Portugal não tinha opções válidas para fazer face a possíveis ausências de Deco. Não acreditando que Moutinho ou Hugo Viana façam a mesma posição de Deco, poderia sugerir o nome de Nuno Assis. Muitos se levantariam em fúria. Diriam alarvidades do 25 do Benfica. Não consigo perceber como é que não se gosta de um jogador do talento de Nuno Assis. Não falha um passe; é óptimo a nível técnico; sabe quais as necessidades da equipa em todos os momentos de jogo e conserva a posse de bola ou fá-la girar com tranquilidade. Joga quase sempre curto; não arrisca passes de difícil execução ou que não facilitem a recepção dos colegas. Executa e pensa mais rápido que qualquer outro jogador em Portugal. Faz-me lembrar, e muito, Pablo Aimar, outro mal-amado, mas a nível internacional. Como o argentino, que deveria ser considerado dos maiores astros da actualidade, Nuno Assis deveria ser considerado dos melhores da sua posição. Uma das maiores críticas que lhe poderão fazer é o não arriscar muito. Nem sempre o faz, é certo, embora não o faça porque sabe que a equipa ganha muito mais com outras opções, mas o jogo da Taça da Liga deste Sábado serve para calar toda a gente que lhe teça esta crítica. Nuno Assis assumiu o jogo ofensivo da equipa; driblou adversários, sentando alguns; foi, juntamente com Katsouranis e, a espaços, Di Maria, tudo o que de bom o Benfica construiu. A sério, não percebo e nem sequer aceito que digam que o rapaz é banal.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Perder as estribeiras

Neste momento, após a vitória afortunada dos sub-21, estou a ponto de perder as estribeiras com:

1) Ricardo Baptista. O guarda-redes do Fulham denunciou hoje falhas técnicas graves. Com a possibilidade de Rui Patrício, não percebo esta opção.

2) Centrais. Não há um que se aproveite. João Pedro não é nada. Nuno André Coelho não é quase nada. Gonçalo Brandão, pelo menos central, não é. É muito grave quando sinto falta de Manuel da Costa. Vasco Fernandes é o melhorzito, mas joga adaptado a lateral. Pergunta: E Daniel Carriço, não?

3) Pelé. Pá, mas quem é que disse ao gajo que era jogador de futebol? E quem é que disse a quase toda a gente que o admira que ele era jogador de futebol? Uma em cada duas jogadas decide mal; pensa que, por não ter maus pés, pode fazer coisas que não são para ele; pensar é mentira; quer marcar golo até se estiver a bater um pontapé de baliza; em lances divididos, posiciona-se ao contrário do que devia e, em vez de dar a linha ao adversário, dá-lhe o meio; tenta ganhar lances em velocidade, quando pode dar um passo atrás antes e evitar que o adversário lhe fuja; abusa dos passes longos e, mesmo que o companheiro a quem quer dar a bola esteja marcado por três adversários, não hesita em fazê-lo; quando a bola vem da esquerda e deve ir para a direita, ou vice-versa, volta a metê-la na esquerda, onde está tudo congestionado; quando tem a possibilidade de escolher entre fazer um passe de dois, três metros, ou um passe de quarenta metros, escolhe sempre o segundo, mas mesmo quando o pode fazer rasteiro, levanta a bola, o que não só dificulta a recepção do companheiro, como retarda a sua chegada ao mesmo. Mau demais...

4) Paulo Machado. Já chega de dizer coisas que não são verdade sobre este fulano. O rapaz é cumpridor, é um jogador de nível razoável, mas fica por aí. Achar que ele pode emprestar criatividade a uma equipa é não perceber nada de futebol. É um jogador mediano, que nunca há-de ir além disto...

5) Vieirinha. Diverte-se com a bola. Mais nada. A equipa ganha muito pouco com as poucas vezes em que consegue desequilibrar no um para um.

6) João Moreira. Fraquíssimo em termos posicionais. Não sabe entrar para finalizar; não sabe mexer-se para criar espaços para a entrada dos companheiros; abusa de lances individuais, que não são, obviamente, para rapazes com a falta de qualidade técnica igual à dele; faz menos de uma tabela por jogo; foge da sua posição.

7) Djaló encostado à linha. Não é a sua posição. E, só por isso, tem alguma desculpa. Mas as más decisões são sempre más decisões.

8) Targino. É um jogador esquisito. O seu um para um é ir para cima do adversário, mexer-se ligeiramente e esperar que este se desvie. Se não se desviar, pode ser que o consiga levar à frente. Desengonçado, trapalhão, tem más opções a cada estalar de dedos.

9) Cícero. O que é aquilo? Não é o ser feio, que isso já nasceu assim. É mesmo o não ser jogador de futebol. Dá-me ideia que aquilo é... vá lá... uma bigorna dentro de umas chuteiras.

10) Rui Caçador. Sem dúvida que, tendo em conta que veio substituir Couceiro, as coisas estão melhores. Mas há decisões que não se percebem. Consigo lembrar-me de mais de uma dezena de jogadores que não fazem parte dos planos principais de Rui Caçador e que, neste momento, tinham de estar à frente dos que lá andam: Rui Patrício na baliza; Pedro Correia e André Nogueira como defesas-direitos; Daniel Carriço e Paulo Renato para centrais; Vasco Fernandes a central e não a defesa-direito; chamada de Tiago Pinto; Nuno Coelho em vez de Pelé; mais oportunidades a Zezinando; Hélder Barbosa a titular; Bruno Pereirinha a titular; João Coimbra sempre à frente de Paulo Machado; mais oportunidades a Celestino; Diogo Tavares e Carlos Saleiro para o ataque; etc. Mas Caçador continua a apostar em jogadores com manifesta falta de nível. Se, com Miguel Veloso e Manuel Fernandes, as deficiências da selecção não foram evidentes, já sem estes perde-se facilmente na Bulgária e ganha-se a uma selecção medíocre de Montenegro por pura sorte. Assim Portugal não vai a lado nenhum...

11) Luis Freitas Lobo. Já ninguém me convence que o tipo que fala na televisão é o mesmo que escreve aqui. Do muito lixo que disse, uma ressalva para uma grande contradição. Portugal não criou uma jogada de perigo em todo o jogo, mas Luis Freitas Lobo estava convencido, no final da primeira parte, que Portugal, apesar de estar a perder por 1-0, estava a jogar bem e conseguiria dar a volta ao marcador. Isto, por si só, é parvo, tendo em conta que a única jogada que se poderia aceitar que tivesse levado perigo tivesse nascido de um remate esporádico, de ângulo difícil, a levar a bola a bater no poste. Ao intervalo, Luis Freitas Lobo terá certamente telefonado ao Luis Freitas Lobo que escreve, porque, ao começar a segunda parte, disse que a construção ofensiva de Portugal não existia. Então Portugal estava a jogar bem e, de repente, a construção ofensiva era nula e o futebol luso só surgia através de acções individuais? Que se passou? Esta falta de rigor, aliada à completa incompetência de certas avaliações de jogadores (Paulo Machado é um jogador tecnicamente muito evoluído? Pelé, ainda que faça um passe por alto quando poderia fazê-lo rasteiro e facilitar a recepção do colega, é um jogador adulto?), só me pode levar a concluir que Luis Freitas Lobo é analfabeto e pede a alguém que escreva por ele.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Pergunta um tanto ou quanto delicada...

Pergunta um tanto ou quanto delicada... cuja resposta nem é assim tão difícil, mas que muita gente falhará. Num 442 losango, qual dos elementos que joga no meio-campo, num sistema teoricamente perfeito, corre mais por jogo?

1) Médio-defensivo
2) Médio interior
3) Médios-ofensivos

Vá lá, respondam sem máquina de calcular...

sábado, 13 de outubro de 2007

Preconceito

Disse António Tadeia, durante o Azerbeijão-Portugal: "Petit é melhor do que Miguel Veloso no equilíbrio defensivo da equipa". Comentários como este revelam várias coisas. Uma delas é que muitos comentadores não se dão ao trabalho de pensar no que dizem. Outra é que não se percebe muito de futebol em Portugal. Miguel Veloso é infinitamente melhor que Petit a nível posicional; não anda feito cão com cio atrás do portador da bola, não descuidando assim o espaço que lhe compete ocupar; respeita os apoios de forma muito mais eficaz, o que, em termos defensivos, implica que esteja muito mais próximo dos colegas que eventualmente percam a bola. Isto tudo é importante para os equilíbrios defensivos de uma equipa. A nível de desarme, Miguel Veloso não é tão agressivo, é verdade. Se, por um lado, isso faz com que não recupere tantas bolas, por outro não comete faltas desnecessárias. O que o comentário do senhor António Tadeia revela, no fim de contas, é que, para muita gente, os trincos que garantem melhores equilíbrios defensivos são aqueles que disputam os lances com ferocidade, que vão ao choque, que se entregam de corpo e alma à tarefa de recuperar a bola. E isto, ainda que custe muito a aceitar, é evidentemente falso.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Inicio...

Neste momento em função das mais variadas circunstâncias fazem-se as mais variadas críticas aos três grandes e muitas delas, como habitualmente, são infundadas.

Ao Benfica tem-se apontado o dedo pela fraca finalização, recaindo sobre Cardozo a maior fatia. O paraguaio é bom de bola, tem um remate temível, tem bons princípios de jogo, é forte fisicamente, mas anda um pouco pesado e preso de movimentos. Muito disto se explica por dois motivos: Primeiro, custou nove milhões de euros; segundo, não teve férias. A erosão causada por estes dois factores, aliada a um período de adaptação, que é sempre necessário, tem-se reflectido no desempenho do “tacuara”
Por outro lado, o esquecimento a que se tem submetido alguns jogadores tem criado na luz uma crise desnecessária e perfeitamente evitável. Vejamos o caso de Nuno Assis. Os sul-americanos contratados ( Maxi, Rodriguez, Di Maria ) revelaram-se boas contratações. Já Binya conseguiu fazer esquecer a saída de Beto. Apesar de não possuir um super-plantel o clube da luz poderia sem dificuldade apresentar um onze muito forte. Porque não Nuno Assis e Rui Costa juntos? E Cardozo e Gomes? E parecendo Quim estar à altura da missão quase impossível de remendar os buracos da dupla de centrais, seria de esperar um arranque de campeonato mais feliz da equipa enarnada.

Os resultados têm demonstrado um Porto irresistível, mas que ainda não me convenceu. Mas tem o mérito de ser uma equipa equilibrada e bem organizada. Não sendo um grande admirador do professor Jesualdo, admito que as suas equipas são organizadas e bem estruturadas, mas isto também é mais fácil de demonstrar tendo um plantel mais caro que o dos dois rivais juntos. Destaco os dois argentinos, Lucho e Lisandro, e Quaresma. Lima parece-me uma boa aposta. Acumulando responsabilidade ao talento, este jogador tem tudo para se um caso sério no futebol europeu, basta dar-lhe tempo e espaço para crescer. Convém lembrar que esta evolução só é possível através do erro. Ou seja, nem sempre este jogador vai conseguir definir, a curto prazo, as melhores opções, tanto a nivel individual como a nivel colectivo, mas é importante respeitar o seu invólucro para assim potenciar todas as suas qualidades ao serviço da equipa. O melhor para ele terá de ser o melhor para a equipa, só assim ele poderá emprestar na totalidade as suas virtudes à equipa.

O Sporting tem encontrado a felicidade que em anos anteriores teimava em se esconder. Não apresentando a qualidade do ano passado, tem conseguido alcançar maior parte dos seus objectivos sem se superiorizar ao adversário, pelo menos não de forma evidente como em anos transactos. Paulo Bento disse que a sorte dá muito trabalho, mas nem sempre quem trabalha melhor tem acesso a ela. Estando o Sporting com esta estrelinha se conseguir alcançar o brilho do ano passado de certeza que conseguirá alcançar os objectivos a que se propôs. Entretanto Polga vai dando lições de classe, a que o “pupilo” Tonel vai assistindo atentamente. Vejam se percebem: ao lado de Polga só Beto não funcionava. De resto todos se adaptaram com resultados satisfatórios, sendo que Tonel até demonstra uma evolução bastante interessante. Bento disse que não havia ninguém melhor para fazer evoluir o A. Marques que o Rui Jorge, eu digo que não há neste momento ninguém que não cresça ao lado de Polga, falo obviamente em jogadores que precisam de confirmar o seu potencial. Já ao lado de Liedson, só Derlei parecia conseguir encaixar. Mas este lesionou-se e agora Alvalade vai a baixo cada vez que o miúdo Djaló toca na bola. Criticar este jogador por jogar mal e não evoluir é tão estúpido como criticar um miúdo que estude numa escola da Cova da Moura e não obtenha bons resultados. Entretanto Pereirinha nunca mais perde a vergonha, e vai adiando o inevitável. O russo entretanto até já é bom a defender, e Vukcevic até sua as estopinhas... Até parece que eram preconceitos...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Pinturicchio"

Nunca será reconhecido como o melhor do mundo, não que não lhe reconhecesse qualidade para isso, apenas sinto que o tempo dele para essas glórias já terá passado, mas nem precisa de tal epíteto.
É daqueles jogadores que teimam em emprestar graça e romantismo a um futebol cada vez mais frio e impessoal. No seu futebol a eficácia é apenas um adorno, é o ladrilho dos quadros que insiste em pintar com a graça que lhe é muito peculiar. Nele, o simples respirar tem classe, debutando charme nem que seja numa simples recepção de bola. Durante muito tempo aparecia de uma forma sisuda, talvez ressentido com a reconhecimento absoluto que o futebol insiste em não lhe conceder, menos ainda no seu lar...
Mas dele recordarei sempre o seu ar de menino, na iminência de mais uma das suas traquinices.

Em 93 deu-se a conhecer ao mundo do futebol. Continuando a tradição dessa velha senhora em acolher apenas os mais charmosos. Se a memória não me atraiçoa o destino numa demonstração inequívoca de sentido de humor e ironia, decidiu que seria um dos mais negros treinadores que o revelaria – convém explicar que me refiro unicamente à competência deste senhor enquanto treinador, nunca enquanto homem -.
“ Acreditar naquilo que fazemos é o mais importante”. E Del Piero sabia que o que fazia não era apenas mais um passe, mais um remate, mais um drible, apenas mais um golo. Não! Ele pintava um quadro, dos mais belos que podemos encontrar no futebol. Muitos dirão que preferiam que fosse menos vaidoso, que se preocupasse menos com a estética do seu futebol, mas como disse uma vez um famoso pintor inglês do século XIX “ take away a painter´s vanity, and he will never touch a pencil again “.
O futebol de Del Piero é vaidoso, mas o motivo para tal, é o mesmo que lhe permite ser um dos melhores do mundo: A paixão pelo futebol. Sem ela o seu talento não teria a mesma expressão, os seus movimentos não seriam tão perfeitos, e o seu estilo tão romântico.

Conquistou quase tudo o que havia para conquistar a nível colectivo, mas isto não interessa nada para o caso. Interessa sim, falar do inatingível. Enquanto muitos jogadores vem certos dribles associados a si, este conquistou uma zona. A famosa “Zona Del Piero” .À entrada da área adversária, descaído para lado esquerdo, este artista ofereceu ao futebol das mais belas homenagens de sempre.
Mencionar “Pinturicchio” não é articular realidade, nem sofrimento, nem resultados. Os muitos golos que marca, são apenas mais um detalhe, como os atilhos nas meias. Falar de Del Piero é sinónimo de sonhos, imaginação, criatividade, de arte! Do prazer que podemos encontrar no futebol. Quando desfila pelos relvados, parece que o faz em câmara lenta num gesto de generosidade. A sua personalidade, de tão nobre e clássica, não lhe permitiu ser irreverente o suficiente para ser Imortal, para ser um Deus, tão pouco um génio. Um génio a sério, não como aqueles que aparecem todos os dias...
Mas permitiu ao futebol se tornar um lugar mais belo...

domingo, 7 de outubro de 2007

União de Leiria 1-2 Benfica: Impressões imediatas

1. O Benfica continua sem jogar nada. Futebol é mentira... Camacho irrita-se até se lhe disserem que está despenteado. Sou da opinião de que devia estar mais preocupado com o pouco futebol da equipa do que com jornalistas. Insiste nos dois médios-defensivos e agora adapta jogadores como se não houvesse amanhã... Nuno Assis continua a não ser opção; Gilles Binya, sim. É com força, com agressividade, com músculo que Camacho quer ganhar jogos?

2. Luisão cometeu um dos penaltys mais estúpidos de que me lembro. A sério, aquele lance demonstra tudo o que ele é: pouco ágil, lento, e com menos neurónios a funcionar que um doente em coma. Valeu-lhe a vista grossa do árbitro. A bola vai para a linha de fundo; a equipa do Leiria está recuada. João Paulo, que não é rápido, ganha a posição e chegaria, certamente, primeiro à bola do que o central brasileiro. Mas, além da recuperação de bola, os leirienses não tirariam outro proveito do lance. Luisão, talvez indignado por lhe terem postos as debilidades a nu, resolveu disputar o lance com ferocidade. Esqueceu-se que, entretanto, passava pela grande área. Resumindo: para ganhar uma bola inútil, arriscou disputar um lance na área e fez penalty. Ninguém tem o número do Dunga? Gostava de saber se, pagando mais do que o Luisão, ele também me convoca para a selecção.

3. Binya é mau. "Quem?" - pergunta o leitor distraído. Bynia, o novo médio-centro camaronês do Benfica. Há quem diga que também é jogador de futebol, mas aguardo confirmação. Corre que se farta, é certo. Também bate nos outros, o que é capaz de intimidar. E aquele cabelo é sempre significado de um talento à solta. Só é pena é pensar menos que o Luisão. Aliás, imagino que no balneário estes dois se engatem várias vezes à porrada e digam coisas como: "Esse neurónio é meu, pá!" Agora a sério, o rapaz tem vontade. Mas com vontade há muita gente. Eu sei que sou um bocado esquisito, mas numa equipa de futebol gosto que haja jogadores de futebol. Tem uma virtude: consegue fazer lançamentos de lateral muito longos. É pena é que o futebol se jogue com os pés e se pense com a cabeça. Se por algum azar, contudo, o futebol passar a ser um jogo em que ganha aquele que atirar mais longe a bola com os braços, hei-de lembrar-me deste tipo.

4. Rui Costa começa a abrandar de ritmo. Depois de ter começado a época em grande, parece mais desgastado e está menos em jogo. A sua posição no terreno terá muito a ver com isto. Mas terá ainda mais a ver, com certeza, com a qualidade dos colegas de sector. Deve custar muito a alguém como ele ter de jogar com alguém como o Binya quando está o Nuno Assis no banco. Imagino até que, durante muitas vezes, Rui Costa tem vontade de fazer um passe a rasgar para o banco de suplentes.

5. Podem dizer: "O Porto também não está a jogar nada." Sim, podem. Sou o primeiro a dizê-lo, até. Mas uma coisa é certa: sem um futebol agradável, sem jogar em apoios, ainda que efectuando transições demasiado rápidas, ainda que com processos pouco elaborados, a equipa está devidamente organizada. E a organização táctica é meio caminho para a equipa produzir bom futebol. E, nisso, o Porto está a quilómetros do Benfica...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É assim o futebol...

1. O Porto, sem jogar patavina, marcou no último minuto dos descontos, depois de um balão de Leandro Lima, de uma assistência sem querer de Lucho Gonzalez e de um remate que só passa por baixo do guardião turco porque Quaresma falha a bola. A jogada que deu a vitória dos Dragões ante o Besiktas ilustra aquilo que tem sido a época da equipa comandada por Jesualdo Ferreira: pouco futebol, muita trapalhada, Quaresma e Lisandro, à vez, a resolver os jogos, e muita, muita sorte. Sem jogar rigorosamente nada (tendo o único mérito de ser uma equipa bem organizada em termos posicionais), o Porto soma 6 vitórias em 6 jogos no campeonato e 1 vitória e 1 empate na Champions. A taça da Liga não conta, pois a equipa era outra. Mas dessas vitórias, além da de ontem, fica a impressão de que tudo tem sido conseguido aos trambolhões. Duas bolas paradas em Braga, um lance mal ajuizado frente ao Sporting, etc...

2. O Benfica é o que é: um clube sem rumo. Má gestão desportiva dá nisto e Camacho lá vai ajudando, remando em círculos. O Benfica não joga nada à bola e Camacho continua a orientar as explicações dos insucessos para as falhas na concretização. Ontem, criou 2 ou 3 oportunidades. Muito pouco para aquela que é, supostamente, a segunda equipa mais forte do grupo. O Shaktar veio a Lisboa jogar à bola; o Benfica fiou-se na virgem e continua a fiar-se em Rui Costa. É muito mau sinal quando uma equipa grande depende de um jogador de 35 anos. Os dois médios-defensivos de Camacho já mostraram que não funcionam. É hora de começar a jogar ao ataque.

3. O Sporting faz a pior exibição da época e ganha. O futebol é isto mesmo. Desorganizado defensivamente, sem conseguir ligar o seu jogo e acabando por apostar num futebol demasiado directo, a equipa não soube aproveitar as fragilidades do Dinamo de Kiev. Defensivamente, os ucranianos eram fracos, mas o Sporting raramente soube controlar o jogo ou aproveitar os espaços entre linhas. A defender, Miguel Veloso esteve distraído, para não dizer pior. Ocupou mal os espaços e abriu buracos inadmissíveis. Até Polga tremeu, errando aqui e ali. Valeu Stojkovic por duas vezes, ainda que tenha estado mal noutras duas. Fica para a história a vitória e os três pontos, mas uma exibição pálida e, acima de tudo, pouco adulta.

É assim o futebol: nem sempre quando se joga bem é que se ganha. Vejamos o que fazem hoje as equipas portuguesas na UEFA. À partida, o Braga tem a tarefa mais fácil. O Leiria terá de marcar dois golos e não sofrer, o que não é fácil. O Belenenses pode até marcar, mas terá dificuldades em suster o ataque do Bayern. Quanto ao Paços, nada feito; será quase impossível virar a eliminatória ante o AZ Alkmaar.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Primeira Vaga

Assisti este Sábado à primeira parte do Roma-Inter e o pensamento de que não me consegui livrar até agora foi: o futebol italiano está vivo! Finalmente, creio que é possível dizer que se respira outra vez em Itália. Terão sido inúmeras as razões, mas a verdade é que o futebol em terras transalpinas está no início de um novo ciclo. Terá sido os muitos anos que a selecção italiana passou sem ganhar nada; terá sido o gradual decréscimo de qualidade do campeonato italiano em comparação com o inglês e com o espanhol; terá sido a escassez de títulos europeus das equipas italianas nos último dez anos; terá sido o desânimo causado pela pobreza do jogo; terá sido um conjunto de reflexões e tomadas de consciência dos quais a conquista do último campeonato do mundo e o escândalo do "Calciocaos" foram a confirmação; terá sido, enfim, a própria evolução normal das coisas, que sempre impõe mudanças.

O que é certo é que o futebol italiano está no início de uma nova vida. Ainda encolhido, começa a desabrochar e os primeiros títulos já apareceram. Carlo Ancelotti terá sido o pioneiro. A aposta que o Milan fez num treinador de uma geração mais nova teve e continua a ter os seus frutos. Livre dos vícios do Catennacio, Ancelotti implementou um 442 losango baseando o seu jogo numa mentalidade mais ofensiva e em transições mais pausadas do que era normal no futebol italiano. Ao contrário do estilo italiano clássico, com dois blocos bem distintos, um composto por 7 ou 8 jogadores, com preocupações meramente defensivas, outro por 2 ou 3 com preocupações meramente ofensivas, Ancelotti construiu uma equipa que joga em bloco, que pressiona altíssimo e que oscila entre um futebol de passe curto e certo, contido, e transições rápidas. A própria filosofia italiana implicava que as equipas não jogassem de outro modo que não num futebol excessivamente directo, tendo o bloco defensivo a missão de recuperar a bola e de lançar o bloco ofensivo o mais rápido e cirurgicamente possível. Perante os tempos modernos, em que as equipas de topo da Europa já defendem e atacam como um todo, um sistema como este, em que uns servem para defender e outros para atacar, só poderia estar caducado. Ancelotti, em Itália, terá sido o primeiro a perceber isso e o esquema táctico que preferiu não deixa de ser revelador. Um 442 losango nunca seria uma táctica para jogar à "italiana". Um esquema como este é sempre um esquema de toque curto. Quem o utiliza, privilegia a segurança no passe, a posse de bola, o ataque pensado e trabalhado, etc. Mesmo quando a equipa precisa de esticar o jogo, não o faz de qualquer maneira. O único jogador que tem ordem para alongar o modo de jogar do Milan é Pirlo. Não se vê nenhum dos defesas a fazer lançamentos para os avançados; não se vêm nenhum dos interiores a procurar passes de ruptura. Isso fica a cargo de Pirlo. É dele a responsabilidade de gerir a velocidade das transições.

Embora no Milan já não se jogue à "italiana" há alguns anos, noutros clubes essa mentalidade manteve-se até há bem pouco tempo. Relembro sem saudades como Capello na Juventus foi eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões pelo Liverpool em 2004/2005. Depois de perder em Anfield por 2-1, precisava apenas de marcar um golo e não sofrer. Demasiado preocupado em não modificar os princípios que afinal lhe tinham valido um currículo invejável, apostou num futebol directo, de teor defensivo, que colhe os principais frutos através do aproveitamento dos erros dos adversários. A precisar de ganhar, Capello insistiu num futebol que só pode ser proveitoso se a equipa adversária quiser atacar, coisa que o Liverpool não queria, pois estava em vantagem. Foi sofrível ver o pobre Ibrahimovic a ser solicitado com passes de 50 metros a toda a hora. E nem nos minutos finais Capello mudou a sua forma de jogar. Isso custou-lhe a eliminatória e foi para mim o retrato perfeito daquilo em que o futebol italiano se tinha tornado: uma míriade de princípios inflexíveis completamente obsoletos. Nem a precisar urgentemente de marcar um golo as equipas italianas abdicavam da sua organização defensiva!

O futebol italiano, aquele que tinha por corolário defender e esperar que a sorte lhe sorrisse, só poderia ter os dias contados. Para minha grande satisfação, esse futebol italiano está em declínio e surge agora um novo futebol italiano. Alheio a esse facto não será, certamente, a juventude dos treinadores das principais equipas italianas. À excepção de Claudio Ranieri, os outros são treinadores jovens, da geração de Ancelotti. Luciano Spalletti e Mancini, como Ancelotti, tendo ainda crescido à sombra do Catennacio, estão numa fase ainda de maturação de ideias enquanto treinadores. E desse processo constará evidentemente a necessidade de fugir ao estilo italiano clássico, por tudo o que foi aqui explicado. É a juventude destes treinadores que lhes permite perceber que o futebol em Itália precisa de novo fôlego e que os princípios cimentados nos últimos trinta anos não chegam para fazer frente às necessidades modernas. Como tal, nem o futebol de Mancini, nem o futebol de Spalletti radicam no esquema dos dois blocos bem definidos e com funções distintas. As suas equipas jogam em bloco, atacam de forma organizada e através de um futebol curto, de triangulações, tabelas, etc. Nenhuma destas equipas aposta num futebol directo, a explorar a inspiração dos avançados. Mesmo em contra-ataque, as transições são faseadas. Raramente se vê um passe vertical de 50 metros. Em situações de aperto defensivo, há sempre a preocupação de sair a jogar, de não perder a posse de bola com pontapés disparatados. Apesar de ter havido apenas um golo de penalty, foram os melhores 45 minutos de futebol italiano que vi nos últimos anos.

Confesso que ainda não vi a selecção de Donadoni a jogar, mas o facto de se tratar de outro treinador da mesma geração deixa-me confiante. O futebol italiano está assim numa primeira fase de reconstrução. É importante, nesta fase, perceber principalmente quais as necessidades do mesmo. Spalletti e Mancini, como Ancelotti primeiro, parecem já tê-las percebido e sintoma disso é a filosofia de jogo das suas equipas. Apesar de tudo, e porque afinal foram educados à "italiana", estes treinadores ainda guardam vícios residuais. As preocupações defensivas ainda são excessivas e enquanto o forem o espectáculo, conquanto melhor, nunca será óptimo. Tanto Spaletti como Mancini não abdicam de uma dupla de médios defensivos, deixando a cargo apenas de um homem o meio-campo ofensivo. No caso de Spalletti, a coisa é ainda mais gritante: ainda que a sua filosofia seja mais condizente com o futebol actual, as suas opções são por jogadores que lhe dêem garantias defensivas. No meio-campo, o organizador de jogo é Perrotta, um médio de características mais defensivas. O avançado é Totti, que por natureza é um médio ofensivo. Spalletti, como Mancini, não abdica de alguma segurança defensiva em excesso, o que, em abono da verdade, é contraditório com a filosofia atacante que perceberam necessária. Mesmo Ancelotti, apesar de utilizar apenas um médio defensivo, opta por dois médios interiores que lhe garantam sobretudo uma correcta ocupação de espaços defensivos e muita dedicação na recuperação da bola, o que acaba por impedir que o Milan, em muitas fases do jogo, e sobretudo se pressionado, tenha qualidade para sair correctamente para o ataque.

Diga-se, pois, como conclusão, que o futebol italiano está no início de uma nova era. Não é alheio a esse facto a jovem geração de treinadores que comanda as equipas de topo em Itália. Mas esta é ainda uma primeira vaga. Espera-se que esta evolução não fique por aqui e que a próxima geração de treinadores tenha ainda mais coragem do que esta. Há todo um caminho ainda a percorrer e só ainda foram dados os primeiros passos. É necessário continuar a acreditar que o que nos foi ensinado ao longo da vida não é certo e que há que experimentar novas propostas. O futebol agradece!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Equipa de Sonho

Pus-me a pensar nos jogadores que, actualmente, formariam a equipa mais forte do mundo e deu nisto:

Guarda-Redes: Gianluigi Buffon
Defesa Direito: Daniel Alves
Defesa Esquerdo: Philipp Lahm
Defesas Centrais: Ricardo Carvalho e Anderson Polga
Médio Defensivo: Andrea Pirlo
Médios Ofensivos: Cesc Fabregas e Kaká
Extremos: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo
Avançado: Zlatan Ibrahimovic

Esta seria a minha equipa de sonho. Qual é a tua?