Bom inicio do Sporting. Com Romagnoli a beneficiar de uma liberdade muito perigosa, que lhe permite criar dificuldades ao último reduto benfiquista. O Benfica através da movimentação de Rui Costa, com este a procurar as faixas laterais, numa primeira fase, despovoava a zona central adversária, aproveitando Petit para subir, na tentativa de provocar desiquilíbrios. Nem sempre bem jogado, louve-se a tentativa de Rui Costa emprestar algum traço ao jogo da luz. Da parte dos lagartos, algum desnorte entre os 55 e 70 minutos de jogo. Uma segunda parte não menos pobre, sobretudo o meio campo leonino, permitiu que a equipa da luz pressionasse, criando algumas ( poucas) situações de golo. Ou então foi o Benfica que "forçou" a equipa leonina a descer, nestas coisas não me é fácil descobrir onde começa uma premissa e termina outra.
Coragem, e ambição. Paulo Bento. No presente, como no passado, procura a sorte, não espera por ela. Cedo ou tarde, por certo, a sorte irá legitimar o ditado.
Fernando Santos, começo a pensar que todos mandam... Menos ele... Agora foi Derlei. Quem será o próximo?
Golos. Nelson é batido, mas ninguém está à espera que ele chegue onde Luisão e Anderson não chegaram, pois não? No golo de Micooli, Nani esqueceu-se de marcar alguém na primeira bola, tendo depois Micooli feito a diferença. Nada demais. Ou, por outras palvras, nada que não estivessemos à espera.
Da parte do Benfica, Rui Costa, Micooli, Léo...? Muito bem. Por outro lado... Fernando santos, David luiz - este então veio por algum juízo em alguns lunáticos. - e Nuno Gomes.
No Sporting, Romagnoli, Polga - este claramente sem nível para ser seleccionado -, Tello, e Paulo Bento. No menos, Djaló, e Pereirinha. Mas atenção, segurem essa língua. Este miúdo vai ser uma referência... Dêem-lhe tempo.
domingo, 29 de abril de 2007
Derby...
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Gonçalo
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quarta-feira, 25 de abril de 2007
Certezas...
Numa das mais inóspitas zonas do nosso futebol cresce um dos maiores talentos, da selecção de sub-20, que este ano vai participar no mundial da categoria com sede no Canadá.
Falo de Diogo Tavares, ex-avançado do Sporting, que agora milita no Génova, da segunda divisão italiana.
Forte do ponto de visto atlético, sendo de igual modo rápido, contudo, estes factores perdem dimensão perante outras qualidades que possui.
Com faro pelo golo, associado a uma boa leitura dos lances, que lhe permite uma boa colocação na área, acumula golos com uma facilidade invulgar.
Para além destes factores, sempre importantes no reconhecimento de um avançado, adiciona atributos técnicos, que lhe facilitam a tarefa, tanto na hora de visar a baliza, como a assistir os seus colegas.
O talento e inteligência que demonstra dentro de campo, por si só, seriam sempre um factor de destaque, mas se tivermos em conta a escassez de ( boas) soluções para esta posição, faz deste miúdo um verdadeiro diamante. Espera-se que a sua evolução acompanhe o seu talento, e que o possamos comprovar já em Julho.
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Gonçalo
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sábado, 21 de abril de 2007
O mundo ao contrário...
O Chelsea defende bem? Sim, muito bem até. Então, por que razão não é, como defendo, uma equipa defensiva? Porque o seu jogo não assenta apenas na ideia de uma defesa sólida. Aliás, a solidez dessa defesa é até consequência da forma de jogar da equipa e não a sua filosofia. O Chelsea só defende bem porque também ataca bem. Os mentecaptos estão, neste momento, com as mãos nos cabelos, bufando. "Que tem uma coisa a ver com a outra?", perguntam. "Tudo!", respondo eu. A filosofia dos "blues" é simples. Jogam um futebol apoiado, que à partida é logo condição suficiente para uma equipa que não se limita a defender, baseado na posse de bola e no funcionamento do conjunto em bloco, com os elementos muito perto uns dos outros. Não raro os críticos afirmam que o Chelsea, ao bom estilo inglês, joga um futebol directo. Errado! Mais uma vez, errado! O Chelsea? O mesmo Chelsea? Que atrocidade! É verdade que em determinadas alturas do jogo a equipa tenta explorar a capacidade de Drogba com passes verticais, mas tem de se compreender o porquê. Normalmente, fazem-no perto do final do jogo, se o resultado não lhes interessa, ou quando o adversário tem as suas linhas subidas e são necessários ataques rápidos. Ninguém explora melhor o ataque rápido que as equipas de José Mourinho. Mas é só nestas situações que o Chelsea insiste neste tipo de jogo. De resto, é uma equipa que progride de forma apoiada, preservando a posse de bola e não arriscando passes longos. É verdade que não se limita a trocar a bola e a progredir sempre de forma apoiada, variando a construção de ataques e utilizando, de vez em quando, um futebol mais rectilíneo. Mas fá-lo sobretudo para quebrar a rotina, para surpreender, para desencaixar as marcações do adversário. E também porque, em Inglaterra, o espaço entre linhas é muito grande, e uma eventual segunda bola é mais fácil de ganhar. Mourinho sabe isso e tenta explorá-lo. Só os ignorantes acham que Mourinho prefere um estilo directo a um futebol apoiado, que minimize o risco de perder a bola.
É filosofia do técnico português o futebol de ataque - sabemo-lo. E ninguém é mais fiel à sua filosofia que ele. Então por que razão haveria de pôr o Chelsea a jogar à defesa? Defende José Mourinho que a melhor maneira de defender é longe da sua baliza e evitar que o adversário tenha bola para poder atacar. São ideias dele; não minhas para acomodar o meu argumento. E como evita ele que o adversário tenha bola? Exactamente, tendo-a. E como evita defender perto da sua baliza? Pressionando alto. Com estes dados, como é que uma equipa que preconiza a posse de bola e uma pressão altíssima pode ser uma equipa defensiva? Não é, evidentemente! O Chelsea defende, em primeiro lugar, atacando. Depois, pressionando o mais possível de modo a retirar tempo de posse de bola ao adversário. Resta aos adversários do Chelsea a utilização de um futebol directo e a exploração dos avançados. E é aí que entra em acção não só a categoria da defesa do Chelsea como o extraordinário sentido posicional de toda a equipa.
Devo, para já, fazer um breve parêntesis. Ouvi um comentador dizer, no último jogo do Chelsea para a Liga dos Campeões, que a equipa, nesta prova, tinha invariavelmente menos tempo de posse de bola que o adversário. Em primeiro lugar, devo dizer que não consultei estatísticas, até porque elas são adulteradas pela definição que lhes dão. Em segundo lugar, há que ver que o Chelsea não tem que fazer 90 minutos de posse de bola para dominar o jogo. Se o resultado lhe for favorável, podem bem permitir uma posse de bola inofensiva ao adversário sem que percam o controlo da partida. Em terceiro lugar, há que ver quem foram os adversários dos londrinos até aqui. Apanharam o Barcelona que, juntamente com o Arsenal, são as duas equipas que melhor trocam a bola na Europa. Depois, apanharam o Werder Bremen, que também não são parvos de todo. E apanharam o Porto, que no primeiro jogo esteve quase sempre à procura de marcar para consolidar uma boa vantagem para a segunda mão. Vamos primeiro à questão das estatísticas. Não conheço os critérios da contagem da posse de bola, mas posso imaginá-los. Acredito que, enquanto o adversário não recuperar a bola, o tempo conte a favor de quem a tinha anteriormente. Uma equipa que pontapeia a bola para a frente ganha, portanto, 3 ou 4 segundos de posse de bola numa zona onde ninguém a pode recuperar: no ar. Uma equipa que privilegie um futebol curto tem que, nesses mesmos 3 ou 4 segundos, trocar a bola entre 2 ou 3 jogadores, o que é consideravelmente mais difícil. Logo, à partida, tempo de posse de bola não significa, de facto, posse de bola. Como tal, esta estatística de pouco serve. Em segundo lugar, uma equipa inteligente pode controlar o jogo permitindo que o adversário troque a bola em zonas recuadas. Ao fazer isto, como é óbvio, perde tempo de posse de bola. O Chelsea não pressiona os 90 minutos. Fá-lo quando tem de o fazer. E quando não o faz, permite que a bola esteja na posse do adversário. Mas isto não implica que perca o controlo do jogo, pois também não permite que o adversário troque a bola em zonas demasiado ofensivas. Como tal, é de notar que, numa competição na qual grande parte dos adversários foram equipas com bons argumentos técnicos e que privilegiam um futebol apoiado, o Chelsea tenha menos tempo de posse de bola do que no campeonato inglês. Isso não implica, contudo, que não dominem o jogo. E isso vê-se não nos resultados, mas na forma contundente e sem mácula com que os conseguiram.
Os defensores de um Chelsea defensivo utilizam normalmente o argumento das inúmeras vitórias tangenciais da equipa. É verdade que o Chelsea raramente ganha por mais do que dois golos. Também é verdade que a equipa sofre poucos golos. É isso sinónimo de uma equipa defensiva? Não. O Chelsea é uma equipa equilibrada. Ataca quando tem de atacar; defende quando tem de defender. E é, sobretudo, uma equipa inteligente. Sabe que uma vitória por 1-0 é igual a uma vitória por 5-0. Sabe que atacar cria espaços atrás e que, tendo um resultado positivo, não precisa de correr riscos desnecessários. Aqui, dizem-me, "mas exactamente por isso é que eles recuam e se pôem à defesa!" Não é verdade. O Chelsea não recua. Deixa, isso sim, de pressionar tão em cima, o que implica menor desgaste nos atletas, preservando forças para recuperar bolas mais importantes. E não concede a iniciativa ao adversário. Ao abdicar da pressão, pode permitir ao adversário uma circulação de bola em zonas recuadas, mas fechando linhas inviabiliza que o adversário se desmultiplique em acções ofensivas. Depois, com a posse de bola no seu poder, troca-a vagarosamente ou tenta surpreender o adversário com ataques rápidos. Trocando a bola, faz com que o adversário não a tenha. Utilizando ataques rápidos, tenta surpreender sem arriscar muito. Levantam-se novamente vozes, dizendo: "Então, mas se a filosofia é não arriscar, é exactamente o mesmo que defender!" Não. O Chelsea não utiliza nada que se pareça com o "Catennacio". Pelo contrário. Se o fizesse, arriscaria mais. Admito que o erro desta gente seja pensar que defender é não arriscar. Não é. Uma equipa que defenda lá atrás, concedendo o domínio do jogo em todo o campo, pode evitar espaços nas suas zonas recuadas, mas arrisca-se constantemente a sofrer um golo num lance fortuito, ocasionado pela confusão em que a sua área defensiva se tornou. Ao mesmo tempo, como abdica do ataque, não tem possibilidades de dilatar a vantagem. Ora, o Chelsea não faz nada disto. Nunca se posiciona lá atrás, nunca recua em demasia. O que faz é fechar o centro, tapar linhas de passe. Mas isto em zonas avançadas, no meio-campo e não na defesa. Pouco ou nada arrisca concedendo posse de bola ao adversário, pois na verdade não a concede no seu meio-campo.
Ao contrário do Chelsea, para estas pessoas o Manchester United é o protótipo de uma equipa ofensiva. Errado! O Manchester ataca mais. Ataca mais espectacularmente. Mais rápido, mais dinâmico... Marca mais golos. Nada disto significa que seja mais ofensiva que o Chelsea. Ou não significa, pelo menos, que ataque tão bem. O futebol do Manchester parece mais ofensivo porque tem unidades que dão essa ilusão e porque o seu sistema, abdicando da povoação do centro do terreno, coloca mais homens em zonas avançadas. O Chelsea, quer em 442 losango, quer em 433, nunca coloca mais do que 3 homens na frente. Há sempre 3 homens posicionados no centro, normalmente Makelelé, Essien e Lampard. No Manchester, só Carrick faz os apoios por trás, só ele não estica o jogo. Ronaldo, Giggs, Scholes, Rooney e Saha (ou outro avançado), têm liberdade para avançar. Isto, como é óbvio, provoca várias coisas. Primeiro, é um sistema que confia unicamente na inspiração destes jogadores avançados. Como estes têm toda a liberdade do mundo, não jogam em apoios e, desinspirados, não possuem forma de contrariar um resultado. Estando inspirados, é certo, há a tendência para conseguirem resultados mais volumosos que os do Chelsea. Não estando, pouca coisa podem fazer. Depois, é um sistema que desguarnece irremediavelmente a defesa. Pelas características dos seus jogadores, o ritmo de jogo é sempre alto e há sempre espaços na rectaguarda. Uma equipa que povoe condignamente o centro do terreno consegue sempre contrariar o futebol pretensamente ofensivo do Manchester e tem boas hipóteses de, aproveitando os espaços criados pela movimentação excessivamente livre dos seus homens da frente, criar problemas à defensiva dos Red Devils. É verdade que o Manchester ataca mais, dá mais espectáculo, mas não joga melhor que o Chelsea. Se quisermos, utiliza um futebol demasiado irresponsável. Em Inglaterra, onde as equipas jogam em sistemas invariavelmente obsoletos, isto tende a resultar: a irresponsabilidade não é aproveitada. Na Europa, faltando a inspiração das suas armas da frente, o Manchester tem dificulades. Vejam-se os jogos com o Lille, ou com o Benfica, em que a equipa ganhou sempre de forma muito sofrida.
Ao contrário do Manchester, o Liverpool é uma equipa excessivamente responsável. De tão preocupada com a povoação do centro, descura os processos ofensivos. Há, apesar de uma correcção táctica excepcional, uma falta de imaginação incrível no ataque. A equipa vive de um futebol musculado, sem inteligência para criar espaços ofensivos. Resulta daqui que, internamente, poucas probabilidades têm de ganhar alguma coisa. Entre estes dois extremos, situa-se o Chelsea, que é uma equipa responsável, mas virada para o ataque. Sabe atacar, não tão ferozmente como o Manchester, mas educadamente, racionalmente, e sabe defender, não tão obsessivamente como o Liverpool, mas correctamente. E o grande segredo do Chelsea é a forma global como joga. Poder-se-ia afirmar que o Chelsea ataca a defender e defende a atacar. Que quero eu dizer com isto? Bom, o Chelsea privilegia, acima de tudo, um futebol de apoios. Conduz os ataques de forma apoiada, sempre com 2 ou 3 jogadores a fornecerem apoios laterais e atrasados ao portador da bola, a cada momento. Com isto, consegue-se duas coisas: atacar, pois há sempre linhas de passe; e defender, pois em caso de perda de bola, os sectores estão juntos e a recuperação pode ser imediata. Digamos que, jogando assim, uma equipa parte para o ataque com a defesa montada. Não é um ataque desenfreado como o do Manchester, mas um ataque racional, consciente dos riscos de se atacar. Ao defender, o Chelsea cobre zonas. Com um preenchimento táctico correcto do terreno, consegue, a cada momento, cortar o maior número de linhas de passe e tem, ao mesmo tempo, preparado o ataque, no caso de uma recuperação de bola.
Resumindo, o Chelsea não tem nada de defensivo. É uma equipa que sabe gerir o jogo e que não se importa de conceder a bola ao adversário, caso isso não implique correr riscos como um recuo no terreno. Ofensivamente, não é deslumbrante, mas muito personalizada. Não arrisca em demasia e constrói o seu futebol de forma pensada. Não joga muito bonito, talvez porque lhes faltem alguns índices de criatividade. Nisso, tenho de concordar que o Chelsea é uma equipa demasiado mecanizada. Tirando a capacidade individual de um ou outro jogador, a equipa está demasiado presa aos automatismos que aprendeu. Ainda assim, é de louvar a forma correcta como atacam. Não o fazendo de forma bonita, fazem-no contudo bastante bem, conseguindo abrir espaços através da excepcional movimentação sem bola, do dinamismo e da velocidade de execução. O Chelsea é, pois, uma equipa ofensiva. É adulta e, por isso, pouco espectacular. Mas não é por isso que deixa de ser uma equipa que pratica bom futebol.
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Nuno
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
Erros...
O objectivo é contrariar uma das mais parvas, senão a mais parva de todas, teorias recorrentes nos dias de hoje. E que se resume a isto : "Não interessa jogar bem, desde que a gente ganhe!". Por esta altura, decerto, muitos estarão a menear a cabeça como reprovação, "lá está este lírico outra vez!". Não é o caso, tão pouco me vou delongar sobre a perspectiva, supostamente a principal, meramente disfrutadora do futebol como um entretenimento, ou uma arte.
Vou jogar no "campo do inimigo" e demonstrar, por a+b, que o jogar bem e o objectivo vencer caminham de mãos dadas. Não como um luxo, mas como uma base imprescindível - quase sempre, e não sempre, pois absoluto é uma palavra inexistente no dicionário do futebol - para alcançar a vitória.
Comecemos pela parte menos óbvia, a das equipas com os chamados objectivos "menores". Independentemente da sua estratégia, - passe por assumir um modelo de jogo que se baseie na posse de bola, ou num sistema de contra-ataque, - é importante a consolidação de uma identidade, de uma filosofia. Algo que se vá imiscuindo no íntimo dos jogadores, dirigentes e adeptos. No fundo, uma bandeira.
E como é óbvio, o sistema(4-4-2,4-3-3,4-5-1,4-2-3-1, etc.) e modelo de jogo são dois conceitos que se condicionam de uma forma recíproca. Por exemplo, não faz sentido estruturar uma equipa em 4-4-2 "losango", se preconizamos um modelo de jogo baseado no contra-ataque. O preenchimento central torna-se desnecessário em termos defensivos, - pois não nos interessa recuperar a bola numa zona muito alta do terreno, bem pelo contrário, pretendemos que o adversário se "concentre", na medida do possível, o mais perto da nossa área de modo a criar espaços no seu meio-campo. - bem como os apoios que esse sistema proporciona. Ora, a primeira permissa pode conquistar muitos antagonistas. Mas a finalidade do contra-ataque é aproveitar o espaço nas "costas" da defesa, ou seja, é do maior interesse que o oponente apresente um bloco alto, e que não jogue de uma forma directa, envolvendo assim um maior numero de elementos nas transições. Ou seja, um congestionamento da zona intermediária tornar-se-à contraproducente por razões óbvias. E em termos ofensivos, é totalmente desnecessário, visto ser uma estratégia que desvaloriza a existência de apoios, pelos motivos já referidos.
Uma equipa que assuma este modelo de jogo poderá encontrar dificuldades, caso se encontre em desvantagem. A falta de mecanismos, essenciais para contraiar as vicissitudes de um adversário, que, depois de alcançar o seu objectivo, não corre riscos, torna o trabalho de uma época irrelevante. Não estando preparados para se movimentar entre linhas, tão pouco para uma circulação que possa obrigar o adversário a cometer erros, acabam por sucumbir perante o seu própio veneno. E nem nos confrontos com os chamados "grandes", esta estratégia me parece a melhor. Pois oferece-se ao adversário um elemento essencial para ele: a posse de bola. E os pouco treinadores que se aperceberam disso, conseguiram roubar pontos aos grandes sem ter de sujeitar de sobremaneira ao factor sorte, como vemos em tantos casos. E este factor não implica que sejam as equipas pequenas a impor-se às grandes, nada disso. Apenas uma maior sapiência, e paciência, na gestão da bola, não envergando pelo caminho fácil do chutão. É até, e acima de tudo, uma questão de lógica. Quanto menos posse de bola o adversário tiver, serão menos as hipóteses de construir ataques, pelo menos de forma organizada, e esta situação provocará não só uma maior ansiedade na equipa adversária, como um desconforto invulgar numa equipa que se apresente para assumir o jogo.
Não são poucos os casos de equipas que após uma série de bons resultados contra as chamadas equipas grandes, neste sistema, acabam acumular maus resultados contra os seus mais directos opositores. Esbarram na sua própia teia. O que acaba por ser duplamente penalizador. No final da época, esse confronto directo pode-se-lhes tornar fatal.
Para além dos factores tácticos, existem ainda factores de índole individual. Numa equipa que se desenvolva nestes moldes, proporcionará, sempre, um desenvolvimento medíocre aos seus jogadores; não os estimulando a pensar, antes a sofrer, e previlegiando o espiríto de sacrifício, ao desenvolvimento técnico-táctico. Senão, vejamos: Uma equipa que se desdobre em contra-ataque, geralmente oferece poucas opções aos seus jogadores - seja o portador da bola, ou receptor -. Limitando-os a essas opções pré-definidas, ou seja, existindo poucas variantes, a capacidade de decisão do jogador não é estimulada, assim como o lado criativo, sendo este subjugado pelos factores( já referidos) mais primítivos. Devem exitir padrões de referência, até para dar profundidade à identidade da equipa, mas estes devem funcionar como um "palco", ou seja, dentro das especifidades idiossincráticas inerentes a qualquer sistema, deve existir espaço à criação individual, até para garantir uma certa dose de imprevisibilidade.
São muitos os casos de jogadores que, apesar de evoluídos tecnicamente, encontram dificuldades para integrar-se numa equipa que seja obrigada a raciocionar, e a criar formas de ultrapassar equipas ultra-defensivas. Isto tudo devido a uma educação negligente. Uma má "nutrição", durante a sua formação como jogador.
Defendo por isso, que uma equipa deve basear o seu sistema numa identidade bem definida, assente numa boa circulação de bola, que, por sua vez, só é conseguido atravéz de uma excelente cultura táctica que lhe permita um bom jogo posicional. Este factor, e as características que se-lhe associam, permite não só uma maior variedade de opções, a nivel do passe, como um rápido reequilíbrio defensivo.
No que concerne a modelos de jogo, e os seus sistemas, assumo a minha predilecção pelo losango. Mas, independentemente do sistema, defendo que uma equipa que cultive uma atitude positiva perante o jogo, isto é, assumindo as despesas do mesmo, tem muito mais hipóteses, não só de conseguir resultados, como de evoluir enquanto equipa.
E não é só pelo factor espectáculo.
O futebol não é matemática, e, apesar de defender que não lhe concedem o devido substracto racional, não se deve subtrair o factor emocional ao jogo, mas irei abordar este assunto noutro post.
Agora, debrucemo-nos sobre as vantagens deste modelo, contemplando até a frieza dos números e probabilidades:
1º - Uma equipa que tenha uma maior posse de bola, assente nos pressuposto já referidos, evitará, quase sempre, um maior desgaste em termos defensivos, não se submetendo de forma constante aos ataques da equipa adversária.
2º - Uma maior posse de bola deve-nos permitir definir o ritmo do jogo, mas não só. Aumenta a probabilidade de delinear mais ataques, e por consequência, exponencial acrescentamento da criação de oportunidades de golo. ( ainda que uma boa circulação, activa, pressuponha um grande desgaste físico e mental, quer me parecer que a vantagem anímica, inerente a este estilo de jogo, supera esse pormenor.)
3º - As consequências que os dois primeiros pontos implicam na equipa adversária. Um maior desgaste, tanto na vertente física, como mental, que muito provavelmente retirará organização e tranqualidade ao seu jogo. O consequente enervamento é o caminho mais curto para erros - individuais e colectivos -. Mas não só, - e este é um ponto demasiado evidente para ser ignorado - uma equipa com uma posse de bola inferior, estará sempre sujeita a um maior número de situações penalizadoras para a sua equipa( faltas, cartões, etc.), para além de possuir menos hipóeses de criar ataques, e consequentes oportunidades de golo.
Como já referi, não acredito no absoluto, mas considerando estes argumentos parece-me que jogar bem, é tão importante como ganhar, reforçando a primeira premissa como o meio mais forte para atingir a segunda, e não como um luxo. E mesmo que fosse, para coisas feias já basta a Odete Santos.
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Gonçalo
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sexta-feira, 6 de abril de 2007
Seis que mereciam ser dez - Parte dois
Nele, o futebol encontrou um círculo perfeito.
Herói de capa e espada, não regateava esforços -sempre elegantes - para recuperar a sua amada das garras de qualquer vilão ou herói...
Concentração ampliada das virtudes essencias à prática do desporto-rei, acumulava Classe em cada gesto que desenhava... Os dribles, os desarmes, os remates... a inteligência e respeito por um desporto tantas vezes vilipendiado por outros que se lhe dizem semelhentes...
Rei, será sempre recordado como o Soberano de um reino muitas vezes rebaixado pelos seus...
O mais prestável medio-ofensivo parecia sempre dispensável na sua presença. A casa de qualquer outro tornava-se dele; assim como a sua mulher,os seus filhos, os seus feitos...
Perguntem ao Raul... De quem é o golo contra o Manschester...
E quem, senão um ser divino, pode desafiar Deus, e ganhar o seu respeito?
Com ele descobri a frustração de não ser esquerdino, de não partilhar ao menos essa afinidade... Abandonou cedo demais, como todos os predestinados, mas a recordação das suas cavalgadas no seu corcel branco irão conservar-se para sempre no melhor que o futebol nos pode oferecer...
O seu nome?
Não me façam rir... Deve ser o Petit ou Loureiro, querem ver...
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Gonçalo
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terça-feira, 3 de abril de 2007
Se é muito grande, podeis sempre ir a outro lado...
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Nuno
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"Se não fosse este a fazer alguma coisa..."
Mas o que me importa mesmo é o fascínio incondicional por Liedson. De facto, na jogada em questão, o brasileiro acaba, depois de ter recuperado a bola na sequência de uma falha do adversário (coisa transcendente, para o careca), por ter uma boa decisão, colocando a bola na esquerda, onde apareceu Romagnoli. Em primeiro lugar, há que dizer que decisões destas, vindas de Liedson, são mais raras que golfinhos no Tejo. Vejamos o que fez no resto do jogo. A verdade é que, sempre que participou no processo ofensivo da equipa, Liedson estragou o bom futebol da equipa. Ora não dando a bola com prontidão, ora não a dando de todo, ora escolhendo a opção pior, ora cometendo faltas escusadas, Liedson destruiu sempre as intenções ofensivas da equipa. Lembro-me de vários lances. Um em que conduziu a bola demoradamente, não a dando sempre que se abriu uma linha de passe, dirigindo-se a um colega até ficar sem soluções. Outro em que ganhou espaço na linha, tentou fintar, não conseguiu, ganhou o ressalto e, em vez de dar num colega, tentou fintar de novo e não conseguiu. Outro ainda em que, completamente sozinho, com três adversários à perna, sem ângulo e com Alecsandro em boa posição, executou um remate disparatado (este lance então até teve palmas). E mesmo quando um laivo de inteligência lhe bramia no cérebro, a execução deixava a desejar. Num dois para um com Yannick Djaló, decidiu bem ao entregar a bola ao colega, mas fê-lo em condições precárias. Deu a bola não rasteira, mas a saltitar, o que subtraiu tempo ao colega. Além disso, esticou o passe, retirando-lhe ângulo para finalizar. Resultado: quando Djaló pôde preparar o remate já tinha o guarda-redes com a mancha feita. Na primeira parte, Liedson terá falhado 90% dos passes e nem por uma vez o careca o assobiou. A primeira vez que Romagnoli falhou um passe, isto depois de ter isolado Abel no primeiro golo, de ter repetido aberturas fantásticas por mais cinco ou seis vezes, de ter enchido o campo com a sua movimentação extraordinária, o careca apupou-o. Assim como metade do estádio. Com Farnerud, o mesmo. Nem Pereirinha, o mais jovem leão e um de futuro muitíssimo promissor, escapou às toneladas de estultícia do careca e dos adeptos. Isto é falta de respeito. Mas é mais do que isso. É também estupidez. Qualquer jogador pode suportar um assobio, mas é de certeza desencorajador fazer quase tudo bem e ser assobiado, enquanto outros fazem quase tudo mal e são aplaudidos.
Digam o que disserem, o golo que marcou não compensa as terríves opções que tomou. Mais de metade dos ataques não foram travados pelos defesas adversários, mas por Liedson. O golo foi consequência daquilo em que Liedson, de facto, tem valor, a desmarcação e o aparecimento em zonas privilegiadas para finalizar. Talvez se devesse limitar a isto. Mas enquanto o careca continuar a aplaudi-lo, assim como todos os outros, Liedson continuará a ser o estorvo que é. Num jogo em que não marque, é uma nulidade. Quando as coisas correram mal ao Sporting, um dos poucos que teve total confiança de Paulo Bento foi Liedson, embora nunca o tenha merecido. Enquanto Ricardo, Polga e Moutinho justificavam a aposta continuada, Liedson não. Da mesma forma, apesar de já toda a gente ter reparado que ele não sabe marcar penaltys, continua a ser o marcador de serviço e continua a desapontar. Acredito que o Sporting pudesse liderar o campeonato, não fosse a persistência num jogador que tem a oferecer apenas a conclusão de lances. Mas é assim o futebol. Como a vida. Hitler também conseguiu mobilizar uma nação. Há quem diga que embirro com o Liedson. Chamem-lhe embirração. De facto, tenho alguma tendência para embirrar com gente burra. Lamento, mas não o consigo evitar. É um defeito que vai comigo para a cova. Por isso, ao contrário dos carecas, para os quais, "se não fosse o Liedson a fazer alguma coisa", o Sporting não andava para a frente, prefiro ler nas entrelinhas e achar que "se não fosse o Liedson a não fazer nada", o Sporting estava bem melhor.
Escrito por
Nuno
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domingo, 25 de março de 2007
Salve, Zidane!
Devido às circunstâncias, decido publicar aqui um texto escrito há já algum tempo, achando que esta era a altura certa para o fazer. Não é outro ponto de vista sobre o mesmo assunto, nem uma atestação do ponto de vista do texto anterior, mas uma confidência pessoal sobre o assunto levantado pelo Gonçalo. Como tal, deve ser lido independemente do texto anterior, ainda que com ele partilhe as mesmas certezas.
Esteve Kafka em Santo Tirso? Tudo indica que não. Mas pareceu-me uma forma suficientemente absurda de começar um texto sobre Deus. Quer dizer, não é sobre Deus, é sobre Zidane, mas vai dar ao mesmo. Aproveitando que falei em Kafka, depois de se ler o autor checo, fica-se certamente com a ideia: “Vou-me entregar à arte!” Ou à arte ou à droga. Se bem que a droga não faz tanto mal. Em Kafka, o mundo que rodeia a personagem central é profundamente absurdo. Tudo o que envolve o protagonista é incompreensivelmente antagónico àquilo que ele é e nada do que faça ou pense será entendido. Esse homem, o artista por excelência, para quem todos os outros são absurdos, está acima dos outros: é o único ser verdadeiramente livre, ainda que nada lhe seja consentido. Contudo, de outro ponto de vista, para o mundo é o protagonista que é absurdo, pois é ele quem está em desequilíbrio com o que o rodeia, é ele quem não se adequa à norma, é ele quem é o louco. Para o leitor, absurdo é eu estar a escrever sobre o absurdo. Talvez seja. Ainda assim, parece-me que absurdo é tanto o que é absurdo como o que não é absurdo, dependendo da perspectiva. E, perante isto, pergunta o leitor: Andas nos copos? Nem por isso. A verdade é que tudo isto tem algum sentido. Isto é, há uns minutos, tinha algum sentido. Querem que conte uma história? Tudo bem, não conto. Pego então na já mítica cabeçada de Zidane ao italiano Materazzi, durante o prolongamento da final do campeonato do mundo de futebol, gesto com que o francês terminou a sua áurea carreira de jogador profissional. À excepção de um ou outro pateta, o público foi de opinião que o gesto violento de Zidane envergonhou o desporto e manchou a sua despedida enquanto futebolista. Dizem esses iluminados que Zidane, cuja despedida do futebol poderia coincidir com a gloriosa conquista de mais um campeonato mundial, conquista essa, que, a realizar-se, se deveria quase exclusivamente à genialidade de que era possuidor, traiu-se a si próprio e aos que o idolatravam, ao perder a cabeça. Para esses mesmos seres inteligentíssimos, nada de mais glorioso haveria que terminar a carreira erguendo a taça, de sorriso no rosto. Para essa gente de inomináveis qualidades, glória é apenas nome de mulher. Para esses doutos senhores, a vida é um prazer tão grande como um rebuçado de mentol. Talvez o mundo se vergasse momentaneamente aos pés de Zidane, se tal acontecesse, e talvez, mesmo, ninguém lhe roubasse a conquista da imortalidade, se conduzisse a França ao segundo título mundial. Talvez… Mas basta ao génio a colheita de todos os triunfos? Ou será a glória mais que carimbar o nome entre os ilustres triunfadores? Para aqueles que repetem, de peito feito, que o acto de Zidane lhe subtrai valor, as minhas sinceras saudações pela lucidez de espírito… Não há nada como ignorar a arte, basear-se em ideais pré-definidos ou ajuizar acções pelo grau de catolicismo que transportam para se poder viver em paz… A todos os outros que, estupidamente, se curvam ainda ante o génio do francês: “Tenham vergonha, pá!” Então o homem dá uma cabeçada num companheiro de profissão, deixa os seus ao abandono, passando ingloriamente ao lado da taça que deveria levantar, desencadeia a derrota da sua selecção e a decepção de uma nação, e ainda assim veneram-no?
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Nuno
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19:09:00
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Coerência...e consequência.
Quando Zizou perdeu a cabeça no peito de Materazzi fui dos poucos que, apesar de sentir que ele não tinha tomadao a atitude mais correcta, consegui compreender e aceitar o seu comportamento. Talvez agora surja muita gente a dizer que não fomos assim tão poucos a fazer uma leitura correcta do que se passou naquele instante, que na altura também defenderam Zidane. A dicotomia patenteada entre os dois jogadores é tal, que me arriscava a dizer que os adeptos que apreciam um jogador como o italiano, dificilmente poderão apreciar qualquer linha traçada neste bolg. Mas para os que demonstrarem presença de espírito, vou-lhes expôr as minhas razões para assumir um como o paradigma do futebol ( Zizou), e outro, Materazzi, como a negação do mesmo. Juntos formam a antítese perfeita para o futebol.
No entanto, admito algum benefício na proliferação de jogadores como o italiano. Jogadores como ele dão enfâse a talentos como o de Zidane. Não que o françês precise, mas junto deste tipo de jogadores, o brilho das estrelas chega a ser incandescente.
Começando pela forma como um e outro promove o futebol. Por todo o lado encontraremos vídeos de ambos. Num lado os dribles, passes, recepções, golos, enfim... No outro, as entradas violentas, as entradas violentas, as entradas violentas, mais entradas violentas, e de quando em vez um golo... Mas não é por isso que perco tempo a escrever sobre estes dois monstros, cada um à sua maneira; as diferenças de talento tão pouco merecem discussão.
Uma coisa que nunca me convenceu na história do italiano, foi a necessidade deste se fazer passar por coitadinho: « Eu sou um ignorante», sim, sem dúvida, no que toca a esta afirmação não me parece que haja objecção alguma a fazer, mas toda aquele choradinho nunca me convenceu. Isso, e a inconsistência da sua versão...
E aqui começa a clivagem entre estes dois homens, no pós-futebol. Zidane independentemente, dos pedidos da FIFA, e da UEFA, nunca vacilou, mostrando-se sempre indisponível para se cruzar com o italiano, por outro lado, o seu antagonista demonstrou sempre uma disponibilidade demasiado Cristâ para perdoar Zidane. É, no minimo, suspeito.
Esta atitude de Zidane é muito mais do que uma mera demonstração da sua forte personalidade, e princípios. É uma relação de respeito para um desporto que o transformou num Deus.
E é aqui que nos deparamos com uma realidade que muitos tem dificuldade em perceber. Zidane, como qualquer génio, quando explanava todo o seu espiríto criativo, libertava-se de qualquer disciplina, ou limitação, que pudesse circunscrever o seu talento. Tudo o resto, imposições tácticas, subserviência às circunstâncias do jogo, tudo isto se torna incómodo para quem assume o processo criativo. Caminhando sobre a linha ténue que separa o génio do ridículo e louco, demonstrou sempre que, mais do que a uma equipa, Zidane pertence ao futebol.
Não se encontra, porém, nestas linhas, justificação para a sua atitude. De que maneira, perguntam vocês, se pode justificar a atitude de Zidane, sendo ele tão honesto com o futebol, tão puro? Simples. Não se pode. Ninguém pode, tão pouco ele. Da mesma maneira que não se explica as jogadas que o imortalizaram. A intuição não se explica. Mas este facto, o de imiscuir um factor tão primário, como o instinto, no seu futebol, não significa que o torne menos complexo,ou digno, apenas o perfuma, pois não podemos conceber a razão sem emoção...
Zidane viveu aquele jogo como o seu último, porque o era, e não só. Porque futebol, é um desporto de emoções, de paixão... E o que é paixão senão a ausência temporária do juízo? Ao perder a cabeça daquele jeito, demonstrou que se entregava, como poucos, ao jogo. Não retaliando qualquer tipo de emoção, ou sentimento, ao mesmo. Ele não pensou nas consequências do seu acto. Apenas sentiu, seguiu o mesmo instinto que o levou a marcar a grande penalidade da forma que o fez. Não podemos dissociar um facto do outro. O temperamento é essencial, mas também ambigúo na sua manifestação...
Esta condição, funciona como dom e maldição. O mesmo processo que o levou a transportar de uma forma, quase, exclusiva a França à Final, foi o mesmo que lhe retirou os últimos dez minutos da mesma... Irónico. As emoções, ao contrário do que se pensa, são essenciais á construção do sublime. Tem de se ter prazer... e dor.
Um caso de falta desse mesmo temperamento: M. Laudrup. O dinamarquês era fantástico no toque de bola, no passe, na forma inteligente como definia os lances, todavia, faltou-lhe sempre aquela faísca, aquele assomo que o levasse a ser considerado um "Deus", passe o exagero. Por outro lado, provavelmente também não agrediria o italiano. Poderia falar de um caso português semelhante... Mas não vou ferir susceptibilidades...
Esta final assumiu os contornos de um verdadeiro paradigma da definição de um génio. Louco, arrebatado, distante, e irredutível... Mas não o foram assim todos...?
Por outras palavras, Zidane nunca cedeu. Assumiu a sua condição, nunca defraudando aquilo que acreditava: O futebol, enquanto um jogo Bellíssimo.
Da mesma forma que, agora, ao não aceder aos convites feitos para a reconciliação?, se mostra fiel ás convicções e motivos que o levaram a cabecear o monstro italiano, reforçando, assim, o peso e legítimidade dos mesmos...
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Gonçalo
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terça-feira, 13 de março de 2007
O maior insulto...
"Quando entro em campo, tento jogar como um homem, com força, para me mostrar e para ajudar a equipa". Moses, depois de lhe perguntarem o que achava do lance em que Tonel se lesionou.
Nem quis acreditar quando li estas linhas. Mais do que tudo, este "tento jogar como um homem"deixa-me inquieto. Porque tenho a sensação que são muitos os que não hesitam em assumir que o futebol é um desporto para homens. Pois eu acho que é um desporto para Homens. Neste caso, a maiúscula faz toda a diferença.
Moses cria um paradoxo, sem o saber - provavelmente até desconhece o significado de tal palavra - ; ou então Aristóteles estava errado, quando definiu Homem como um animal racional.
Eu nem consigo imaginar este desporto, se não o for praticado por Homens. Todavia, por vezes a acontece. Como homem... Moses estaria a falar de quê? Deduzo que não se referia á faculdade com que fomos abençoados, de reflectir, de analisar, de raciocinar, e inferir... Seria da honra, lealdade e honestidade ( que deveriam ser) inerentes ao futebol, ou a qualquer acção, que se suponha humana? Hum...
Quando este jogador diz uma barbaridade destas, não se limita a envergonhar o futebol. Menospreza a humanidade e milênios da sua evolução. Não se trata só da lesão que ele provocou num colega de profissão. Trata-se de não ter a capacidade de analisar o que está correcto, ou não; ou seja, ao assumir que não fez nada de mal, que apenas jogou como um homem, assume publicamente que vai manter a mesma atitude, jogo, após jogo...
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Gonçalo
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22:40:00
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quinta-feira, 8 de março de 2007
O Útimo...
Não é fácil escrever sobre esta personagem, para mim a maior, do futebol português. Porque não se limita a ser mais um jogador que espalhou classe pelos campos de futebol. Quem me conhece sabe bem de quem falo. É desprepositado; fora de tempo. Sim, mas também ninguém é obrigado a ler estas linhas.
Talvez comece pelo primeiro momento de magia que presenciei deste mago. Lembro-me, com a distância de 13/14 anos, dos movimentos que me enfeitiçaram. Através de uma cassete de video, dessas que o jornal O Jogo publicava no final de campeonato. Época 93/94, Benfica Campeão. E fiquei apaixonado por aquele estilo. Quem era aquele Pedro?
Entretanto ganhou espaço no futebol português. Na época seguinte explodiu.
Quinito, um romântico - infelizmente, o último? - , compreendeu a magnitude do génio que se lhe deparava. Uma época belíssima, com chamadas à selecção. Numa dessas chamadas dissipou todas as dúvidas. Um golo que estava para o futebol, como a água para a vida; são momentos como aquele que nos fazem sonhar, e rever jogos e jogadas, cujo o fim já não oferece surpresa.
Ele era diferente. O último jogador à antiga portuguesa, chamaram-lhe os românticos. Como deveria ser Belo o futebol desse antigamente.
Foi para Alvalade. E, a partir dai, demonstrou todas as idiossincrasias que acompanham os génios.
É impossível fugir ao cliché : Amado por uns, odiado por outros. Nem todos conseguimos entender, e apreciar, arte. A Arte.
Dele disseram que comia demasiados croissants. Era bom que fosse assim tão simples. Infelizmente, por mais croissants que o Joao Alves, Paulo Jorge, ou Adriano comam...
Poderia falar dos três golos com que brindou uma equipa israelita na taça Uefa. À excepção do primeiro golo, foram momentos geniais. Os dribles que se sucediam, num bailado que não se ensina, e a parte interior do seu pé esquerdo, deixaram o país da Estrela-de-David assombrado.
Coerente e consequente, não se deixou enganar por quem lhe tentou roubar o que dele era por direito próprio. Não devemos renegar o nosso destino. Nunca deixou de arriscar, de procurar sempre a mais bela e arriscada opção... E que momentos! Marcou a dois, dos três melhores guarda-redes que por Portugal passaram nos últimos 15/20 anos, - ao outro de certo que também o fez, mas apenas em treinos - com requintes de malvadez...
Os golos nunca foram muitos, mas sim geniais. Porém, para os pragmáticos ( sim apesar de tudo, na minha generosidade imensa, encontrei um momento de comiseração por vocês) tenho um doce: na primeira época, apesar de toda a contestação que sofreu - e que o acompanhou até ao fim da sua (demasiado) breve carreira, sim, porque os grande abandonam sempre cedo demais - foi o terceiro melhor marcador da equipa de Alvalade.
Golos... São o sal do futebol... Isso seria, e será decerto, um assunto para abordarmos com mais tempo; mas os dele foram muito mais do que isso. Fosse um remate impossível, de primeira, que colocava por entre as pernas de um qualquer guarda redes, fosse a maneira como levantava um estádio, depois de concluir um cruzamento com um remate que, na sua elegância, mascarava de fácil. Mas não era só isso. Até quando falhava, algo de divino, e gracioso, o acompanhava. As bolas que enviava ao poste, sempre o segundo, faziam a delícia de qualquer adepto, dos bons.
Frontal, até na maneira como se dava a conhecer demonstrava que estava só. Não digo a mais pois jogadores como ele serão sempre de menos . O discurso inteligente, e responsável, distanciava-o de seus pares. Uma vez um treinador pediu aos sócios leoninos que o "acarinhassem", que não o assobiassem mal o speaker anunciasse o seu nome para o onze inicial. Quando confrontado com o pedido feito pelo seu treinador não se refugiou no mesmo. Assumiu as críticas, não condenou, mas sim assumiu que quem joga num grande tem de estar preparado para lidar com essas situações. À imagem do que fazia no campo não se escondia, dando antes o peito às balas.
Foi sempre incompreendido. Os génios não o seriam, se por todos fossem compreendidos. Essa assunção seria, aliás, contraditória. Tinha carisma, ao que aliava a uma nobreza cada vez mais rara nos tempos que correm. Tornou-se uma figura incontornável no futebol nacional. Capitão de um dos grandes de Portugal, foi fundamental nas últimas grandes conquistas do seu clube. No primeiro campeonato que venceu, quadros como o que pintou no Bessa revelaram-se decisivos. Mas mesmo que não o fossem... Numa eliminatória da taça de Portugal, em pleno estádio das Antas, marcou um belíssimo golo, a passe do seu homónimo, de apelido Martins, à entrada da área sentou P. Santos e quando Erickson deu um passo em frente, preparando-se para fazer a mancha, picou-lhe a bola fazendo um golo fabuloso... Vi e revi o lance inúmeras vezes... Arte, sublime, perfeita... Magia para outros...
Na mesma eliminatória, num segundo jogo entre as mesmas equipas, lesionou-se depois de uma arrancada, em que nem os bichos o conseguiram deter... E durante meses o futebol voltou a ser vulgar...
Não posso falar de todos os momentos em que ele homenageou o futebol com o seu perfume. Vou terminar com uma referência, que poderia ser uma metáfora da sua carreira.
No último grande jogo que o vi realizar, curiosamente jogou apenas alguns minutos, deu a sensação que se tomasse a bola na sua área seria capaz de driblar todos os compatriotas de Vincent van Gogh a passo. A maneira como expulsava quem quer que lhe surgisse à sua frente com um movimento suave... Genial... O problema é que não teria tempo suficiente para o fazer. Neste jogo, como na sua carreira, - e partindo do princípio que o futebol, como tudo na vida, irá evoluir de forma postiva - o tempo foi o seu maior inimigo.
Falo de Barbosa. Pedro Barbosa.
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Gonçalo
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18:54:00
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sub-18
No domingo passado fui ver o jogo entre Portugal e Rep. da Irlanda, na categoria de sub-18.
O meu comentário ao jogo, e ao desempenho da nossa selecção, é o seguinte: Conto com vocês, sub-17 e sub-19! Agora tirem as vossas conclusões...
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Gonçalo
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15:57:00
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Em defesa dos grandes
Zé Castro chegou ao Atlético Madrid e assumiu-se quase imediatamente. Sorte? Não me parece. Na minha opinião, Zé Castro tem uma grande virtude: não é burro, como maior parte dos centrais. Disputa as bolas não para as mandar para a quinta (característica do grande defesa, para a generalidade do público) mas para capturá-las e dar início a novo ataque da sua equipa. E faz isto onde quer que esteja. Muitos podem alegar que um central deve é despachar a bola o mais possível. Errado. Muito errado! Defender bem é apenas metade do que um defesa central deve fazer. Outros podem reconhecer que Zé Castro tem muita classe, mas que, por não ir à bola como um touro investe contra um forcado, não tem grande futuro. Novamente errado. Sem fazer muitas faltas, sem ter entradas por trás, sem qualquer espécie de maldade, passando mesmo discreto, recorrendo apenas a um sentido posicional ímpar e à sua velocidade, Zé Castro é um defesa central de altíssima qualidade. Se são precisos exemplos para reconhecê-lo, poderíamos ir ver quantas vezes, por exemplo, secou Liedson. Depois de muito estudo, conclusão óbvia: sempre! A época transacta, por exemplo, num jogo contra o Benfica, deu um autêntico recital. Ganhou bolas no peito a que os avançados não chegavam de cabeça, saiu sempre a jogar com calma e confiança, iniciou maior parte dos ataques da equipa, etc. E é aqui que é preciso chegar. Um defesa que se limita a limpar a sua zona, com pontapés na bola sem nexo, inviabiliza, é certo, grande parte dos ataques adversários e até pode intimidá-los. Não permite, contudo, que a sua própria equipa inicie o seu ataque ou retenha a posse de bola de modo a que o adversário não tente novo ataque. Despejar bolas para a bancada é apenas uma forma de adiar o ataque adversário e não de o anular.
Em nome do bom futebol e da inteligência rara dos grandes jogadores, Zé Castro deve ter todo o apoio de quem realmente entende de futebol. E deve tê-lo não só porque mantém o espectáculo num nível de qualidade assaz agradável, como tem a categoria para entender que, ao contrário do que fazem maior parte dos seus companheiros de posto, para se ser um bom defesa é necessário contribuir para a qualidade de jogo da equipa. Um defesa não é só uma estaca, nem muito menos um Luisão... Esse tipo de defesas podem evitar que um adversário produza perigo numa determinada jogada, mas não ajudam em nada - e isso é certo - na construção de jogo da equipa. E se uma equipa é um todo, todos têm que construir, como todos têm que saber ocupar devidamente as suas posições no terreno. Além disso, ser-se agressivo ou alto não significa necessariamente ser um bom defesa. As grandes virtudes de um defesa são a inteligência, o posicionamento e a velocidade. Como é óbvio, se aliarmos a isto o tamanho, tanto melhor. Ora, Zé Castro tem isto tudo e ainda uma qualidade técnica invejável para um defesa.
Perante este cenário, apraz-me defender tão ilustre jogador das críticas que lhe possam dirigir. Há duas semanas, o Atlético Madrid não ganhou ao Real Madrid porque Zé Castro perdeu uma bola, aparentemente de maneira infantil, e permitiu o golo dos merengues. Vendo o lance novamente, percebemos o que aconteceu, de facto. Zé Castro, numa situação difícil, em vez de recorrer à arma preferida dos defesas, o pontapé estúpido, preferiu segurar a bola, levantar a cabeça e tentar proporcionar à equipa não só o conforto da posse bola como níveis de confiança mais altos. Correu mal. Ou porque demorou mais tempo a dominar a bola, ou porque o avançado se aproximou dele mais rapidamente do que esperava - o que é certo é que correu mal. Antes de conseguir entregar a bola, foi desarmado. É isto motivo para acharmos que aquilo que ele fez foi errado? Deveria Zé Castro ter sido prático naquela situação, não correndo riscos, entregando a bola ao adversário? Julgo que não. Jamais aquele que dispensa o risco tem a felicidade do êxito. Zé Castro foi fiel às suas ideias. Achando ignóbil despejar uma bola para se livrar de acusações que lhe pudessem dirigir caso o lance corresse mal, como correu, preferiu arriscar. Um defesa, quando despeja uma bola sem nexo, faz duas coisas: limpa a jogada, o que só é bom para a equipa a curto prazo, e limpa-se a si, delegando a eventual falência da equipa para outros companheiros ou para outros factores que não os erros individuais. Zé Castro, se tivesse jogado prático, além de ser mal jogado, estaria a fazer exactamente o mesmo que um jogador ao se demitir da sua função de habitual marcador de penaltys, entregando a responsabilidade a um companheiro apenas por não querer correr o risco, caso falhe, de ser julgado pelo erro. Nem sempre o melhor dá os melhores resultados. Mas é garantido que o melhor dá os melhores resultados a maior parte das vezes. Nem sempre jogar bem, da forma mais acertada significa sucesso. Mas de certeza que não há outro caminho mais lógico para se ter sucesso do que jogar correctamente. Zé Castro, além de tudo, revelou coragem. Coragem e inteligência, pois sabe que, apesar do erro, estava certo. É verdade que correu mal e que por isso o Atlético não somou 3 pontos. É verdade. Mas salvou-se a integridade ideológica de um jogador, integridade essa que pode bem ser a sua melhor arma para, daqui a uns anos, estar entre os melhores do mundo.
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Nuno
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02:20:00
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sexta-feira, 2 de março de 2007
Falsas aparências
Muito se tem escrito e opinado sobre a tão propalada juventude, excessiva, do plantel do Sporting. Admito que mesmo eu cheguei a cometer esse erro.
Ponto número um - Não têm sido os jovens que tem comprometido nos momentos cruciais. Contem os erros de palmatória de Miguel veloso, Nani, Moutinho, Custódio, Martins, Djaló. Comparem-nos com os erros de Caneira, Ricardo, Liedson- e não é por estar a atravessar um momento bom que devemos esquecer as horríveis exibições do início de época-, e Paredes, este nas poucas vezes que jogou. Os jogadores experientes deviam emprestar equilibrio, e alguma matreirice, a um plantel jovem. Mas não se tem assistido a esse facto, bem pelo contrário.
Ponto número dois - A relutância de Paulo Bento em utilizar Farnerud é exasperante. O sueco é bom de bola, correctos nos critérios de aceleração e organização de jogo.
Ponto número três - O Abel teve de férias ? Não? Então porque não tem jogado? Não me lembro de nenhum jogo em que ele tenha comprometido. Teve um jogo menos bom? O Liedson teve DEZ!!!! Pelo menos...
Ponto número Quatro - Nenhum dos chamados "jovens" do plantel leonino foi expulso por agressão, deixando a equipa em inferioridade numérica...
Não creio, portanto, que a juventude seja a causa dos maus resultados leoninos. Será, sem dúvida, uma questão de más opções. Neste aspecto é curioso o percurso contrário dos treinadores, das respectivas equipas, da segunda circular. Bento começou o campeonato com os melhores, porém, os resultados, que teimavam em não aparecer, levaram a que cedesse e acabou por mudar. Saiu Romagnoli, Martins, Abel... Liedson, esse, continuou; curioso que nessa altura a única coisa que se podia apontar ao Sporting era não concretizar as inúmeras oportunidades que criava. Por causa da JUVENTUDE, claro. No clube da Luz, porém, aconteceu o inverso. Quando Fernando Santos percebeu a verdadeira dimensão de jogadores como Paulo Jorge, Manú, Miguelito... Sem qualquer tipo de desapreço por estes jogadores. Simplesmente, não são os melhores do plantel. O benfica, pode não praticar um futebol deslumbrante, - mas quem é que o tem praticado nas últimas jornadas? - mas joga bem, e de forma intensa, sustentada por uma confiança enorme. Acredito que isto é o máximo que o plantel do Benfica pode oferecer, não lhe reconhecendo talento para passar disto, mas a verdade é que "isto" arrisca-se a ser o suficiente para vencer o campeonato...
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Gonçalo
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19:13:00
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quinta-feira, 1 de março de 2007
Rotatividade ou Lotaria?
Vítimas de não conhecerem o seu estatuto dentro do plantel são, por exemplo, Carlos Martins, Custódio, Romagnoli e Nani. São jogadores talentosos, mas não têm motivação para explanarem o seu futebol. Na época passada, Carlos Martins estava constantemente lesionado. Mas era titular indiscutível da equipa e, sempre que regressava, notava-se-lhe uma vontade enorme em mostrar o seu valor. Agora, parece custar-lhe entrar, sabendo que um bom jogo pode valer-lhe, no jogo seguinte, um regresso ao banco. Ainda recentemente entrou 15 minutos, abanou o jogo com a sua irreverência e, para o jogo seguinte, nem sequer foi convocado. Isto é incompreensível! Nani, no princípio da época, estava no seu melhor momento de forma. Estava de tal forma confiante que a estreia na selecção foi auspiciosa. Aos poucos, com o desenrolar do campeonato, foi efectuando exibições menos conseguidas. Isso, em vez de lhe valer a colocação no banco, o que poderia motivá-lo a tentar alcançar os níveis do início da época, valeu-lhe uma utilização intermitente, que não pode ser boa para si. O argentino Romagnoli esteve em evidência na pré-epóca e no início da época. Desceu de rendimento, por esta ou aquela razão. E é mais um que vai tendo uns minutos aqui, outros ali. Isto é uma má gestão do plantel.
Resumindo, o problema principal do Sporting é, neste momento, a confiança. Muitos advogam que os níveis de confiança estão baixos por isto ou por aquilo. Para uns, é devido à imaturidade e à juventude do plantel. Para outros, é porque, em momentos decisivos a equipa tem falhado e os jogadores, sabendo disso, perdem confiança. É certo que os resultados menos positivos foram o catalisador desta situação. Se virmos bem, antes da derrota em Alvalade perante o Benfica este problema de confiança não se punha: a equipa estava a praticar um bom futebol e estava bem no campeonato, a pouquíssimos pontos do Porto. Mas estes factores poderiam ser contornados. O problema é outro. O problema reside na falta de confiança, por natureza, que os jogadores sentem devido à indefinição do seu estatuto, devido à lotaria a que estão sujeitos. E esse é um problema de gestão de recursos humanos. De má gestão de recursos humanos...
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Nuno
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Os seis que mereciam ser dez - 1
Um gesto lânguido, num segundo que, de certa forma, irá perdurar nas nossas mentes. A melhor opção, sempre a melhor. A linha de passe invisível, até nos ser revelada pelo patrão, num assomo de pura genialidade, e generosidade para os adeptos do futebol. Por vezes dava a sensação de ser lento a executar, mas não, nada disso; apenas criava essa ilusão para assim podermos desfrutar da sua magia. Pois é, e pela primeira vez, senti uma atracção por esse comando, por esse posto. Paulo Sousa.
A maneira como a equipa seguia as suas passadas, dando, por vezes, a ideia que o jogo variava de flanco com apenas um olhar seu, como se este dissesse à bola, « é por ali, é por ali o melhor caminho»; outras vezes, o desenrolar do jogo colava-se ao bater do seu pulso, acelarando, ou detendo-se, conforme o entusiasmo do general.
Seria uma personagem de um qualquer conto de Wilde pela sua graça e elegância; simbolo máximo da vitoria da inteligência sobre o músculo, não se descobria em Sousa indìces fisicos invulgares. Não era rápido, tão pouco forte no choque, não era dotado de uma garra extraordinária, tecnicamente apesar de bom, não deslumbrava... Mas compensava tudo isso com uma inteligência singular. Que prolonga no seu cargo como selecionador, mas isso são contas de outro rosário...
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Gonçalo
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
A grande mentira do futebol.
Este vai ser, provavelmente, um post bastante polémico.
Apesar de admitir que o fenómeno futebol em Inglaterra é excitante, e de certa forma, um grande espéctaculo ( com todos os seus ingredientes - adeptos incansáveis, boas molduras humanas nos estádios, etc.), acho que o futebol, enquanto jogo, é pobre. Mais, acho lamentável a maneira como os árbitos conduzem os respectivos jogos. E a provar o que digo, confirmem a quantidade de entradas violentas que existem todas as jornadas naquele campeonato. Quando me dizem que ali não embarcam em teatros, sou levado a concordar, ali bate-se a valer. É ridícula a justificação que se dá para permitir aquele tipo de atitude que é rainha na Premiership. O futebol é um desporto viríl! Calculo que os momentos de ouro da história do futebol, estejam repletos de virilidade. Pois são homens como Jorge Costa, Paulo Turra, Vidigal, Petit, etc, que nos fizeram apaixonar pelo jogo. Não essas meninas, como Zidane, Laudrup, Baggio, MARADONA, Van Basten, etc.
Outra coisa que não concordo é com o mito de que em Inglaterra o futebol é mais verdadeiro. É apenas um eufemismo para a realidade: é um futebol pobre em termos tácticos, sem ideias, baseado única e exclusivamente, nas pontecialidades fisicas/técnicas dos seus jogadores. Tomemos o exemplo do MU: no último jogo, contra o Fulham, não fosse a qualidade técnica de alguns jogadores, poderia-se dizer que estávamos perante um jogo dos distritais. Sem qualquer tipo de transições definidas, assistiu-se ao estilo very british, kick and run. Entregando a sua sorte ao acaso, Sir Alex, teve em Cristiano Ronaldo a solução para um jogo que parecia condenado. E dei comigo a desconfiar do futebol; como poderia ele recompensar alguém que o ignorava daquela forma, rebaixando-o a um nivel tão primitivo? Fazendo dele não mais do que um desporto baseado em apenas músculo, suor, e uma percentagem exígua de inspiração, sem qualquer qualidade? Porém, a explicação é simples. Num campeonato como aquele, em que todas as equipas, excepto, o Chelsea e o Arsenal, são pobres do ponto de vista táctico, quem tem os melhores jogadores, e a sorte de não ter um grande número de lesões, vence. Com um modelo de jogo básico, e primítivo, conseguem alcançar resultados. Contudo, na europa, as coisas já soam de maneira diferente. E por isso, à excepção do Arsenal e Chelsea, o seu contributo nas provas europeias ficam sempre aquém. O futebol em Inglaterra é jogado de maneira etérea. Sem esquemas, é o país do fair-play. Ok, voltemos então ao jogo do sabado passado. Depois de conseguir o 2-1 de forma casual, como é que o MU passou os últimos 5 minutos de jogo? Pois é, da maneira mais nobre, e leal: levando a bola para a bandeirola de canto, tentando queimar todos os segundos, tentando proteger a bola junto do quarto circulo. Porque, lá está, ter um modelo de jogo definido, que lhe permitisse manter a posse de bola trocando a mesma entre os seus jogadores isso era feio, e desleal. Ok.
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Gonçalo
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domingo, 25 de fevereiro de 2007
Doentes Mentais ou Génios?
Já há tempos, Jaime Pacheco, numa entrevista, tinha dito que Mourinho só se tornou no que se tornou porque teve sorte, pois nunca treinara equipas pequenas, que fora logo para as grandes. Recapitulemos. Mourinho andou mais de uma década à sombra de Robson e Van Gaal. Realmente, poderia ter usado este tempo para se iniciar como treinador, mas preferiu passá-lo a aprender, coisa que falta a... vá lá... quase todos os treinadores além dele. Depois, chegou ao Benfica. Um grande, é verdade. Mas deu-se ao luxo de abandonar o cargo de treinador e foi para o Leiria. Parece que afinal sempre treinou equipas pequenas. E vejamos o que fez no Leiria. Pois, saiu a meio da época para o Porto, porque era evidente que era bom. Deixou o Leiria em terceiro no campeonato, à frente do Benfica. Depois, no Porto, foi o que se viu. Em duas épocas, só não ganhou uma taça de Portugal. E se quisermos, no panorama europeu, o Porto era uma equipa pequena, mas ainda assim ganhou a UEFA e a Champions. Resumindo, o que Jaime Pacheco diz não tem qualquer fundamento. Mourinho treinou equipas pequenas. Ganhou sempre mais do que era esperado. Parece-me doença mental não saber interpretar isto, sr. Pacheco.
Para finalizar - é preciso dizê-lo sem medo - Jaime Pacheco não percebe nada de futebol. As suas equipas baseiam-se na força. Na força, imagine-se. E como sabemos, tudo o que é preciso num futebolista é força. Mourinho terá reagido a uma acusação de Pacheco dizendo que este só tinha um neurónio. Na minha opinião, foi simpático. Se Jaime Pacheco tivesse um neurónio, tê-lo-ia usado para permanecer calado e não se meter com Mourinho. Jaime Pacheco, como maior parte dos treinadores portugueses, não faz ideia do porquê do sucesso de Mourinho. Julga que teve sorte ou que é por saber disciplinar os seus jogadores. Há que dizê-lo também sem medo: Mourinho teve sucesso porque percebe de futebol e porque não deixa a sorte do jogo ao acaso ou à inspiração dos jogadores. Trabalha e potencia os seus jogadores, de acordo com um modelo de jogo concreto e de acordo com uma filosofia de jogo que não só é a mais correcta como a única que faz sentido. A diferença entre um doente mental e um génio é muito ténue. O que diferencia o génio do doente mental consiste na consciência que o primeiro tem do êxito que alcança. Mourinho não ganhou, como se ganha na maior parte dos casos, acidentalmente. Ganhou porque era muito melhor que os outros. E era de tal forma melhor que dificilmente não ganharia.
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Nuno
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15:38:00
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Génios
Sexta feira, 23 de Fevereiro. Um jogo entre duas equipas distintas, tais como os seus objectivos, mas que comungaram os mesmos pontos. Nesta altura o mais facíl será dizer o que faz falta ao Sporting; mas não é isso que vou apresentar, não, nada disso. O clube de alvalade apenas aproveita os prejuízos de ter um plantel bastante jovem. Uma grande parte da culpa está imíscuida nos comportamentos dos adeptos, uma vez que, ao invés de se apresentarem como apoiantes, mais parecem procurar na equipa o escape de todas as sua frustrações, dando assim enfâse ás dificuldades, inerentes à idade, resultantes da pressão de jogar num clube com grandes objectivos, mas, não só; um dos predicados das equipas jovens, é a sua irreverência, a sua imprevisibilidade, o seu arrojo e tendência para fantasiar. Porém, refém de uma disciplina rigída, a equipa não consegue explorar os seus valores na sua plenitude. O caso mais gritante passa por Carlos Martins. O seu talento ímpar para ser aproveitado, temos que o deixar ser rei no campo. Deixá-lo sentir os ritmos da equipa, e, então com alguma anarquia, produzir os desiquilibrios que fazem dele um dos maiores talentos da sua geração. Não podemos circunscrver o seu talento com rigidez táctica, tão pouco com um altruismo exagerado. Os génios são individualistas, e serão sempre dotados de temperamento muito sensível, oscilando, sempre em função do momento em que vivem. Por outras palavras, o génio, nunca irá ter a consciência das necessidades dos vulgares, por isso são mais verdadeiros nas suas demonstrações de insatisfação, não se preocupando com as consequências de tais actos.
Não tendo a consciência da correlação entre um talento criativo descomum, e um desajustamento social, que neste caso se refere à equipa, somos levados, muitas vezes, a crucificar estes jogadores por não manifestarem a mesma predisposição para sofrer como os demais. Porém, esta expectativa, por si só, é uma contradição. Num génio o seu intelecto, ou sentido criativo, prevalece de uma forma clara, sobre a sua vontade, ou espírito de sacrifício. Ao Carlos Martins, temos que deixar de pedir que se integre nesta sociedade, cada vez mais triste, e que seja cada vez mais um desajustado. Só assim, não o obrigando a ser igual aos outros, e a ter a consciência das limitações da mediocridade, poderemos comtemplar o talento dos grandes. Teria Zidane sido quem foi, se, por ventura, não fosse o rebelde que sempre se mostrou em campo? Não basta ser diferente com a bola nos pés. É preciso arrojo, coragem de pensar diferente, fazer o inesperado, quando o mais aconselhável, é seguir o convencional. E são esses momentos, em que uma aparente loucura toma conta dos predestinados, que ficam para sempre. Em alkmar, contra o Az, muitos daqui a uns anos, para além do golo do Miguel Garcia, poucas coisas serão recordadas. E uma dessas poucas coisas que surgirão, será o passe em plena pequena área da sua própia equipa, do P. Barbosa para Ricardo, quando à ilharga do primeiro se avistavam dois adversários. Ou, então, quando contra o Feyenoord, depois de um canto contra a sua equipa, em vez de aliviar a bola, fazendo o que qualquer comum jogador faria, e que, muito provavelmente, iria dar origem a um segunda vaga de ataque da equipa holandesa, saiu em drible, tirando do caminho quem quer que lhe aparecesse pela frente. Louco e arriscado? Não!, Superior! Não basta ser brilhante, é preciso a coragem para assumir esse futebol diferente.
Escrito por
Gonçalo
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Etiquetas: Carlos Martins, Pedro Barbosa, Sporting
sábado, 24 de fevereiro de 2007
O verdadeiro adepto de futebol
O verdadeiro adepto de futebol pode ter um clube do coração, pode gostar mais de um certo clube, mas se reconhecer que o seu clube não é o melhor, não desejará a vitória a esse clube. Como tal, o verdadeiro adepto de futebol é o único isento, o único capaz de decidir, perante a sua análise, quem mais merece a vitória. Esse tipo de adepto defende, antes da sua equipa, antes da selecção do seu país, o futebol de melhor qualidade. É, portanto, aquele que vai mais triste para casa com uma má exibição da sua equipa, ainda que tendo ganho, do que com uma derrota em que os postes e o guarda-redes adversário cometeram o milagre de evitar a vitória. Um verdadeiro adepto de futebol só considera o dinheiro do seu bilhete mal gasto quando não assiste a um espectáculo em conformidade. E o que define a conformidade desse espectáculo? Precisamente a sua qualidade e não o seu resultado. Ao contrário do adepto comum, o verdadeiro adepto satisfaz-se com a qualidade e não com o resultado. Porquê? Porque para uns o futebol é a forma mais fácil de se sentirem poderosos (agora, que a religião perdeu toda a sua força) e para outros é uma forma de arte.
É aqui que o argumento pretende chegar. O verdadeiro adepto não é só aquele que entende o futebol como uma forma de arte. É também aquele que, tendo capacidade de assim o entender, está apto a saber avaliá-lo qualitativamente. O que pretendo provar é que só o adepto que veja o futebol como arte, que consiga colocar a qualidade do espectáculo à frente do seu resultado, é que tem condições para saber distinguir o bom futebol do mau futebol. E isto é fácil de provar. Um adepto que dê preferência ao resultado não saberá distinguir a melhor forma de atingir esse resultado. Porquê? Porque nem sempre os resultados derivam da qualidade. Uma equipa que jogue um futebol demasiado directo pode ganhar vários jogos apenas porque os seus avançados são mais rápidos que os defesas adversários. Num jogo em que isso não se passe, não ganharão. Mas o adepto comum não perceberá porquê. Na sua óptica, ficará sempre a ilusão de que os jogadores não se esforçaram o suficiente, ou que o adversário teve sorte, ou que o treinador não soube planear o jogo. E por que pensa ele assim? Porque só lhe interessa o resultado e porque pensa que, tendo chegado a um resultado positivo, uma equipa tem obviamente qualidade. Falso. Maior parte dos resultados positivos não derivam da qualidade, mas de factores diversos incontroláveis. Em contrapartida, um adepto para quem o resultado não seja importante, que concentre a sua atenção na qualidade do jogo (o único factor controlável no futebol) saberá dizer o que está mal e o que está bem. Porquê? Porque, à partida, conseguirá perceber em que medida os resultados foram derivados de uma boa ou de uma má qualidade do jogo ou de determinados aspectos do jogo.
Como é óbvio, isto não é linear. Há quem consiga fazer isto melhor, há quem consiga fazê-lo pior. O que digo é que saber assistir a futebol, isto é, ver o futebol como arte, é premissa necessária para se perceber de futebol. Só de entre os que assim o fazem saem os que entendem mesmo de futebol. Mesmo entre esses poucos, há quem depois não saiba interpretar correctamente as coisas. Ou quem saiba apenas parcialmente. São raríssimos os que têm inteligência suficiente para saber interpretar correctamente a qualidade de um jogo. Não digo, com isto, que estes adeptos estejam aptos a ser treinadores, conquanto o fossem, certamente, melhor que maior parte dos treinadores que existem. Uma coisa é interpretar a qualidade e saber como atingi-la, outra coisa é ensiná-la, comunicá-la a um grupo de jogadores. Conheço apenas um que o sabe quase na perfeição, mas esse é Especial...
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Nuno
às
13:40:00
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