O carisma que demonstra fará dele, se não for "vítima" de uma transferência precoce, uma referência do universo leonino. O seu talento proporcionar-lhe-á lugar de destaque no futebol português, no mínimo.
Porque não se destaca por ser maior do que outros na sua posição, tão pouco por demonstrar no aspecto físico grande exuberãncia, poderá provar algumas dificuldades na sua afirmação como sénior. Todavia, sendo bastante equilibrado, nesses mesmos factores, a sua qualidade técnica destoa da generalidade dos jogadores que evoluem neste sector.
Uma leitura de jogo superior, aliada a uma maturidade invulgar, permitem-lhe resolver a maioria dos problemas com grande elevação. E, mais importante, principalmente para um jogador que milite numa equipa com objectivos ambiciosos, percebe que o objectivo premente num defesa, não é "cortar", mas sim recuperar a bola.
A "mescla" de todas estas características, resulta num central que tem um longo, e penoso caminho pela frente, mas que no fim, se ignorar as sombras que lhe irão surgir, decerto, lhe poderá escancarar as portas do "Olimpo", junto de nomes como os de Ricardo Carvalho, Mathaus, Maldini, Baresi...
Por agora, espera-se, que depois do Europeu de Sub-19, vá espalhar a sua classe num relvado da Superliga, que deslumbre com o seu tempo de entrada, com a qualidade com que define as suas movimentações, seja num "cabrito", sobre uma qualquer gigante que lhe surja pela frente, seja pela maneira como facilmente descobre o caminho da baliza adversária, ou então, como esconde os caminhos da sua...
É este o "fardo" que Daniel Carriço irá carregar consigo...
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Certezas (4)
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Gonçalo
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Etiquetas: Certezas, Daniel Carriço, Destaques Individuais, Sporting
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Certezas (3)
quinta-feira, 21 de junho de 2007
El campeon...
Uma pequena contrariedade pessoal, permitiu-me pela primeira vez, este ano, ver um jogo do Real até ao fim. Precisamente o do título. Até esse jogo, apenas vi os resumos de alguns jogos, e li algumas coisas sobre os merengues.
Por isso, debruçarei-me apenas sobre o último jogo. O Real jogava em casa, contra uma equipa do meio da tabela, sem ser conhecida por possuir um grande potencial, pelo menos em termos ofensivos. Dependendo apenas de si, seria de esperar um Real mandão, cheio de personalidade, que, depois de uma época muito atribulada, iria entrar determinado a ganhar o jogo.
Nada mais errado. Sem qualquer tipo de mecanismos, ou dinâmica, nos processos ofensivos, limitaram-se a entregar o destino da equipa ao talento que para ali predomina. Era ver Raúl, Van Nistelrooy, Beckham ( e deste falaremos num outro momento, com mais cuidado), Robinho... cada um por si. Esta equipa chegou a este ponto? Ou seja, a jogar desta forma, conseguiu entrar para a última jornada como a mais forte candidata a erguer o título?
Marcou o Maiorca, que, sem ser nada por aí além, até à altura do golo, pelo menos perder não merecia. Pensei que entao os merengues acordassem e partissem então para uma boa exibição. Bolas! Pensei para comigo, esta semana não há euromilhões para ninguém. O cinzento continuou, apesar da entrega dos jogadores, que, em desespero, se desmultiplicavam em sucessivos passes longos, facilitando, e de que maneira, a vida aos adversários.
O intervalo veio, e então, o homem num acto de loucura retira Emerson, fazendo entrar Guti para o seu lugar! Pensei logo, perdeu o Juízo! Então em casa o Real joga só com um médio de características defensivas? Durante 45 minuots!! Se ainda fossem uns 5, vá 15 minutos -isto no caso de o Maiorca fazer o segundo golo, claro! - ainda se aceitava, agora nestas condições...
O que se passou no segundo tempo, porém, é que o Real, tirando os primeiros 5/10 minutos, arrancou para uma exibição razoável, mais condizente com os seus pergaminhos. E conseguiu dar a volta ao marcador, avomulando o resultado num expressivo 3-1.
Nunca se viu uma equipa com um mecanismos por aí além, mas o facto de contar com um jogador como o Guti na linha intermediaria, ajudou a disfarçar essas deficiências. Não sendo daqueles que põe a lingua de fora e faz do futebol, um desporto, do ponto de vista físico, desumano, é um jogador que empresta clarividência e estratégia ao conjunto.
A ironia que sobra do texto, não pretende roubar mérito ao Capello, admito que ele terá algo, que lhe proporciona tantos êxitos, seja a maneira como trabalha os processos defensivos, seja os métodos de treino, não sei. Mas admito que não será apenas sorte. Mas a verdade é que neste domingo que passou, foi de uma felicidade tremenda, pois por centímetros, não viu o Maiorca elevar para 2-0 o jogo, e ai ninguém sabe como teria decorrido o jogo. E também não é esse o meu propósito, eu apenas pretendo demonstrar que os que dizem que dizem que jogar bem, com uma forte cadência ofensiva, de maneira organizada e sustentada, dificilmente se traduz em êxitos. Não fosse essa aposta, esse aumentar do fluxo ofensivo, e de certo que Messi, Ronaldinho, e comp., teriam revalidado o título. Ou seja, afinal manter uma atitude positiva, ofensiva, sendo mais honesto para o futebol, e para os seus verdadeiros adeptos, não significa fracasso, bem pelo contrário...
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Gonçalo
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Etiquetas: Capello, Futebol Espanhol, Raciocínios Tácticos
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Grande!
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Nuno
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Etiquetas: Cortesias, Couceiro, Selecções Jovens, Treinadores
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Equipa do Ano
Agora que acabou o campeonato, quero eleger aqui os melhores da Liga Portuguesa.
Guarda-Redes: Hélton.
Defesa Direito: Bosingwa.
Defesa Esquerdo: Tello.
Defesas Centrais: Polga e Ricardo Rocha.
Médio Defensivo: Miguel Veloso.
Médios Ofensivos: Moutinho e Romagnoli.
Extremos: Quaresma e Simão.
Avançado: Miccoli.
Menções Honrosas/Revelações:
Guarda-Redes: Quim
Defesa Direito: Nélson.
Defesa Esquerdo: Antunes.
Centrais: Rodriguez e Pepe.
Médio Defensivo: Katsouranis.
Médios Ofensivos: Rui Costa e Lucho González.
Extremos: Lisandro e Nani.
Avançado: Linz.
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Nuno
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Etiquetas: Eleições
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Sentir Dez...
No futebol, como tudo na vida, todos são importantes. Por todos tenho: jogadores, staff técnico, dirigentes, adeptos, árbitos, etc. Mas todos concordamos, que uma grande fatia, se não mesmo a maior, do fascínio do futebol, "assenta" nos jogadores. E o mesmo princípio repete-se. Todos, desde o guarda-redes, até ao ponta de lança, são importantes para o desempenho da respectiva equipa. Nada de novo.
Mas o assunto que me "empurra" para estas palavras, é muito menos harmonioso.
Falo da prerrogativa de ser DEZ. Este privilégio nada tem a ver com o dorsal que qualquer jogador pode ostentar - já chegamos ao cúmulo de um guarda-redes o usar -, mas sim com um sentir "diferente" o futebol, aliado a uma perspectiva muito sua. Muito nossa.
Se se pudesse escolher, muitos optariam por ser dez. Os que me dizem que não é assim, decerto que o fazem por frustração. Mas o que é afinal ser Dez?
Ser Dez, não se reduz apenas à posição que se ocupa. Jogadores há que ocupam essa posição durante toda sua carreira, sem nunca o serem.
Uma relação especial com o futebol, e com a bola. Uma maneira diferente. Romântica. Apaixonada. Não é o que faz dentro de campo, mas sim como o faz.
Cuida da bola como se de uma amante se tratasse. Sedu-la, acaricia-a, ama-a. Mesmo quando aparenta tratá-la com violência, não nos esqueçamos que uma palmada fica sempre bem...
É ser orgulhoso, vaidoso, de alguma forma até malicioso. Não procura a forma mais fácil de jogar, mas sim a que mais prazer lhe proporciona. Porque ser dez, acima de tudo é um prazer. O prazer de ser diferente, nem melhor, nem pior, apenas... diferente.
No seu crescimento, na sua maturação, até pode aceitar ser desviado do seu papel de príncipe na equipa, tal como pode parecer submisso ao conceito generalista das boas maneiras. Qual borboleta que nasce de uma larva, este ser de excepção, quando se emancipa demonstra o seu real carácter. Umas vezes dará a impressão de ser arrogante. Outras de ser um perfeito egoísta. Mas o facto é que o genuíno Dez na sua definição, é-o. Não se deve subjugar o seu fado às necessidades da equipa. Antes pelo contrário. As equipas, as que tem o privilégio de contar com um jogador assim, devem, da melhor forma possível, retirar o máximo proveito do mesmo.
"Sentir Dez" não se trata de golos, não se trata de espírito de sacrifício. É uma arte, e como tal, mascara-se de fútil. Quando se acusa esta selecção de jogadores de adornar os lances, fazendo deste facto uma opção consciente, comete-se uma tremenda injustiça. Eles não a têm. O futebol "romântico" está-lhe embutido nos genes. No conceito de bom futebol comete-se o erro de generalizar. Diz-se muitas vezes que a beleza do futebol consiste em jogar simples, que isso sim é que é complicado. Que isso sim, é que torna o futebol bonito, fluido, estimulante. A estes respondo: não me estou a referir a um trinco. A beleza de movimentos de um Dez está no facto de dissimular o complicado de simples; a facilidade com que executa os mais complicados movimentos, quer na concepção, quer na execução.
O futebol moderno não se compadece com este tipo de jogadores. Outra excelente tirada. Claro que não, até porque pressupõe-se que com a evolução tudo se torne mais banal, e menos inteligível. Perdendo a beleza espaço nesse estado. Claro. Peguemos no caso da raça humana. Todos nós sabemos que o Homo heidelbergensis, do periodo do Pleistoceno, era mais bonito, e mais complexo que seu sucessor, o homo sapiens. Este quando evoluiu tornou os seus processos muito mais simples. Exacto.
Não consigo compreender como se pode catalogar este tipo de jogadores, que se distinguem pela sua inteligência, e elegância de movimentos, de alguma forma "obsoletos". A verdade é que cada vez existem menos. Sim, mas Jardim também foi novamente eleito. E onde é que isso prova que ele é uma pessoa idónea? Não prova, da mesma forma que o facto do desaparecimento deste tipo de jogadores, poderá significar que talvez o futebol esteja a tomar o rumo errado, talvez...
É tão genuíno como o riso de uma criança, tão profundo como a lágrima que acompanha a derradeira despedida de alguém que se ama.
O futebol, por muito que o neguem, não é resultados. Muitos nem sabem o que é, e por isso associam as vitórias à sua paixão por este desporto. Que não é apenas mais um.
O futebol na sua essência, na sua plenitude, é demasiado magnânimo para por todos ser convenientemente interpretado e dignificado, na plenitude das suas feições. E "sentir Dez" é isso mesmo. Acima de tudo defender o futebol, enquanto algo que se transcende para além de um mero desporto. Sem qualquer tipo de subserviência para com os resultados, ideolgias técnicas, nada. Apenas lhe interessa a arte subjacente no mesmo. Por isso resistem, e teimam em fazer sonhar, encantar, e despertar paixão...
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Gonçalo
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19:25:00
Etiquetas: Raciocínios Tácticos
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Árbitros (1)
Aos 17 minutos, Klose finta um adversário e simula uma falta. Fora da área. Simulação inequívoca, nada a dizer. Manda a lei que o jogador veja o amarelo nessas situações. Perguntemo-nos: faz sentido? A resposta, para quem tem mais que um neurónio, é evidente. Não, não faz. Klose, assim que caiu, levantou-se apressadamente e, de cabeça baixa, recuperou a posição. Não refilou, não pediu nada por aquele acto. Sabia o que fizera e teve a honestidade de não exigir algo que sabia que não acontecera. Respeito isso. E o árbitro também deveria ter respeitado. Se o jogador não protestou, é porque não tentou iludir ninguém. Muitas vezes, uma simulação não passa de um acto instintivo. Muitas vezes, um jogador apercebe-se da proximidade de um adversário e, imaginando um contacto, reage antecipando a queda. Uma acção involuntária destas é facilmente explicada. Serve para se proteger, para preparar uma colisão, para não se aleijar na queda. E não é necessariamente deliberada. Pode ser um acto inconsciente. O que interessa aqui é que, conscientemente ou não, Klose simulou uma falta, mas não pediu nada por ela. Como tal, não deveria ter visto o amarelo, que foi o segundo. O árbitro seguiu a lei, não a interpretou. Não interpretar leis é coisa de ditadores e de estúpidos. Um árbitro como o de ontem, e como a generalidade dos árbitros, reúne as duas qualidades. Aos 17 minutos, o Werder Bremen ficou reduzido a 10 unidades, numa altura em que já ganhava por 1-0, que massacrava. E massacrou, ainda assim, o resto da primeira parte. O Espanhol não chegou uma única vez à baliza dos alemães. Não fosse aquela expulsão, o Werder Bremen chegaria ao intervalo, com relativa certeza, com a eliminatória empatada. Mas um árbitro, um simples e reles árbitro, que deveria ter a incumbência de proteger o espectáculo, deitou por terra as ambições germânicas e estragou o jogo. Mais tarde, mostraria um cartão amarelo a Hugo Almeida por protestos do português, mas não admoestaria entradas a matar de parte a parte. Gostaria de saber o que é que ganham os árbitros ao punirem protestos. Duvido que aquele árbitro ontem tenha percebido uma palavra do que disse o Hugo Almeida. Contudo, o português vociferou e gesticulou energicamente. Foi punido por ter energia e falar alto. Se calhar também cheirava mal da boca. É idiota. É outra das leis que não faz sentido. Uma das coisas, talvez a única, que admiro nos árbitros ingleses é o facto de deixarem toda a gente protestar como bem lhes apetece. Vemos, muitas vezes, os jogadores a gritarem com os árbitros. E que tem isso de mal? Estão a desrespeitar alguém? Não. Expressar sentimentos, insatisfação, desapreço, faz parte do jogo. Esses momentos de descontrolo fazem parte do jogo. São parte integrante da emoção do mesmo. Punir protestos é ridículo! É exactamente o mesmo que punir um jogador por festejar um golo gritando de alegria. É punir alguém por manifestar um estado de espírito. Não aceito isso. Mas, lá está, a lei diz que se deve punir. Acrescento eu - a lei está errada...
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Nuno
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10:29:00
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Etiquetas: Arbitragem
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Outro "Mito"...
Falo do mito que se criou em redor do trinco, médio defensivo, número seis, etc...
Deve ser um jogador em que destacam as seguintes características: garra, pulmão, agressividade, e disponibilidade para correr quilómetros. Petit, por exemplo, será o paradigma desta definição. Concordo, que numa equipa pequena, quer a nível social, como ideológico, realmente este tipo de definição seja correcto. Numa equipa de dimensão ofensiva esta definição torna-se falaciosa.
Pirlo, Redondo, Sousa, Guardiola... Nos últimos anos, alguém me consegue apresentar um médio defensivo com mais qualidade que eles? Algum melhor? Albertini, também era bom. Mas não tinha o nível destes. Mas nenhum deles se destacavam nos aspectos acima referidos. Qualidade de passe, visão de jogo, inteligência... Mas não eram, nem de perto, nem de longe, "raçudos", tão pouco se destacavam ( e destacam) pelas maratonas realizadas dentro de campo. E pego nestes jogadores porque se enquadram, totalmente, no que pretendo de um médio defensivo. No futebol que preconizo, o médio defensivo, por paradoxal que pareça, é, acima de tudo, a âncora do futebol atacante da sua equipa. A partir da sua localização, devemos partir para as transições ofensivas, de uma forma apoiada. Deve partir dele o primeiro traço, ainda que de uma forma suave, para um quadro que se deseja belo. Não espero que faça maravilhas com a bola, antes que seja rápido no seu endosso, e perspicaz na avaliação das opções de passe, considerando os riscos que a equipa, no momento, deve ou não correr.
Um grande médio defensivo, de uma grande equipa, correr muito é mau sinal. Este facto pode funcionar até como um delator de um erro, quer no modelo do jogo, quer de uma má associação entre os vários sectores. Por exemplo, um desiquilíbrio causado por um lateral, que ao subir desguarnece o sector defensivo, obriga este elemento a compensar essa acção, na maior parte das vezes. O ser este elemento responsável por este equilíbrio, não está em causa. Uns poderão concordar, outros nem por isso. Mas mais importante que este pormenor, é o facto de que esta situação, tornando-se repetitiva, demonstra que alguma coisa vai mal nas transiçoes atacantes da equipa. Seja o lateral que não respeita a cadência certa para se integrar no ataque, ou porque a equipa não está a aproveitar a sua presença da melhor forma... Enfim, podem ser vários motivos... Mas este facto vai levar a que o trinco se desgate. Da mesma forma que o nosso cérebro, ao detectar uma descida do nível de açúcar no sangue, cria uma estratégia que passa por nos conduzir a um estado de fome, levando-nos a comer, se nos concentrármos apenas no médio defensivo de uma equipa, conseguimos nos aperceber, atravéz da sua movimentação, do que vai mal, ou bem, nessa mesma equipa...
É importante perceber que a missão de um trinco, é muito mais que o ocupar de espaços, e interceptar linhas de passe. A sua movimentação é fundamental para o posicionamento, e atitude da equipa. Mais do que um guerreiro, tem de ser um estratega. Ou então não. Perguntem antes ao Jaime Pacheco...
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Gonçalo
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21:10:00
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Diego
Diego faz maravilhas. Faz jogar uma equipa inteira e pode desequilibrar individualmente com a facilidade de quem caminha. Há poucos, muito poucos assim. Aliás, hoje em dia a tendência é deixar de existirem jogadores apaixonantes como ele. Talvez por isso, passou pelo futebol português sem que lhe percebessem a excepcionalidade. Correr como correram com ele não é só estupidez; é ingratidão para com o futebol. Ignorar um talento como o dele é de quem percebe pouco, muito pouco, de futebol. Co Adriaanse esqueceu-o no banco, mesmo numa equipa virada para o ataque. Preferiu a correcção de Lucho Gonzaléz e a estabilidade de outros. Foi campeão e, por isso, ninguém o criticou. Ainda que Diego, sempre que tenha jogado, tenha sido dos melhores em campo. O Porto, com ele, era sempre mais equipa; era sempre imprevisível. Antes, marcou golos ao alcance de poucos, como aquele contra o Chelsea, que permitiu aos Dragões permanecer na Liga dos Campeões. Executou passes de 50 metros com precisão de relojoeiro; deixou babados os adeptos de futebol enquanto arte. Lembro com saudades certas exibições inolvidáveis, como uma contra o Belenenses, na qual, depois de jogar mais que toda a equipa adversária junta, isolou Benny McCarthy com um passe de letra. Bailou enquanto jogou e, ainda assim, não convenceu. Sem glória, perdeu o carinho dos adeptos. Pouco apreciado, decidiu partir. E ninguém, por aquela altura, sentiu falta dele. Ninguém, excepto eu. E excepto quem gosta mesmo de futebol.
Os portistas depressa o esqueceram. Diziam que tinham agora outro brasileiro bem melhor. Falavam de Anderson. Tolos. Não sabem o que dizem. Compará-los é ridículo. Diego é, provavelmente o melhor jogador da sua geração, talvez a par de Robinho. Juntos, em precoces idades, ganharam no Santos o campeonato. Ainda não esqueci, também, como Diego conquistou para o Brasil uma Copa América. A perder com a Argentina por 2-1, a "Canarinha" decidiu começar a bombear bolas para a área, na esperança de que Adriano ou Luis Fabiano resolvessem. Sem sucesso algum. Até que entrou Diego. O miúdo, caloiro naquelas andanças, não pediu ordens para mudar tudo. Pegou na bola e não a pontapeou sem nexo como os outros. Os argentinos estranharam. Sairam-lhe ao encalço. Driblou dois, progrediu e, já perto da entrada da área, fez um cruzamento observando a posição dos colegas e colocou a bola, finalmente jogável, nos pés de Adriano. Este, depois, resolveu. E o Brasil acabaria mesmo por vencer a Copa. Anderson até pode chegar ao nível de Diego, um dia. Mas, para já, ainda não provou nada. É igualmente dos mais talentosos da sua geração. Mas - arrisco eu - não tem a classe e a inteligência do primeiro. É mais explosivo, atleticamente superior, rapidíssimo. Mas não possui ideias suficientemente esclarecidas para se tornar um grande jogador. Talvez dê um bom extremo, ou um avançado móvel. Nunca um médio ofensivo. Ao fim de um ano de ausência e também porque agora é imprescindível no Werder Bremen e anda a espalhar talento pela Europa, os portistas começam a sentir saudades. Agora é fácil de reconhecer que ele faz falta - digo eu. E é tarde para se arrependerem...
O futebol português é extraordinariamente contraditório. Por um lado, é reconhecido em todo o mundo como um futebol com apetência para criar jogadores habilidosos. Por outro, nenhum outro futebol desperdiça tantos talentos. Talvez seja da abundância. Não sei. A verdade é que passam por Portugal jogadores fascinantes em quem ninguém pega. E não consigo perceber porquê. Será da estupidez dos dirigentes, da ignorância dos treinadores? Francamente, não se percebe. Quando se tratam de sul-americanos, costumam dar a desculpa esfarrapada de que não se conseguem adaptar ao futebol europeu. Que patetice! Consigo dizer tantos e tantos nomes de jogadores que não vingaram em Portugal e que foram dar espectáculo lá para fora ou que tinham condições para o fazer... Apetece-me lembrar, além de Diego, de Mostovoi, de Roger, de Romagnoli (embora este final de época possa salvar aquilo que a meio da época parecia inevitável) e ainda de dois jogadores que, pelo que fizeram o ano passado no Guimarães, não entendo como não convenceram nenhum dos três grandes: Benachour e Saganowsky.
Enfim, não deixaram Diego brilhar aqui, foi para norte e brilhou lá. Entretanto, já é dos habitualmente convocados para a selecção. Não houvesse Kaká e talvez fosse mesmo titular do Brasil. Não tardará a sê-lo. É demasiado perfeito para não jogar ao mais alto nível. Hoje, dia em que se joga a segunda mão das meias-finais da UEFA, Diego tem a missão quase impossível de fazer com que o Bremen vire uma eliminatória cuja primeira mão deixou os alemães quase eliminados, após uma humilhante derrota por 3-0 ante o Espanyol. Se há equipa capaz de o fazer, é uma que tenha jogadores extraordinários. E Diego é extraordinário. Portanto, talvez seja possível... E ainda que não esteja onde merece este ano, na final, Diego estará onde merece daqui a alguns anos. Estou profundamente convencido disso. E nem a estultícia de quem anda no futebol poderá impedir que ele assim o consiga.
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Nuno
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10:25:00
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terça-feira, 1 de maio de 2007
Certezas (2)
Escrito por
Nuno
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10:30:00
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Tácticas (1) - O Bife
Quem é a grande mente por trás deste sistema? Aquele que ficou conhecido, enquanto jogador, pelo pontapé-canhão e que, enquanto treinador, ambicionará, por certo, o epíteto de cérebro-canhão: a cada sinapse, uma bomba de ideias... e cheiro a queimado... Falo obviamente de Ronald Koeman. O timoneiro holandês, que noutra vida terá afundado cada navio que comandava, chegou a época passada à Luz e fez um trabalho - chamemos-lhe assim - esquisito. Deixou a equipa em terceiro, nada que outros treinadores não tivessem feito, e levou-a até aos quartos de final da Champions, feito pelo qual se pensava na sua renovação. Antes que mudassem de ideias, preferiu abandonar o navio e voltar a casa, não fosse a segunda época correr ainda pior. Disseram - e ainda dizem - que é de aplaudir o que obteve. Não consigo entender porquê. Devo lembrar que um homem não é aquilo que alcança, mas a forma como o faz. É muito mais fácil ser culto de terno e gravata, ou ser justo e bom se tiver o que comer. Não me apetece enumerar todos os treinadores que ganharam coisas em clubes que tinham possibilidades de o fazer, mas que nem por isso têm qualquer mérito. Quer dizer, até me apetece. António Oliveira, Artur Jorge, Alex Ferguson, Del Bosque, etc. Fiquemos por aqui. Bom, não falemos do campeonato. Na Liga dos Campeões, Koeman chegou aos quartos de final. Como? Retrocedamos um pouco. A duas jornadas do fim da primeira fase, estava em último no grupo, com 4 pontos. O Lille e o Manchester tinham 5 pontos, o Villareal 6. Acontece então que o holandês se lembra de ir a França jogar - pasmem-se - à defesa. O último classificado, a duas jornadas do fim, com uma equipa francamente acessível, vai ao reduto destes à procura do 0-0. E conseguiu-o. Como é que ele fez isto? Com 2 centrais, 4 laterais e 3 trincos. Inaudito! Com que intenção fez Koeman isto? Simples. Deixar a decisão do grupo para a última jornada, altura em que o Benfica recebia o Manchester. O que o cérebro de Koeman não conseguiu atingir foi que, nessa mesma noite, caso o Manchester vencesse em casa o Villareal, algo francamente provável, a passagem na eliminatória já não dependia somente da sua equipa. Ou melhor, poderia depender, mas teria de ganhar o jogo por mais de 1 golo de diferença. Acontece, porém, que Manchester e Villareal empatam. Sai a sorte grande ao holandês. Agora bastaria vencer o Manchester pela margem mínima, coisa que qualquer clube no mundo deve ambicionar, sobretudo um que joga com 3 médios defensivos. E o que aconteceu? Ganhou mesmo. Como? Com 20 minutos bons e 70 de pontapé para a bancada, contra uns ingleses desinspiradíssimos. Nos oitavos, o poderoso Liverpool. Não poderia ter calhado melhor. Uma equipa inglesa, muito equilibrada defensivamente, mas sem ponta de criatividade, que pratica um futebol directo, ideal para os defesas do Benfica, altos e bons no jogo aéreo. Num lance de bola parada, um golo, e 1-0 na primeira eliminatória, num jogo paupérrimo de lado a lado. Com esta configuração, o Liverpool tinha de ir à procura de um golo, coisa em que não é, de todo, uma equipa capaz. Fê-lo. Enviou 2 bolas ao poste. Depois o Benfica fez um golo... e acabou a eliminatória. Ainda haveria de marcar mais um, deixando para a história um total de 3-0 ao Liverpool, coisa que os estultos gostam de lembrar, imaginando tratar-se de um feito louvável. Chegou aos quartos de final e, por esta altura, nem toda a sorte do mundo lhe poderia valer. Ainda conseguiu adiar as decisões para o segundo jogo, mas Ronaldinho e companhia não deixaram os créditos por mãos alheias. No final, campanha interessante, ao colocar o Benfica honrosamente entre os últimos oito.
Já esta época, Koeman herdou o melhor plantel holandês, a equipa mais equilibrada, fruto de um trabalho bem conseguido por Hiddink. Levou novamente a sua equipa aos quartos de final da Champions. Vejamos como o fez. Na fase de grupos, Liverpool, Galatasary e Bordéus. Resultado: segundo lugar. Nada de extraordinário. Nos oitavos, enfrenta o Arsenal, finalista vencido da edição anterior. Consegue um bom resultado em casa, vencendo por 1-0. Na segunda eliminatória, voltava a precisar apenas de um golo. O Arsenal massacrou, massacrou, massacrou. Enviou bolas ao poste, bolas ao poste, bolas ao poste... Até que conseguiu marcar um golo. Mas, já no final, de novo num lance de bola parada, a sorte sorriu uma vez mais a Koeman, e o PSV passou aos quartos. O que aconteceu aqui? Foi cilindrado pelo Liverpool. E no campeonato? Bom, no campeonato chegou a ter onze pontos de avanço. E como qualquer treinador de sucesso, desperdiça onze pontos para dar emoção à coisa e parte para a última jornada em terceiro, a depender dos outros, como gosta. Van Gaal consegue perder a liderança do campeonato e a mais que provável vitória do mesmo, perdendo o desafio. Já o Ajax, ganhou. Mas o PSV de Koeman também ganhou e os dois ficaram empatados pontualmente. Como decidir então quem era campeão? Recorrendo à prática comum e - arrogo dizê-lo - a mais justa, desempatando através do registo do confronto entre as duas equipas em questão? Não, nada disso. Se assim fosse, o Ajax, que tinha esmagado não há muito tempo o PSV com esclarecedores 5-1, seria campeão. Na Holanda, o primeiro factor de desempate é a diferença entre golos marcados e sofridos e, feitas as contas, o PSV tinha mais um golo que o Ajax. Koeman sagrou-se campeão por um golo. Feito notável, para quem tinha a melhor equipa, o clube mais estável, e onze pontos de avanço...
Em dois anos, Koeman conseguiu ganhar o respeito de quem acompanha o futebol. De quem acompanha mal, acrescento eu. Feitos e títulos não são certificados de habilitações. Koeman atingiu o que atingiu sempre a par da sorte, esse elemento tão previsível. Confesso que não vi o PSV jogar senão contra o Liverpool. Mas vi o que fez no Benfica e tudo indica que não mudou muito. Tacticamente, é um horror. Preferir 3 médios defensivos numa equipa grande é, na minha opinião, uma demonstração inequívoca de falta de categoria. Há quem me diga que são gostos. Talvez sejam, mas os gostos também se discutem, ao contrário do que se pensa. Poderia chamar muita coisa ao sistema táctico empregado por Koeman: leite, vaca, etc... Prefiro chamar-lhe bife... São gostos. Koeman também quis dispensar Nuno Assis, esqueceu-se de Karagounis e recusou a contratação de Van der Vaart. Preferiu o Beto para número 10. São gostos...
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Nuno
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09:26:00
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domingo, 29 de abril de 2007
Derby...
Bom inicio do Sporting. Com Romagnoli a beneficiar de uma liberdade muito perigosa, que lhe permite criar dificuldades ao último reduto benfiquista. O Benfica através da movimentação de Rui Costa, com este a procurar as faixas laterais, numa primeira fase, despovoava a zona central adversária, aproveitando Petit para subir, na tentativa de provocar desiquilíbrios. Nem sempre bem jogado, louve-se a tentativa de Rui Costa emprestar algum traço ao jogo da luz. Da parte dos lagartos, algum desnorte entre os 55 e 70 minutos de jogo. Uma segunda parte não menos pobre, sobretudo o meio campo leonino, permitiu que a equipa da luz pressionasse, criando algumas ( poucas) situações de golo. Ou então foi o Benfica que "forçou" a equipa leonina a descer, nestas coisas não me é fácil descobrir onde começa uma premissa e termina outra.
Coragem, e ambição. Paulo Bento. No presente, como no passado, procura a sorte, não espera por ela. Cedo ou tarde, por certo, a sorte irá legitimar o ditado.
Fernando Santos, começo a pensar que todos mandam... Menos ele... Agora foi Derlei. Quem será o próximo?
Golos. Nelson é batido, mas ninguém está à espera que ele chegue onde Luisão e Anderson não chegaram, pois não? No golo de Micooli, Nani esqueceu-se de marcar alguém na primeira bola, tendo depois Micooli feito a diferença. Nada demais. Ou, por outras palvras, nada que não estivessemos à espera.
Da parte do Benfica, Rui Costa, Micooli, Léo...? Muito bem. Por outro lado... Fernando santos, David luiz - este então veio por algum juízo em alguns lunáticos. - e Nuno Gomes.
No Sporting, Romagnoli, Polga - este claramente sem nível para ser seleccionado -, Tello, e Paulo Bento. No menos, Djaló, e Pereirinha. Mas atenção, segurem essa língua. Este miúdo vai ser uma referência... Dêem-lhe tempo.
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Gonçalo
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20:56:00
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quarta-feira, 25 de abril de 2007
Certezas...
Numa das mais inóspitas zonas do nosso futebol cresce um dos maiores talentos, da selecção de sub-20, que este ano vai participar no mundial da categoria com sede no Canadá.
Falo de Diogo Tavares, ex-avançado do Sporting, que agora milita no Génova, da segunda divisão italiana.
Forte do ponto de visto atlético, sendo de igual modo rápido, contudo, estes factores perdem dimensão perante outras qualidades que possui.
Com faro pelo golo, associado a uma boa leitura dos lances, que lhe permite uma boa colocação na área, acumula golos com uma facilidade invulgar.
Para além destes factores, sempre importantes no reconhecimento de um avançado, adiciona atributos técnicos, que lhe facilitam a tarefa, tanto na hora de visar a baliza, como a assistir os seus colegas.
O talento e inteligência que demonstra dentro de campo, por si só, seriam sempre um factor de destaque, mas se tivermos em conta a escassez de ( boas) soluções para esta posição, faz deste miúdo um verdadeiro diamante. Espera-se que a sua evolução acompanhe o seu talento, e que o possamos comprovar já em Julho.
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Gonçalo
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sábado, 21 de abril de 2007
O mundo ao contrário...
O Chelsea defende bem? Sim, muito bem até. Então, por que razão não é, como defendo, uma equipa defensiva? Porque o seu jogo não assenta apenas na ideia de uma defesa sólida. Aliás, a solidez dessa defesa é até consequência da forma de jogar da equipa e não a sua filosofia. O Chelsea só defende bem porque também ataca bem. Os mentecaptos estão, neste momento, com as mãos nos cabelos, bufando. "Que tem uma coisa a ver com a outra?", perguntam. "Tudo!", respondo eu. A filosofia dos "blues" é simples. Jogam um futebol apoiado, que à partida é logo condição suficiente para uma equipa que não se limita a defender, baseado na posse de bola e no funcionamento do conjunto em bloco, com os elementos muito perto uns dos outros. Não raro os críticos afirmam que o Chelsea, ao bom estilo inglês, joga um futebol directo. Errado! Mais uma vez, errado! O Chelsea? O mesmo Chelsea? Que atrocidade! É verdade que em determinadas alturas do jogo a equipa tenta explorar a capacidade de Drogba com passes verticais, mas tem de se compreender o porquê. Normalmente, fazem-no perto do final do jogo, se o resultado não lhes interessa, ou quando o adversário tem as suas linhas subidas e são necessários ataques rápidos. Ninguém explora melhor o ataque rápido que as equipas de José Mourinho. Mas é só nestas situações que o Chelsea insiste neste tipo de jogo. De resto, é uma equipa que progride de forma apoiada, preservando a posse de bola e não arriscando passes longos. É verdade que não se limita a trocar a bola e a progredir sempre de forma apoiada, variando a construção de ataques e utilizando, de vez em quando, um futebol mais rectilíneo. Mas fá-lo sobretudo para quebrar a rotina, para surpreender, para desencaixar as marcações do adversário. E também porque, em Inglaterra, o espaço entre linhas é muito grande, e uma eventual segunda bola é mais fácil de ganhar. Mourinho sabe isso e tenta explorá-lo. Só os ignorantes acham que Mourinho prefere um estilo directo a um futebol apoiado, que minimize o risco de perder a bola.
É filosofia do técnico português o futebol de ataque - sabemo-lo. E ninguém é mais fiel à sua filosofia que ele. Então por que razão haveria de pôr o Chelsea a jogar à defesa? Defende José Mourinho que a melhor maneira de defender é longe da sua baliza e evitar que o adversário tenha bola para poder atacar. São ideias dele; não minhas para acomodar o meu argumento. E como evita ele que o adversário tenha bola? Exactamente, tendo-a. E como evita defender perto da sua baliza? Pressionando alto. Com estes dados, como é que uma equipa que preconiza a posse de bola e uma pressão altíssima pode ser uma equipa defensiva? Não é, evidentemente! O Chelsea defende, em primeiro lugar, atacando. Depois, pressionando o mais possível de modo a retirar tempo de posse de bola ao adversário. Resta aos adversários do Chelsea a utilização de um futebol directo e a exploração dos avançados. E é aí que entra em acção não só a categoria da defesa do Chelsea como o extraordinário sentido posicional de toda a equipa.
Devo, para já, fazer um breve parêntesis. Ouvi um comentador dizer, no último jogo do Chelsea para a Liga dos Campeões, que a equipa, nesta prova, tinha invariavelmente menos tempo de posse de bola que o adversário. Em primeiro lugar, devo dizer que não consultei estatísticas, até porque elas são adulteradas pela definição que lhes dão. Em segundo lugar, há que ver que o Chelsea não tem que fazer 90 minutos de posse de bola para dominar o jogo. Se o resultado lhe for favorável, podem bem permitir uma posse de bola inofensiva ao adversário sem que percam o controlo da partida. Em terceiro lugar, há que ver quem foram os adversários dos londrinos até aqui. Apanharam o Barcelona que, juntamente com o Arsenal, são as duas equipas que melhor trocam a bola na Europa. Depois, apanharam o Werder Bremen, que também não são parvos de todo. E apanharam o Porto, que no primeiro jogo esteve quase sempre à procura de marcar para consolidar uma boa vantagem para a segunda mão. Vamos primeiro à questão das estatísticas. Não conheço os critérios da contagem da posse de bola, mas posso imaginá-los. Acredito que, enquanto o adversário não recuperar a bola, o tempo conte a favor de quem a tinha anteriormente. Uma equipa que pontapeia a bola para a frente ganha, portanto, 3 ou 4 segundos de posse de bola numa zona onde ninguém a pode recuperar: no ar. Uma equipa que privilegie um futebol curto tem que, nesses mesmos 3 ou 4 segundos, trocar a bola entre 2 ou 3 jogadores, o que é consideravelmente mais difícil. Logo, à partida, tempo de posse de bola não significa, de facto, posse de bola. Como tal, esta estatística de pouco serve. Em segundo lugar, uma equipa inteligente pode controlar o jogo permitindo que o adversário troque a bola em zonas recuadas. Ao fazer isto, como é óbvio, perde tempo de posse de bola. O Chelsea não pressiona os 90 minutos. Fá-lo quando tem de o fazer. E quando não o faz, permite que a bola esteja na posse do adversário. Mas isto não implica que perca o controlo do jogo, pois também não permite que o adversário troque a bola em zonas demasiado ofensivas. Como tal, é de notar que, numa competição na qual grande parte dos adversários foram equipas com bons argumentos técnicos e que privilegiam um futebol apoiado, o Chelsea tenha menos tempo de posse de bola do que no campeonato inglês. Isso não implica, contudo, que não dominem o jogo. E isso vê-se não nos resultados, mas na forma contundente e sem mácula com que os conseguiram.
Os defensores de um Chelsea defensivo utilizam normalmente o argumento das inúmeras vitórias tangenciais da equipa. É verdade que o Chelsea raramente ganha por mais do que dois golos. Também é verdade que a equipa sofre poucos golos. É isso sinónimo de uma equipa defensiva? Não. O Chelsea é uma equipa equilibrada. Ataca quando tem de atacar; defende quando tem de defender. E é, sobretudo, uma equipa inteligente. Sabe que uma vitória por 1-0 é igual a uma vitória por 5-0. Sabe que atacar cria espaços atrás e que, tendo um resultado positivo, não precisa de correr riscos desnecessários. Aqui, dizem-me, "mas exactamente por isso é que eles recuam e se pôem à defesa!" Não é verdade. O Chelsea não recua. Deixa, isso sim, de pressionar tão em cima, o que implica menor desgaste nos atletas, preservando forças para recuperar bolas mais importantes. E não concede a iniciativa ao adversário. Ao abdicar da pressão, pode permitir ao adversário uma circulação de bola em zonas recuadas, mas fechando linhas inviabiliza que o adversário se desmultiplique em acções ofensivas. Depois, com a posse de bola no seu poder, troca-a vagarosamente ou tenta surpreender o adversário com ataques rápidos. Trocando a bola, faz com que o adversário não a tenha. Utilizando ataques rápidos, tenta surpreender sem arriscar muito. Levantam-se novamente vozes, dizendo: "Então, mas se a filosofia é não arriscar, é exactamente o mesmo que defender!" Não. O Chelsea não utiliza nada que se pareça com o "Catennacio". Pelo contrário. Se o fizesse, arriscaria mais. Admito que o erro desta gente seja pensar que defender é não arriscar. Não é. Uma equipa que defenda lá atrás, concedendo o domínio do jogo em todo o campo, pode evitar espaços nas suas zonas recuadas, mas arrisca-se constantemente a sofrer um golo num lance fortuito, ocasionado pela confusão em que a sua área defensiva se tornou. Ao mesmo tempo, como abdica do ataque, não tem possibilidades de dilatar a vantagem. Ora, o Chelsea não faz nada disto. Nunca se posiciona lá atrás, nunca recua em demasia. O que faz é fechar o centro, tapar linhas de passe. Mas isto em zonas avançadas, no meio-campo e não na defesa. Pouco ou nada arrisca concedendo posse de bola ao adversário, pois na verdade não a concede no seu meio-campo.
Ao contrário do Chelsea, para estas pessoas o Manchester United é o protótipo de uma equipa ofensiva. Errado! O Manchester ataca mais. Ataca mais espectacularmente. Mais rápido, mais dinâmico... Marca mais golos. Nada disto significa que seja mais ofensiva que o Chelsea. Ou não significa, pelo menos, que ataque tão bem. O futebol do Manchester parece mais ofensivo porque tem unidades que dão essa ilusão e porque o seu sistema, abdicando da povoação do centro do terreno, coloca mais homens em zonas avançadas. O Chelsea, quer em 442 losango, quer em 433, nunca coloca mais do que 3 homens na frente. Há sempre 3 homens posicionados no centro, normalmente Makelelé, Essien e Lampard. No Manchester, só Carrick faz os apoios por trás, só ele não estica o jogo. Ronaldo, Giggs, Scholes, Rooney e Saha (ou outro avançado), têm liberdade para avançar. Isto, como é óbvio, provoca várias coisas. Primeiro, é um sistema que confia unicamente na inspiração destes jogadores avançados. Como estes têm toda a liberdade do mundo, não jogam em apoios e, desinspirados, não possuem forma de contrariar um resultado. Estando inspirados, é certo, há a tendência para conseguirem resultados mais volumosos que os do Chelsea. Não estando, pouca coisa podem fazer. Depois, é um sistema que desguarnece irremediavelmente a defesa. Pelas características dos seus jogadores, o ritmo de jogo é sempre alto e há sempre espaços na rectaguarda. Uma equipa que povoe condignamente o centro do terreno consegue sempre contrariar o futebol pretensamente ofensivo do Manchester e tem boas hipóteses de, aproveitando os espaços criados pela movimentação excessivamente livre dos seus homens da frente, criar problemas à defensiva dos Red Devils. É verdade que o Manchester ataca mais, dá mais espectáculo, mas não joga melhor que o Chelsea. Se quisermos, utiliza um futebol demasiado irresponsável. Em Inglaterra, onde as equipas jogam em sistemas invariavelmente obsoletos, isto tende a resultar: a irresponsabilidade não é aproveitada. Na Europa, faltando a inspiração das suas armas da frente, o Manchester tem dificulades. Vejam-se os jogos com o Lille, ou com o Benfica, em que a equipa ganhou sempre de forma muito sofrida.
Ao contrário do Manchester, o Liverpool é uma equipa excessivamente responsável. De tão preocupada com a povoação do centro, descura os processos ofensivos. Há, apesar de uma correcção táctica excepcional, uma falta de imaginação incrível no ataque. A equipa vive de um futebol musculado, sem inteligência para criar espaços ofensivos. Resulta daqui que, internamente, poucas probabilidades têm de ganhar alguma coisa. Entre estes dois extremos, situa-se o Chelsea, que é uma equipa responsável, mas virada para o ataque. Sabe atacar, não tão ferozmente como o Manchester, mas educadamente, racionalmente, e sabe defender, não tão obsessivamente como o Liverpool, mas correctamente. E o grande segredo do Chelsea é a forma global como joga. Poder-se-ia afirmar que o Chelsea ataca a defender e defende a atacar. Que quero eu dizer com isto? Bom, o Chelsea privilegia, acima de tudo, um futebol de apoios. Conduz os ataques de forma apoiada, sempre com 2 ou 3 jogadores a fornecerem apoios laterais e atrasados ao portador da bola, a cada momento. Com isto, consegue-se duas coisas: atacar, pois há sempre linhas de passe; e defender, pois em caso de perda de bola, os sectores estão juntos e a recuperação pode ser imediata. Digamos que, jogando assim, uma equipa parte para o ataque com a defesa montada. Não é um ataque desenfreado como o do Manchester, mas um ataque racional, consciente dos riscos de se atacar. Ao defender, o Chelsea cobre zonas. Com um preenchimento táctico correcto do terreno, consegue, a cada momento, cortar o maior número de linhas de passe e tem, ao mesmo tempo, preparado o ataque, no caso de uma recuperação de bola.
Resumindo, o Chelsea não tem nada de defensivo. É uma equipa que sabe gerir o jogo e que não se importa de conceder a bola ao adversário, caso isso não implique correr riscos como um recuo no terreno. Ofensivamente, não é deslumbrante, mas muito personalizada. Não arrisca em demasia e constrói o seu futebol de forma pensada. Não joga muito bonito, talvez porque lhes faltem alguns índices de criatividade. Nisso, tenho de concordar que o Chelsea é uma equipa demasiado mecanizada. Tirando a capacidade individual de um ou outro jogador, a equipa está demasiado presa aos automatismos que aprendeu. Ainda assim, é de louvar a forma correcta como atacam. Não o fazendo de forma bonita, fazem-no contudo bastante bem, conseguindo abrir espaços através da excepcional movimentação sem bola, do dinamismo e da velocidade de execução. O Chelsea é, pois, uma equipa ofensiva. É adulta e, por isso, pouco espectacular. Mas não é por isso que deixa de ser uma equipa que pratica bom futebol.
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Nuno
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11:45:00
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
Erros...
O objectivo é contrariar uma das mais parvas, senão a mais parva de todas, teorias recorrentes nos dias de hoje. E que se resume a isto : "Não interessa jogar bem, desde que a gente ganhe!". Por esta altura, decerto, muitos estarão a menear a cabeça como reprovação, "lá está este lírico outra vez!". Não é o caso, tão pouco me vou delongar sobre a perspectiva, supostamente a principal, meramente disfrutadora do futebol como um entretenimento, ou uma arte.
Vou jogar no "campo do inimigo" e demonstrar, por a+b, que o jogar bem e o objectivo vencer caminham de mãos dadas. Não como um luxo, mas como uma base imprescindível - quase sempre, e não sempre, pois absoluto é uma palavra inexistente no dicionário do futebol - para alcançar a vitória.
Comecemos pela parte menos óbvia, a das equipas com os chamados objectivos "menores". Independentemente da sua estratégia, - passe por assumir um modelo de jogo que se baseie na posse de bola, ou num sistema de contra-ataque, - é importante a consolidação de uma identidade, de uma filosofia. Algo que se vá imiscuindo no íntimo dos jogadores, dirigentes e adeptos. No fundo, uma bandeira.
E como é óbvio, o sistema(4-4-2,4-3-3,4-5-1,4-2-3-1, etc.) e modelo de jogo são dois conceitos que se condicionam de uma forma recíproca. Por exemplo, não faz sentido estruturar uma equipa em 4-4-2 "losango", se preconizamos um modelo de jogo baseado no contra-ataque. O preenchimento central torna-se desnecessário em termos defensivos, - pois não nos interessa recuperar a bola numa zona muito alta do terreno, bem pelo contrário, pretendemos que o adversário se "concentre", na medida do possível, o mais perto da nossa área de modo a criar espaços no seu meio-campo. - bem como os apoios que esse sistema proporciona. Ora, a primeira permissa pode conquistar muitos antagonistas. Mas a finalidade do contra-ataque é aproveitar o espaço nas "costas" da defesa, ou seja, é do maior interesse que o oponente apresente um bloco alto, e que não jogue de uma forma directa, envolvendo assim um maior numero de elementos nas transições. Ou seja, um congestionamento da zona intermediária tornar-se-à contraproducente por razões óbvias. E em termos ofensivos, é totalmente desnecessário, visto ser uma estratégia que desvaloriza a existência de apoios, pelos motivos já referidos.
Uma equipa que assuma este modelo de jogo poderá encontrar dificuldades, caso se encontre em desvantagem. A falta de mecanismos, essenciais para contraiar as vicissitudes de um adversário, que, depois de alcançar o seu objectivo, não corre riscos, torna o trabalho de uma época irrelevante. Não estando preparados para se movimentar entre linhas, tão pouco para uma circulação que possa obrigar o adversário a cometer erros, acabam por sucumbir perante o seu própio veneno. E nem nos confrontos com os chamados "grandes", esta estratégia me parece a melhor. Pois oferece-se ao adversário um elemento essencial para ele: a posse de bola. E os pouco treinadores que se aperceberam disso, conseguiram roubar pontos aos grandes sem ter de sujeitar de sobremaneira ao factor sorte, como vemos em tantos casos. E este factor não implica que sejam as equipas pequenas a impor-se às grandes, nada disso. Apenas uma maior sapiência, e paciência, na gestão da bola, não envergando pelo caminho fácil do chutão. É até, e acima de tudo, uma questão de lógica. Quanto menos posse de bola o adversário tiver, serão menos as hipóteses de construir ataques, pelo menos de forma organizada, e esta situação provocará não só uma maior ansiedade na equipa adversária, como um desconforto invulgar numa equipa que se apresente para assumir o jogo.
Não são poucos os casos de equipas que após uma série de bons resultados contra as chamadas equipas grandes, neste sistema, acabam acumular maus resultados contra os seus mais directos opositores. Esbarram na sua própia teia. O que acaba por ser duplamente penalizador. No final da época, esse confronto directo pode-se-lhes tornar fatal.
Para além dos factores tácticos, existem ainda factores de índole individual. Numa equipa que se desenvolva nestes moldes, proporcionará, sempre, um desenvolvimento medíocre aos seus jogadores; não os estimulando a pensar, antes a sofrer, e previlegiando o espiríto de sacrifício, ao desenvolvimento técnico-táctico. Senão, vejamos: Uma equipa que se desdobre em contra-ataque, geralmente oferece poucas opções aos seus jogadores - seja o portador da bola, ou receptor -. Limitando-os a essas opções pré-definidas, ou seja, existindo poucas variantes, a capacidade de decisão do jogador não é estimulada, assim como o lado criativo, sendo este subjugado pelos factores( já referidos) mais primítivos. Devem exitir padrões de referência, até para dar profundidade à identidade da equipa, mas estes devem funcionar como um "palco", ou seja, dentro das especifidades idiossincráticas inerentes a qualquer sistema, deve existir espaço à criação individual, até para garantir uma certa dose de imprevisibilidade.
São muitos os casos de jogadores que, apesar de evoluídos tecnicamente, encontram dificuldades para integrar-se numa equipa que seja obrigada a raciocionar, e a criar formas de ultrapassar equipas ultra-defensivas. Isto tudo devido a uma educação negligente. Uma má "nutrição", durante a sua formação como jogador.
Defendo por isso, que uma equipa deve basear o seu sistema numa identidade bem definida, assente numa boa circulação de bola, que, por sua vez, só é conseguido atravéz de uma excelente cultura táctica que lhe permita um bom jogo posicional. Este factor, e as características que se-lhe associam, permite não só uma maior variedade de opções, a nivel do passe, como um rápido reequilíbrio defensivo.
No que concerne a modelos de jogo, e os seus sistemas, assumo a minha predilecção pelo losango. Mas, independentemente do sistema, defendo que uma equipa que cultive uma atitude positiva perante o jogo, isto é, assumindo as despesas do mesmo, tem muito mais hipóteses, não só de conseguir resultados, como de evoluir enquanto equipa.
E não é só pelo factor espectáculo.
O futebol não é matemática, e, apesar de defender que não lhe concedem o devido substracto racional, não se deve subtrair o factor emocional ao jogo, mas irei abordar este assunto noutro post.
Agora, debrucemo-nos sobre as vantagens deste modelo, contemplando até a frieza dos números e probabilidades:
1º - Uma equipa que tenha uma maior posse de bola, assente nos pressuposto já referidos, evitará, quase sempre, um maior desgaste em termos defensivos, não se submetendo de forma constante aos ataques da equipa adversária.
2º - Uma maior posse de bola deve-nos permitir definir o ritmo do jogo, mas não só. Aumenta a probabilidade de delinear mais ataques, e por consequência, exponencial acrescentamento da criação de oportunidades de golo. ( ainda que uma boa circulação, activa, pressuponha um grande desgaste físico e mental, quer me parecer que a vantagem anímica, inerente a este estilo de jogo, supera esse pormenor.)
3º - As consequências que os dois primeiros pontos implicam na equipa adversária. Um maior desgaste, tanto na vertente física, como mental, que muito provavelmente retirará organização e tranqualidade ao seu jogo. O consequente enervamento é o caminho mais curto para erros - individuais e colectivos -. Mas não só, - e este é um ponto demasiado evidente para ser ignorado - uma equipa com uma posse de bola inferior, estará sempre sujeita a um maior número de situações penalizadoras para a sua equipa( faltas, cartões, etc.), para além de possuir menos hipóeses de criar ataques, e consequentes oportunidades de golo.
Como já referi, não acredito no absoluto, mas considerando estes argumentos parece-me que jogar bem, é tão importante como ganhar, reforçando a primeira premissa como o meio mais forte para atingir a segunda, e não como um luxo. E mesmo que fosse, para coisas feias já basta a Odete Santos.
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Gonçalo
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sexta-feira, 6 de abril de 2007
Seis que mereciam ser dez - Parte dois
Nele, o futebol encontrou um círculo perfeito.
Herói de capa e espada, não regateava esforços -sempre elegantes - para recuperar a sua amada das garras de qualquer vilão ou herói...
Concentração ampliada das virtudes essencias à prática do desporto-rei, acumulava Classe em cada gesto que desenhava... Os dribles, os desarmes, os remates... a inteligência e respeito por um desporto tantas vezes vilipendiado por outros que se lhe dizem semelhentes...
Rei, será sempre recordado como o Soberano de um reino muitas vezes rebaixado pelos seus...
O mais prestável medio-ofensivo parecia sempre dispensável na sua presença. A casa de qualquer outro tornava-se dele; assim como a sua mulher,os seus filhos, os seus feitos...
Perguntem ao Raul... De quem é o golo contra o Manschester...
E quem, senão um ser divino, pode desafiar Deus, e ganhar o seu respeito?
Com ele descobri a frustração de não ser esquerdino, de não partilhar ao menos essa afinidade... Abandonou cedo demais, como todos os predestinados, mas a recordação das suas cavalgadas no seu corcel branco irão conservar-se para sempre no melhor que o futebol nos pode oferecer...
O seu nome?
Não me façam rir... Deve ser o Petit ou Loureiro, querem ver...
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Gonçalo
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terça-feira, 3 de abril de 2007
Se é muito grande, podeis sempre ir a outro lado...
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Nuno
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"Se não fosse este a fazer alguma coisa..."
Mas o que me importa mesmo é o fascínio incondicional por Liedson. De facto, na jogada em questão, o brasileiro acaba, depois de ter recuperado a bola na sequência de uma falha do adversário (coisa transcendente, para o careca), por ter uma boa decisão, colocando a bola na esquerda, onde apareceu Romagnoli. Em primeiro lugar, há que dizer que decisões destas, vindas de Liedson, são mais raras que golfinhos no Tejo. Vejamos o que fez no resto do jogo. A verdade é que, sempre que participou no processo ofensivo da equipa, Liedson estragou o bom futebol da equipa. Ora não dando a bola com prontidão, ora não a dando de todo, ora escolhendo a opção pior, ora cometendo faltas escusadas, Liedson destruiu sempre as intenções ofensivas da equipa. Lembro-me de vários lances. Um em que conduziu a bola demoradamente, não a dando sempre que se abriu uma linha de passe, dirigindo-se a um colega até ficar sem soluções. Outro em que ganhou espaço na linha, tentou fintar, não conseguiu, ganhou o ressalto e, em vez de dar num colega, tentou fintar de novo e não conseguiu. Outro ainda em que, completamente sozinho, com três adversários à perna, sem ângulo e com Alecsandro em boa posição, executou um remate disparatado (este lance então até teve palmas). E mesmo quando um laivo de inteligência lhe bramia no cérebro, a execução deixava a desejar. Num dois para um com Yannick Djaló, decidiu bem ao entregar a bola ao colega, mas fê-lo em condições precárias. Deu a bola não rasteira, mas a saltitar, o que subtraiu tempo ao colega. Além disso, esticou o passe, retirando-lhe ângulo para finalizar. Resultado: quando Djaló pôde preparar o remate já tinha o guarda-redes com a mancha feita. Na primeira parte, Liedson terá falhado 90% dos passes e nem por uma vez o careca o assobiou. A primeira vez que Romagnoli falhou um passe, isto depois de ter isolado Abel no primeiro golo, de ter repetido aberturas fantásticas por mais cinco ou seis vezes, de ter enchido o campo com a sua movimentação extraordinária, o careca apupou-o. Assim como metade do estádio. Com Farnerud, o mesmo. Nem Pereirinha, o mais jovem leão e um de futuro muitíssimo promissor, escapou às toneladas de estultícia do careca e dos adeptos. Isto é falta de respeito. Mas é mais do que isso. É também estupidez. Qualquer jogador pode suportar um assobio, mas é de certeza desencorajador fazer quase tudo bem e ser assobiado, enquanto outros fazem quase tudo mal e são aplaudidos.
Digam o que disserem, o golo que marcou não compensa as terríves opções que tomou. Mais de metade dos ataques não foram travados pelos defesas adversários, mas por Liedson. O golo foi consequência daquilo em que Liedson, de facto, tem valor, a desmarcação e o aparecimento em zonas privilegiadas para finalizar. Talvez se devesse limitar a isto. Mas enquanto o careca continuar a aplaudi-lo, assim como todos os outros, Liedson continuará a ser o estorvo que é. Num jogo em que não marque, é uma nulidade. Quando as coisas correram mal ao Sporting, um dos poucos que teve total confiança de Paulo Bento foi Liedson, embora nunca o tenha merecido. Enquanto Ricardo, Polga e Moutinho justificavam a aposta continuada, Liedson não. Da mesma forma, apesar de já toda a gente ter reparado que ele não sabe marcar penaltys, continua a ser o marcador de serviço e continua a desapontar. Acredito que o Sporting pudesse liderar o campeonato, não fosse a persistência num jogador que tem a oferecer apenas a conclusão de lances. Mas é assim o futebol. Como a vida. Hitler também conseguiu mobilizar uma nação. Há quem diga que embirro com o Liedson. Chamem-lhe embirração. De facto, tenho alguma tendência para embirrar com gente burra. Lamento, mas não o consigo evitar. É um defeito que vai comigo para a cova. Por isso, ao contrário dos carecas, para os quais, "se não fosse o Liedson a fazer alguma coisa", o Sporting não andava para a frente, prefiro ler nas entrelinhas e achar que "se não fosse o Liedson a não fazer nada", o Sporting estava bem melhor.
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Nuno
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domingo, 25 de março de 2007
Salve, Zidane!
Devido às circunstâncias, decido publicar aqui um texto escrito há já algum tempo, achando que esta era a altura certa para o fazer. Não é outro ponto de vista sobre o mesmo assunto, nem uma atestação do ponto de vista do texto anterior, mas uma confidência pessoal sobre o assunto levantado pelo Gonçalo. Como tal, deve ser lido independemente do texto anterior, ainda que com ele partilhe as mesmas certezas.
Esteve Kafka em Santo Tirso? Tudo indica que não. Mas pareceu-me uma forma suficientemente absurda de começar um texto sobre Deus. Quer dizer, não é sobre Deus, é sobre Zidane, mas vai dar ao mesmo. Aproveitando que falei em Kafka, depois de se ler o autor checo, fica-se certamente com a ideia: “Vou-me entregar à arte!” Ou à arte ou à droga. Se bem que a droga não faz tanto mal. Em Kafka, o mundo que rodeia a personagem central é profundamente absurdo. Tudo o que envolve o protagonista é incompreensivelmente antagónico àquilo que ele é e nada do que faça ou pense será entendido. Esse homem, o artista por excelência, para quem todos os outros são absurdos, está acima dos outros: é o único ser verdadeiramente livre, ainda que nada lhe seja consentido. Contudo, de outro ponto de vista, para o mundo é o protagonista que é absurdo, pois é ele quem está em desequilíbrio com o que o rodeia, é ele quem não se adequa à norma, é ele quem é o louco. Para o leitor, absurdo é eu estar a escrever sobre o absurdo. Talvez seja. Ainda assim, parece-me que absurdo é tanto o que é absurdo como o que não é absurdo, dependendo da perspectiva. E, perante isto, pergunta o leitor: Andas nos copos? Nem por isso. A verdade é que tudo isto tem algum sentido. Isto é, há uns minutos, tinha algum sentido. Querem que conte uma história? Tudo bem, não conto. Pego então na já mítica cabeçada de Zidane ao italiano Materazzi, durante o prolongamento da final do campeonato do mundo de futebol, gesto com que o francês terminou a sua áurea carreira de jogador profissional. À excepção de um ou outro pateta, o público foi de opinião que o gesto violento de Zidane envergonhou o desporto e manchou a sua despedida enquanto futebolista. Dizem esses iluminados que Zidane, cuja despedida do futebol poderia coincidir com a gloriosa conquista de mais um campeonato mundial, conquista essa, que, a realizar-se, se deveria quase exclusivamente à genialidade de que era possuidor, traiu-se a si próprio e aos que o idolatravam, ao perder a cabeça. Para esses mesmos seres inteligentíssimos, nada de mais glorioso haveria que terminar a carreira erguendo a taça, de sorriso no rosto. Para essa gente de inomináveis qualidades, glória é apenas nome de mulher. Para esses doutos senhores, a vida é um prazer tão grande como um rebuçado de mentol. Talvez o mundo se vergasse momentaneamente aos pés de Zidane, se tal acontecesse, e talvez, mesmo, ninguém lhe roubasse a conquista da imortalidade, se conduzisse a França ao segundo título mundial. Talvez… Mas basta ao génio a colheita de todos os triunfos? Ou será a glória mais que carimbar o nome entre os ilustres triunfadores? Para aqueles que repetem, de peito feito, que o acto de Zidane lhe subtrai valor, as minhas sinceras saudações pela lucidez de espírito… Não há nada como ignorar a arte, basear-se em ideais pré-definidos ou ajuizar acções pelo grau de catolicismo que transportam para se poder viver em paz… A todos os outros que, estupidamente, se curvam ainda ante o génio do francês: “Tenham vergonha, pá!” Então o homem dá uma cabeçada num companheiro de profissão, deixa os seus ao abandono, passando ingloriamente ao lado da taça que deveria levantar, desencadeia a derrota da sua selecção e a decepção de uma nação, e ainda assim veneram-no?
Escrito por
Nuno
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Coerência...e consequência.
Quando Zizou perdeu a cabeça no peito de Materazzi fui dos poucos que, apesar de sentir que ele não tinha tomadao a atitude mais correcta, consegui compreender e aceitar o seu comportamento. Talvez agora surja muita gente a dizer que não fomos assim tão poucos a fazer uma leitura correcta do que se passou naquele instante, que na altura também defenderam Zidane. A dicotomia patenteada entre os dois jogadores é tal, que me arriscava a dizer que os adeptos que apreciam um jogador como o italiano, dificilmente poderão apreciar qualquer linha traçada neste bolg. Mas para os que demonstrarem presença de espírito, vou-lhes expôr as minhas razões para assumir um como o paradigma do futebol ( Zizou), e outro, Materazzi, como a negação do mesmo. Juntos formam a antítese perfeita para o futebol.
No entanto, admito algum benefício na proliferação de jogadores como o italiano. Jogadores como ele dão enfâse a talentos como o de Zidane. Não que o françês precise, mas junto deste tipo de jogadores, o brilho das estrelas chega a ser incandescente.
Começando pela forma como um e outro promove o futebol. Por todo o lado encontraremos vídeos de ambos. Num lado os dribles, passes, recepções, golos, enfim... No outro, as entradas violentas, as entradas violentas, as entradas violentas, mais entradas violentas, e de quando em vez um golo... Mas não é por isso que perco tempo a escrever sobre estes dois monstros, cada um à sua maneira; as diferenças de talento tão pouco merecem discussão.
Uma coisa que nunca me convenceu na história do italiano, foi a necessidade deste se fazer passar por coitadinho: « Eu sou um ignorante», sim, sem dúvida, no que toca a esta afirmação não me parece que haja objecção alguma a fazer, mas toda aquele choradinho nunca me convenceu. Isso, e a inconsistência da sua versão...
E aqui começa a clivagem entre estes dois homens, no pós-futebol. Zidane independentemente, dos pedidos da FIFA, e da UEFA, nunca vacilou, mostrando-se sempre indisponível para se cruzar com o italiano, por outro lado, o seu antagonista demonstrou sempre uma disponibilidade demasiado Cristâ para perdoar Zidane. É, no minimo, suspeito.
Esta atitude de Zidane é muito mais do que uma mera demonstração da sua forte personalidade, e princípios. É uma relação de respeito para um desporto que o transformou num Deus.
E é aqui que nos deparamos com uma realidade que muitos tem dificuldade em perceber. Zidane, como qualquer génio, quando explanava todo o seu espiríto criativo, libertava-se de qualquer disciplina, ou limitação, que pudesse circunscrever o seu talento. Tudo o resto, imposições tácticas, subserviência às circunstâncias do jogo, tudo isto se torna incómodo para quem assume o processo criativo. Caminhando sobre a linha ténue que separa o génio do ridículo e louco, demonstrou sempre que, mais do que a uma equipa, Zidane pertence ao futebol.
Não se encontra, porém, nestas linhas, justificação para a sua atitude. De que maneira, perguntam vocês, se pode justificar a atitude de Zidane, sendo ele tão honesto com o futebol, tão puro? Simples. Não se pode. Ninguém pode, tão pouco ele. Da mesma maneira que não se explica as jogadas que o imortalizaram. A intuição não se explica. Mas este facto, o de imiscuir um factor tão primário, como o instinto, no seu futebol, não significa que o torne menos complexo,ou digno, apenas o perfuma, pois não podemos conceber a razão sem emoção...
Zidane viveu aquele jogo como o seu último, porque o era, e não só. Porque futebol, é um desporto de emoções, de paixão... E o que é paixão senão a ausência temporária do juízo? Ao perder a cabeça daquele jeito, demonstrou que se entregava, como poucos, ao jogo. Não retaliando qualquer tipo de emoção, ou sentimento, ao mesmo. Ele não pensou nas consequências do seu acto. Apenas sentiu, seguiu o mesmo instinto que o levou a marcar a grande penalidade da forma que o fez. Não podemos dissociar um facto do outro. O temperamento é essencial, mas também ambigúo na sua manifestação...
Esta condição, funciona como dom e maldição. O mesmo processo que o levou a transportar de uma forma, quase, exclusiva a França à Final, foi o mesmo que lhe retirou os últimos dez minutos da mesma... Irónico. As emoções, ao contrário do que se pensa, são essenciais á construção do sublime. Tem de se ter prazer... e dor.
Um caso de falta desse mesmo temperamento: M. Laudrup. O dinamarquês era fantástico no toque de bola, no passe, na forma inteligente como definia os lances, todavia, faltou-lhe sempre aquela faísca, aquele assomo que o levasse a ser considerado um "Deus", passe o exagero. Por outro lado, provavelmente também não agrediria o italiano. Poderia falar de um caso português semelhante... Mas não vou ferir susceptibilidades...
Esta final assumiu os contornos de um verdadeiro paradigma da definição de um génio. Louco, arrebatado, distante, e irredutível... Mas não o foram assim todos...?
Por outras palavras, Zidane nunca cedeu. Assumiu a sua condição, nunca defraudando aquilo que acreditava: O futebol, enquanto um jogo Bellíssimo.
Da mesma forma que, agora, ao não aceder aos convites feitos para a reconciliação?, se mostra fiel ás convicções e motivos que o levaram a cabecear o monstro italiano, reforçando, assim, o peso e legítimidade dos mesmos...
Escrito por
Gonçalo
às
17:11:00
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bolas ao poste
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