A selecção que faço dos ditos de Pedro Fajardo - é assim que se chama a criatura que dará alma aos parágrafos que se seguem - peca, certamente, por escassa. A partir do momento em que comecei a acompanhar, com relativa frequência, o que era escrito no
Academia de Talentos, deparei-me com várias pérolas e não pude deter fortes risadas e irónicos assentimentos de cabeça. Nem todas tiveram origem na mesma pessoa, é certo, até porque o nível de conhecimentos e de capacidade analítica das pessoas que por ali escrevem, apesar do interesse dos conteúdos e da temática, é bastante curto. Mas as opiniões de Pedro Fajardo sempre me pareceram, existindo um concurso de opiniões absurdas, as mais promissoras. De futebol, esta pessoa perceberá pouquíssimo. Terá o mérito de gostar do jogo. Ou de pensar que gosta, pois não sabe o que é o jogo e, caso o soubesse, talvez não gostasse dele.
Antes ainda de passarmos às suas pérolas, ficam algumas opiniões curiosas de outras pessoas que por lá escrevem.
1. Gil Nunes, tendo que constituir uma equipa ideal de juniores 2008/2009, exibiu a seguinte formação: Ruca na baliza, Cedric, Nuno Reis, Roderick e Mário Rui na defesa, Leandro Pimenta, André Martins e Diogo Rosado no meio-campo, Diogo Viana, Nélson Oliveira e Wilson Eduardo na frente. Para o banco relegou Victor Golas, Josué Pesqueira, Ishmael Yartey, Sagna, Pedro Mendes, Henrique Dinis e Danilo Pereira. Não acompanhei todo o campeonato, mas posso falar da fase final e do talento, em termos absolutos dos jogadores. Começo pelos centrais. Nuno Reis é um bom jogador, mas não incluir Pedro Mendes nos titulares é parvoíce. Roderick não tem classe nem para o banco. Mário Rui é um trauliteiro. Quanto ao meio-campo, é absurdo pensar-se em Leandro Pimenta. Sobretudo quando se esquece David Simão,(Benfica), Diogo Amado (Sporting), Ricardo Dias (Porto) ou André Almeida (Belenenses), sendo que todos eles nem como suplentes foram considerados e qualquer um deles, na selecção de sub-19, tem presença mais assídua. Outro que foi esquecido foi Rabiu Ibrahim (Sporting). Mas lembrou-se de Danilo Pereira, claro. Não se ter lembrado de Lassana Camará já é uma conquista. No ataque, referenciar Diogo Viana e Wilson Eduardo é de loucos. Juntando os neurónios dos dois dava para aí inteligência para um infantil. É até ultrajante estes jogadores serem incluídos numa formação e Josué Pesqueira e Yartey não o serem. Para culminar, Gil Nunes aventa dois nomes para melhor jogador da época: Nuno Reis e Roderick Miranda. Pois, está bem! Nem Josué Pesqueira, nem Diogo Rosado, nem André Martins, nem Rabiu Ibrahim, nem Nélson Oliveira... Talento que é bonito não... O que é bom são centrais duros... Não sei, mas apostaria que Gil Nunes, quando jogava à bola, era o que punha mais adversários a sangrar.
2. Paulo Matias escreve sobre o preconceito que há contra jogadores africanos e a suspeita que muitos deles não tenham a idade correspondente ao escalão em que jogam. Faz então uma defesa dos jogadores africanos, ignorando, por certo, a certeza do teste do pulso e o facto de ser conhecido publicamente que muitos deles têm idades "ilegais", e pergunta:
"Será justo colocarmos em causa o talento de jogadores como Valdomiro Lameira "Estrela", Pape Bakary, Sancidino Silva, Armindo Bangna "Bruma", Carlos Mané, ou os irmãos Edilino Ié, e Edgar Ié, entre muitos outros que existem nos mais variados clubes Portugueses, apenas porque neste momento exibem uma superioridade física ou intensidade de jogo totalmente diferente dos seus colegas do mesmo escalão? E se quando chegarem ao futebol sénior a superioridade continuar?"Eu respondo. Sim, será justo. Sobretudo se se souber que o talento deles não é bem talento porque têm mais três ou quatro anos. Não conheço maior parte dos nomes citados por Paulo Matias, embora os ache divertidos, sobretudo aqueles irmãos, mas conheço o primeiro. A alcunha dele é "Zé Estrela" e jogou há uns anos num certo torneio da Pontinha, despontando porque tinha mais meio-metro que os outros miúdos. Na altura achei suspeito. Mais tarde, confirmei que a sua idade não era condizente com o escalão em que jogava. E a diferença não era só de um ano ou dois. Continua Paulo Matias, dizendo, perguntando:
"Nem de propósito, existem actualmente três jogadores que se têm evidenciado nos juniores do Benfica e que certamente já sentiram este tipo de reacções em Portugal, são eles Danilo Pereira, Lassana Camará e Ishmael Yartey. Será alguém capaz de ignorar o talento que estes jovens têm demonstrado na equipa de juniores do Benfica?"Eu sou capaz. E sou capaz sobretudo porque, tirando Yartey, que tem qualidade, os outros dois são miseráveis. Nem quero saber das idades deles. É mesmo de falta de talento que falo. Basicamente, o que Paulo Matias defende é que factos afinal são preconceitos. Nem vou voltar a falar no avançado ganês de 22 anos que o Benfica o ano passado tinha nos juniores, porque não vale a pena. Além disso, parece defender também que os africanos, quaisquer que sejam, têm talento. Eu não tenho a certeza, mas nos diccionários costuma dizer que "preconceito" significa conceitos formados previamente. Ora, achar que todo o africano é ostracizado porque tem mais talento é que é capaz de ser uma forma de preconceito. E de estupidez, já agora.
3. Nuno Valente faz uma análise ao Benfica/Porto, a contar para a penúltima jornada da fase final do campeonato de juniores deste ano e destaca Nélson Oliveira e Ruca como os melhores em campo. Ruca é o guarda-redes do Porto e parece-me um bom guarda-redes. Mas os guarda-redes normalmente só são destacados ou quando os restantes jogadores são mesmo muito maus ou quando fazem grandes exibições. O argumento de Nuno Valente é que Ruca teve excelentes intervenções. É verdade que o Benfica passou muito mais tempo no meio-campo do Porto, mas criou pouquíssimas situações de perigo e Ruca não fez nenhuma defesa difícil, limitando-se a demonstrar alguma segurança (nem sempre) na resposta a cruzamentos. Só percebo esta análise do ponto de vista de um benfiquista ferrenho, que tentou justificar a má exibição da equipa encarnada e o mau resultado com uma exibição imaculada do guardião adversário. Ora, isto não faz justiça ao que se passou. Sobretudo quando em campo esteve Josué Pesqueira, de longe o jogador mais adulto e mais talentoso do Porto, autor do golo da sua equipa e responsável por tudo o que de bom em termos ofensivos a equipa produziu. Na análise individual a Josué, Nuno Valente diz o seguinte:
"Sempre muito influente, quase todas as jogadas de ataque passaram pelos seus pés. Muito esclarecido, sabe bem como tratar a bola, e foi dele o golo, na conversão da grande penalidade."Parece elogioso, não parece? Mas não é. É só uma forma simpática de dizer que jogou mais ou menos. Isto porque depois diz isto de Diogo Viana:
"O melhor jogador portista, a par de Ruca, foi dos seus pés que saíram os lances mais perigosos de todo o encontro para a sua equipa. Ganhou a grande penalidade, em mais um lance onde foi notória a sua velocidade e foi sempre o mais esclarecido do ataque portista."Ora, Diogo Viana fez um jogo horripilante. Dos seus pés não saiu um único lance de perigo, como parece querer convencer-nos Nuno Valente, decidiu sempre mal, tentou virar-se sempre para o seu adversário, quando recebia a bola, mesmo que estivesse apertado, e foi sempre anulado por um rapaz de seu nome Mário Rui, que bate em tudo o que mexe. Não ganhou a grande penalidade, porque quem a cometeu é que foi burro que nem uma porta. E dizer que foi o mais esclarecido, quando não sabe o que é um companheiro de equipa e o único argumento que tem é correr é das coisas mais patéticas que se pode dizer.
4. Chegamos finalmente às pérolas de Pedro Fajardo. Sobre Pedro Mendes, um central tecnicamente muito dotado, com uma capacidade para sair a jogar absolutamente notável e igualmente muito forte em termos defensivos, estando sempre concentrado e tendo uma leitura perfeita dos lances, diz o seguinte:
"Pedro Mendes é um central diferente, cuja evolução a nível técnico tem (aparentemente) encantado os responsáveis leoninos."É um central diferente? Diferente de quê, amigo? Diferente dos outros ou diferente daquilo que tu achas que é um central? Não é diferente, não. É melhor.
"Acredito muito no seu potencial, mas acho que ainda tem de crescer fisicamente, assim como em alguns aspectos competitivos, para revelar todo o seu potencial."Pois, estava-se mesmo a ver. O problema é o físico. Para Pedro Fajardo, um bom jogador é só um jogador com potencial. Enquanto não tiver físico, não tem qualidade, tem só potencial. Pedro Mendes não precisa de físico nem precisa de ser mais competitivo do que é. Isto porque competitividade não é agressividade; é concentração, inteligência, precisão, capacidade de melhorar. E ele tem isso tudo.
"Quando souber aplicar o seu físico, no que lhe será muito importante habituar-se ao duro jogo das divisões inferiores, Pedro Mendes poderá aliar os pezinhos de lã com que sempre pretende jogar, para se tornar num central completo."Ficamos a saber que um central completo é aquele que sabe aplicar o físico. O Baresi, o Maldini, o Laurent Blanc e o Beckenbauer não eram completos. Mas o que eu gosto mesmo é da ideia de ser importante, para um jogador como este, o "duro jogo das divisões inferiores", como se passar pelos escalões inferiores fosse um ritual de passagem, em que um miúdo aprende a ser homem, sendo que homem é, entenda-se, alguém que sabe usar a força, que é viril, que bate nas mulheres. Está certo... Fico com a sensação que Pedro Fajardo é um homem das cavernas...
"Quanto a mim, Nuno Reis mereceria passar imediatamente para o escalão sénior (inclusivamente, parece-me, um defesa mais maduro que Pedro Mendes)."Nuno Reis é o companheiro de defesa de Pedro Mendes, no Sporting e na selecção. Sabem por que é que parece a Pedro Fajardo que Nuno Reis é mais maduro? Não adivinham? Eu digo: porque é mais agressivo. Faz todo o sentido. Maturidade é agressividade, aliás. Não está em causa o valor dos dois jogadores. São ambos bons. Mas Pedro Mendes tem mais maturidade, até porque é um ano mais velho, e tem características que Nuno Reis não tem e que podem ser uma enorme mais-valia. Mais uma vez, Pedro Fajardo faria bem se estivesse calado...
5. Pedro Fajardo também tem opiniões sobre Wilson Eduardo, o que é sempre bom. Diz ele:
"Pouco mais posso acrescentar ao que já disse sobre Wilson. Posso apenas esperar que esteja em (mais uma) tarde inspirada e que os seus colegas saibam canalizar muitas bolas para aquele flanco esquerdo, onde cairá inevitavelmente."Deve ser azar meu. É que ainda não presenciei nenhuma tarde inspirada do Wilson Eduardo. Apenas momentos exasperantes de burrice e toneladas de bolas perdidas. Enfim, Wilson Eduardo é aquele jogador que não tem nada de bom, além da velocidade. Corre com os braços junto ao corpo, não vê os companheiros, não tem talento e nem sequer faz muitos golos. É um caso gritante de parvoíce generalizada, continuar a achar que este rapaz tem algum futuro. Mas Pedro Fajardo não se fica por aqui e compara-o a Ricardo Nogueira:
"E para quem estava habituado a ver Ricardo Nogueira falhar golos em barda nos juniores (suportado por uma geração excepcional, entre os quais estavam o Daniel Carriço, Adrien Silva, João Gonçalves, etc.), ver o Wilson jogar era um pouco pouco como rever o tipo de avançados que se iam criando nas camadas jovens do Sporting: fortes tecnicamente (sempre superiores aos seus adversários) e extremamente perdulários. Por isso, com Wilson muitas vezes meti as mãos à cabeça e pensei "avançado que é avançado não pode falhar golos assim". Até aquele (belo) jogo em Guimarães em Junho de 2007, em que Wilson não foi somente mortífero, mas revelou também as características que poderão projectá-lo bem alto no futebol: velocidade, técnica, remate e diagonais de fazer os adversários perder a cabeça."Mais uma vez, Pedro Fajardo demonstra que não sabe o que é futebol. Um avançado não tem que marcar golos para ser excelente. Comparar Ricardo Nogueira, que nem sequer era perdulário, a Wilson Eduardo é doentio. Dizer então que Wilson Eduardo é forte tecnicamente quando fica a milhas de Ricardo Nogueira neste aspecto é deficiência mental. Mas Wilson Eduardo convenceu Pedro Fajardo quando foi mortífero num determinado jogo. Pois... É uma qualidade do caraças, ser mortífero. Para Pedro Fajardo, o ideal de avançado é um escorpião. Afinal de contas, é mortífero...
"Prestes a cumprir os seus dois últimos jogos no escalão júnior, não sabemos ainda o que o futuro imediato reservará a Wilson Eduardo. A julgar pelas elogiosas comparações que lhe vão fazendo (entre ser parecido com o Liedson e ter características semelhantes ao Thierry Henry) seria de esperar que o mais velho dos irmãos Eduardo saltasse directamente para o plantel principal."A comparação com Liedson pode ser válida, tirando o facto de não marcar muitos golos (o que afinal é a única razão pela qual o Liedson tem a reputação que tem), pois o estilo é semelhante. Agora, não sei é se é uma comparação elogiosa. A mim parece-me exactamente a razão pela qual Wilson Eduardo é horrível. É mau em tudo o que o Liedson é mau e é mau também naquilo em que o Liedson é bom. Corolário: não presta para nada.
6. Mais recentemente, fala Pedro Fajardo de Marco Matias, um extremo que pertence aos quadros do Sporting, saído da fornada de juniores do ano passado. Não é muito talentoso, embora seja forte no um para um, graças ao seu poder de arranque e à técnica que possui. Mas não é daqueles jogadores que consiga resolver jogos sozinho e não é, seguramente, um jogador de grande futuro a nível nacional. Ainda assim, Pedro Fajardo pensa que ele seria bom para integrar o plantel leonino esta época, mesmo não jogando o Sporting com extremos. Diz o seguinte:
"Sejamos objectivos, a principal razão para que tenha pensado em Marco Matias durante esse jogo contra o 13.º classificado da Championship da época transacta, não se prende com as qualidades deste jogador - que acompanhei durante duas épocas nos escalões de formação do Sporting. Deveu-se antes à falta de largura e jogadores que tenham capacidade para assumir o risco do 1x1 no futebol do Sporting. Marco Matias, tal como Yannick Djaló, são dois representantes de uma escola de extremos que não encontra espaço para jogar no 11 principal do clube. Mas essas são outras questões."Pois, eu sei que questões são essas. Pedro Fajardo quer extremos à força toda, mesmo que não os haja. Pertence àquele grupo de gente que continua a achar que o Sporting produz os melhores extremos do mundo e que, por isso, devia jogar com extremos, mesmo quando não há um de jeito desde o Nani. E como quer extremos e não os há a não ser banais, acredita que a banalidade de Marco Matias pode ser útil.
"As suas características não se fazem: há poucos jogadores com a sua capacidade individual, há ainda menos com capacidade para fintar em progressão, há falta de largura no futebol do Sporting. Marco Matias não seria titular perante consagrados como Marat Izmailov, Yannick Djaló, Simon Vukcevic ou Bruno Pereirinha, caso o Sporting alinhasse num 4-3-3, mas seria uma belíssima solução para ir oferecendo minutos, porque poderia, com um golpe de asa, decidir uma partida."Pedro Fajardo nem sequer sabe o que é capacidade individual. Marco Matias é do nível de Bruno Gama, Vieirinha, Candeias, David Caiado e outros que nunca hão-de jogar a um bom nível porque simplesmente só têm de bom o um para um, não sendo porém excepcionais nesse aspecto. E decidir um jogo num golpe de asa é para jogadores fora-de-série, não para jogadores medianos.
"Num plantel que se quer de soluções, Marco Matias seria uma óptima oportunidade para que o Sporting voltasse a colocar o seu nome na esfera dos extremos decisivos. As orientações actuais, contudo, são outras."Cá está. Pedro Fajardo quer é que o Sporting volte a colocar o seu nome na "esfera dos extremos decisivos", mesmo quando eles não existem. E nem percebe que o problema não são as "orientações actuais". O problema é mesmo a falta de qualidade dos extremos que têm aparecido nos últimos anos.
7. Pedro Fajardo tem ainda opinião sobre Celestino, mas desta vez deixa no ar um indelével sabor a esquizofrenia. Diz o seguinte:
"E, por isso, começo com a conclusão: não vejo no Pedro Celestino as qualidades necessárias para se tornar um jogador de top nacional."Eu também não. Até aqui tudo bem.
"parecendo paradoxal (prometo que não é), é por isso que Pedro Celestino poderia ser uma solução para o Sporting."Então?? Que é que se passou? Parecendo paradoxal?? Não... É mesmo paradoxal, pá! Então não tem valor e poderia ser uma solução para o Sporting? Nunca se virá a tornar um jogador de topo nacional e o Sporting deve prolongar o vínculo com ele e até integrá-lo no seu plantel? Que é que se passa? Queres explicar? E ele explica:
"face aos lamentos de Paulo Bento relativamente à indisponibilidade de Marat Izmailov, diria que Celestino era mesmo a solução óbvia."Primeiro não tinha valor; depois já podia ser solução; agora já é a "solução óbvia". É óbvio que isto não faz sentido nenhum.
"E porquê? Em primeiro lugar, haveria que partir do princípio que o treinador do Sporting admitia mudar o modelo de jogo consoante as características dos seus jogadores. Se assim fosse, Celestino poderia revelar-se uma boa solução no plantel para preencher as posições 6 e 8 num 4-3-3, quer nos jogos em que se desejasse oferecer músculo (saído do banco) à equipa, quer nos jogos em que, a perder, se pretendesse libertar mais os alas para tarefas ofensivas e aproveitar a boa qualidade de passe que possui."Ah!! Era solução se Paulo Bento decidisse mudar o modelo de jogo. Faz todo o sentido, agora. Acho que o Sporting também devia modificar a cor dos equipamentos, só mesmo para satisfazer a vontade a Pedro Fajardo, que parece um rapaz dado a caprichos. Mas ele continua. E fala da altura em que conheceu Celestino e do que escreveu sobre ele:
"E como a internet tem destas coisas, é curioso constatar qual foi a primeira impressão que me deixou. Aqui a está: "Celestino é um médio forte, difícil de se lhe roubar a bola, mas como 10 não pode jogar pois não transporta a bola e não a vai buscar". Conforme também mencionei, "talvez possa ser interessante colocá-lo numa ala." É curioso constatar que, com apenas 90' de observação (ou sou muito teimoso ou...) mudei muito pouco de opinião sobre o ‘Celeste'."Isto é formidável. Primeiro, Pedro Fajardo relaciona a força com a facilidade que tem para preservar a bola, como se uma coisa fosse a consequência da outra. Celestino nunca foi especialmente forte a preservar a bola, apesar de ser forte. Mas como Pedro Fajardo acha que a força faz com que se segure melhor a bola, tem estas ideias. Erradas, obviamente. De seguida, diz que como 10 não pode jogar porque não transporta a bola e não a vai buscar. Ficamos a saber que, para Pedro Fajardo, só pode jogar a 10 alguém que transporte a bola. Aimar, Lucho, Diego, Xavi, Iniesta, Fabregas, Deco, Lampard e Gerrard jamais poderão jogar a 10. Conforme também mencionou, achava que poder-se-ia colocá-lo numa ala. E, apesar de Celestino nunca ter jogado na ala e de ele próprio ponderar que ele jogue como 6 ou 8, acha que mudou pouco a sua opinião sobre Celestino. A mim parece-me que ele não sabe o que é uma opinião. Além de raramente ter opiniões acertadas. Como prémio final, ainda se refere de forma carinhosa e ligeiramente homoerótica a Celestino, usando um nome de mulher ao tratá-lo por "Celeste".
8. No mesmo texto em que se refere a Celestino, Pedro Fajardo fala da equipa de juniores do Sporting em que Celestino jogou do seguinte modo:
"Já por aqui referi quando o bichinho dos jogos da formação germinou para mim: falava-se de uma imbatível geração (1989) de juvenis e de uma de juniores (1987) que passeava pelos relvados portugueses. Nessa formação de juniores jogavam alguns que já tinham sido, inclusivamente, chamados ao plantel principal: Rui Patrício era o guarda-redes, André Marques o defesa esquerdo, Zezinando
o trinco, Bruno Pereirinha 8 ou extremo, David Caiado era extremo e Tomané avançado. Todos eles, durante essa temporada, haviam sido chamados - uma vez ou outra - a sentar-se no banco de suplentes do Sporting e mesmo a actuar alguns minutos. Nessa equipa falava-se muito de dois outros jogadores: João Martins (o mano mais novo de Carlos, que por essa altura ainda jogava de leão ao peito) e de Fábio Paim. Foi assim que, cheio de curiosidade, comecei a acompanhar os jogos do Pedro Celestino."Acho engraçado que tenha começado a acompanhar os juniores do Sporting nessa altura, que refira vários jogadores dessa geração e que não mencione o melhor deles todos, Diogo Tavares, que por acaso até foi o melhor marcador do campeonato de juniores desse ano e que foi frequentemente o melhor marcador do escalão em que jogava e que era titularíssimo da selecção. É sobretudo engraçado que mencione Tó Mané, quando este jogador não jogava para jogar Diogo Tavares. E se calhar vale a pena dizer ainda que Daniel Carriço já despontava ao lado de Paulo Renato e que André Nogueira era um lateral-direito notável, como nunca mais se viu nenhum nos juniores do Sporting. Mas Pedro Fajardo não viu essas coisas. Viu outras.
9. Pedro Fajardo revela ainda uma paixão especial por mais um jogador banal, elevando-o ao Olimpo das estrelas da formação do Sporting como se se tratasse do Hércules de Alcochete. Falo de Bruno Matias. Diz ele o seguinte:
"Sobre Bruno Matias: "A dispensa de Bruno Matias (um jogador muito superior, por exemplo, a Carlos Saleiro) também nos diz algo sobre o método e sobre a estratégia."Pedro Fajardo acha que Bruno Matias é superior a Carlos Saleiro. A razão, imagino, prende-se com a capacidade concretizadora que ele diz que Bruno Matias tinha nos juvenis. Esquece-se é que Saleiro é mais jogador em tudo o que importa: é mais inteligente, é melhor de costas para a baliza, compreende melhor o jogo e tem atributos colectivos que Bruno Matias nunca terá. Continua ele:
"E, para qualquer sportinguista, a dispensa de Bruno Matias deve ser vista com preocupação. Porque, além de William Owuso e de Wilson Eduardo, só se vislumbram atacantes com potencial para serem de primeira linha nos Juvenis B (Altair Jr. e Betinho). Passará algum tempo até que o Sporting tenha outra geração excepcional."
Em tão poucas linhas, Pedro Fajardo consegue dizer asneiras que dão para um ano. Diz que é preocupante a dispensa de Bruno Matias, quando é um jogador claramente abaixo da média, e depois refere que sobram William Owuso e Wilson Eduardo, que também não são grande espingarda. Parece-me é que os padrões de Pedro Fajardo ficam um pouco abaixo do desejado. Finalmente, remata com a esplêndida advertência de que vai demorar para haver outra geração excepcional. E a verdade é que a geração de Bruno Matias, Marco Matias e William Owuso foi a menos excepcional dos últimos cinco anos. Não é engraçado, o Pedro Fajardo?
10. Mas Pedro Fajardo também tem opiniões sobre o Benfica. Diz ele:
"O Sport Lisboa e Benfica dispõe de um lote de jogadores de excelente qualidade, onde pontifica a qualidade técnica de Nélson Oliveira, a velocidade de Ishmael Yartey, a solidez ofensiva de David Simão, Leandro Pimenta e Lassana Camará, devidamente reforçada pela irreverência e singularidade do ex-leão Mário Rui."Pedro Fajardo adjectiva elogiosamente alguns jogadores do Benfica. Mas colocar no mesmo prato os primeiros três com os seguintes é estúpido. Além disso, se há coisa que o David Simão tem não é solidez ofensiva. É tecnicamente bom e tem boa visão de jogo, mas falta-lhe clarividência e sobretudo muito velocidade de execução. Leandro Pimenta e Lassana Camará, então, são ofensivamente patéticos, um por falta de talento, o outro por falta de talento e por falta de tudo o que seja atributo para jogar futebol. Resta Mário Rui, que é péssimo a todos os níveis, mas que Pedro Fajardo considera possuir irreverência e singularidade. Mário Rui cerra os dentes em todas as jogadas e distribui fruta até na bola. Há quem lhe chame parvoíce. Pedro Fajardo prefere chamar-lhe singularidade. É capaz de ter razão...
E com estas dez pérolas me fico. Pedro Fajardo, esse, por certo continuará a presentear o mundo do jornalismo retrógrado com opiniões e disparates fabulosos, capazes de encher páginas e de motivar risadas e boa disposição a quem, por ter massa encefálica própria de um ser humano normal, consegue perceber coisas para além do óbvio e distinguir a qualidade da mediocridade.